A Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) é uma oportunidade para reunir governos e a sociedade civil para ação orquestrada em prol da melhoria de vida das pessoas idosas.
A violência contra idosos é um problema subnotificado mundialmente que existe tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Embora a extensão dos maus-tratos contra idosos seja desconhecida, sua importância social e moral é incontestável.
Por isso, a ONU instituiu o dia 15 de junho de 2006 como o Dia Mundial da da Consciencialização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa para definir abordagens culturalmente contextualizadas para detectar e lidar com a violência contra esse grupo populacional.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou nos últimos cinco anos 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência, o que representa uma média de cinco por dia, divulgou hoje a instituição.
Os dados estatísticos da APAV indicam um aumento de 26,5% no número de idosos apoiados entre 2021 e 2025, sendo que a ajuda foi dada em resposta a 15.804 crimes e outras formas de violência
A violência doméstica continua a ser o crime mais frequentemente registado, representando 78,9% das situações acompanhadas pela APAV, o que corresponde a 12.465 crimes.
Seguem-se a ameaça ou coação (3,7%), a ofensa à integridade física (3,7%), a difamação ou injúria (3%) e a burla (2%).
A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (76,3%), tinha entre 65 e 74 anos (49,4%) e nacionalidade portuguesa (92,7%), sendo mais de metade (55,9%) dos agressores do sexo masculino.
A APAV assinala que "a violência contra pessoas idosas ocorre maioritariamente em contexto familiar, sendo a pessoa agressora, na maioria das situações, filha ou filho da vítima (32,3%), seguida do cônjuge (21,5%)", acrescentando que 29,8% dos agressores tem entre 25 e 64 anos.
A associação salienta também que "mais de metade das vítimas apoiadas (53,6%) encontravam-se em situação de vitimação continuada", entre as quais 23,4% que viveram situações de violência durante um período compreendido entre dois e seis anos antes de procurar apoio.
Quase metade das vítimas (46,6%) não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades.
Para a instituição, "estas estatísticas reforçam a necessidade de continuar a investir na prevenção, deteção precoce e apoio especializado às pessoas idosas vítimas de crime e violência, bem como na sensibilização da sociedade para uma realidade frequentemente invisível".
A APAV, criada em 1990, presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, por telefone, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, 'online', no Chatbot APAV, e presencialmente nos seus gabinetes espalhados pelo país.
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