domingo, 7 de maio de 2023

Rewilding – Renaturalização da Natureza, mas sem fundamentalismos!

Desde 2021 e até 2030 estamos na Década das Nações Unidas para o Restauro dos Ecossistemas; por causa disso, ou por isso, têm surgido por todo o mundo organizações e iniciativas que se reclamam do “rewilding”.

Mesmo em Portugal – onde a palavra “renaturalizar” existe há muito - surgem movimentos que adotam a designação de língua inglesa, rewilding, em lugar de usarem a nossa língua, vá-se lá saber porquê!

O termo foi usado inicialmente, em 1990, e consagrado pelos biólogos americanos Michael Soulé (1936-2020) e Reed Noss (1952) num artigo publicado em 1998 (1)

No geral, rewilding é definido como “... esforços de conservação destinados a restaurar e proteger processos naturais e áreas selvagens. Rewilding é uma forma de restauração ecológica com ênfase na recuperação do conjunto geograficamente específico de interações e funções ecológicas que teriam mantido a dinâmica do ecossistema antes das influências humanas. Isso pode exigir intervenção humana ativa para ser alcançado. As abordagens podem incluir a remoção de artefatos humanos, como represas ou pontes, conectando áreas selvagens e protegendo ou reintroduzindo predadores de ponta e espécies-chave.” (2)

O conceito de restauro ecológico é antigo, e o rewilding pouco lhe acrescenta. O busílis está no conceito de “espécie-chave”, termo cunhado em 1969 pelo zoólogo americano Robert Trent Paine (1933-2016); o que são? Resumindo, trata-se de espécies fundamentais para o funcionamento de um ecossistema e não, necessariamente, espécies emblemáticas ou vedetas, estas também designadas por “espécie-bandeira”, que são usadas para protagonizar uma causa ambiental.

Define-se espécie-chave como “uma espécie cujo impacto na sua comunidade ou ecossistema é desproporcionalmente grande relativamente à sua abundância relativa. O desaparecimento de uma espécie-chave do seu ecossistema pode ter consequências dramáticas neste último. Uma espécie-chave é aquela que desempenha um papel crítico na manutenção da estrutura de uma comunidade ecológica e cujo impacto é maior do que seria esperado com base na sua abundância relativa ou biomassa total. [...] Espécie-chave difere de espécie dominante, pois seus efeitos são maiores do que o previsto em relação a sua abundância.” (3)

Segundo Pedro Prata, líder da Equipa Rewilding Portugal, em declarações à imprensa em 03/03/2022, “... se uma paisagem está degradada, e faltam espécies-chave ou estão presentes espécies invasoras, poderá ser preciso intervir para remover essas espécies invasoras e promover o retorno da vida selvagem nativa. Tendo isso feito, devemos deixar que as coisas sigam o seu rumo natural, com o mínimo de intervenção humana.” (4)

O cerne da questão é “... promover o retorno da vida selvagem nativa.” Mas “nativa” com referência a que período da história? Idade Média, após a Revolução Industrial, atualidade? Ao tempo de um Portugal com 1 milhão de habitantes (Séc. XV a XVII), com 2 a 4 milhões de habitantes (Séc. XVIII a XIX), ou aos 10 milhões atuais?

É que a densidade populacional humana e, logo, as atividades a ela ligadas (agricultura, pastorícia, urbanização, redes de comunicações, indústria, etc.) condicionam de sobremaneira o território, logo a flora e a fauna, não sendo possível existirem no séc. XXI todas as espécies dos séculos anteriores, com particular destaque para as espécies de grandes dimensões e conflitualidade territorial com o Homem. O que não quer dizer que algumas espécies entretanto extintas não possam reaparecer (cf. Esquilo, Águia-imperial, etc.).

Uma das vantagens que tem sido apontada para a (re)introdução de grandes herbívoros é a sua capacidade de controlar a vegetação e, assim, diminuir o risco de incêndios rurais e florestais.

A herbivoria é conhecida e estudada há muito, e consiste na utilização na alimentação de animais de plantas vivas, ou partes de plantas, fazendo, assim, a produção primária subir na cadeia alimentar.

Os insetos são o grupo animal que mais contribui para a herbivoria que, em animais terrestres de quatro membros, se começou a desenvolveu no período carbonífero (há 307 - 299 milhões de anos) (5)

Mas a herbivoria também pode ter efeitos negativos sobre a natureza, nomeadamente sobre alguns grupos de plantas; os Javalis, por exemplo, praticam herbivoria (embora sejam omnívoros) e tem um predileção especial por bolbos de orquídeas, ranúnculos, narcisos e outras espécies selvagens, muitas delas um situação muito crítica do ponto de vista de conservação.

Também é preocupante em ambientes insulares, como se verificou na ilhas Desertas, levando ao abate, em 2019, das cabras descendentes das ali introduzidas, pensa-se que no séc. XV. (6).

Assim, há que ser muito cuidadoso na utilização destes conceitos, sob pena de resultados negativos.

Recentemente (13/03/2023) o jornal Público trazia um peça com o título “Castores – Descoberto o rasto perto de Portugal. Será que vão voltar?” e dentro do artigo uma peça intitulada “Análise do valor económico - O trabalho dos castores pode poupar “milhões de euros” onde se dá ênfase ao papel destes mamíferos na modelação de rios remetendo para um artigo de Daniel Veríssimo e Catarina Roseta-Palma, dois economistas e professores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, publicado na revista Nature-Based Solutions, 3 (2023), intitulado, “Rewilding with the beaver in the iberian peninsula - Economic potential for river restoration”.

Perante o entusiasmo pela presença, perto de nós, desta espécie extinta em Portugal pelo séc. XV e na Península Ibérica no séc. XVII, até nos esquecemos que a sua presença atual em Espanha se deve a uma introdução clandestina feita em 2003, na Bacia do Ebro, e que na altura foi muito contestada por entidades oficiais e ambientalistas.

E esquecemos de ponderar se ainda há condições biogeográficas para a presença desta espécie em Portugal, sem entrar em conflito com a população humana e as suas atividades.

Também o Urso-pardo, cuja presença de um indivíduo "espanhol" divagante no Norte de Portugal foi confirmada em 2019, despertou os mesmos desejos de regresso, esquecendo, mais uma vez, que não temos áreas despovoadas suficientemente amplas (como têm a Galiza ou as Astúrias) para que este carnívoro (embora de dieta omnívora) possa viver sem conflitualidade. Trata-se, além do mais, de um animal muito perigoso, dada a sua atração por locais humanizados. Em Itália, por exemplo, já este ano houve vários casos de ataques mortais de ursos-prdos a pessoas, e nos Estados Unidos são correntes.

O mesmo se passa com algumas ideias, a meu ver absurdas, de reintrodução do Bisonte-europeu; no relatório “Current status of the European bison (Bison bonasus) and future prospects in Pan-Europe - A Large Herbivore Network project” da autoria de Yannick Exalto, publicado pelo Large Herbivore Network (LHNet) em 2011 a possibilidade de introdução do Bisonte em Portugal nem sequer é colocada.

Claro que, como amante da biodiversidade, gostaria de ver Ursos, Auroques, Bisontes e Castores nas paisagens lusas; mas diz-me o bom senso que isso se poderia virar contra a conservação da natureza, a exemplo do que se passa com o pacífico Lobo-ibérico cuja presença tem sido relativamente tolerada à custa do pagamento, pelo Estado, das reses que abate.

O lobo é uma espécie-chave dos nossos ecossistemas, como poderia ser o bisonte ou o castor, mas estes noutras latitudes mais setentrionais.

Por cá há inúmeras outras espécies de animais e plantas bem mais carecidas de medidas de conservação. Não usemos as espécies-chave como espécies-bandeira, se queremos conservar a biodiversidade no seu conjunto, embora as espécies-bandeira rendam mais nas campanhas de angariação de apoios.

Poucos contribuiriam para uma recolha de fundos destinada à conservação do pardal-dos-telhados, mas facilmente se recolherão apoios para reintroduzir o urso-pardo, que daria belas fotografias em anúncios comerciais.

Restaurar (rewilding) a natureza, claro que sim, mas sem fundamentalismos e com respeito pelo Homem!

3 de Maio de 2023

Nuno Gomes Oliveira

Fontes

(1) Soulé, Michael; Noss, Reed (Fall 1998), "Rewilding and Biodiversity: Complementary Goals for Continental Conservation", Wild Earth, 8: 19–28)

(2) Rewilding (conservation biology)

(3) Espécie-chave

(4) Não sabe o que é o Rewilding? Este artigo é para si

(5) Sahney, S., Benton, M.J. & Falcon-Lang, H.J. (2010). "Rainforest collapse triggered Pennsylvanian tetrapod diversification in Euramerica". Geology. 38 (12)

(6) Recuperação dos Habitats Terrestres das Ilhas Desertas e Selvagens

Indígenas querem desculpas de Carlos III pelo genocídio e escravização


Organizações e líderes indígenas de 12 países da Commonwealth pediram ao rei Carlos III que peça desculpas pelo impacto da colonização britânica sobre os povos indígenas, que denunciam como genocídio, escravização e pilhagem.
"Apelamos ao monarca britânico, o rei Carlos III, no dia da sua coroação, 6 de maio de 2023, para que reconheça o terrível impacto e o legado do genocídio e da colonização dos povos indígenas e dos povos escravizados", afirmou, na rede social Facebook, o promotor da iniciativa, Nova Peris, antigo senador e copresidente do Movimento Republicano Australiano.

A petição insta o monarca a apresentar um pedido de desculpas formal, a reconhecer os atos de genocídio britânicos contra os povos indígenas e a repatriar os artefactos sagrados e os restos mortais dos povos indígenas que se encontram nos museus e instituições britânicos.

A carta, intitulada "Desculpas, reparações e repatriamento de artefactos e restos mortais", também recorda ao Rei Carlos III do Reino Unido as suas palavras numa reunião de chefes de governo da Commonwealth, em junho de 2022, no Ruanda, onde afirmou que era "tempo" de reconhecer os erros do passado.
Representantes de Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas - que têm Carlos III como chefe de Estado - assinam esta carta em que instam a Coroa a "redistribuir a riqueza" retirada aos povos originários.
Na carta pede-se a Carlos III que inicie "imediatamente" um diálogo sobre o "impacto duradouro da escravatura" dos povos indígenas durante a colonização britânica, bem como sobre outras questões como a reparação dos "povos oprimidos" cujos "recursos foram pilhados e a sua cultura denegrida".
Outra exigência é que o monarca renuncie à chamada "Doutrina dos Descobrimentos", como fez o Vaticano em março.
Esta doutrina, juntamente com o princípio da "Terra nullius" (terra de ninguém), gerou um conceito jurídico que protegia a colonização baseada no direito de requisitar as terras das populações indígenas.
Os signatários da carta a Carlos III consideram que o repúdio desta doutrina permitiria iniciar o processo de consulta e reparação entre os povos originários que foram vítimas de um genocídio em nome de Deus.
"Esperamos que esta petição dê início a um processo de justiça", sublinhou Nova Peris.

Masanobu Fukuoka - Natural Life




Visto como o pai da agricultura natural moderna, Masanobu Fukuoka é autor de “A Revolução de uma Palha”, um livro fundamental para entender como os seres humanos podem viver juntos com o planeta Terra. Esta série de filmes em três partes apresenta entrevistas inéditas com Larry Korn, que em 1974 (depois de uma década estudando solo, plantas e cultura oriental) passou dois anos morando e estudando com Fukuoka.

Quando Larry deixou o Japão, ele levou consigo o manuscrito japonês do livro de Fukuoka para a Califórnia, determinado a publicar o livro em inglês. Seu trabalho ajudando a traduzir e editar este livro levaria as ideias de Fukuoka e da Agricultura Natural a milhões de pessoas em todo o mundo.

Estas entrevistas foram filmadas na casa de Larry Korn em Ashland, Oregon, em 2012, durante a produção do documentário Final Straw: Food, Earth, Happiness . Eles contam a história de Fukuoka da perspectiva de um homem que passou grande parte de sua vida dedicado a unir as ideias do Oriente e do Ocidente, encontrando a verdade no solo, nas plantas e, por sua vez, nos seres humanos.

É impossível subestimar o quão fundamental foi o trabalho de Larry para o estabelecimento e crescimento do movimento mundial de agricultura sustentável. Mais do que apenas um estudioso do solo, ele era um homem cheio de sabedoria, que exercia profundo cuidado, humildade e amor por esta Terra. O seu trabalho preparou o cenário para uma jornada que mudou o curso de nossas vidas de uma maneira linda.

Esperamos que os momentos com Larry nesses filmes simples possam ajudar a fazer o mesmo por outras pessoas.

sábado, 6 de maio de 2023

Porque são maus os solos em Portugal e onde estão os bons


Numa curta recapitulação fui à procura de uma cartografia dos depósitos de loess (depósitos eólicos formados após o recuo dos gelos do Würm), reconhecidos pela sua fertilidade na bibliografia agronómico-pedológica. Reparem na mancha amarela do mapa acima, que se estende da Bacia de Paris até à Rússia. Confirmem a importância da Ucrânia no sistema alimentar mundial, francamente mais relevante do que a Rússia porque usufrui de um clima menos frio e mais chuvoso do que os loess siberianos. Portugal nem aparece na gravura.
Como se não bastasse, faltam-nos grandes planícies aluviais (a verde no mapa, vd. vale do Pó), os grandes depósitos neogénicos de origem aluvial que enchem, por exemplo, a peneplanície de Castela-a-Velha, grandes extensões de rochas básicas de origem vulcânica como na planície do Lázio, onde nasceu Roma, e os depósitos marinhos que explicam a prosperidade dos Países Baixos e da Dinamarca.

É fundamental perceber que a Península Ibérica, se juntou geologicamente muito tarde à Europa e que se levantou em média 600 metros durante o Cenozoico. A partir deste levantamento ocorrido há volta de 50 milhões de anos, passamos a contar com um imenso transporte de sedimentos, pelas nossas linhas de água, em direção ao mar, deixando-nos apenas a rocha descarnada mais dura, enquanto, contrariamente, as linhas de água centro-europeias transportam sedimentos que continuam a depositar na grande planície centro-europeia. Não podemos amputar todas as responsabilidades á geografia localista, a Suíça é a exceção à regra, mas que ela tem a sua grande cota de importância no desenvolvimentos dos povos, lá isso tem. Em Miranda temos um provérbio que diz: "adonde nun lo hai, naide lo puode dar".

O maciço ibérico, com as suas formações de xisto e granito, coincide com as regiões mais pobres da península: Galiza, Trás-os-Montes, Beira Interior, Alentejo e Extremadura.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

Google está a lucrar com desinformação climática no YouTube, segundo relatório


Descobriu-se que o Google está monetizando vídeos que promovem desinformação sobre a crise climática no YouTube ainda este mês, de acordo com um novo relatório.

O novo relatório publicado pela coalizão Climate Action Against Disinformation (CAAD) na terça-feira destaca 100 vídeos nos quais o Google veiculou anúncios, apresentando mentiras descaradas sobre a crise climática.

Os vídeos negam que a crise climática seja causada pelas emissões de gases de efeito estufa liberadas na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis , apesar da esmagadora evidência científica e do consenso de que esse é o caso.

Além disso, o relatório também encontrou 100 outros vídeos com conteúdo enganoso sobre como lidar com as mudanças climáticas.

O conteúdo incluía desinformação, como argumentos falsos de que nada pode ser feito sobre a crise climática ou a promoção de supostas soluções que na verdade são ineficazes e desviam o foco da redução das emissões de gases de efeito estufa por grandes empresas.

O Google atualizou suas políticas em outubro de 2021, afirmando que proibiria anúncios e monetização de conteúdo que contradiz o consenso científico bem estabelecido sobre a crise climática.

No entanto, o relatório encontrou exemplos de vídeos que violaram essa política, mas ainda veiculados com publicidade precedente para uma lâmpada de mosquito.

Os 200 vídeos do YouTube analisados ​​no relatório obtiveram 73,8 milhões de visualizações em 17 de abril de 2023 e apresentaram anúncios de marcas como Costco, Tommy Hilfiger, Nike e Hyundai.

Os autores do relatório conduziram a pesquisa pesquisando no YouTube termos-chave como “fraude climática” e “golpe climático”. Então, pelo menos dois pesquisadores diferentes avaliaram os vídeos em relação às definições do Google e do CAAD sobre desinformação climática.

O Google afirma ter revisto a lista de vídeos no conjunto de dados e removido os anúncios daqueles que violam sua política contra a negação das mudanças climáticas.

Embora o Google afirme que aplica sua política rigorosamente, numa declaração ao The Verge reconhece que sua aplicação nem sempre é perfeita, acrescentando que a empresa está “trabalhando constantemente para melhorar nossos sistemas para detectar e remover melhor o conteúdo que viola a política”.

O relatório do CAAD pede uma definição mais ampla de desinformação para incluir conteúdo que recomenda soluções ineficazes para o aquecimento global, pois pode atrasar ações climáticas legítimas.

“O Google está apoiando a desinformação climática que eles dizem querer parar... a desinformação persiste porque é lucrativa, e a Big Tech precisa remover esse incentivo”, disse Erika Seiber, porta-voz da desinformação climática da organização sem fins lucrativos Friends of the Earth.

OMS declara fim da pandemia



 A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta sexta-feira (5/05), em Genebra, na Suíça, o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) referente à COVID-19.

A decisão foi tomada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após receber a recomendação do Comitê de Emergência encarregado de analisar periodicamente o cenário da doença.

Durante a 15ª sessão deliberativa do Comitê, na quarta-feira (4/05), seus membros destacaram a tendência de queda nas mortes por COVID-19, o declínio nas hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva relacionadas à doença, bem como os altos níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2, coronavírus causador dessa enfermidade.

O fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não significa que a COVID-19 tenha deixado de ser uma ameaça à saúde. A propagação mundial da doença continua caracterizada como uma pandemia, tendo tirado uma vida a cada três minutos apenas na semana passada. “O que essa notícia significa é que está na hora de os países fazerem a transição do modo de emergência para o de manejo da COVID-19 juntamente com outras doenças infecciosas”, destacou Tedros Adhanom.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Jeffrey Sachs on the Path to Peace in Ukraine


O intelectual de renome mundial Jeffrey Sachs falará sobre “O Caminho para a Paz na Ucrânia”. Sachs foi duas vezes nomeado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time e classificado pela The Economist entre os três economistas vivos mais influentes. será acompanhado pelo especialista da Universidade de Ottawa, Ivan Katchanovski, que fornecerá informações sobre o conflito na Ucrânia, bem como o contexto do papel do Canadá.

Histórico
Recentemente, o governo canadiano apelou à mudança de regime em Moscovo e opôs-se abertamente ao apelo da China a uma trégua e a negociações. Ao mesmo tempo, o Canadá doou mais de 2 mil milhões de dólares em armas à Ucrânia.

Juntamente com grandes quantidades de armas, o Canadá partilha informações militares críticas e treina tropas ucranianas, enquanto as forças especiais canadianas e antigas tropas operam na Ucrânia.

A guerra da Rússia é ilegal e brutal e Ottawa contribuiu para provocar este conflito horrível através do seu papel na promoção da expansão da NATO, ajudando a derrubar o presidente eleito Victor Yanukovich e na assistência militar que minou o acordo de paz de Minsk II.

É hora de o governo canadiano pressionar por uma trégua e negociações para acabar com os horrores.

Analistas
Jeffrey D. Sachs é professor e diretor do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, onde dirigiu o Earth Institute de 2002 a 2016. Seu livro mais recente é 'The Ages of Globalization: Geography, Technology, and Institutions' ( 2020). Sachs foi duas vezes nomeado um dos 100 líderes mundiais mais influentes pela revista Time e foi classificado pela The Economist entre os três economistas vivos mais influentes.

Ivan Katchanovski é professor da Universidade de Ottawa e publicou quatro livros e numerosos artigos, incluindo “A extrema direita, o Euromaidan e o massacre de Maidan na Ucrânia” e “A origem oculta da escalada do conflito Ucrânia-Rússia”.

Empilhar pedras pode prejudicar a biodiversidade


Num artigo publicado na revista científica Human-Wildlife Interactions, uma equipa internacional de investigadores, da qual fazem parte vários investigadores do cE3c, alerta que o empilhamento de pedras pode prejudicar várias espécies, algumas das quais já ameaçadas de extinção. A criação de montinhos de pedras tem-se tornado uma prática popular um pouco por todo o mundo, encontrando-se associada ao turismo de natureza e à partilha de fotografias nas redes sociais.

Em passeio ou numa caminhada, pode já ter encontrado um destes montinhos de pedras. São cada vez mais populares e surgem inclusive em áreas protegidas – por exemplo no Parque Nacional do Teide em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha) ou no Parque Nacional de Thingvellir na Islândia –, onde se encontram associados ao crescimento do turismo de aventura e de natureza e à partilha de fotos nas redes sociais. Mas estas estruturas modificam o habitat de várias espécies animais e vegetais que utilizam rochas como refúgio ou que dependem das condições microclimáticas associadas às mesmas, prejudicando a biodiversidade nestes locais.

Montinhos de pedras no Parque Nacional de Thingvellir na Islândia. ©: Filipe Tavares.

Também em Portugal existem locais onde os visitantes deixam a sua marca – como na Serra da Estrela e em diversas praias na Costa Vicentina, por exemplo. Apesar de poderem ser úteis como marco de orientação em zonas montanhosas, chamados de mariolas neste caso, os montes de pedras, quando não têm o intuito de sinalizar o caminho podem induzir caminhantes em erro e trazer danos para a biodiversidade. No artigo de opinião agora publicado, os investigadores alertam para o potencial impacto desta prática.

“Esta prática tem um impacto preocupante em zonas sensíveis para a conservação da natureza, pois existem diversas espécies, particularmente em zonas áridas, que dependem das condições microclimáticas associadas às pedras existentes nos seus habitats. Nas Ilhas Selvagens por exemplo, a maioria das pedras com mais de um palmo de diâmetro dão abrigo a uma ou mais osgas-das-Selvagens, uma espécie endémica e ameaçada de extinção. As pedras isoladas criam condições especiais de temperatura e humidade que são importantes para várias espécies e a disposição das pedras influencia a dinâmica entre predadores e presas ou entre competidores. Por isso mover, retirar ou partir estas pedras pode provocar um desequilíbrio no ecossistema”, explica Ricardo Rocha, primeiro autor deste artigo. Ricardo Rocha é investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos – CIBIO-InBIO, da Universidade do Porto.

Os investigadores descrevem o potencial impacto desta prática na Ponta de São Lourenço, o local mais a leste da Ilha da Madeira, incluído na Rede Natura 2000 e no Parque Natural da Madeira. Sendo um destino de turismo de natureza muito popular, nos últimos anos estas estruturas têm-se multiplicado, levando à erosão do solo e a danos na vegetação. Aqui, a perturbação de habitat associada à construção de montinhos de pedras ameaça várias espécies endémicas com distribuições muito reduzidas, como o briófito Riccia atlantica, classificada como ‘Criticamente em Perigo’ pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês).

Lagartixa da Madeira (Teira dugesii), único réptil nativo da ilha, que depende das rochas para refúgio. ©: Ricardo Rocha.

Na Madeira, o único réptil nativo da ilha – a lagartixa da Madeira (Teira dugesii) – depende destas rochas para se refugiar. A Ponta de São Lourenço acolhe também uma grande diversidade de invertebrados – como a tarântula-insular (Hogna insularum), endémica do arquipélago, e a aranha-flor-da-Madeira (Misumena nigromaculata), endémica especificamente da Madeira – que dependem da disponibilidade e da não perturbação destas rochas para sobreviver. É também esse o caso de vários moluscos terrestres endémicos da Ilha da Madeira, como o caracol de São Lourenço (Amphorella tornatellina minor), que se encontra restrita à Ponta de São Lourenço.

“Existem várias espécies que dependem destas pedras como abrigo e, por isso, pedimos a quem visita zonas sensíveis para a conservação da natureza que não mova estas pedras. Limitem-se aos trilhos pré-existente e tentem reduzir o vosso impacto ao máximo. Não é fácil antecipar quais as consequências que atividades aparentemente inócuas, como a construção destes montinhos de pedras, podem ter em zonas com espécies sensíveis e ameaçadas”, alerta Ricardo Rocha.

Painel informativo na Ponta de São Lourenço, Parque Natural da Madeira, alertando os visitantes para a importância de respeitar e preservar os valores do local, em particular para a importância de não mover as pedras. ©: Ricardo Rocha.

Em zonas urbanizadas, como na Praça do Comércio, em Lisboa, onde também podemos encontrar estas estruturas, a atividade não é particularmente problemática, do ponto de vista do investigador. “No entanto, mesmo nestas zonas, a construção destes montinhos de pedras eventualmente leva a banalização destas estruturas, e isso pode, quase que por contágio, induzir a construção destes montes de pedras em zonas mais sensíveis”, explica Ricardo Rocha. Deste modo, os investigadores incentivam também as autoridades a impor restrições na construção destas estruturas e a desmantelar as já existentes, de modo a não encorajar novas construções que possam constituir uma ameaça à biodiversidade em zonas particularmente sensíveis.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Musgo: A ‘fénix’ do mundo vegetal que protege os solos e pode ser a chave para a sua recuperação


A presença de musgo pode, aos olhos de muitos, ser considerada sinal de desmazelo ou mesmo de abandono de um dado terreno, pelo que a tentação poderá ser para removê-lo. No entanto, tal pode deixar o solo mais vulnerável, por exemplo, à erosão.

Uma investigação realizada por dezenas de cientistas de vários países aponta mesmo que os musgos, plantas ancestrais não-vasculares que pertencem ao grupo dos briófitos, a meio caminho entre as algas e a primeira flora que colonizou o meio terrestre, são fundamentais para a saúde dos solos em todo o mundo. Estima-se que hoje existam mais de 14 mil espécies diferentes de musgos, espalhadas pelos quatro cantos da Terra.

Num artigo publicado esta semana na revista ‘Nature Geoscience’, os investigadores escrevem que quando o musgo cresce na camada mais cimeira dos solos cria as condições ideias para que as plantas prosperem. Além disso, dizem, poderá mesmo ser um aliado essencial contra as alterações climáticas, uma vez que ajuda a capturar e a reter grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.

Os mais de 50 cientistas que fizeram parte deste trabalho analisaram amostras de musgo recolhidas em mais de 123 ecossistemas espalhados por todo o planeta, desde florestas tropicais luxuriantes às paisagens aparentemente inóspitas das regiões polares geladas, passando pelos desertos. Contas feitas, os musgos cobrem uma área total combinada de 9,4 milhões de quilómetros quadrados dos ambientes estudados, algo comparável à dimensão do Canadá ou da China.

Para este estudo, os cientistas quiseram perceber “o que estaria a acontecer em solos dominados por musgos e o que estaria a acontecer em solos onde não existiam musgos”, explica David Eldridge, da Universidade de New South Whales, na Austrália, e principal autor do artigo. E constataram que o musgo é o coração pulsante dos ecossistemas de plantas, uma vez que, por exemplo, estimulam a circulação de nutrientes, impulsionam a decomposição de matéria orgânica, o que ajuda a manter o solo saudável, e até promovem o controlo de doenças prejudiciais às próprias plantas e até aos humanos.

No que toca aos seus ‘poderes’ de absorção de carbono, os investigadores calculam que, comparando com solos desprovidos de musgos, essas plantas ancestrais são capazes de armazenar, globalmente, 6,43 mil milhões de toneladas de carbono retirado da atmosfera. Como tal, o seu papel no combate às alterações climáticas é central e, argumentam os autores, podem absorver até seis vezes mais dióxido de carbono do que o que é emitido por práticas agrícolas insustentáveis, como a desflorestação e o pastoreio excessivo

Apesar de não serem considerados plantas superiores, por não terem sistemas vasculares (xilema e floema), os musgos são exemplos flagrantes de resiliência na face da adversidade. Explica Eldridge que em áreas desérticas, os musgos, na ausência de água, secam e mirram, mas não chegam a morrer, “vivem em animação suspensa para sempre”.

O cientista recorda que certa altura foi recolhida uma amostra de musgo completamente seca que se estimava ter cerca de 100 anos. Foi borrifada com água e, tal como a mitológica fénix, renasceu. “As suas células não se desintegram como acontece nas plantas comuns.”

“O que mostramos com a nossa investigação é que onde quer que existam musgos teremos um solo mais saudável, com mais carbono e nitrogénio”, salienta, acrescentando que essas plantas primitivas são essenciais para ajudar a flora a recuperar em áreas degradadas e, assim, para regenerar florestas e muitos outros ecossistemas.

“Os musgos podem muito bem servir de veículos para catalisar a recuperação de solos gravemente degradados em áreas urbanas ou naturais”, observa Eldridge.

The Real Face of Jesus



Originally published in December 2002, the Popular Mechanics article “The Real Face of Jesus” created a face for the most famous historical figure in human history. Since then, science has continued reconstructing faces from throughout history, from Stone Age humans to European royalty. A designer has even used machine learning to reconstruct the visages of Roman emperors.

Two decades later, we are reproducing one of the most widespread stories in the history of Popular Mechanics, along with how it first appeared in the December 2002 issue. Why does Mike Fillon’s “The Real Face of Jesus” continue to endure, almost two decades after publication? Read on and find out.

From the first time Christian children settle into Sunday school classrooms, an image of Jesus Christ is etched into their minds. In North America, he is most often depicted as being taller than his disciples, lean, with long, flowing, light brown hair, fair skin, and light-colored eyes. Familiar though this image may be, it is inherently flawed. A person with these features and physical bearing would have looked very different from everyone else in the region where Jesus lived and ministered. Surely the authors of the Bible would have mentioned such a stark a contrast.

On the contrary, according to the Gospel of Matthew, when Jesus was arrested in the garden of Gethsemane before the Crucifixion, Judas Iscariot had to indicate to the soldiers whom Jesus was because they could not tell him apart from his disciples. Further clouding the question of what Jesus looked like is the simple fact that nowhere in the New Testament is Jesus described, nor have any drawings of him ever been uncovered.

There is the additional problem of having neither a skeleton nor other bodily remains to probe for DNA. In the absence of evidence, our images of Jesus have been left to the imagination of artists.

The influences of the artists’ cultures and traditions can be profound, observes Carlos F. Cardoza-Orlandi, associate professor of world Christianity at Columbia Theological Seminary in Atlanta. “While Western imagery is dominant, in other parts of the world he is often shown as Black, Arab, or Hispanic.” And so the fundamental question remains: What did Jesus look like?

“There is the additional problem of having neither a skeleton nor other bodily remains to probe for DNA.”

An answer has emerged from an exciting new field of science: forensic anthropology. Using methods similar to those police have developed to solve crimes, British scientists, assisted by Israeli archeologists, have re-created what they believe is the most accurate image of the most famous face in human history.

An outgrowth of physical anthropology, forensic anthropology uses cultural and archeological data as well as the physical and biological sciences to study different groups of people, explains A. Midori Albert, a professor who teaches forensic anthropology at the University of North Carolina at Wilmington.

Experts in this highly specialized field require a working knowledge of genetics and human growth and development. In their research, they also draw from the fields of primatology, paleoanthropology (the study of primate and human evolution), and human osteology (the study of the skeleton). Even seemingly distant fields like nutrition, dentistry, and climate adaptation play a role in this type of investigation.

While forensic anthropology is usually used to solve crimes, Richard Neave, a medical artist retired from The University of Manchester in England, realized it also could shed light on the appearance of Jesus. The co-author of Making Faces: Using Forensic And Archaeological Evidence, Neave had ventured into controversial areas before. Over the past two decades, he had reconstructed dozens of famous faces, including Philip II of Macedonia, the father of Alexander the Great, and King Midas of Phrygia. If anyone could create an accurate portrait of Jesus, it would be Neave.

Matthew’s description of the events in Gethsemane offers an obvious clue to the real face of Jesus. It is clear that his features were typical of Galilean Semites of his era. And so the first step for Neave and his research team was to acquire skulls from near Jerusalem, the region where Jesus lived and preached. Semite skulls of this type had previously been found by Israeli archeology experts, who shared them with Neave.

With three well-preserved specimens from the time of Jesus in hand, Neave used computerized tomography to create X-ray “slices” of the skulls, thus revealing minute details about each one’s structure. Special computer programs then evaluated reams of information about known measurements of the thickness of soft tissue at key areas on human faces. This made it possible to re-create the muscles and skin overlying a representative Semite skull.

The entire process was accomplished using software that verified the results with anthropological data. From this data, the researchers built a digital 3D reconstruction of the face. Next, they created a cast of the skull. Layers of clay matching the thickness of facial tissues specified by the computer program were then applied, along with simulated skin. The nose, lips and eyelids were then modeled to follow the shape determined by the underlying muscles.

Two key factors could not be determined from the skull—Jesus’s hair and coloration. To fill in these parts of the picture, Neave’s team turned to drawings found at various archeological sites, dated to the first century. Drawn before the Bible was compiled, they held crucial clues that enabled the researchers to determine that Jesus had dark rather than light-colored eyes. They also pointed out that in keeping with Jewish tradition, he was bearded as well.

It was the Bible, however, that resolved the question of the length of Jesus’s hair. While most religious artists have put long hair on Christ, most biblical scholars believe that it was probably short with tight curls. This assumption, however, contradicted what many believe to be the most authentic depiction: the face seen in the image on the famous—some say infamous—Shroud of Turin.

The shroud is believed by many to be the cloth in which Jesus’s body was wrapped after his death. Although there is a difference of opinion as to whether the shroud is genuine, it clearly depicts a figure with long hair. Those who criticize the shroud’s legitimacy point to 1 Corinthians, one of the many New Testament books the apostle Paul is credited with writing. In one chapter, he mentions having seen Jesus—then later describes long hair on a man as disgraceful.

Would Paul have written: “If a man has long hair, it is a disgrace to him” if Jesus Christ had had long hair? For Neave and his team, this settled the issue. Jesus, as drawings from the first century depict, would have had short hair, appropriate to men of the time.

The historic record also resolved the issue of Jesus’s height. From an analysis of skeletal remains, archeologists had firmly established that the average build of a Semite male at the time of Jesus was 5 ft. 1 in., with an average weight of about 110 pounds. Since Jesus worked outdoors as a carpenter until he was about 30 years old, it is reasonable to assume he was more muscular and physically fit than westernized portraits suggest. His face was probably weather-beaten, which would have made him appear older, as well.

For those accustomed to traditional Sunday school portraits of Jesus, the sculpture of the dark and swarthy Middle Eastern man that emerges from Neave’s laboratory is a reminder of the roots of their faith.

“The fact that he probably looked a great deal more like a darker-skinned Semite than westerners are used to seeing him pictured is a reminder of his universality,” says Charles D. Hackett, director of Episcopal studies at the Candler School of Theology in Atlanta. “And [it is] a reminder of our tendency to sinfully appropriate him in the service of our cultural values.”

“This is probably a lot closer to the truth than the work of many great masters.”

Neave emphasizes that his re-creation is simply that of an adult man who lived in the same place and at the same time as Jesus. As might well be expected, not everyone agrees.

Forensic depictions are not an exact science, cautions Alison Galloway, professor of anthropology at the University of California in Santa Cruz. The details in a face follow the soft tissue above the muscle, and it is here where forensic artists differ widely in technique. Galloway points out that some artists pay more attention to the subtle differences in such details as the distance between the bottom of the nose and the mouth. And the most recognizable features of the face—the folds of the eyes, structure of the nose, and shape of the mouth—are left to the artist.

“In some cases the resemblance between the reconstruction and the actual individual can be uncanny,” says Galloway. “But in others there may be more resemblance with the other work of the same artist.”

Despite this reservation, she reaches one conclusion that is inescapable to almost everyone who has ever seen Neave’s Jesus. “This is probably a lot closer to the truth than the work of many great masters.”

Plásticos Recicláveis: Conheça os Tipos e Características



O plástico, como conhecemos hoje, foi criado em 1920 por um químico alemão que descobriu a estrutura molecular dos polímeros. Seu nome tem origem na palavra grega “plastikos”, que significa “que pode ser moldado”.

Porém, os estudos que levaram até essa descoberta começaram por volta de 1860, quando o químico e inventor britânico Alexander Parkes descobriu o nitrato de celulose, a chamada “parkesina”, um material altamente flexível, impermeável e com características de opacidade.

Ao longo dos anos, muita coisa mudou e esse material foi sendo aperfeiçoado. Pesquisadores identificaram possibilidades na variação das características de cada polímero, diversificando seus tipos. Assim surgiu a divisão dos plásticos em: termoplásticos (podem ser reciclado) e termorrígidos (não são recicláveis).

Tipos de plásticos recicláveis
Como nem todos os plásticos podem ser reciclados, aqueles que têm essa propriedade são representados por um triângulo formado por três setas e com um número de identificação para a classificação quando chegam ao centro de reciclagem.

O uso dessa simbologia nas embalagens não é necessariamente obrigatório, mas é amplamente utilizado pelos fabricantes, pois facilita o processo de separação e reciclagem dos materiais. A numeração vai de 1 a 7. Os plásticos representados pelos números de 1 a 6 são, geralmente, reciclados.
Tipos e características dos plásticos recicláveis
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1 – PET (Tereftalato de Polietileno)
O PET é um dos plásticos recicláveis mais comuns, formado pela reação entre o ácido tereftálico e o etileno glicol. Normalmente, usado na produção de frascos e garrafas para alimentos, como é o caso das garrafas de refrigerante e água, além de embalagens de medicamentos e cosméticos. Trata-se de material transparente, inquebrável, impermeável e leve.
Sua desvantagem é ser feito a partir do petróleo, uma fonte não renovável, e quando misturado a outros tipos de materiais, como fibras de algodão, torna-se inviável para reciclagem.

2 – PEAD (Polietileno de Alta Densidade)
O PEAD é comumente utilizado para fabricação de tampas e embalagens, como é o caso dos frascos de amaciantes, alvejantes, shampoos, detergentes e óleos automotivos; bem como, sacolas de supermercados, potes e utilidades domésticas.

É muito utilizado por ser inquebrável, resistente a baixas temperaturas, leve, impermeável, rígido e com resistência química. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais. Nesse último caso, temos o chamado plástico verde.

3 – PVC (Policloreto de Vinila)
O PVC é formado por 57% de cloro e 43% de eteno (derivado do petróleo). Tem como característica ser mais rígido, transparente (quando desejável), impermeável, e inquebrável.

Popularmente conhecido por seu uso na construção civil, em tubulações de água e esgoto, é também comumente encontrado em embalagens como as de óleos comestíveis, água mineral e potes de maionese. Além disso, é bastante utilizado em produtos mais resistentes, como cones de sinalização, calhas e até mesmo brinquedos. Apesar da reciclagem do PVC ser possível quando o material é bem separado, esse tipo de plástico é um dos que apresenta maior dificuldade quando chega aos centros de triagem.

4 – PEBD (Polietileno de Baixa Densidade)
O PEBD, é um tipo de plástico muito utilizado por ser flexível, leve, transparente e impermeável. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais, neste último caso chamado de plástico verde.

Usado para fabricar sacolas para supermercados e lojas, embalagens de leite e outros alimentos, como pães, frios e embutidos, bem como sacos de lixo e materiais hospitalares.

5 – PP (Polipropileno)
O PP é um tipo de plástico reciclável produzido a partir do gás propeno. Tem como características ser inquebrável, transparente, brilhante, rígido e resistente a mudanças de temperatura, além de conservar bem aromas.

Muito utilizado em filmes para embalagens e alimentos, na fabricação de produtos industriais e da construção civil, como cordas, tubos para água quente, fios e cabos. Também tem sido utilizado em frascos, caixas de bebidas, autopeças, potes e utilidades domésticas. Possui propriedades semelhantes às do polietileno, mas com um ponto de amolecimento mais elevado.

6 – PS (Poliestireno)
O PS possui características como leveza, capacidade de isolamento térmico, baixo custo, flexibilidade e é moldável sob a ação do calor, o que o deixa em forma líquida ou pastosa.

Usado para fabricar potes para alimentos, como iogurtes, sorvetes e doces, frascos, em partes de eletrodomésticos, como a parte interna de portas de geladeiras, em brinquedos e em alguns produtos descartáveis, como copos plásticos e aparelhos de barbear.


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O processo de reciclagem do plástico pode ser realizado de três formas: a reciclagem física ou mecânica, a química ou de resina, e a energética. Cada um conta com características próprias e usos distintos:
1 – Reciclagem mecânica
É o tipo mais comum de reciclagem de plásticos. O processo começa com a coleta do material, tanto de resíduos industriais, como de coleta doméstica. Em seguida, o plástico passa por uma limpeza e triagem, para que seja analisado o que será aproveitado. Depois disso, o processo de reciclagem é iniciado. Todo o material é reduzido a pequenos grãos, sem que isso modifique suas propriedades físicas, que servirão como matéria-prima para a produção de outros produtos. Esse tipo de reciclagem é visto em cooperativas de coleta seletiva.

2 – Reciclagem química ou de resina
Trata-se de um processo mais complexo, já que o plástico passa por uma transformação química capaz de fazê-lo retroceder à sua condição anterior. Esse procedimento é conhecido como logística reversa. O objeto plástico retorna à sua condição inicial por meio de manipulações químicas, que envolvem a aplicação de solventes, ácidos, calor, entre outros processos químicos.

3 – Reciclagem energética
No caso da reciclagem energética, o material recolhido é transformado em energia termelétrica, em um processo em que o plástico reciclável é submetido a altas temperaturas, e o vapor que resulta dessa incineração é convertido em energia capaz de movimentar hélices conectadas a turbinas. Desse movimento, para cada 1.000 quilos de plástico reciclado, são produzidos 640 Kwh.

O processo ocorre devido à composição do plástico, que é derivado do petróleo, capaz de produzir energia suficiente para substituir o óleo diesel e demais combustíveis fósseis quando aquecido.

Documentário:

terça-feira, 2 de maio de 2023

Escândalo - Carlyle Group



De acordo com uma nova investigação, a Carlyle Group, uma das principais empresas de capitais privados, que afirma ser líder do sector em matéria de clima, quase duplicou as suas emissões médias anuais de gases com efeito de estufa provenientes de investimentos em combustíveis fósseis durante a última década.

Relatório: aqui

segunda-feira, 1 de maio de 2023

1º de Maio - Encontros Improváveis: José Ary dos Santos e Renato Guttuso


Soneto do Trabalho
Por José Ary dos Santos
"Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.
-
Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
à força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas
-
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.
-
Levanta-te meu povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo."

Saber mais:

Ecoansiedade: 'Problemas ambientais aumentam o risco de ansiedade e depressão', alerta pesquisadora americana


Britt Wray talvez seja a especialista em saúde mental e meio ambiente mais popular de sua geração. Seus trabalhos sobre os impactos da crise ecológica no psicológico humano já lhe renderam diversos podcasts e programas de rádio e TV nos Estados Unidos, além de um TED Talk visto por mais de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. Seu último livro, “Generation Dread — Finding Purpose in an Age of Climate Crisis” (“Medo geracional — Encontrando Propósito em uma Era de Crise Climática”, em tradução literal), foi elogiado até por Adam McKay, diretor de “Não olhem para cima”, um filme viral da Netflix que mistura ficção científica e sátira política para denunciar a emergência climática atual. Lançado no Brasil pela Penguin, a obra discute como os indivíduos — e as comunidades, principalmente — podem construir resiliência e transformar a “eco-ansiedade” (ou ansiedade ecológica) em um combustível para impulsionar novos esforços de busca por um mundo melhor.

Como as pessoas estão sendo mentalmente impactadas pelas mudanças climáticas?
Experiências de desastres, como incêndios florestais, inundações e furacões, podem aumentar os níveis clínicos de ansiedade e depressão, transtorno de estresse pós-traumático, abuso de substâncias e violência doméstica. Além disso, as ondas de calor, que vêm piorando devido à crise climática, estão fortemente ligadas ao crescimento da violência. As internações hospitalares por automutilação e tentativas de suicídio também se intensificam nessas condições, assim como os conflitos intergrupais.

O que exatamente é a “eco-ansiedade”?
A ansiedade ecológica é definida pela Associação Americana de Psicologia como o medo crônico da destruição ambiental. Podemos dizer que é um termo guarda-chuva que inclui a ansiedade, mas também tristeza, pesar, raiva, às vezes culpa, desamparo e impotência. Em tese, isso não é necessariamente ruim. Muitos profissionais de saúde mental argumentam que é saudável sentir pelo menos um pouco de eco-ansiedade, porque é uma resposta racional e normal a uma ameaça real que nossa civilização enfrenta. No entanto, esse sentimento pode chegar ao ponto de paralisar a pessoa e prejudicar sua capacidade de zelar pelo próprio bem-estar.

Existem dados sobre a porcentagem de pessoas que experimentaram ou estão experimentando eco-ansiedade hoje?
Meus colegas [da Universidade de Stanford] e eu pesquisamos 10 mil jovens de 16 a 25 anos em 10 países para tentar entender o alcance e o peso da ansiedade climática em suas vidas. Fomos a lugares como Brasil, Índia, Nigéria, Filipinas, França, EUA, Finlândia e Reino Unido em busca de cenários realmente diversos em termos de renda e de exposição aos riscos climáticos. O que descobrimos foi que, segundo 45% desses jovens, a crise climática afeta negativamente diversos aspectos de suas vidas: alimentação, sono, concentração, aprendizado escolar, trabalho, lazer ou relacionamentos. E isso, claro, também tem impacto na saúde mental.

Os jovens são o grupo mais afetado?
Sabemos que os jovens estão sentindo isso de forma mais aguda em comparação com as demais gerações vivas hoje. Mas qualquer um pode sentir eco-ansiedade, independentemente de sua idade, se entender que, no limite, sua saúde está ligada à saúde do meio ambiente. Vemos em nosso estudo e também em outros conjuntos de dados que essa forma de angústia é mais forte em comunidades que estão na linha de frente das mudanças climáticas. Enquanto a média global do nosso estudo é de 45%, esse número sobe para 67% em lugares como Índia, Nigéria e Filipinas, por exemplo.

No livro, você afirma que “ansiedade ecológica” se tornou a palavra da vez. Mas essa não parece ser uma discussão que tenha eco fora dos EUA e da Europa…
Não podemos nos limitar à terminologia e pressupor que se não houver um termo para “eco-ansiedade” em uma língua, isso significa que a crise ecológica não está impactando a saúde mental das pessoas. As nossas pesquisas mostram justamente o contrário. Basta formular as questões de maneira diferente: pergunte como as pessoas se sentem sobre eventos climáticos extremos, como a ameaça de escassez de alimentos e água ou sobre os efeitos da migração devido ao aquecimento global, que arruína os meios de subsistência, em vez de questionar se elas têm ansiedade ecológica. É um erro pensar que só o privilegiado ou a classe média branca e instruída sente isso. É tudo questão de adequação dos termos. Quando fazemos a pergunta de forma diferente, vemos que muitas pessoas sentem essa angústia, e identificá-la é muito importante para suas vidas.

O que devemos fazer para que as eco-emoções não se tornem debilitantes?
Seria maravilhoso se tivéssemos uma fórmula, mas não temos. As respostas psicológicas variam de pessoa para pessoa e é muito natural que os humanos, de forma geral, se afastem de sentimentos desconfortáveis. Temos defesas psicológicas que nos protegem da ansiedade e da dor para nos permitir sobreviver no mundo quando a realidade é difícil de suportar. E desenvolvemos essas defesas inconscientes realmente poderosas mesmo quando isso pode significar que estamos colocando em risco nosso futuro a longo prazo por não nos concentrarmos nesses perigos no presente. Vemos isso na crise climática, mas também estamos lidando com um ambiente de mídia em que as pessoas são bombardeadas com manchetes aterrorizantes o tempo todo, o que pode ser debilitante e narrativamente impeditivo do senso de futuro.

Você poderia explicar isso melhor?
Muitas vezes, a forma como nossa mídia é produzida e compartilhada se atém apenas à ameaça. Não se abre espaço para ações construtivas que as pessoas possam realizar nem para destacar o lado positivo de ações que já estão sendo tomadas e quais ganhos estão sendo obtidos na luta contra a crise climática. Não são divulgadas informações que ajudem as pessoas a sentir que há esperança, que há tração e que elas têm agência.

Você está dizendo que a mídia tem uma parcela de culpa?
Estamos lidando com uma catástrofe incrível da narrativa sobre a crise climática, que está prendendo as pessoas em poços de desespero e desamparo aprendido, como se não houvesse nada que pudesse ser feito e fosse tarde demais. Portanto, como essa situação avassaladora não pode ser resolvida, o melhor é nos resignarmos a esses tipos de crenças que nos impedem de agir. Precisamos de uma mudança de narrativa. Precisamos levar as pessoas a imaginar um futuro melhor para o qual estão trabalhando.

Sua pesquisa prevê uma onda crescente de preocupação com a saúde mental à medida que crise climática piora. Como a sociedade pode se preparar?
Estamos falando de traumas em nível populacional decorrentes de uma crise climática cada vez pior e de sistemas de saúde que, em muitas nações, não estão configurados para cuidar das milhares de pessoas que já precisam de serviços de atendimento mental hoje. Portanto, temos que pensar em como construir e expandir a capacidade dos sistemas de saúde, especialmente em locais de poucos recursos. Uma ideia sobre a qual escrevo no livro, e que já se provou extremamente eficaz, é o uso de agentes capacitadores. Em vez de investirmos apenas no modelo biomédico restrito — com psiquiatras, terapeutas e clínicos, o que costuma gerar um custo alto — esses profissionais de saúde mental podem treinar leigos para auxiliar no cuidado de pessoas com ansiedade e depressão em escolas, igrejas e centros comunitários, por exemplo. Foram feitos ensaios clínicos, e em muitos casos, esse tipo de ação se mostrou mais eficaz até que a atenção primária. É uma ferramenta muito poderosa.

O que explica isso?
Há muitas evidências de que alta conexão, alta confiança e alto capital social em relação ao lugar em que vivemos realmente protegem nossa saúde mental em face de desastres. Sendo o capital social entendido como a capacidade de os moradores de uma comunidade se unirem e alcançarem objetivos compartilhados. Quando definimos tarefas e aprendemos a seguir e liderar uns aos outros, e depois realizamos essas tarefas juntos, fortalecemos nossos relacionamentos e nossa capacidade de pedir ajuda dentro da comunidade. Assim, podemos nos reerguer mais rápido quando coisas ruins acontecem e também sabemos que não estamos sozinhos ou desamparados, mas que há resiliência construída dentro da comunidade por ter essa alta confiança e capital social.
Fonte: O Globo

Site pessoal:
Britt Wray

Recursos
David Wallace-Wells | Random House, 2019 | Book

Timothy Morton | Columbia University Press, 2018 | Book

Renee Lertzman | Routledge, 2016 | Book

Joanna Macy and Molly Brown | New Society Publishers, 1998 | Book

Ashlee Cunsolo and Neville R. Ellis | Nature Climate Change, 2018 | Article

Jem Bendell | IFLAS, 2018 | Article

American Psychological Association, 2017 | Article

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