quarta-feira, 3 de junho de 2020

Copenhaga, cidade amiga das crianças, das bicicletas e do ambiente

Fonte: aqui

Hoje é dia mundial da Bicicleta. É curioso que a ONU tenha metido uma das suas efemérides mais recentes (foi criada apenas em 2018), entre o Dia Internacional da Criança (para a ONU, é dia dos pais), e o Dia Mundial do Ambiente (5 de Junho). Os algarismos 1, 3, 5 têm em comum o facto de serem uma sequência de números primos, mas mais do que isso, são, neste mês de Junho, uma sequência de efemérides que ficam muito bem assim juntas, e que mereciam ser celebradas todos os dias.

Na era do apelo digital, a velha e convencional bicicleta ainda consegue ser um dos brinquedos mais desejados pelas crianças, e experimentado por muitas delas. E é, garantidamente, depois das nossas pernas, o meio de transporte com menor impacto ambiental, facto pelo qual, entre outros motivos, as Nações Unidas decidiram dedicar-lhe um dia. Este ano, a efeméride coincide com um movimento mundial de corrida às bicicletas, e de transformação do espaço público em favor dela, visível em centenas de cidades que nos últimos meses estiveram sujeitas a fortes restrições de mobilidade, por causa da covid-19. 

Ainda estamos para ver – e em Portugal, são tão poucos os exemplos, que vamos mesmo ficar a ver, infelizmente – se este movimento veio para ficar. Mas uma coisa é certa: nenhum programa de descarbonização da mobilidade pode assentar apenas na transferência de viagens de automóveis de motores de combustão para automóveis eléctricos ou de carros para autocarros e comboios, não só porque o investimento necessário seria elevadíssimo como também, se assim fosse, ficariam por resolver outros problemas: a excessiva ocupação de espaço público por estes veículos de maiores dimensões e a sinistralidade rodoviária. 

Décadas à frente

Há cidades que já resolveram boa parte desses problemas, e Copenhaga, onde o Manuel Roberto se divertiu, durante dias, a fotografar o movimento e a vida nas ruas, é uma delas. A capital dinamarquesa rivaliza com Amsterdão e outras cidades holandesas pelo estatuto de cidade mais amiga dos ciclistas, e seja lá quem tenha razão, descontando o marketing territorial que sempre exacerba uns dados e minimiza outros, os números que apresentam colocam-nos décadas à frente do que a União Europeia está a pedir que todos os Estados Membros façam até 2050. 

E sabe uma coisa? Quando se pergunta a um dinamarquês as razões por que vai a pedal para o trabalho, para a escola, ou para o pub, ele dirá, em primeiro lugar (53%), que o faz porque é mais rápido, o que é normal numa cidade que tem infra-estruturas dedicadas e limita em grande parte das ruas a velocidade a 30 km/h ou menos; dirá depois (50%), que é mais fácil, que é pelo exercício (40%), que é barato (27%) e conveniente (23%). Poucos (uns míseros 7%), se lembraram, neste inquérito de 2017, da Danish Cycling Embassy, de dizer que o faziam por ser ecológico, o que prova que se pode ajudar o planeta sem dar por isso. Basta tomar as atitudes certas. 

Copenhaga já escolheu o seu caminho, e percorre-o com um prazer que se nota a cada pedalada, desde logo na forma descomplexada com que pais transportam as suas crianças em cargo bikes - uma em cada quatro famílias com dois filhos usa este meio de transporte na cidade. Mas também se nota nas roupas que usam (talvez por que não se vistam “para” pedalar), e que levaram um conhecido consultor da mobilidade ciclável, Mikael Colville-Andersen, a criar um blogue, o Copenhagen Cycle Chic, que esteve na origem de um movimento mundial de celebração das possibilidades de nos pormos em duas rodas sem abdicarmos de andar na moda. 

Crianças imitam os pais

Com tudo isto, é certo que as crianças dinamarquesas vão seguir o exemplo dos pais, que nem no frio nórdico, nas chuvadas, e até nos nevões, deixam de pedalar para o trabalho e para a escola, mais que não seja porque a cidade limpa primeiro os passeios e as ciclovias, e só depois tira a neve das estradas. É tudo uma questão de prioridade, que é política, social, familiar e individual. 

Mas nada disto é fruto de uma qualquer cultura centenária, a que sejamos alheios (até porque já se pedalou muito mais em Portugal). As ruas que o Manuel Roberto percorreu já foram, até aos anos 70, dominadas pelos automóveis. A diferença é que a mesma vontade de mudança que a covid-19 provoca hoje em muitas cidades, sentiram-na eles durante os choques petrolíferos, que encareceram as despesas com a mobilidade em automóvel para valores não suportáveis por muitas famílias. Lá, e em muitos países, como agora, tirou-se o pó às velhas biclas escondidas no fundo da garagem mas, na maior parte dos casos, tudo voltou ao “normal”, após a crise, porque as necessidades dos cidadãos não tiveram uma resposta à altura por parte dos decisores.

Francesco Tonucci, autor do belíssimo A Cidade das Crianças, obra de 1996 que só no ano passado teve tradução portuguesa, diria que a culpa de tudo isto é de não planearmos as cidades a pensar nelas. Uma cidade onde fosse dia da criança todos os dias seria uma cidade onde o tráfego se faria, quase todo, a 20 ou 30 km/h, com mais vias partilhadas onde o carro é mero convidado, passeios generosos, árvores e ciclovias. Seria a cidade onde andar de bicicleta, mais do que um desejo, ou uma brincadeira infantil, seria o modo usual de chegar, em segurança, à escola, poupando-as ao peso estúpido das mochilas que carregam. Seria, por tudo isto, uma cidade ambientalmente mais sustentável, onde também os velhos se sentiriam confortáveis fora de casa. 

Qual é o problema, então? O problema, cá em muitos outros lugares do mundo, são os adultos. Presos a um ritmo frenético, não querem simplesmente abrandar, ou nem sequer lhes é dada a oportunidade de o desejar. Em Portugal, nos lugares onde os decisores abrem espaço para a mudança, ela vai acontecendo, mas o esforço é ainda insuficiente, neste caminho até encontrarmos A Cidade Feliz. Outro título de um livro, de Charles Montgmomery – sem tradução por cá – no qual a mudança para um urbanismo inclusivo se explica em cima de duas rodas. 
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terça-feira, 2 de junho de 2020

As cinco crises e as soluções

Filipe Duarte Santos
A crise financeira e económica de 2008, com origem nos EUA, contraiu fortemente a economia global e diminuiu o bem-estar e a prosperidade económica em todos os países, embora de forma diferenciada, incluindo Portugal que foi particularmente afetado no contexto da União Europeia (UE). O mundo estava finalmente liberto dessa crise, quando surge no final de 2019 a crise da pandemia covid-19 cujo combate exigiu o confinamento e consequentemente uma acentuada quebra da atividade económica e uma provável depressão.

Entretanto, desde há mais de uma década, pelo menos, há umas quantas pessoas que teimam em afirmar que vivemos duas outras crises globais relativas a algo aparentemente mais afastado dos objetivos de prosperidade económica. A primeira é a crise ambiental, que se traduz pela perda de integridade da biosfera, pela poluição da atmosfera, mar, recursos hídricos e solos, e pela sobreexploração dos recursos naturais. A segunda é a crise climática que se traduz pelo aumento progressivo da temperatura média global da atmosfera, pela mudança nos padrões regionais da precipitação anual, pelo aumento da frequência e intensidade de alguns eventos meteorológicos extremos, especialmente ondas de calor, secas, eventos de precipitação intensa em períodos curtos, temporais extratropicais e ciclones tropicais e ainda pelo aumento do nível médio global do mar.

Mas há ainda mais duas tendências de natureza socioeconómica que pela sua magnitude, persistência e extensão constituem crises globais. A primeira é a crise das desigualdades socioeconómicas associada à emergência da classe do 1% da população mundial, que controla grande parte do poder económico e financeiro, com a conivência mais ou menos explícita dos governos, e caracterizada pelo desacoplamento entre o aumento da produtividade económica e o crescimento do emprego, pelo aumento da percentagem relativa a lucros na receita global e por uma maior taxa de retorno do capital do que a taxa de crescimento económico. A segunda é a crise global da dívida pública e privada, fortemente impulsionada pelo aumento da dívida privada na maioria dos países. De acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) do final de 2019 a dívida privada global a preços reais triplicou desde 1950 e em finais de 2019 a dívida global (pública e privada) atingiu 184 milhões de milhões de dólares, equivalente a 86,000 dólares per capita, um valor mais elevado do que antes da crise de 2008-2009.

Estas cinco crises estão fortemente relacionadas e algumas são interdependentes. A crise da covid-19 está relacionada com a crise ambiental, através da crescente transgressão dos habitats naturais que restam no Sistema Terra o que favorece o contacto humano com reservatórios de vírus em animais selvagens que se podem aproveitar esse contacto para evoluírem por meio de mutações e alojarem no corpo humano. Enquanto a alimentação dos povos indígenas com animais selvagens segue paradigmas culturais construídos durante milénios, a ingestão desses animais na atualidade por não-indígenas não tem memória do passado e é dirigida por modas recentes e oportunidades de lucro oferecidas pelas leis do mercado. A solução da crise económica gerada pela pandemia implica necessariamente um aumento do endividamento público para recuperar e incentivar a economia. Porém, o consequente agravamento da crise da dívida global irá tornar mais difícil o crescimento do PIB em muitos países, sobretudo naqueles que já tinham uma elevada dívida antes da pandemia. Finalmente, a crise da covid-19 irá agravar ainda mais as desigualdades socioeconómicas, particularmente as que estão associadas ao fosso Norte-Sul. A depressão económica global resultante da pandemia vai aumentar a pobreza, a fome e a pressão migratória nas economias emergentes e em desenvolvimento, especialmente nas que mais dependem da exportação de matérias-primas.

Finalmente, no que respeita às alterações climáticas estima-se que as emissões globais de CO2 em 2020 venham a ser cerca de 8% mais baixas do que em 2019. É a maior redução de emissões de CO2 provocada por todas as crises globais dos séculos XX e XXI, incluindo a pandemia da gripe espanhola, a Primeira Guerra, a Grande Depressão dos anos de 1930, a Segunda Guerra e a crise de 2008-2009. Esta redução vai no sentido certo para resolver a crise climática, mas espera-se que rapidamente as emissões regressem aos valores anteriores à pandemia dado que provavelmente a forte dependência global nos combustíveis fósseis irá continuar. Seria necessário reduzir de 6,5% as emissões anuais de CO2 durante toda a década de 2020-2030 para cumprir o Acordo de Paris das Nações Unidas que visa não ultrapassar 2º C de aumento da temperatura média global relativamente ao período pré-industrial.

Para controlar a crise climática é necessário estabilizar a concentração atmosférica de gases com efeito de estufa e esta só se dá quando as emissões tenderem para zero. É como se reduzíssemos de 8% o débito de uma torneira que verte água para uma piscina. O nível da água sobe menos mas enquanto a torneira estiver aberta continua a subir. É provável que as consequências económicas da pandemia levem a atingir-se mais cedo o pico de consumo global do carvão mas o pico de consumo global de petróleo dificilmente ocorrerá antes de 2030 e o de gás natural mais tarde.

Estas suposições pressupõem que continuamos no mesmo sistema económico e financeiro global das últimas décadas e no business as usual. A crise da pandemia constitui uma oportunidade para mudar de rumo e há muitas pessoas através do mundo que estão empenhadas em construir a partir daqui um mundo mais sustentável. Será possível? Como fazer? Quais as soluções?

Para entender a época atual é importante analisar os EUA, o país líder do mundo Ocidental, a maior potência económica e sobretudo militar do mundo e também o país líder da família dos países anglo-saxónicos com economias avançadas que se constituiu a partir do Império Britânico e inclui além da Grã-Bretanha, o Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Esta família não é uma nação, nem uma federação, como previu Herbert George Wells em 1901, mas revela-se pragmaticamente unida quando as circunstâncias assim o requerem e constitui o grupo económico e militar mais poderoso e organizado no mundo. Estamos a meio caminho da Oceânia, o superestado oligárquico anglo-saxónico que em 1949 George Orwell imaginou vir a existir em 1984.

O atual presidente dos EUA, Donald Trump tinha nas sondagens de há um ano uma percentagem favorável de 41,1% contra 53,8% desfavorável. Em 20 de maio, mais de três meses após o início da pandemia, as percentagens são praticamente idênticas com 42% favorável e 53% desfavorável (Quinnipeg University Poll, 20 de maio 2020), apesar dos EUA serem no mundo, o país com maior número de infetados, 1.696.547, e de mortos, 99.561, em 25 de maio. O presidente não compreende, desacredita e nega a ciência, dá conselhos absurdos e perigosos aos doentes e exibe um comportamento patologicamente sectário. A sua principal preocupação é manter Wall Street em alta e impedir o crescimento económico da China. Defende de forma apaixonada o uso dos combustíveis fósseis, especialmente do carvão, e anula grande parte da legislação de proteção do ambiente do seu antecessor. O governo dos EUA planeia realizar o seu primeiro teste nuclear depois de 1992, quando apenas a Coreia do Norte ainda provoca tais explosões, e decidiu abandonar unilateralmente o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INFT), assinado por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev em 1987. Ações que aumentam o risco de uma guerra nuclear.

Os seguidores da magia do Make America Great Again (MAGA) deliram com as patologias do seu presidente porque irritam e ofendem os seus adversários mais citadinos e intelectuais e os meios de comunicação social. Na tentativa de se perceber este delírio diz-se que são guerras culturais ou tribalismo, mas Trump ainda poderá ser reeleito em novembro. Estes excessos ultraconservadores e nativistas não se limitam aos EUA. Também surgem na Europa e no Brasil com movimentos chamados populistas de extrema-direita que se recusam a pensar o mundo atual por meio da ciência e de forma integrada. Preferem a utopia, a negação da realidade e a raiva.

Neste contexto político ocidental, com uma liderança assustadora, torna-se mais difícil fazer as reformas transformacionais que a solução das quatro crises de longo prazo requerem. Todas elas estão ancoradas no atual sistema económico e financeiro que continua global apesar das tendências recentes para o protecionismo e a fragmentação. Sem o reorientar efetivamente para a sustentabilidade não será possível avançar. As crises do ambiente e do clima são por natureza globais pelo que exigem a cooperação ativa de todos os países para encontrar vias de solução.

Apesar das suas vicissitudes e da excessiva energia que gasta em resolver os problemas internos, a UE constitui uma realização notável, especialmente no que respeita à paz, aos direitos humanos, à liberdade de circulação e residência dos cidadãos, ao seu desenvolvimento científico e cultural, às suas ambiciosas políticas ambientais e ao seu pioneirismo em construir um programa de sustentabilidade baseado na ciência, através do Pacto Verde Europeu. A UE deveria ter uma atitude política sobre o confronto crescente dos EUA com a China e uma perspetiva mais interventiva para além das suas fronteiras sobre as crises contemporâneas globais.

A pergunta que habitualmente se faz é se se está otimista ou pessimista. Penso que esta é uma oportunidade única de intervenção, que nos deve redobrar o ânimo e o empenhamento. O mais importante é persistir em defender os valores essenciais do Ocidente que herdamos inicialmente do Iluminismo e que privilegiam os direitos humanos, a democracia, o progresso humano, a prevalência da ética acima dos interesses pessoais, o método científico, a sustentabilidade de uma civilização inclusiva que defende a liberdade, a cooperação e a solidariedade, protege a integridade da biosfera e respeita o Sistema Terra como sendo a sua casa.

Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

Chamada europeia: 3 soluções para o clima e o emprego

Face à emergência climática, quaisquer que sejam as nossas tendências políticas, temos todos de trabalhar para o êxito do Pacto Ecológico Europeu.


À Sra. von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia,
Aos Chefes de Estado e de Governo da União Europeia,

A nossa sociedade está a enfrentar um choque incrível. A urgência é, evidentemente, salvar vidas e proteger empregos, mas esta crise não nos deve fazer esquecer a emergência climática. Mais do que nunca, é tempo de construir um novo Pacto Europeu para o Clima e o Emprego.

As últimas semanas foram sombrias, mas todos nós tínhamos água limpa nas nossas casas, nas nossas empresas e nos nossos hospitais... O que acontecerá se as alterações climáticas se agravarem e se, dentro de 15 ou 20 anos, os lençóis freáticos de algumas grandes cidades estiver vazio durante vários meses?

O Pacto Ecológico Europeu é a melhor forma de realizar as mudanças reais de que a Europa necessita para recuperar da crise do coronavírus, para criar milhões de postos de trabalho e tornar a economia o mais resistente possível. Mas, para que isso aconteça, o Pacto Ecológico Europeu precisa de um verdadeiro financiamento.

Somos estudantes, climatologistas, economistas, sindicalistas, empresários, representantes eleitos locais, nacionais e europeus, (antigos) deputados, (antigos) ministros, cidadãos de origens muito diversas. Estamos convencidos de que a transição ecológica não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também uma oportunidade para a Europa se reinventar e recuperar da crise da covid-19.

A emergência ambiental exige o isolamento de todos os edifícios, o reforço dos transportes públicos e das energias renováveis, a transformação do nosso modelo de agricultura, a protecção da biodiversidade, a protecção e limpeza das florestas e dos oceanos, e o desenvolvimento de políticas de adaptação e reparação. No entanto, todos estes projectos enfrentam o mesmo obstáculo: quem vai pagar?

Ao trabalhar num cenário de redução de 40% das emissões para 2030, a Comissão Europeia estimou que a execução desse objectivo exigirá investimentos anuais adicionais de 260 mil milhões de euros” (Comunicação do Pacto Ecológico Europeu, 12/2019). Já em 2016, estimava-se que o défice de investimento atingiria 529 mil milhões de euros por ano a partir de 2021 (públicos e privados), com base num cenário que implicaria uma redução de 47% de emissões para 2030. Hoje em dia, com um objectivo acrescido, a necessidade de investimento deve ser aumentada em conformidade.

Os compromissos assumidos pela Comissão Europeia para financiar o Pacto Ecológico Europeu estão longe destes montantes: o “Plano de Investimento Sustentável para a Europa” proporcionaria cerca de 100 mil milhões de euros por ano. No entanto, não é sequer certo que este montante possa ser mobilizado na totalidade. De momento, foi prometido ao Pacto Ecológico Europeu um financiamento amplamente insuficiente: entre 2 a 10 vezes menor para que este tenha êxito.

A fim de criar uma dinâmica internacional, a UE deve chegar a acordo sobre um objectivo climático reforçado para 2030, em conformidade com a ciência, a equidade e o objectivo de 1,5ºC do Acordo de Paris, muito antes da COP26. Para que os Estados-membros cheguem a acordo sobre esta matéria, será necessário identificar a forma como esta transição será financiada.
É por isso que propomos 3 soluções que acreditamos serem capazes de alcançar um amplo consenso.

1. Para reduzir drasticamente o nosso consumo de combustíveis fósseis, temos de acabar com todos os subsídios e investimentos fósseis. A lei climática europeia deve garantir que os subsídios aos combustíveis fósseis sejam proibidos em todos os Estados-membros. Deve também garantir a transparência de todos os bancos (privados e públicos) e de todas as companhias de seguros que operam no território europeu em relação a todas as suas actividades, organizando progressivamente o fim dos investimentos fósseis. Em 2010, para combater a evasão fiscal, Barack Obama aprovou a Lei FATCA, que fechou o mercado norte-americano a bancos que não eram totalmente transparentes para as autoridades fiscais norte-americanas. Do mesmo modo, para combater as alterações climáticas, a Europa precisa de uma “Lei FATCA do Clima”, que reserve o mercado europeu aos bancos e companhias de seguros que tenham reorientado os seus investimentos em função da emergência climática.

2. O Banco Central Europeu (BCE) imprimiu 2600 mil milhões de euros desde 2015. Apenas 11% dessas somas colossais foram para a economia real. O resto foi, na sua maioria, para a especulação. Para 2020, além das centenas de milhares de milhões que o BCE irá imprimir para enfrentar a crise da covid, irá também imprimir mais 240 mil milhões que devem ser investidos no clima e no emprego. Estes montantes devem alimentar um verdadeiro Banco do Clima e da Biodiversidade - que concederia empréstimos sem juros a cada Estado-membro (até 2% do seu PIB por ano durante 30 anos, como sugerido por Nicholas Stern em 2008, o que ascenderia a 300 mil milhões de euros para a UE no seu conjunto).

3. Se todas as famílias, todas as pequenas empresas e todos os territórios tiverem de investir numa profunda transformação de carbono zero, os empréstimos sem juros não serão suficientes, uma vez que os seus reembolsos são limitados ou incertos. Para ter um efeito catalisador, os empréstimos devem ser complementados por subvenções públicas. A taxa média do imposto nacional sobre os lucos das empresas na Europa diminuiu para menos de metade em quarenta anos (de 45% para 19%). A implementação de um imposto europeu adicional de 5% (ajustado de acordo com a sua pegada de carbono), combinado com outros recursos próprios, traria 100 mil milhões de euros por ano para alimentar um verdadeiro orçamento europeu para o clima e a biodiversidade. Estes 100 mil milhões de euros adicionais permitir-nos-iam ultrapassar o limiar de 50% do orçamento europeu para o clima e ajudar a transição, tanto no sector público como no privado.

Estas três soluções proporcionariam dinheiro suficiente para financiar uma transição que seria justa para os trabalhadores. Permitiriam ao Pacto Ecológico Europeu criar mais de 5 milhões de postos de trabalho na Europa e melhorar os meios de subsistência de milhões de famílias, ao mesmo tempo que impulsionariam o investimento na economia hipocarbónica. Face à emergência climática, quaisquer que sejam as nossas tendências políticas, temos todos de trabalhar para o êxito do Pacto Ecológico Europeu.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em Julho que se inspirou “na paixão, convicção e energia dos milhões de jovens que fizeram ouvir a sua voz nas nossas ruas e encontraram o seu caminho nos nossos corações”. Ela acrescentou: “É dever da nossa geração não os desapontar”.

A União Europeia nasceu com o carvão e o aço. Pode renascer com um Pacto Europeu para o Clima e o Emprego.

Convidamos todos os cidadãos da Europa a juntarem-se a este convite no website https://realgreendeal.eu/call/, onde também se encontram disponíveis as fontes dos vários números citados.

Alterações climáticas: planos de Portugal para cumprir o Acordo de Paris são insuficientes



A Rede Europeia de Ação Climática (CAN Europe) considera que muitos países, incluindo Portugal, são incapazes de alcançar os objetivos de longo prazo do Acordo de Paris, por serem insuficientes os respetivos Planos Nacionais de Energia e Clima (PNEC).

A CAN Europe, uma coligação de organizações não governamentais para o clima e energia, divulgou esta terça-feira um relatório de análise às falhas e oportunidades nos PNEC de 15 países europeus, um deles Portugal, e concluiu que a Dinamarca é a única exceção à “fraca ambição” dos PNEC analisados.

No documento, feito através do Projeto LIFE Unify (Unificar: Unir a União Europeia na Ação Climática), que acompanha a execução dos PNEC de vários países da União Europeia (UE), diz-se que Portugal ainda pode melhorar o seu PNEC, em particular na área da eficiência energética.

Portugal apresentou o PNEC no final do ano passado e aprovou no último dia 21 de maio uma versão final. O PNEC agora aprovado estabelece novas metas nacionais de redução de emissões de gases com efeito de estufa, de incorporação de energias renováveis e de eficiência energética.

E propõe 58 linhas de ação e 206 medidas para descarbonizar a sociedade e para a transição energética, articuladas com o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, o ano em que Portugal não deve produzir mais dióxido de carbono do que aquele que consegue absorver (através da floresta, por exemplo).

No relatório publicado pela Rede Europeia, e em Portugal pela organização ambientalista Zero, afirma-se que há melhorias nas versões finais dos PNEC dos 15 Estados membros da UE analisados, mas alerta-se que as melhorias “ainda não são suficientes para catalisar a transição energética necessária para alcançar o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris”.

E no relatório a CAN Europe pede aos Estados-membros que melhorem continuamente os seus PNEC, indo mesmo além do que é pedido pela UE, a fim de cumprirem as metas de clima e energia para 2030.

Em relação ao PNEC de Portugal aponta-se com positivo a produção de eletricidade renovável descentralizada, mais investimento na ferrovia ou a aposta na reflorestação com árvores autóctones. E indica-se como “a maior falha” a “baixa ambição” ao nível da eficiência energética, ainda que “apresente oportunidades para uma maior atuação a este nível”.

O plano português tem ainda outra falha de destacar pois, apesar de o referir, não especifica de que forma é que a implementação do plano vai ser monitorizada e vai estar disponível para a população, para que esta possa acompanhar o desenvolvimento deste trabalho fundamental para todos, e tornar-se mais participativa neste processo”, diz-se num resumo do relatório hoje divulgado pela Zero.

Citado no comunicado, o presidente da Zero, Francisco Ferreira, disse que para garantir que os PNEC cumpram os objetivos “a sociedade civil tem um papel importante na monitorização do desempenho das políticas e medidas programadas”.

E Wendel Trio, diretor da Can Europe, lembra no mesmo documento que os PNEC preparam o terreno para uma maior ambição climática na Europa e investimentos para os próximos 10 anos, com o objetivo de alcançar a neutralidade climática e estimular a economia.

O relatório avalia a versão final dos PNEC. A Comissão Europeia apresenta as avaliações a essas versões finais nos próximos meses.

Poema da Semana: Mário Quintana


Magrelli

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mario Quintana

segunda-feira, 1 de junho de 2020

The Frozen Autumn - This time

Álbum: Pale Awakening (1995)
Letra
hadow is the shadowy hope
To resist in every moment
When I feel my heartbeat...

You could change the clothing
Of that desperate times
But you can't forget the days of Romance...

[refrão]
Times to surrender
Times to forget
Times to remember like this time! (2X)

This time, looking through the window
This time, shadows coming back!
This time, out of time, follow my direction
This time, shadow of the past!

This time

Shadow is the shadowy hope
To resist in every moment
When I feel my heartbeat...

[refrão] (2X)

This time, looking through the window
This time, shadows coming back!
This time, out of time, follow my direction
This time, shadow of the past!

This time (5X)

Looking through the window
This time, shadows coming back!
This time!

Significado da canção
Como é típico no género que a própria banda batizou de "frozen wave" — uma mistura fria e nostálgica de darkwave com synthpop dos anos 80 —, o significado de "This Time" gira em torno da passagem do tempo, da inescapabilidade do passado e do isolamento emocional. No trecho "You could change the clothing / Of that desperate times / But you can't", aborda-se a ilusão da mudança e a frustração de tentar disfarçar ou mascarar traumas e momentos difíceis, sugerindo que, por mais que tentemos dar uma nova aparência às velhas dores, a essência do sofrimento permanece inalterada. Esta melancolia intensifica-se com o retorno das sombras, onde a repetição de "This time... shadows coming back / shadow of the past" evoca um estado em que o indivíduo, ao olhar pela janela ou ao isolar-se, se vê subitamente assombrado por memórias e arrependimentos, mostrando que o tempo presente é constantemente invadido e moldado pelo que já passou. Contudo, há ainda espaço para a resistência emocional; a menção ao bater do coração ("When I feel my heartbeat") e à esperança sombria ("shadowy hope") funciona como um vislumbre de sobrevivência, representando a força interna de continuar a sentir, mesmo quando se está cercado por uma realidade fria e nostálgica.

A Covid-19 e a estreita intimidade entre Passado, Presente e Futuro

Maria do Carmo Vieira

Nunca como nesta situação de confinamento, incluída num grupo de risco, me mantive tão atenta a pormenores, constatando, com uma nitidez que até aí não sentira, a abissal diferença entre um jornalismo profissionalmente honesto, sério na informação e respeitador do leitor e um que tenta conscientemente desinformar, confundir e desnortear até ao pânico. Pensar nesta dualidade, tão intensamente em antítese, e nas funestas consequências para quem, incauto, se deixa conduzir, levou-me de forma espontânea ao passado, forçosamente aos mais velhos. Lembrei-me, nesse momento, sentindo renovada e profunda gratidão, de todos aqueles que, pela sua postura, na Vida e na Escola, me haviam ensinado desde sempre a pensar, alertando-me para que nunca permitisse que outros o fizessem por mim. Sei que a sua interferência na formação e desenvolvimento da minha personalidade foi crucial e daí a impossibilidade de os esquecer, e a gratidão, a imensa gratidão! que o Tempo não cessa de intensificar.


Na minha memória passam, em grande saudade, inúmeros rostos, alguns já desaparecidos e, inúmeros rostos, alguns já desaparecidos, com destaque superlativo para os meus pais, seguindo-se a minha professora de Português e de Grego, no Liceu Rainha D. Amélia, Georgette Costa, a minha Professora de Latim, no mesmo liceu, Manuela da Palma Carlos, o meu Professor de Linguística, na Faculdade de Letras de Lisboa, Lindley Cintra, e outros, felizmente ainda entre nós, como a minha professora de Francês, também no liceu anteriormente referido, Maria Alzira Seixo, que depois reencontrei na Faculdade de Letras, e o meu Professor de Literatura Francesa, na mesma Faculdade, o poeta Manuel Gusmão. Seja em matéria relacionada com o Outro, ou qualquer aspecto da Condição Humana, seja sobre a imperiosa necessidade de um Ensino de qualidade e de uma Cultura não transformada em espectáculo e mero entretenimento, seja ainda em relação a um Acordo Ortográfico decretado em nome de uma pseudo-vantagem económica, ao arrepio da vontade dos portugueses e colidindo com toda a argumentação científica, sei que em todas estas matérias, e muitas outras, em que intervenho criticamente, a minha voz não é só, porquanto reflexo de inúmeras influências, passadas e presentes, que a fortaleceram e fortalecem, sendo seguro que continuarão a acompanhar-me. Tal como as vozes que pelo canto ligaram toda uma geração e às quais, a tantos anos de distância, permanecemos fiéis. Arrepia-se-nos a pele no reencontro com essas velhas canções cujas letras profundamente influenciaram a nossa forma de olhar o mundo de então e que, em grande saudade, ouvimos insistentemente, servindo-nos da internet da qual nunca esperámos vir a depender tanto, confinados que estamos em casa. E eles são, entre muitos, Jacques Brel, Jean Ferrat, Bob Dylan, Joan Baez, Simon & Garfunkel ou Peter, Paul and Mary, desejando partilhar convosco uma canção destes últimos, Where have all the flowers gone. Ainda para os avós que, como eu, deixaram de poder abraçar e beijar com ternura os seus netos, Mary Travers (do grupo Peter, Paul and Mary), numa música de John Denver, For Baby. Todos pertencendo à “geração grisalha” e alguns já não entre nós, como é o caso de Mary Travers.

Uma longa introdução para lembrar aos que proclamam uma melhoria da situação, com o desaparecimento dos velhos (seja em prol de um Ensino, dito “inovador”, ou do êxito de uma economia liberal e desumana, ou ainda no cumprimento acrítico do novo Acordo Ortográfico), que todos nós, ao nascer, somos, como naturalmente constatou Hannah Arendt, recebidos pelos mais velhos que nos protegem e educam. É esta a única harmonia possível, na vida de todo o ser humano – uma estreita intimidade entre Passado, Presente e Futuro.

São vários os artigos de opinião, nacionais e estrangeiros, que lucidamente ousam indicar a imperiosa mudança que deverá acontecer, fruto desta experiência tão inesperada, com a Covid-19, mas não é certo que muitos políticos, nacionais e estrangeiros, afogados em pretenso “progresso” e crescimento desenfreado, no uso de um vocabulário que evoca a nova Economia e que poderemos exemplificar pelo verbo “elencar” e o substantivo “competitividade”, venham a aperceber-se dessa óbvia necessidade de transformação, de recuo da loucura em que estamos envolvidos, e daí a urgente necessidade de sermos nós, cidadãos, contínua e criticamente, a lembrá-lo.

Não basta elogiar de forma intensa o Serviço Nacional de Saúde (SNS), seja qual for o país, ou aplaudir, com emoção, médicos, enfermeiros e pessoal afim, ou dizer que à sua actuação devemos a vida; exige-se, mais do que nunca, que se responda favoravelmente a quem in loco sente, no dia-a-dia, os problemas, para os quais, e muito antes do surto epidémico, o SNS chamara a atenção, infelizmente em vão. Não significa que não se tivesse investido, sobretudo depois de uma austeridade imperdoável e brutal, mas constatou-se não ter sido o suficiente e conhecemos a origem desse travão que não pode mais ser tolerado, sob condição de se tornarem uma hipocrisia insuportável os sucessivos agradecimentos e aplausos, ostensivamente dirigidos a todos os profissionais do SNS que, não discriminando pessoa alguma, e superando-se humanamente, têm sido determinantes no atenuar do pesadelo que todos vivemos. Por alguma razão, em todo o Mundo, acontecem, amiúde, os aplausos sentidos e genuínos da população ao SNS.

Foram os portugueses aconselhados, há já bastantes anos, a viver, em grande parte, de uma economia de turismo a qual se tornou selvagem pelo que representa de destruição do ambiente e da vida das pessoas, com um aumento desmedido de rendas e despejos, a que se juntou o desconcerto de filas intermináveis para visitar alguns monumentos, nomeadamente os claustros do Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre de Belém, vedados, por completo, e desde há anos, aos residentes. Também o terreno agrícola fértil tem sido alvo da ganância turística e imobiliária, sob o olhar complacente do poder político, esquecido que em momentos de crise não podemos depender exclusivamente de alimentos importados. A serra de Carnaxide, de “grande importância ecológica e ambiental”, é um flagrante exemplo de um espaço desprotegido porque não classificado, fazendo “os seus solos parte dos 5% de solos muito férteis que Portugal possui”. Entretanto, aproveitando-se do confinamento das pessoas, os trabalhos de loteamento e urbanização avançaram na sua gritante destruição, sobrepondo-se o gesto vil às vozes dos que não traem o Conhecimento, a sua consciência e a sua solidariedade com os que persistem nas causas em que se empenham. Destacamos, neste caso, os investigadores da área do Ambiente e Alterações Climáticas, Filipe Duarte Santos, Eugénio Sequeira e Jorge Fernandes (este último, Professor destacado na Liga para a Protecção da Natureza). Há uma petição, “Preservar a Serra de Carnaxide”, sendo o seu primeiro subscritor Daniel Martins, que acentua o facto de “isto não ser uma questão local”, mas “uma questão nacional.” Concordando com o seu conteúdo, ajude a divulgá-la e, para um melhor conhecimento da situação, aconselha-se a leitura do artigo de João Pedro Pincha, no jornal Público de 1 de Abril.

Quando se abdica de estudos de impacto ambiental ou se solicitam os mesmos a equipas “voz-do-dono”, numa atitude inqualificável, quando se tenta entreter indeterminadamente movimentos ecológicos que persistem na defesa da Natureza, casa de todos nós, negando-se o diálogo e fazendo-se simultaneamente tábua rasa dos pareceres críticos apresentados, ou quando se tenta “convencer pedagogicamente” presidentes de Câmara, que se opõem à construção do aeroporto, no Montijo, mediante alguns favores a conceder, em troca do almejado sim, estamos perante uma democracia doente, que a realidade pós-Covid deverá sanar e em cujo processo de transformação deveremos igualmente participar.

Os desafios são inúmeros e incontornável será a questão relativa à perda de importância da Dignidade Humana, na sociedade globalizante, fortemente determinada por um novo modelo de Economia que tem aviltado, ao longo de demasiados anos, a vida das pessoas, ofendendo de forma ostensiva o seu significado etimológico: do grego oikonomy (oikós - casa - + némein - distribuir). A Economia focada no ser humano não pode pugnar por baixos salários, nem por excesso de trabalho e de cansaço, nem pelo isolamento da família; não pode aceitar toda uma luta pela sobrevivência diária ou a concentração da riqueza numa minoria, já de si enriquecida. Deve contrariar o excesso de taxas bancárias cuja justificação assenta no absurdo ou o mau funcionamento dos Serviços Públicos por manifesta falta de pessoal ou a ganância que não olha a meios para atingir lucros rápidos, espezinhando a Ética, ou ainda a obsessão pelo crescimento, seja a que custo for.

A epidemia de Covid-19, na sua intensa estranheza e nas consequências nefastas que, incrédulos, presenciamos, forçará uma inevitável e bem-vinda alteração substancial da Vida. Houve demasiados erros para não se aprender com eles. Sobretudo, não desejamos continuar a adaptarmo-nos a uma sociedade doente, em que a Ética escasseia, precisamente porque indiferente à Dignidade Humana.