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sexta-feira, 6 de março de 2026

Cult of Dom Keller - This is how it feels to live your life dead


Melhor som aqui

As letras de Cult of Dom Keller, especialmente no álbum This Is How It Feels to Live Your Life Dead, são o reflexo perfeito do título: niilistas, existenciais e profundamente obscuras.

A banda não costuma escrever letras narrativas (com princípio, meio e fim); eles focam-se em criar mantras e imagens fragmentadas que reforçam a sensação de desespero e desorientação.

Temas Recorrentes
A Morte em vida: como o título sugere, as letras exploram a apatia, o vazio emocional e a sensação de estar "morto por dentro" enquanto o corpo continua a funcionar.

Decadência mental: há referências constantes a estados de psicose, alucinações e o colapso da sanidade.

Consumo e vício: metáforas sobre substâncias e a necessidade de escapar da realidade através do ruído ou da alteração da consciência.

O "Vazio" (The Void): o conceito de nada absoluto é uma constante, tanto nas letras como na própria estrutura sonora repetitiva.

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sábado, 20 de dezembro de 2025

Death in Rome - Christmas song



Christmas Song

in this darkest hour
a light shining still
in this quiet night
there’s still time to kill

the storm moves on
from darkened skies
but bide your time
soon we will rise

and the angels on the gallery
sing about the king
born behind
a discount store
by broken rubbish bins

oh divine amnesia
oh divine forgiveness
oh divine indifference
let them seize you

when the clouds have lifted
a stream from the past
will soothe your mind
and you’ll find peace at last

surrounded by fools
was no place to be
but now we’ve moved on
to a sublime destiny

we’re fighting demons
a struggle everyday
the poison has a grip
it steals our days away

But Saint Joseph, Saint Robert
Saint Nicolas, Saint Rita
Saint Benoit
Are by our side

and glory
to the highest
in the highest
heights

Even if I don’t feel him

and peace
to all
decent people

and truth
only to those
who deserve it

A “Christmas Song” dos Death in Rome pega numa canção de Natal clássica, associada a conforto, família e calor emocional, e transforma-a através da sua interpretação musical. A letra permanece praticamente intacta, mas o arranjo minimalista, frio e melancólico cria um contraste forte com o imaginário tradicional do Natal. É uma crítica subtil ao Natal comercial e automático Em vez de transmitir aconchego e alegria, a música soa distante e desencantada, fazendo com que aquelas imagens de lareira, crianças e votos de felicidade pareçam memórias gastas ou rituais repetidos sem convicção. O resultado é uma leitura irónica e nostálgica, onde o Natal surge menos como um momento de união genuína e mais como uma tradição automática, envolta em solidão e vazio emocional. Assim, a canção não rejeita o Natal em si, mas expõe a fragilidade do seu simbolismo quando separado da experiência humana real, mostrando como a música pode alterar profundamente o significado de uma letra aparentemente inocente.

domingo, 14 de dezembro de 2025

David Galas - Pillar Of Sorrow


“Pillar Of Sorrow” é um single lançado por David Galas como parte do seu álbum The Nihilist (lançado a 12 de dezembro de 2025).

“Pillar Of Sorrow” de David Galas é uma canção que, no seu significado geral, explora sentimentos profundos de isolamento, retirada e solidão, situando-se no centro de uma narrativa interior de afastamento emocional e pessimismo existencial. A faixa foi lançada como terceiro single do álbum The Nihilist, que tem uma estética marcada por temas fatalistas, apocalípticos e introspectivos, refletindo um espírito de dissolução gradual do eu no mundo e uma sensação de desaparecer nas sombras da própria vida. 

O título “Pillar Of Sorrow” pode ser lido como uma metáfora: em vez de um “pilar” que sustenta força ou esperança, trata-se de uma coluna de tristeza — um suporte simbólico firmado na dor emocional que molda ou define o eu-lírico. A letra e a atmosfera da música sugerem uma progressão em que o narrador sente que se afasta do que o rodeia, ficando cada vez mais imerso numa solidão inevitável, como se o mundo exterior perdesse significado e tudo acabasse por se reduzir a uma tristeza persistente e estruturante. 

Curiosamente, apesar deste tema melancólico no plano lírico, a composição musical contrasta com a escuridão da mensagem: a faixa apresenta-se mais acessível, com uma energia que remete para um som goth club e post-punk dançante, o que cria um efeito dual — um ritmo envolvente que caminha lado a lado com um conteúdo emocional pesado. Esse contraste reforça a ideia de que até sentimentos profundos de angústia e alienação podem “soar” intensamente na música, mesmo quando apresentados de forma vibrante ou física. 

No contexto mais amplo do álbum The Nihilist, “Pillar Of Sorrow” insere-se numa sequência de temas que abordam o pessimismo apocalíptico e a sensação de que as esperanças estão a desaparecer, quase como se a música fosse uma expressão artística de resignação perante um mundo que se desfaz — tanto internamente como externamente.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Drab Majesty - Long Division


“Long Division”, faixa do álbum Modern Mirror lançado em 2019, reflete a atmosfera etérea e melancólica característica do Drab Majesty, explorando temas de separação emocional e dualidade interna. O título alude à operação matemática de divisão longa, funcionando como metáfora para um afastamento que não ocorre de forma abrupta, mas lentamente, desgastando os laços entre duas pessoas ou fragmentando a própria identidade do sujeito. No contexto conceitual de Modern Mirror — um disco que aborda a dissolução das relações humanas à era digital e os reflexos distorcidos do eu — a canção aprofunda a sensação de alienação, sugerindo uma fratura inevitável, quase mecânica, entre o que se é e o que se deseja ser. Com a sua sonoridade hipnótica e ambiente dream-wave, “Long Division” traduz essa divisão emocional como um processo contínuo, frio e silencioso, que deixa o ouvinte num estado de contemplação sobre perda, distância e desintegração interior.

Todas as imagens foram retiradas do filme "The Breakfast Club" (1985), realizado por John Hughes.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

MDMC - Lovers



Lovers they come
And lovers they run
No matter what I do
I fuck it all up

Cracked armor of amour
Avid shadows breaking through
Splitting grim fates into two
Open hearts are easy to subdue

Lovers they come
And lovers they run
No matter what I do
I fuck it all up (I fuck it up)

No matter what I do (what I do, what I do)
I fuck it all up
I fuck it up
I fuck it up

Look out for my sparks that cause more
Detonated hearts for the guest stars
In my never-ending soap operas
Where love can visit but never stay
Who commits to a flame that quickly melts away (melts away)

I fuck it up
Every romance another hit and run
I fuck it up
Every mad fling another phantom spun
Stepping over a graveyard of unfinished good-byes
Haunted by bitter ghosts to relive my motherfuckin′ lies

Lovers they come (they come)
And lovers they run (they run)
No matter what I do (what I do)
I fuck it all up
(I fuck it all up)
I fuck it up

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Aldous Harding - Horizon


“Horizon”, de Aldous Harding (do álbum Party, 2017) , é geralmente interpretada como uma canção sobre o fim de uma relação e o momento difícil em que alguém decide pôr termo a algo importante. A letra transmite uma tensão calma, quase ritualística, como se a narradora estivesse a confrontar a outra pessoa com uma verdade inevitável. Quando Harding canta “I’m telling you it’s over”, sente-se uma mistura de firmeza e vulnerabilidade, típica da forma como ela aborda emoções profundas. A repetição de “Here is your princess / And here is the horizon” pode ser vista como a exposição honesta de quem ela realmente é, contrastada com o limite simbólico — o horizonte — que marca o futuro que já não será partilhado. O videoclipe reforça essa leitura, com Harding imóvel, expressiva e contida, transmitindo a luta interna entre dizer a verdade e lidar com as consequências. Como a artista evita explicar o significado das suas letras, a canção permanece aberta, funcionando menos como uma história concreta e mais como um momento emocional puro de despedida, clareza dolorosa e aceitação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Vídeos de animais selvagens criados por IA “geram confusão e ameaçam a sua conservação”, dizem cientistas


Por Filipe Pimentel Rações
Um grupo de animados coelhos a saltitarem num trampolim ou um gato destemido que protege uma criança da investida de um leopardo. Vídeos destes fazem as delícias dos internautas e proliferam nas redes sociais.

Há, contudo, um senão. O que é visto nas imagens nunca aconteceu. São fruto da manipulação por Inteligência Artificial. Embora possam parecer reais não o são.

Para muitos, estes vídeos podem parecer inofensivos: entretêm quem os vê e até se pode pensar que aproximam as pessoas dos animais selvagens, o que, teoricamente, seria positivo para a sua conservação. Mas uma equipa de biólogos, psicólogos e especialistas em educação da Universidade de Córdoba, em Espanha, diz que esses vídeos podem ter o efeito precisamente contrário.

Num artigo publicado a revista ‘Conservation Biology’, dizem ter analisado os vídeos mais partilhados nas redes sociais que mostram animais selvagens e que foram produzidos por Inteligência Artificial. E alertam que, no que toca às espécies selvagens visadas, “geram confusão e ameaçam a sua conservação”.

Uma das principais conclusões é que esses conteúdos criam perceções erradas sobre os animais selvagens, especialmente no que diz respeito ao seu comportamento e às interações entre espécies diferentes. No caso do gato que enfrentou o leopardo, os autores dizem, em comunicado, que é muito pouco provável que um desses grandes felídeos salte para o pátio de uma casa e que um gato doméstico se lance para enfrentá-lo.

Outros dos problemas associados à disseminação desses vídeos, que os cientistas consideram ser uma forma de desinformação, é a atribuição de características e comportamentos humanos a animais, o que pode criar ideias erradas sobre as próprias espécies não-humanas, e ainda o aumento do fosso existente entre as sociedades humanas e o mundo natural.

Esses vídeos “mostram características, comportamentos, habitats ou relações entre espécies que não são reais”, afirma, em nota, José Guerrero-Casado, primeiro autor do estudo.

“Por exemplo, vemos predadores e presas a brincarem. São-nos mostrados animais com comportamentos humanos que estão muito longe da realidade”, salienta, acrescentando que, sobre o vídeo do leopardo e do gato, que tem já mais de um milhão de ‘gostos’, “cria-se um clima negativo para a conservação de uma espécie como o leopardo, que nunca encontraríamos numa situação como esta”.

O investigador alerta que a exposição a este tipo de vídeos afasta ainda mais os mais jovens e as crianças do mundo natural e da vida selvagem e pode até criar sentimento de frustração nesses grupos etários, pois, com base no que veem online, podem acabar por perceber que os animais os vídeos não são os animais que eventualmente verão na Natureza.

Além disso, “espécies que são vulneráveis parecem mais abundantes com estes vídeos e isso é negativo para a conservação”, refere Rocío Serrano-Rodriguez, principal coautora do artigo.

Esses efeitos são agravados pelo facto de a imagem ser um dos principais meios de aprendizagem na infância e de as camadas mais jovens da sociedade estarem cada vez mais cedo expostas ao que se passa nas redes sociais.

Como se não bastasse, estes conteúdos podem fazer aumentar o apetite pela aquisição de animais selvagens exóticos como animais de estimação, podendo pôr em risco a sobrevivência de populações e até de espécies inteiras.

Face a tudo isto, os investigadores defendem a implementação de estratégias de literacia digital que deem às pessoas as ferramentas de que precisam para questionar os conteúdos que veem online, para procurarem as fontes fidedignas. E isso deve ser transversal a todas as faixas etárias, dos mais pequenos aos mais velhos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Estudo: percepção e preocupação global da crise climática

Fica surpreendido com a nova investigação do Forest Stewardship Council (FSC) que mostra uma diminuição do número de pessoas que dizem ter medo das alterações climáticas, mesmo com o aumento da gravidade e da frequência dos desastres causados ​​pelo clima? Eu não.

Grande parte do que está a impulsionar isto é a tempestade perfeita de desinformação, polarização e manipulação que enfrentamos hoje. À medida que a transição para a energia limpa se acelera, os interesses particulares intensificam a disseminação de mentiras e medo para a atrasar e, como resultado, a desinformação sobre as soluções climáticas alastra. Leia mais sobre este assunto no Yale Environment 360 aqui.
Ao mesmo tempo, os algoritmos das redes sociais — muitos dos quais são agora optimizados deliberadamente para amplificar a indignação e a desinformação — estão a reduzir activamente o peso da informação factual, a dar força aos trolls, sobrecarregados por bots, e a fragmentar o nosso sentido de realidade partilhada. Ver a sua análise aqui 
Não é de admirar que as pessoas se sintam exaustas e confusas sobre o que é verdade, o que importa ou o que podem fazer.

Mas há mais do que isso. Observei esta mesma tendência decrescente no Canadá após a nossa devastadora e recorde época de incêndios florestais de 2023 e tenho vindo a aprofundar o assunto desde então. Descobri que, quando o medo não é acompanhado por um sentido de eficácia — a crença de que o que fazemos é importante —, os nossos mecanismos de defesa entram em acção. Desligamo-nos, ou até mesmo zombamos daquilo que nos assusta.

"Não há nada que eu possa fazer quanto a isso, então porque é que me deveria importar?"

Isto não é apatia. É a dissociação — uma forma de autoproteção. Mas quando se espalha, torna-nos ainda mais vulneráveis ​​ao que já mencionei: a crescente onda de desinformação, polarização e manipulação algorítmica, deliberadamente concebida para amplificar a confusão e atrasar a transição para a energia limpa.
Então, qual é o antídoto? 
(1) as outras pessoas se preocupam e
(2) as nossas ações importam: há esperança.

Penso nisto como ligar a nossa mente – o que sabemos – ao nosso coração – porque nos preocupamos, como as alterações climáticas afetam as pessoas, os lugares e as coisas que amamos – às nossas mãos, o que podemos fazer. Porque quando sentimos que podemos fazer a diferença, voltamos a envolver-nos.

Leia o estudo aqui.
Saiba mais sobre o conceito cabeça-coração-mãos aqui:

E diga-me nos comentários: identifica-se com isso? Por quê?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Daughter - Swim Back


If you’re so cold
Refrigerate me
We’ll talk at lightning speed
The kitchen sink
Is in our heads
Don’t ask me why
We're separate
I’ll never tell you anything

I have you in the pictures
I’ve held you in the plan
I’d just need to erase distance
Find a hole in the ocean
Swim backwards

The wait is brutal
Just disintegrates
We talk in riddles
Then give up and go
We are so vague
Don’t ask me why we’re separate
I’ll never tell you anything (real)

I have you in the pictures
I’ve held you in the plan
I’d just need to erase distance
Find a hole in the ocean
Swim backwards

Forget the hurt
For somewhere else
Don’t leave behind myself

Pictures
Plan
Distance
Swim back

Forget the hurt
For somewhere else
Don’t leave behind myself

I have you in the pictures
I’ve held you in the plan
I’d just need to erase distance
Find a hole in the ocean
Swim back

I’d just need to erase distance
Find a hole in the ocean
Swim backwards


"Swim Back” é um tema do álbum "Stereo Mind Game" (2023), e como muitas músicas da banda, explora emoções profundas ligadas à conexão, distância e desejo de proximidade. 

A música explora a complexidade das relações à distância e a luta emocional que elas impõem. A letra começa com uma metáfora intrigante: 'If you’re so cold, refrigerate me', sugerindo um desejo de se adaptar ao estado emocional do outro, mesmo que isso signifique se tornar frio e distante. A expressão 'The kitchen sink is in our heads' pode ser interpretada como uma referência ao caos mental e emocional que ambos os indivíduos estão enfrentando, uma confusão de pensamentos e sentimentos que é difícil de organizar ou entender.

A repetição de 'I have you in the pictures, I’ve held you in the plan' destaca a presença constante da pessoa amada em memórias e planos futuros, mas também sublinha a frustração de não poder estar fisicamente junto. A ideia de 'erase distance' e 'find a hole in the ocean, swim backwards' é uma metáfora poderosa para o desejo de superar a distância física e emocional, revertendo o tempo e as circunstâncias que os separam. A imagem de nadar para trás no oceano sugere um esforço quase impossível, mas ainda assim, um esforço que vale a pena tentar.

A música também aborda a comunicação falha e a sensação de desintegração emocional: 'We talk in riddles, then give up and go'. Isso reflete a dificuldade de se conectar verdadeiramente quando há uma barreira física e emocional. A repetição de 'Forget the hurt for somewhere else, don’t leave behind myself' sugere um desejo de deixar a dor para trás, mas sem perder a própria identidade no processo. A música, em sua essência, é uma meditação sobre a luta para manter uma conexão significativa em meio a desafios aparentemente intransponíveis, e a esperança persistente de que o amor pode superar qualquer obstáculo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: Lou Reed- Satellite of Love


Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I like to watch things on TV
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of
Satellite's gone way up to Mars
Soon it'll be filled with parkin' cars
I watched it for a little while
I love to watch things on TV
I've been told that you've been bold
With Harry, Mark and John
Monday and Tuesday, Wednesday through Thursday
With Harry, Mark and John
Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV

sábado, 16 de julho de 2005

Jamiroquai - Corner of the Earth


Little darlin' don't you see the sun is shining
Just for you, only today
If you hurry you can get a ray on you, come with me, just to play
Like every humming bird and bumblebee
Every sunflower, cloud and every tree
I feel so much a part of this
Nature's got me high and it's beautiful
I'm with this deep eternal universe
From death until rebirth

This corner of the earth is like me in many ways
I can sit for hours here and watch the emerald feathers play
On the face of it I'm blessed
When the sunlight comes for free
I know this corner of the earth it smiles at me
So inspired of that there's nothing left to do or say
Think I'll dream, 'til the stars shine

The wind it whispers and the clouds don't seem to care
And I know inside, that it's all mine
It's the chorus of the breakin' dawn
The mist that comes before the sun is born
To a hazy afternoon in May
Nature's got me high and it's so beautiful
I'm with this deep eternal universe from death until rebirth

You know that this corner of the earth is like me in many ways
I can sit for hours here and watch the emerald feathers play
On the face of it I'm blessed
When the sunlight comes for free
I know this corner of the earth it smiles at me

This corner of the earth, is like me in many ways
I can sit for hours here and watch the emerald feathers play
On the face of it I'm blessed
When the sunlight comes for free
I know this corner of the earth it smiles at me

“Corner of the Earth”, do Jamiroquai, é uma canção que combina espiritualidade, contemplação ecológica e um forte sentimento de busca por harmonia pessoal. No centro da música está a ideia de que, apesar da confusão, violência e artificialidade do mundo moderno, ainda existem pequenos refúgios onde a beleza natural e a paz interior podem ser reencontradas. Jay Kay canta como alguém que observa o planeta com ternura e preocupação, reconhecendo que “há muito que o homem destruiu”, mas também reafirmando que a natureza continua a oferecer um espaço de cura — um “canto da Terra” onde podemos reconectar-nos com algo essencial.

A letra reflete uma espécie de ecologia emocional: a paisagem natural não é apenas cenário, mas uma força que orienta o espírito, um lugar onde as tensões humanas parecem desaparecer. Há um contraste claro entre o caos social (“many wars have begun”) e a simplicidade de encontrar serenidade ao observar o céu, as árvores ou o movimento do vento. A música sugere que essa reconexão não é escapismo, mas sim um gesto de resistência interior: preservar um pedaço de serenidade dentro de si mesmo é uma forma de enfrentar um mundo que muitas vezes parece desordenado.

Musicalmente, a faixa reforça esse clima contemplativo com arranjos suaves, melódicos e orgânicos, distantes do groove mais dançante típico de Jamiroquai. É um som que dá espaço para respirar, encaixando-se perfeitamente com o tema da canção — quase como uma paisagem sonora que convida o ouvinte a diminuir o ritmo e observar o mundo com mais sensibilidade.

No conjunto, “Corner of the Earth” é uma reflexão poética sobre encontrar paz e propósito num planeta em turbulência, celebrando a natureza como um dos últimos lugares onde ainda é possível sentir verdadeiramente que pertencemos a algo maior.