sábado, 3 de janeiro de 2026

Ainda a invasão da Venezuela por Trump


“Todos os Membros devem abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qqer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas"
Art. 2º, §4º, da Carta ONU

Meia dúzia de notas sobre Trump e  Nicolás Maduro.
1. Maduro e Trump estão bem um para o outro. Trump, perdeu as eleições de 2020 e recusou reconhecer o resultado, algo inédito na história moderna dos EUA. Tentou pressionar instituições para reverter o resultado eleitoral. Trump tentou manter o poder contra o resultado eleitoral.

2. Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos numa polémica eleição, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil. Em janeiro de 2019, foi empossado para um segundo mandato. Isso acabou gerando uma grave crise política interna, com a Assembleia Nacional não reconhecendo a posse do presidente e várias nações do mundo removeram os seus embaixadores de Caracas, como protesto. Para a oposição, Nicolás Maduro estava, efetivamente, transformando a Venezuela numa ditadura sob seu comando.

3. Porém, esta intervenção americana é ilegítima e injustificada — representa uma gravíssima violação do Direito Internacional Público. Não é uma manobra de defesa, é uma manobra de dominação geoestratégica. Trump apresenta a desculpa dos cartéis de droga, mas o objetivo é chegar ao petróleo, ao lítio, ao ouro, aos minerais raros. Um regresso à lógica imperialista do século XIX que legitima outras intervenções e ocupações noutras partes do mundo. Uma visão de uma tripartição do globo, em que os EUA dominam o continente americano, a Rússia fica com a Ucrânia e a China ocupa Taiwan.

4. Além disso, esta intervenção na Venezuela é também uma conveniente manobra de diversão para os incómodos Epstein Files. Trump é um perigoso narcísico, um autoritário anti-democrático que só conhece o cotão do seu umbigo e instintos viscerais. Move-se por uma lógica egoísta, transacional e pela lei da força.

5. Mesmo sendo obviamente desejável uma mudança de regime na Venezuela, é assustador que seja feita desta forma.

6. A imposição pela força não pode ser aplaudida, mesmo quando é contra regimes de que não gostamos. Porque a pergunta obrigatória é esta: e quando esta imposição pela força for feita contra regimes, líderes ou países de que gostamos?


Trump anunciou a invasão nas redes sociais. Inédito. Desrespeitou auscultação prévia do Senado e do Congresso!


E quando o próximo ciclo de ficheiros Epstein for libertado, Trump invadirá a Gronelândia!

2 comentários:

Manuel M Pinto disse...

Frase do Dia
“Há uma clara agressão militar contra um país soberano com sequestro e rapto do seu Presidente e da sua esposa. Isto é absolutamente inaceitável do ponto de vista do direito Internacional. Não há nenhuma razão política ou moral que possa justificar uma actuação desta natureza.”
António Filipe, sobre o ataque militar dos EUA na Venezuela
3 de Janeiro de 2026

João Soares disse...

Parece que nos lançaram para dentro de um gigantesco Reality Show protagonizado por vários psicopatas em distintos palcos mundiais. Não escolhemos estar dentro deste espectáculo, são os frenopatas que nos obrigam a estar dependentes das suas hediondas performances.
O demente de Mar-a-Lago sequestrou o mentecapto de Caracas, elevando o caos existente a uma potência estratosférica. Na sua conferência de imprensa, o alienado exibe na sua infecciosa mitomania um discurso caótico, sem qualquer planeamento para o futuro imediato, não sabe o que irá fazer, deixando milhões de venezuelanos, no primeiro plano, com as vidas suspensas, entregues ao enigma da hora seguinte, cegos na lama misteriosa lançado pela indigência política de um alucinado que a democracia elevou a presidente do país mais poderoso do mundo.
Noutros palcos, o russo, na sua inteligência sinistra de patife encartado por históricos serviços secretos, sorri e, ainda que falido, prepara-se para estilhaçar ainda mais, com estrondo, o céu e a terra da vizinhança; o seráfico chinês, congelado e impenetrável, espera, nem que a espera demore mil anos; para o papel de destrambelhado juvenil contratou o insano e perigosíssimo norte-coreano; os chefes europeus olham para os seus umbigos, sabendo que são irrelevantes no contexto actual do Reality Show.
Enquanto isto, o demente de Mar-a-Lago ameaça com invasões megalómanas como se protagonizasse o episódio final de uma guerra dos tronos, não deixando de exibir ao mundo a sua caricatura de assediador de jovens em idade de sonhar. Ele ameaça, cobardemente, Cuba, Colômbia, Canadá, Gronelândia, não deixando de insinuar que os Açores também seriam parte integrante do Negro Império do Mal, porque sabe que as forças do bem não existem ou se existem são irrelevantes, desprezíveis, medíocres, sem qualidades. Ou seja, não são sequer forças do bem, talvez sejam mais forças de um oportunismo dissimulado à espera que lhes toque o honroso lugar de capacho do vencedor.