As plantas são a base da maior parte da vida na Terra, mas as Alterações Climáticas e a Crise Ecológica estão a remodelar rapidamente os seus habitats e a aumentar o risco de extinção de formas inesperadas.
Dois estudos recentes, publicados na revista Science no dia 7 de maio de 2026, utilizam modelação evolutiva de larga escala e projeções climáticas de alta resolução para preencher lacunas críticas no nosso conhecimento sobre como a flora global reagirá ao aquecimento do planeta.
O primeiro estudo, de Wang et al., revela um paradoxo preocupante: embora as migrações induzidas pelo clima possam aumentar a riqueza de espécies a nível local (em cerca de 28% da superfície terrestre), este "baralhamento" geográfico não reduz o risco global de extinção. A investigação estima que entre 7% e 16% das mais de 67 mil espécies analisadas correm alto risco até 2100. O dado mais alarmante é que cerca de 80% destas extinções serão causadas pelo desaparecimento absoluto de habitats adequados, e não apenas pela incapacidade das plantas em migrarem. Ou seja, mesmo que as espécies consigam acompanhar a velocidade das alterações climáticas, muitas deixarão de ter um local viável para viver.
Complementando esta visão, o estudo de Forest et al. foca-se na integridade evolutiva, analisando a "árvore da vida" de mais de 335 mil espécies de plantas com flor. Os investigadores concluíram que aproximadamente 21,2% da história evolutiva destas plantas está ameaçada — o que equivale à perda potencial de 307 mil milhões de anos de progressos biológicos únicos. O estudo identifica quase 10 mil espécies prioritárias (conhecidas como espécies EDGE), que são evolutivamente distintas e estão globalmente em perigo. A perda destas linhagens seria catastrófica, pois representam "ramos" únicos da árvore genética que não têm parentes próximos, eliminando potenciais recursos medicinais e características de resiliência que levaram milhões de anos a desenvolver.
Em conjunto, estas investigações demonstram que as estratégias de conservação atuais são insuficientes. Os autores defendem uma mudança de paradigma: não basta proteger áreas aleatórias; é urgente focar os esforços na identificação de refúgios climáticos estáveis e na preservação de linhagens evolutivas insubstituíveis, recorrendo também à expansão de bancos de sementes e, em certos casos, à migração assistida para evitar uma simplificação irreversível da biodiversidade terrestre.
Já em 2014 foi publicado Natural History is Dying, and We Are All the Losers, na revista Scientific American
2 comentários:
A Terra tem cerca de 4,5 mil milhões de anos de idade, e a vida na Terra terá mais ou menos 3,7 mil milhões de anos, portanto não se pode falar de "300 mil milhões de anos de história botânica".
Compreendo perfeitamente a dúvida! À primeira vista, o número parece impossível porque a Terra só tem 4,5 mil milhões de anos. Mas o estudo não se refere ao tempo cronológico linear da Terra, e sim à história evolutiva cumulativa de todas as espécies em simultâneo.Pensa nisto como a árvore genealógica de uma família:
Imagina que tu e o teu primo têm ambos 30 anos. Se somarmos o tempo que a vossa geração demorou a desenvolver-se de forma independente, são 30 + 30 = 60 anos de 'história de vida' acumulada, embora o relógio do mundo só tenha avançado 30 anos.
Quando os cientistas dizem que estão em risco 307 mil milhões de anos de história evolutiva, eles estão a somar o tempo que cada um dos ramos das 335 mil espécies de plantas com flor passou a evoluir de forma única e independente.
Se um ramo isolado que evoluiu sozinho durante 50 milhões de anos se extinguir, a Terra perde 50 milhões de anos de 'linhas de código' genético único que nunca mais se repetirão.
É por isso que o número é tão astronómico: é a soma de milhares de caminhos evolutivos a correr em paralelo ao longo do tempo!
Enviar um comentário