domingo, 9 de agosto de 2026

Beach House - Lazuli

Melhor som aqui
Letra
In the blue of this light
Where it ends in the night
When you couldn't sleep
You would come for me

Wander eyes, ocean high
And we don't dare slip on by
Make her suffer
Like no other

It's nothing like
Lapis Lazuli
Let it go
Back to me

Like no other
You can't be replaced

Like no other (It's nothing like)
You can't be replaced (Lapis Lazuli)

O universo musical e conceptual de "Lazuli", do duo norte-americano Beach House
Formados em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, pelos músicos Victoria Legrand (vocais e teclados, de ascendência franco-americana) e Alex Scally (guitarra e teclados), os Beach House afirmaram-se como um dos nomes fraturantes do Dream Pop, do Indie Pop e do Shoegaze. A canção "Lazuli", pertencente ao aclamado álbum Bloom (2012), é um dos exemplos mais expressivos do seu estilo: constrói-se sobre um arpejo contínuo de sintetizador de textura brilhante e vítrea, guitarras elétricas imersas em reverso e reverb, uma percussão marcante e a voz etérea, aveludada e melancólica de Victoria Legrand.

O próprio título remete ao lápis-lazúli (Lapis Lazuli), uma rocha metamórfica de tom azul-profundo historicamente utilizada para produzir o pigmento ultramarino, associado ao sagrado e à iluminação na história da arte. Em termos de significado, a canção aborda a esperança, a renovação e os sentimentos que se esvaem para eventualmente regressar, contrapondo a melancolia a um vislumbre de clareza interior. Através de versos como "Like no other, you can't be replaced" e "Let it go / Back to me", a letra explora a aceitação do ciclo natural da vida - reconhecendo o valor único de uma pessoa ou momento, enquanto aceita a necessidade de deixar ir para reencontrar a própria essência.

O videoclipe oficial, realizado por Allen Cordell (que também assina "Walk in the Park"), traduz esta mensagem contrapondo a banalidade do quotidiano à transcendência cósmica e surrealista. A narrativa começa por apresentar três personagens isoladas em ambientes urbanos e domésticos banais, até que portais geométricos de estética psicadélica e retrofuturista invadem essa realidade. Os intervenientes acabam levitados e transportados para uma dimensão astral frente a uma fenda luminosa, culminando no plano de um olho humano que sugere que toda a travessia extradimensional ocorreu como uma expansão de consciência ou revelação interior.

No plano conceptual, a estética de "Lazuli" dialoga com várias referências filosóficas e literárias. Na psicologia analítica de Carl Jung, as pedras azuis simbolizam o Self e a integração da psique, espelhando o mergulho na sombra para alcançar o autoconhecimento ("In the blue of this light / Where it ends in the night"). Na literatura e na arte, a simbologia do azul conecta-se ao Romantismo - como a "Flor Azul" de Novalis, símbolo do anseio pelo infinito e do inalcançável - e a obras meditativas como Bluets, de Maggie Nelson. Há ainda uma ressonância existencialista próxima de Albert Camus, em que personagens imersas na rotina descobrem sentido através de instantes transcendentais de percepção.

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