sexta-feira, 29 de maio de 2026

Estudo da Greenpeace encontra microplásticos em comida para bebé, da Nestlé e da Danone, vendida em embalagens de plástico



Uma nova investigação encomendada pela Greenpeace Internacional encontrou microplásticos em comida para bebé, vendida em embalagens de plástico, por duas das maiores empresas alimentares do mundo, a Nestlé e a Danone, levantando preocupações urgentes sobre a segurança de produtos comercializados para bebés.

O relatório Tiny Plastics, Big Problem: The Hidden Risks of Plastic Pouches for Baby Food detalha os testes laboratoriais realizados a marcas populares de comida para bebé, a Gerber, da Nestlé, e a Happy Baby Organics, da Danone, nos quais foram encontradas partículas de microplásticos em todas as amostras analisadas. O teste realizado sugere também que uma série de químicos estava presente tanto nas embalagens como nos alimentos. [1] Isto sugere que a própria embalagem de plástico poderá ser a fonte da contaminação, potencialmente expondo os bebés a milhares de fragmentos microscópicos de plástico, em cada embalagem consumida.

Graham Forbes, responsável global da campanha de plásticos da Greenpeace EUA, afirmou:
“Este estudo é um choque para pais em todo o mundo, que confiam nestas marcas para fornecer alimentos seguros e nutritivos aos seus bebés. Em vez disso, empresas dependentes do plástico, como a Nestlé e a Danone, não conseguem garantir que os seus produtos estejam livres de microplásticos e químicos.”

“Hoje, falar da era do plástico vai muito além da poluição visível”, acrescenta Ana Farias Fonseca. Para a Coordenadora de Campanhas de Mobilização da Greenpeace Portugal, “estamos perante uma crise de saúde pública que começa, literalmente, no berço. Este cenário lembra-nos os exemplos das indústrias do tabaco, do amianto e do chumbo, que tentaram desacreditar a ciência para atrasar a ação política. Hoje sabemos melhor do que isso. É urgente aplicar o princípio da precaução: os fabricantes devem demonstrar que as suas embalagens são seguras, e não compete aos pais ou cientistas provar o contrário.

Este é o momento de exigir aos governos que acelerem o passo por um Tratado Global dos Plásticos forte, capaz de reduzir a produção global em pelo menos 75% até 2040 e de obrigar gigantes como a Nestlé e a Danone. a eliminar materiais nocivos em contacto com os alimentos. Mudar este sistema está nas nossas mãos.”

As principais conclusões são:
• Por cada grama de comida para bebé testada, os investigadores encontraram, em média, até 54 partículas de microplásticos nas embalagens da Gerber e até 99 partículas nas embalagens da Happy Baby Organics. Isto equivale a até 270 microplásticos por colher de chá no caso da Gerber e 495 no caso da Happy Baby Organics.
• O estudo estimou um total de mais de 5.000 partículas em cada embalagem da Gerber e mais de 11.000 partículas em cada embalagem da Happy Baby Organics.
• O estudo identificou também uma série de químicos associados ao plástico presentes tanto na embalagem como no alimento, incluindo a presença de um potencial disruptor endócrino nas amostras da Gerber testadas.
• O estudo sugere uma ligação entre o polietileno, o plástico com que as embalagens são revestidas, e alguns dos microplásticos encontrados na comida para bebé testada.

As embalagens flexíveis de plástico para espremer tornaram-se rapidamente o formato dominante de embalagem para comida de bebé em todo o mundo, impulsionadas pela conveniência e por estratégias agressivas de marketing. É o formato de embalagem com crescimento mais rápido, com um aumento anual de 8,1% até 2031, representando 37,15% do mercado global em volume em 2025, ultrapassando todas as outras formas de embalagem, incluindo os tradicionais frascos de vidro. Atualmente, milhões destas embalagens de utilização única são compradas diariamente, o que significa que milhões de bebés podem estar a ingerir microplásticos juntamente com a sua comida. Os bebés podem ser particularmente vulneráveis a este tipo de exposição devido ao rápido desenvolvimento dos seus órgãos e à maior ingestão de alimentos em relação ao seu peso corporal.

Esta tendência faz parte de um aumento mais amplo da produção e utilização de plástico, em grande parte impulsionado pelas grandes empresas de bens de consumo. Só as embalagens representam cerca de 40% da produção global de plástico. Um dos segmentos em crescimento mais rápido é o das embalagens plásticas flexíveis e multicamada, como as bolsas e saquetas de comida para bebé, que são notoriamente difíceis de reciclar e uma importante fonte de poluição em algumas regiões.

A Nestlé e a Danone têm aparecido repetidamente entre os maiores poluidores por plástico do mundo em auditorias globais de marcas conduzidas pelo movimento Break Free From Plastic.

A Greenpeace apela à Nestlé, à Danone e a todos os produtores de comida para bebé para que investiguem urgentemente os seus produtos, provem que não estão a colocar crianças pequenas em risco de exposição e se comprometam a eliminar progressivamente as embalagens de plástico, substituindo-as por alternativas reutilizáveis, livres de plástico e não tóxicas.

Enquanto os governos negoceiam o Tratado Global dos Plásticos das Nações Unidas, a Greenpeace exige que os negociadores atuem com urgência para proibir estes produtos, reduzir a produção de plástico e acabar com a contaminação descontrolada e não regulamentada por plásticos e químicos que ameaça a saúde humana.

“A poluição por plástico não está apenas a destruir o nosso ambiente, está a entrar nos nossos corpos, começando na infância. A forma como a nossa comida é embalada é pensada para o lucro, não para a saúde das pessoas. Reduzir a produção de plástico e eliminar os químicos nocivos é essencial para proteger a saúde humana, especialmente a saúde das nossas crianças”, afirmou Forbes.

Notas:
[1] O estudo foi realizado pela SINTEF Ocean, na Noruega, em 2025, e encomendado pela Greenpeace Internacional. Foram testadas três embalagens de cada um dos dois produtos de comida para bebé: puré de iogurte da marca Gerber, da Nestlé, e puré de fruta da marca Happy Baby Organics, da Danone. Os produtos foram analisados tal como vendidos, sem serem aquecidos.

As fotografias podem ser acedidas na Greenpeace Media Library.

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