Os Holygram são uma banda alemã de post-punk formada na cidade de Colónia em 2015. A sonoridade da banda, em especial na faixa “She's Like The Sun”, integrante do álbum de estreia Modern Cults lançado em 2018, caracteriza-se por uma fusão densa e envolvente de várias vertentes da música alternativa. O post-punk e o darkwave formam a espinha dorsal do tema, que assenta em linhas de baixo pulsantes, repetitivas e hipnóticas, acompanhadas por ritmos de bateria mecânicos e precisos. A estas influências junta-se o shoegaze, criando uma parede sonora rica em guitarras repletas de efeitos de reverb, delay e distorção, que geram uma atmosfera etérea e imersiva. Adicionalmente, a herança do krautrock reflete-se na estrutura motórica e contínua do ritmo, enquanto os sintetizadores sombrios conferem uma textura industrial e urbana de inspiração oitentista.
No que toca ao significado da canção, “She's Like The Sun” aborda a fascinação, a obsessão e a alienação nas relações interpessoais e na vida urbana contemporânea. A figura feminina que «é como o sol» surge como uma metáfora dupla: por um lado, representa um farol de luz, calor e atração magnética no meio da escuridão da metrópole; por outro, evoca uma força avassaladora e perigosa que, tal como o sol, encandeia ou queima quem dela se aproxima demasiado. A letra reflete assim a procura de ligação num mundo marcado pela desconexão emocional, pela nostalgia e pela melancolia existencial, onde o desejo e o isolamento se entrelaçam profundamente.
Por sua vez, o videoclipe adota uma abordagem intimista e descontraída que contrasta com a densidade da música. Apresentado num formato estilo karaoke e produzido em tom de diário de bordo pelo realizador Janosch Pugnaghi, o teledisco utiliza imagens captadas durante a digressão da banda pela América do Norte em 2018. Em vez de uma narrativa obscura tradicional do género, o vídeo mostra os membros da banda em bastidores, viagens e momentos de estrada. Este contraste entre a melancolia melódica e as imagens reais humaniza o projeto e desmistifica a figura do mito do rock, transformando o trajeto numa viagem nostálgica de companheirismo.
A nível de influências literárias e filosóficas, a lírica e o conceito estético da banda bebem de várias referências intelectuais marcantes. A metáfora do sol liga-se diretamente ao mito clássico de Ícaro e à tentação de voar demasiado perto do objeto de desejo ou fascínio, sabendo que a proximidade excessiva pode resultar em destruição emocional. Paralelamente, a temática do absurdo, do isolamento individual na cidade moderna e da busca incessante de sentido reflete o existencialismo de autores como Albert Camus e Jean-Paul Sartre, onde o indivíduo navega pela noite urbana à procura de uma luz que valide a sua existência. Por fim, o ambiente industrial e néon evoca a literatura de ficção científica distópica, explorando a alienação nas hipermetrópoles onde o indivíduo é engolido pela arquitetura fria e pela tecnologia, restando-lhe cultos modernos de afetos e obsessões para preencher o vazio existencial.
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