terça-feira, 13 de outubro de 2009

Foto do dia: foto vencedora do British Wildlife Photography Awards, 24 de Setembro de 2009: libélula

A stark but stunning image of a damselfly in silhouette has landed its creator with the title of British Wildlife Photographer of the year.The shot, of the insect clinging to a dew-flecked reed, won photographer Ross Hoddinott a prize of £5,000 in the inaugural British Wildlife Photography Awards.It was competing against an array of dazzling images which included a flock of birds amassing above a service station canopy and a deer bathed in golden dawn light.

photo of the British Wildlife Photographer winner

Compelling: the judges awarded photographer Ross Hoddinott first prize for his image of a damselfly silhouette

Judge Sue Herdman, editor of the National Trust Magazine, said of the winner's work: We were looking for a winning image that stood out as the most memorable and striking.Almost monochrome in tone, this beautiful silhouette is both intriguing and haunting, with a delicate composition and admirable clarity.




segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Evolução- Os Cnidários: entre diblásticos a triblásticos e outras particularidades evolutivas


O filo Cnidária (cnidários) está representado pelas hidras, medusas ou água-vivas, corais e anémonas-do-mar.
Os cnidários são os primeiros animais a apresentarem uma cavidade digestiva no corpo, fato que gerou o nome celenterado, destacando a importância evolutiva dessa estrutura, que foi mantida nos restantes animais. A presença de uma cavidade digestiva permitiu aos animais ingerirem porções maiores de alimento, pois nela o alimento pode ser digerido e reduzido a pedaços menores, antes de ser absorvido pelas células.
Com base no aspecto externo do corpo, os cnidários apresentam simetria radial. Eles são os primeiros animais na escala evolutiva a apresentarem tecidos verdadeiros, embora ainda não cheguem a formar órgãos.
No filo cnidária existem basicamente dois tipos morfológicos de indivíduos: as medusas, que são nadantes e os pólipos, que são sésseis. Eles podem formar colónias, como é o caso dos corais (colónias sésseis) e das caravelas (colónias flutuantes).
Os pólipos e as medusas, formas aparentemente muito diferentes entre si, possuem muitas características em comum e que definem o filo, como veremos.
Nos cnidários existe um tipo especial de célula denominada cnidócito, que apesar de ocorrer ao longo de toda a superfície do animal, aparece em maior quantidade nos tentáculos. Ao ser tocado o cnidócito lança o nematocisto, estrutura penetrante que possui um longo filamento através do qual o líquido urticante contido em seu interior é eliminado. Esse líquido pode provocar sérias queimaduras no homem. Essas células participam da defesa dos cnidários contra predadores e também da captura de presas. Valendo-se das substâncias produzidas pelos cnidócitos, eles conseguem paralisar imediatamente os pequenos animais capturados por seus tentáculos.
Foi a presença do cnidócito que deu o nemo ao filo Cnidaria (que têm cnida = urtiga). As camadas de célula que ocorrem nos cnidários são: a epiderme, que reveste o corpo externamente, e a gastroderme, que reveste a cavidade gastrovascular. Entre a epiderme e a gastroderme existe uma camada gelatinosa denominada mesogléia. Essa camada é mais abundante nas medusas do que nos pólipos e, por isso, as medusas têm aspecto gelatinoso, fato que lhes rendeu a denominação popular de águas-vivas.
A epiderme e a gastroderme são duas camadas celulares derivadas de tecidos embrionários denominados genericamente folhetos germinativos. A epiderme deriva do folheto germinativo chamado ectoderme (ecto = externo, derme = tecido de revestimento), que reveste externamente o corpo do embrião; a gastroderme deriva do folheto denominado endoderme (endo=interno), que reveste o tubo digestivo do embrião. Os cnidários são considerados animais diblásticos.
Os poríferos, apesar de não formarem tecido verdadeiros, são considerados animais diblásticos, pois durante o desenvolvimento embrionário surgem apenas duas camadas de células (uma externa e outra interna), que corresponde às duas camadas de células que formam o corpo do adulto: a externa formada pelos pinacócitos e a interna formada pelos coanócitos ou coanócitos e pinacócitos internos.
Os restantes animais são, triblásticos ou triploblasticos, pois possuem três folhetos germinativos: a ectoderme, a endoderme e a mesoderme (meso=no meio), que se desenvolve entre a ecto e a endoderme.
Os cnidários são os primeiros animais a apresentarem células nervosas (neuronios). Nesses animais, os neurónios dispõem-se de modo difuso pelo corpo, o que é uma condição primitiva entre os animais.
Os cnidários apresentam movimentos de contracção e de extensão do corpo, além de poderem apresentar deslocamentos. São, portanto, os primeiros animais a realizarem essas funções.
Os poríferos são animais que vivem fixos ao substrato, não apresentando deslocamentos.
Nos pólipos, a capacidade de locomoção é reduzida, podendo ser do tipo mede-palmos ou cambalhota. Nas medusas, a locomoção é mais ativa, sendo realizada por um mecanismo denominado jacto-propulsão: os bordos do corpo se contraem, e a água acumulada na fase oral da medusa é expulsa em jacto, provocando o deslocamento do animal no sentido oposto.
A capacidade de alterar a forma do corpo, determinando movimentos e deslocamentos, deve-se à presença de células especiais com funções de contracção e distensão, mas que não são células musculares verdadeiras, na medida em que estas surgem a partir da mesoderme, que só ocorre em animais triblásticos.
A respiração e a excreção ocorrem por difusão através de toda a superfície do corpo. Não existem estruturas especiais relacionadas a esses processos, como também é o caso das esponjas.

Para leitura mais aprofundada

Evolução basal nos metazoa, com ênfase nas relações entre os Cnidária por António Carlos Marques (artigo científico aqui)

domingo, 11 de outubro de 2009

The population delusion, New Scientist


25 September, 09 by Alison George

Magazine issue 2727

THINK of the biggest crowd you've ever been in - perhaps 50,000 in a sports stadium. Just 6 hours from now there will be that many more people in the world, and another 50,000 in the following 6 hours, and on and on... No wonder that the burgeoning human population is often seen as is the single biggest problem facing our world.

There are nearly 7 billion humans alive today, twice as many as there were in 1965, with 75 million more being added each year. UN predictions say there could be an extra 2 to 4 billion of us by 2050. The planet has never experienced anything like it.

Can the world sustain this growing horde? It's a contentious question. While it is clear that the population cannot go on increasing forever, history is littered with dire but failed predictions of famine and death resulting from over-population. Most famously, Thomas Malthus warned more than two centuries ago that population would be held in check by rising mortality. What he failed to anticipate was the ability of newly industrialised societies to support large numbers of people.

Today, the "population problem" is firmly back on the agenda. Earlier this year the UK government's chief scientific adviser John Beddington predicted a population-led global crisis by 2030, and a group of influential billionaires including Bill Gates and George Soros identified overpopulation as the greatest threat facing humanity. Every time we publish an article in New Scientist detailing yet another of the planet's environmental woes, readers respond by arguing that the real problem is overpopulation.

The population statistics are indeed staggering. Yet the raw numbers hide a multitude of complexities. Look closely, and it becomes clear that the common-sense assumption that population is the root of all evil is simplistic.

For example, while the human population is growing in absolute terms, the rate of growth is slowing - from a peak of 2 per cent in the early 1960s to around 1 per cent today. In Japan, Russia and many European countries, women are having so few children that populations are shrinking or will do so soon - an unprecedented state of affairs other than in times of war or plague (see Days when the world has shrunk). At the same time, the populations of many of the least developed nations are exploding, with women in some countries giving birth to more than five children on average.

In the articles that follow, we unpick some of these complexities. Paul Ehrlich, who reignited debate a generation ago with his best-seller The Population Bomb, is sticking to his assertion that we need to act to rein in fertility (Paul Ehrlich: Population, development and the poor). Conversely, Fred Pearce insists on page 40 that focusing on population is a dangerous distraction from the real issue: consumption. Then there's the brave new world of population shrinkage that Europe is entering, as demographer Reiner Klingholz explains on page 41. Lastly, perhaps human ingenuity will solve the problem. Techno-optimist Jesse Ausubel certainly thinks so, and in our interview on page 38 he explains why.

We are burdensome to the world, the resources are scarcely adequate for us... already nature does not sustain us. So wrote Tertullian, an early Christian, back in the 3rd century. At that time, the world population stood at some 200 million. Eighteen centuries on and with 34 times as many people on the planet, the debate continues.

sábado, 10 de outubro de 2009

Kseniya Simonova - animações em areia, uma experiência intensa proporcionada por uma artista ucraniana


Vencedora da competição Ucrânia Tem Talento/ Україна має талант, Kseniya Simonova mostra toda a sua beleza interpretativa nesta tocante peça em homenagem à Ucrânia invadida e ocupada entre 1941-45.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nick Brandt- Fotografias do Portefólio A Shadow Falls







Born and raised in London, Nick Brandt studied Film and Painting at St. Martins School of Art.
He started photographing in December 2000 in East Africa, beginning the body of work that is his signature subject matter and style. He no longer directs, devoting himself full time to his fine art photography now.
He has had numerous one-man exhibitions between 2004 and 2006, including London, Berlin, New York, Los Angeles, Hamburg, Santa Fe, Sydney, Melbourne and San Francisco. He now lives in Topanga, California. [via Designwar.net]



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O surpreendente pássaro-lira

Muito provavelmente já o devem ter visto. Mas como ontem falei de aves, hoje (re) apresento , através do excelente naturalista, David Attenborough, o pássaro lira, surpreendente, que imita as chamadas de outros pássaros (e de moto-serras e de câmaras digitais) neste vídeo da série The Life of Birds (BBC). Esta criatura inteligente é uma das mais impressionantes e engraçadas na natureza, com sons incríveis ao mesmo tempo que proporciona fotos muito bonitas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Curta: A Ilha das Flores (tão actual, 10 anos depois)



Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajectória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, a curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem a meio do caminho.

Prémios:
Urso de Prata no Festival de Berlim 1990
Prêmio Crítica e Público no Festival de Clermont-Ferrand 1991
Melhor Curta no Festival de Gramado 1989
Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
Prêmio do Público na Competição No Budget no Festival de Hamburgo 1991

Ficha Técnica
Produção Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil, Nôra Gulart Fotografia Roberto Henkin, Sérgio Amon Roteiro Jorge Furtado Edição Giba Assis Brasil Direção de Arte Fiapo Barth Trilha original Geraldo Flach Narração Paulo José

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cartaz do Dia- Suíça país neutro?


AP, 29.11.2009

Les Suisses ne veulent pas interdire l'exportation d'armements. Près de sept votants sur dix ont refusé dimanche par référendum l'initiative populaire "pour l'interdiction d'exporter du matériel de guerre". Tous les cantons ont rejeté cette initiative de la gauche.

L'initiative populaire a été rejetée par une majorité de 68,2% des votants (1.797.876 personnes), selon les résultats définitifs de la Chancellerie fédérale. Le "oui" a obtenu 836.669 voix, soit 31,8%.

Il s'agit de la troisième fois en 37 ans qu'une initiative populaire demandant d'interdire l'exportation d'armes est écartée. La dernière tentative avait été écartée en 1997 par une majorité de 77,5% des votants et tous les cantons. Le résultat était plus serré en 1972, puisque le texte d'alors, qui avait séduit sept cantons, avait été refusé par 50,3% des votants.

Déposée en septembre 2007 avec 109.000 signatures, la présente initiative voulait interdire l'exportation et le transit de matériel de guerre, y compris des avions d'entraînement ou des simulateurs. Elle a été lancée par le Groupe pour une Suisse sans armée (GSsA) et était soutenue par une coalition réunissant le PS, les Verts et des oeuvres d'entraide comme Terre des hommes.

Qu'il s'agisse des chars Mowag en Afghanistan, des grenades à main de la Ruag en Irak ou des avions Pilatus au Darfour, le matériel de guerre suisse tue des innocents de par le monde, selon les partisans de l'initiative. Celle-ci voulait garantir que cela n'arriverait plus. De plus selon les promoteurs du texte, le commerce d'armes est incompatible avec la neutralité et la tradition humanitaire de la Suisse.

De leur côté, l'Union démocratique du centre, le Parti libéral-radical, le Parti démocrate-chrétien et le Parti bourgeois démocratique ont fait front commun pour appeler les citoyens à refuser cette initiative "tueuse d'emplois".

Plus de 10.000 emplois dans plus de 550 entreprises - dont un grand nombre de PME - seraient détruits, la fermeture ou la délocalisation à l'étranger des entreprises d'armement compromettrait aussi la défense nationale. Pour ses achats d'armement, la Suisse serait dépendante d'autres Etats, ont-ils fait valoir.

Autre argument des opposants, l'initiative est inutile car il existe déjà aujourd'hui de contrôles sur les exportations d'armement. Interdire les exportations suisses de matériel de guerre, qui représentent 0,7% des exportations mondiales, n'aurait aucun effet sur la paix dans le monde, ont-ils dit.

Steve Earle - Copperhead Road



[Verse 1]
Well, my name's John Lee Pettimore
Same as my daddy and his daddy before
You hardly ever saw Grandaddy down here
He only come to town about twice a year
He'd buy a hundred pounds of yeast and some copper line
Everybody knew that he made moonshine
Now, the revenue man wanted Grandaddy bad
Headed up the holler with everything he had
Before my time, but I've been told
He never come back from Copperhead Road

[Verse 2]
Now, Daddy ran the whiskey in a big-block Dodge
Bought it at an auction at the Mason's Lodge
"Johnson County Sheriff" painted on the side
He just shot a coat of primer, then he looked inside
Well, him and my uncle tore that engine down
I still remember that rumblin' sound
And then the Sheriff came around in the middle of the night
Heard Mama cryin', knew somethin' wasn't right
He was headed down to Knoxville with the weekly load
You could smell the whiskey burnin' down Copperhead Road

[Bridge]
Hey
Hey, hey

[Verse 3]
I volunteered for the Army on my birthday
They draft the white trash first 'round here, anyway
I done two tours of duty in Vietnam
I came home with a brand-new plan
I take the seed from Colombia and Mexico
I just plant it up a holler down Copperhead Road
And now the DEA's got a chopper in the air
I wake up screamin' like I'm back over there
I learned a thing or two from Charlie, don't you know?
You better stay away from Copperhead Road

[Outro]
Whoa
Copperhead Road
Copperhead Road
Ha, Copperhead Road

Significado
"Copperhead Road" (1988), uma das composições mais célebres de Steve Earle, cruza a sonoridade do country-rock com uma narrativa linear que expõe as fraturas sociais e económicas da América rural profunda. A letra acompanha três gerações da família Pettimore na região dos Apalaches, no Tennessee, ilustrando a transição do negócio ilegal da destilação de uísque (moonshine) praticado pelo avô e pelo pai, para a plantação de marijuana conduzida pelo neto, John Lee Pettimore III, após o seu regresso da Guerra do Vietname. O protagonista utiliza o próprio treino militar de guerrilha que o governo lhe forneceu na selva asiática para defender o seu território e a sua colheita contra as autoridades federais.

Do ponto de vista da análise ideológica, este caso e a postura política que a canção reflete são comummente designados como populismo de esquerda com fortes traços de libertarismo de esquerda (ou left-libertarianism). Embora Steve Earle seja um reconhecido ativista do espetro socialista e progressista norte-americano, a canção adota a perspetiva da cultura redneck e hillbilly, historicamente marcada por uma profunda desconfiança em relação ao Estado centralizador.

Politicamente, o cenário enquadra-se nas seguintes correntes e conceitos:
  1. Antiestatismo popular: a música retrata o governo federal não como uma força de proteção, mas como um agente opressor e hipócrita (seja através do "fisco" que persegue os pequenos produtores de álcool, seja através da agência de combate às drogas, a DEA, que surge com helicópteros no final da narrativa).
  2. Crítica ao imperialismo e ao abandono social: Existe uma denúncia explícita do cinismo do complexo militar-industrial. O Estado recruta jovens das classes desfavorecidas para combater numa guerra imperialista (Vietname) e, ao devolvê-los à pátria traumatizados e sem perspetivas económicas, empurra-os de volta para a marginalidade.
  3. Soberania individual e de subsistência: o caso ilustra o choque entre as leis federais de propriedade e de fiscalidade e o direito consuetudinário das comunidades isoladas de gerirem os seus próprios recursos e subsistência à margem do controlo governamental.
Em resumo, a canção funciona como um manifesto político-musical que utiliza uma base cultural tradicionalmente associada à direita conservadora americana para tecer uma crítica anticapitalista, antibelicista e anti-autoritária, tipificando o conceito de resistência popular periférica contra a hegemonia do Estado.

domingo, 4 de outubro de 2009

Entrevista a Frans de Waal sobre a sua obra Our Inner Ape (2005)



Estudar macacos para entender a natureza humana? Sim, porque somos todos primatas e, por isso, muito mais semelhantes do que diferentes. Essa é a polêmica tese de Frans de Waal, primatólogo da Universidade Emory, Atlanta, Estados Unidos.
Por Carolina Cantarino, em Com Ciência

Os humanos compartilham aproximadamente 98% de seu DNA com os chimpanzés. Por conta dessa identificação genética, aquilo que costumamos descrever como características humanas (cooperação, altruísmo, agressividade, amor, medo, reconciliação, competição) existiria também entre os macacos. Buscar essas aproximações e semelhanças (mais do que as diferenças) tem sido o trabalho de Frans de Waal, primatólogo e autor de uma série de livros (muitos dos quais voltados para o público não-especializado) sobre os nossos primos mais próximos: Chimpanzee politics (1982), Peacemaking among primates (1989), Bonobo: the forgotten ape (1997), The ape and the sushi master (2001). Em sua publicação mais recente, Our inner ape (2005), duas espécies de macacos africanos (os violentos e agressivos chimpanzés, que vivem em grupos dominados pelos machos, e os pacíficos e altruístas bonobos, entre os quais as fêmeas detêm o poder, e a resolução de conflitos se faz através do sexo) são os contrapontos utilizados pelo autor para caracterizar a natureza humana.

Baseada na teoria darwinista da evolução, a abordagem de Waal gera controvérsias, sobretudo entre cientistas preocupados com as consequências sociais e políticas que podem advir dessa aproximação entre o comportamento de humanos e macacos. O risco de se atribuir à biologia que compartilhamos com os primatas não só certas emoções e qualidades humanas mas também hierarquias e desigualdades – como as desigualdades entre homens e mulheres – é criar justificativas, ancoradas na ciência, para perpetuá-las, já que seriam vistas como inevitáveis por serem naturais. Estaríamos, assim, diante de uma nova versão do determinismo biológico? Frans de Waal foi questionado sobre esse e outros temas, em entrevista concedida à ComCiência.

ComCiência: Em Our inner ape (2005), o senhor propõe uma comparação entre o comportamento dos chimpanzés, dos macacos bonobos e dos seres humanos, para descrever a natureza humana. Além das similaridades, como o senhor pensa a questão das diferenças entre essas espécies? O que seria específico de nós, seres humanos? Qual seria a especificidade da condição humana em relação às outras espécies animais?

Frans de Waal: Entre eles, primatas, e nós, humanos, existem similaridades imensas e poucas diferenças consideráveis. Destas últimas, as principais são a linguagem e a família nuclear. Habilidades linguísticas estão basicamente ausentes nos macacos. Eles podem aprender alguns princípios da linguagem, como o uso de símbolos, mas nunca conseguem muito mais do que uma criança bem pequena pode fazer. A outra diferença (a família nuclear) está ligada ao fato de que, na nossa espécie, os machos estão envolvidos no cuidado com a família, o que não é o caso entre os macacos. As fêmeas dos primatas costumam cuidar de tudo sozinhas, o que explica, aliás, o por quê delas terem tão poucos filhotes. O intervalo entre o nascimento de um filhote e outro gira em torno de cinco ou seis anos enquanto que os humanos, por causa da assistência masculina, podem ter filhos com mais frequência.

ComCiência: Como primatólogo, o senhor propõe estudar outras espécies para compreender a nossa. Mas a comparação entre o comportamento humano e o comportamento animal – para falar sobre o que seria a natureza humana (não resultaria numa naturalização ou mesmo animalização do ser humano)? Por outro lado, não existe o risco de se projectar qualidades humanas sobre os animais, através de uma culturalização dos primatas, por exemplo?

Frans de Waal: Essas duas formas de abordagem apresentam riscos, mas é preciso lembrar que a maioria dos estudos sobre o comportamento humano nunca sequer consideraram o nosso background primata. Isso tem levado a uma grosseira superestimação da singularidade humana, como é possível notar em alguns textos de sociólogos ou psicólogos. Sendo assim, o meu esforço tem sido no sentido de oferecer um contraponto. E o meu objectivo não é fazer com que o comportamento humano pareça puramente biológico, porque eu acredito que todos os primatas (e não apenas os humanos) são bastante influenciados pelo aprendizado e pelo ambiente. Nós estudamos, inclusive, a cultura dos primatas, em busca daqueles comportamentos que foram aprendidos. Descobrimos que os macacos são seres muito culturais. Sendo assim, as semelhanças entre humanos e primatas estão postas não apenas na biologia mas também no modo como o aprendizado afecta o comportamento.

Recentemente, por exemplo, nós ensinamos a uma fêmea de um grupo de chimpanzés, um jeito de abrir uma caixa. A mesma caixa poderia ser aberta de outro modo. Ensinamos, então, a uma outra fêmea, de um grupo diferente, esse segundo jeito de abrir. Depois disso, introduzimos as fêmeas e as caixas nos seus respectivos grupos e vimos que todos os chimpanzés do primeiro grupo adoptaram o primeiro método, e todos os macacos do segundo grupo adoptaram o outro método. Tínhamos criado, assim, duas diferentes culturas sobre como abrir uma determinada caixa. Isso demonstra como os primatas são afectados pelo ambiente. Nós fizemos o mesmo com crianças e obtivemos os mesmos resultados.

ComCiência: A relação entre natureza e cultura (nature and nurture), historicamente tem gerado controvérsias entre biólogos e cientistas sociais. As tentativas de se integrar as diferentes abordagens dessas duas áreas do conhecimento (como a sociobiologia de Edward O . Wilson) muitas vezes são acusadas de resultarem num determinismo biológico. Na sua opinião, seria possível ir além da dicotomia natureza/cultura e pensar, de fato, numa perspectiva integrada?

Frans de Waal: Tudo o que a natureza faz é oferecer sugestões e direcções sobre como se comportar. As sociedades humanas caracterizam-se por uma incrível diversidade, o que significa que, sim, a biologia deve ser levada a sério, mas a imagem de nós, seres humanos, como escravos de nossos genes, é errada.
Sem a biologia não existiriam seres humanos. Nossos cérebros, corações, pulmões, hormonas, enfim, tudo isso provêm da biologia, e, sendo assim, não se pode escapar do fato de que nossa biologia é, em parte, biologicamente determinada. Nas ciências sociais, essa percepção está se tornando mais comum, e existe um interesse crescente pela teoria da evolução. Mas eu acredito que a integração entre uma perspectiva baseada na cultura e no aprendizado e uma perspectiva oriunda da biologia ainda é uma necessidade.

ComCiência: Recentemente, declarações do reitor da Universidade de Harvard, Lawrence Summers, sobre as diferenças biológicas entre os sexos (que, segundo ele, seria um dos factores que explicaria a reduzida presença feminina em algumas áreas da ciência) despertou uma série de polémicas na academia e na imprensa, inclusive sobre o uso da biologia para justificar a existência de desigualdades sociais. O debate sobre as consequências políticas da ideia da influência da biologia sobre o comportamento humano, mais uma vez, foi retomado. Qual a sua opinião sobre as possíveis implicações políticas da ciência do comportamento (
behavioral science)?

Frans de Waal: É claro que existem grandes diferenças de género ancoradas na biologia, química cerebral, hormonas e etc. Mas nós não sabemos se essas diferenças afetam a capacidade intelectual e nem como elas afectam. Não está claro se os homens são inerentemente melhores do que as mulheres para certas profissões e, se esse for o caso, ainda assim existirão excelentes mulheres que poderão desempenhar essas profissões. Noutros primatas, também, machos e fêmeas são bastante diferentes. Muitas das diferenças entre os géneros que nós observamos entre os humanos são também reconhecíveis entre os primatas. Por exemplo, eu tenho afirmado que as fêmeas dos chimpanzés são melhores do que os machos para evitar conflitos e manter a paz no grupo. Mas, por outro lado, elas não são tão boas quanto os machos em retomar e reparar relações depois da ocorrência de uma grande briga. Ou seja, a resolução de conflitos, o fazer as pazes com o inimigo não é o forte das fêmeas e estudos com crianças têm indicado o mesmo para meninos e meninas: elas tendem a guardar ressentimentos por mais tempo do que eles. Essas são diferenças interessantes que, provavelmente, fazem parte de nossa biologia.

Ler ainda noutra postagem anterior no BioTerra.

sábado, 3 de outubro de 2009

Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia

Brainwashed by a parasite or how fungi could be biopesticides

2006 November 20


fungus_campanotus.jpgThe carpenter ant in the picture on the right (genus Campanotus), and the bullet ant in the first film clip below (Paraponera clavata), have fallen victim to parasitic fungi of the genus Cordyceps, which manipulate the behaviour of their host in order to increase their own chances of reproducing.
The spores of the fungus attach themselves to the external surface of the ant, where they germinate. They then enter the ant’s body through the tracheae (the tubes through which insects breathe), via holes in the exoskeleton called spiracles. Fine fungal filaments called mycelia then start to grow inside the ant’s body cavity, absorbing the host’s soft tissues but avoiding its vital organs.
When the fungus is ready to sporulate, the mycelia grow into the ant’s brain. The fungus then produces chemicals which act on the host’s brain and alter its perception of pheromones. This causes the ant to climb a plant and, upon reaching the top, to clamp its mandibles around a leaf or leaf stem, thus securing it firmly to what will be its final resting place.
The fungus then devours the ant’s brain, killing the host. The fruiting bodies of the fungus sprout from the ant’s head, through gaps in the joints of the exoskeleton. Once mature, the fruiting bodies burst, releasing clusters of capsules into the air. These in turn explode on their descent, spreading airborne spores over the surrounding area. These spores then infect other ants, completing the life cycle of the fungus. Depending on the type of fungus and the number of infecting spores, death of an infected insect takes between 4-10 days.
The carpenter ant in the photograph has been infected by Cordyceps unilateralis, which is but one of thousands of species of entomopathogenic fungi, more than 400 of which belong to the Cordyceps genus. Between them, these parasitic fungi infect at least nine different orders of arthropods, including the Odonata (dragonflies and damselflies), Blattaria (cockroaches), Hemiptera (aphids, cicadas and leafhoppers), Coleoptera (beetles), Phasmida (stick insects), Hymenoptera (ants, bees and wasps), and Lepidoptera (butterflies and moths). The host range of an individual species is, however, restricted to one species or to a small number of closely related species.
cordyceps-unilateralis.JPG
Because they are considered as environmentally safe, natural mortality agents, entomopathogenic fungi are used as biological pesticides to control pest species. For example, Metarhizium anisopliae was first used over 100 years ago to try and control the wheat grain beetle Anisoplia austriaca. More recently, researchers have investigated the use of Metarhizium anisopliae, a species which infects the African mosquito Anopheles gambiae, to control the spread of malaria.
Entomopathogenic fungi are not the only parasites that can modify the behaviour of their hosts. Equally remarkable is the nematomorph hairworm Spinochordodes tellinii, which is also known as the horsehair worm or the gordian worm, because of its resemblance to the knot created by the Phrygian king Gorius. (According to myth, Gordius used his knot to tie a chariot to a pole, and declared that whoever could untie it would rule all of Asia.)
cordycepsnunchuckispora.jpgThe juvenile gordian worm parasitizes land-living arthropods such as grasshopers, locusts and beetles, but the adult is a free-living aquatic species which can only reproduce in water. Inside the host, the microscopic larvae feed on surrounding tissue, and develop into long worms which can reach up to 4 times the length of the host, and which remain within the body cavity of the host as a long, coiled mass. After metamorphosing, the adult worm induces its host to leave its terrestrial habitat, and to commit suicide by jumping into water and drowning itself, so that the worm can emerge:
David Biron and his colleagues have used proteomics to characterise the proteins synthesized by the gordian worm in order to determine how it manipulates its host’s behaviour. They have established that the worm synthesizes proteins which mimic those produced by the insect. These include proteins of the Wnt family, which are involved in the development of the nervous system, as well as others which interfere with the neurotransmitter systems involved in the host’s geotactic behaviour (its oriented movements in relation to the Earth’s magnetic field).
Because the genes encoding these proteins are contained in the worm’s genome, but have a direct effect on the insect’s central nervous system when they are expressed, the relationship between the gordian worm and its host is an example of what Richard Dawkins called the extended phenotype, whereby genes expressed by one organism have an effect on the appearance or behaviour of another. (Entomopathogenic fungi and their hosts are also an example of an extended phenotype.)
Incredibly, the gordian worm can survive predation on its host. Parasites use various strategies to survive host predation. For example, some develop quickly, in order to emerge from the host before it is preyed upon. Grasshoppers and crickets are preyed upon by fish and frogs; the gordian worm can escape this predation by wriggling out of the mouth, nose or gills of the predator once it has emerged from a host that has been eaten:
References:
Biron, D. G., et al (2005). Behavioural manipulation in a grasshopper harboring hairworm: a proteomics approach. Proc. R. Soc. B. 272: 2117-2126. [Full text]
Thomas, F., et al (2003). Biochemical and histological changes in the brain of the cricket Nemobius sylvestris infected by the manipulative parasite Paragordius tricuspidatus (Nematomorpha). Int. J. Parasitol. 33: 435-443. [Full text]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AmbientArte: trabalhos do duo Tim Noble e Sue Webster

O duo Tim Noble e Sue Webster utilizam como projecto artístico diferentes tipos de lixo sobre os quais é projectado uma luz criando diferentes sombras que incluem os seus próprios auto-retratos, entre outras.

Tim Noble and Sue Webster are an artistic duo whose projects use household and other types rubbish onto which a light is projected, creating different shadows from their own self-portraits, amongst others.






quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Biotechnology Can Cut CO2 Emissions & Help Build Green Economy



Written by Zachary Shahan
Published on September 19th, 2009

A new report released by the World Wildlife Fund (WWF) says that biotechnology is one possible solution to our climate change and our economic problems.It could have a dramatic effect on CO2 emissions, and it could also be part of the new green economy. How much can it help? The report says it can reduce global emissions by as much as some leading countries emit in a year.What is biotechnology? How can it cool our climate and give a boost to our economy? Is it an appropriate and safe solution to these problems?


What is Biotechnology?
Biotechnology Institute states: “The definition of biotechnology varies, but a simple definition is the use of organisms by man.”
Further on, the institute goes into more depth on what biotechnology is today. “Biotechnology is utilizing the sciences of biology, chemistry, physics, engineering, computers, and information technology to develop tools and products that hold great promise and concern. Humans have always been ‘manipulating’ organisms to their advantage, but now we are able to manipulate life and materials at the atomic level through nanotechnology.”

Biotechnology to Help Stop Climate Change

By 2030, the WWF estimates that biotechnology “has the potential to save the planet up to 2.5 billion tons of CO2 emissions per year.” That is more than what Germany emitted in 1990.
For example, “harvesting of biogas from waste digesters and wastewater streams” and using those in the creation of other “biobased” materials is one example of biotechnology. Basically, using the trash to create a new, needed product. This could reduce CO2 emissions by as much as 633 million tons, according to the technical report.

Biotechnology Needs Support

Biotechnology can help reduce carbon emissions and can fuel the economy with countless new jobs. The report says that industrial biotechnology “could help create a true 21st century green economy.” However, this cannot be done without political support. John Kornerup Bang, Head of Globalization Program at WWF Denmark and coauthor of the report, says: “Politicians need to set the path toward a green economy. This will not be easy, and we must look for new solutions, which can help us reduce emissions very quickly. It is clear that there is no alternative to explore these inno­vative pathways.” Politicians need to help lead the way on this matter.

Is Biotechnology Safe?
Biotechnology covers all types of actions and processes. As quoted above, we are now even “able to manipulate life and materials at the atomic level.” Some processes are less manipulative than others, less manipulative of nature as it is today. But others are quite a new level of man manipulating nature. Are all of these biotechnology solutions safe? Or are they planting new problems that may haunt us in the future?

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