quinta-feira, 13 de julho de 2017

Alimentação saudável: comer sem pesticidas!, por João Miguel de Freitas

Estávamos em Abril de 2017 e a PRIMEIRA recomendação do médico entre 6 sugestões "amigas para a sua mesa" escreveu :
"1. Comprar, sempre que possível, alimentos frescos provenientes da agricultura orgânica onde não são utilizados pesticidas ou fertilizantes químicos. Por exemplo, procurar conhecer os produtores que não utilizam estes componentes
"


Camille Pissarro- Peasant Women Planting Stakes, 1891 

Estou a escrever-vos este artigo com um autêntico “nó” na garganta. Ainda que, tal como a maioria das pessoas, tenha contactado com informação relativa à produção massificada de alimentos, quer de origem animal, quer vegetal, neste passado fim de semana, pude realizar um módulo de formação subordinado à contaminação dos nossos alimentos, que me deixou ainda mais preocupado.

Quais são os alimentos que apresentam os maiores índices de pesticidas? O que fazer para consumir mantimentos com confiança e tranquilidade?

De uma forma comum, somos “bombardeados” com a importância do consumo de alface, tomate, pepino, maçã, peixe, frango... alimentos de que, de uma forma geral, gostamos. Mas o pior é que são esses os alimentos que, geralmente, contêm as doses residuais mais elevadas de pesticidas, como DDT, capazes de agir sobre o nosso sistema endócrino e imune, ou seja, substâncias que podem alterar o nosso normal funcionamento.

Este cocktail químico influencia-nos através de uma redução da fertilidade, de um aumento de alguns tipos de tumores, do aparecimento de diabetes mellitus e da obesidade. Estes componentes, infelizmente, estão também presentes em outros produtos que utilizamos diariamente, tais como: fármacos, cosméticos, embalagens, recipientes de plástico e até revestimentos de latas.

A questão não é, de todo, simples! Por um lado, necessitamos de alimentos para uma população em crescendo, mas, por outro lado, é fundamental garantir que os mesmos alimentos são submetidos a controlos mais ou menos severos para garantir a saúde do consumidor. Ainda não se conhece bem os efeitos no nosso organismo de todas estas substâncias utilizadas para evitar o ataque de pragas e insetos e para melhorar a aparência e a durabilidade do que consumimos. Sabemos, sim, que os alimentos em que foram encontrados mais resíduos de pesticidas são: alface, tomate, pepinos, maçãs, pêssegos, pimentos, morangos, peixe criado em viveiros e animais submetidos a alimentação à base de ração (contendo restos animais, hormonas de crescimento e antibióticos). Os menos contaminados são: banana, cenoura, ervilhas, legumes e hortaliças protegidos por uma casca mais grossa, peixe capturado “selvagem” e animais criados sem suplementação alimentar.

No dia-a-dia, e como consequência da crise económica que estamos a atravessar, sabemos que uma parte significativa da população consome de forma insuficiente frutas, verduras e legumes. Se a este aspeto associarmos alguns componentes tóxicos, esta situação sofre um claro agravamento que se vai refletir num aumento do número de casos de tumores, malformações congénitas, patologias endócrinas, neurológicas e mentais.

O ideal para a saúde pública seria evitar ou reduzir ao máximo o consumo dos pesticidas nos cultivos e na alimentação em geral, mas é preciso ser realista: compete a cada um de nós a missão de eliminar parte do risco. Alguns aspetos fundamentais passam por lavar os produtos antes do seu consumo, por exemplo, no caso dos morangos e tomate, como o tóxico utilizado é de superfície, temos de lavar bem a parte externa do alimento com água para eliminar o risco. Para outros alimentos em que o produto penetra e afeta o seu interior, o aquecimento pode inativar os efeitos adversos dos pesticidas, excetuando o zinco e o estanho, já que, nestes casos, o aquecimento não elimina o perigo.

Deixo 6 sugestões amigas para a sua mesa:
1. Comprar, sempre que possível, alimentos frescos provenientes da agricultura orgânica onde não são utilizados pesticidas ou fertilizantes químicos. Por exemplo, procurar conhecer os produtores que não utilizam estes componentes;

2. Lavar cuidadosamente as frutas e verduras com água e bicarbonato de sódio: não serve para remover completamente todos os pesticidas, porém ajuda na remoção de grande parte;

3. Tirar a casca aos alimentos antes de consumi-los – os pesticidas têm maior concentração na porção externa;

4. Comprar, de preferência, peixe “selvagem”;

5. Aderir, com outras pessoas, a grupos de compra de produtos biológicos, tais como: frango, carne de vaca, porco, ovos, frutas e legumes. A associação estimulará o aparecimento de mais produtores deste modelo de produção;

6. Sempre que possível, cultive alguma coisa, mantenha pequenas hortas no jardim, no quintal ou em zonas urbanas. Os resultados serão modestos, mas o tempo dedicado ao cultivo, para além de poder ser um ponto zero em tecnologias, feito apenas de convívio familiar, poderá possibilitar-lhe a produção de hortaliças e legumes com nenhum traço de pesticida, em condições controladas por si.

Proteja a sua saúde, não a envenene!

domingo, 9 de julho de 2017

A Análise de Pedro Venâncio- Que a tragédia em Pedrógão Grande não aconteça mais. Jamais.

Bom serviço público. Que a tragédia em Pedrógão Grande não aconteça mais. Jamais.


Depois das estimativas feitas em tempo quase-real, com base em dados MODIS, posso agora, com mais alguma segurança, fazer uma atualização das informações referentes aos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, na sequência do processamento de um conjunto de imagens do satélite Landsat 8, nomeadamente do dia 15 de junho e do dia 1 de julho.

A estimativa atual vai para algo na ordem dos 45.650 hectares, distribuídos pelas seguintes classes de severidade:
- Severidade Baixa: 3.785 ha (8%);
- Severidade Média: 6.635 (15%);
- Severidade Alta: 13.763 (30%);
- Severidade Muito Alta: 21.465 (47%).




Em termos de ocupação, por ordem decrescente e com base na COS 2010:
- Florestas de eucalipto: 34,34%;
- Florestas de pinheiro bravo: 16,90%;
- Florestas abertas de pinheiro bravo: 7,51%;
- Florestas de eucalipto com resinosas: 6,39%;
- Florestas de pinheiro bravo com folhosas: 4,81%;
- Outras: 30.05%.










Concelhos afetados:
- Figueiró dos Vinhos: 10.592 ha (23,20%);
- Pedrógão Grande: 9.513 ha (20,84%);
- Góis: 8.660 ha (18,97%);
- Pampilhosa da Serra: 6.589 ha (14,44%);
- Sertã: 4.355 ha (9,54%);
- Castanheira de Pêra: 3.527 ha (7,73%);
- Penela: 1.730 ha (3,79%);
- Alvaiázere: 469 ha (1,03%);
- Ansião: 173 ha (0,38%);
- Oleiros: 35 ha (0,08%);
- Arganil: 2 ha (0,01%);
- Miranda do Corvo: 2 ha (0,00%).

sábado, 8 de julho de 2017

Reserva da Biosfera de Castro Verde, classificada como tal 3 dias antes da tragédia de Pedrógão

Fonte MAB 2017
Porque a prevenção é o melhor caminho para que no futuro se evitem tragédias como as que assistimos em Pedrógão, partilhamos um exemplo a ser seguido. 

O concelho de Castro Verde, "um ecossistema humanizado de alto valor natural" situado no Alentejo, foi  classificado como Reserva da Biosfera da UNESCO no dia 14 de Junho de 2017.

Com a classificação conseguida  o concelho de Castro Verde torna-se a 11.ª Reserva da Biosfera e a primeira a sul do rio Tejo, em Portugal, a ser inscrita na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

O Arqtº Paisagista Rui Pedro Lérias co-dinamizador dessa candidatura enviou-nos a seguinte mensagem (adaptado) 

"Car@s Amig@s,

Quis o destino que na mesma semana em que ocorreu a enorme tragédia causada pelos incêndios no centro do país a UNESCO reconhecesse o valor de um caso exemplar de trabalho de um município, das suas gentes e de uma organização ambientalista para encontrar uma alternativa à eucaliptização.

A Reserva da Biosfera de Castro Verde, classificada como tal 3 dias antes da tragédia, é o resultado do trabalho de 30 anos da CM de Castro Verde, dos seus agricultores e da LPN-Liga para a Protecção da Natureza para impedir a eucaliptização daquele concelho e demonstrar que é possível lutar por um desenvolvimento sustentável, que fixa as populações e protege a biodiversidade.

Nos finais dos anos 1980 a Portucel preparava-se para eucaliptar grande parte do Concelho. Mas conseguiu-se impedir o que parecia inevitável.

Querem um exemplo de alternativa ao que se passou? Estudem o caso de Castro Verde. E divulguem-no. [...] não esperem que sejam sempre os 'outros' a encontrar soluções. Porque de Norte a Sul do país há quem lute contra a eucaliptização de forma construtiva e com excelentes resultados.

Ajudem a divulgar e a tornar positiva a discussão sobre os incêndios e os eucaliptos.
Castro Verde é a mais recente Reserva da Biosfera da UNESCO em Portugal
Beijos e abraços a tod@s!
Rui Pedro Lérias"

Bons esclarecimentos também no Diário de Notícias

Notícia no site da UNESCO aqui (ver as imagens)  e que reproduzo

Castro Verde Biosphere Reserve (Portugal)

Located in southern Portugal, in the hinterland of the Baixo Alentejo region, this biosphere reserve covers an area of almost 57,000 ha. It encompasses the most important cereal steppe area in Portugal, one of the most threatened rural landscapes in the Mediterranean region. It has a high degree of endemism in its flora. There is a bird community of around 200 species, including steppe birds such as the great bustard and endemic species such as the Iberian Imperial eagle, one of the most endangered birds of prey in the world. The population of about 7,200 habitants lives from the extensive production of cereals and livestock rearing.

Uma boa definição de Homem por Agostinho da Silva (bilingue PT- EN)

Sleeping Eros, 3rd c.BC., Metropolitan Museum of N.York

“[…] uma boa definição de homem, para além de suas limitações físicas, seria a de que é um ser de embrionária liberdade, cujo dever, cujo destino e cuja justificação é o da liberdade plena; plena para ele, plena para os outros, plena para os animais, plena para ervas, plena talvez até para seixo e montanha”
~ Agostinho da Silva, “Nota a Cinco Fascículos” [1970], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp. 262-263.

"[...] a good definition of man, beyond his physical limitations, would be that he is a being of embryonic freedom, whose duty, destiny and purpose is to attain full freedom; full for him, for others, for animals, for herbs; full perhaps even for the pebble and for the mountain."

Obrigado, Paulo Borges, Maria Paula Lourinho  e Socratis Argyris

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Todas por um formiga, uma formiga por todas (com video)



Está em Inglês, mas as colónias/ sociedades de formigas são sempre intrigantes e fornecem pistas. Se escutássemos a Ciência Biológica e peer review que ela sofre também, também faríamos a mudança, se possível.

As formigas entram em guerra como nós, principalmente por comida. A colónia de Megaponera analis, espécie habita o Sahara, também entram em "conflitos". 

Um novo estudo publicado na Science em Abril de 2017 revela que as M. analis   têm uma estratégia nunca antes vista que ajuda as colónias quando sofrem baixas em tempo de guerra.

Ao contrário de todas as outras formigas-soldado, as M. analis transportam os seus camaradas feridos até casa.

Embora isso possa parecer uma pequena cortesia para os indivíduos que estão a ser resgatados, esses pequenos actos heroicos contam, diz o líder do estudo Erik T. Frank.

"Há um claro benefício para a colónia“, diz Erik Frank "Estas formigas feridas são capazes de participar novamente em ataques futuros e permanecer novamente como membro em plenas funções da colónia."


Watch never before seen footage of soldier ants saving their wounded comrades from the battlefield. Megaponera analis, a small black ant species native to sub-Saharan Africa, wages war on termite nests. Attacking ants can have limbs ripped off or even be decapitated by the termites. Instead of leaving the hurt ants behind, other ants will carry them back home where they can heal and participate again in future raids. Scientists estimate that this strategy can result in colonies that are about 30 percent bigger than those ant species that don't rescue their injured.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Distribuição do Eucalipto na Península Ibérica e no Mundo

Portugal ocupa a 5.ª posição a nível mundial em eucaliptos e a 1.ª em termos relativos. Ler página 16
"Eucaliptos- Mitos e Realidades" por Engenheiro João M. A. Soares, SEMAPA 16/nov/2006





Indianos plantam 66 milhões de árvores em 12 horas

Mais de 1.5 milhões de voluntários passaram o dia de 2 de Julho a plantar árvores numa tentativa de travar o aquecimento global

Ver galeria completa na Revista Sábado

O estado indiano Madhya Pradesh, no centro da Índia, organizou uma iniciativa ambiental e ontem conseguiu reunir 1.5 milhões de pessoas para plantar árvores.
As mais de 20 diferentes espécies de árvores foram plantadas nas margens do rio Narmada ao longo de 12 horas e o feito foi monitorizado por observadores do Guinness World of Records, que deverá em breve confirmar um novo recorde mundial.

A iniciativa ambiental sucede às 50 milhões de árvores plantadas no ano passado num dia no estado Uttar Pradesh e que fazem parte do compromisso do país sob o Acordo de Paris em aumentar as suas florestas em 95 milhões de hectares antes de 2030. 
"Ao plantar árvores, estamos não só a servir Madhya Pradesh, mas também todo o mundo", escreveu no Twitter, o primeiro-ministro do estado, Shirvraj Singh Chouhan.
A Índia é o terceiro país no mundo mais poluidor, segundo o Independent. Mas, segundo o primeiro-ministro do país, está determinado em combater as alterações climáticas. "A protecção do ambiente e do planeta é um princípio de fé", disse Narendra Modi. 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Cientistas avisam: Humanidade tem 3 anos para salvar a Terra da destruição

Please read the Six-point Plan for turning the tide of the world´s dioxide by 2020 and share widely and act.

54 graus no Irão: Pode ser a temperatura mais alta de sempre registada no planeta-
Texto original no Washigton Post aqui e em Português  no Jornal de Negócios aqui
O mundo tem apenas três anos para reduzir significativamente as suas emissões de gases do efeito estufa ou as mudanças climáticas vão afetar perigosamente a Humanidade. Aviso de um grupo de 60 cientistas e outras personalidades, numa carta publicada pela renomada revista científica Nature.

No comunicado,publicado na revista Nature, em 28 de Junho de 2017, o grupo de cientistas aponta que a taxa do nível do mar subiu 50% nos últimos 25 anos, ao passo que os últimos três anos foram os mais quentes desde que se iniciaram os registos das temperaturas pelo mundo, o que significa que governos, empresas e cidadãos precisam de refletir sobre as mudanças climáticas.

“Se as emissões continuarem a subir até 2020, ou mesmo se mantenham nos mesmos níveis, os objetivos de temperatura estabelecidos no Acordo de Paris serão inatingíveis”, explicam os cientistas, que citam um relatório publicado em abril de 2016.

“Reduzir as emissões a nível mundial é uma tarefa monumental, mas a investigação nos diz que é necessário, desejável e alcançável”, acrescentam.

Uma das consequências mais claras do aquecimento global são notadas na Gronelândia e na Antárctida, que estão a perder as suas camadas de gelo muito rapidamente, ao passo que o gelo também está a desaparecer no Ártico e os recifes de corais “estão a morrer por causa do calor”.

“Ecossistemas inteiros começam a ser destruídos. Os impactos sociais das alterações climáticas, secas e elevação dos mares são inexoráveis, e afetam primeiro os mais pobres e os mais fracos”, lamentam os cientistas. A subida das temperaturas ameaça alterar ecossistemas de uma maneira não vista há pelo menos dez mil anos”.

Foi essa perspectiva que fez o Acordo de Paris definir os limites de emissões de carbono, a fim de evitar que o limite anual de aumento fixado em 1,5ºC não seja ultrapassado. E para permitir que as emissões não voltem a subir, enquanto a economia mundial tenha tempo para se adaptar, os cientistas sugerem algumas medidas:

1.Aumentar a energia renovável para 30% do consumo de eletricidade;

2. Projetos e planos para cidades e estados abandonarem os combustíveis fósseis até 2050, com um financiamento de 300 mil milhões de dólares anuais;

3. Certificar-se que 15% de todos os novos veículos vendidos no mundo são elétricos;~

4. Reduzir as emissões líquidas provenientes do desmatamento;

Reduzir pela metade as emissões de carbono da indústria pesada até 2050;

5. Incentivar os governos e bancos privados para emitir mais “títulos verdes” para financiar os esforços de mitigação climática.

A carta foi assinada por 60 cientistas, políticos, empresários e ativistas, incluindo o ex-presidente do México, Felipe Calderón, a ex-presidente irlandesa, Mary Robinson, e o CEO da Unilever, Paul Polman.

“Haverá sempre aqueles que vão esconder as suas cabeças na areia e ignorar os riscos globais das mudanças climáticas. Mas há muitos mais de nós que estão comprometidos a superar essa inércia. Vamos ser otimistas e agir com ousadia”, concluem os autores.

terça-feira, 4 de julho de 2017

A História de uma vida dedicada à agricultura biológica- 37 anos! Parabéns, Maro!



Durante 37 anos, Maro lavrou a sua quinta orgânica, cultivando alimentos respeitando a natureza e recusou sempre  envenenar o solo com pesticidas.
P.S. 829 visualizações...
Obrigado, Maro!


For 37 years, Maro has cultivated her organic farm, growing food respecting nature and refusing to poison the soil with pesticides. 

Sugestão: se tem conta no youtube coloque lá o seu depoimento ou um texto. No mínimo Parabéns.

Tip: If you have an account on youtube, put your testimonial or text there. At least Congratulations.

Decrescimento: Do Mito da Abundância à Simplicidade Voluntária (2016)


Versão portuguesa do documentário ‘Decrecimiento: del mito de la abundancia a la simplicidad voluntaria’ (Luís e Manu Picazo Casariego, 2016) que foi exibida na RTP. Descreve como o movimento do decrescimento pretende sair da sociedade de consumo.
Existe um mundo presente, o mundo do desejo, do "ter", do "sempre mais", caracterizado pela ausência de limites ao crescimento econômico. Um mundo que está atualmente em colapso devido ao declínio dos recursos energéticos, das matérias-primas e à crise ambiental. E existe um mundo que já está chegando, o mundo do "ser", onde os chamados objetores de crescimento estão reinventando seu modo de vida, adaptando-o aos limites da biosfera e às reais necessidades dos seres humanos.

Tese Doutoramento
Decrescimento e Cuidado nas Iniciativas Locais Alternativas

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A comunidade cigana - mitos e verdades



A comunidade cigana – mitos e realidades, por Fernando Antunes*, 22.06.17, Abril

O primeiro estudo sobre as comunidades ciganas em Portugal aponta para a existência de 37 mil pessoas, sendo que 91,3% não tem o 3.º ciclo do Ensino Básico. Todavia, sendo este o primeiro estudo com uma natureza mais formal é de admitir que possam existir mais alguns milhares.

Seja como for, o seu diminuto número face ao conjunto da população deixa cair alguns mitos que por aí circulam. Afirmar isto não significa que se ignorem problemas e dificuldades, desde logo quanto à sua forma de estar no espaço público.

A verdade é que se nada resolve procurar «tapar o sol com a peneira», é certo que também nada resolve, antes pelo contrário, não valorizar e destacar o que de positivo é possível assinalar e registar. Por exemplo, há indicadores que apontam para o facto de 95% das crianças ciganas cumprirem o Plano Nacional de Vacinação. E, a importância deste dado está muito para além dos estritos aspectos de saúde, o que já não seria pouco olhando casos e polémicas recentes.

A sua importância é revelar a existência de ligação com as instituições, elemento-base para a possibilidade de abrir outros caminhos que, neste como noutros casos, terão de ser construídos com os próprios.

Não sendo propósito desta abordagem entrar pelo detalhe, anotava três aspectos:

O primeiro, o tão falado Rendimento Social de Inserção (RSI). Em 2015, o número de beneficiários do RSI era de cerca 296 mil pessoas, com um valor médio de 94,84 euros, sendo que cerca de 100 mil tinham 18 ou menos idade. Não havendo, e bem, registos segmentados, calcula-se que a comunidade cigana constitui somente 7% desse total de beneficiários.

Para mais de 50% dos abrangidos pelo estudo acima referido, o RSI foi o factor que fez regressar ou manter na escola as crianças, aspecto de grande importância para o processo de socialização. Haverá casos de fraude? Porventura haverá, mas a comunidade cigana não têm o exclusivo nesta matéria. O valor social do RSI, para além de outros aspectos, é de uma importância incalculável como contributo para uma política de inserção das crianças na escola.

O segundo, a questão do casamento e da habitação. A endogamia marca a relação entre os ciganos e isso favorece os casamentos precoces.

Do estudo referido, dois terços dos ciganos casaram antes dos 19 anos e 16%, fizeram-no entre os 12 e os 14 anos. A tradição conduz, em muitos casos, a que a rapariga vá viver para casa do rapaz (nunca o inverso), acabando por se constituírem famílias alargadas. Este é um elemento que importa ter presente na resposta às questões de habitação.

Mas o referido estudo anota que os interpelados, quando questionados sobre quem não queriam ter como vizinho, responderam: «outros ciganos». Isto conduz à desmistificação da ideia de que «são todos ciganos, dão-se todos bem, ficam todos juntos», seguindo um falso critério de homogeneização, como se fosse um conjunto indistinto. Tais critérios só podem conduzir à criação de bairros estigmatizados e, por outro lado, à potenciação dos factores que dificultam o estabelecimento de outras regras de relação social.

Por fim, os aspectos ligados com o espaço público, um dos principais, se não mesmo o principal problema potenciador de mal-estar e conflitualidades. Em locais de concentração de comunidades ciganas é comum a existência de muito lixo no espaço público envolvente.

Todavia, dentro de casa reina a limpeza, mesmo para os que vivem em barracas. Estamos em presença daquilo que a professora Teresa Costa Pinto sintetiza como «gosto pela casa, desgosto pelo bairro». Conforme referido atrás, a concentração das comunidades não ajuda à resolução do problema, ao contrário, aumenta-o exponencialmente.

O problema da deposição de lixo requer especial atenção, tendo presente que uma das principais actividades são as feiras, logo há mais cartão, embalagens, etc. Aliás, o mesmo acontece em bairros com concentração de comunidades africanas, nalguns casos com pequenas hortas, com plantação de milho e a sua desfolhagem, com tradições festivas próprias, etc.

Pretender tratar igual o que o não é, só pode ter um resultado. Ao contrário, terá de ser a partir da realidade concreta e do positivo que essas comunidades contêm, e é muito, que as soluções para um desenvolvimento harmonioso devem ser construídas. Os exemplos da Quinta do Mocho (Loures) ou do Bairro da Bela Vista (Setúbal) estão aí para o ilustrar.

*O autor é Engenheiro e Auditor de Defesa Nacional

domingo, 2 de julho de 2017

A Quercus e a Acréscimo apresentaram ao Governo medidas de política florestal para ajudar a resolver o flagelo dos incêndios em Portugal

Britango fotografado ao amanhecer na região do vale do rio Côa- por João Cosme


A Quercus e a Acréscimo requereram ao governo a concretização, com carater de urgência, de 12 medidas simples que visam:

A - Alterações à legislação de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI) que façam incluir as seguintes disposições:

1 – Obrigatoriedade de plantação de folhosas de baixa combustibilidade ao longo da rede viária municipal e nacional, numa faixa de 20 metros para cada lado a contar da berma da estrada, extensível a 50 metros no caso de autoestradas, itinerários principais e vias rápidas.

2 – Atribuição de responsabilidades cíveis e criminais a quem não cumpra e a quem não faça cumprir a legislação de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI).

B - Criação de instrumentos de ordenamento do território, fáceis de cumprir, de modo a combater a predominância das monoculturas florestais e de modo a quebrar o circulo vicioso de expansão do eucalipto:

3 – Proibição total de novas áreas com plantações de espécies de rápido crescimento, em particular de eucalipto.

4 – Dotar as manchas de folhosas autóctones de baixa combustibilidade e a vegetação ribeirinha de proteção legal, com proibição do seu corte.

5 – Obrigatoriedade de licenciamento (autorização prévia) para todas as arborizações e rearborizações, com parecer vinculativo emitido pela respetiva autarquia, tornando obrigatório que 20 % da área seja ocupado com folhosas.

6 – Definição em sede de Plano Diretor Municipal (PDM) , à escala 1/25.000, das atividades florestais e espécies permitidas em cada local, sem prejuízo do descrito nos números anteriores.

C - Intervenções ao nível da reestruturação fundiária:
7 – Obrigatoriedade do “Emparcelamento Florestal” , promovido pela Administração Central, em freguesias com propriedade rústicas com área média inferior a 10 hectares em mais de 25% do seu território. O emparcelamento poderá ser acompanhado de incentivos à instalação de outras culturas florestais, para madeira ou fruto, que não o eucalipto.

8 - Ampliar o património florestal público no interior de áreas protegidas e classificadas, através de compras e/ou expropriações, em locais relevantes para garantir a segurança de pessoas e bens e naqueles locais com ecossistemas florestais de relevância para a conservação da biodiversidade.

D – Medidas legislativas:
9 - Responsabilizar criminalmente quem venha a desenvolver ações de (re)arborização sem licenciamento, em especial no caso de as mesmas integrarem espécies de rápido crescimento;

10 – Criação de um sistema de rastreio à comercialização de materiais de reprodução florestal (sementes, partes de plantas e plantas), que permita uma eficiente fiscalização quanto ao seu destino final, combatendo a sua utilização em (re)arborizações ilegais.

E – Licenciamento industrial e mercados:
11 – Condicionar, no prazo de um ano, todas as unidades fabris de primeira transformação de produtos lenhosos, nas licenças em vigor e em novos licenciamentos, à obrigatoriedade de disporem de áreas próprias ou contratualizadas que satisfaçam, pelo menos, 25 % das suas necessidades anuais de abastecimento;

12 – Recativar o Instituto de Produtos Florestais, enquanto instrumento sectorial de regulação económica.

Texto e Plano com imagens da proposta aqui

sábado, 1 de julho de 2017

Eucaliptais e Celulose - "Contra a mentira, contra a demagogia!", por Nuno Filipe


Claro, se as coisas forem analisadas em pormenor, percebemos que numa fase inicial as produtoras de pasta de papel incentivaram a plantação a esmo do eucalipto.

Os proprietários, os milhentos pequenos proprietários, não se aperceberam no ardil em que caíram. Numa primeira fase, ao fim de uma dúzia de anos, arranjaram uns tostões, numa segunda fase, nos vinte-cinco anos, estavam com os terrenos exauridos e com os preços do m3 a caírem a pique, pois entretanto as "celuloses" tinham comprado milhares de hectares (com destruição da oliveira, carvalho, sobreiro etc) e obtiveram assim um nível de produção de quase auto suficiência. Entretanto Portugal ficou muito mais pobre e mais feio, sem a beleza natural da paisagem das folhosas.

O desordenamento florestal, a emigração, o abandono, transformaram grande parte do país num monstruoso matagal, pronto a arder todos os anos.

Obviamente que as matas de eucaliptos, de milhares de hectares, das produtoras de pasta de papel, essas devidamente tratadas e isoladas, com pontos de água, acessos e helicopteros, não ardem, mas o povo vê tudo arder e, pior que tudo, deixam-se morrer nas labaredas infernais como aconteceu agora.

Por isso, os que defendem esta situação, por oportunismo ou ignorância, faziam bem em não se "deixarem ir"! especialmente pelos demagogos que dizem que o eucalipto é até o que arde menos, quando mesmo os mais distraídos sabem que é a árvore que maiores cargas de energia desenvolve sendo o motor principal dos incêndios.

Se viajarmos pela Europa, a começar por Espanha, verificamos que a percentagem de eucaliptais é muito reduzida e, mesmo assim, essas áreas são limitadas e devidamente enquadradas por outras espécies.

O povo português não merecia, não merece isto. A agravar a situação os políticos sem escrúpulos, mentem e enganam, agora quando há oportunidade de reverter esta desgraça nacional, com um projeto piloto para a área da catástrofe.

Caros conterrâneos, abram os olhos!

Ler ainda Ranking do Eucaliptal em Portugal e estudos académicos

Ranking do Eucaliptal de Portugal no Mundo (dados de 2005) e estudos académicos

Sabia que Portugal ocupa a 5.ª posição a nível mundial em eucaliptos e a 1.ª em termos relativos?

Para que não fiquem dúvidas! Acima da Austrália.

O gráfico consta de um documento da Semapa, de 2007, a dona da The Navigator Company.




FOCAGEM:
As 24 cidades que vão desaparecer de Portugal por causa do aquecimento global


João Camargo citou alguns artigos, a maior parte dos quais disponíveis online:


Silva, J., dos Santos, P., Sério, A., Gomes, F. (2016) Effects of heat on dehiscence and germination in Eucalyptus globulus Labill. International Journal of Wildland Fire

dos Santos, P., Matias, H., Deus, E. et al. (2015). Fire effects on capsules and encapsulated seeds from Eucalyptus globulus in Portugal. Plant Ecol (2015) 216: 1611

Catry, F., Moreira, F., Deus, E., Silva, J. e Águas, A. (2015). Assessing the extent and the environmental drivers of Eucalyptus globules wilding establishment in Portugal - results from a countrywide survey. Biological Invasions 2015

Águas, A. et al. (2014). Natural establishment of Eucalyptus globulus Labill. in burnt stands in Portugal. Forest Ecology and Management 323 (2014) 47–56

Catry, F., Moreira, F., Tujeira, R. e Silva, J. (2013). Post-fire survival and regeneration of Eucalyptus globulus in forest plantations in Portugal. Forest Ecology and Management
Volume 310, 15 December 2013, Pages 194-203

Catry, F., Rego, F., Bugalho, M., Lopes, T., Silva, J., Moreira, F. (2006). Effects of fire on tree survival and regeneration in a Mediterranean ecosystem. V International Conference on Forest Fire Research

Calviño-Cancela, M., Chas-Amil, M., García-Martínez E., e Touza, J. (2016). Wildfire risk associated with different vegetation types within and outside wildland-urban interfaces. Forest Ecology and Management 372 (2016) 1–9

Fernandes, P., Catry, F., Moreira F. e Rego, F. (2010). Perigo, incidência e severidade do fogo nas florestas portuguesas. in ECOLOGIA DO FOGO E GESTÃO DE ÁREAS ARDIDAS, ISA Press
Silva, J.S., Moreira, F., Vaz, P., Catry, F. e Godinho-Ferreira, P. (2009). Assessing the relative fire proneness of different forest types in Portugal. Plant Biosystems - Official Journal of the Societa Botanica Italiana

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Banir o glifosato e apoiar a Agricultura Biológica

"Enquanto continuarmos a apostar na agricultura intensiva moderna só estamos a agravar o problema das alterações climáticas. Precisamos acima de tudo de uma agricultura de biodiversidade cultivada que recupere as sementes tradicionais e cuide do solo alimentando-o em vez de o empobrecer cada vez mais, como faz a agricultura intensiva." 
Texto completo * Full text Modern agriculture cultivates climate change – we must nurture biodiversity

DIGA NÃO AO GLIFOSATO
Parque Hortícola do Vale de Chelas (Biológico) @ Duarte D´Araújo Manta

RISCOS para a Agricultura, Saúde e Ambiente

Glifosato- compilação de 245 artigos científicos que descrevem os malefícios do glifosato sobre o ambiente, os animais e a saúde pública AQUI

Alternativas