terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Alberto Caeiro - Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto

Pato real- Parque da Cidade do Porto

"Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"

Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa in “O Guardador de Rebanhos”. 7-5-1914

Livro - Cervantes Libertário


Este livro de Emilio Sola redescobre um Cervantes crítico do sistema social vigente à época, e amante da liberdade. Uma razão bastante para encontrarmos um Cervantes libertário que explica porque é que os anarquistas amam Cervantes

«A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos, que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens.»

Cervantes, M. D. Quixote de La Mancha

“Alcançar a liberdade nesta vida” é um verso de Cervantes que contém em si todo um programa de vida e de ação para uma pessoa do seu tempo e de todos os tempos. Porque a riqueza de Cervantes reside precisamente na descoberta que cada geração dele faz à medida que evoluem novas sensibilidades, para além da mera erudição crítica dos Cervantes, sempre transbordando delas. Quatro dias antes de morrer, o próprio Cervantes disse: “os tempos não são os mesmos”, e que chegará um tempo em que as pessoas, amarrando os fios soltos e quebrados de suas histórias, verão o que ele quis dizer e, mais ainda, o que ele quis dizer, o que era apropriado dizer.

Este livro de Emilio Sola – historiador com obras fundamentais sobre questões fronteiriças e de informação na época de Cervantes, tanto no Mediterrâneo como no Extremo Oriente – é um convite precisamente a essa interpretação mais livre das obras de Cervantes, a uma leitura libertária. ou libertar que no seu tempo histórico - “os tempos não são os mesmos” - era inviável.

Para horror do sistema, dos casticistas, dos bem pensantes e politicamente corretos, a suspeita de um Cervantes anti-sistema, um cortesão impossível, caluniador de “trocas injustas e de lidar com emaranhados” (a mais básica corrupção econômica) , um Cervantes não-denominacional e até uma feminista de quem não se fala na pompa dos centenários, e cuja mensagem principal ele se esforçou conscientemente para construir ao longo de sua vida. Por esta razão, Cervantes, o libertário são ou lúcido, tem que inventar Dom Quixote, o libertário louco, para dizer o que queria dizer, uma pura busca pela liberdade de expressão para “alcançar a liberdade nesta vida”.

Inúmeras e sempre novas leituras de Cervantes, renováveis ​​mesmo com a mudança dos tempos, fundamentais para compreender, por exemplo, Cervantes quando diz que não é adequado como cortesão porque não sabe lisonjear, e cujas queixas sobre a justiça são radicais, sem costura, claramente antissistémica., como aparece no primeiro discurso da Idade de Ouro, pela boca de Quixote; ou o Cervantes que, numa análise magistral da modernidade que se aproximava, compara a empresa económica moderna com a galera corsária, e lamenta que o novo deus dos novos tempos seja o “juros”, o dinheiro, para que “as mudanças injustas e tratamento emaranhado" seja a nova lei desses novos tempos bárbaros; ou a feminista Cervantes que numa sociedade patriarcal e machista faz Marcela dizer que nasceu livre e o que acontece é que seu amante não correspondido, Crisóstomo, suicidou-se, porque era um perseguidor; ou o Cervantes que, numa sociedade confessional fundamentalista como a monarquia católica, faz despedir-se um mouro e um cristão numa peça teatral como esta: “O teu Cristo vai contigo”, diz o mouro Ali; “Seu Muhammad, Ali, fique com você”, diz o cristão; formulação sem paralelo na literatura europeia de então e quase hoje, no curso das coisas.

Esse é o Cervantes que as elites culturais e os especialistas não parecem ter interesse em encobrir para que todos o compreendam. Aquele que não consegue digerir uma sociedade formal que, no fundo, não entra plenamente nele porque, como lhe aconteceu na vida, a despreza e esconde, a confunde ou a ignora, e só consegue rir dela graças ao louco que fala besteiras, e que inventou por pura necessidade de liberdade de expressão, num artifício literário que cria o romance moderno.

Esse é, sem dúvida, o personagem histórico de Cervantes que deslumbra os anarquistas, os libertários, e por isso são radicalmente Cervantes, mais que quixotistas, porque apaixonados por Dom Quixote, centram seu interesse naquele homem que está por trás do a própria obra literária., que lhe dá vida, que a torna possível.

Que Dom Quixote de Alcalá de Henares, como José María Puyol Albéniz, puro emblema, resume no título de um livro que publicou em 1947 e que simplesmente assina Puyol: um exilado libertário que chegou à Argélia no navio Stanbrook fugindo da repressão de Franco, cuja paixão por Cervantes também é narrada em "Por que os anarquistas amam Cervantes". O livro termina com uma revisão das afinidades do movimento libertário com Dom Quixote e seu autor.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Música do BioTerra: António Variações - Povo que Lavas no Rio

Ao vivo, na RTP, 1984

Fado: 'Povo que lavas no rio'
Poema: Pedro Homem De Mello

[Refrão]
Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
O beijo de mão em mão.
Era o vinho que me deste
Água pura, puro agreste,
Mas a tua vida não.

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição.
Povo, Povo, eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso,
Mas a tua vida não.

[Refrão]

Em estúdio

É "duvidoso", "injusto", "populista", "precipitado", "irracional": PSD proíbe que suspeitos de crimes integrem lista de deputados ("mas tem suspeitos entre os seus dirigentes")


Os critérios aprovados pela comissão política nacional do PSD para a elaboração das listas para as legislativas de 2024 ditam que estas não podem ter pessoas que tenham sido condenadas, presas preventivamente ou pronunciadas por crimes contra o Estado. Para Margarida Davim, comentadora da CNN Portugal, a medida é "duvidosa" e contempla "populismo".

"Não sei se isto não é uma cedência ao justicialismo e a uma forma de populismo. Isto também passa um bocadinho pelo marketing político. Ou seja, o PSD quer aqui uma diferença relativamente ao PS, que neste momento é o partido que está envolvido em casos mais mediáticos. Mas estas coisas não são exclusivas nem do PS, nem do PSD e ninguém está a propriamente a salvo deste tipo de situações", afirma a jornalista, explicando que "o estatuto de arguido é um estatuto que foi desenhado para conferir também direitos de defesa". "Portanto, não pode ser virado ao contrário e transformado numa presunção de culpabilidade."

Margarida Davim lembra ainda que "isto é uma tentativa do PSD de dar um sinal aos eleitores de diferença relativamente ao PS", mas que a "a eficácia disto é extraordinariamente reduzida e é até duvidoso que se deva estabelecer este tipo de regras".

A comentadora da CNN Portugal diz mesmo que. apesar de não existir uma "regra ideal", tem de "haver regra do bom senso" - que passa por "haver critérios da escolha do ponto de vista do percurso político", tendo sempre em conta que "não há coisas à prova de bala". "Não há forma de ter a certeza absoluta de que alguém que vai ser escolhido para um determinado cargo não seja envolvido, justa ou injustamente, num processo judicial. Isto é impossível. Isso não existe."

Lembrando ainda que esta não é a primeira vez que o PSD tenta implementar este tipo de regra - "quando Luís Marques Mendes era líder do PSD também tinha uma regra segundo a qual as pessoas que estavam constituídas arguidas não podiam estar em funções -, Margarida Davim afirma que os sociais-democratas têm "quase que um bocadinho de trauma disto" e que é difícil perceber como é que regressa esta regra que fez com que o PSD perdesse a Câmara de Lisboa em 2007 para António Costa.

"O PSD também tem suspeitos entre os seus dirigentes"

Também Pedro Tadeu, comentador da CNN Portugal, considera que "dada a experiência que temos tido", este tipo de regra que o PSD implementou "parece uma discriminação que pode ser injusta".

"Mas compreendo que os partidos se queiram defender, até por um instinto de sobrevivência, que é o que está aqui em causa, de parecerem cúmplices de criminosos. E tentam, com isto, restringir o impacto negativo na opinião pública, de terem, entre os seus quadros, alguém que é investigado. Aqui, no caso do PSD, parece-me que há também uma tentativa de aproveitamento de uma fragilidade que agora o PS tem, porque tem o primeiro-ministro a ser investigado, para mostrar que nós somos melhores que eles, até vamos fazer isto, coisa que eles não fizeram", afirma, lembrando que esta pode não ser "a atitude mais certa, até porque o próprio PSD tem problemas", uma vez que "há muito pouco tempo a sede do PSD foi sujeita a buscas".

Ou seja, o próprio partido que agora proíbe condenados ou suspeitos de crimes nas listas de deputados "também tem suspeitos entre os seus dirigentes" .

Para o comentador, mais do que implementar este tipo de regras, o problema pode ser resolvido ao "garantir que o Ministério Público consegue ter mecanismos para ter cada vez investigações mais sólidas e que depois não provoquem acusações graves sobre pessoas que depois acabam por ser dadas como inocentes".

Tal como Margarida Davim, Pedro Tadeu afirma não acreditar "que isto seja a medida mais eficaz" e que a regra ideal passaria pela "avaliação política de cada caso", lembrando que "há casos e casos" na justiça e na política.

"Uma coisa é alguém que é suspeito de desviar dinheiro do Estado, por exemplo. É evidente que tem de ser imediatamente afastado de qualquer função pública. Outra coisa é, por exemplo, uma pessoa que é suspeita de não ter pago um imposto, por exemplo. Há uma moderação que a própria política deve exercer em relação a isto. Depois, se as coisas chegam ao tribunal e depois as pessoas são realmente condenadas, então aí sim deve concretizar-se esse afastamento. Mas tenho medo de que este tipo de precipitações sejam mais uma ideia populista da política, uma ideia irracional", afirma, alertando que este tipo de regras pode trazer "mais problemas do que soluções".

Rádio Comercial: Homenagem Sérgio Godinho - O Primeiro Dia


“Sem palavras
Dizem-me várias vezes: tu és um homem das palavras, e eu sei que sim, como muitos são de outras formas. Sim, porque tenho uma paixão pelas palavras, e nomeadamente na sua concubinagem com a música. Mas tudo isto para dizer que agora fiquei mesmo sem palavras, perante este vídeo que me é oferecido pela Rádio Comercial, agregando as vozes de tantos músicos cantores, cada um e cada uma com a sua razão própria e generosa de me agradecer, cantando-me. E aí teria uma palavra, sim – obrigado. Que diz tudo. Nessa palavra cabe toda a força desta irmandade musical, que se estende a tantas praias e tantos horizontes. Cada um mergulhou no seu mar, nadou à sua maneira, flutuou, soube ir ao fundo e voltar. ‘Eu fui ao fim do mundo, vou ao fundo de mim...’ Obrigado por terem ido ao fundo de mim. Os tesouros e os despojos que talvez encontrem são vossos, todos vossos.”

Poema:

Presidente COP28 defende fim de combustíveis fósseis após palavras polémicas

O porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos tem sido “inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores”. O sultão considerou antes que uma transição muito rápida levaria o mundo à "idade das cavernas"


O presidente da cimeira climática COP28 disse este domingo, 3 de dezembro, ter bem presente que os combustíveis fósseis devem ser progressivamente diminuídos e abandonados, após declarações polémicas a questionar a ciência e a meta de redução de 1,5ºC no aquecimento global.

Questionado pela agência EFE, o porta-voz da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) afirmou que o sultão Al-Jaber dos Emirados Árabes Unidos, país que acolhe a cimeira do clima desde quinta-feira, tem sido "inabalável ao afirmar que atingir 1,5 ºC implica atuar numa série de áreas e setores" e que "o presidente da COP deixa claro que a redução progressiva e o abandono dos combustíveis fósseis é inevitável e que devem ser mantidos os 1,5ºC ao alcance".

"Não temos certeza do que este artigo supostamente revela. Não há nada nele que seja novo ou notícia de última hora", afirmou o porta-voz a propósito das declarações de Al-Jaber hoje reveladas pelas imprensa britânica, comentando que "esta história nada mais é do que mais uma tentativa de minar a agenda da presidência, que tem sido clara e transparente e apoiada por conquistas tangíveis do presidente da COP e da sua equipa".

As declarações, dadas a conhecer este domingo pelo jornal britânico The Guardian e pelo Centre for Climate Reporting, remontam a 21 de novembro num evento online organizado pela iniciativa "She Changes Climate", num debate tenso com a ex-Presidente irlandesa e antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson.

O sultão considerou então a saída dos combustíveis fósseis inevitável, mas advertiu que uma transição muito rápida para limitar o aquecimento global a 1,5ºC levaria o mundo à "idade das cavernas" e pediu pragmatismo sobre esta matéria.

Na discussão, Mary Robinson, presidente do grupo independente Os Sábios (altos dirigentes, ativistas da paz e defensores dos direitos humanos), tinha desafiado Al-Jaber no sentido de, na qualidade de presidente da COP e líder da petrolífera estatal Adnoc, a assumir a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis "com mais credibilidade".

Em resposta, Al-Jaber afirmou: "Aceitei vir a este encontro para ter uma conversa sóbria e madura. Não estou de forma alguma a aderir a nenhuma discussão alarmista. Não há nenhuma ciência, ou nenhum cenário, que diga que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis é o que vai atingir [a meta assumida no Acordo de Paris de] 1,5°C".

Segundo o The Guardian, a antiga política irlandesa continuou a desafiar o presidente da COP, afirmando ter lido que a estatal Adnoc estava a investir muito mais em combustíveis fósseis no futuro, ao que Al-Jaber ripostou: "Por favor, ajude-me, mostre-me o roteiro para uma eliminação progressiva dos combustíveis fósseis que permitirá o desenvolvimento socioeconómico sustentável, a menos que você queira levar o mundo de volta às cavernas".

Na mesma ocasião, o sultão duvidou que se consiga ajudar a resolver o problema climático com acusações ou contribuindo para a polarização e uma divisão que disse já estar a acontecer no mundo: "Mostre-me as soluções. Pare de apontar o dedo. Pare com isso".

A nomeação de Al-Jaber como presidente da COP28 foi duramente criticada e centenas de organizações da sociedade civil pediram a sua demissão por ser o diretor-executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc).

No seu relatório de setembro, a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a produção de combustíveis fósseis deve cair 83% entre 2022 e 2050 para se alcançar a neutralidade carbónica.

O foco das críticas às declarações do sultão prende-se com a diferença entre redução e eliminação dos combustíveis fósseis para se alcançar o objetivo da diminuição do aquecimento global.

A este propósito, nos primeiros trabalhos da abertura da COP28, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que "a ciência é clara e o limite de 1,5ºC só é possível se pararmos de queimar todos os combustíveis fósseis", salientando que não se trata de reduzir ou diminuir, mas da "eliminação gradual, com um prazo claro".

Citado pelo The Guardian, Bill Hare, diretor-executivo da organização não-governamental (ONG) Climate Analytics, comentou que o debate entre Al-Jaber e Mary Robinson é "extraordinário, revelador, preocupante e conflituoso", assinalando que mandar o mundo de volta à idade das cavernas é uma imagem recorrente da indústria fóssil e que está "à beira da negação das alterações climáticas".

A cimeira do clima que começou na quinta-feira no Dubai vai debater estratégias de adaptação e mitigação, apoios financeiros, e fazer um balanço de oito anos de ação climática, que a ONU diz ir em sentido contrário.

domingo, 3 de dezembro de 2023

Moda de Inverno


Credo! Nunca me vestiria desta forma. A moda realmente às vezes supera o ridículo!!!

Contra a devastação social e ambiental do pronto a vestir, associações ambientalistas agiram na véspera da Black Friday: espalharam camisetas manchadas de sangue falso no coração de Paris.

A COP28 conta com 30 patrocinadores: empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia


As cimeiras sobre o clima são uma grande vitrine para empresas e atores interessados ​​(alguns com mais razão do que outros) em princípio comprometidos com a ação climática. E a COP28 , que acontecerá de 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai (Emirados Árabes Unidos), pretende ser o maior de todos os eventos climáticos até o momento , pelo menos em termos de participação. A organização estima que comparecerão 70 mil pessoas, um número muito superior ao da COP27 realizada em Sharm El-Sheikh (Egito), onde se reuniram 49.704 pessoas, o maior até à data.

Em cada edição, a maioria dos patrocinadores tende a ser empresas do próprio país, sejam elas de maior ou menor projeção internacional. Existem também alguns reconhecidos mundialmente. Um dos habituais é o espanhol: Iberdrola . A empresa de energia presidida por Ignacio Sánchez Galán é patrocinadora oficial das cimeiras climáticas desde a COP23 realizada em Bona, na Alemanha, em 2017.

Nesta COP28, a Iberdrola assinou como “Associate Partner” ( Associate Path Partner ). Um patrocínio que lhe permitirá ter a sua marca presente na chamada Zona Verde , um espaço paralelo às negociações da cimeira aberto à sociedade civil. Na Zona Azul (zona azul, reservada a países, jornalistas, organizações e observadores) a Iberdrola não terá estande próprio , mas muitos de seus executivos estarão presentes – entre eles, Galán – para participar de dezenas de eventos organizados, entre outros, pela ONU, pelo Ministério chefiado por Teresa Ribera e pela ONG BirdLife. Irão também reunir-se com a presidência da cimeira e com membros de diferentes instituições , como o Parlamento Europeu ou o Parlamento do Reino Unido.

O objetivo da Iberdrola – uma das empresas que mais contribuiu para o aquecimento global nas últimas décadas em Espanha – é participar na cimeira do clima como uma empresa verde . O seu discurso durante as duas semanas de negociações girará em torno da necessidade de eliminar progressivamente os combustíveis fósseis , triplicar a capacidade renovável até 2030 e duplicar a melhoria anual na eficiência energética durante esta década, além de chegar a um acordo sobre o financiamento do clima para mitigação e adaptação.

De acordo com informações publicadas pela media britânica Sky News em maio, os preços dos patrocínios quase triplicaram desde a cimeira anterior. O pacote de patrocínio mais caro oferecido custa 6,5 ​​milhões de libras (7,5 milhões de euros) e oferece à empresa que paga por ele “a oportunidade de falar em eventos da presidência da COP28” e ser reconhecida com a sua própria placa na parede como membro.

Empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia estarão na COP28
A COP28 conta com cerca de trinta empresas patrocinadoras . A classificação mais alta são os principais parceiros: Abu Dhabi Global Market (um centro financeiro), DEWA (autoridade de eletricidade e água de Dubai), DP World (holding de propriedade do governo de Dubai), e& (grupo de tecnologia dos Emirados), Dubai Holding ( a carteira de investimentos pessoais do governante de Dubai, Sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum), Masdar (empresa estatal de energia renovável fundada e presidida pelo presidente da COP28, Al Jaber), M42 (empresa dos Emirados focada em tecnologia de saúde), RTA (autoridade de estradas e transportes de Dubai) e Emirates NBD (banco de propriedade do Governo de Dubai).

Depois, há cinco empresas que aparecem como parceiras estratégicas: EY (também conhecida como Ernst & Young, é líder global em serviços de auditoria, impostos, assessoria de transações e consultoria), FAB (First Abu Dhabi Bank, o maior banco dos Emirados Árabes Unidos), o Ministério da Educação dos Emirados Árabes Unidos, Al Futtaim (um conglomerado familiar ativo em diversos setores) e o Governo de Dubai .

Outra fórmula de patrocínio é Industry Pathway Partners . São quatro: Octopus Energy (um comerciante "100% sustentável" e o maior investidor em energia solar na Europa), Bank of America (uma das maiores holdings bancárias dos Estados Unidos), HSBC (um banco britânico e serviços financeiros empresa, conhecida por ser um dos principais financiadores da destruição da Amazónia e por financiar secretamente a exploração de carvão na Alemanha), e o Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos (cujo ministro é o Sultão Ahmed Al Jaber, presidente da COP28).

Por fim, existem empresas cujo patrocínio consiste em serem “parceiros associados”. Além da Iberdrola, esta categoria inclui Baker Hughes (uma das maiores empresas de serviços petrolíferos do mundo), Mashreq (o banco privado mais antigo dos Emirados Árabes Unidos), IBM (uma empresa multinacional americana de tecnologia), Korea Hydro & Nuclear Power (operadora de centrais nucleares e hidrelétricas na Coreia do Sul), Siemens (conglomerado empresarial alemão, também comum em COPs), Investcorp (fornecedor e gestor líder de produtos de investimento alternativos que atendem clientes privados e institucionais de alto património), Banco Islâmico de Abu Dhabi, Goldwind (fabricante chinês de turbinas eólicas) e Banco Islâmico de Dubai (maior banco islâmico dos Emirados Árabes Unidos).

Até agora são os patrocinadores oficiais que a própria presidência da COP28 tem anunciado através de comunicados de imprensa. No entanto, na secção “parceiros” do seu website há aqueles que chamam de “ inovadores climáticos ”. Nesta seção, a principal empresa patrocinadora é o Barclays , o banco da Europa que mais investiu em combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris (2015). Apelidados de “facilitadores” aparecem, entre outros, Amazon Web Services e Microsoft .

Segundo a organização, todas as empresas patrocinadoras se comprometeram a avançar em direção à meta de emissões líquidas zero até 2050 . Para tal, devem ter aderido à aliança Race to Zero da ONU ou outra iniciativa “equivalente”, ou ter assinado o Compromisso de Negócios Sustentáveis ​​dos Emirados Árabes Unidos .

O comitê de patrocínio, composto por sete departamentos internos diferentes da COP28, nomeou a empresa de consultoria EY (também listada como empresa patrocinadora) para “validar compromissos e fornecer consultoria técnica para a COP28”.

Da Climática temos contactado repetidamente o departamento de imprensa da COP28 para saber mais detalhes sobre os patrocínios. No momento da publicação deste artigo eles não haviam respondido.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Os morcegos polinizam à noite?

Sim. Diversas espécies de morcegos frugívoros e nectarívoros, especialmente da família Phyllostomidae (nas Américas) e Pteropodidae (na Ásia, África e Oceânia), visitam flores durante a noite para se alimentarem de néctar, pólen e frutos.
Este fenómeno é conhecido como quiropterofilia.
 
Adaptações das plantas polinizadas por morcegos
As flores tipicamente quiropterófilas têm características específicas:
Emissão de compostos aromáticos fortes ao anoitecer
Grande produção de néctar
Flores pálidas ou esbranquiçadas (facilitam a deteção noturna)
Estruturas robustas capazes de suportar o peso de um morcego
Abertura das flores ao crepúsculo ou início da noite
 
Exemplos conhecidos
Agaves (incluindo Agave tequilana, associada à produção de tequila)
Baobás
Algumas espécies de cactos colunares (ex.: Saguaro, Organ Pipe)
Diversas epífitas tropicais

Referências bibliográficas
The Evolution of Bat Pollination: a Phylogenetic Perspective — Theodore H. Fleming, Cullen Geiselman & W. John Kress 2009, Annals of Botany 104(6):1017–1043  Revisão evolutiva da quiropterofilia: evolução independente da polinização por morcegos em várias linhagens de plantas, adaptações de plantas e morcegos, implicações ecológicas e evolutivas.

Floral Specialization and Bat Pollination in Subtribe Cereinae (Cactaceae): A Morphological Approach 2023, Diversity 15(2):207 Estudo morfológico de cactos da subtribo Cereinae com atributos de polinização por morcegos — confirma especialização floral para quiropterofilia em algumas espécies de cactos colunares.

Bat pollination in Bromeliaceae — Pedro A. Aguilar-Rodríguez, Thorsten Krömer, Marco Tschapka etc. 2019, Plant Ecology & Diversity   Documenta casos de plantas Bromeliaceae polinizadas por morcegos — destaca as adaptações florais à polinização noturna por morcegos (cheiro, néctar, forma de flor, etc.).

The role of bats in pollination networks is influenced by landscape structure 2019, Global Ecology and Conservation 20: e00702  Estudo empírico de redes de polinização em pomares mistos — examina como estrutura da paisagem, estações florais e uso da terra afetam a importância da polinização por morcegos.

Agave flower visitation by pallid bats, Antrozous pallidus, in the Chihuahuan Desert 2023, Journal of Mammalogy 102(4):1101–1110  Evidência de consumo de néctar por morcego insectívoro (Antrozous pallidus) em agaves e presença de pólen de Agave no corpo dos morcegos — sugere que morcegos generalistas também podem funcionar como polinizadores eficazes.

The pollination biology of two paniculate agaves from northwestern Mexico: contrasting roles of bats as pollinators 2011, Journal of Arid Environments (via PubMed)  Estudo comparativo da biologia de polinização de duas espécies de agave — mostra que, em uma delas, morcegos nectarívoros são responsáveis pela maioria da frutificação; na outra, insetos ou aves também participam.

Bat pollination in the Caatinga: A review of studies and peculiarities of the system in the new world's largest and most diverse seasonally dry tropical forest 2023, Flora 305:152332  Revisão recente da polinização por morcegos na Caatinga (bioma seco tropical) — reúne registros de mais de 38 espécies de plantas polinizadas por morcegos, discute lacunas de conhecimento e importância ecológica.

Música do BioTerra: She Sells Sanctuary - original dos The Cult e a bela versão das Smoke Fairies



Quem conhece o tema original dos The Cult e escutamos esta versão, há realmente uma grande diferença, sobretudo pela falta da guitarra eléctrica e batida quase punk, mas a energia e respeito pela letra estão aqui também. Smoke Fairies têm um sentido musical e estético apuradíssimos entre o folk e o rock.
 

Toda a história do tema aqui

Poema

Caravana andou pelas aldeias de Boticas e Montalegre a protestar contra a mina



Grupo juntou mais de 200 carros para pedir que parem a exploração de lítio em Covas do Barroso

Com o intuito de travar o avanço da Mina do Barroso, em Boticas, as populações das aldeias da zona afetadas pela exploração de lítio juntaram-se, na tarde desta sexta-feira, numa caravana que passou por várias localidades, também em algumas de Montalegre, como forma de protesto contra o projeto. “Temos mais de 200 carros na caravana e nem sabemos o número de pessoas, mas são muitas. A população está toda unida contra a mina “, explicou Nelson Gomes, da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, garantindo que vão continuar a lutar contra a mineração. “Estamos a tentar que este processo seja suspenso de uma vez por todas”, afirmou Nelson Gomes destacando que “o governo já foi abaixo por causa do lítio”, mas no terreno “continua-se a ver que as minas estão a avançar”.

Esta mina está na mira da operação Influencer, que investiga negócios de lítio e de hidrogénio, e que levou à demissão do primeiro-ministro, António Costa.

Há 10 dias que vários populares mantêm uma espécie de guarda nos terrenos onde a Savannah Resources, que detém a concessão mineira, quer iniciar os trabalhos de desmatação, para arrancar com a exploração de lítio. “Temos conseguido evitar que as máquinas trabalhem porque vamos todos dos dias para lá, para que não avancem nos terrenos baldios. O nosso objetivo é que pare definitivamente a mineração e os contratos duvidosos em Covas do Barroso e em Montalegre”, deu conta este elemento daquela associação. O caso está em tribunal, uma vez que avançaram com uma ação contra a Savannah Resources. “Põe em causa a nossa terra. A luta continua porque são projetos contra tudo e contra todos. Querem impingir-nos a narrativa da transição energética, justa e verde. Só que nós achamos que nem é justa, nem é verde, nem é sustentável”, indicou Nelson Gomes.

A instalação das Minas do Barroso implica um investimento de 110 milhões de euros e promete criar mais de 200 postos de trabalho. Tem a capacidade para construir baterias para, por exemplo, 655 mil BMW i3 ou para 307 mil Jaguar I-Pace, por ano.

Este projeto foi o primeiro de exploração de lítio em Portugal a conseguir uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) favorável, ainda que condicionada à implementação de medidas de compensação e mitigação.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Caravana anti-mineração percorreu as estradas do Barroso


Vários carros inundaram as estradas da região do Barroso, pedindo a suspensão e rescisão de todos os contratos de exploração mineira duvidosos, assinados nos últimos anos na região do Barroso.
A caravana anti-mineração passou em quatro aldeias ameaçadas por diferentes projetos. Partindo às 13h da Junta de Freguesia de Morgade, a caravana rumou até à Borralha, passando por Dornelas, e terminando em Covas do Barroso.
Às 15h30, ao chegar a Covas do Barroso, os diferentes movimentos e associações locais realizaram uma conferência de imprensa. Esta caravana é uma iniciativa conjunta de 8 associações locais e nacionais – a Associação Povo e Natureza do Barroso (PNB); a Associação Unidos pela Natureza; a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB); a Associação Bio-N; o Movimento Não às Minas - Montalegre; o Espaço A SACHOLA; a Rede Minas Não; e a Iris – Associação Nacional de Ambiente.
Com esta caravana, os movimentos e associações querem denunciar o avanço forçado destes projetos. 

Nas últimas semanas, temos assistido à entrada de máquinas em terrenos baldios em Covas do Barroso e em terrenos do Alto das Forcadas, na Borralha. Apesar do pedido de demissão do primeiro-ministro estar relacionado com os negócios do lítio, as empresas, com a conivência do Estado, têm tentado, à força, entrar nos terrenos.

As populações querem demonstrar a sua união e força perante esta ameaça aos seus territórios, mostrando às empresas mineiras, ao governo demissionário e ao que virá que a oposição contra as minas não baixará os braços.

A concentração terminou com discursos de vários intervenientes no Largo do Cruzeiro, em Covas do Barroso, entre as 15h30 e as 17h00.

PE declara importância dos polinizadores mas rejeita redução de pesticidas

Porto melifera, por João Soares

A semana passada foi marcada por algumas contradições no Parlamento Europeu (PE). Os eurodeputados, no dia 22, rejeitaram uma proposta da Comissão que pretendia estabelecer regras mais apertadas no que toca ao uso de pesticidas, procurando uma maior sustentabilidade da prática.

Um dos principais objetivos da proposta, apresentada em junho de 2022, era, além de criar um sistema agroalimentar mais ambientalmente responsável e sustentável, reduzir a ameaça que os produtos fitofarmacêuticos representam para a saúde e sobrevivência de populações e espécies de polinizadores na Europa.

No documento, a Comissão reconhecia que “há evidências de uma redução generalizada de espécies, em particular de insetos e polinizadores, na União”.

Já em janeiro deste ano, o executivo comunitário havia apresentado uma nova estratégia, conhecida como ‘EU Pollinators Initiative’, cujo propósito era, e continua a ser, travar o “declínio alarmante” dos polinizadores na União Europeia e reverter as perdas até 2030. Por isso, a proposta da sustentabilidade do uso de pesticidas era parte integral dessa iniciativa de proteção dos polinizadores.

Contudo, na sessão plenária de dia 22, os eurodeputados optaram por rejeitar, com 299 votos contra, 207 a favor e 212 abstenções. A carga opositora foi liderada pelo grupo parlamentar dos conservadores europeus, o Partido Popular Europeu (PPE).

Em comunicado, EPP afirmou que a rejeição da proposta foi uma vitória contra “a abordagem extremista dos Verdes e Socialistas para imporem mais e mais proibições e regulações excessivas que reduziriam a produção alimentar na Europa”.

“Deixem os agricultores fazerem agricultura!”, declarou Alexander Bernhuber, eurodeputado austríaco do PPE que liderou as negociações do grupo parlamentar neste tópico. “Todos queremos menos produtos de proteção de plantas a serem usados em culturas. Mas reduzi-los não pode comprometer a produção alimentar na Europa, tornar a comida mais cara ou levar os agricultores a abandonarem os seus negócios”, justificou.

Do outro lado da barricada, os Verdes acusam os conservadores de direita de estarem agrilhoados aos interesses da indústria agroalimentar e lamenta que o PE “falhou em proteger a saúde humana e a saúde do nosso planeta”.

“Este é um golpe amargo para a proteção do ambiente e da saúde pública”, disse, em nota, Sarah Wiener, dos Verdes europeus, acrescentando que a maioria dos eurodeputados pôs os lucros da indústria “acima da saúde das nossas crianças e do planeta”.

Musica do BioTerra: Shane MacGowan with Sinead O'Connor - Haunted


Em menos de 4 meses, os Irlandeses choram a perda de dois músicos talentosos. Cada um com escolhas musicais e estilos diferentes, conseguiram neste dueto um tema fantástico.

Poema:

Música do BioTerra: The Jesus And Mary Chain - I Hate Rock 'N' Roll


Quando tens uma nova música e ela não sai da tua cabeça? Este tema dos JMC foi lançada há apenas 3 dias e entrou em repeat. Aditiva. Neste tema mordaz, a banda critica o mainstream da indústria discográfica e defende o movimento independente como força criativa e desprezam a música sempre bonitinha  chamada Rock 'n' Roll, só para aparecer no Top of the Tops.

I love rock 'n' roll
And all these people with nowhere to go
I love rock 'n' roll
And all these people with nothing to show

I love the BBC
I love it when they're pissing on me
And I love MTV
I love it when they're shitting on me

I hate rock 'n' roll
And all these people with nothing to show
I hate rock 'n' roll
I hate it 'cause it fucks with my soul

Rock 'n' roll hates me
Rock 'n' roll hates me
Rock 'n' roll hates me
I hate you, rock 'n' roll

I hate (rock 'n' roll hates me)

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