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segunda-feira, 1 de junho de 2026

TR/ST - Shoom



Letra

I wish I could eat your Sun as
I see you in a model light as
Curse your chance to softly
May pick it up and waste of time fuck
I wish to go life spend making
That's a golden heights
I wish for a second best
It's all that's set in time

In here sit inside
Your simple side
Your simple side's in me
In her miss assign
This can't be mine
This can't be right
It's in me
Thinner curate side
This simple side
It's in me
Old words in the Sun
This can't be right
This can't be right
It's in me

They know I scream it whoa, oh, oh
They know I screamed it whoa, oh, oh

Sometimes it go
Whoa, oh, oh

Why push away me, push away it could
Push away life, oh shoom
Why push away me
Push away it could, push away life
Why push away me, push away it could
Push away life, oh shoom
Why push away me
Push away it could, push away life



Em termos de significado, as letras do TR/ST são famosas por sua natureza abstrata e fragmentada, mas "Shoom" foca predominantemente em temas como vulnerabilidade, obsessão e o conflito de identidade. Através de versos marcantes como "I wish I could eat your Sun" (Eu queria poder devorar o seu Sol), a composição sugere um desejo quase destrutivo de fusão absoluta com o outro, onde o eu lírico anseia por absorver a luz e a energia de alguém para preencher o próprio vazio. Essa busca por conexão é contrastada pela dualidade entre um "lado simples" e um "lado corrompido", além de um refrão que ecoa o medo da rejeição e a autosabotagem através da repetição de "Why push away me... push away life". Sem uma tradução literal, o próprio título da música funciona como uma expressão onomatopéica para o transe e a melancolia de se perder na noite.

domingo, 15 de março de 2026

Jiddu Krishnamurti - a reforma que vale é a reforma do indivíduo


Quando os modelos estão experimentados e falham gradualmente na criação multilateral e igual de abundância e prosperidade, uma sociedade informada, sensata e consciente, deve começar a procurar novos sistemas e modelos, para que prevaleça e prospere .Ou neste caso concreto, ir buscar os exemplos onde está a sabedoria maior , na Natureza, que em muitos bilhões de anos já fez todas as experiências difíceis e criou modelos tão complexos e eficientes, que com toda a nossa tecnologia e estudo empírico, ainda só afloramos superficialmente.
A sabedoria da Natureza está em tudo o que acompanha o nosso quotidiano. Não inventamos nada, só vamos conseguindo ler e reproduzir , com o engenho e criatividade.
Este processo, seja na escala de consciência individual ou colectivo, transversalmente a tudo, deveria ser a base da nossa conduta, aceitando humildemente aquilo que não sabemos e aceitar a sabedoria da natureza, reproduzindo então com estas nossas capacidades que são o que de melhor temos.

Não somos sábios, mas a criatividade e engenho são dos nossos melhores atributos, como espécie .
Estes mesmos atributos trouxeram a um ponto que podemos construir ou destruir a escalas globais. Resida aqui a tal encruzilhada de escolhas .
Não querendo ser pessimista, porque não o sou, mas se não conseguirmos interiorizar isto primeiro e depois aplicar, temo que possa ser cheio de incertezas e perigos, o nosso futuro enquanto espécie neste maravilhoso e fascinante planeta e cosmos .
E que cada um vá dando o seu contributo, na sua escala e realidade, pode ser muito mais significativo do que se pensa .

Seguindo uma frase que diz que o pior erro é não fazer nada por acharmos que é pequeno ou os outros o farão.
Parece-me claro que estamos cada vez mais próximo de uma encruzilhada determinante .
E parece também que ao invés de aprendermos, só reproduzimos os mesmos erros e cada vez com mais consequências drásticas. É exponencial a capacidade que temos de destruir ou construir .
É uma escolha feita de muitas escolhas.

E-Livros de Jiddu Krishnamurti

Todos os livros traduzidos aqui

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie e a interpretação de KinGeorg and Apoptygma Berzerk - Helter (David Bowie cover)


Helter significa Heróis em Norueguês 

Para escutar os 3 temas do álbum aqui

A canção Heroes foi escrita a dois, David Bowie e Brian Eno e originalmente cantada por David Bowie.

"Heroes": O Triunfo do efémero e a resistência do instante
A canção  foi escrita em 1977, durante o período em que Bowie vivia em Berlim Ocidental, imerso no que viria a ser conhecido como a sua “trilogia de Berlim” — Low, Heroes e Lodger — ao lado de Brian Eno e do produtor Tony Visconti. A cidade não era apenas o cenário: era o conceito. Dividida por um muro, carregada de tensão política, ideológica e emocional, Berlim oferecia a Bowie algo que ele procurava naquele momento da vida: distância do caos de Los Angeles, onde o vício em cocaína e o isolamento criativo quase o destruíram, e uma paisagem urbana que refletia a sua própria fragmentação interna.

O beijo sob o olhar da Stasi
A história por trás da canção é conhecida, mas nunca banal. Bowie escreveu “Heroes” inspirado num episódio real: ao observar pela janela do estúdio Hansa, localizado a poucos metros do Muro de Berlim, viu Tony Visconti a beijar uma mulher junto à barreira que separava o Leste do Oeste. A mulher era Antonia Maass, corista do álbum e, à época, envolvida com Visconti, apesar de ambos terem outros relacionamentos. O gesto, simples e arriscado, transformou-se no núcleo emocional da música. Não se tratava de amantes a desafiar apenas uma circunstância pessoal, mas de um ato de intimidade num dos espaços mais vigiados e simbólicos do planeta.

Engenharia de som como dramaturgia
Musicalmente, “Heroes” também nasce de uma experiência. Brian Eno construiu a paisagem sonora com sintetizadores e tratamentos electrónicos que expandiam a ambição do rock para além da sua forma tradicional. Visconti criou um sistema de microfones posicionados a diferentes distâncias da voz de Bowie, que se abriam progressivamente à medida que ele cantava mais alto, captando não apenas a performance, mas a própria arquitetura do estúdio.

O resultado é uma interpretação que cresce em intensidade, como se a canção literalmente ganhasse espaço físico à medida que Bowie se aproxima do clímax. É a técnica ao serviço da emoção.

A recusa do heroísmo grandioso
A letra, por sua vez, é deliberadamente simples. “We can be heroes, just for one day.” Não há promessa de eternidade, glória ou redenção total. Há apenas um instante. Um dia. Um gesto. Bowie nunca romantiza a vitória definitiva; ele oferece resistência temporária. E é exatamente essa recusa do heroísmo grandioso que torna a música tão poderosa. Num mundo de muros — físicos, políticos, afetivos —, ser herói por um dia já é um ato de coragem.

Do insucesso ao estatuto de Hino
Quando lançada, “Heroes” não foi um sucesso imediato nas tabelas de vendas. Alcançou posições modestas no Reino Unido e passou quase despercebida nos Estados Unidos. A crítica, entretanto, reconheceu desde cedo a sua singularidade, e a música começou a construir a sua reputação não pelo consumo rápido, mas pela sedimentação cultural. Com o tempo, tornou-se uma das faixas mais emblemáticas da carreira de Bowie, ao lado de “Space Oddity”, “Life on Mars?”, “Let’s Dance” e “Changes” — o quinteto que hoje define o coração do seu legado. 

Em 6 de junho de 1987, Bowie tocou "Heroes" no Reichstag, em Berlim Ocidental, o que foi considerado um catalisador para a queda do Muro.
 
Porquê agora?
Nada disto, porém, explica sozinho por que motivo “Heroes” ressoa tanto agora. Talvez porque vivamos novamente num mundo de muros, não apenas geopolíticos, mas simbólicos: polarização, guerras culturais, ansiedade coletiva, isolamento tecnológico. . Talvez porque, em tempos de exaustão moral, a ideia de um heroísmo possível, ainda que breve, soe mais honesta do que qualquer promessa de redenção total. “Heroes” não diz que o amor vence tudo. Diz que ele pode, por um instante, desafiar o impossível. E isso, para quem vive em 2026, não é pouco.

Um legado em datas
Após a morte de Bowie, em janeiro de 2016, o governo alemão agradeceu o músico por "ajudar a derrubar o Muro", acrescentando que "você está entre os Heróis"

Em 8 de janeiro de 2026, “Heroes” completou 49 anos desde o seu lançamento. Dois dias depois, a 10 de janeiro, assinalaram-se dez anos da morte de David Bowie. A coincidência de datas não é apenas cronológica; é simbólica. Bowie construiu uma carreira inteira baseada na transformação e na coragem de se reinventar.

Hoje, a canção é mais do que um clássico; é a prova de que, num tempo em que ser herói parece exigir façanhas impossíveis, às vezes tudo o que temos é um dia. Um gesto. Um beijo à beira de um muro. E, ainda assim, isso basta para mudar tudo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Agnes Obel - Camera's Rolling


Letra
The script is burning
On heavy fuel
No time to lose
What will you do?

The camera's rolling
What will you do?
What will you do
That you can't undo?

The gun is loaded
What will you do?
Cruel gifted fools
What will you do?

Esta faixa abre o álbum Myopia (2020). É uma música que lida com a percepção, a memória e a sensação de estar sendo observado ou de estar "atuando" na própria vida. Com melhor som aqui

1. A Percepção da Realidade (Myopia)
O álbum chama-se Myopia (Miopia), e esta canção define o tom para isso. Agnes Obel descreveu o conceito como o estado de estar tão fechado no seu próprio mundo ou pensamento que a percepção do que é real fica distorcida. "The camera's rolling" (A câmara está a gravar) simboliza aquele momento em que nos tornamos autoconscientes, como se estivéssemos a ver a nossa vida de fora, como um filme.

2. Ansiedade e Controle
A repetição das frases sugere um estado de ansiedade. Quando a "câmara grava", há uma pressão para desempenhar um papel. Pode referir-se à sensação de que estamos sempre a ser vigiados (seja pela tecnologia, pela sociedade ou pela nossa própria mente crítica), o que nos impede de ser genuínos.

3. O Processo Criativo
Obel gravou este álbum em isolamento quase total. Ela mencionou em entrevistas que a canção lida com a dualidade de estar sozinho mas sentir que "alguém" (a própria consciência ou o público futuro) está a observar o processo. É a transição do pensamento privado para a performance pública.

Atmosfera Musical
A música utiliza técnicas de pitch-shifting (alteração do tom da voz), o que faz com que a voz de Agnes soe ora mais grave (masculina), ora mais aguda. Isso reforça a ideia de uma identidade fragmentada ou de alguém que está a ser "processado" por uma lente, tal como uma imagem de vídeo.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Chelsea Wolfe - Feral Love


[Verse]
Run from the light
Your eyes, black like an animal
Deep in the wander
And care for no one but the offspring of your might

Run from the one who comes to find you
Wait for the night that comes to hide

Your eyes, black like an animal
Black like an animal
Crossing the water
Lead them to die

[Chorus]
We press for the water
Press for the river, press for the rain

"Feral Love" é a primeira faixa do álbum Pain is Beauty (2013) de Chelsea Wolfe. A música foi utilizada no trailer da quarta temporada de Game of Thrones.

Conflito primal e desejo de liberdade em “Feral Love”
Ao abrir o álbum "Pain Is Beauty" com "Feral Love", Chelsea Wolfe destaca o conflito entre instinto selvagem e as regras da civilização, tema inspirado no romance "Sons and Lovers" de D.H. Lawrence. A repetição do verso “Your eyes, black like an animal” (Seus olhos, negros como os de um animal) enfatiza a animalidade e a recusa em se submeter à luz, que simboliza exposição, controle social e racionalidade. O trecho “Run from the light” (Fuja da luz) reforça essa fuga consciente do que é civilizado em direção ao que é primal e instintivo.

O refrão “We press for the water, press for the river, press for the rain / We press for the water, press for the river, press for the pain” (Buscamos a água, buscamos o rio, buscamos a chuva / Buscamos a água, buscamos o rio, buscamos a dor) mostra uma busca intensa por algo essencial, mas também perigoso e doloroso. A água pode simbolizar vida e renovação, mas também travessia e risco, sugerindo a vontade de ultrapassar limites em busca de liberdade, mesmo que isso traga sofrimento. O videoclipe e o filme “Lone” ampliam essa interpretação, ligando a música a temas de natureza, sexualidade e mortalidade, onde o desejo de fuga e autopreservação se mistura à dor inevitável. A presença da faixa em “Game of Thrones” reforça o clima sombrio e a luta pela sobrevivência em ambientes hostis, intensificando o tom da composição.
Versão [espectacular]
Ao vivo - aqui e aqui

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Adrian Borland - We are the night


We were born in the barren day
Grew in the city like wild flowers
Between the concrete and through the clay
We saw a love and made it ours

You take me to my dreams
We leave the world behind
It's never understood
How we are the night

We're the life they'll never choose
We're the road they must refuse
We're the colours they'll never see

We're the moon and the stars
The moon and the stars
We are the night


"We Are the Night" é a 10ª faixa do quarto álbum solo de Adrian Borland, intitulado Cinematic (1996).

O Significado da Canção: Identidade e Refúgio
O título e a letra sugerem uma celebração (ou um lamento) sobre aqueles que não se encaixam na luz do dia, nas regras sociais ou na "normalidade" produtiva.

1. Solidariedade na Solidão
Quando Borland canta "Nós somos a noite", ele está criando uma conexão com os marginalizados, os sonhadores e os melancólicos. É uma declaração de pertencimento para quem se sente deslocado sob o sol. A noite não é vista como algo assustador, mas como um manto protetor.

2. A Luta Interna
É impossível separar a obra de Adrian Borland de sua saúde mental. Ele sofria de transtorno esquizoafetivo, e muitas de suas letras refletem a oscilação entre a clareza e a escuridão. "We Are the Night" pode ser interpretada como a aceitação de que a sombra faz parte da sua identidade.

3. Fuga da Realidade
A letra evoca a ideia de que a noite apaga as distinções e as pressões do mundo real. No escuro, as falhas são menos visíveis e a imaginação tem mais espaço para respirar. É um hino ao romantismo sombrio.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

José González - Against the Dying of the Light


“Against the Dying of the Light”, de José González, é uma canção profundamente introspectiva que aborda a forma como o ser humano enfrenta a finitude, a perda e o esgotamento da vida. Inspirada no célebre poema de Dylan Thomas,“Do Not Go Gentle into That Good Night” a música centra-se na ideia de resistência interior perante o inevitável, defendendo que, mesmo quando o fim se aproxima, é essencial manter a consciência, a dignidade e a lucidez. A “luz” funciona como metáfora da vida, da esperança e da energia vital, e lutar contra o seu apagamento não significa negar a morte, mas recusar a rendição emocional e espiritual. O tom contido e melancólico da canção reforça uma luta silenciosa, íntima, marcada mais pela reflexão do que pela revolta. Para além da leitura literal associada à morte, a canção pode também ser entendida como um apelo à resistência contra a apatia, o conformismo e a perda de sentido no mundo contemporâneo, afirmando a importância de permanecer desperto e humano até ao último momento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Idadismo? Nunca

Uma mulher idosa a caminhar livremente - Porto, Portugal

Bom primeiro dia de Ano Novo! Happy first day of the New Year!

"Sente-te livre por seres idosa,
ramo de sorrisos e rugas.
O que importa não envelhece na pele,
nem repousa nos lábios.
Não tomes isso como castigo divino.

Não rebentes em lágrimas.
O melhor do mundo humano és tu:
acende a lembrança no peito
e fixa o teu rosto na claridade do tempo.

Os sábios sabem:
não há motivo para luto.
A beleza não é um recipiente,
é o fogo que tremula dentro dele.

A tua alma luminosa
deixa-a inteira à vista,
assim eu te amo ainda mais.
Não te entristeças! Não dês ouvidos
às sentenças dos espelhos!

Tu és a mais bela!

João Soares, 01.01.2026

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Selah Sue - Reason


Selah Sue fala abertamente sobre: 
  1. saúde mental, especialmente ansiedade e depressão 
  2. autenticidade e autoaceitação 
  3. direitos humanos e igualdade, incluindo justiça social 
Ela tem sido bastante transparente sobre a própria experiência com problemas de saúde mental, ajudando a reduzir o estigma em torno do tema.

Reason é o segundo álbum de estúdio da artista belga Selah Sue. Distribuído pela Warner Music Group, foi editado pela Because Music a 26 de março de 2015.


Reason look at her
(Reason look at her)
And tell her what to do
(What to do)
So she can come back to life
(So she can come back to life)
And won't feel sad no more
(And won't feel sad no more)

She feels lost in her.. darkness
She feels bad in her.. darkness
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Reason come back to her
Please tell her where to go
So she can find find a place
So she can find a place
Where she won't feel bad no more
She feels lost in her darkness
She feels bad in her darkness

Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
In the end she should know
That she is drowning in sorrow, oh
Alone
So let's change her faith
And make all

She feels lost
(In her darkness)
She feels bad
(In her darkness)

Give her the reason
just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Type O Negative - The Green Man


Mitologia sobre o Green Man

Green Man

Spring won't come, the need of strife
To struggle to be freed from hard ground
The evening mists that creep and crawl
Will drench me in dew and so drown

I'm the green man
The green man

Sun in prime sweet summertime
Cast shadows of doubt on my face
A midday sun, its caustic hues
Refracting within the still lake

Autumn in her flaming dress
Of orange, brown, gold fallen leaves
My mistress of the frigid night
I worship pray to on my knees

Winter's breath of filthy snow
Befrosted paths to the unknown
Have my lips turned true purple
Life is coming to an end
So says me, me wiccan friend
Nature coming full circle

I'm the green man
The green man

Em “Green Man”, do Type O Negative, Peter Steele transforma a figura mitológica do Homem Verde num reflexo de sua própria vida. O personagem não é apenas um símbolo antigo da natureza, mas também um alter ego do vocalista, inspirado por seu trabalho como coletor de lixo e sua forte ligação com a cor verde e o ambiente natural. A introdução da música, com sons de camião de lixo, reforça essa conexão pessoal, mostrando como Steele usa experiências quotidianas para criar uma metáfora sobre o ciclo da vida e da morte.

A letra explora as estações do ano como representações desse ciclo. A primavera, que "não chega" (“Spring won't come, the need of strife / To struggle to be freed from hard ground” – "A primavera não chega, a necessidade de luta / Para se libertar do solo duro"), simboliza dificuldades para recomeçar. O verão traz luz, mas também incertezas (“Sun in prime sweet summertime / Cast shadows of doubt on my face” – "Sol no auge do doce verão / Lança sombras de dúvida no meu rosto"). O outono aparece de forma sedutora e melancólica, enquanto o inverno representa o fim e a transformação (“Winter's breath of filthy snow... Life is coming to an end” – "O sopro do inverno de neve suja... A vida está chegando ao fim"). O refrão “I'm the green man” (“Eu sou o homem verde”) reforça a identificação do narrador com o ciclo natural, sugerindo que ele faz parte desse fluxo contínuo de renovação e decadência.

A música une elementos pessoais e mitológicos para expressar tanto a individualidade de Steele quanto uma visão universal sobre a inevitabilidade das mudanças e a profunda conexão entre o ser humano e a natureza.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Fleet Foxes - White Winter Hymnal


Esta é uma canção evocativa em estilo de harmonia vocal fechada da banda indie-folk americana Fleet Foxes, originária de Seattle, no estado de Washington, EUA. O título é "White Winter Hymnal". A canção não é explicitamente espiritual, mas possui um forte impacto espiritual. A sua letra é propositadamente misteriosa para permitir ao ouvinte criar o seu próprio significado. A música conquistou uma enorme base de fãs nas redes sociais e nos serviços de streaming desde o seu lançamento, há cerca de 15 anos. O videoclipe explora o tema das esperanças (carinhosas) perdidas, mas que continuam a persistir no espírito natalício.

I was following the, I was following the

I was following the pack
All swallowed in their coats
With scarves of red tied 'round their throats
To keep their little heads
From fallin' in the snow
And I turned 'round and there you go
And, Michael, you would fall
And turn the white snow red as strawberries
In the summertime

Em “White Winter Hymnal”, do Fleet Foxes, a repetição do verso “I was following the pack” (“Eu estava seguindo o grupo”) e a imagem dos “scarves of red tied 'round their throats” (“lenços vermelhos amarrados em seus pescoços”) criam um clima de infância protegida, mas também sugerem uma sensação de uniformidade e vulnerabilidade compartilhada. O vocalista Robin Pecknold explicou que a música foi inspirada pela experiência de ver amigos de infância se afastarem e, às vezes, seguirem caminhos autodestrutivos. Isso dá um significado mais profundo ao trecho em que “Michael” cai e mancha a neve branca de vermelho, simbolizando a perda da inocência e o impacto das escolhas difíceis que surgem com o amadurecimento.

Embora Pecknold tenha dito que a letra é “bastante sem sentido” e foi criada como uma introdução ao álbum, a canção desperta sentimentos de nostalgia e melancolia, reforçados pelo arranjo vocal suave e pela repetição das imagens. A neve branca, tradicionalmente ligada à pureza e à infância, sendo manchada de vermelho, pode ser vista como uma metáfora para a transição da inocência para a experiência e para as mudanças e perdas inevitáveis da vida. O fato de “White Winter Hymnal” ter se tornado um hino não oficial das festas de fim de ano, mesmo sem citar o Natal, mostra seu apelo universal à memória, à passagem do tempo e à saudade de tempos mais simples.

O trabalho do grupo tem sido consistentemente elogiado pela crítica musical, que destacou o lirismo e o estilo de produção, para além de mencionar frequentemente o uso de instrumentação refinada e harmonias vocais. O álbum de estreia da banda foi classificado pela Rolling Stone como um dos melhores da década e foi também incluído no livro "1001 Álbuns Para Ouvir Antes de Morrer". A banda foi nomeada para dois prémios Grammy: o primeiro na categoria de Melhor Álbum Folk em 2012, com "Helplessness Blues", e o segundo na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa em 2022, com "Shore".


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

The Chameleons - Nathan's Phase

Em estúdio

Ao vivo


Of all the faces that you wear
Sometimes joy, sometimes despair
The mask has gone, no mystery
Replaced by vague transparency

Oh, it's just a phase you're going through
It's you
It's just a phase you're going through

The streets of London paved with lead
Just as my lungs are paved with Leb
Brush the cobwebs from my head
Feels like I'm stapled to this bed

Oh, it's just a phase you're going through
It's you
It's just a phase you're going through

The streets of London paved with lead
Just as my lungs are paved with Leb
Brush the cobwebs from my head
Feels like I'm stapled to this bed

Oh, it's just a phase you're going through
It's you
It's just a phase you're going through
Out of tune
Yeah, with this phase you're going through

A canção Nathan's Phase da banda britânica The Chameleons foi lançada no álbum Strange Times (1986), e, como muitas das músicas da banda, a letra pode ser interpretada de maneira subjetiva e aberta a diferentes análises.
Nathan's Phase do The Chameleons é uma canção que fala sobre uma fase de confusão e transição na vida de alguém, provavelmente o personagem chamado Nathan. A letra sugere um momento de introspecção, no qual ele se encontra em um processo de autoexploração ou até crise pessoal. A ideia de uma "fase" simboliza que essa situação é passageira, uma etapa que ele precisa atravessar para entender melhor a si mesmo ou seu lugar no mundo. Esse sentimento de transição também se conecta ao tema comum na obra da banda, que é a alienação — a sensação de estar desconectado ou perdido em relação ao que acontece ao redor. A música pode ser interpretada como uma reflexão sobre como as pessoas mudam e se reinventam ao longo do tempo, enfrentando desafios internos e externos que, muitas vezes, são difíceis de compreender ou de expressar. Além disso, a melodia melancólica da música complementa a ideia de uma fase de busca, de distanciamento emocional e de nostalgia, que faz parte da experiência humana de crescimento e transformação. Como muitas das músicas do The Chameleons, Nathan's Phase oferece uma visão aberta e poética sobre o dilema da identidade e da evolução pessoal, temas que são universais e que falam com cada ouvinte de uma forma única.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Ute Weiner


“Começa de novo todos os dias
com um pequeno passo de agradecimento
aprende a te surpreenderes com os olhos do coração

Recomeça todos os dias
com um pequeno passo de esperança
Atreve-te a algo novo com ousadia de confiança

Recomeça todos os dias
com um pequeno passo de perdão
semear um grão de paz

Recomeça todos os dias
com um pequeno passo de amor
descobre uma imagem em ti

Ensina-me algo de novo todos os dias
o caminho dos pequenos passos
com ela nos momentos da vida quotidiana
o presente se ilumina"

Tradução livre da autora Ute Weiner - "Dem Klang der Liebe lauschen: Meditationen und Gebete"

sábado, 15 de novembro de 2025

Foto e poema sobre as Árvores

Árvore
"Ficas ali, inteira,
como se soubesses algo que nós esquecemos.
O vento passa por ti
e tu respondes sem pressa,
um aceno leve, um sussurro de folhas
que não precisa traduzir-se.
A luz pousa nos teus ramos
como quem encontra casa.
Os pássaros chegam, partem,
e tu permaneces —
um gesto de permanência
num mundo que corre demasiado depressa.
Às vezes abraço-me ao teu tronco
e sinto qualquer coisa antiga,
quase uma respiração,
como se a tua vida entrasse um pouco na minha.
E penso:
talvez crescer seja isto —
abrir espaço no peito
para o que chega
sem medo do que fica."
Joao Soares, 15.11.2025

terça-feira, 4 de novembro de 2025

I Am The Shadow - The Wide Starlight



Significado da canção “The Wide Starlight”

Título simbólico
“Wide Starlight” (“Luz Estelar ampla / vasta”) sugere algo expansivo, cósmico, algo além do alcance imediato.

A “starlight” funciona como metáfora para esperanças, mistério, talvez orientação no escuro.

Temas de silêncio, perda e busca
Na letra, há frases como: “Just draw a line / Between the silence and the starlight”. Isso pode representar a linha ténue entre aquilo que não é dito (silêncio) e aquilo que inspira (a luz das estrelas).

Também surge a ideia de “questões antigas” (“lost in the same old questions”), o que pode indicar reflexão sobre o passado, dúvidas persistentes.

A expressão “Will you drown in the wide starlight” (“te afogarás na vasta luz estelar”) sugere ambivalência: a luz (esperança, sonhos) pode ser algo tão grande que se torna avassaladora, quase sufocante.

Dualidade entre luz e escuridão
A “wide starlight” não é só algo bonito, mas um espaço onde o “silêncio” tem peso. A canção parece explorar a tensão entre a tranquilidade da luz estelar e a solidão / vazio do silêncio.

Essa dualidade pode simbolizar momentos de introspeção profunda, onde a pessoa está entre a escuridão interior (silêncio, dúvidas) e a “luz” das suas esperanças / sonhos.

Uma viragem para a esperança
Segundo uma análise no site Sounds and Shadows, este álbum “marca uma viragem para a esperança”.

Mesmo que a canção tenha elementos melancólicos, há uma promessa de ascensão ou transformação: não é apenas sobre perda, mas também sobre encontrar algo além — talvez na “ampla luz estelar”.

Poética emocional
A música tem uma escrita muito poética (“soul baring poetry”), com uma produção que mistura sintetizadores e guitarras para criar uma atmosfera etérea.

Essa sonoridade reforça a mensagem lírica de contemplação, de algo vasto e intangível, como se estivéssemos olhando para o céu noturno e refletindo sobre a própria existência.

Baseado num romance
The Wide Starlight é um livro que mistura realismo mágico com temas de perda, memória, identidade e luto. A protagonista, Eli, vive atormentada pela lembrança (ou ausência) da mãe, que desapareceu misteriosamente no norte da Noruega. O enredo combina elementos míticos (auroras, magia, folclore nórdico) com uma jornada interna de autodescoberta.

domingo, 2 de novembro de 2025

Azam Ali - In Other Worlds


The key to this place
Is a cold you know
The real dispelled
Into the world you know
Doubt, tasted, you fall in
Down you sink
Into her deep devour

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

Endowed with will
And a course your own
Bound by the despait
Of the shoreless hours
Heed this flame
Within the walled empire
This desire
Is all around

She's still the key holder
And through this portal
She courts you now

If love be revealed
In the spark of an eye
Could all be redeemed
In the sea of time
If the stars embed
Like nails into the ground
From the unheard prayers
That have torn up the skies
Would you will it all away
As you sail on your way?

A canção In Other Worlds, de Azam Ali, é uma viagem simbólica entre mundos visíveis e invisíveis. A “chave” e o “portal” mencionados na letra representam a entrada num espaço interior — espiritual, emocional e transformador. Nesse lugar coexistem a dúvida, o desejo e o desespero, mas também a possibilidade de redenção e amor.

Azam Ali convida-nos a atravessar esse limiar: a escutar a “chama” interior e a reconhecer a força feminina e mística que guarda o caminho. O “outro mundo” da canção não é externo, mas o território profundo da alma — onde cada um decide se quer permanecer à margem ou embarcar na jornada de autoconhecimento.

Persian Roots Transformed into a World of Stratospheric Sensuality
Entrevista

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Ane Brun - To Let Myself Go


To let myself go
To let myself flow
Is the only way of being?

There′s no use telling me
There's no use taking a step back
A step back for me


A música "To Let Myself Go" de Ane Brun trata, de forma poética e emocional, da libertação interior e do processo de aceitação de si mesmo. A canção fala sobre o desafio de baixar as defesas, permitir-se sentir, e abandonar o controlo — não como sinal de fraqueza, mas como um passo necessário para encontrar paz ou amor verdadeiro.

Libertar-se emocionalmente
O refrão "To let myself go, to let myself flow" sugere o desejo de se libertar de amarras internas — de expectativas, medo ou dor — e simplesmente "fluir" com a vida, aceitar o que vem.

Dor e Cura
Há uma nota de vulnerabilidade: a letra expressa a dificuldade de se entregar emocionalmente, especialmente após experiências dolorosas. Isso pode ser interpretado como alguém que aprendeu a se proteger demais, e agora tenta reaprender a confiar e se abrir.


Entrega e Transformação
"To just be me" (ser apenas eu) mostra que a música também fala de autenticidade — parar de se esconder atrás de máscaras e permitir-se ser quem se é, sem medo. É um tipo de transformação espiritual ou pessoal.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Ian Curtis faria 69 anos hoje


A change of speed, a change of styleA change of scene with no regretsA chance to watch, admire the distanceStill occupied, though you forget
Different colors, different shadesOver each mistakes were madeI took the blameDirectionless, so plain to seeA loaded gun won't set you freeSo you say
We'll share a drink and step outsideAn angry voice and one who criedWe'll give you everything and moreThe strain's too much, can't take much more
I've walked on water, run through fireCan't seem to feel it anymore
It was me, waiting for meHoping for something moreMe, seeing me this timeHoping for something else

Literalmente o tema significa "Novo amanhecer desaparece". A música 'New Dawn Fades' é uma reflexão profunda sobre mudanças, arrependimentos e a busca por algo mais significativo na vida. A letra começa abordando a ideia de mudança em vários aspectos: cena, estilo e esperanças. Essas mudanças são vistas sem arrependimentos, sugerindo uma aceitação do passado e das escolhas feitas. A menção a 'diferentes cores, diferentes tons' pode ser interpretada como as diversas experiências e emoções que moldam a vida de uma pessoa. No entanto, também há um reconhecimento de erros cometidos e a aceitação da culpa, o que indica um processo de autoavaliação e crescimento pessoal.

A segunda parte da música traz uma interação mais pessoal e emocional, onde há uma troca de sentimentos intensos, como raiva e tristeza. A frase 'I'll give you everything and more' sugere um esforço desesperado para manter uma relação ou situação, mas a pressão se torna insuportável. A metáfora de 'andar sobre a água' e 'correr pelo fogo' indica a superação de desafios extremos, mas também uma sensação de exaustão e insensibilidade emocional. Isso reflete a luta interna do eu-lírico, que se sente perdido e sem direção, buscando algo mais profundo e significativo.

A conclusão da música é introspectiva, com o eu-lírico esperando por algo mais, algo diferente. A repetição de 'me, esperando por mim' e 'esperando por algo mais' sugere uma busca interna por autoconhecimento e realização. Quando o amor dá errado, há uma sensação de desilusão e a necessidade de reavaliar o que realmente importa. A música, portanto, é uma jornada emocional e filosófica sobre mudanças, arrependimentos e a incessante busca por significado e conexão no meio das adversidades da vida.