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terça-feira, 21 de outubro de 2025

Ovoviviparia

Lampropholis guichenoti

Num estudo científico foi observada, na Austrália, a evolução em tempo real. As fêmeas de uma população de um lagartixa que põe ovos (ovíparas) evoluíram e passaram a incubar os ovos dentro de si (ovovivíparas), enquanto outras populações se mantiveram a pôr ovos. Isso aconteceu numa região mais fria e é uma adaptação de sobrevivência às condições adversas, como acontece com as nossas víboras, e é um testemunho raro da evolução em directo.

Fontes:

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A Estafeta da Existência: O Legado Multigeracional da vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)


O conceito de migração animal evoca frequentemente a imagem de um indivíduo que parte de um ponto A para um ponto B. No entanto, a borboleta-dos-cardos (Vanessa cardui) subverte esta noção, apresentando um modelo de sobrevivência onde o destino não pertence ao indivíduo, mas à linhagem. Este sistema de migração multigeracional é um dos exemplos mais sofisticados de resiliência biológica na natureza.

Presente na América do Norte, Europa, África e Ásia, esta é uma borboleta grande, com uma envergadura de asas que pode chegar aos sete centímetros. O nome científico, Vanessa cardui, inspira-se nos cardos em que as lagartas gostam de se alimentar (embora também se alimentem de outras plantas).

Há uma década, os cientistas sabiam que a bela-dama desaparece da Europa no outono e acreditava-se que migraria para o norte de África. “Eu não acreditava nisso, pois estas regiões são muito frias no inverno e sabemos que esta borboleta não sobrevive ao frio. Como não entra em diapausa, precisa de continuar a mexer-se”, recorda Talavera. Além do mais, no Magrebe havia poucos registos da espécie para esta altura do ano.

E se a resposta estivesse na travessia do Saara, o maior deserto de areia do mundo? “Havia uma pequena hipótese, mas ninguém acreditava que a grande maioria destas borboletas pudesse atravessar o deserto”, reconhece. “Foi uma grande aposta.”

A Continuidade através da Brevidade
A característica mais marcante da V. cardui é a sua capacidade de completar um circuito migratório que ultrapassa os 12.000 km, uma distância impossível de cobrir durante o seu ciclo de vida de apenas poucas semanas. O segredo reside na fragmentação do percurso: o que observamos como um movimento migratório único é, na verdade, uma sucessão de até seis gerações que funcionam como uma estafeta biológica.

Mecanismos de Orientação e Genética
A questão que intriga a ciência é como uma borboleta, nascida no norte da Europa, "sabe" que deve voar para o Sul no outono, sem nunca ter feito o percurso ou tido contacto com as gerações anteriores. Estudos indicam que estas borboletas utilizam uma bússola solar compensada pelo tempo, integrada com a perceção do campo magnético terrestre. Esta informação não é aprendida; é uma herança genética codificada.

Resiliência Ecológica
Ao contrário de outras espécies especialistas, a borboleta-dos-cardos é uma generalista oportunista. A sua capacidade de se alimentar de uma vasta gama de plantas (especialmente cardos e malvas) permite-lhe atravessar desertos e cadeias montanhosas, adaptando-se a diferentes ecossistemas à medida que a sua linhagem avança pelo globo.

Para saber mais:

terça-feira, 17 de junho de 2025

Linhagens e ramificações do desenvolvimento no pensamento filosófico ocidental



Linhagens e ramificações do desenvolvimento no pensamento filosófico ocidental.
Adaptação baseada a partir do esquema de Ferreira-Santos (1996), através de pontos de intersecção e linhas de conexão (que podem não coincidir historicamente).
Dissertação e design do pesquisador Marcos Beccari: 'Articulação Simbólica: uma abordagem junguiana aplicada à filosofia do design', UFPR, Curitiba, 2012, p. 58.

terça-feira, 10 de junho de 2025

A longa vida do bicho-de-prata


O bicho-de-prata (Lepisma saccarina) vive em quase todas as casas, mesmo as mais limpas, alimentando-se de quase tudo, desde restos de comida, fungos, fibras de lã a flocos de pele humana (a nossa pele está em costante renovação e há mais do que julga em sua casa, então nas igrejas...). A sua vida simples e recatada permitiu-lhe sobreviver praticamente inalterado durante mais de 300 milhões de anos, ainda antes dos dinossauros, porque houve sempre um recanto com comida suficiente, fosse no solo, numa carcaça de Tyrannosaurus rex, num monte de fezes de um mamute ou nas peles e roupas humanas, com a sofisticação final de também de terem livros por repasto.

terça-feira, 27 de maio de 2025

A migração espectacular de um falcão fêmea


Um falcão fêmea equipada com um rastreador GPS, fez uma jornada da África do Sul até a Finlândia, percorrendo cerca de 230 km por dia.
Ela voou em linha reta pelas terras africanas até chegar ao deserto no norte, depois seguiu o caminho do Rio Nilo pelo Sudão e Egito e evitou sobrevoar o Mar Mediterrâneo.
Ela cruzou a Síria e o Líbano e também evitou sobrevoar o Mar Negro, pois se tivesse sede, não poderia beber dele.
Ela continuou em linha reta e chegou à Finlândia depois de 42 dias.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Facistol


Na Biblioteca Palafoxiana de Puebla, México, é preservado um Facistol, que é uma ferramenta de biblioteca com 300 anos, que permitia aos pesquisadores manter abertos até sete livros simultaneamente, mantendo-os à mão e organizados. Este engenhoso dispositivo facilitou o estudo comparativo e a pesquisa extensiva, proporcionando acesso prático a vários textos ao mesmo tempo, refletindo um notável avanço na gestão de recursos bibliográficos no século XVIII.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Este telhado com forma côncava capta água da chuva e pode ser usado nas regiões mais áridas do Planeta


A falta de água e o clima quente são uma realidade difícil em várias regiões do planeta. Uma das maneiras de melhorar as condições de vida de quem vive nestes lugares está na arquitetura. Com uma proposta inovadora, o estúdio BMDesign propõe que os telhados em climas áridos sejam cobertos por construções côncavas (uma espécie de grandes tigelas).

Este formato tem função dupla: ao mesmo tempo que é mais eficiente para captar água da chuva, também ajuda a arrefecer o interior das casas devido à sombra e ao vento aproveitado pela forma.  O teto côncavo foi especialmente criado para regiões onde chove pouco e a captação da água de chuva é dificultada pelas altas taxas de evaporação.

O formato côncavo tem ainda a vantagem de criar uma sombra que se movimenta durante o dia e de encontrar um espaço entre os dois telhados por onde o vento passa, otimizando ainda mais o arrefecimento natural. Depois de captada, a água é direcionada para um ponto central, seguindo para um sistema interno de armazenamento.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Biologices


Esta fascinante planta (Monotropa uniflora) é uma das estranhas maravilhas da natureza porque não tem clorofila e não depende da fotossíntese. Pode crescer nas florestas mais escuras.
Muitas pessoas se referem a ela como fungo do cachimbo da Índia ou planta branca fantasmagórica, mas não é um fungo mesmo que pareça. Na verdade, é uma planta com flores e membro da família de mirtilo (Ericáceas).

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Árvores e líquenes


Líquenes são associações mutualistas entre fungos e algas.
Os líquenes são bons indicadores da poluição atmosférica. Neste caso, líquenes verde claro e radiculares ou  foliares, são indicadores que o ar é pouco poluído.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Margaret Mead - O fémur curado


Anos atrás, uma estudante perguntou à antropóloga Margaret Mead o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização numa cultura. O aluno esperava que Mead falasse sobre anzóis, potes de barro ou pedras de amolar.
Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga foi um fémur que foi quebrado e depois curado. Mead explicou que no reino animal, se você quebrar a perna, você morre. Você não pode fugir do perigo, ir ao rio para beber ou caçar para comer. Você é carne para feras rondantes. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para que o osso cicatrize.
Um fémur partido que cicatrizou é evidência de que alguém reservou um tempo para ficar com aquele que caiu, tratou o ferimento, carregou a pessoa para um local seguro e cuidou dela durante a recuperação. Ajudar alguém em dificuldades é onde a civilização começa, disse Mead."
Damos o nosso melhor quando servimos aos outros. Seja civilizado.

Fonte: Forbes

terça-feira, 7 de maio de 2024

Carriça no Eco-Caminho da Maia


Olá, encontrei uma carriça (Troglodytes troglodytes) no Eco-caminho da Maia! 
Sabiam que é um dos pássaros mais pequenos da nossa avifauna, mas com um dos cantos mais poderosos e melodiosos?
E que o nome científico troglodytes refere-se ao hábito destes pássaros em "desaparecer" dentro de buracos no solo à procura de invertebrados para se alimentarem?

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Grigori Yakovlevich Perelman - um génio da Matemática que escolheu uma vida simples e recatada


Parece um vagabundo? Mas na verdade é o maior matemático do mundo.
Na verdade, o russo Grigorij "Grisha" Jakovlevich Perelman foi o único homem que conseguiu resolver um dos sete "Problemas do Milénio", demonstrando a Conjectura de Poincaré e rejeitou o prémio milionário que lhe tinha dado pelo Clay Mathematics Institute por esta descoberta.
A Conjectura de Poincaré é um problema complexo de topologia e quando encontrou a solução disse: "Para mim é completamente irrelevante, porque se a solução for a certa, não há necessidade de outro reconhecimento".
Mora num mini apartamento dentro de um prédio popular de São Petersburgo, daqueles construídos durante o socialismo. Para ele, dinheiro não significa nada: "Não quero ser um cientista de exposição, mas sim um que estuda a ciência para o bem dos outros".
Ele anda com o cabelo e a barba despenteados e tênis desportivo sem forma, as imagens mais recentes retratam-no com um aspecto desleixado: um blogueiro o localizou no metro e o imortalizou com o celular para depois carregar as fotos dele na internet.
Dizem que na sua cidade, que foi a capital dos czares, está na moda usar uma camiseta com a sua cara e a inscrição: "Neste mundo... Nem tudo pode ser comprado.

Saber mais: 

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Azorella compacta ou também conhecida por Llareta


Esta planta de 3.000 anos de idade pode parecer uma pedra com musgo, mas na verdade é um arbusto com milhares de ramos e cachos de pequenas folhas verdes densamente embaladas. Conhecida como Llareta, o arbusto é parente de salsa e vive no deserto de Atacama no Chile e distribui-se até nordeste da Argentina e nas altas altitudes nos Andes do Perú e Bolívia.
Eles crescem apenas 1-1,5 centímetros por ano.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Ilustração gerada por IA de rato com pénis gigante é publicada em revista científica


Pesquisadores tiveram de retirar do ar um trabalho científico publicado na revista Frontiers in Cell Development and Biology na última semana. O motivo foi a presença de uma ilustração gerada por Inteligência Artificial (IA) de um rato com um pênis gigante.

Na imagem publicada no periódico científico, o membro parecia ter o dobro do tamanho do roedor. Os responsáveis pelo trabalho explicaram no conteúdo que o serviço de inteligência artifical MidJourney gerou algumas das imagens para a pesquisa.

Na última sexta-feira (16), os responsáveis pela revista até pediram desculpas pelo ocorrido. Contudo, chama a atenção o fato do artigo ter passado por todos os processos de revisão até ser publicado, como costuma acontecer em periódicos como esse.

A pesquisa publicada era sobre células-tronco e foi produzida por três cientistas da China. Um pesquisador da Índia editou o material, que ainda foi revisto por duas pessoas, dos Estados Unidos e da Índia. Porém, a ilustração grotesca não foi retirada.

Em nota publicada pela empresa de media Frontiers, os responsáveis pela revista explicaram que um dos revisores até levantou uma dúvida sobre a ilustração e até pediu que os autores verificassem o assunto, mas não tiveram resposta e o material foi publicado.

Vale citar que o regulamento da revista Frontiers in Cell Development and Biology não proíbe o uso de ferramentas baseadas em IA generativa, desde que os autores responsáveis deixem claro isso no projeto e verifiquem o que foi desenvolvido via software.

Mais Info: Vice

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Åland, o arquipélago sueco da Finlândia, é a fronteira mais absurda do planeta


Mesmo à entrada do Golfo de Bótnia , a meio caminho entre a Suécia e a Finlândia, existe um arquipélago que pertence a esta última mas onde apenas se fala a língua da primeira. Apesar de ter pouco mais de 30 mil habitantes, o território possui parlamento, bandeira, impostos e leis próprias, que se aplicam às mais de 6.700 ilhas que o compõem. Åland é um lugar muito peculiar dentro da ordem política europeia e internacional, e assim é devido à sua história e à sua geografia, que inclui a fronteira mais absurda do planeta. E também lá se vendia o champanhe mais caro (e mais antigo) do mundo.

Åland, que para sua informação se pronuncia algo como Ooland , foi conquistada pela Suécia no século XVI, e continuaria sendo território sueco (como toda a atual Finlândia) até 1808, quando, depois de perder diversas guerras com os russos, a Suécia assinou o Tratado de Frederikshamm , pelo qual a Finlândia foi cedida aos czares, e com ele também o arquipélago (que, se olharmos para um mapa, está a poucos passos de invadir Estocolmo). As coisas permaneceram assim até 1917, e aproveitando o facto de a Rússia estar envolvida num assunto pequeno , a Finlândia proclamou a sua independência , que foi rapidamente reconhecida tanto pela Rússia como pelo resto dos beligerantes na Primeira Guerra Mundial. E com isso, Åland também se tornou independente.

Aproximadamente um mês e meio após a independência, a Finlândia mergulhou numa guerra civil que deixou quarenta mil mortos. Åland foi ocupada pelos suecos e pelos alemães para evitar que a Rússia fizesse o mesmo e, após o fim da Primeira Guerra Mundial, em novembro de 1918, surgiu a questão sobre o que fazer com o arquipélago, povoado quase 100% por suecos, mas cedeu. para a Rússia, juntamente com a Finlândia, há cerca de um século. Os habitantes locais queriam regressar ao abraço protector de Estocolmo, mas o governo finlandês que venceu a guerra civil não estava à altura da tarefa. As tropas suecas instalaram-se unilateralmente nas ilhas como força de manutenção da paz durante a guerra civil, mas a verdade é que o governo sueco não estava muito interessado em iniciar uma guerra. Então as coisas finalmente chegaram à Liga das Nações , que não é uma competição de futebol, mas um organismo internacional antecessor direto da ONU. Lá, a Finlândia obteve uma vitória diplomática espetacular ao obter o apoio de boa parte dos países com peso na organização, e as Ilhas Åland foram declaradas definitivamente finlandesas. Em troca, Helsínquia teve de garantir a desmilitarização do arquipélago (para que a Suécia pudesse dormir em paz) e os direitos dos ilhéus de usarem a sua língua e cultura sem restrições. Assim foi assinada a Convenção de Åland , que ainda hoje está em vigor.

Artigo completo aqui

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Fim de Venenos em Nossos Campos! Peça para parar o Glifosato Agora


Nossa saúde depende da alimentação, e de como esse alimento é cultivado e de quantos venenos são utilizados e liberados no meio ambiente. O glifosato, cuja renovação a Itália também manifestou o seu apoio, é um herbicida utilizado intensamente em todo o mundo que causou poluição generalizada do solo e da água e, ao consumir alimentos contaminados com glifosato, introduzimo-lo nos nossos corpos: para o demonstrar, um francês estudo mostrou que 100% dos cidadãos franceses apresentam vestígios de glifosato na urina. A pesquisa foi realizada com mais de 6.800 pessoas com idade média de 53 anos, cujas amostras foram coletadas durante dois anos, entre 2018 e 2020. Apesar disso, o perigoso herbicida da Bayer-Monsanto corre o risco de ser autorizado na Europa por mais 10 anos. 
As crianças são as mais sensíveis à exposição a partir da idade fetal: o Fundo Francês de Indemnização às Vítimas de Pesticidas aceitou recentemente o pedido de uma grande indemnização de um rapaz de 16 anos, pois sofre de malformações congénitas da laringe e do esófago, devido ao fato de sua mãe ter ficado muito tempo exposta ao glifosato durante a gravidez. 
A Bayer terá de pagar US$ 175 milhões a um ex-dono de restaurante que sofre de linfoma de Hodgkin, aceitando a exposição contínua ao glifosato como causa. A exposição ao glifosato aumenta significativamente (+41%) o risco de contrair linfoma não-Hodgkin (Luoping Zhang et al. (2019). 'Exposure to Glyphosate-Based Herbicides and Risk for Non-Hodgkin Lymphoma: A Meta- Analysis and Supporting evidencence' 
O glifosato é usado em muitas culturas, e podemos introduzi-lo, com farinhas, massas, cerveja, mas também carnes, vegetais e frutas. Assinando para bloquear o glifosato é pensar na sua saúde, na dos seus filhos e no planeta. A exposição de hoje pode causar cancro em 10 anos, é importante proteger as crianças antes de tudo dessa longa exposição. Quando falamos de uma alimentação saudável não podemos ignorar estes aspectos importantes. Uma dieta saudável é aquela que nutre e é tão livre quanto possível de contaminantes tóxicos.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Fijus di Terra: 500 anos depois ainda se fala português no Senegal


A história dos fijus di terra remonta ao século XV, quando os portugueses chegaram à costa ocidental da África e estabeleceram relações comerciais e culturais com os povos locais. Os portugueses instalaram-se em vários pontos da região, como Cacheu, Bissau, Ziguinchor e Joal-Fadiouth, e misturaram-se com as mulheres africanas, dando origem a uma população mestiça que adotou o catolicismo e o português como língua.
Os fijus di terra eram os proprietários da terra, diferenciavam-se dos outros grupos étnicos pela língua crioula, pela religião católica e pelos hábitos e roupas europeias. Mantiveram-se fiéis a Portugal durante os períodos de disputa colonial entre franceses, ingleses e holandeses, e resistiram às tentativas de assimilação cultural por parte dos franceses, que dominaram o Senegal a partir do século XIX.
Em 1886, Portugal cedeu a Casamansa à França, mas os fijus di terra continuaram a preservar a sua identidade lusófona. Hoje em dia, eles representam uma minoria étnica no Senegal, mas são reconhecidos pelo governo como uma comunidade específica. Têm direito a ensinar e aprender o português nas escolas públicas, a ter representação política e a participar em atividades culturais e religiosas ligadas à lusofonia.

O crioulo de Casamansa
A língua dos fijus di terra é o crioulo de Casamansa, uma língua crioula de base portuguesa que tem influências do francês, do uolofe e de outras línguas africanas. O crioulo de Casamansa é falado principalmente na cidade de Ziguinchor, a capital regional da Casamansa, mas também noutras localidades como Oussouye, Carabane e Djembering.
O crioulo de Casamansa tem uma estrutura gramatical simples, mas um vocabulário rico e variado. Usa o alfabeto latino e tem uma ortografia própria. É usado pelos fijus di terra para se comunicarem entre si, mas também para se expressarem artisticamente. Há vários exemplos de música, literatura e cinema em crioulo de Casamansa, que mostram a vitalidade e a criatividade dessa língua.
O crioulo de Casamansa é considerado uma língua em perigo de extinção pela UNESCO, pois tem um número reduzido de falantes e enfrenta a concorrência do francês e do uolofe.
No entanto, há iniciativas para promover o seu ensino, a sua documentação e a sua valorização. Uma delas é o projeto Fidjus di Terra (Filhos da Terra), que visa preservar e divulgar a cultura lusófona dos fijus di terra através da educação, da comunicação e da arte.

Mapa de Casamansa (a vermelho)

Os desafios dos fijus di terra
Os fijus di terra são uma comunidade orgulhosa da sua origem e da sua língua, mas também enfrentam vários desafios no contexto atual do Senegal. Um deles é o conflito armado que afeta a Casamansa desde 1982, quando um movimento separatista reivindicou a independência da região. Este conflito gerou violência, deslocamentos e pobreza na zona sul do país, afetando diretamente os fijus di terra.
Outro desafio é a integração social e económica dos fijus di terra no Senegal, que é um país de maioria muçulmana e de língua oficial francesa.
Os fijus di terra são frequentemente vistos como estrangeiros ou minoritários, e sofrem discriminação e marginalização. Têm dificuldades para aceder a oportunidades de emprego, educação e saúde, e para participar plenamente na vida política e cívica do país.
Um terceiro desafio é a preservação da identidade e da língua dos fijus di terra, que estão ameaçadas pela globalização, pela urbanização e pela assimilação cultural.
Muitos fijus di terra emigram para outras regiões do Senegal ou para outros países, como a França, a Guiné-Bissau ou o Brasil, em busca de melhores condições de vida. Nesse processo, eles perdem o contato com as suas raízes e com o seu património lusófono.

sábado, 21 de outubro de 2023

Dendrocronologia

A dendrocronologia é um método científico de datação que determina a idade das árvores e investiga as variações climáticas ao longo do tempo com base nos anéis de crescimento encontrados no tronco das árvores.

 Este termo tem raízes no grego antigo. “Dendron” significa “árvore”, “khronos” refere-se a “tempo” e “logos” significa “conhecimento”. 

Esses anéis representam o crescimento anual da árvore e podem ser usados para entender as condições climáticas e ambientais passadas. Um anel mais fino pode realmente significar que a planta passou por um ano de seca ou frio extremo que limitou o seu crescimento. A Dendrocronologia é então usada no campo da climatologia para estudar o clima do passado e seus efeitos no meio ambiente (falamos de Dendroclimatologia). Dessa forma, é possível compreender as consequências das futuras mudanças climáticas no meio ambiente.

Essa técnica foi criada e aprimorada por A. E. Douglass, o fundador do Laboratório de Pesquisa de Anéis de Árvores da Universidade do Arizona.

A dendrocronologia encontra aplicações em arqueologia, história da arte e património. É usada em particular para identificar monumentos ou obras de arte (um retábulo, por exemplo) da madeira que foi usada no seu projeto. Para citar apenas um, o estudo dendrocronológico da estrutura da catedral de Notre-Dame de Paris permitiu-nos aprender mais sobre a história da construção do ilustre edifício.

sábado, 14 de outubro de 2023

Há 441 anos (1582) neste dia aconteceu… rigorosamente nada!


Nesse ano, os dias entre 5 e 14 de Outubro simplesmente não existiram, por força da adoção do calendário gregoriano.

O novo calendário foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582, por meio da bula “Inter Gravissimas”, substituindo o calendário juliano (estabelecido pelo imperador romano Júlio César em 46 a.C.).

O objetivo da mudança foi fazer regressar o equinócio da Primavera ao dia 21 de Março e corrigir o erro de 10 dias que já existia nessa época.

Oficialmente, o primeiro dia do novo calendário foi 15 de Outubro de 1582. Foram omitidos 10 dias do calendário juliano. A bula definia que o dia imediato à quinta-feira, 4 de Outubro, fosse sexta-feira, 15 de Outubro.

Aprovado pelo Papa Gregório XIII e adotado pelos turcos no estado católico, o calendário gregoriano foi imediatamente adotado na Espanha, Itália, Portugal e Polónia. Em França, Henrique III decreta o ajuste dos dias em dezembro desse mesmo ano de 1582. Já na Grã-Bretanha e nos países protestantes o mesmo só veio a ser adaptado já durante o século XVIII. Segundo o astrónomo Johannes Kepler: «preferiam estar em desacordo com o Sol a estar de acordo com o Papa». 

Nos países de tradição ortodoxa,  o calendário gregoriano só seria adaptado no inicio do século XX. Na Rússia, só após a “Revolução Outubro” de 1917, é que o mesmo foi adaptado.

Com a adaptação do calendário gregoriano, corrigia-se a mediação do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja mais 27 segundos do que um ano “trópico” ou “Solar”. O ano civil baseia-se no ano trópico, que tem uma duração de 165 dias, 5 horas e 48 minutos. Como o ano “trópico” não tem uma quantidade exata de dias, torna-se necessário introduzir correções periódicas e regulares no ano civil, para que este se mantenha sincronizado com as estações.

Os egípcios, aparentemente, faziam uso de um ano de 12 meses de 30 dias, posteriormente acrescentavam mais cinco dias no final do ano, perfazendo um total de 365 dias por ano.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Rare Super Blue Moon


Get ready for the rare Super Blue Moon on August 30, 2023, illuminating the sky with its remarkable brilliance.

A dazzling celestial event is set to grace the skies on August 30, 2023 – the Super Blue Moon, an extraordinary occurrence that promises to be the grandest and brightest Moon display of the year.

According to moon.nasa.gov, this phenomenon is an infrequent spectacle, offering a once-in-a-lifetime visual feast until its reappearance in 2037. The subsequent instances of the Super Blue Moon will emerge as a pair in January and March 2037.

Exploring the Supermoon Marvel: Shedding Light on the Phenomenon
The Supermoon is a remarkable phenomenon born from the intricate celestial dance between our Earth and its lunar companion.

As the moon orbits our planet in an elliptical trajectory, it crosses its nearest point to us, a location aptly termed 'Perigee'. The convergence of a full moon with this proximity results in what we call a Supermoon.

Untangling the Mystery of the Blue Moon
A 'Blue Moon' occurs when a full moon graces our skies twice within the span of a month.

This enigmatic phenomenon is witnessed every two to three years when a full moon emerges at the start of the month, only to be followed by another at the month's conclusion.

In essence, when two full moons grace our calendar within a single month, the celestial event earns the moniker of a Blue Moon.

This occurrence can be further classified into two categories: monthly and seasonal. The upcoming Blue Moon on August 31, 2023, falls under the monthly variety.

Decoding the Super Blue Moon: Realities and Misconceptions
The convergence of a full moon's double appearance within a single month, combined with its proximity to Earth's closest point (Perigee), births the awe-inspiring Super Blue Moon.

However, despite its name, the Super Blue Moon doesn't truly manifest in a blue hue. Occasionally, minute particles such as dust and smoke disperse the red wavelengths of light, leading to a deceptive blue appearance of the moon.

Unravelling the Enigma of Size and Brilliance
Contrary to misconceptions, the visual disparity in size during a Super Blue Moon is subtle. moon.nasa.gov explains that during its closest approach to Earth, the Supermoon appears approximately 14 percent larger than when it is at its farthest distance.

This size distinction mirrors the difference in dimensions between a quarter and a nickel. The moon's proximity during this phase in its orbit contributes to its heightened luminance, making it appear brighter than its usual radiance.

Mark Your Calendars: August 31, 6:07 AM IST
When the Super Blue Moon of 2023 reaches its peak luminosity, it will be 6:07 AM IST on August 31.

As the world anticipates the spectacular event, enthusiasts and sky gazers are primed for a celestial display that fuses scientific wonder with visual enchantment.