sábado, 14 de novembro de 2015
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
11 documentários para construir um novo olhar sobre a questão ambiental
Como dizia o ditado, "uma imagem vale mais do que mil palavras”. Documentários, apesar de terem a premissa de retratarem a "realidade", também são filmes e, portanto, construções audiovisuais que a mostram a PARTIR de certos pontos de vista. Mesmo assim, eles podem ter o poder de sensibilizar o espectador ao mesmo tempo em que informam. O poder da imagem e a combinação com uma boa direção podem fazer com que as pessoas percebam a dimensão de questões que não aparecem tanto no dia a dia.
Às vezes, matérias de sites e jornais não mostram, por exemplo, os efeitos de ações não amigáveis ao meio ambiente de forma sensorial; mas após ouvir e assistir ao impactante conjunto de sons e imagens, é difícil não se sentir mais envolvido com a causa. Se você tem interesse em MUDAR sua postura, um bom INÍCIO é ter contato com esse universo de boas produções que também podem ser informativas.
Existem grandes documentários sobre causas ambientais e aqui você irá conferir uma lista de alguns deles:
O documentário, dirigido pelo alemão Wim Wenders e pelo brasileiro Juliano Salgado, retrata a trajetória do renomado fotojornalista Sebastião Salgado. O fotógrafo se debruçou em sua carreira pelas questões sociais e ambientais. O documentário conta, por meio das sensíveis imagens captadas pelo olhar de Sebastião, um pouco da história do homem e seu impacto sobre o planeta. Também mostra a faceta exploratória de recursos naturais, a relação de diversas civilizações com a natureza e a guerra, além da magnitude da natureza. As imagens da série Gênesis são o resultado de uma expedição épica redescobrindo montanhas, desertos e oceanos, animais e povos que se mantêm aparentemente intocados da marca da sociedade moderna. Além disso, o documentário conta sobre a história do Instituto Terra, de Salgado e de sua esposa, que surgiu com o objetivo de RECUPERAR a Mata Atlântica original na antiga fazenda de gado de sua família. O sonho e o projeto expostos no documentário expressam o pensamento de que a destruição da natureza pode ser revertida.
Na língua hopi, Koyaanisqatsi significa "vida maluca, vida em turbilhão, vida fora de equilíbrio, vida se desintegrando, um estado de vida que pede uma outra maneira de se viver". O documentário, dirigido por Godfrey Reggio e orquestrado por Philip Gass, expõe a relação da humanidade com a natureza de modo crítico e questionador. Por meio de linguagem poética, ele constrói um diálogo sobre o impacto do ser humano no meio ambiente com imagens em câmera lenta e em time-lapse, sem uso de diálogo ou narração. Koyaanisqatsi é o primeiro filme da trilogia Qatsi, toda dedicada aos diferentes aspectos das relações entre humanos, natureza e tecnologia.
Home (2009)
Dirigido pelo jornalista, fotógrafo e ambientalista Yann Arthus-Bertrand, o flime conta com imagens aéreas monumentais de diversos lugares da terra. Uma frase marcante do filme, que reflete sua intenção é: “O nosso ecossistema não tem fronteiras. Onde quer que estejamos, as nossas ações terão repercussões”. A narração insere questões ambientais que dialogam com as paisagens: a evolução histórica dos seres humanos, a industrialização, a agricultura, a descoberta do petróleo, as extrações de minerais, os hábitos de consumo criados e principalmente os impactos que estamos vivendo e viveremos em decorrência disso.
2012 - Time for Change (2010)
A produção, dirigida por João Amorim, acompanha o jornalista americano Daniel Pinchbeck, autor do bestseller "2012: The Return of Quetzalcoatl". Ele expõe as questões ambientais por um paradigma que mescla a sabedoria tradicional de culturas tribais e o método científico. O documentário tem entrevistas de personalidades como Sting, David Lynch, Paul Stamets, Gilberto Gil, entre outros. O documentário passa a mensagem de que um dos principais empecilhos para a mudança da situação de degradação da natureza é a consciência individual. Para EVITAR uma catástrofe mundial, todas as pessoas devem estar dispostas a fazer grandes mudanças em seus hábitos diários e abrir mão de certos confortos, em nome de um bem maior. O documentário discute experiências de meditação, a importância de construções sustentáveis, o movimento de contracultura e alternativas ecológicas para o dia a dia.
Virunga (2014)
O documentário, dirigido por Orlando von Einsiedel e produzido por Leonardo Di Caprio, mostra de forma emocionante a coragem e esforço de homens comprometidos com a conservação ambiental. Eles são um pequeno grupo de guardas florestais que protegem Virunga, o mais antigo parque nacional da África, na República Democrática do Congo. As florestas do parque abrigam os últimos 800 gorilas da montanha do planeta, grandes jazidas minerais e uma enorme biodiversidade. Dispostos a sacrificar a vida pelo Virunga, os guardas enfrentam constantes investidas de paramilitares, caçadores e mineradoras.
Mission Blue (2014)
Dirigido por Robert Nixon e Fisher Stevens, Mission Blue se assemelha a O Sal da Terra, por tambémCONTAR
a biografia de uma grande personalidade tendo também o objetivo muito maior - que é a conscientização ambiental. Ele mostra a biografia da renomada bióloga marinha Sylvia Earle e ao mesmo tempo faz importantes denúncias sobre a condição dos oceanos. Os avanços dos impactos das ações humanas nos oceanos e a importância destes para o equilíbrio do planeta são os focos do documentário.
a biografia de uma grande personalidade tendo também o objetivo muito maior - que é a conscientização ambiental. Ele mostra a biografia da renomada bióloga marinha Sylvia Earle e ao mesmo tempo faz importantes denúncias sobre a condição dos oceanos. Os avanços dos impactos das ações humanas nos oceanos e a importância destes para o equilíbrio do planeta são os focos do documentário.
Chasing Ice (2012)
Muito se fala sobre o aquecimento global, mas poucas pessoas realmente têm noção dos efeitos que já atingem nosso planeta. Se você é uma dessas pessoas que não se convence pelas tabelas, gráficos e números disponíveis sobre o assunto, assista ao documentário Chasing Ice, dirigido por Jeff Orlowski. O filme mostra a expedição do fotógrafo James Balog ao Ártico. O premiado fotógrafo recebeu o desafio da publicação National Geographic de retratar os efeitos da mudança climática no planeta. Para isso, ele desenvolveu o projeto “Extreme Ice Survey” (Pesquisa Radical no Gelo): posicionou câmeras resistentes em locais perigosos para produzir imagens do derretimento durante alguns anos. Com o efeito de time-lapse é possível observar as mudanças drásticas nas geleiras.
Mataram Irmã Dorothy (2007)
O documentário, dirigido por Daniel Junge, mostra o desafio que é ser ativista da causa ambiental na Amazônia. Para isso, a morte da missionária norte-americana Dorothy Mae Stang e as questões que envolvem o julgamento do crime são contadas. Ela vivia no Pará para ajudar a colocar em prática o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) e lutou contra o desmatamento da Amazônia. Uma questão que fica clara no documentário é a indiferença à realidade diária da região amazônica: a luta sangrenta pela terra enquanto a floresta nativa é destruída para dar origem a pasto para gado.
Cowspiracy (2014)
O filme nasceu na mente do cineasta Kip Andersen após ele se deparar com dados oficiais da ONU que informavam que a agricultura animal tem emissões de gases superior a todo o setor de transportes (carros, caminhões, trens, navios e aviões). Além disso, ficou intrigado com o fato de grandes ONGs ambientalistas ignorarem a causa número um da destruição do planeta. Se você se preocupa com emissões de gases, desmatamento e consumo de água deve se preparar para os dados alarmantes da degradação ambiental decorrente da indústria agropecuária denunciados pelo documentário.
Trashed - Para Onde Vai Nosso Lixo (2012)
"Trashed - Para Onde Vai Nosso Lixo", dirigido por Candida Brady e com com o ator Jeremy Irons no elenco, aborda não apenas a questão do lixo em si, mas também o destino dos resíduos. O filme é dividido em três partes: avaliação, solução (errada) e a tomada de uma decisão mais correta. Percorrendo todo hemisfério norte, Irons mostra como diversos governos tratam a questão do lixo, além EXPOR curiosidades e algum conteúdo aprofundado sobre ecologia.
In Transition 2.0 (2012)
"In Transition 2.0" retrata o movimento Transition, propõe respostas em pequena escala de comunidades nas áreas de alimentação, transporte, energia, educação, lixo, artes etc. A produção mostra histórias de pessoas comuns que têm feito coisas extraordinárias no mundo todo. Exemplos são comunidades que imprimem o próprio dinheiro, que cultivam suas comidas, transformando suas economias em locais, e criando centrais elétricas para a comunidade.
(Via eCycle, com seleção do Green Savers)
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Encontros Improváveis: Fernando Pessoa e Clem Leek- "Snow Tale" #2
Vivo uma Vida que não Quero nem Amo
Súbdito inútil de astros dominantes,
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.
Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
Ricardo Reis, in "Odes"
[Heterónimo de Fernando Pessoa]
Mais textos e crónicas sobre Fernando Pessoa no Bioterra.
Passageiros como eu, vivo uma vida
Que não quero nem amo,
Minha porque sou ela,
No ergástulo de ser quem sou, contudo,
De em mim pensar me livro, olhando no alto
Os astros que dominam
Submissos de os ver brilhar.
Vastidão vã que finge de infinito
(Como se o infinito se pudesse ver!) —
Dá-me ela a liberdade?
Como, se ela a não tem?
Ricardo Reis, in "Odes"
[Heterónimo de Fernando Pessoa]
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O poema expressa um profundo sentimento de desalinhamento interior, como se o eu lírico estivesse separado da própria vida que vive. Há uma sensação de cansaço existencial: ele sente que cumpre rotinas e deveres que não escolheu, permanecendo preso a uma realidade que não corresponde aos seus desejos mais íntimos. O sujeito está consciente de que vive mecanicamente, por hábito e não por vontade, e isso o leva a um estado de tristeza silenciosa, quase resignada. O poema revela a inquietação típica de Pessoa: a impossibilidade de ser quem realmente se é, a distância entre o que se sente e o que se faz, entre o mundo interior e o exterior. Não há revolta aberta, mas uma lucidez amarga — a de quem percebe que a vida decorre fora de si, enquanto dentro permanece o vazio. É uma reflexão sobre a alienação, a falta de sentido e a dor de existir sem pertencimento, temas centrais da obra pessoana.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2015
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Permacultura, a arte de viver em harmonia com a natureza
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segunda-feira, 9 de novembro de 2015
O projecto Cem Traças
O projecto Cem Traças é um projecto de ilustração científica desenvolvido com base em borboletas nocturnas, traças, da colecção de insectos do Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Os autores desenvolveram este projecto no âmbito do Mestrado em Desenho pela Faculdade de Belas-Artes. O livro "Cem Traças" consiste num catálogo das ilustrações realizadas ao longo deste projecto.
Este projecto é baseado numa série de ilustrações de borboletas nocturnas (traças) desenvolvidas a partir de espécimes da colecção de insectos do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, no âmbito do Mestrado em Desenho da Faculdade de Belas-Artes. Será publicado um catálogo das ilustrações científicas realizadas e serão ainda produzidos outro tipo de materiais de divulgação (tal como postais, t-shirts, etc). O objectivo principal deste projecto é divulgar a colecção de insectos e a importância das colecções científicas, assim como a importância da ilustração científica enquanto meio de comunicação visual.
Nas 100 ilustrações realizadas, estão representadas 16 Famílias de borboletas nocturnas. As ilustrações são o ponto central do catálogo, sendo acompanhadas por um mapa assinalando o local de colheita e também, uma escala de cada exemplar. As ilustrações são ainda acompanhadas pelo número de catálogo de cada exemplar, usado como base para cada ilustração.
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domingo, 8 de novembro de 2015
Quando as empresas são mais poderosas que os países
Imagine uma companhia com a influência da Google, do Facebook ou da Amazon. E que ainda recebe do Estado o monopólio do comércio com uma zona geográfica. Também pode cobrar impostos, assinar acordos comerciais, prender criminosos e declarar guerras. Esses eram alguns dos poderes e atribuições da Companhia Holandesa das Índias Orientais, criada no século XVII por empresários com o apoio do Governo dos Países Baixos para comercializar com a Ásia. Foi a primeira corporação transnacional que emitiu obrigações e ações no mercado para financiar o seu crescimento, um notório precedente que, séculos mais tarde, chegou às multinacionais modernas. Os novos gigantes empresariais não contam com os excecionais privilégios da histórica companhia holandesa, mas a sua receita e o seu valor na Bolsa superam o PIB de dezenas de países.
Hoje, a concentração de poder é especialmente clara no setor tecnológico. As cinco grandes – Apple, Google, Microsoft, Facebook e Amazon – são as mais valiosas da Bolsa. A sua capitalização oscila entre os 500 mil milhões de dólares do Facebook e os 850 mil milhões de dólares da Apple. Com este critério – um tanto volátil, mas indicador do potencial de uma empresa –, se a Apple fosse um país, teria um tamanho semelhante ao da economia turca, holandesa ou suíça. Silicon Valley, além disso, tem uma presença considerável nos novos negócios: a Google absorve 88% da quota de mercado de publicidade online. O Facebook (incluindo Instagram, Messenger e WhatsApp) controla mais de 70% das redes sociais em telemóveis. A Amazon tem 70% da quota de mercado dos livros eletrónicos e, nos Estados Unidos, absorve 50% do dinheiro gasto em comércio eletrónico.
69 das 100 principais entidades económicas do mundo são empresas e apenas 31 são países
As companhias das Índias (os britânicos e os franceses também tiveram as suas durante o período colonial) foram um reflexo do seu tempo, mas o seu poder faz lembrar, em certos aspetos, o das grandes corporações atuais. Serão os novos colonos? A organização não-governamental Global Justice Now realiza uma classificação que compara o volume de negócios das principais empresas com a receita orçamental dos países. Segundo essa lista, se a cadeia norte-americana de supermercados Walmart fosse um Estado, ocuparia o décimo posto, atrás dos EUA, China, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália, Brasil e Canadá. No total, 69 das 100 principais entidades económicas são empresas. As 25 corporações que mais faturam superam o PIB de inúmeros países.
Seria ingénuo pensar que o setor privado não influencia as decisões políticas, a elaboração de leis e o dia a dia dos cidadãos. Como é que esse poder se articula hoje? Moisés Naím afirma em O Fim do Poder que as estruturas estáticas que caraterizavam as grandes empresas há algumas décadas, como as das chamadas Sete Irmãs (conglomerados que controlaram a indústria petrolífera entre os anos quarenta e setenta), mudaram. O padrão, que se repetia na maioria dos setores, consistia em “poucas companhias que dominavam os seus respetivos mercados e eram tão grandes, ricas, potentes e enraizadas que era impensável prescindir delas”.
O autor, membro do Carnegie Endowment for International Peace (um think tank de Washington), diz que o próprio conceito de poder empresarial é agora mais volátil, flexível e fragmentado. “Criou-se um ambiente em que é mais fácil para os novos – em geral, não apenas na economia, incluindo os que têm ideias tóxicas – conseguir poder”, afirma Naím. “ExxonMobil, Sony, Carrefour e JPMorgan Chase têm um poder imenso e autonomia, mas os seus líderes estão mais limitados agora”, acrescenta. Para se adaptar a esta transformação, a humanidade deve “encontrar novas formas de se governar a si mesma”.
O poder hoje é mais competitivo. Reduziram-se as barreiras à entrada: chegam ao topo novas companhias, como a Inditex, e desaparecem clássicos como a Compaq. “É preciso ter em conta o horizonte temporal, porque há 10 anos falávamos do domínio da Microsoft e agora já não”, responde Naím numa entrevista, referindo-se ao poder da Google e do Facebook. Ele prefere não comparar empresas com países. “Não se mede a capacidade de influenciar necessariamente pela faturação de uma empresa em relação ao PIB de um país, já que a forma do poder empresarial difere da do Estado”, esclarece. Além disso, há novos atores cada vez mais influentes, como as novas sociedades de investimento, os fundos de cobertura (hedge funds) e mercados como os dark pools, onde se negoceia a compra e venda de ações sem a supervisão das autoridades.
O novo poder tornou-se mais intangível. “As empresas têm hoje menos ativos fixos e menos trabalhadores, reflexo de uma nova maneira de produzir, mais voltada para os serviços e para o conhecimento”, afirma Jesús María Valdaliso, professor de História e Instituições Económicas da Universidade do País Basco e coautor de Historia Económica de la Empresa (história económica das empresas).
Além disso, hoje os dados são um ativo essencial. Milhões de cidadãos informam-se, relacionam-se com os amigos e compram na Internet. Vão deixando pelo caminho um rasto de informações que se transformaram no “petróleo da era digital”, segundo a revista The Economist. Estes dados pessoais permitem a elaboração de perfis dos utilizadores graças aos algoritmos, que podem aprender, em minutos, padrões de comportamento que um ser humano levaria anos a identificar. “Uma das grandes estratégias das empresas de tecnologia é o efeito de rede: quanto mais utilizadores, melhor. Porque as pessoas utilizam o serviço que prestas, por mais aborrecido que seja, se as outras também o usarem. Afinal, como não estar no Facebook se todos os teus amigos também lá estão?”, afirma o jornalista Noam Cohen, autor de The Know-It-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (2017). Poucos escolhem viver à margem das redes sociais.
As cinco empresas mais valiosas da Bolsa são de tecnologia: Apple, Google, Facebook, Microsoft e Amazon
Como é o efeito político deste novo ouro negro? Através da rede, pode-se influenciar a opinião pública, como se vê na investigação em curso nos EUA sobre as interferências da Rússia nas eleições que deram a vitória a Trump em 2016, nas quais o Facebook, a Google e o Twitter foram fundamentais. “As empresas de tecnologia temem que, mais cedo ou mais tarde, se tente aprovar uma norma que altere substancialmente o seu modelo de negócios”, explica Pankaj Ghemawat, professor da New York University e da IESE Business School. Autor de World 3.0: Global Prosperity and How to Achieve It, ele enfatiza a dificuldade de quantificar e seguir algo tão imaterial como a informação.
Este fluxo de dados não existia no final do século XIX, quando John D. Rockefeller fundou a Standard Oil. “Há vozes que dizem que as fronteiras já não importam. Acredito que é algo exagerado, mas certamente é significativa a capacidade de algumas empresas se expandirem em negócios de todo o tipo”, afirma Ghemawat. A Amazon não é apenas uma das empresas que mais cresceram nos últimos anos; também é uma das que mais se diversificaram. É líder em comércio eletrónico e uma das maiores plataformas logísticas e de marketing, além de fornecer sistemas de armazenamento na nuvem (tendo a CIA entre os seus clientes). E mais: produz filmes e séries, comprou uma cadeia de supermercados e acabou de lançar a sua própria linha de roupa. Será que a Amazon está grande demais?
As grandes corporações modernas despontaram no final do século XIX como resultado da produção e da distribuição em massa, segundo teorizou Alfred D. Chandler, professor da Harvard Business School, que, a partir dos anos setenta, foi pioneiro no estudo da história das empresas. Para Chandler, os gestores (managers) tinham sido os verdadeiros heróis da era industrial porque tinham organizado a atividade económica, acoplando partes do negócio para criar grandes companhias como a General Motors. O académico defendeu essa ideia num dos seus livros, The Visible Hand (A Mão Visível), de 1977, cujo título se opõe à “mão invisível”, metáfora criada pelo economista Adam Smith no século XVIII para expressar a suposta capacidade autorreguladora do livre mercado.
Um exemplo extremo de grande corporação são os chaebol, conglomerados familiares promovidos pela Coreia do Sul para reativar o seu crescimento após a guerra (1950-1953). O maior deles é a Samsung, que responde por 20% do PIB do país asiático. Nos últimos anos, contudo, Seul tomou medidas para reduzir o poder destes gigantes. Prova disso é a recente condenação por corrupção do herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong.
As Samsung e General Motors de hoje são diferentes. Ficou para trás a repetida frase que Charles Wilson disse nos anos cinquenta, quando era secretário da Defesa dos EUA: “O que é bom para o nosso país é bom para a General Motors.” Antes de ocupar o cargo, Wilson dirigiu a empresa (o ex-secretário de Estado, Rex Tillerson, presidia antes à ExxonMobil). Mas a globalização levou as grandes firmas a dispersarem-se pelo mundo. Por exemplo, 65% das vendas das empresas que têm ações na Bolsa espanhola vêm do estrangeiro.
Então, onde se localiza o poder neste mundo deslocalizado? Três analistas de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, recorreram à matemática para construir um mapa da estrutura do poder económico. Reuniram dados de 43.060 empresas transnacionais, cruzando-os com o seu conjunto de acionistas e o seu volume de negócios. O resultado revelou que 147 firmas controlavam 40% da riqueza, quase todas elas instituições financeiras, como o Barclays Bank, o JPMorgan Chase e o Goldman Sachs.
O estudo foi publicado na revista PLoS One em 2011. Um dos seus autores, James Glattfelder, explica que a equipa trabalha para atualizar os dados. “A previsão é de que a distribuição do poder continue concentrada nas mãos de alguns atores altamente interconectados”, diz ele. O estudo é interessante, mas devemos considerar que as instituições financeiras nem sempre controlam o destino das empresas em que participam. Com muita frequência, simplesmente gerem dinheiro que pertence a investidores privados. Glattfelder responde que, desde 1980, e sobretudo desde a crise de 2008, há “uma enorme concentração da propriedade de ações nas mãos de investidores institucionais”. Tais investidores costumam ser bancos, fundos de pensões, seguradoras e sociedades de investimento que aplicam grandes quantidades de capitais.
Desde os anos noventa, algumas firmas são cada vez mais influentes. É o caso da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo (controla cinco biliões de dólares, quase cinco vezes o PIB espanhol). Em maio, acionistas liderados por esta empresa rebelaram-se contra a direção da ExxonMobil para obrigá-la a informar sobre as suas medidas contra as alterações climáticas.
Num exemplo mais próximo, há algumas semanas soube-se que a decisão de empresas e bancos catalães de transferir as suas sedes partiu de Nova Iorque e Londres. É nessas cidades que estão os grandes gestores de fundos de investimento, fundos de pensões e companhias de seguros, os acionistas das entidades e os donos de parte da sua grande dívida. A transferência de sede tentava fazer face à incerteza política que ameaçava as suas metas de rentabilidade. Nos EUA, os fundos institucionais possuem 80% do capital do índice Standard & Poor's 500; na Europa, 58% do Standard & Poor's Euro. Já em Espanha, 43% do capital está nas mãos de fundos internacionais, um recorde.
Também desempenham um papel importante os hedge funds (fundos especulativos), que utilizam os mercados de derivados para apostar na queda de um valor negociado no futuro. Um dos mais populares é o fundo de George Soros, conhecido por ganhar milhões após o ataque que perpetrou contra a libra nos anos noventa, embora também tenha perdido muito dinheiro apostando (erradamente) numa queda das Bolsas após a vitória de Trump. Em 1998, havia cerca de 3.000 fundos deste tipo; hoje são mais de 10.000.
E volta a surgir o papel-chave da tecnologia. É interessante o auge dos robôs no mundo financeiro. Eles costumam ser usados, por exemplo, na gestão de um mecanismo com um nome que soa a vilão: os dark pools. São redes privadas em que os investidores compram e vendem ações sem que se conheçam as suas intenções, evitando alterações de valor dos títulos que os possam prejudicar. Cerca de 42% do volume diário negociado nos mercados é feito em dark pools, segundo a empresa de consultoria Tabb Group.
Estes mercados na sombra existem há décadas, mas multiplicaram-se nos últimos anos graças à inteligência artificial. O tempo necessário para realizar uma ordem de compra e venda passou de 20 segundos, há duas décadas, para os 10 microssegundos atuais. Ou seja: 40.000 operações num piscar de olhos. Por isso, convém alargar o campo de visão. Já não basta ter em conta os conselhos de administração; a raiz do poder vai direta ao algoritmo.
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sábado, 7 de novembro de 2015
Musica do BioTerra: Clan Of Xymox- Back Door
Melhor som aqui
Letra
I am shrouded in darkness
I crouched in wasted years
I lingered, I can't get through
Dazzled between far and near
Like the elegies relate to days beyond recall
I lingered in many memories
And again I stumbled through the back door
Seeing you, a misty shadow
I feel my repression
I can't go on
And again I am falling backwards
Tomorrow I will be here again
A silent mute of a black desire
Tomorrow I will be here again
Tomorrow I'll be here again
Be here again
Be here again
I am tired of tears and laughter
Or what may come hereafter
I am weary of days and hours
Desires, dreams and powers
Although it makes me weep
It is you
I wanna keep
I wanna keep
I crouched in wasted years
I lingered, I can't get through
Dazzled between far and near
Like the elegies relate to days beyond recall
I lingered in many memories
And again I stumbled through the back door
Seeing you, a misty shadow
I feel my repression
I can't go on
And again I am falling backwards
Tomorrow I will be here again
A silent mute of a black desire
Tomorrow I will be here again
Tomorrow I'll be here again
Be here again
Be here again
I am tired of tears and laughter
Or what may come hereafter
I am weary of days and hours
Desires, dreams and powers
Although it makes me weep
It is you
I wanna keep
I wanna keep
Clan of Xymox – "Back Door": a elegia darkwave entre o cansaço vitoriano e a obsessão existencial
A faixa "Back Door", lançada em 1986 no aclamado álbum Medusa da banda holandesa Clan Of Xymox, é uma das obras mais emblemáticas do catálogo da lendária editora 4AD. A canção combina com mestria a atmosfera gótica característica da época com reflexões poéticas e filosóficas de cariz clássico.
Em termos musicais, a faixa enquadra-se no universo do Darkwave, do Post-Punk e do Gothic Rock. Produzida por John Fryer e pela própria banda, a sonoridade carrega a identidade inconfundível da 4AD da década de 80: sintetizadores frios e melancólicos, uma linha de baixo pulsante e bem delineada por Anka Wolbert, guitarras submersas em efeitos de reverb e chorus, e vocais profundos e soturnos. Apesar do seu ambiente denso e claustrofóbico, a música ostenta um ritmo incisivo e dançante, ideal para as pistas de dança dos clubes góticos, criando um contraste fascinante entre a leveza sintética do synth-pop e a gravidade lírica.
Liricamente, "Back Door" aborda a repressão emocional, a obsessão e o ciclo vicioso de uma relação destrutiva. A metáfora da "porta dos fundos" ilustra o regresso clandestino, quase humilhante, a um amor tóxico do qual o eu lírico não consegue escapar. Entrar pelas traseiras representa a perda da dignidade e a cedência à tentação reprimida. O protagonista expressa a sua exaustão mental perante as sombras do passado, culminando na aceitação resignada de que irá cair repetidamente no mesmo erro ("Tomorrow, I will be here again").
No que concerne às suas influências, a música inspira-se diretamente na literatura vitoriana e no movimento Decadentista. A principal referência literária encontra-se no poeta inglês Algernon Charles Swinburne (1837–1909). Os versos em que a canção menciona o cansaço das lágrimas, do riso, dos desejos e do tempo são uma citação quase literal do poema "The Garden of Proserpine" (1866). Enquanto Swinburne invocava a exaustão da existência humana e o desejo do repouso eterno no reino do esquecimento, os Clan Of Xymox recontextualizam esse desalento existencial vitoriano para expressar o desespero de um coração despedaçado.
Sob o ponto de vista filosófico, a composição dialoga intensamente com o niilismo e o existencialismo. A procura por uma anestesia emocional e pela libertação dos sentimentos espelha a desilusão típica do pensamento do final do século XIX. Além disso, o regresso inevitável e doloroso ao mesmo ponto de partida remete para a dimensão do Absurdo, evocando o Mito de Sísifo, em que o indivíduo se encontra preso à repetição eterna de um esforço inútil e de uma dor antecipada.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Today I Rise: This Beautiful Short Film Is Like a Love Poem For Your Heart and Soul
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015
PÓLEN DA FLORESTA TROPICAL PODE AJUDAR A PREVER MUDANÇAS CLIMÁTICAS
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| Foto: Francisco Soares Raposo |
O estudante brasileiro e bolsista de Doutorado do Programa Ciência sem Fronteiras na Universidade de Edimburgo (Escócia), Antonio Alvaro Buso Junior, desenvolveu uma pesquisa sobre como o pólen presente na floresta tropical brasileira pode ajudar a prever mudanças climáticas no futuro. O estudo reforça a necessidade de proteção das áreas ambientais da Mata Atlântica, além de indicar o comportamento do meio ambiente no local ao longo dos anos.
Para o trabalho foram analisados mais de 140 tipos de pólen de árvores e ervas da Reserva Natural Vale, localizada na Floresta Atlântica de Linhares, no Espírito Santo. Os resultados indicam as diferenças sazonais, com verões chuvosos e invernos secos, ao longo dos últimos 7 mil anos e podem ser usados para prever a reação das florestas, plantas e espécies raras que habitam o local. O estudante destaca a importância da pesquisa para a preservação ambiental. “Eu espero que nós possamos agora mostrar o resultado deste estudo no intuito de que estes ecossistemas preciosos recebam maior proteção”, ressalta Antonio.
A equipe do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da Universidade de São Paulo (USP) também participa da pesquisa junto com Antonio, que também é estudante de doutorado da USP. Sobre a experiência com o CsF, ele destaca: “Minha estadia na Escócia tem sido incrível. A Universidade de Edimburgo é um centro de pesquisa reconhecido internacionalmente, o que tem proporcionado diversas contribuições para a ciência da história natural, sendo um lugar inspirador para realizar meus estudos. A cidade de Edimburgo é também um lugar agradável para viver, cheia de história e cultura”, conta o estudante.
Fonte: Ecopensar
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Encontros Improváveis- Florbela Espanca e Sisters of Mercy- Knocking On Heavens Door
Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.
Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.
Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!
Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...
[Florbela Espanca, Voz que se cala]
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Um ano depois do caso LuxLeaks nada mudou
Várias personalidades políticas europeias e economistas pediram aos Estados-membros da União Europeia “mais transparência e cooperação” contra a evasão fiscal, lamentando que um ano depois do caso LuxLeaks nada tenha mudado. O desabafo foi publicado esta terça-feira num artigo no jornal francês Libération.
Os signatários, entre eles o antigo presidente da Comissão Europeia Romano Prodi e o economista francês Thomas Piketty, pedem aos Estados-membros que apoiem a proposta do “relatório país por país, actualmente em discussão no quadro da directiva sobre os direitos dos accionistas”.
A proposta visa obrigar as empresas cotadas a “publicar informações sobre as suas actividades e os seus impostos”.
Em Novembro de 2014, “um grupo de jornalistas internacionais revelou que mais de 300 multinacionais assinaram, entre 2002 e 2010, acordos secretos com o Luxemburgo, a fim de reduzir drasticamente a quantidade dos seus impostos”, lembra o texto também assinado pelo relator do Parlamento Europeu da directiva sobre os direitos dos accionistas, Sergio Cofferati, pelos deputados socialistas franceses Pervenche Berès e Emmanuel Maurel ou o economista Jean-Paul Fitoussi. “Um ano após o LuxLeaks nada mudou”, lamentam.
“A União Europeia deve garantir que as multinacionais paguem os seus impostos onde elas fazem os seus lucros. Exigimos reformas ambiciosas para reduzir a evasão fiscal, preencher as lacunas na legislação, punir os paraísos fiscais e combater a corrupção e a lavagem de dinheiro. Temos de melhorar a transparência e cooperação transfronteiriça”, escrevem os signatários, defendendo que o “relatório país por país representaria um grande passo em frente na luta contra a evasão e a fraude fiscais”.
ONU: Pequenas Quintas Bio Podem Ser a Única Forma de Alimentar o Planeta
Enquanto alguns países continuam a forçar a massificação da produção agrícola, baseada em químicos, monoculturas e OGMs, a ONU reforça a importância e a urgência do desenvolvimento de um sistema de produção sustentável, natural e biológico.
De acordo com um estudo da Commission on Trade and Development (UNCTAD) da Organização das Nações Unidas, a Agricultura Biológica e small-scale farming (ou agricultura de pequena escala) serão a solução para alimentar o mundo de forma sustentável. O relatório sugere que serão necessárias alterações vincadas na forma como se produz e comercializa os alimentos, focando nas vantagens de uma mudança de agricultura de massas das grandes cadeias mundiais para pequenas produções locais.
O mesmo relatório indica ainda que diversificar as quintas e culturas assim como minimizar a utilização de fertilizantes é uma necessidade extremamente urgente. Tal como também é vital reformular as regras de global trade para irem de encontro às necessidades que identificam. Tratados internacionais como o TPP e o TTIP vão, actualmente, na direcção oposta ao que a UNCTAD acredita serem as necessidades do futuro.
A própria segurança global poderá estar, de acordo com este relatório, também em risco devido ao aumento constante de preços dos produtos alimentares e da especulação de preços em torno destes.
Fonte: UNCTAD
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A vida é sugada pela actividade profissional intensa

“As empresas estão a obrigar as pessoas a estar demasiadas horas no trabalho”, alerta Pedro Afonso."Actualmente vivemos um paradoxo: à medida que vão surgindo novas tecnologias que deveriam facilitar a nossa vida temos cada vez com menos tempo para o lazer. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas esgotam a sua energia no trabalho e chegam a casa cansadas, sem tempo e sem energia para si próprios ou para cuidar dos filhos. E, depois, há sempre um preço a pagar. O tempo que dedicamos ao trabalho tem que ser gerido."
As novas tecnologias, criadas para facilitar o trabalho, estão a obrigar os trabalhadores a estarem mais tempo ligados ao trabalho, o que baixa a produtividade e conduz a doenças psíquicas, alerta o psiquiatra Pedro Afonso, autor de "Quando a mente adoece", numa entrevista ao Capital Humano do ETV que é emitida hoje.
Cerca de 25% dos portugueses estão deprimidos, somos o terceiro país do mundo no consumo de antidepressivos. Porquê?
A vida é como que sugada pela vida profissional intensa. Tem que ser feita uma gestão inteligente do investimento profissional que não pode ser incompatível com ter uma vida pessoal que garanta bem-estar. Actualmente vivemos um paradoxo: à medida que vão surgindo novas tecnologias que deveriam facilitar a nossa vida temos cada vez com menos tempo para o lazer. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas esgotam a sua energia no trabalho e chegam a casa cansadas, sem tempo e sem energia para si próprios ou para cuidar dos filhos. E, depois, há sempre um preço a pagar. O tempo que dedicamos ao trabalho tem que ser gerido. A permanência prolongada no local de trabalho, leva a uma diminuição da produtividade.
As empresas estão a gerir de uma forma pouca inteligente a produtividade, obrigando as pessoas a estar demasiadas horas no local de trabalho, o que não é produtivo. É importante que haja pausas ao longo do dia de trabalho e repartição das férias. Não se deve concentrar as férias todas no mesmo período. As pontes, por exemplo, são retemperadoras. Houve uma caça às bruxas de pontes e feriados e isso não é sinal para aumentar a produtividade. O que tem custos muitos elevados para as empresas e para o sistema nacional de saúde.
Um relatório divulgado, no passado, revelava que, muitas vezes, as pessoa têm uma doença ligeira, que se instala, uma depressão ligeira ou ansiedade, que não impede de trabalhar mas compromete a produtividade e que se arrasta durante meses. Temos que estar atentos para nos mantermos saudáveis e felizes no trabalho.
Não vivemos para trabalhar, trabalhamos para viver?
Não vivemos para trabalhar, trabalhamos para viver?
Mas também temos que ter tempo para o lazer e para não pensar em nada. Actualmente há um sentimento de culpa por não se fazer nada. Mas é importante termos esses períodos em que não fazemos nada. Momentos que os ingleses designam de ‘wondering mode', e que o cérebro necessita. O que pode passar por andarmos a pé, de bicicleta, ou apenas vaguear pelas ruas. Esses são os momentos em que organizamos o pensamento e que muitas vezes temos as melhores ideias.
Portugal tem também um problema de défice de sono acumulado?
Temos a tentação de esticar o dia. À medida que vamos prolongando o dia do trabalho, encurtamos as horas de sono. Precisamos de dormir um número mínimo de horas: sete ou oito dependendo das pessoas. Por exemplo nos EUA, em dez anos, diminuiu uma hora o tempo médio de sono.
Aponte três sinais de alerta e três medidas de prevenção para evitar cair na doença.
Um sinal de alerta é quando as pessoas estão insatisfeitas com o trabalho, mudam de empresa continuam insatisfeitos. Se a pessoa se sente cansada durante as férias e depois do fim-de-semana, podem ser sinais que indiciam doença, assim como andar sempre desmotivados. Isso é uma espécie de dor psíquica que é um sinal de alarme que há qualquer coisa que não está bem na nossa vida. Quanto a conselhos: devem manter-se hábitos regulares de sono, respeitar o descanso. Criar momentos de lazer na sua vida quotidiana e manter contactos com a família e amigos.
Um sinal de alerta é quando as pessoas estão insatisfeitas com o trabalho, mudam de empresa continuam insatisfeitos. Se a pessoa se sente cansada durante as férias e depois do fim-de-semana, podem ser sinais que indiciam doença, assim como andar sempre desmotivados. Isso é uma espécie de dor psíquica que é um sinal de alarme que há qualquer coisa que não está bem na nossa vida. Quanto a conselhos: devem manter-se hábitos regulares de sono, respeitar o descanso. Criar momentos de lazer na sua vida quotidiana e manter contactos com a família e amigos.
É também essencial fomentar a comunicação presencial com a família, com os filhos e amigos. Em vez de enviar um ‘sms' ou telefonar, deve ir ter com as pessoas. Depois deve ter contenção na utilização de mensagens electrónicas e telemóvel. Não deve responder logo, deixe para o dia seguinte. Não podemos deixar-nos inundar por solicitações que muitas vezes nos desgastam e nos podem conduzir a uma doença psiquiátrica.
Fonte: Económico
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domingo, 1 de novembro de 2015
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