domingo, 23 de maio de 2021

Os extremos climáticos podem aumentar a morbilidade por AVC

Maio é considerado o mês do coração e sendo este a máquina que faz o nosso corpo funcionar é imprescindível estar atento aos seus sinais de fraqueza, pois quase sem se aperceber, é continuamente afetado e influenciado no seu dia-a-dia pelas condições climáticas, tornando-se vulnerável
O clima reflete-se significativamente no bem-estar do ser humano. De entre os vários elementos climáticos, a temperatura é, provavelmente, aquele que maior influência exerce no conforto do ser humano, sendo de salientar o grupo dos idosos, sobretudo o que experienciam situações de desfavorecimento económico e exclusão social, com pronunciada limitação no acesso aos cuidados de saúde.

De um leque diversificado de possibilidades de patologias, cuja ocorrência ou agravamento se poderá relacionar com o contexto climático, as doenças do foro cardiovascular têm sido objeto de estudo por diversos cientistas, o que não é despropositado, pois segundo a Organização Mundial da Saúde, nos países desenvolvidos uma das principais causas de morte são as doenças não transmissíveis, entre elas, as doenças cardiovasculares.
Proporção de óbitos por doenças cerebrovasculares, doença isquémica do coração e enfarte agudo do miocárdio, no país, 2009-2019. Fonte: INE

Em Portugal, o INE em 2019 fez um estudo complexo sobre as causas de morte, onde evidencia que as doenças do aparelho circulatório estão em primeiro lugar como causa de morte e, complicações como os acidentes vasculares cerebrais (AVC), a doença isquémica do coração e o enfarte agudo do miocárdio – o vulgarmente designado “ataque cardíaco” – representaram 3,8% da mortalidade total e quase 60% das mortes por doenças isquémicas do coração.

Este estudo refere também que as mulheres morreram mais de doenças cerebrovasculares, como o AVC, enquanto os homens foram as maiores vítimas das doenças do coração. E, conclui que geralmente estas complicações vitimam os idosos, sendo a média de idades superior a 81 anos.
Taxas brutas de mortalidade por 100 mil habitantes antes dos 65 anos, por grupo etário: doenças cerebrovasculares e doenças isquémicas do coração. Fonte: INE, 2019

Conforto bioclimático

Segundo vários autores, o corpo humano é um sistema termodinâmico que produz calor e interage continuamente com o ambiente para conseguir o balanço térmico indispensável para a vida. Esta exposição resulta da ocorrência da termorreceção, onde os diferentes níveis de energia térmica são percebidos pelo organismo humano, seguindo-se a sensação térmica que corresponde à consciencialização da mesma (se está frio ou se está calor); a satisfação (ou desagrado) com a referida ambiência é expressa em termos de conforto bioclimático.

O conforto térmico, sendo uma sensação humana, torna-se subjetivo, pois é um estado mental que expressa a satisfação do homem com o ambiente térmico que circundam e das características individuais, nomeadamente do sexo, da idade, da raça, dos hábitos alimentares, da altura, do peso, entre outras, sendo a temperatura do ar a principal variável do conforto térmico.

Os eventos térmicos extremos que tem ocorrido nos últimos anos, cada vez com mais frequência e intensidade, são já reconhecidos pelas autoridades mundiais e nacionais de saúde como geradores de impactes negativos para a saúde humana, e como causa, um aumento da mortalidade nesses períodos. Os impactes na saúde ocorrem especialmente nos grupos mais vulneráveis como os idosos e doentes crónicos.

Segundo um estudo realizado pela geógrafa Sofia Pinto, as temperaturas extremas (calor ou frio) influenciam e agravam a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio nos idosos, devido principalmente à sua condição física e natural (ser-se um idoso) com a soma de outros determinantes de risco que, presenciando, um evento extremo de temperatura agrava a patologia.

Contudo, comparando os dois períodos (frio e calor) conclui que existe uma maior clareza de que é no frio intenso onde ocorre os maiores casos de morbilidade por enfarte do miocárdio, inclusive um maior registo de mortalidade face ao calor extremo.

A maioria das reações no calor extremo é a quebra de tensão ou desfalecimento que, por si só, não gera um “conflito” no funcionamento cardíaco como acontece no frio, onde o resfriamento e hipotermia são as reações mais comuns, já que para regularizar a temperatura corporal o coração tem um esforço acrescido em que pode criar stress e isso leva a um enfarte do miocárdio. Além de que, clinicamente, um indivíduo geneticamente com problemas cardíacos não deve expôr-se ao frio, pelos efeitos negativos e graves que resulta.

Musica do BioTerra: Julian Cope - Head Hang Low (Peel Session)


All is lost
In bright confusion
Once that loss
Was far away
Frightened man
In deep division
Frightened man
With head hang low
You may sit alone like me
But, please, don't sit alone like me
My world's very beautiful today
Patron saint
Of lost illusion
Come and paint
My world in grey
I am lost
With no companions
All are bowed
With head hang low
You may sit alone like me
But, please, don't sit alone like me
My world's very beautiful today
You

Papa anuncia o lançamento da "Plataforma Laudato si'"


Ao final do Regina Coeli, Francisco anunciou um percurso operativo de sete anos, que guiará todas as realidades eclesiais a assumir um estilo de vida sustentável. Na tarde deste domingo, cardeal Tagle encerra a "Semana Laudato si".

O Papa Francisco anunciou hoje o lançamento da "Plataforma Laudato si", na iminência do encerramento amanhã (24/05) do Ano especial dedicado à sua encíclica sobre a Casa Comum.

Ao final da oração do Regina Coeli com os fiéis na Praça São Pedro, o Pontífice agradeceu a todos os que participaram com numerosas iniciativas em todo o mundo:

"É um caminho que devemos continuar juntos, ouvindo o clamor da Terra e dos pobres. Por isso, terá início imediatamente a 'Plataforma Laudato si', um percurso operativo de sete anos, que guiará as famílias, as comunidades paroquiais e diocesanas, as escolas e as universidades, os hospitais, as empresas, os grupos, os movimentos, as organizações, os institutos religiosos a assumir um estilo de vida sustentável."

Encerramento da Semana Laudato si

Já neste domingo, há o encerramento da Semana Laudato si' com uma missa em parte on-line, em parte em presença, na Cúria-geral dos Frades Menores em Roma e na Igreja de São Damião em Assis. O evento é promovido pelo Global Catholic Climate Movement (Movimento Católico Global para o Clima).

Concelebram a missa o cardeal Luis Antonio Tagle, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, fr. Michael Perry OFM, ministro-geral da Ordem dos Frades Menores, Dom Domenico Sorrentino, bispo de Assisi, e padre Augusto Zampini, secretário adjunto do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

De forma on-line, participam Christina Leaño, diretora do Movimento Católico Global para o Clima e representantes de animadores e diversas realidades envolvidas no projeto da Semana Laudato Si’. Ao ifnal da missa, haverá a entrega do Mandato missionário aos Animadores da Laudato si' do Movimento Católico Global para o Clima e a outros agentes pastorais empenhados em iniciativas ecológicas.

O Papa Francisco, de fato, fez suas felicitações aos "muitos animadores que hoje recebem o mandato de difundir o Evangelho da Criação e cuidar da nossa Casa Comum".

Como acompanhar a iniciativa

O evento será em inglês, com tradução simultânea em espanhol, italiano, francês, português, polonês e vietnamita, e será transmitido ao vivo no site do Vatican News.

sábado, 22 de maio de 2021

Xmal Deutschland - Orient


Als sie dich hängen steht die Sonne hoch
Steht die Sonne hoch

Orient...
Dein Körper ist kalt die Sonne ist heiss
Karawane holt deinen Körper

Orient...
Deine Haut ist weiss
Wie der Sand wie der Sand...

Orient...
Als sie dich hängen steht die Sonne hoch
Steht die Sonne hoch

Orient...
Dein Vater hört dein Schreien nicht
Deine Mutter sieht deine Augen nicht

Orient...

Tradução
Oriente
Conforme eles te penduram o Sol fica alto
O Sol fica alto

Oriente...
Caravanas seguram seu Corpo
O Sol é Quente, seu Corpo é frio

Oriente...
Sua Pele é branca
Como a Areia, como a Areia

Oriente...
Conforme eles te penduram/enforcam o Sol fica alto
O Sol fica alto

Oriente...
Seu pai não ouve seus gritos
Sua mãe não vê seus olhos

Oriente...

Dia Internacional da Biodiversidade

                                

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade, criado pela ONU no final de 1993, a data em que se comemorava era 29 de dezembro (a data de entrada em vigor da Convenção da Diversidade Biológica). Mais tarde, em dezembro de 2000, a ONU mudou a data de forma a comemorar a adoção do texto da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Comemora-se este dia de forma a aumentar a compreensão e a consciencialização sobre os problemas da biodiversidade.

O termo que advém da “diversidade biológica”, refere-se à variedade de vida na Terra em todos os seus níveis, dos genes aos ecossistemas, e pode abranger os processos evolutivos, ecológicos e culturais que sustentam a vida.

A biodiversidade inclui não apenas espécies que consideramos raras, ameaçadas ou quase extintas, mas também todos os seres vivos – desde seres humanos a organismos de que pouco sabemos, como micróbios, fungos e invertebrados.

Cada uma dessas espécies e organismos trabalha em conjunto nos ecossistemas, como uma rede complexa, para manter o equilíbrio e sustentar a vida. A biodiversidade apoia tudo o que precisamos para sobreviver na natureza: comida, água potável, remédios e abrigo.

Porém, à medida que os humanos pressionam cada vez mais o planeta, usando e consumindo mais recursos do que nunca, corremos o risco de perturbar o equilíbrio dos ecossistemas e perder a biodiversidade.

As atividades humanas mudaram significativamente três quartos da superfície terrestre e dois terços da área oceânica. Somente entre 2010 e 2015, 32 milhões de hectares de floresta desapareceram; e nos últimos 150 anos, a cobertura de recife de coral vivo foi reduzida pela metade. O gelo glacial está a derreter a taxas surpreendentes enquanto a acidificação do oceano cresce, ameaçando a produtividade do oceano. As espécies selvagens estão a desaparecer dezenas a centenas de vezes mais rápido agora do que nos últimos 10 milhões de anos; e nos próximos 10 anos, uma em cada quatro espécies conhecidas poderá ter sido varrida do planeta.

O surgimento da COVID-19 deixou claro que, quando destruímos a biodiversidade, destruímos o sistema que sustenta a vida humana. Ao perturbar o delicado equilíbrio da natureza – invadindo a vida selvagem, reduzindo a diversidade genética nas populações de animais, causando mudanças climáticas e eventos climáticos extremos -, criamos condições ideais para a disseminação de vírus entre populações animais e humanas.

A reversão da perda de biodiversidade é a única maneira de restaurar e sustentar um planeta saudável. Isto só será possível quando entendermos a rede da vida em que vivemos e entendermos que ela funciona como um sistema inteiro.



Curta-Metragem- The Soil Story

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Agroflorestar: Semeando um mundo de amor, harmonia e fartura

Genocídio Indígena e políticas integracionistas: demarcando a escrita no campo da memória


O livro “Genocídio indígena e políticas integracionistas: demarcando a escrita no campo da memória” aparece em um momento crucial da luta dos povos indígenas no Brasil. Momento em que se veem, mais uma vez, ameaçados em sua sobrevivência diante de tantos ataques aos seus direitos duramente conquistados. Os povos indígenas lutam hoje pelo direito de existir em várias frentes: no enfrentamento direto contra os invasores de suas terras, pela via judicial, pela mobilização nacional e internacional e, no caso desse livro, lutam, demarcando a escrita, contra o apagamento de sua memória e história. O debate sobre o genocídio indígena no Brasil se enriquece com as contribuições dos autores, pesquisadores indígenas que, desde suas próprias perspectivas, vão dar ao leitor, a oportunidade de compreender melhor as várias formas de violência que os povos indígenas sofreram e continuam sofrendo até os dias de hoje. Considerando as muitas tentativas de extermínio dos povos indígenas, as autoras e autores indígenas examinam as políticas integracionistas, os processos de evangelização, a propagação de doenças, os massacres, a apropriação dos territórios e a destruição do meio ambiente sob a lente do genocídio.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Dia Mundial das Abelhas


Nas reuniões das Nações Unidas não se discutem só sanções económicas e notas de repúdio a decisões políticas. Outros assuntos dominam a agenda deste órgão multi-nacional que tem entre muitas outras funções a de designar os Dias Mundiais.

Estas efemérides são criadas em jeito de chamada de atenção para que o resto do mundo tome consciência sobre determinada assunto e, desta vez, são as abelhas a merecer a nossa dedicação.

20 de Maio foi o dia escolhido para se tornar o Dia Mundial da Abelha numa resolução praticamente unânime, apoiada por 155 dos 193 estados membros da ONU. A ideia é, cá está, evidenciar a importância destes pequenos insectos.

As abelhas são animais polinizadores por excelência e, por isso, elos vitais na cadeia alimentar. Para percebermos a sua importância na nossa sociedade, basta dizer que se estima que o seu “trabalho” anual esteja estimado entre 235 e 557 mil milhões de dólares de acordo com os dados da Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services.

Todos os membros da União Europeia se juntaram em apoio ao documento numa resposta clara ao contexto europeu – a percentagem de insectos polinizadores desceu 25% nos últimos trinta anos.

Embora não se saiba com certeza o que terá causado essa queda brutal e potencialmente destrutiva do ecossistema, os cientistas acreditam que se deva especialmente ao tipo de pesticidas como o neonicotinoide.

Nesse sentido, e numa atitude pioneira e politicamente inspiradora, na Eslovénia, é já desde 2011 banido o uso deste tipo de pesticida – uma decisão que a UE pretende alargar a todos os países do espaço europeu. O pequeno país balcânico foi um dos principais promotores desta iniciativa junto da ONU.

Dejan Židan, deputado e ex-ministro esloveno já reagiu ao anúncio dizendo sucintamente que “As abelhas e outros polinizadores têm finalmente o espaço que merecem em consideração pela sua importância para o mundo e a humanidade.”

Ler mais:

Capsula Mundi promete transformar cemitérios em "florestas sagradas"

Projeto oferece "descanso eterno" 100% biodegradável

Criada pelos designers italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel, a Capsula Mundi é um receptáculo de formato oval, mais conhecido como uma urna biodegradável, feito a partir de bioplástico de amido, em que o corpo é colocado em uma posição fetal e posteriormente enterrado. A ideia é inserir a cápsula como uma semente no solo, plantando uma árvore logo acima. Desse modo, o corpo forneceria os nutrientes necessários para auxiliar no crescimento da planta. A ideia é que os cemitérios não estejam repletos de lápides, mas sim de diversas árvores "sagradas".

Segundo os idealizadores, um caixão tem um curto tempo de vida útil e é mais um produto da nossa sociedade que usa madeira. O crescimento de uma árvore demora de 10 a 40 anos e um caixão é usado por três dias. O projeto procura ajudar a poupar uma árvore ao plantar outra em vez de usar um caixão feito de madeira; sem contar que é biodegradável, diminui o problema da contaminação dos solos em cemitérios e da falta de espaço para o armazenamento dos falecidos.

Um dos pilares do projeto foi tentar produzir o menor impacto ambiental possível - a cápsula é feita com material 100% biodegradável, o bioplástico de amido, proveniente de cultivos sazonais de batatas e milho.

A árvore é escolhida quando a pessoa está viva. Após o falecimento, família e amigos irão cuidar da planta.

Cemitérios trazem problemas ambientais, como a contaminação do solo e de lençóis freáticos. Os criadores da Capsula Mundi não se pronunciam claramente sobre a questão.

A respeito do tema, existe uma divisão de opiniões entre aqueles que acreditam que a contaminação do solo acontece devido à prática de embalsamento do corpo (que faz uso de substâncias químicas) e os que consideram que mesmo existindo em pequena quantidade os metais e outras substâncias presentes no corpo humano, se todos usassem cápsulas do tipo, haveria esses resíduos seriam consideráveis e poderiam prejudicar o meio ambiente.

Confira o vídeo (em inglês), sobre a iniciativa.

Mais de 70% das embalagens de ‘fast food’ contêm químicos resistentes

Mais de 70% das embalagens de alimentos utilizadas por restaurantes de ‘fast food’ na Europa contêm produtos químicos perfluoralquilados (PFAS), concluiu um estudo divulgado esta quinta-feira por oito associações ambientais sem fins lucrativos.



“Os PFAS são amplamente utilizados nas embalagens alimentares e nos talheres descartáveis na Europa”, frisou o estudo das agências ambientais, que analisou embrulhos e embalagens de restaurantes como McDonald’s, KFC, Subway e Dunkin Donuts.

Foram também analisadas embalagens de estabelecimentos de ‘take away’ e supermercados em seis países europeus: República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido.

As PFAS são também conhecidas como “substâncias químicas para sempre”, por serem extremamente resistentes na natureza, por dificilmente se decomporem e por contaminarem a água potável, os solos e o ar.

Os resultados mostraram que 38 das 99 amostras (38%) recolhidas nestes estabelecimentos foram tratadas com PFAS para conseguir impermeabilidade aos óleos.

Além disso, 32 das 42 amostras selecionadas para a análise química (76%) revelaram um tratamento intencional com PFAS.

Em todas as amostras foram detetados vestígios de PFAS, mesmo naquelas que não foram intencionalmente tratadas.

As conclusões do estudo sublinham que 99% do flúor orgânico presente nas amostras selecionadas não é detetado pelas análises de compostos específicos em laboratório, o que significa que é impossível identificar com certeza quais os produtos PFAS presentes.

A autora principal do estudo e assessora científica da Organização Não-Governamental (ONG) checa Arnika, Jita Strakova, frisou que “está na hora de a União Europeia atuar e proibir de forma imediata e permanente todos os tipos de PFAS nas embalagens alimentares para proteger os consumidores”.

As PFAS são substâncias químicas “amplamente utilizadas em toda a sociedade e encontradas no ambiente”, explica a página da European Chemichals Agency (ECHA) da União Europeia, que contêm “ligações de carbono-flúor, uma das ligações mais fortes na química orgânica”, que resistem à degradação “quando utilizadas, mas também no meio ambiente”.

Além disso, estudos científicos associaram a exposição a uma série de PFAS com graves efeitos para a saúde, tais como o cancro e impactos nos sistemas imunológico, reprodutivo e hormonal, bem como uma menor capacidade de resposta às vacinas.

“Não podemos aceitar que as embalagens de alimentos que se descartam em minutos sejam tratadas com substâncias químicas que resistem e se acumulam no meio ambiente”, frisou uma responsável de uma das associações envolvidas, a Aliança para a Saúde e o Ambiente, Natacha Cingotti.

Além disso, as análises revelaram que na Dinamarca, país onde o uso de substâncias químicas nas embalagens de alimentos está proibido desde julho de 2020, nenhum dos sacos de batatas fritas do McDonalds tinha sido tratado com PFAS.

Pelo contrário, foi detetado tratamento intencional com PFAS nos mesmos artigos comprados na República Checa e no Reino Unido, o que demonstra que a legislação pode proteger as pessoas da exposição a substâncias químicas nocivas.


quarta-feira, 19 de maio de 2021

A crise na Palestina e a desonestidade intelectual de Henrique Raposo

No artigo de hoje no Expresso, Henrique Raposo compara Israel, um Estado, ao Hamas, um movimento político, armado e religioso. Ao fazê-lo, Henrique Raposo, que não é um ignorante, engana deliberadamente os seus leitores, contribuindo para desinformar e alimentar a radicalização. Contudo, existe um aspecto que torna Israel comparável ao Hamas: ambos praticam o terrorismo, ainda que em formatos diferentes. Sendo o israelita mais eficaz e mortífero.

Henrique Raposo afirma que Israel, um Estado belicista, protege os direitos das mulheres e dos gays, ao passo que o Hamas, um movimento extremista, não o faz. Poderia Henrique Raposo comparar a qualidade da democracia no Estado de Israel àquela praticada pela Autoridade Palestiniana na Cisjordânia? Ou, sei lá, os terroristas do Hamas aos terroristas de um dos muitos grupos extremistas judeus, como Yigal Amir, o homem que matou Yitzhak Rabin? Poder podia, mas isso não serviria os propósitos ideológicos subjacentes ao texto de Henrique Raposo.

Mais: caso decidisse ser intelectualmente honesto, algo que não foi claramente a sua intenção, Henrique Raposo teria que abordar as constantes violações do plano de partilha do território, a questão dos colonatos ilegais na Cisjordânia, toda história do êxodo que começou em 1948, que levou a que mais de 700 mil palestinianos perdessem as suas casas e todas as suas posses às mãos do autoritarismo sionista, para não falar na violência do apartheid em que Israel se transformou. To name a few. Mas era chato e lá se ia a narrativa.

Mas sim, Raposo tem razão neste aspecto: não existe equivalência moral possível. Não existe equivalência moral possível entre um Estado criado de raiz de forma administrativa, à força e segundo a lei do mais forte, com o drama de um povo, que sempre habitou aquelas terras, e que foi expulso de suas casas, remetido para guetos, e vem sendo massacrado desde então, abrindo caminho à ascensão de forças terroristas como o Hamas. Não existe equivalência moral possível. A única equivalência possível é imoral e é entre sucessivos governos sionistas, não raras vezes de extrema-direita, como o actual, e aquilo que de pior se produziu em termos de barbárie fascista na Europa e não só.

Por João Marques, Aventar 

Os hábitos dos ocidentais levam à perda de quatro árvores por ano

Vários estudos vinculam o consumo de alimentos, como o café e o chocolate, à desflorestação global e agora sabe-se que um ocidental, em média, é responsável pela perda de quatro árvores por ano. Saiba mais aqui, connosco!


O consumidor ocidental de café, chocolate, carne, óleo de palma, entre outros, é responsável pela perda de quatro árvores todos os anos, muitas destas em florestas tropicais ricas em vida selvagem, calculou este novo estudo.  

A destruição das florestas é uma das principais causas da atual crise climática e da diminuição das populações de animais selvagens, à medida que os ecossistemas naturais são destruídos para a agricultura. Este estudo é o primeiro a associar mapas de alta resolução da desflorestação global à ampla gama de alimentos importados por cada país, em todo o mundo.

O estudo divulga as ligações diretas entre os consumidores e a perda de florestas em todo o planeta. O consumo de chocolate no Reino Unido e na Alemanha é um importante impulsionador da desflorestação na Costa do Marfim e no Gana, descobriram os cientistas, enquanto a demanda por carne bovina e soja nos EUA, União Europeia e China resulta na destruição da floresta no Brasil.

Os consumidores de café nos EUA, Alemanha e Itália representam uma parte significativa da desflorestação no interior do Vietname, enquanto a demanda por madeira na China, Coreia do Sul e Japão resulta na perda de árvores no norte do mesmo país.
Os principais consumidores

Sendo um país rico e com bastante população, os EUA têm uma pegada de desflorestação particularmente grande, sendo o principal importador de uma grande variedade de alimentos de países tropicais, incluindo frutas e nozes do Guatemala, borracha da Libéria e madeira do Camboja. Já a China tem a maior responsabilidade pela desflorestação na Malásia, resultante das importações de óleo de palma e outros produtos agrícolas.

O consumo do G7 é responsável por uma perda média de quatro árvores, por ano, por pessoa, frisa este estudo. Os EUA estão acima desta média, com a perda de cinco árvores, per capita. Em cinco países do G7 - Reino Unido, Japão, Alemanha, França e Itália -, mais de 90% da sua pegada de desflorestação foi em países estrangeiros e metade desse valor em nações tropicais.

O Dr. Nguyen Hoang, do Instituto de Pesquisa para a Humanidade e a Natureza, em Kyoto, Japão, liderou a investigação e afirma que os mapas detalhados podem ajudar a direcionar ações para conter a desflorestação. “Os legisladores e as empresas podem ter uma ideia de quais cadeias de abastecimento estão a causar a desflorestação. Se souberem isso, podem concentrar-se nessas cadeias de abastecimento para encontrar os problemas e soluções específicos.”

Este estudo, publicado na revista Nature Ecology and Evolution, combinou dados de alta resolução sobre a perda florestal, e os seus fatores, com milhares de dados globais de relações comerciais, entre 2001 e 2015. Isto permitiu aos investigadores quantificar a pegada de desflorestação de cada país, com base no consumo da sua população.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Creating viable 20-minute neighbourhoods


Our goal for cities and towns is for them to be places that connect us to each other and what we need.

Places where everyone can thrive without having to use a car. 

Centred around boosting quality of life for everyone.

We think that the best way to do this is to ensure that it is easy for people to meet most of their everyday needs by a short, convenient and pleasant 20-minute return walk.

10 minutes there, and 10 minutes back.
  

What is a 20-minute neighbourhood? 

Neighbourhoods are defined by the communities who live there and each will have unique expectations of the services and facilities they need.

This will also vary depending on the wider area, including topography and landscape, population density, economic status and location within the UK.

An important objective of the 20-minute neighbourhood concept is to better align spatial and urban planning (i.e. what is in an area) with transport planning (transport infrastructure), to make it easier for people to walk, cycle and use public transport.

Both approaches should be underpinned by ensuring 20-minute neighbourhoods and 15-minute cities are designed to be inclusive and equitable.

In some cases services and amenities may be shared between neighbourhoods, depending on the density of the area.

One destination may be meeting the needs of a wide range of local communities.

This is especially the case in smaller towns and villages where amenities will not be as concentrated as a city.

20-minute neighbourhoods may be difficult to implement in extremely rural villages and public transport options between these villages will be essential.
  

What needs to be in a 20-minute neighbourhood?
We consider the following to be the minimum features of a 20-minute neighbourhood.

Destination and services

Food retailers and supermarkets
Education, including early years, primary school and nearby secondary schools
Health services, such as a pharmacy, GP and dentist
Financial services, such as post office or bank
Employment and jobs either within the neighbourhood or nearby
Public open space, such as parks and recreation grounds
Entertainment, such as leisure, culture and entertainment facilities.
Transport provision

Public transport, including access to a regular bus, tram or train service
Walking and cycling infrastructure
Walkable access to a local centre
Designed for low speeds, reduced traffic, and limited car parking.

Inclusivity

A mix of diverse housing types to suit different life-stages
Genuinely affordable and social housing present.
Two women chatting, planting flowers in a street planter on their road.
Research shows that people are generally happy to walk for 20 minutes to get to and from the places they need to go.

Why 20 minutes?
People make fewer journeys on foot than they used to because the distances to the things they need have become longer and less accessible.

Too many neighbourhoods have been planned around car travel at the expense of providing the local jobs and services that a community needs to thrive.

Many people are reliant on driving just for a pint of milk, and those without access to a vehicle are left isolated with poor access to everyday items and services.

Car-dominated spaces create congestion and damage our environment and health.

They harm people who are already disadvantaged the most.

Many people are reliant on driving just for a pint of milk, and those without access to a vehicle are left isolated with poor access to everyday items and services. Blockquote quotation marks
By making sure that neighbourhoods are compact and contain a mix of different shops, services and amenities, we can make it fundamentally easier for more people to walk.

Research shows that people are generally happy to walk for 20 minutes to get to and from the places they need to go.

80% of journeys under a mile are made on foot, which usually equates to around a 20-minute walk.

In such a neighbourhood, the 20-minute walking trip could be cycled in around 7 minutes.

And it would be encouraged by introducing protected cycling infrastructure, low-traffic neighbourhoods where through traffic is limited, and direct routes to key locations.

We also need to enable longer sustainable journeys to places outside of the neighbourhood and to support those who could find it challenging to make a trip on foot or by cycle.

Frequent, direct public transport would provide direct access to the places they need to go.

By making sure that neighbourhoods are compact and contain a mix of different shops, services and amenities, we can make it fundamentally easier for more people to walk. Blockquote quotation marks

Eddington is a new development on the outskirts of Cambridge which has embraced many of the elements of a 20-minute neighbourhood

Are 20-minute neighbourhoods for everyone?
We need to ensure that 20-minute neighbourhoods are accessible to everyone and that they don’t inadvertently increase inequity.

We have to consider the affordability and diversity of housing available and the suitability of the neighbourhood for people at different life stages.

Genuinely affordable housing should always be present, and we should be considering the services and destinations that all people require.

A 20-minute neighbourhood approach should help to disperse investment, jobs and services more widely across a town or city rather than just focusing on the centre.

This would help to create local jobs and services. And should prioritise areas that are currently poorly served or connected.

Furthermore, some people walk more slowly than others, find it difficult to make longer walking trips, or find it more challenging to walk on steeper gradients.

Walking should be the most equal and inclusive form of travel but is too often overlooked by politicians, transport planners, developers and businesses.

Reduced traffic, safer space for cycling and direct public transport links located close to housing means more diverse, safe transport options available.

And these are things that many people feel are lacking where they currently live.

For example, in cities and towns across the UK, 38% of people at risk of deprivation.

36% of women and 31% of disabled people who do not cycle would also like to give it a go, but we are not doing enough to address their needs.

In a 20-minute neighbourhood, it will be possible to make driving trips.

But these will not be as direct as walking, cycling or public transport journeys, which will have dedicated access routes.

Less traffic will mean safer environments for people and enable children to become more independent.


What is Sustrans doing to help deliver 20-minute neighbourhoods?
The planning system has been failing to create vibrant, sustainable neighbourhoods.

And too many new developments are designed in ways that lock people into car dependency.

We’ve published research that explores how local planning authorities choose where to locate new developments.

100 authorities in England (outside London) were asked whether they consider distances to services and amenities when making these decisions.

We found that whilst many do, proximity is not used consistently.

Even when services are far away, this is unlikely to be used as a sole reason for rejecting a potential development site.

So we’ve made some recommendations for the UK Government and local planning authorities in England, to help ensure that future new developments are better located and don’t lock in car-dependency.

In Scotland, the Government has included 20-minute neighbourhoods within its current Programme for Government.

Read about our research and recommendations on designing out car-dependency in new developments.

Take a look at our Streets for everyone videos. Local residents and business owners tell us what they think about the changes in their area making it easier to walk and cycle.

Read more about Low Traffic Neighbourhoods and the benefits they bring to communities and local businesses.