Não. Em 2023, o Polígrafo já tinha verificado um post onde era visível um artigo do “Público”, ilustrado com os retratos de oito indivíduos negros, que supostamente teriam sido expulsos da Noruega. A notícia, apesar de verdadeira, não tem qualquer relação com a imagem utilizada. Agora, repete-se a alegação, completamente desprovida de contexto.
O artigo foi publicado em 2022 e, consequentemente, diz respeito a 2021. Nesse ano, dos 370 portugueses deportados, 276 (74%) foram realmente expulsos de países europeus, sendo que, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2021, 95 desses foram obrigados a abandonar a Noruega, mais do que qualquer outro país. As autoridades norueguesas especificaram ainda que o número não só engloba expulsões, como também recusas de entrada e permanência.
A estatística, no entanto, volta a ser partilhada em 2026, referindo-se assim ao ano de 2025. Ora, o RASI de 2025 aponta para um total de 352 portugueses que receberam ordens de saída em todo o mundo, dos quais 219 foram afastados de países na Europa. Ao contrário do registado em anos anteriores, a Noruega não consta sequer dos países referidos neste contexto.
Tal como mencionado, as fotografias que acompanham o post não mostram portugueses afastados de qualquer país. Na realidade, são retratos de criminosos detidos em 2017 por tráfico de droga em Londres. De facto, alguns dos homens detidos têm nomes em língua portuguesa, como Bruno da Silva, Evanildo Gomes ou José Mário Sá. Porém, nenhuma das penas aplicadas consistiu na expulsão de qualquer um dos condenados, cujas penas variaram entre nove meses e quatro anos de prisão.
Em conclusão: os números indicados na publicação estão desatualizados e, no último ano (2025), a Noruega não foi o país europeu que mais portugueses deportou; as imagens não correspondem a indivíduos de nacionalidade portuguesa, nem a indivíduos deportados da Noruega. Duas falsidades numa mesma publicação.
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