1. A tirania do PIB e a ilusão do "crescimento verde"
O PIB mede a troca mercantil e não o bem-estar real. Aumentar o PIB exige transformar constantemente ecossistemas em mercadorias vendáveis. tentar manter a economia global a crescer 2% ou 3% ao ano anula a eficácia das energias renováveis.
2. A aceleração tecnológica e a IA sob o capitalismo
Sob a lógica da acumulação, a automação e a inteligência artificial não reduzem o esforço humano nem poupam recursos. Em vez disso, impulsionam uma procura energética gigante (necessária para alimentar data centers e minerar recursos) e são usadas para reduzir custos laborais e precarizar empregos. numa sociedade pós-capitalista, os ganhos da IA serviriam para reduzir a jornada de trabalho e redistribuir o tempo.
3. A reorganização da produção: o que deve crescer e encolher
| sectores a reduzir / desmantelar | sectores a expandir |
| indústria de armamento e militarismo | transportes públicos universais |
| aviação comercial de alta frequência | sistemas de saúde e educação públicos |
| fast fashion e obsolescência programada | energias renováveis e eficiência de edifícios |
| pecuária industrial e publicidade comercial | agricultura ecológica e soberania alimentar |
4. Ecossocialismo democrático e transição justa
Para garantir que a redução do uso de recursos não gera desemprego ou austeridade, Hickel defende uma garantia pública de emprego (assegurando trabalho remunerado na transição ecológica para quem dele necessite) e a desmercantilização dos serviços básicos (habitação, saúde, energia e transportes universais).
5. Dados concretos e evidência empírica
Hickel sustenta as suas teses com dados quantitativos consolidados em estudos de contabilidade de fluxos materiais e pegada de carbono:
- extrapolação dos limites planetários: fundamentado no trabalho do stockholm resilience centre, que monitoriza os limites biofísicos da terra (como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e uso de água doce).
- desigualdade na pegada ecológica: citando dados do global footprint network e da base de dados global de fluxos materiais da onu ambiente (unep), Hickel sublinha que o norte global é responsável por mais de 70% do uso excessivo de recursos materiais do planeta em relação aos níveis sustentáveis, e por cerca de 92% das emissões históricas de carbono acima da quota segura de 350 ppm.
- drenagem neta do sul global: apoiado nas suas próprias investigações publicadas em revistas como a The Lancet Planetary Health, o autor demonstra que os países ricos extraem anualmente do sul global biliões de toneladas de recursos e milhões de anos de trabalho equivalente a preços desvalorizados para manter o seu nível de consumo.
- inviabilidade do desacoplamento total: recorrendo às conclusões do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas (ipcc), Hickel aponta que não existem provas empíricas de que seja possível desacoplar o crescimento do PIB do consumo de recursos materiais à velocidade necessária para cumprir as metas do Acordo de Paris.
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