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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas: primeira celebração em Portugal acontece no Algarve no dia 1 de agosto


No próximo sábado, dia 1 de agosto, assinala-se mais um Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas, e Portugal junta-se à celebração pela primeira vez.

Criada em 2021 por organizações da África do Sul, desde então transformou-se num movimento global, apoiado pela Década do Oceano das Nações Unidas. O grande objetivo é sensibilizar para a importância das áreas marinhas protegidas na conservação dos oceanos, no desenvolvimento sustentável e no bem-estar das comunidades humanas.

Em Portugal, as celebrações serão realizadas de forma descentralizada em Albufeira, Lagoa e Silves, os três municípios abrangidos pelo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a primeira área marinha protegida a ser criada em Portugal no século XXI e também a primeira de interesse comunitário. Abrangendo cerca de 156 quilómetros quadrados, protege um dos mais importantes recifes rochosos costeiros do Algarve, reconhecido pela sua elevada biodiversidade e pela relevância ecológica, social e económica que representa para a região.

O Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado foi criado em 2024

A organização regional fica a cargo da AIMM – Associação para a Investigação do Meio Marinho, com o apoio da Fundação Oceano Azul. Entre os parceiros contam-se também o CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves e a Marina de Albufeira. Em comunicado, a AIMM diz que a iniciativa conta ainda com a adesão de várias empresas marítimo-turísticas da região.

“A celebração assume especial relevância a nível nacional e internacional por assinalar a primeira participação de Portugal nesta iniciativa internacional dedicada à valorização e divulgação das áreas marinhas protegidas”, diz a organização coordenadora.

Ao longo do dia 1 de agosto, serão promovidas várias ações destinadas a divulgar o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a sua biodiversidade e a importância da sua conservação.

Em Albufeira, a AIMM, juntamente com outros parceiros, estará presente na inauguração da exposição “Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado”, marcada para as 11h00, no Espaço Expositivo P5, na baixa de Albufeira. A inauguração contará com uma breve apresentação da AIMM sobre o Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas e a importância desta área.

Das 1294 espécies de fauna e flora reportadas na costa algarvia, 889 foram identificadas na Pedra do Valado. 703 são invertebrados, 75 são espécies de algas, e 111 são peixes, incluindo espécies com estatuto de conservação, como os cavalos-marinhos e os meros. 

Em Silves, a AIMM, em colaboração com o CCMAR e a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, irá promover, na Praia dos Pescadores, em Armação de Pêra, um peddy-paper com jogos e dinâmicas relacionados com o Parque. Está também prevista uma demonstração, por parte dos pescadores locais, das artes de pesca tradicionalmente utilizadas na região. As atividades decorrerão entre as 9h30 e as 11h00.

Por fim, em Lagoa, a AIMM estará presente na Praia de Benagil, onde investigadores da organização irão colaborar, ao longo do dia, nos briefings dirigidos aos visitantes das grutas de Benagil que realizem a visita de caiaque.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Mundial dos Oceanos alerta para importância das áreas marinhas protegidas


O Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra hoje, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”.

Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países.

Este ano, a efeméride tem como tema “Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul”.

“Podemos acelerar o progresso e ajudar a criar uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas que restaure ecossistemas, construa resiliência e inspire esperança para o futuro”, lê-se na mensagem que assinala a data.

Segundo o portal do Dia Mundial dos Oceanos, a criação de AMP “rigorosamente regulamentadas” será “essencial para transformar os compromissos globais em resultados reais de conservação” e alcançar a meta de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Atualmente, à escala global, menos de 17% da área terrestre e apenas 8% dos oceanos estão protegidos.

Em outubro, Portugal previa antecipar para 2026 a meta de 30% de AMP, com a criação Reserva Natural Marinha D. Carlos, que cobre 173.000 quilómetros quadrados, abrangendo uma vasta cadeia de montes submarinos e planícies abissais entre Sagres e o Arquipélago da Madeira.

“Todas as nações dependem de oceanos saudáveis [para garantir] a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar humano. A proteção dos oceanos, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade partilhada”, acrescenta a mensagem do Dia Mundial dos Oceanos 2026.

Em janeiro entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que estabelece o enquadramento legal para a designação de AMP em águas internacionais.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Ilhéu na Indonésia luta contra gigante suíço do cimento

Quatro residentes da pequena ilha indonésia de Pulau Pari prometeram lutar contra uma das indústrias mais prejudiciais para o clima: o cimento. A sua luta tem feito manchetes em todo o mundo. Nesta reportagem, falámos com eles na sua ilha natal ameaçada.

A partir de Jacarta, é preciso uma hora de barco e depois uma caminhada de cinco minutos para chegar à modesta casa de hóspedes no centro de Pulau Pari, uma pequena ilha cujo nome se tornou conhecido em todo o mundo.

Uma vez chegados, o olhar do visitante é imediatamente atraído por numerosos cartazes que apelam a "salvar a ilha".

De pé, junto ao fogão, a fritar bananas, está Ibu Asmania, gerente da casa de hóspedes. É também ela que está por detrás da primeira queixa climática apresentada na Suíça contra o fabricante de cimento Holcim.

Nesta manhã de quarta-feira de outubro, o terraço da pensão está cheio de gente. Um jornalista e um operador de câmara de um canal de televisão indonésio e dois representantes de uma ONG local também fizeram a viagem. "Viemos para contar a mesma história", diz entusiasmado o jovem jornalista.

O terraço da casa de hóspedes de Ibu Asmania está sempre ocupado, servindo de ponto de encontro para os residentes empenhados na justiça climática

A presença dos meios de comunicação social - incluindo do estrangeiro - já não surpreende ninguém nesta ilha paradisíaca de 1.500 habitantes. O processo que opõe quatro membros desta comunidade ao gigante do cimento Holcim, com sede em Zug, é histórico. Poderá abrir caminho a processos semelhantes na Suíça e noutros países.

Pulau Pari, que fica a cerca de 40 quilómetros a noroeste da capital indonésia, está na linha da frente do aquecimento global, tal como muitas pequenas ilhas em todo o mundo. A população sofre diariamente com o impacto negativo da subida do nível do mar, da degradação do ecossistema marinho e de condições meteorológicas cada vez mais imprevisíveis.

No entanto, os habitantes da ilha, que vivem principalmente da pesca e do turismo, contribuíram muito pouco para as emissões de gases com efeito de estufa responsáveis por estas alterações.

"As alterações climáticas estão a afetar-nos gravemente", diz Asmania. "Mas nós sempre cuidámos da nossa ilha. Estamos a sofrer as consequências das emissões de gases com efeito de estufa de multinacionais como a Holcim. É injusto."

Foi por isso que ela e três outros residentes decidiram deslocar-se à Suíça para intentar uma ação civil contra a Holcim, que consideram corresponsável pela crise climática. Exigem que o fabricante de cimento os indemnize pelos danos sofridos e contribua para medidas de proteção, num total de 14.700 francos suíços (18.200 dólares). Pedem igualmente à empresa que reduza as suas emissões de dióxido de carbono.

Depois de terminado o pequeno-almoço, Asmania, 42 anos, leva-nos para a sua sala de estar, onde apenas o zumbido de um ar condicionado quebra a calma. Na estante, há fotografias emolduradas da sua visita à Suíça, que a mostram em frente ao edifício do Parlamento Federal, em Berna, com vários deputados que apoiam a sua luta.

Um mês após o seu regresso, esta mãe de três filhos não esconde a sua preocupação enquanto "espera impacientemente" por notícias do tribunal de Zug.

Ao contrário dos outros queixosos, Asmania não cresceu em Pulau Pari, mas na cidade de Bekasi, a leste de Jacarta. Isso não a impede de lamentar o facto de o local ter mudado muito nos últimos anos. "Quando vim para cá, era uma ilha de pescadores", diz. Mudou-se para cá com o marido, Tono, com quem casou em 2005.

Na altura, Pulau Pari era conhecida pela sua cultura de algas marinhas, que eram exportadas internacionalmente e constituíam uma importante fonte de rendimento para a população. Depois de transformadas, estas algas eram utilizadas na indústria alimentar e farmacêutica.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Expedição encontrou mais de 40 espécies novas no Recife do Algarve



Os primeiros resultados foram anunciados em 14 de Outubro pelos organizadores da expedição realizada no início de outubro, tendo como alvo o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado.

No total, foram identificadas 206 espécies marinhas, incluindo mais de 40 novos registos para esta área protegida, revela uma nota de imprensa divulgada pela Fundação Oceano Azul, pelo Oceanário de Lisboa e pelo CCMAR – Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve, ligados à organização desta iniciativa.

“Estes resultados reforçam o conhecimento científico essencial para apoiar o desenvolvimento dos instrumentos de gestão pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e para garantir a consolidação e proteção efetiva desta Área Marinha Protegida”, afirmam as três entidades.

A expedição científica aconteceu entre 2 e 7 de outubro. “Os dados continuam em análise, mas os primeiros resultados confirmam a riqueza e valor deste ecossistema”, afirma a organização. No total, foram registadas 206 espécies diferentes, incluindo 137 invertebrados, 41 peixes, 13 algas, 12 aves marinhas e três cetáceos.

Criado em janeiro de 2024, o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado é a primeira Área Marinha Protegida de Interesse Comunitário em Portugal Continental. “Resulta de um processo participativo pioneiro que reuniu pescadores, cientistas, autarquias e cidadãos em torno de um objetivo comum: proteger o oceano.” Em causa está uma área com 156 quilómetros quadrados – que inclui a área entre o Farol de Alfanzina, limite oeste, e a marina de Albufeira, nos municípios de Albufeira, Lagoa e Silves.

A Pedra do Valado é considerada um hotspot de biodiversidade marinha com 1059 espécies marinhas registadas, incluindo 754 invertebrados, 152 peixes vertebrados, 61 aves marinhas, 2 tartarugas marinhas, 7 espécies de cetáceos e 82 espécies de macroalgas. Naquela área marinha foram identificadas 18 espécies ameaçadas, entre as quais os cavalos-marinhos (Hippocampus spp.) e o mero (Epinephelus marginatus).

Um dos destaques da expedição foi o banco de rodólitos (algas calcárias) desta área protegida, que é “o único conhecido em Portugal continental”. “Trata-se de um habitat de elevada importância ecológica, essencial para a retenção de carbono e equilíbrio do oceano”, acrescenta a equipa, que concluiu que este “banco se mantém saudável e funcional, apesar da sua vulnerabilidade às alterações climáticas, que podem afectar a capacidade de calcificação das algas”. Mesmo após a morte dos organismos, explicam, “o carbono permanece armazenado, reforçando o papel duradouro deste habitat na mitigação das alterações climáticas.”

No entanto, os trabalhos científicos revelaram também o desaparecimento das pradarias marinhas anteriormente identificadas nesta zona, “um sinal preocupante que poderá estar associado à proliferação da alga invasora asiática Rugulopterix okamurae”.

Quanto aos jardins de gorgónias apresentaram bom estado ecológico, com o registo de novas espécies de profundidade e de corais duros pela primeira vez nesta área.

sábado, 20 de setembro de 2025

Florestas Marinhas no Norte de Portugal: Aliadas na Luta Contra as Alterações Climáticas


Um estudo pioneiro liderado por investigadores do CIIMAR e do Centro de Ciências Marinhas e Ambientais (MARE) identifica as florestas de algas marinhas da costa norte de Portugal como aliadas estratégicas na captura e armazenamento de carbono.

O novo estudo publicado na prestigiada revista Scientific Reports revela que as florestas de kelp desempenham um papel crucial na captura e armazenamento de carbono, oferecendo uma poderosa ferramenta natural para mitigar os efeitos das alterações climáticas. Este trabalho centrou-se no estudo das florestas marinhas da costa norte de Portugal, em particular das espécies Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides, as duas espécies predominantes nesta zona do país.

A investigação, liderada pelos investigadores Francisco Arenas do CIIMAR e João Franco do MARE, com o contributo de uma equipa de investigadores de ambos os centros, foi financiada pelo programa BlueGrowth do EAA Grants e teve como objetivo quantificar pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal.

As Florestas Marinhas do Norte de Portugal
As florestas de kelp são habitats formados por algas castanhas de grande porte que desempenham um papel crucial na manutenção da biodiversidade e da produtividade marinha local. “Estes habitats são comuns na costa norte de Portugal, onde existem condições únicas para o seu desenvolvimento, e representam a fronteira mais a sul para algumas das espécies aqui encontradas”, explica Francisco Arenas, líder da investigação. No entanto, estes habitats são altamente vulneráveis ​​às alterações climáticas. “Já foi detectado um processo de tropicalização nas águas portuguesas, que coloca em risco a biodiversidade associada, bem como os serviços ecológicos que estas florestas prestam, incluindo a capacidade de capturar e armazenar carbono, conhecido como Carbono Azul, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas”, acrescenta.

Resultados impressionantes
O estudo em causa quantificou pela primeira vez o stock de carbono armazenado por estes habitats no norte de Portugal através de medições de campo, incluindo a extensão, biomassa, crescimento e teor de carbono. “Foi a primeira avaliação do valor do carbono azul associado às florestas de kelp em Portugal”, afirma o líder do estudo e investigador do CIIMAR.

Os resultados agora publicados no artigo Potential blue carbon in the fringe of Southern European Kelp forestsmostram que estas florestas armazenam cerca de 16,48 gigagramas (Gg) de carbono numa área de 5.100 hectares, o equivalente a mais de 5.000 campos de futebol. Embora ocupem uma área relativamente pequena em comparação com o tamanho do planeta, estas florestas de algas marinhas demonstram uma eficiência de captura de carbono por metro quadrado comparável ou superior à de habitats mais extensos. Este valor corresponde a 14% do carbono azul inventariado até ao momento para Portugal, cujas estimativas anteriores se limitavam a sapais e tapetes de ervas marinhas.

Principais aliados no Carbono Azul
Graças à sua elevada produtividade, estima-se que estes habitats sejam capazes de sequestrar e exportar cerca de um terço do carbono capturado anualmente por todos os habitats de plantas marinhas do país. Esta taxa excecional de sequestro de carbono realça o papel essencial, e até agora amplamente subvalorizado, das florestas de algas marinhas na mitigação das alterações climáticas.

Segundo Francisco Arenas, estas florestas marinhas são “frequentemente desconhecidas e subvalorizadas, apesar do seu valor ecológico e económico extremamente importante na costa norte de Portugal”. Estes habitats são fundamentais tanto pela sua capacidade de mitigar as alterações climáticas como como promotores da biodiversidade local, proporcionando abrigo, alimento e áreas de reprodução para inúmeras espécies marinhas.

O estudo recomenda ainda políticas específicas para a monitorização, conservação e, eventualmente, restauração destas áreas, reforçando a sua importância não só como sumidouros de carbono, mas também como habitats vitais para a saúde dos oceanos. À luz da actual crise climática, os cientistas defendem que a inclusão das florestas de kelp nas políticas de conservação marinha e de carbono azul deve ser uma prioridade, tanto a nível nacional como global. “Com a Lei de Restauração da Natureza da União Europeia em fase inicial de implementação, é urgente desenvolver e implementar técnicas eficazes de restauração ecológica, particularmente em habitats altamente vulneráveis, mas também com elevado potencial para a prestação de serviços ecossistémicos, como as florestas marinhas”, conclui Francisco Arenas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Superpoder das algas marinhas e novas possibilidades de armazenamento


As ervas marinhas têm um superpoder oculto. Por mais insignificante que a planta possa parecer, tem diversas propriedades positivas. Assim, contribui significativamente para a biodiversidade e oferece um habitat protegido para animais como peixes, moluscos e camarões. Com os seus caules e raízes, as ervas marinhas também consolidam a areia e os sedimentos, protegendo assim as costas contra a erosão. Além disso, as ervas marinhas absorvem CO2 do mar e armazenam o seu carbono, o que contribui para a proteção climática.
“Queremos que as ervas marinhas voltem a espalhar-se de forma permanente, sem a nossa ajuda”, afirma Maike Paul, da Universidade de Hanôver, coordenadora do projeto SeaStore. No sul do Mar Báltico, ela e a sua equipa trabalham nas bases científicas para uma renaturalização em grande escala. Em três locais, já reintroduziram as ervas marinhas e analisaram o seu crescimento para garantir o sucesso a longo prazo. Ao mesmo tempo, a equipa de investigação sensibiliza a população costeira e os turistas para a proteção destas plantas. Além disso, vários voluntários apoiam os investigadores, mergulhando também no Mar Báltico e ajudando a plantar novas ervas marinhas.

Desviar chuvas fortes e torná-las utilizáveis
Da proteção contra cheias à prevenção de secas: o projeto de investigação Smart-SWS, iniciado pela Universidade Técnica de Munique e no qual também participa a Universidade Técnica de Deggendorf, no Danúbio, aborda uma gama notável de temas. Em 2013, após dias de chuvas intensas, o rio transbordou, causando grandes danos com as massas de água. A Smart-SWS pretende evitar tais eventos e, ao mesmo tempo, melhorar o abastecimento de águas subterrâneas.
No final de 2024, uma instalação-piloto entrou em funcionamento na localidade de Hüll, na Alta Baviera: esta recolhe a água da chuva forte da superfície, trata-a e disponibiliza-a para o abastecimento de águas subterrâneas. Com o novo sistema, a água acumulada pode escoar muito mais rapidamente do que em circunstâncias normais e ser armazenada por mais tempo no local. Lea Augustin, colaboradora da Smart-SWS, explicou: “Uma grande vantagem é que o sistema pode ser usado em muitos locais e regiões da Alemanha com base nos resultados das nossas análises de adequação.” E provavelmente também mais além: recentemente, a equipa apresentou a instalação-piloto num simpósio em Stellenbosch, na África do Sul.

sábado, 13 de setembro de 2025

Financiamento para conservação da biodiversidade está a esquecer espécies menos visíveis e mais ameaçadas



A maioria do financiamento, a nível global, de projetos para a conservação de espécies selvagens tem como foco espécies maiores e mais emblemáticas, como aves e grandes mamíferos, e a deixar de lado espécies menos visíveis e mais ameaçadas, como anfíbios e algas.

De acordo com investigadores das universidades de Hong Kong (China) e de Florença (Itália), com base na análise do financiamento de mais de 14 mil projetos de conservação em todo o mundo entre 1992 e 2016, parece existir um “viés taxonómico substancial” a favor de certas espécies ou grupos, alguns deles nem ameaçados de extinção.

Num artigo publicado esta semana na ‘PNAS’, os cientistas estimam que, no total, foram investidos cerca de 1,9 mil milhões de dólares nesses projetos, a maioria para a conservação de vertebrados. Dentro desse grupo, as aves e os mamíferos são os mais apoiados.

Depois de identificarem as espécies-alvo de cada projeto, os autores compararam os estatutos de ameaça de cada uma delas, com base na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, e a quantidade de financiamento recebido para a sua conservação.

“Quase 94% das espécies identificadas como ameaçadas, e, por isso, em risco direto de extinção, não receberam qualquer apoio”, lamenta Benoit Guénard, primeiro autor do artigo, citado em comunicado. Os investigadores acreditam que a preferência das entidades financiadoras (governos, empresas, instituições internacionais) por espécies mais vistosas e carismáticas não permite uma “efetiva conservação da biodiversidade”.

“Proteger esta maioria negligenciada, que desempenha uma miríade de papéis nos ecossistemas e representa estratégias evolutivas únicas”, sustenta Guénard, “é fundamental se o nosso objetivo comum for a preservação da biodiversidade”.

No artigo, os autores escrevem que vários grupos altamente ameaçados, como os anfíbios, recebem pouco apoio financeiro para a sua conservação, e há cada vez menos dinheiro a ser investido na sua conservação.

Os grupos que recebem mais financiamento são, de longe, as aves e os mamíferos, seguidos pelos peixes e pelas plantas terrestres. No fim da lista, surgem os anfíbios e os invertebrados, e, a uma distância enorme de todos os outros, surgem as algas e os fungos.

Financiamento, à escala global, de projetos de conservação de espécies selvagens entre 1992 e 2016 (valores em milhões de dólares). A barra verde representa projetos com apenas uma espécie-alvo, a barra amarela representa projetos com mais do que uma espécie-alvo.
Fonte: Universidade de Hong Kong

Os cientistas dizem que a falta de financiamento para os grupos com maior biodiversidade limita o que se pode fazer para protegê-los, incluindo a atualização do conhecimento existente.

“Alguns dos grupos com os níveis mais altos de extinção, como caracóis de água doce, têm as avaliações mais desatualizadas de todas”, aponta Alice Hughes, outra das principais autoras.

Além disso, mais de metade os projetos e do financiamento foram direcionados para a proteção de apenas uma espécie, “em vez de se focarem em múltiplas criaturas”, argumentam os investigadores.

“Os governos, em particular aqueles que representam as principais fontes de financiamento [de projetos de conservação], têm de seguir uma abordagem mais rigorosa e orientada pela Ciência no que toca ao financiamento da conservação”, defende Guénard.

“É também urgentemente necessária uma maior cooperação global para estudar e proteger grupos ricos em espécies, e partilhar informação sobre investimentos em conservação”, apela o investigador da Universidade de Hong Kong.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Esta espécie de caranguejo pode ser um aliado de peso na sobrevivência dos corais


Um caranguejo Cyclodius ungulatus escondido entre os braços de um coral, na Grande Barreira de Coral, na Austrália.

O branqueamento dos recifes de coral é uma das evidências mais marcantes e visualmente impactantes dos efeitos das alterações climáticas. À medida que a temperatura do planeta aumenta, os mares e oceanos também se tornam mais quentes.

Os recifes de coral, habitats de uma enorme diversidade de vida que rivaliza quase com a que é encontrada nas florestas tropicais em terra, são formados por relações íntimas e interdependentes entre os pólipos coralinos e microalgas que dão cor às estruturas calcárias que formam os recifes. Quando a temperatura é demasiado alta, os corais expulsam as algas e tornam-se brancos, dando-se o branqueamento. Se as condições voltarem rapidamente ao normal, os corais podem voltar a aceitar as algas e sobreviver. Caso contrário, acabarão por morrer.

“As espécies basilares, como os corais, criam a base de um ecossistema”, aponta, em comunicado, Julianna Renzi, da Duke University. “Eles criam estruturas que outras espécies usam como abrigo, modificam o ambiente local e fornecem alimento para outros organismos”, explica.

Num planeta em drásticas mudanças, com os corais a serem só uma de um sem-número de espécies não-humanas que estão a sofrer duramente com os impactos de séculos de poluição e destruição ambiental e ecológica pelas mãos dos humanos, a investigadora e colegas publicaram um artigo na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’ no qual revelam que uma espécie de caranguejo, o australiano Cyclodius ungulatus, pode ajudar a atenuar a pressão sentida pelos corais.

Através de experiências em tanques realizadas em plena Grande Barreira de Coral, na Austrália, os investigadores analisaram as respostas de corais da espécie Acropora aspera a vários fatores de stress. Em alguns tanques, amostras de coral foram sujeitas a ferimentos físicos, outras à presença de algas nocivas ou a temperaturas mais elevadas da água, e noutros colocaram os caranguejos C. ungulatus para perceber que efeitos teriam na saúde dos corais.

Ao longo de um mês, os investigadores foram registando a evolução dos corais, especialmente a perda de tecido, uma resposta típica quando as condições ambientais não são as ideais. E perceberam que a presença das algas e águas mais quentes resultavam em grandes perdas de tecido. No entanto, notaram que nos tanques com caranguejos as perdas de tecido eram muito menores, especialmente em corais com ferimentos.

Em contexto natural, os corais são predados por peixes que se alimentam das suas algas e dos pólipos, criando feridas, que, por sua vez, podem fragilizar o coral e reduzir a sua capacidade para lidar com outros fatores de stress, como o aumento da temperatura.

Nos recifes, os caranguejos C.ungulatus foram observados a evitar o tecido vivo dos corais e alimentar-se, ao invés, de algas que vão colonizando os corais e prejudicando a sua saúde. Um coral ferido terá mais dificuldade em resistir às algas que se vão fixando na sua casa calcária e torna-se, por isso, mais vulnerável.

Os investigadores acreditam que as feridas nos corais libertam um muco que atrai esses crustáceos, que acabam por ajudá-los a livrar-se das algas que lhes drenam a energia.

“Este trabalho mostra que uma parceria biológica intricada [entre coral e caranguejo] aumenta grandemente a capacidade dos corais para resistirem ao stress térmico”, aponta, em nota, Brian Silliman, outros dos autores do artigo.

“Os caranguejos não afetam diretamente a tolerância [dos corais] ao calor”, mas, sustenta o investigador, “parecem remover o stress causado pelas lesões ao limparem as feridas dos corais”.

É uma relação do tipo mutualista, em que ambas as espécies saem a ganhar: os caranguejos alimentam-se das algas que prejudicam os corais e esses últimos veem-se livres de mais uma preocupação e podem direcionar as suas energias para lidar com outras ameaças. Como tal, os investigadores acreditam que projetos de restauro de recifes que incorporem organismos mutualistas, como este caranguejo, poderão ser maiores hipóteses de sucesso.

“Numa era definida pela intensificação de alterações ambientais de dimensão global, é crucial não apenas compreender os impactos de múltiplos fatores de stress em organismos-chave [como os corais], mas também perceber o que poderá ser feito para alivá-los”, escrevem o investigadores no artigo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Adeus às embalagens de plástico? Jovens portugueses criam cápsula de algas com gel de banho que se dissolve na água



Todos os anos, 120 mil milhões de embalagens de plástico são descartadas. Os produtos de higiene, por exemplo, são usados durante semanas, mas as embalagens têm vida longa e acabam muitas vezes nos oceanos ou em aterros.

Para reduzir a quantidade de plástico que é desperdiçada, quatro jovens da Maia criaram uma alternativa biodegradável que cabe na palma da mão: a Clea é uma cápsula com gel que se desfaz durante o banho.

Este novo tipo de embalagem para produtos de higiene, tem gel de banho no interior, mas poderá ter também champô ou amaciador. A cápsula é compatível com a pele e sustentável já que é feita a partir de uma substância extraída das algas.

Foi no ano passado, na Escola Secundária da Maia, que tudo começou. Numa disciplina de opção do 12º ano, os alunos foram desafiados a desenvolver um projeto inovador sobre sustentabilidade. Para isso, a secundária da Maia tem protocolos com vários parceiros científicos, como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde os alunos têm oportunidade de desenvolver produtos, testar soluções e criar protótipos.[vídeo]

O produto já foi até distinguido com vários prémios, incluindo uma bolsa da National Geographic Society. Mais difícil tem sido convencer as marcas a apostarem nesta inovação.

Isabel Oliveira, Nuno Aroso, Maria Toga e Vasco Cardoso sonharam, a escola secundária deu-lhes asas e a ideia ganhou forma nos laboratórios da FEUP. Agora, só o mercado pode fazer a diferença.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Cómo los tiburones pueden ser la clave para reverdecer la Tierra y combatir la sequía


E se a isto juntarmos os macro projectos fotovoltaicos que querem destruir tantos hectares de olivais, amendoeiras, sobreiros, etc. o que fazemos com toda esta raiva e impotência ao ver que vão ser realizados por multinacionais que para nos “roubar” o sol, estes ecocídios vão ser cometidos, sem se preocuparem com a seca que será ainda mais significativa, a falta de gado que não poderá pastar nos prados, as abelhas e insetos que não encontrarão um único arbusto, planta ou árvore para acompanhar o seu papel no ambiente. Adeus à biodiversidade e dê as boas-vindas à especulação e à destruição. Não pode ser feito assim!

domingo, 2 de junho de 2024

Florestas marinhas transportam cerca de 56 milhões de toneladas de carbono para sumidouros no oceano profundo


Um estudo realizado por uma equipa internacional de investigadores, que integrou investigadores do Centro de Investigação Marinha e Ambiental, Laboratório Associado (CIMAR-LA), revelou que as florestas marinhas de algas transportam cerca de 56 milhões de toneladas de carbono para sumidouros no oceano profundo, contribuindo significativamente para regular a quantidade de CO2 na atmosfera e, consequentemente, o clima na Terra.

Segundo a mesma fonte, esta descoberta, agora publicada na prestigiada revista Nature Geoscience, “abre novas oportunidades para a mitigação das mudanças climáticas através da preservação e restauração das florestas marinhas de algas”.

As florestas de algas, compostas principalmente por algas castanhas gigantes como as famosas kelp, são o ecossistema costeiro vegetado “mais extenso e produtivo do planeta”. Estas florestas podem crescer tão rapidamente quanto as florestas terrestres, sendo, portanto, “altamente eficientes na captura e armazenamento de carbono”.

O estudo internacional “Carbon export from seaweed forests to deep ocean sinks” que foi liderado por Karen Filbee-Dexter do Instituto Norueguês de Investigação Marinha e da Universidade da Austrália Ocidental, revela que, todos os anos, as florestas marinhas exportam cerca de 15% do seu carbono para as águas profundas do oceano, onde este pode permanecer retido durante centenas ou milhares de anos. Estas estimativas foram efetuadas com base em modelos oceânicos globais de última geração, que permitiram rastrear o destino do carbono das algas marinhas desde a costa até ao oceano profundo.

As florestas marinhas e o carbono azul
Historicamente, as florestas de algas marinhas foram excluídas do “carbono azul”, dado a incertezas sobre a sua capacidade de remover efetivamente carbono a longo prazo. Este estudo “fecha esta lacuna de conhecimento e abre novas oportunidades para a mitigação das alterações climáticas em zonas polares e temperadas, onde as opções de remoção de carbono por ecossistemas costeiros são atualmente limitadas”.

Jorge Assis e Isabel Sousa Pinto, investigadores do CIMAR – LA e co-autores deste estudo de caracter internacional, indicam que estes resultados “são de grande importância para a conservação marinha, uma vez que a perda ou a degradação destas populações de florestas marinhas leva à interrupção da absorção e transporte de carbono atmosférico para o mar profundo, onde fica potencialmente retido durante séculos ou mesmo milénios”.

O estudo sublinha a necessidade urgente de proteger, gerir e restaurar as florestas marinhas de algas, que estão atualmente a ser perdidas em muitas regiões do mundo devido a uma variedade de pressões, que incluem as alterações climáticas, tipicamente traduzidas em ondas de calor extremo, mas também a poluição e a pesca.

Isabel Sousa Pinto, investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e do CIMAR-LA, reforça a importância da conservação e restauro das florestas de algas, “não só pelo seu papel na remoção de carbono, mas especialmente pelo papel que têm de berçário e refúgio para muitas espécies de animais, muitas delas importantes para a pesca”. Jorge Assis investigador do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) e do CIMAR-LA, acrescenta que “as florestas marinhas são um recurso para combater as mudanças climáticas e para preservar a biodiversidade nos nossos oceanos, devendo ser uma prioridade para o nosso país”.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Árvores e líquenes


Líquenes são associações mutualistas entre fungos e algas.
Os líquenes são bons indicadores da poluição atmosférica. Neste caso, líquenes verde claro e radiculares ou  foliares, são indicadores que o ar é pouco poluído.

terça-feira, 14 de maio de 2024

Cientistas descobrem a chave para a criação de plantas “devoradoras de carbono” com grande apetite

As cianobactérias apresentam diversos formatos e podem realizar fotossíntese


A descoberta do funcionamento de uma enzima crítica “escondida na planta da natureza” lança uma nova luz sobre a forma como as células controlam os processos-chave na fixação do carbono, um processo fundamental para a vida na Terra.

A descoberta, feita por cientistas da Universidade Nacional Australiana (ANU) e da Universidade de Newcastle (UoN), poderá ajudar a conceber culturas resistentes ao clima, capazes de sugar o dióxido de carbono da atmosfera de forma mais eficiente, ajudando a produzir mais alimentos no processo.

A investigação, publicada na revista Science Advances, demonstra uma função anteriormente desconhecida de uma enzima chamada anidrase carboxissomal carbónica (CsoSCA), que se encontra nas cianobactérias – também chamadas algas azuis-verdes – para maximizar a capacidade dos microrganismos de extrair dióxido de carbono da atmosfera.

As cianobactérias são vulgarmente conhecidas pelas suas florescências tóxicas em lagos e rios. Mas estes pequenos insetos azul-esverdeados estão espalhados por todo o mundo, vivendo também nos oceanos.

Embora possam constituir um perigo para o ambiente, os investigadores descrevem-nas como “pequenos super-heróis do carbono”. Através do processo de fotossíntese, desempenham um papel importante na captura de cerca de 12% do dióxido de carbono do mundo todos os anos.

O primeiro autor e investigador de doutoramento Sacha Pulsford, da ANU, descreve a eficiência notável destes microrganismos na captura de carbono.

“Ao contrário das plantas, as cianobactérias têm um sistema chamado mecanismo de concentração de dióxido de carbono (CCM), que lhes permite fixar o carbono da atmosfera e transformá-lo em açúcares a um ritmo significativamente mais rápido do que as plantas normais e as espécies cultivadas”, diz Pulsford.

No centro do CCM estão grandes compartimentos proteicos chamados carboxissomas. Estas estruturas são responsáveis pelo sequestro de dióxido de carbono, abrigando a CsoSCA e outra enzima chamada Rubisco.

As enzimas CsoSCA e Rubisco trabalham em uníssono, demonstrando a natureza altamente eficiente da CCM. A CsoSCA trabalha para criar uma elevada concentração local de dióxido de carbono no interior do carboxissoma, que a Rubisco pode depois engolir e transformar em açúcares para a célula comer.

O autor principal, Ben Long, da UoN, afirmou: “Até agora, os cientistas não tinham a certeza de como a enzima CsoSCA é controlada. O nosso estudo centrou-se em desvendar este mistério, particularmente num grupo importante de cianobactérias que se encontram em todo o mundo. O que encontrámos foi completamente inesperado”.

“A enzima CsoSCA dança ao som de uma outra molécula chamada RuBP, que a ativa como um interrutor”, acrescentou.

“Pense na fotossíntese como se estivesse a fazer uma sanduíche. O dióxido de carbono do ar é o recheio, mas uma célula fotossintética precisa de fornecer o pão. Essa é a RuBP”, revela, sublinhando que, “tal como é necessário pão para fazer uma sandes, a taxa de transformação do dióxido de carbono em açúcar depende da rapidez com que a RuBP é fornecida”.

O autor explica ainda que “a rapidez com que a enzima CsoSCA fornece dióxido de carbono à Rubisco depende da quantidade de RuBP presente. Quando há suficiente, a enzima é ativada. Mas se a célula ficar sem RuBP, a enzima desliga-se, tornando o sistema altamente sintonizado e eficiente”.

“Surpreendentemente, a enzima CsoSCA tem estado sempre incorporada no projeto da natureza, à espera de ser descoberta”, acrescenta.

Os cientistas afirmam que a engenharia de culturas mais eficientes na captura e utilização de dióxido de carbono daria um enorme impulso à indústria agrícola, melhorando consideravelmente o rendimento das culturas e reduzindo a procura de fertilizantes azotados e de sistemas de irrigação.

Asseguraria também que os sistemas alimentares mundiais fossem mais resistentes às alterações climáticas.

Pulsford afirmou: “Compreender como funciona a CCM não só enriquece o nosso conhecimento dos processos naturais fundamentais para a biogeoquímica da Terra, como também nos pode orientar na criação de soluções sustentáveis para alguns dos maiores desafios ambientais que o mundo enfrenta”.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Reflorestação marinha em 10 zonas costeiras


A Seaforester pretende avançar com reflorestação marinha, no sentido da recuperação de habitats rochosos na costa continental portuguesa, que outrora dominados por abundantes laminárias, algas marinhas de grande importânciaecológica e económica. O projeto será aplicado nas seguintes zonas, de norte para sul: Carreço, Amorosa, Peniche Sul, Ericeira, Cascais, Cabo Raso, Guia, Pedra do Sal, Porto Covo, Ilha do Pessegueiro, Serro do Sudoeste, Mar das Troncas e Baixa Atafonas. A SeaForester tem recebido apoio do governo Português por intermédio de vários projetos financiados pelos mecanismos do Fundo Azul (Seaforest Portugal) e EEA Grants (Blueforests e Blueforesting). 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Encontros Improváveis - Sylvia Earle e João Soares


Quando observo o oceano, esse vasto mundo, questiono-me com Sylvia Earle:

"Temos de mudar a nossa mentalidade. Quando olhamos para a vida selvagem, em terra, pensamos que a temos de proteger, mas quando olhamos para o mar vemos produtos. Começámos a mudar em relação às baleias ou às tartarugas, mas temos de fazer o mesmo para todos os seres vivos. Os camarões ou as lagostas são animais selvagens, como os leões ou os tigres. Os tubarões ou os atuns são os seus equivalentes, grandes predadores que fazem parte da química planetária, do ciclo do carbono e hidrogénio, parte da janela de oportunidade que mantém a terra habitável. Pode soar um pouco nerd, mas é tão básico. Sabemos que as árvores geram oxigénio e capturam o carbono, por isso sabemos que as devemos proteger, mas no mar o plâncton tem vindo a diminuir nos últimos anos, tal como os recifes de corais, as florestas de algas, as pradarias marinhas. E capturam mais dióxido de carbono e produzem mais oxigénio do que todas as florestas terrestres. Eu assisti a tudo isto, sou uma testemunha."

"Os peixes têm caras, personalidade, famílias e protegem as crias tão vigorosamente como a maior parte das criaturas que adoramos em terra. Não é aceitável explorar a vida selvagem, nem em terra nem no mar."

Os oceanos produzem mais de metade do oxigénio, são o maior reservatório de dióxido de carbono e o maior regulador do clima e da temperatura. Todos os 8 mil milhões de habitantes da Terra, quer vivam perto ou longe do mar, dependem diretamente dos oceanos para a sua sobrevivência, mas os oceanos não são água. São vida, e esta está (também) seriamente em perigo.

Sobre esta temática, Extinção e Ecocídio, está disponível na rtp1 e rtpplay uma série de documentários muitíssimo interessante, Ressuscitar o Éden - Ajuda Humana Para a Resiliência da Natureza que recomendo a todos, biólogos, professores, estudantes, políticos, gestores ambientais, economistas...
A nossa pegada ecológica é tremenda e, por vezes, não temos noção do quão longe demais já fomos e como podemos ainda reverter isso... 

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Áreas Marinhas Protegidas dos Açores - Implementação Urgente


O que falta para termos as Áreas Marinhas Protegidas dos Açores?
A resposta é simples: falta a sua implementação. A proposta de criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores já esteve em consulta pública e falta que seja efetivamente aprovada e transformada em lei pela Assembleia Regional dos Açores.

O mar dos Açores, historicamente tão importante para a economia e identidade Açorianas, tem vindo a sofrer, ao longo das últimas décadas, de clara sobre-exploração.

O que se pretende com esta petição?
O apoio da sociedade civil para:

1. Que se aprovem, sem mais demoras, o enquadramento legal geral e as zonas de proteção oceânicas tal como preconizados na proposta da RAMPA, com proteção total de 15% das áreas oceânicas e proteção parcial de outros 15%.

2. Que a Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores seja estendida, o mais brevemente possível, às zonas costeiras.

3. Que estejam previstos, no orçamento da Região, os recursos necessários ao acompanhamento científico destas reservas marinhas.

4. Que as autoridades responsáveis pela fiscalização, nomeadamente, Inspeção das Pescas, Polícia Marítima e GNR, sejam dotadas dos recursos humanos e materiais e do enquadramento legal necessários para garantir a efetividade das zonas de proteção.

5. Que este projeto, iniciado na legislatura anterior e fortemente impulsionado pelo atual Governo Regional, seja abraçado por todos os partidos da Assembleia Legislativa Regional. A proteção do mar tem de ser um desígnio estrutural dos Açores. Adiar mais uma vez avanços nesta matéria, como se tem vindo a fazer nas últimas décadas, seria de uma enorme falta de visão, sem preocupação com as gerações futuras.

Assine e partilhe esta petição pela defesa do oceano neste link

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

proTEJO denuncia novo foco de poluição vindo de Espanha


O movimento ambientalista proTEJO denunciou no sábado, 9 de setembro, que “a poluição de bloom de algas (cianobactérias) de extrema toxicidade e com cheiro putrefacto, com origem em Espanha, invadiu novamente o rio Tejo e já chegou a Vila Velha de Ródão”, tendo feito notar que o ministro do Ambiente “deve exigir explicações ao seu congénere espanhol”.

“O proTEJO constatou hoje [sábado], à semelhança de anos anteriores, que um novo bloom de algas (cianobactérias que podem produzir cianotoxinas prejudiciais aos seres vivos com elevada toxicidade e cheiro putrefacto proveniente de Espanha invadiu o rio Tejo em Vila Velha de Ródão estendendo-se pela albufeira do Fratel e que irá progredir contaminando todo o rio Tejo a montante da barragem do Fratel”, explica a proTEJO em comunicado enviado à nossa redação.

Este bloom de algas, segundo o Movimento pelo Tejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, resulta de vários fatores, tendo indicado, em primeiro lugar, a “concentração elevada de nutrientes, nomeadamente fósforo, e as substâncias tóxicas depositadas no fundo das albufeiras da Extremadura espanhola, Azutan, Torrejon, Valdecañas, Alcantâra e Cedillo, ao longo de décadas de descargas de águas residuais sem adequado tratamento e das escorrências de fertilizantes agrícolas”.

Por outro, lado, aponta “a permissão à empresa Iberdrola, por parte dos governos de Portugal e Espanha, de livre gestão das descargas de caudais das suas barragens, uma vez que não se encontram implementados caudais ecológicos entre ambos os países, conduz a uma constante e contínua volatilidade do caudal do rio Tejo com alternância de ausência de caudal e de descargas significativas de água pelas barragens espanholas, que tem como única finalidade maximizar o lucro da produção de energia hidroelétrica fazendo descargas quando o preço da energia no mercado espanhol se encontra em níveis bastante elevados”.

Neste sentido, o proTEJO lembra que, “em 2021, o governo espanhol colocou um processo de investigação à empresa concessionária destas barragens, a Iberdrola, pela drástica redução de água para aproveitar o elevado preço para multiplicar a sua produção hidroelétrica, do qual nada se sabe até hoje”.

Por último, e como terceiro fator, o movimento ambientalista indica “as condições de temperatura e luminosidade elevadas, que se observam nos meses de Verão em que estas barragens armazenam pouca água em resultado do seu esvaziamento artificial pelas barragens, criam as condições propícias à proliferação deste bloom de algas que também dispõe dos nutrientes necessários”.

Neste contexto, o proTEJO considera que o ministro do Ambiente e Ação Climática “deve exigir explicações ao seu congénere espanhol, “visto que esta situação, que ocorre ano após ano, constitui um agravamento adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo em Portugal em incumprimento da Convenção de Albufeira quanto à obrigatoriedade de garantir o bom estado ecológico das massas fronteiriças e transfronteiriças e em incumprimento da Diretiva Quadro da Água que impõe o objetivo de alcançar um bom estado ecológico das massas de água”.

Além disso, o proTEJO considera que se encontram “reforçados os fundamentos para apresentar uma Queixa à Comissão Europeia contra os governos de Portugal e Espanha assente no incumprimento da Diretiva Quadro da Água por permitirem uma gestão das barragens para a produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização do lucro que causa uma deterioração adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo e impede que se alcancem os objetivos ambientais do nº 1 do Artigo 4º da DQA ao não assegurar um “regime hidrológico consistente com o alcance dos objetivos ambientais da DQA em massas de águas superficiais naturais” como decorre do documento de orientação nº 31 “Caudais ecológicos na implementação da Diretiva Quadro da Água”.

Fonte e mais fotos: MedioTejo

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

What the Fossil Fuel Industry Doesn't Want You To Know


Numa palestra emocionante, o Prémio Nobel Al Gore analisa os dois principais obstáculos às soluções climáticas e dá a sua opinião sobre como poderemos realmente resolver a crise ambiental a tempo. Não vai querer perder a sua dura acusação às empresas de combustíveis fósseis por retrocederem nos seus compromissos climáticos - e o seu apelo a uma repensação global dos papéis das indústrias poluentes na política e nas finanças.

Countdown é a iniciativa global do TED para acelerar soluções para a crise climática. O objetivo: construir um futuro melhor, reduzindo para metade as emissões de gases com efeito de estufa até 2030, na corrida para um mundo com zero emissões de carbono. Envolva-se em  Countdown

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Documentário - Vida em Extinção

Fonte: Wired


Em "Vida em Extinção", uma equipa de artistas e ativistas expõe o mundo oculto da extinção com imagens inéditas que podem mudar a forma como vemos o planeta. Dois mundos impulsionam a extinção em todo o planeta - e podem provocar a perda de metade das espécies conhecidas. O primeiro é o comércio internacional de animais selvagens, que cria mercados clandestinos às custas de criaturas que sobrevivem neste planeta há milhões de anos. O segundo está à nossa volta, oculto bem diante de nós — um mundo que as empresas de gás e petróleo não querem que a população veja. Usando táticas secretas e tecnologia de ponta, a equipa de Vida em Extinção expõe esses dois mundos numa tentativa de inspirar a preservação da vida na Terra. Dos mesmos criadores do premiado "A Enseada" (2009), vencedor do Oscar de Melhor Documentário.

Mais detalhes aqui