Fundamentalismo Budista
1. O Budismo NacionalistaO fundamentalismo budista moderno raramente foca em "interpretação literal de escrituras" (como ocorre em vertentes de outras fés). Em vez disso, ele foca na proteção da nação e da cultura. A ideia central é que o país é o "guardião" do budismo puro e que outras religiões ou minorias étnicas representam uma ameaça a essa pureza.
Myanmar (Birmânia): O movimento 969 e a associação Ma Ba Tha, liderados por monges como Ashin Wirathu, têm sido figuras centrais na retórica contra a minoria muçulmana Rohingya. O argumento usado é que o budismo está sob "cerco" e que medidas violentas seriam formas de "autodefesa" da fé.
Sri Lanka: Grupos como o Bodu Bala Sena (BBS) — ou Força de Poder Budista — promovem uma agenda nacionalista cingalesa. Eles frequentemente entram em conflito com minorias muçulmanas e cristãs, alegando que o Sri Lanka deve ser um Estado exclusivamente budista.
Tailândia: Embora menos centralizado, há facções de monges que pedem que o budismo seja declarado a religião oficial do Estado na constituição e que defendem uma postura agressiva contra insurgências no sul do país.
2. A "Doutrina" da Defesa da FéDiferente do fundamentalismo cristão ou islâmico, que pode focar em leis morais (como criação versus evolução ou a Sharia), o fundamentalismo budista costuma criar uma distorção do conceito de Karma e Dharma:
Violência Justificada: Alguns líderes extremistas argumentam que matar para proteger o Budismo não gera o mesmo karma negativo que um assassinato comum.
Identidade vs. Espiritualidade: O foco muda do desapego do "eu" (uma base do budismo) para o apego à "identidade nacional".
Por que isso acontece?O budismo, como qualquer instituição humana, está sujeito a pressões políticas e sociológicas. O fundamentalismo surge geralmente em contextos de:- Insegurança económica.
- Legado colonial (sentimento de que a cultura nativa foi suprimida).
- Uso político da religião por governos que buscam uma base de apoio sólida e emocional.
Nota: É importante distinguir a prática espiritual de milhões de budistas — que seguem os preceitos de não-violência — desses movimentos políticos radicais que utilizam a simbologia da religião para fins de exclusão.
Sem comentários:
Enviar um comentário