segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Salmão de viveiro da Noruega – Alimento mais tóxico do mundo

Dois documentários sobre o Salmonopólio

E se alguém nos vier dizer que a posta de salmão grelhado que temos no prato, supostamente saudável, contém, para além de uma panóplia de medicamentos, pesticida da Monsanto... ?



1º -Documentário: Peixe, Criação em Águas Turbulentas
É uma questão de saúde pública

Documentário com legendas em Português

Uma ampla investigação a nível mundial mostra os segredos da indústria do peixe. Cientistas confirmam, por exemplo, que o salmão de viveiro é o alimento mais tóxico do mundo. Na Noruega, Vietname ou Suécia, o peixe tornou-se uma indústria com enormes fábricas de alta tecnologia, onde são usadas toneladas de produtos químicos para alimentar milhões de peixes. Por exemplo, cerca de 50% do bacalhau nasce com deficiências genéticas.

E não há regulador neste mundo com eles no sítio que actue em defesa do consumidor
À medida que muitas espécies se tornaram raras ou entraram em extinção, o homem resolveu “facilitar o processo de pesca” e a alternativa mais conveniente foi a criação de peixes em cativeiro. No entanto, essa não é a opção mais saudável.
A abordagem é bem crítica e revela como funciona a indústria de peixes com imagens exclusivas de cativeiros aquáticos espalhados por vários pontos do mundo.
O filme começa por apresentar a realidade em algumas aquiculturas na Noruega, onde há grande contaminação de produtos químicos. Kurt Oddekalv, um respeitado activista ambiental norueguês é o primeiro interlocutor de Nicholas Daniel e afirma que a criação de salmão é um desastre tanto para o ambiente como para nossa saúde.
É possível ver camadas de resíduos de pelo menos 15 metros de altura ao longos dos fiordes noruegueses – isso inclui excrementos, excreções, bactérias, drogas e pesticidas.

Mortalidade de salmão no cativeiro
Uma “fábrica” de salmão pode conter 2 milhões de peixes num espaço relativamente pequeno, o que resulta em doenças nos animais. Por isso, os criadores utilizam pesticidas perigosos, nomeadamente da Monsanto inicialmente produzido para actuar em plantas, para evitar as pragas causadoras de doenças e não perderem a mercadoria. Os pesticidas diminuem a imunidade do peixe que, doente, é tratado com mais drogas, incluindo vários antibióticos.
Ainda segundo Oddekalv, o salmão de cativeiro é um dos alimentos mais prejudiciais do mundo.

Uma pesquisa muito interessante foi realizada com ratos: os que consumiram salmão de cativeiro cresceram obesos, com grossas camadas de gordura em torno dos órgãos e desenvolveram diabetes. Outro problema dos pesticidas utilizados é que eles afetam o DNA do peixe, causando mutações genéticas.

O salmão apresenta mutações menos visíveis, mas igualmente preocupantes


O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.
O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E para  nos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.
As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.

Polpa de peixes em vez de peixe
Veja o documentário até ao fim e veja como o resíduo de peixe se torna um alimento muito valorizado, mas péssimo para a saúde. Nomeadamente, o aproveitamento industrial de partes do peixe que antes iriam para o lixo; a cabeça, o rabo e mesmo a pele do peixe. Tudo é lavado e moído, resultando em uma “polpa” que serve de alimento para … humanos e outros animais.
As melhores opções de peixes são os selvagens, como salmão selvagem do Alasca, sardinhas e anchovas. Como é dito no documentário, por um médico oncologista, quanto mais pequeno for o peixe menor riscos corremos e o consumo deve reduzir-se a 2 refeições por semana.
Infelizmente, também não podemos confiar na qualidade de todos os peixes selvagens, pois a maioria das águas está contaminada com metais pesados (como mercúrio) e outros produtos químicos, como dioxinas.

2º Um outro documentário (apenas disponível em Inglês) muito esclarecedor é o Salmonopoly, realizado por Wilfried Huismann e Arno Schumann, leva-nos a outras paragens e a outros segredos do “negócio”.

Práticas da aquicultura industrial da empresa Marine Harvest
A Marine Harvest é a maior preocupação mundial no que diz respeito a aquicultura. Produz mais de 100 milhões de salmão de viveiro por ano e fornece os consumidores na Europa, EUA e Japão. Mas a que preço?
Este império global é dirigido por John Fredriksen, um self-made man e um dos mais ricos do mundo. Na sua casa norueguesa, autodenomina-se de “Big Wolf”; “verde”, “duradouro” e “transparente”. Mas a realidade contradiz a filosofia da empresa, especialmente no Chile, onde a Marine Harvest é de longe o maior produtor, com cerca de 70 viveiros de peixe. O Chile, com a sua legislação que deixa a desejar, é um paraíso para os investidores. Tudo o que é proibido aos produtores de salmão na Europa é permitido no Chile, tendo como resultado 18 meses depois, um salmão carregado de químicos.
Em Abril de 2008, para “melhorar a imagem” da aquicultura intensiva em larga escala, a Marine Harvest firmou uma parceria com a WWF – World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza). A WWF é uma Organização não governamental (ONG) internacional que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, anteriormente chamada World Wildlife Fund, nome oficial ainda em uso nos Estados Unidos e Canadá.
Por um donativo de 100.000 euros por ano, a Marine Harvest pode usar o panda do logótipo da WWF para fazer propaganda do seu salmão de viveiro produzido industrialmente. Totalmente suspeito ecologicamente, mas muito bem sucedido economicamente: após o colapso durante a crise financeira, as acções da companhia subiram 270 por cento no Verão de 2009.
John Fredriksen é o principal protagonista deste “eco-thriller” posicionado no mundo obscuro de um gigante alimentar global.

sábado, 5 de novembro de 2016

A relevância dos carvalhais na floresta Portuguesa

Carvalho português ou cerquinho (Quercus faginea).
Os Carvalhais de folha caduca que outrora cobriram por completo o Norte e Centro de Portugal, bem como em algumas serras do Sul, desapareceram quase por completo da nossa paisagem por força da ação humana dos últimos milénios e necessitam urgentemente de Legislação para a sua protecção.
Estamos a falar dos Carvalhais de Carvalho alvarinho ou roble (Quercus robur); Carvalho negral ou pardo das beiras (Quercus pyrenaica) e Carvalho português ou cerquinho (Quercus faginea).

Espécies nobres e de elevada importância cultural e ambiental. Estas três nobres espécies estão agora reduzidas à insignificância de ocuparem menos de 2% da área florestal e cerca de 0,7% da área total de Portugal. São pois espécies severamente ameaçadas que sobrevivem apenas em alguns últimos redutos dispersos pelo país, tendo regredido 27% da sua área entre 1995 e 2010, segundo dados do Inventário Florestal Nacional. Para piorar a situação, já de si má, existe ainda uma pressão sobre os últimos Carvalhos e Carvalhais principalmente causada pelos fogos florestais e pelo seu corte para lenha na  utilização de uso doméstico. Temos também de referir que se tratam de espécies de crescimento lento e por isso com tendência a serem substituídas por espécies exóticas como o eucalipto, após o corte ou incêndio.

Estas espécies da flora autóctone portuguesa estão perfeitamente adaptadas ao nosso clima e às características dos nossos solos representando uma mais‐valia ambiental. Oferecem uma melhor qualidade do ar, preservação dos solos, recarga de aquíferos, estabilidade do clima, e na defesa da floresta contra os incêndios pela reconhecida resistência ao fogo e capacidade de regeneração.

A proteção destes Carvalhais irá refletir‐se ao nível da conservação da natureza, em particular pela capacidade de promover a diversidade da vegetação e fauna, estabelecendo um património natural e ambiental, que são a fonte de diferentes formas de vida essenciais e inteiramente imprescindível da riqueza do nosso país.

O principal problema do desaparecimento da nossa floresta característica deve‐se principalmente ao abate com a ausência de uma reflorestação com espécies autóctones, pela  construção de infraestruturas e edificações, por pastoreio excessivo, pela demora de crescimento, pela substituição por outras espécies exóticas, como o eucalipto ou até pela ação e recorrência do fogo. Os Carvalhais requerem especial atenção por parte da classe política e dos cidadãos pois, além da sua raridade, criam habitats dos quais dependem inúmeras espécies de fauna e flora silvestre.

Podem ter uma grande importância na prevenção dos incêndios tendo até já sido denominadas por alguns técnicos como “árvores bombeiras”, devido às suas características naturais de resistência ao fogo.

Assim, considera-se urgente a criação de legislação que proteja de forma eficaz os últimos exemplares e bosquetes destas espécies de Carvalhos autóctones. Legislação que conduza à sua proteção efetiva e, que inclua a proibição do corte destas árvores sem licença expressa das autoridades competentes para o efeito, à semelhança do que já acontece para o sobreiro e para a azinheira.

Petição a decorrer

Mais leituras

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Irena Žilić - The Moon

Melhor som aqui
Irena Žilić é uma das cantoras e compositoras mais respeitadas da cena alternativa croata, destacando-se por criar um som íntimo, melancólico e poeticamente denso, cantando exclusivamente em inglês. A sua canção "The Moon", que faz parte do aclamado álbum Haze, funciona como uma metáfora sobre o distanciamento emocional, os ciclos da vida e a busca por clareza em meio à névoa mental. Nesta faixa, a lua não surge como um símbolo de romance clichê, mas sim como uma presença fria, distante e constante, uma força que assiste às nossas falhas e transformações sem interferir, espelhando a dor de deixar algo ou alguém para trás e a aceitação da vulnerabilidade sob o luar. A relevância desta obra é tamanha que a famosa banda britânica Morcheeba gravou uma versão oficial do tema, após a artista ter feito a abertura dos seus concertos na Europa.

O estilo musical de Irena Žilić passou por uma evolução nítida ao longo dos anos. Inicialmente ancorada num indie folk acústico tradicional, com arranjos de cordas suaves e dedilhados que remetem para o universo de artistas como Laura Marling ou Cat Power, a compositora expandiu a sua sonoridade em "The Moon". Nesta faixa, o folk alternativo funde-se com texturas eletrónicas subtis e linhas de baixo mais marcadas, criando uma atmosfera sombria, cinematográfica e envolta em névoa.

No que diz respeito às influências filosóficas, romancistas e poéticas, a escrita de Irena bebe diretamente de grandes correntes artísticas e existenciais. Há um forte tom existencialista na sua obra, visível na forma como aborda o isolamento, a nostalgia e o peso das escolhas individuais. Além disso, a sua poética carrega a herança do Romantismo do século XIX, onde os elementos da natureza, como a lua e a neblina, funcionam como extensões diretas do estado psicológico do eu lírico. Esta narrativa introspectiva aproxima-se do romance psicológico, assemelhando-se a páginas arrancadas de um diário íntimo que capturam estados de espírito e vislumbres de lucidez, uma escolha estética que se complementa com a opção de compor em inglês, língua que, segundo a própria, flui de forma mais natural para expressar esta melancolia.

Significado do videoclipe
O videoclipe de "The Moon" é uma obra visual de caráter minimalista e conceitual, realizada em parceria com os coletivos artísticos 73collective e Tricycle Trauma. Gravado no palco do KUC Travno, em Zagreb, o vídeo abdica de qualquer narrativa linear e aposta na dança contemporânea, na acrobacia aérea e no contraste extremo de luz e sombra para traduzir a densidade da música. O cenário, desprovido de ornamentos, coloca Irena Žilić no centro de uma penumbra que simboliza a própria mente humana em um estado de isolamento e vulnerabilidade. Enquanto a cantora interpreta a faixa de forma contida e introspectiva, os performers ao seu redor corporificam os conflitos internos, o cansaço psicológico e a busca por libertação emocional que a letra sugere.

O significado central do videoclipe gira em torno da exaustão e do desapego, ilustrando visualmente a metáfora de "perseguir a lua". A escuridão total do palco representa a estrada escura mencionada nos versos iniciais da canção, funcionando como um reflexo da névoa mental que envolve o eu lírico. Os movimentos dos dançarinos nos tecidos aéreos — repletos de giros, suspensões e quedas controladas - trazem à vida os "fantasmas que não nos libertam". Essa dinâmica física expressa a frustração de tentar alcançar o impossível e a dor de aceitar o fim de um ciclo. No final, o clipe se consolida como uma representação poética sobre encarar as próprias sombras e aceitar a solidão como um passo necessário para encontrar a clareza e a transformação espiritual.

Página Oficial
Irena Žilić

Música do BioTerra: Ryogen


Youtube
Instagram
Biografia

Ryogen, morreu em 18 de Setembro de 2017 de cancro.
Ele havia lutado contra o linfoma maligno nos últimos anos.
Como pode ver nesta performance, ele era um jovem, guitarrista e músico muito talentoso.
Espero que muitas pessoas se lembrem deste artista, e da sua música tanto quanto possível.

Guitar Performance of Ryogen in AMF, Amateur Music Festival

O Filme completo Demain (Amanhã) de Cyril Dion - Manana (Versão Espanhola)


Español

E se mostrar soluções, contar uma história positiva, fosse a melhor forma de resolver as crises ecológicas, económicas e sociais que atravessam o nosso mundo?
Após a publicação de um estudo que anuncia a possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, Cyril Dion e Mélanie Laurent partiram com uma equipa de quatro pessoas para investigar em dez países aquilo que poderá provocar esta catástrofe e, sobretudo, como evitá-la. Durante a viagem, encontraram pioneiros que reinventaram a agricultura, a energia, e economia, a democracia e a educação. Ao juntarem todas as iniciativas positivas em funcionamento começam a ver emergir aquele que poderá ser o mundo de amanhã…

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sólida, robusta e indispensável. A ponte Luiz I fez 130 anos


A 31 de Outubro de 1886 foi inaugurado oficialmente o tabuleiro superior da Ponte Luiz I, conhecida entre os portuenses como Ponte D. Luis. O tabuleiro inferior apenas foi inaugurado em 1887.

Fora em 11 de Agosto de 1880 que se dera a abertura do concurso público para a concepção e construção de uma ponte que fizesse a ligação entre as duas margens do Douro aos dois níveis: junto ao rio e superiormente, entre as escarpas.

O tabuleiro inferior destinava-se a substituir a Ponte D. Maria II, inagurada em 1843 e popularmente chamada Ponte Pênsil mas que já não se adequava ao crescente tráfego entre as duas margens do rio.


O concurso para a nova ponte recebeu 12 propostas, vindo a ser escolhida a apresentada pela empresa belga Societé Willebroek com projecto de Teophile Seyrig que havia já trabalhado na cidade, no projecto da Ponte Maria Pia em 1877.

A ponte D. Luis pesa 3045 toneladas e possui 2 tabuleiros com 8 metros de largura cada um. O superior tem uma extensão de 355 metros e o inferior de 175 metros.

A Ponte Luiz I permanece um ícone da engenharia moderna portuguesa e continua ser a única ponte em arco do mundo com dois tabuleiros à distância de 50 metros.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Documentário - Before The Flood (A Inundação da Terra) - 2016

Leonardo DiCaprio está de volta e desta vez para além de entrar no filme como figura central da obra, que entrevista líderes políticos, religiosos e cientistas, vai também produzir o documentário ‘Before the Flood‘.


O filme, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), segue a história de um activista ambiental enquanto chama a atenção para várias questões prejudiciais para o nosso planeta.

O filme apresenta-nos um relato fascinante sobre as mudanças climáticas, bem como as acções que nós como indivíduos e como sociedade podemos ter para evitar a interrupção catastrófica da vida no nosso planeta. O filme segue DiCaprio enquanto este viaja pelos 5 continentes e Ártico e fala com cientistas, líderes mundiais, activistas e moradores locais para obter uma compreensão mais profunda deste tema complexo. A ideia é investigar soluções concretas para o mais urgente desafio ambiental do nosso tempo.



Before the Flood (2016), dirigido por Fisher Stevens e apresentado por Leonardo DiCaprio no seu papel de Mensageiro da Paz das Nações Unidas, é um documentário focado na crise global provocada pelas alterações climáticas. Durante três anos de rodagem, DiCaprio percorre os cinco continentes e a região do Ártico para registar em primeira mão os impactos do aquecimento global. A narrativa acompanha o derretimento acelerado dos glaciares na Gronelândia, a desflorestação das florestas tropicais na Indonésia motivada pela expansão do óleo de palma e a poluição atmosférica sufocante nas grandes metrópoles chinesas. Em paralelo, o filme expõe como a dependência económica dos combustíveis fósseis e os interesses financeiros de multinacionais alimentam o negacionismo climático e travam políticas públicas mais rigorosas. Como resposta a estes cenários, o documentário defende soluções concretas, como a transição energética acelerada para fontes renováveis, a aplicação de taxas sobre a emissão de carbono, a adoção de dietas mais sustentáveis com menor consumo de carne de vaca e a participação política ativa através do voto em líderes empenhados na proteção do planeta.

Para contextualizar a gravidade da situação e apontar caminhos para o futuro, DiCaprio entrevista uma ampla diversidade de personalidades globais. No âmbito político e diplomático, contam-se intervenções de Barack Obama, então Presidente dos Estados Unidos, do Papa Francisco, que reflete sobre a dimensão ética e espiritual do cuidado com a Terra, de Ban Ki-moon, na altura Secretário-Geral da ONU,  de John Kerry, ex-Secretário de Estado norte-americano, e de Anote Tong, antigo Presidente de Kiribati, que partilha o impacto iminente da subida do nível do mar na sua nação insular. No campo da ciência e da ecologia, o filme reúne testemunhos do astronauta e cientista da NASA Piers Sellers, do climatólogo Michael E. Mann, do investigador Jason Box e da ativista indiana Sunita Narain, que traz ao debate a urgência da justiça climática nos países em desenvolvimento.

A perspetiva da inovação e do ativismo no terreno é completada por figuras como o empresário Elon Musk, que aborda o papel das baterias e da energia solar, o jornalista ambiental chinês Ma Jun, focado na transparência da poluição industrial, e o realizador Alejandro González Iñárritu, que relata as dificuldades causadas pela falta imprevista de neve durante as filmagens no terreno.

DiCaprio contou com a ajuda de Martin Scorsese na produção, de Trent Reznor e Atticus Ross na banda sonora, e a realização foi entregue a Fisher Stevens, vencedor do Óscar de Melhor Documentário, em 2009, com o filme ‘The Cove‘.

Mais sobre o Filme

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Matrimónio Sementes e Pesticidas

Em cima da mesa estão neste momento cerca de 59 mil milhões de euros, ou seja, a aposta da multinacional farmacêutica alemã "Bayer" na compra de "Monsanto", o gigante norte-americano dos pesticidas e das sementes que controla à escala mundial 90% dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Resta saber se as autoridades da concorrência já se pronunciaram e, na afirmativa, quais foram os procedimentos anti truste adoptados.

Em primeiro lugar, qual é o impacto desta fusão em termos de saúde pública? Há mais de 30 anos que a Monsanto lida com agentes cancerígenos (Cf. Centro Nacional de Pesquisa Científica e Universidade Pierre e Marie Curie, França). Concretamente, a exposição crónica aos pesticidas está associada a patologias graves, tipo linfoma não-Hodgkin e doença de Parkinson. O Roundup Supra, que representa 40% do volume de negócios da Monsanto, é um herbicida não convencional, de degradação muito lenta e de alta solubilidade na água (substância activa: glifosato). Ele actua no combate aos infestantes, em vinhas, pomares, etc., mas provoca intolerância ao glúten, uma proteína presente num vasto leque de alimentos do nosso quotidiano: trigo, cevada, centeio, queijos, etc.

Em suma, nesta aliança alquímica, as mutações genéticas introduzidas pela multinacional rentabilizam os seus herbicidas agro-tóxicos, sendo que as sementes manipuladas só são resistentes aos pesticidas que a multinacional fabrica! (Soja e milho transgénicos para resistir ao Roundup). Estamos face a uma contaminação da Natureza: a biodiversidade e a qualidade comprometidas, o que coloca a questão dos malefícios de certas biotecnologias. Mas também contaminação dos alimentos que temos à mesa. Na realidade, as sementes, riqueza e património da humanidade pela sua variedade, passam a ser simples mercadoria. Para os agricultores deixa de haver alternativa na escolha das sementes, isto é, das plantas, dos cultivos, do que se come e vende. Um sistema anti-social, como é o caso do algodão na Índia. Falam os media das responsabilidades da Monsanto nos suicídios por enforcamento de mais de 280.000 camponeses indianos do "algodão da morte"?* Que adianta ter sido a multinacional condenada várias vezes por agressões ambientais? A Bayer também não está acima de qualquer suspeita: é conhecido o caso das abelhas assassinadas por agentes tóxicos, sem falar na venda de produtos sanguíneos contaminados pelo vírus da Sida HIV.

Diz-se que o dinheiro não tem cheiro. Também não o terão as acções da Monsanto que Bill Gates e a sua esposa Melinda detêm em carteira! ("Via campesina" 2010). Sobretudo agora que o fundador da Microsoft virou filantropo, a querer fazer recuar a pobreza no mundo, com alguns donativos!

Qual é então o interesse da Bayer nesta aquisição aqui em análise? Em 2015, o seu volume de negócios em milhares de milhões de euros no sector agrícola era de 10,37%, enquanto o da Monsanto era de 13,40%, apesar das actuais quedas na venda de OGM. A oportunidade de uma fatia de mercado para a multinacional alemã, que só controla actualmente 22% das vendas no sector pesticidas-sementes. DuPont e Dow Chemicals também acasalaram. Trata-se, com estas fusões, de dominar o mercado mundial da agroquímica, se possível concentrado em uma só empresa, neste momento em mãos de três conglomerados empresariais. Concentração que é a melhor maneira de impor políticas agrícolas baseadas nas sementes OGM & pesticidas associados. Já em 2014 a Bayer alemã tinha procurado engolir a Syngenta, Companhia suíça de pesticidas, o que acabou por ser conseguido, não pela Bayer, mas pela ChemChina, que selou a compra da empresa suíça por cerca de 39 mil milhões de euros. O reverso da medalha de tudo isto é, invariavelmente, a perda da independência alimentar de agricultores e consumidores. Se o leitor tiver alguma apetência em obter outras abordagens do tema destas linhas, o acesso é fácil, dado que "O Mundo Segundo Monsanto", de Marie Monique Robin (2008) é uma obra traduzida em 15 línguas, em mais de 20 países!

António Branquinho Pequeno [Fonte: O Ribatejo]
PS - *4/5 de toda a investigação disponível nos media é proveniente de 3 grandes grupos empresariais! A França proibiu a cultura dos OGM no seu território mas os alimentos manipulados podem ser importados! Em Portugal (2015), o milho MON 810 da Monsanto é cultivado em Portugal (8000 hectares).

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A insustentabilidade da indústria petrolífera

Fonte: Futuro Limpo

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas promoveu no dia 18 de Outubro , a conferência "Produtos Petrolíferos e Sustentabilidade". Com a aparência, politicamente correcta, de proporcionar um confronto de pontos de vista, aparentando uma abertura ao debate, o que se pretende é fazer passar a ideia de que o negócio das petrolíferas é compatível com a sustentabilidade do Planeta. O que,como sabemos hoje, é falso.

“Sustentabilidade ambiental” é a capacidade de uma sociedade manter o consumo de recursos naturais sem pôr em causa as gerações futuras. “Sustentabilidade económica e social” é a capacidade dessa sociedade para suportar um certo nível de produção económica e de bem-estar social no mesmo horizonte temporal de longo alcance.

Ao longo dos últimos 30 anos a informação científica tem lançado o alarme: o consumo de combustíveis fósseis alterou gravemente o clima do Planeta e põe em causa a nossa sobrevivência na Terra: tudo indica que este ano virá a bater mais um recorde da temperatura média global sobre o de 2015; os últimos 20 anos, desde a assinatura do Protocolo de Quioto em 1997, demonstraram à exaustão que os combustíveis fósseis terão de desaparecer a ritmos mais ou menos acelerados, consoante o grau de ambição e responsabilidade política com que os países encararem a estabilização do clima do Planeta.

Por sua vez, o mundo económico e financeiro aponta elevadíssimos riscos de perda de valor para a indústria de combustíveis fósseis: em Julho de 2016, por exemplo, a Bloomberg apresentava um risco de perdas de 33 triliões de dólares, devido à limitação das emissões de gases com efeito de estufa, à competitividade crescente das renováveis e à inevitável quebra da procura dos seus produtos a curto-médio prazo. Com o objectivo de fornecer aos investidores informação sobre o risco dos seus investimentos, o Financial Times Stock Exchange passou a sistematizar um conjunto alargado de índices de capitalização, que cobre 98% do mercado mundial de capitais, dos quais excluiu as companhias associadas aos fósseis. Até os "mercados" já perceberam que é um enorme risco continuar a colocar dinheiro nos fósseis. O desinvestimento nos hidrocarbonetos é, por isso, um movimento crescente e, podemos mesmo dizer, imparável em todo o mundo: a família Rockefeller apontou “razões morais” para o fazer, e, muito recentemente, várias instituições católicas dos cinco continentes responderam ao apelo do Papa Francisco.  

Poderíamos ser tentados a pensar que se trata de iniciativas isoladas e sem impacto na economia real e nas nossas vidas, mas todas as dúvidas desaparecem com a ratificação massiva do Acordo de Paris por muitos governos do mundo, China e Estados Unidos inclusive, que entrará em vigor já no sobre a abalho apresentação apenas na narrativa do próprio recentemente da Alemanha, em banir o uso de automóvei no próximo dia 4 de Novembro. A descarbonização das economias do Planeta decorrerá nas próximas duas décadas, e uma coisa é certa: os produtos petrolíferos terão um papel cada vez mais diminuto, até desaparecerem. É uma questão de sobrevivência da espécie. Por isso, muitos países aceleram esta transição, com iniciativas parlamentares, como as da Holanda, Noruega e Alemanha, para banir o uso de automóveis a gasolina e gasóleo, a partir de 2025 ou 2030. 

Perante esta realidade, que sentido faz que, em Portugal, se pretenda iniciar um processo em contra-ciclo e, por isso, condenado à partida? O desespero parece ter-se apossado das petrolíferas perante a perspectiva de perder uns anos mais de exploração a todo o custo, beneficiando de autorizações legais irresponsáveis e sem ter em conta o interesse do país nem do Planeta. Isso explica que a APETRO tenha encomendado um trabalho sobre a "Importância da Indústria Petrolífera na Economia Portuguesa", que se foca apenas no passado recente, e mais grave ainda, sem qualquer referência a externalidades negativas ambientais, precisamente as que, no mundo actual, estão a determinar a mudança de paradigma do sector da energia! E é a mesma desesperada teimosia que a leva a organizar agora esta conferência, com um título que é, em si, um absurdo e uma afronta.

É altura de o sector petrolífero perceber, com clareza, que o mundo mudou e que os tempos são outros. A sociedade civil portuguesa já percebeu, como o provam as 42.000 respostas negativas à consulta pública promovida pela ministra do Mar para os furos de prospecção, as providências cautelares contra estes contratos apresentadas pelos autarcas algarvios e os movimentos de contestação que crescem todos os dias por todo o país. Não vale a pena branquear os produtos petrolíferos: pura e simplesmente, eles não são sustentáveis! Acabemos por isso com a teimosia em querer explorar petróleo e gás em território nacional, o que seria um elevadíssimo risco para as populações afectadas, para a economia, porque coloca em risco sectores vitais e de sucesso no nosso país, como o turismo e o surf, e até político, porque compromete a imagem que Portugal tem construído nos últimos anos como líder em renováveis.

António-Pedro Vasconcelos, Bruno Fialho, José Vítor Malheiros, Júlia Seixas, Lídia Jorge, Luísa Schmidt, Ricardo Paes Mamede, Rui Horta, Viriato Soromenho-Marques .

domingo, 30 de outubro de 2016

Animação: The Mantis Parable (A parábola do louva-a-deus), por Joshua Staub

The Mantis Parable was a labor of love, and was created entirely by me alone (story, visuals, animation, sound, and music) over an 18-month period in my spare time. - Josh Staub
Bela e tocante fábula sem entre uma borboleta e um louva-a-deus. Que nos remete para refletir um pouco sobre o que é "amar a Natureza".


A biofilia é o amor (philia) à natureza (bio). Este termo foi popularizado por Edward Osborne Wilson, num livro com o mesmo nome publicado pela Harvard University Press 1984. No seu livro, Wilson descreve a biofilia como uma tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas.

A biofilia de acordo com David Suzuki, no seu documentário Suzuki Speaks da Avanti Pictures, 2004, Canadá- diz que para sermos plenamente humanos temos que nos ligar a outras espécies, pois dependemos delas.

Já Timothy Beatley, enfatiza a conexão emocional do homem com a natureza e desenvolve a ética de conservação através de um complexo de regras de aprendizagem – somos mais generosos na presença da natureza.

Para saber mais
Entrevista ao autor (CG Society)

sábado, 29 de outubro de 2016

Pequeno Documentário: A Thousand Suns


O filme documentário "A Thousand Suns" conta a história do povo das 'terras altas' do Gamo, no Vale do Rift Africano, e da sua visão única do mundo. Eles vivem numa área que permaneceu isolada da civilização ocidental, encontrando-se notavelmente intacta tanto biológica como culturalmente há cerca de 10.000 anos. Trata-se de uma das regiões rurais mais densamente povoadas de África, onde as pessoas praticam ainda uma agricultura sustentável milenar. 


O filme evidencia duas ameaças inter-relacionadas para os Gamo: a substituição da espiritualidade e da governança ancestral pela igreja protestante, que possui aspirações de evangelização geral do povo com a sua visão antropocentrada; e a introdução no Continente das tecnologias americanas de produção alimentar, nomeadamente pela AGRA, com a utilização de OGM, pesticidas e fertilizantes. A insustentabilidade do mundo moderno que cria a ilusão da separatividade e do domínio do Homem sobre a Natureza em contraste com a visão harmoniosa de um mundo interconectado característico dos Gamo. 


Uma excelente reflexão sobre o modo como agimos no mundo...

Dossiês BioTerra relacionados

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ted Talk : Richard Wilkinson- Como a desiguladade económica prejudica as sociedades


Nós sentimos instintivamente que uma sociedade com enormes diferenças de rendimentos é o caminho errado. Richard Wilkinson coloca em gráficos dados concretos sobre a desigualdade económica e mostra o que piora quando ricos e pobres estão muito distantes: traz efeitos reais sobre a saúde, vida, e mesmo sobre valores tão fundamentais como a confiança.


Mais informações

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Descubra o que são estes buracos que os Persas fizeram no meio do deserto

Traçado de um qanat através do deserto. Fonte: Iagua
Quem é que nunca ouviu falar da civilização persa, uma cultura extremamente rica e influente? A verdade é que eles atraíram os melhores intelectuais da época, a fim de poderem florescer como uma nação, construindo cidades como Susa ou Persépolis.
Grande parte do seu sucesso foi devido à sua excelente gestão da água, tanto nas cidades como no campo. O império vivia sob altas temperaturas e um clima muito seco, por isso era essencial saber aproveitar as escassas chuvas.
Uma de suas melhores invenções foram os Qanat, uma infraestrutura subterrânea capaz de recolher e canalizar a água da chuva de aquíferos e vales, transportando-a para as cidades. Este sistema curioso foi nomeado Património Mundial pela UNESCO em Julho de 2016.
A técnica dos Qanats foi desenvolvida na Pérsia, no milénio I a.C. Essa maravilhosa invenção foi-se estendendo a outros países áridos como Marrocos, Argélia, Líbia, Médio Oriente e Afeganistão.
Primeiro, era escavado um poço principal numa colina, até ser encontrado um aquífero subterrâneo. Depois, um túnel horizontal era construído, desde o pé da colina até à fonte de água.
O túnel tinha uma tubagem e uma grande inclinação para transportar a água para o local desejado. Quanto maior o Qanat, menor era o seu declive.
Além do principal, os outros poços verticais eram construídos ao longo do Qanat. Estes garantiam a ventilação de água, assim como o seu controle e racionamento. Era também uma via de evacuação da terra, gerada ao esvaziar o túnel.
Graças a sua profundidade, o Qanat recolhia a água dos aquíferos e evitava a evaporação durante o transporte. Dentro desta infraestrutura, existem também áreas de descanso para os trabalhadores, tanques e moinhos de água.

Wikipedia
Sendo água filtrada pela terra, o fluxo era seguro e limpo, por isso era ideal tanto para beber como para rega.
No final do Qanat, havia um edifício que armazenava a água obtida, onde as pessoas também poderiam fazer suas próprias canalizações privadas.
Unesco
As cisternas públicas, chamadas Ab Anbar eram outro engenho maravilhoso. Elas tinham um sistema de captação de ar para manter a água fria no deserto.
O mais curioso de tudo é que este sistema antigo de gestão de água ainda continua em execução, e permite uma distribuição equitativa e sustentável da água.
Fonte: Histórias Com Valor