quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Fundamentalismo Budista




1. O Budismo Nacionalista
O fundamentalismo budista moderno raramente foca em "interpretação literal de escrituras" (como ocorre em vertentes de outras fés). Em vez disso, ele foca na proteção da nação e da cultura. A ideia central é que o país é o "guardião" do budismo puro e que outras religiões ou minorias étnicas representam uma ameaça a essa pureza.

Myanmar (Birmânia): O movimento 969 e a associação Ma Ba Tha, liderados por monges como Ashin Wirathu, têm sido figuras centrais na retórica contra a minoria muçulmana Rohingya. O argumento usado é que o budismo está sob "cerco" e que medidas violentas seriam formas de "autodefesa" da fé.

Sri Lanka: Grupos como o Bodu Bala Sena (BBS) — ou Força de Poder Budista — promovem uma agenda nacionalista cingalesa. Eles frequentemente entram em conflito com minorias muçulmanas e cristãs, alegando que o Sri Lanka deve ser um Estado exclusivamente budista.

Tailândia: Embora menos centralizado, há facções de monges que pedem que o budismo seja declarado a religião oficial do Estado na constituição e que defendem uma postura agressiva contra insurgências no sul do país.

2. A "Doutrina" da Defesa da Fé
Diferente do fundamentalismo cristão ou islâmico, que pode focar em leis morais (como criação versus evolução ou a Sharia), o fundamentalismo budista costuma criar uma distorção do conceito de Karma e Dharma:

Violência Justificada: Alguns líderes extremistas argumentam que matar para proteger o Budismo não gera o mesmo karma negativo que um assassinato comum.

Identidade vs. Espiritualidade: O foco muda do desapego do "eu" (uma base do budismo) para o apego à "identidade nacional".

Por que isso acontece?
O budismo, como qualquer instituição humana, está sujeito a pressões políticas e sociológicas. O fundamentalismo surge geralmente em contextos de:
  1. Insegurança económica.
  2. Legado colonial (sentimento de que a cultura nativa foi suprimida).
  3. Uso político da religião por governos que buscam uma base de apoio sólida e emocional.
Nota: É importante distinguir a prática espiritual de milhões de budistas — que seguem os preceitos de não-violência — desses movimentos políticos radicais que utilizam a simbologia da religião para fins de exclusão.

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