terça-feira, 28 de julho de 2026

Cientistas conseguem transformar plásticos em combustível: o sistema que os converte em energia

Este novo processo alcança três resultados de uma só vez: transforma o plástico mais comum em hidrogénio de alta pureza e, ao mesmo tempo, solidifica o CO2, evitando assim a sua libertação na atmosfera.

Quanto plástico existe realmente no planeta? É uma pergunta para a qual, quase certamente, nunca teremos uma resposta. Independentemente das estimativas que possamos fazer, a preocupação com a situação cresce — ainda que lentamente — em contraste com a rápida escalada do problema em si; a realidade é que, a cada minuto que passa, há mais plástico no planeta.

No meio de diversas iniciativas e campanhas voltadas para mitigar a questão, cientistas de todo o mundo continuam a procurar soluções eficazes para erradicar o problema rapidamente, sem causar mais danos ao planeta e às suas esferas (ou seja, sem criar novas fontes de poluição da água, do ar ou do solo).

Das profundezas dos oceanos às nuvens - e até mesmo no nosso sangue -, o plástico alcançou todos os espaços no nosso redor, persistindo no meio ambiente e permanecendo com as futuras gerações por séculos.

Um dos projetos de investigação mais interessantes a apresentar resultados promissores recentemente - em julho deste ano - foi publicado pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e pela Ewha Womans University, na Coreia do Sul.

Este estudo não apenas desenvolveu com sucesso um processo capaz de transformar a reciclagem de plásticos no futuro sem gerar poluição adicional, mas também oferece uma via nova e altamente eficiente para a geração de energia limpa.

Do plástico ao hidrogénio: uma transformação sem emissões
Misturar plásticos para transformá-los? O resultado desta nova proposta é nada menos que hidrogénio de alta pureza, obtido pela combinação de três tipos comuns de plástico: PET, polietileno e polipropileno.

Isto é alcançado através de um novo processo chamado tratamento térmico alcalino, que utiliza temperaturas até 400 °C mais baixas do que as empregadas em processos convencionais de gaseificação, permitindo que o dióxido de carbono libertado durante o processo seja capturado e transformado na sua forma sólida.

Ao utilizar hidróxido de sódio e uma diferença de temperatura tão significativa (este processo geralmente opera em temperaturas entre 700 °C e 1300 °C), esta técnica requer menos energia e, ao mesmo tempo, produz hidrogénio com pureza superior a 90% - um nível muito próximo do padrão exigido para aplicação em tecnologias de energia limpa.

Além disso, a capacidade de capturar o dióxido de carbono emitido durante o processo evita que o gás seja libertado na atmosfera e a polua, criando também a oportunidade de aproveitar o material sólido resultante; uma vez transformado, este material pode ser utilizado em setores como manufatura e construção civil, entre outros.

Segundo dados da UCLA, menos de 10% do plástico descartado é reciclado, quase 80% acaba em aterros sanitários e nos oceanos, enquanto cerca de 10% é incinerado, libertando gases poluentes na atmosfera durante o processo.

Embora este projeto ainda esteja em fase experimental e precise de passar por um processo de implementação industrial fora do laboratório, os resultados são promissores no que diz respeito à redução de custos na triagem e separação de materiais plásticos, à produção de hidrogénio de alta pureza e à gestão e aproveitamento dos resíduos remanescentes.

Um problema que tem uma janela de oportunidade
Desde 2020, diversas iniciativas de investigação e projetos surgiram na tentativa de mitigar este problema crescente, visto que a maioria dos bens essenciais atuais contém, infelizmente, algum tipo de plástico.

Em 2025, investigadores japoneses publicaram uma descoberta sobre o desenvolvimento de um plástico à base de celulose altamente durável, que se degrada completamente em água salgada; e, no início de 2026, foi anunciado um projeto que decompõe o plástico utilizando enzimas, degradando com sucesso até 90% das garrafas PET.

É importante realçar que a adoção de bioplásticos no quotidiano e a implementação de novas estratégias para mitigar o impacto deste material ainda podem levar muito tempo; portanto, a melhor oportunidade de promover mudanças nessa questão está na decisão de cada um de nós de gerar a menor quantidade possível de resíduos plásticos no nosso dia a dia.

Ler mais:

Sem comentários: