quarta-feira, 26 de abril de 2023

A Batalha pela Água Intensifica-se em Espanha


Em Espanha, o parlamento da Andaluzia aprovou recentemente um projeto de lei que prevê legalizar cerca de mil hectares de regadio ilegal na zona envolvente do Parque Nacional de Doñana, uma das zonas húmidas protegidas mais notáveis da península ibérica, situada na margem direita do rio Guadalquivir. A atual iniciativa legislativa, liderada pelo PP e com o apoio do Vox, implicará a expansão do regadio e a regularização de centenas de poços ilegais, os quais retiram a água que é essencial à sobrevivência de Doñana. Legalizam-se assim as culturas nas imediações do parque, que vive já uma situação crítica devido à sobre-exploração dos aquíferos e à falta de chuva. A iniciativa política ignorou as recomendações contrárias da comunidade científica e dos ambientalistas, que não se têm cansado de alertar para o estado crítico de Doñana. A esperança reside agora na atuação das entidades europeias e internacionais: a UNESCO manifestou o seu desacordo e a Comissão Europeia avisou que, se a proposta de lei for bem-sucedida, não hesitará em tomar todas as medidas necessárias, incluindo a apresentação de um novo recurso no Tribunal de Justiça, e a imposição de sanções. O momento é dramático para o Parque Nacional de Doñana; cerca de 60% das maiores lagoas temporárias não são inundadas desde 2013, o que já provocou perda de biodiversidade. A preocupação é maior porque a seca é grave em Espanha, com as reservas de água abaixo de metade da média dos últimos 10 anos, especialmente no sul. Os dados disponíveis são claros e impõem uma redução do número de hectares que são irrigados legalmente e a preparação de uma alternativa ecológica para os agricultores e território. No entanto, a iniciativa promovida pelo parlamento não só foge a este propósito, como promove o contrário, alargando o número de hectares com direito a dotações de água. Aproximam-se as eleições e PP e Vox afirmam-se garante da prosperidade económica na região de Doñana, especialmente nos municípios com maiores áreas de culturas de frutos vermelhos (morango, framboesa), como os da província de Huelva. Estas forças políticas assumem facilmente discursos que contrariam os critérios dos cientistas, do Governo de Espanha, da União Europeia, da Unesco, e a própria realidade, prometendo extensões de rega e, implicitamente, as correspondentes dotações de água. E não se inibem de incentivar o confronto entre os agricultores e o governo central.Num tempo em que é cada vez mais evidente a pressão sobre a água, em que percebemos a insensatez dos que nos querem convencer que nada mudou, não se compreende que não sejamos capazes de nos entender através do diálogo e da razão. Como é que não são os próprios interessados a defender o extraordinário valor ecológico do Parque Nacional de Doñana? Em Espanha, tal como em Portugal, os novos cenários revelam a complacência com que, ao longo de décadas, fechámos os olhos às práticas agrícolas insustentáveis. Vamos ter que encontrar soluções rápidas e justas, e não vai ser fácil. Certo é que não há país em que a destruição ambiental não tenha trazido a ruína económica a longo prazo. Estas culturas intensivas de frutos vermelhos da região de Doñana podem alimentar esta geração, mas não vão alimentar a seguinte.

Helena Freitas, Diário de Coimbra, 25.04.2023

terça-feira, 25 de abril de 2023

Mariana Mortágua diz-se perseguida "por um membro destacado do Chega" por ser "uma mulher lésbica"


Mariana Mortágua afirmou esta segunda-feira no início do programa "Linhas Vermelhas", da SIC Notícias, que é perseguida "por um membro destacado do Chega" por ser lésbica.

A deputada e candidata à liderança do Bloco de Esquerda disse que, apenas no último ano, foi alvo de três ações judiciais levadas a cabo por duas pessoas: uma por Marco Galinha, dono do grupo Global Media, por ter identificado "o seu sogro como um oligarca russo" e outras duas "por um membro destacado do Chega".

"Estes processos têm um intuito muito claro, que é o desgaste público e político, quanto mais não seja porque, no decorrer destes processos, a comunicação social vai dando nota de que eles acontecem, mesmo que o seu desfecho seja o arquivamento. E eu sei que este tipo de pressão e perseguição política vai continuar e até subir de nível, seja porque sou mulher, seja porque sou de Esquerda, seja porque sou uma mulher lésbica, seja porque sou filha de um resistente antifascista com um passado e uma importante história, seja porque, aparentemente, tenho o dom de incomodar algumas pessoas com muito poder", afirmou Mariana Mortágua, acrescentando que, "infelizmente, nos dias que correm, para algumas pessoas vale tudo na política".

A deputada garantiu que está "preparada para tudo" e que vai continuar a fazer o seu trabalho como até aqui e que neste momento está centrado na comissão de inquérito à TAP.

No dia 21 de abril, o Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) decidiu arquivar o processo contra Mariana Mortágua, no qual a deputada do BE era acusada de violar o regime de exclusividade por fazer comentário político na SIC Notícias.

“Decide-se julgar totalmente improcedentes os requerimentos apresentados pelos assistentes e, consequentemente: não pronunciar a arguida pela prática de um crime de peculato (…) e pela prática de um crime de recebimento indevido de vantagem”, lê-se na decisão instrutória, assinada pela juíza Gabriela Assunção.

Em comunicado, o BE referiu entretanto que, “pela segunda vez, a Justiça decidiu que a queixa movida contra Mariana Mortágua não tem fundamento”, considerando que se confirma que “os queixosos e respetivos advogados (um candidato do Chega e outro quatro vezes condenado por burla) não conseguiram associar a Justiça a uma perseguição política”.

“Para Mariana Mortágua ou qualquer outro dirigente do Bloco de Esquerda, estas tentativas de retaliação servem de encorajamento à denúncia, que continuaremos a fazer, das redes e negócios da oligarquia russa e da extrema-direita”, assegura.

Bernardo Soares - Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)


Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.

Zeca Afonso e Galiza



O 10 de maio de 1972 perto da avenida Burgo das Nacións, no parque que agora lleva seu nombre, Zeca Afonso dicía por primeira vez aquelo de:
"Em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade".
Nun momento no que a dictadura na Epanha ainda estava no seu esplendor máximo, o músico acabou abrigando em Compostela devido à impossibilidade de retornar o seu Setúbal natal.
Zeca estivo acollido en Santiago, logo de volver de París, onde tamén estivo exiliado. Sempre tivo unha moi boa relación con esta cidade, de feito, incluso logo da dictadura, volveu en varias ocasións,
"A Galiza é para mim uma espécie de pátria espiritual. Talvez ninguém me entendese como na Galiza".
José Zeca Afonso. Veciño ilustre da Compostela

Música do BioTerra: Chico Buarque - Fado Tropical

Chico Buarque e Carlos do Carmo

Foi bonita a festa, pá! 25 de Abril! Sempre! Chico Buarque agradeceu a Bolsonaro por não ter entregue a ele o Prémio Camões, o maior prémio da literatura em língua portuguesa. “O ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando um espaço para a assinatura do nosso presidente Lula". Como disse o presidente Lula: "Hoje já é outro dia".


Discurso de Chico Buarque na entrega do Prémio Camões

Chico Buarque e Carlos Paredes

Poema da Semana: "A Terra" de Miguel Torga

A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

Odes, livro de poemas. 1ª edição 1946.
Miguel Torga

Bem dito, Hubert Reeves!





segunda-feira, 24 de abril de 2023

The U.N. is Negotiating a Treaty that Could Solve the Plastic Problem. Here's What You Need to Know. Sign and share the Petition


Atualmente, 175 países estão a negociar um tratado internacional juridicamente vinculativo sobre poluição plástica que pode mudar o mundo. É um grande acontecimento.

Mas, ao mesmo tempo, permanece a questão de saber se esse tratado será forte o suficiente ou se certos países ou empresas impedirão o progresso que poderia ser alcançado.

Alguns países e empresas dizem que querem um tratado ambicioso, mas quando você realmente olha para os detalhes, eles não estão pressionando por soluções significativas.

Por exemplo, os EUA querem que a parte “juridicamente vinculativa” do tratado seja que cada nação tenha um plano de ação. Mas isso é como permitir que os alunos escolham a sua própria lição de casa e a avaliem também.

Enquanto isso, as empresas químicas e de plásticos estão fazendo lobby ativamente por termos de tratados mais fracos. No início, eles se opuseram aos regulamentos de plástico. Mas isso prejudicou a sua reputação e os seus resultados. Então agora eles mostram-se pouco empenhadas, fazendo reivindicações de sustentabilidade e tentando enfraquecer as soluções por dentro. Elas continuam pressionando por termos de tratados mais fracos e flexíveis que se concentrem na gestão de resíduos em vez de reduzir o plástico na fonte.

Não podemos esperar que as empresas que criaram o problema ajudem a resolvê-lo. E não podemos deixar que este tratado deixe espaço para lavagem verde da indústria e falta de progresso real.

Sabemos que o problema dos plásticos é grande. Enfrentamos algo maior do que qualquer indivíduo, organização, legislador ou líder empresarial pode enfrentar sozinho.

Por isso, estamos nos unindo a aliados e organizações em todo o mundo para exigir um tratado forte que combata ambiciosamente a poluição plástica. Estaremos entregando esta petição aos líderes e delegados mundiais antes da próxima ronda de negociações no INC-2 (Comitê Intergovernamental de Negociação) no final de maio e início de junho.

Precisamos que os governos de todo o mundo aproveitem esta oportunidade histórica ouvindo as pessoas. Isso vai ser um levantamento pesado. O Big Oil e o Big Plastic não deverão manter-se tranquilos. Mas estamos prontos para nos reunirmos, ao lado de amigos de todo o mundo. Você está pronto?

Não importa como você está lidando com o problema dos plásticos, precisamos de você.

Assina e partilha a petição
Para: Líderes mundiais, delegados e representantes no INC-2

De: 

Como cidadãos globais de todo o mundo, pedimos a vocês que aprovem um forte tratado internacional sobre poluição plástica.

Precisamos de um tratado que:
  1. É juridicamente vinculativo e tem prazos para limitar e reduzir a produção de plástico, acelerando a transição dos plásticos descartáveis para a reutilização e recarga.
  2. Prioriza a saúde, os meios de subsistência e a experiência dos trabalhadores e comunidades da linha de frente em todo o ciclo de vida dos plásticos.
  3. Rejeita soluções falsas, como incineração de resíduos, “reciclagem” química, conversão de resíduos em energia, dumping internacional e outros esforços de lavagem verde apoiados pela indústria para continuar a produção de plástico como de costume.
  4. Inclua disposições que responsabilizem as corporações poluidoras e os países produtores de plástico.
  5. Por favor, proteja a saúde do nosso povo e do nosso planeta. Os cidadãos da terra exigem isso.

Petição: Fim das armadilhas para captura de espécies de fauna selvagem


Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,

Todos os abaixo signatários vêm solicitar a proibição de captura de espécies de fauna selvagem com recurso a qualquer tipo de armadilha e regulamentação que garanta critérios claros e estritos para atribuição de licenças temporárias e excecionais, bem como respetivos mecanismos de controlo, reforçando por essa via a efetiva excecionalidade da sua utilização inscrita de forma genérica na atual lei nacional e diretivas europeias.

A diretiva 92/43/CEE relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens estabelece a proibição do uso de armadilhas não seletivas nos seus princípios ou condições de utilização de métodos e meios de captura e abate.
De acordo com este princípio o Decreto de Lei (DL) n.º 38/2021, de 31 de Maio, que regulamenta a aplicação da convenção da vida selvagem e dos habitats naturais na Europa, proíbe a captura ou abate de espécimes listadas pelas Convenções de Berna e de Bona com recurso a armadilhas não seletivas, salvo licenciamento excecional a emitir pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF I.P.), obedecendo-se critérios cumulativos de falta de alternativa satisfatória, não prejudicar a manutenção das populações da espécie em causa e o ato ou atividade em causa vise atingir uma das finalidades admissíveis, entre as quais garantir a saúde e a segurança públicas, proteger a flora e a fauna selvagens, evitar graves prejuízos, nomeadamente às culturas, à criação de gado, à apicultura, às florestas, às zonas de pesca e às águas e outras formas de propriedade.

1. A lei da caça de 1967 inscrevia a proibição de “caçar com redes, ratoeiras, laços ou armadilhas de qualquer espécie”. A atual Lei de Bases Gerais da Caça, apesar não incluir a armadilha como possível meio de caça, é omissa relativamente à sua proibição.

2. O DL 38/2021 não descreve nem mensura os critérios para atribuição de licenças excecionais relativamente às referidas “alternativas satisfatórias”, possíveis impactos para “saúde e segurança pública” e “graves prejuízos, nomeadamente às culturas, à criação de gado, à apicultura, às florestas”.

3. É do conhecimento público a atribuição de licenças para efeitos de "correção de densidades populacionais" de espécies cinegéticas sem que seja garantido e atestado qualquer dos atuais critérios genéricos mencionados em lei.

Tendo em conta os ratificados princípios gerais de bem-estar e segurança animal, os signatários desta petição vêm assim requerer legislação que alargue a proibição de captura com recurso a armadilhas a todas as espécies de fauna selvagem e regulamente a atribuição excecional de licenças para controlo de espécies exóticas invasoras com comprovados impactos nos ecossistemas locais, que garanta o mínimo de dor e sofrimento dos animais capturados, estabeleça meios e métodos de abate, encaminhamento das carcaças, locais de colocação de armadilhas e identificação dos responsáveis por verificação e manuseamento da armadilha e animais capturados.

domingo, 23 de abril de 2023

Videomensagem- Como salvar o nosso planeta


  1. Reduzir as emissões de carbono: o mundo enfrenta uma crise climática e uma das questões mais urgentes é a redução das emissões de carbono. Isso pode ser feito reduzindo o uso de combustíveis fósseis, promovendo energia renovável e implementando políticas que reduzam a produção de carbono.
  2. Proteger a biodiversidade: Os ecossistemas da Terra são cruciais para a sobrevivência humana, mas estão ameaçados por atividades humanas, como desmatamento e poluição. Proteger a biodiversidade requer uma combinação de políticas nacionais e acordos internacionais que reforçam os esforços de conservação.
  3. Reduzir o desperdício: A quantidade de lixo produzida pelas sociedades humanas é um problema ambiental significativo. A redução do desperdício pode ser feita por meio da reciclagem, reduzindo o uso de itens de uso único e incentivando práticas de produção sustentáveis.
  4. Adote práticas alimentares sustentáveis: o sistema alimentar global tem um impacto significativo no meio ambiente, desde as emissões até o uso da terra e a poluição da água. Métodos de produção de alimentos mais sustentáveis, como agricultura regenerativa e pesca sustentável, são necessários para mitigar esse impacto.
  5. Incentive a educação e a conscientização: aumentar a conscientização sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente e promover a educação sobre práticas sustentáveis pode incentivar as pessoas a adotar estilos de vida mais sustentáveis. Isso envolve campanhas e políticas nacionais e internacionais que promovem a consciência ambiental.
Em resumo, para salvar o mundo, é preciso haver esforços coletivos para enfrentar as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade, reduzir o desperdício, adotar práticas alimentares sustentáveis e incentivar a educação e a conscientização.

Saber mais:
Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis

El Niño pode fazer disparar termómetros do mundo em 2023

Regresso antecipado do fenómeno climático El Niño pode levar os termómetros do planeta a registar um novo recorde de temperatura média em 2023 ou 2024, afirma responsável do programa Copérnico.


O mundo pode quebrar um novo recorde de temperatura média em 2023 ou 2024, alimentado pelas alterações climáticas e pelo regresso antecipado do fenómeno climático El Niño, dizem os cientistas climáticos. Os modelos climáticos sugerem que após três anos do padrão climático de La Niña no oceano Pacífico, que geralmente baixa ligeiramente as temperaturas globais, o mundo irá experimentar um regresso ao El Niño, o homólogo mais quente, no final deste ano.

Durante a influência de El Niño, os ventos que sopram para oeste ao longo do equador abrandam, e a água quente é empurrada para Leste, criando temperaturas oceânicas de superfície mais quentes. “El Niño está normalmente associado a temperaturas recordes a nível global. Ainda não se sabe se isto irá acontecer em 2023 ou 2024”, disse Carlo Buontempo, director do Serviço de Alterações Climáticas do programa europeu Copérnico.

Os modelos climáticos sugerem um regresso às condições do El Niño no final do Verão, e a possibilidade de um El Niño forte se desenvolver no final do ano, disse Buontempo.

O ano mais quente do mundo até agora registado foi 2016, coincidindo com um El Niño forte - embora a mudança climática tenha alimentado temperaturas extremas mesmo em anos sem o fenómeno. Os últimos oito anos foram os oito mais quentes de que há registo a nível mundial - reflectindo a tendência de aquecimento a longo prazo impulsionada pelas emissões de gases com efeito de estufa.

Ondas de calor, secas e incêndios

Friederike Otto, professora do Instituto Grantham do Imperial College de Londres, disse que as temperaturas do El Niño poderiam agravar os impactos das alterações climáticas que os países já estão a sofrer - incluindo graves ondas de calor, secas e incêndios.

“Se o El Niño se desenvolver, há uma boa hipótese de 2023 ser ainda mais quente do que 2016 - considerando que o mundo tem continuado a aquecer à medida que os humanos continuam a queimar combustíveis fósseis”, disse Otto.

Os cientistas do programa europeu Copérnico publicaram, esta quinta-feira, um relatório avaliando os extremos climáticos que o mundo conheceu no ano passado, o seu quinto ano mais quente de que há registo.

A Europa viveu o seu Verão mais quente de que há registo em 2022, enquanto as chuvas extremas provocadas pelas alterações climáticas causaram inundações desastrosas no Paquistão, e em Fevereiro, o nível do gelo do mar antárctico atingiu um nível recorde. A temperatura média mundial é agora 1, 2 graus Celsius mais elevada do que nos tempos pré-industriais, refere o programa europeu Copérnico.

Apesar de a maioria dos principais emissores mundiais se comprometerem a acabar por reduzir as suas emissões líquidas a zero, as emissões globais de CO2 no ano passado continuaram a aumentar.

Movimento Beja Merece + promove concentração em defesa da utilização do aeroporto


O movimento cívico Beja Merece + promoveu hoje uma concentração junto ao aeroporto daquela cidade, para alertar que “há mais de uma década” que a região defende a utilização das várias valências daquela infraestrutura.

Fonte da PSP de Beja disse à agência Lusa que a concentração contou com a participação de cerca de 100 pessoas.

Os promotores do protesto tinham inicialmente agendado um desfile, em marcha lenta, a partir do recinto onde decorre anualmente a feira Ovibeja até ao Aeroporto de Beja, mas o mesmo contou com parecer negativo da PSP.

Em declarações à Lusa, Florival Baiôa, um dos porta-vozes do movimento Beja Merece +, explicou que esta concentração serviu para alertar que “já deveria ter sido reconhecida a importância” do Aeroporto de Beja.

Florival Baiôa defendeu ainda que a infraestrutura deve ser utilizada porque apresenta “várias vertentes” que podem contribuir para o desenvolvimento económico da região.

“É o único aeroporto que tem, para já, uma capacidade enorme em termos de superfície para instalação de vários serviços e indústrias, tem a melhor pista portuguesa onde pode aterrar qualquer tipo de avião”, disse.

“Só queremos que seja utilizado, está feito, está pago e, em qualquer país que seja minimamente inteligente e racional, utiliza uma estrutura com esta dimensão”, acrescentou.

Ler mais:

sábado, 22 de abril de 2023

Feliz Dia Mundial da Terra

Earth Day 2023

Rosmaninho, a mais alegre das alfazemas
Comecemos por usar as palavras certas e deixar de chamar lavandas às alfazemas, porque é este o autêntico nome português desta família de plantas (apesar da sua nomenclatura científica ser Lavandulas). Vamos também deixar de chamar rosmaninho ao alecrim, superando outra confusão causada pelo nome científico. É que ser o alecrim designado por Rosmarinus officinalis – e ser “romero” em espanhol, “romarin” em francês e ”rosmarino” em italiano – causa frequentes erros de tradução.

O rosmaninho (Lavandula stoechas) é uma das várias espécies e variedades de alfazemas espontâneas no nosso território. Planta alegre e garrida, enche de tons de roxo o horizonte.

Arbusto perene, de folhas cinzentas e persistentes, muito resistente a condições climáticas extremas. A floração ocorre entre o fim da primavera e o verão. A cor das flores é normalmente lilás (ou azulada), podendo ser também branca ou rosa. É excelente como planta ornamental de exterior.

Prefere solos neutros, toleram geadas e mesmo nevões não muito prolongados. Deve ser colocada num local bem exposto ao sol, pois em locais sombrios terá crescimento e floração pobres e tempo de vida reduzido.

Planta muito útil em termos medicinais: ação antiespasmódica e anticancerígenas. Utilizado para dificuldades no sono, problemas de circulação, prevenção de doenças degenerativas e tratamento de enxaqueca.

Cosmética: utilizado no fabrico de sabonetes devido à sua ação bactericida, cicatrizante e hidratante.

Por vezes são empregues em culinária na aromatização de carnes e na curtimenta das azeitonas de conserva.

Bibliografia

ARAGÃO,M.J., Plantas e Algas Medicinais de A a Z. 2009. 198
CASTRO, F. L., Cultura de Plantas Aromáticas e Medicinais. 1995. 115
HAWKEY, S., Plantas Medicinais. 2004. 64
RAUSCH, A.; LOTZ, B., Ervas Aromáticas de A-Z. 2005. 298
PODLECH, D., Herbs and Healing Plants: of Britain & Europe. 1994. 249
PODLECH, D.; LIPPERT, W., Wild Flowers: of Britain & Europe. 1994. 252
ULLMANN, H. F., Botanicas’s Pocket: Gardening Encyclopedia. 2007. 1008

Sites

Música do BioTerra: Suede - Electricity

Melhor som aqui
[Verse 1]
We got a love that's cold as stone
We got a love from our violent homes
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a lotta electricity
We got a love like AC/DC
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
Oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity

[Verse 2]
We got a love like a violent mind
We get our love from white white lines
We got a love and it got no name
We kiss our love with lips like pain
We got a love from nowhere towns
We got a love like electric sounds
We got a love and it got no shame
We kiss our love with lips like pain
Kissing our love with lips like pain

[Chorus]
I said, oh it's bigger than the universe
It's bigger than the universe
It's bigger than the two of us
Oh it's bigger than you and me
We got a love between us and it's like electricity


sexta-feira, 21 de abril de 2023

Algas: Um recurso subaquático oculto que vale mais do que se esperava



Os investigadores acabaram de calcular o valor que a sociedade obtém de um recurso subaquático comum, mas escondido, e descobriram que é muito mais elevado do que alguma vez se esperava.

As florestas de algas há muito que fazem tanto pela humanidade, operando sempre fora da vista sob as ondas.

Abraçando um terço das nossas costas, elas fornecem alimento e casas para grande parte dos nossos mariscos costeiros. Ao fazê-lo, estas vibrantes selvas oceânicas ajudaram a ousadas migrações humanas como a colonização das Américas a sul, há 20.000 anos.

Também comemos a própria algas, usamo-las para fertilizar culturas, adicionamo-las a medicamentos e cuidados com a pele, e respiramos o oxigénio que produz.

No entanto, as florestas de algas estão em declínio catastrófico, e não compreendemos bem a extensão, e muito menos o valor, do que estamos a perder. Assim, uma equipa de investigadores apresentou uma estimativa dos serviços que os ecossistemas de algas nos proporcionam.

“Pela primeira vez, temos os números que demonstram o considerável valor comercial das nossas florestas globais de algas”, diz o ecologista marinho da Universidade de New South Wales, Aaron Eger.

“Encontrámos 740 milhões de pessoas que vivem num raio de 50 quilómetros de uma floresta de algas. Portanto, estes sistemas têm um papel significativo a desempenhar no apoio à subsistência destas pessoas e vice-versa”.

Eger e colegas fizeram um levantamento de 1.354 peixes e invertebrados em seis tipos diferentes de florestas de algas em oito áreas oceânicas diferentes. Também tomaram medidas de utilização de nutrientes desde o carbono ao fósforo.

Contributo económico das algas para produção pesqueira é de 29.851 dólares

O valor económico da contribuição das florestas de algas para a produção pesqueira é em média de 29.851 dólares e 904 quilogramas por hectare por ano, relata a equipa.

Surpreendentemente, apenas 50 tipos de animais dos 193 identificados contribuíram com a maior parte do valor para a pesca, principalmente invertebrados como lagostas, ouriços-do-mar e abalone.

Estas “árvores” oceânicas não só fornecem habitat a milhares de espécies marinhas, como também desempenham um papel enorme nos ciclos globais de nutrientes. As algas são um tipo de algas que são protistas, não plantas, mas tal como as plantas, a sua fotossíntese coloca energia nas teias de vida que abrigam, removendo o dióxido de carbono do seu ambiente e produzindo oxigénio no processo.

A remoção de dióxido de carbono, por sua vez, eleva os níveis de pH e o fornecimento de oxigénio nas áreas imediatas – ajudando a mitigar os efeitos locais da acidificação dos oceanos.

As algas também absorvem outros nutrientes, como azoto e fósforo, para alimentar o seu rápido crescimento, com algumas espécies capazes de adicionar até 50 centímetros de altura num dia. Pesquisas anteriores descobriram que as florestas de algas são ainda mais produtivas em termos de crescimento do que as culturas intensamente cultivadas, como o arroz e o trigo.

“Dos três elementos, a remoção de azoto forneceu o maior valor económico por hectare por ano (média = $73.831, 620 quilogramas), seguida pela remoção de fósforo (média = $4.075, 59 quilogramas), e por último a captura de carbono (média = $163, 720 quilogramas)”, escreve Eger e colegas.

Embora a captação de carbono das algas possa não ser tão impressionante como a sua remoção de azoto, ainda é equivalente a florestas terrestres e ervas marinhas.

“Globalmente, estas florestas de algas produzem uma média estimada de 500 mil milhões de dólares por ano”, conclui a equipa. Isto é três vezes mais do que as melhores previsões anteriores e é apenas uma medida de base que tem ainda de considerar outras contribuições significativas para a nossa economia.

“Houve também muitos outros serviços que não avaliámos, incluindo turismo, experiências educativas e de aprendizagem, e algas como fonte de alimento, pelo que antecipamos que o valor real das florestas de algas no mundo seja mais elevado”, qualifica Eger.

A algas também têm um potencial incrível como biocombustível sustentável e ajudam a proteger as nossas costas contra a erosão.

Cerca de um terço de todas as florestas de algas sofreram perdas profundas

Mas, tal como em grande parte do mundo à nossa volta, as florestas de algas estão a ter dificuldades. Nas últimas décadas, cerca de um terço de todas as florestas de algas sofreram perdas profundas. Uma combinação de ondas de calor e de ouriços-do-mar invasivos e esfomeados provocou um declínio de 95% das algas ao largo da costa da Califórnia desde 2014. A meio mundo de distância, as florestas de algas da Austrália foram listadas como ameaçadas após declínios igualmente drásticos.

Também sofrem de poluição por actividades humanas, e à medida que estas florestas flutuantes diminuem, o mesmo acontece com lagostas, abalone, peixes, e todas as outras vidas que contam com a sua existência.

“Colocar o valor do dólar nestes sistemas é um exercício para nos ajudar a compreender uma medida do seu imenso valor”, diz Eger. “É importante recordar que estas florestas também têm um valor intrínseco, histórico, cultural e social por direito próprio”.

Os investigadores esperam que as suas descobertas chamem a atenção para este ecossistema há muito negligenciado. Eles estão a lutar para restaurar e proteger milhões de hectares a nível mundial em conjunto com a Kelp Forest Challenge.