Embora o texto esteja no FT , para assinantes, fui ler a OXFAM. Nesse artigo Lula, Ramaphosa e Sánchez apoiam a criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade. O termo «emergência da desigualdade» refere-se à crescente disparidade na distribuição de rendimentos e riqueza a nível global, que tem levado a uma maior instabilidade política e a uma diminuição da confiança nos sistemas democráticos. Relatórios recentes indicam que os 1% mais ricos capturaram uma parte significativa da riqueza, enquanto milhares de milhões enfrentam insegurança alimentar, destacando a necessidade urgente de agir para resolver estas questões. A OXFAM desafia este bullying geopolítico e tudo fez na cimeira de G20 em Joanesburgo para colocar na agenda o debate. Aconselho a leitura “G20 Extraordinary Committee of Independent Experts on Global Inequality”, pelo Professor Joseph Stiglitz.
Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico captou 41% de toda a nova riqueza criada no mundo, refere o relatório. Ao mesmo tempo, uma em cada quatro pessoas no mundo, cerca de 2,3 mil milhões, enfrenta agora insegurança alimentar moderada ou grave, o que significa que salta refeições com regularidade. Esse número aumentou em 335 milhões desde 2019, acrescenta o relatório.
Recomenda-se no relatório a criação de um novo Painel Internacional sobre Desigualdade para aconselhar os governos sobre como enfrentar o problema, à semelhança do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, designado pela ONU, que apoia o desenvolvimento de políticas climáticas.
Economistas e especialistas em desigualdade, incluindo galardoados com o Nobel e antigos altos responsáveis do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, afirmam na carta dirigida aos líderes mundiais estar preocupados com o facto de “concentrações extremas de riqueza se traduzirem em concentrações de poder antidemocráticas, a corroer a confiança nas nossas sociedades e a polarizar a política”.
A África do Sul, que acolheu a cimeira do G20 a 22 e 23 de novembro, fez com que a desigualdade global fosse um dos temas centrais, apesar de o próprio país ser classificado pelo Banco Mundial como o mais desigual do mundo.
"Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma 'persona non grata' em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais.
A expressão “persona non grata” é um instrumento jurídico utilizado em relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.
Katz ainda afirmou que "a comparação do presidente brasileiro Lula entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto".
Em viagem a Etiópia no último final de semana, Lula definiu os ataques de Israel em Gaza como “genocídio” e “chacina”. Ele ainda cobrou uma postura diferente do Conselho de Segurança da ONU.
"O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus", disse Lula.
Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Israel convocou o embaixador do Brasil para uma reunião para debater a declaração de Lula.
Após 37 anos de serviço na marinha francesa e 10 anos sob a bandeira brasileira, o Brasil decidiu afundar o seu porta-aviões São Paulo ao largo da sua costa do Atlântico Nordeste, apesar da presença de elevados níveis de amianto e de resíduos tóxicos a bordo. Face a certos riscos de poluição dos ecossistemas da região e da cadeia alimentar marinha, várias ONG denunciam este crime ambiental.
Anteriormente conhecido como o Foch, este porta-aviões participou nos primeiros testes nucleares franceses no Pacífico, e foi destacado para África, Médio Oriente e ex-Jugoslávia, até ser substituído pelo nuclear Charles-de-Gaulle. Em 2000, este antigo porta-estandarte da marinha francesa foi vendido ao Brasil pela modesta soma de 12 milhões de dólares. Para o tornar plenamente operacional, teria sido uma intervenção no valor de 80 milhões de dólares. Nem a marinha francesa nem a brasileira investiriam na remodelação.
A empresa turca de reciclagem marítima Sök Denizcilik adquiriu o casco por 10,5 milhões de dólares. Com a ajuda do rebocador holandês ALP Guard, o São Paulo partiu para águas turcas. Contudo, ao chegar ao Estreito de Gibraltar, as autoridades ambientais turcas recuaram, temendo que contivesse mais amianto do que o esperado. No seu regresso ao Brasil, infelizmente, não conseguiu atracar, pois a viagem tinha danificado seriamente o estado do seu casco.
A Associação Robin Hood descreveu o antigo porta-aviões como um "pacote tóxico de 30.000 toneladas".
Segundo um estudo realizado pela norueguesa Grieg Green, o porta-aviões continha 9,6 toneladas de amianto, 644,7 toneladas de metais pesados e 10.000 lâmpadas fluorescentes de mercúrio. Numa altura em que os nossos oceanos e biodiversidade marinha já estão sob pressão e o recém-eleito presidente brasileiro, Lula da Silva, comprometeu-se a pôr fim aos múltiplos ecocídios que afetaram o Brasil durante a era Bolsonaro, este afundamento controlado parece ser um novo crime ambiental. Segundo organizações ambientalistas, como a Greenpeace Brasil, as autoridades brasileiras terão violado vários tratados internacionais dos quais são signatárias:
- a Convenção de Basileia sobre o Controlo dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua Eliminação
- a Convenção de Londres sobre o Controlo da Poluição Marinha e sobre a Proibição de Dumping de Resíduos Industriais no Mar;
- a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.
O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse à Lusa que as alterações climáticas “têm um impacto devastador” na vida dos povos indígenas, numa altura em que foi conhecida a situação dramática do povo Yanomami.
“As alterações climáticas têm um impacto devastador sobre os meios de produção, sobre a atividade agrícola, que sobretudo estas comunidades indígenas dedicam-se à atividade agrícola”, disse António Vitorino, em entrevista à Lusa em Brasília, no último dia da sua visita oficial ao Brasil.
“É preciso incluir na agenda do combate às alterações climáticas esta dimensão humana, não é uma dimensão humana para daqui a 10, 15 anos é uma dimensão humana para pessoas que já sofrem dos impactos hoje”, frisou Vitorino.
Estas declarações surgem depois de uma visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado passado, para observar a situação de saúde nas aldeias Yanomami, localizadas nos estados do Amazonas e Roraima, na fronteira com a Venezuela.
O território Yanomami, a maior reserva indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares, é habitado por cerca de 27 mil indígenas que, segundo o novo Governo, sofreram nos últimos anos uma falta de assistência e abandono em questões de saúde e também foram assediados por mineradores ilegais que operam na Amazónia.
“A situação que atinge a componente indígena Yanomani é muito preocupante”, considerou António Vitorino, acrescentando que os vários ramos das Nações Unidos no país estão a preparar uma proposta para apresentar ao Governo brasileiro de forma a apoiar estas pessoas.
Além da fome e da degradação dos rios da região devido ao mercúrio usado na mineração ilegal, também foram detetados vários casos de malária e outras doenças.
O primeiro passo de ajuda, disse o responsável português da OIM, passa por uma “componente médica muito importante”.
“Garimpo ilegal e a concentração de mercúrio tem tido um impacto devastador sobre a comunidade indígena e o número de 570 crianças mortas é um número aterrador”, sublinhou.
Tanto a Amazónia, como o nordeste brasileiro sofrem “profundamente” com o impacto “pelas alterações climáticas”, disse o diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações, recordando que o Nordeste brasileiro é das regiões que mais risco corre de “tempestades, ciclones, tufões e inundações que alteram o modo de vida das comunidades e os seus meios de subsistência”.
“Por ano há cerca de 21 milhões de pessoas que são forçadas a deixar o sítio onde vivem por causa das alterações climáticas no mundo inteiro”, avançou António Vitorino, acrescentando que no Brasil o número de pessoas deslocadas por causa das alterações climáticas “cifra-se na ordem dos largos milhares”.
Por essa razão, enfatizou o responsável, é necessário “prevenir os efeitos mais perversos das alterações climáticas” e “isso só se pode fazer em colaboração com as comunidades”.
É por isso crucial que se altere, em vários lugares do globo, o tipo de produções agrícolas e repensar os circuitos de captação e distribuição da água.
“Encontrar alternativas para que as pessoas tenham meios de vida para continuarem a viver nesses sítios. É isso que nós nos propormos a fazer juntamente com outras agências das Nações Unidas”, afirmou Vitorino, avisando que o “número de pessoas que vivem em insegurança alimentar está constantemente a crescer”.
“É importante preparar as comunidades para esse novo cenário de maneira a garantir que elas tenham o apoio necessário”, concluiu.
O primeiro-ministro manifestou hoje apoio à intenção do Presidente eleito do Brasil organizar na Amazónia, em 2025, a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) e afirmou ter esperança na conclusão do acordo Mercosul - União Europeia.
Estas posições foram transmitidas por António Costa em São Bento, durante uma conferência de imprensa com o Presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
“A Amazónia é uma causa global. Como disse o Presidente Lula, não é uma responsabilidade exclusiva do Brasil. É uma grande reserva da humanidade e por isso deve ser uma responsabilidade coletiva”, declarou o líder do executivo português.
A seguir, o primeiro-ministro salientou que, “se o Brasil pretende organizar a COP30 na Amazónia, seguramente com o apoio de Portugal contará, porque é muito importante que isso aconteça”.
António Costa aproveitou também para vincar a ideia de que, na sequência da vitória de Lula da Silva nas presidenciais brasileiras, o Brasil voltará a protagonizar uma posição em defesa do multilateralismo no plano diplomático.
“Temos de estar juntos no espaço da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), no espaço das Nações Unidas e nas grandes causas globais. E temos de estar juntos no esforço que é preciso fazer para aproximar a União Europeia e a América do Sul, o Mercosul em particular”, afirmou.
Neste ponto referente às relações entre a União Europeia e o Mercosul, o primeiro-ministro situou a sua esperança no segundo semestre de 2023, quando a Espanha assumir a presidência do Conselho da União Europeia.
“É uma grande responsabilidade que Portugal e o Brasil têm como países irmãos, como os pontos mais próximos dos dois lados do atlântico”, disse, numa nova alusão aos sucessivos obstáculos que têm sido levantados à conclusão de um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Ao nível bilateral, António Costa reiterou a tese de que a eleição de Lula da Silva como Presidente do Brasil “e mesmo um virar de página”.
“Há muito tempo que não tínhamos esta proximidade, este carinho entre os responsáveis políticos de Portugal e do Brasil. Não tínhamos bilateralmente, na CPLP e no mundo”, acrescentou.
Há seis anos que Portugal e o Brasil não realizam a sua cimeira bilateral.
A 12.ª Cimeira Luso-Brasileira, a última, realizou-se em Brasília em novembro de 2016, com a participação do então Presidente do Brasil, Michel Temer, e do primeiro-ministro português, António Costa.
Esteve prevista a 13.ª Cimeira Luso-Brasileira para 02 de fevereiro de 2018, em Lisboa, mas foi adiada por acordo entre os dois países.
Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro aproveitou também para reiterar a posição diplomática portuguesa a favor da entrada do Brasil para o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
“Lula da Silva disse muito bem que hoje a ONU não pode ser a de 1948 e, por isso, Portugal tem defendido a reforma do Conselho de Segurança. E temos dito que um dos países membros do Conselho de Segurança é o Brasil, mas para isso é preciso que o Brasil não esteja fora do mundo e ainda bem que regressa ao mundo, porque assim pode estar por direito próprio no lugar que merece”, completou o líder do executivo português.
Lula da Silva convidou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, para estarem presentes na sua posse como chefe de Estado do Brasil, em 01 de janeiro, em Brasília.
Interrogado se vai estar presente, António Costa deu uma resposta prudente.
“Combinarei obviamente com o Presidente da República como é que Portugal estará representado na posse de Lula da Silva. Estaremos seguramente representados todos – os portugueses – qualquer que seja a forma de representação. Falarei primeiro com o Presidente da República”, acentuou.
"Lula atraiu uma das multidões mais animadas nas negociações climáticas patrocinadas pela ONU no resort egípcio de Sharm el-Sheikh", diz a agência de notícias sobre Lula na COP27.
A agência de notícias Bloomberg destacou nesta quarta-feira (16) o discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP27. Segundo a agência, o brasileiro foi recebido com boas-vindas de "herói" pela comunidade internacional com o seu discurso em defesa da Amazônia.
Na reportagem, agência norte-americana de notícias disse que "Lula atraiu uma das multidões mais animadas nas negociações climáticas patrocinadas pela ONU". Confira aqui a chamada da Bloomberg e a reportagem sobre o discurso em Sharm El-Sheikh, Egito.
O Jornal britânico The Guardian destaca Lula em três reportagens. “Brasil de volta ao cenário mundial", diz BBC de Londres. Também o New York Times não foi indiferente e fez manchete dizendo que Lula foi exuberante na COP 27. Todos os recortes na imprensa aqui.
O presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se ofereceu para sediar as negociações climáticas da ONU na Amazônia em 2025, dizendo que o país priorizará a preservação da maior floresta tropical do mundo.
Lula, como é conhecido o político, faz sua primeira viagem internacional desde que derrotou o presidente Jair Bolsonaro nas eleições do mês passado. Em contraste com a posição de Lula, Bolsonaro enfraqueceu a proteção da maior floresta tropical do mundo em favor do desenvolvimento económico.
“Estou aqui na frente de todos vocês para dizer que o Brasil está de volta”, disse ele em discurso nas negociações da COP27 em Sharm El-Sheikh, Egito, entre governadores dos estados amazônicos do Brasil e diante de um multidão entusiástica que entoava seu nome. “O Brasil não pode ficar isolado como esteve nos últimos quatro anos.”
Sob a saída de Bolsonaro, as taxas de desmatamento na Amazônia atingiram níveis recordes. Pelo menos algumas partes dele pararam de capturar gases de efeito estufa e agora contribuem para o aquecimento global, de acordo com pesquisas científicas . Em seu discurso na COP27, Lula prometeu reverter um pouco disso.
“Vamos lutar fortemente contra o desmatamento ilegal”, afirmou. “Vamos criar o Ministério dos Povos Indígenas para que eles não sejam tratados como criminosos pelas indústrias – esteja preparado para isso.”
Lula atraiu uma das multidões mais animadas nas negociações climáticas patrocinadas pela ONU no resort egípcio de Sharm el-Sheikh, com centenas não apenas de jornalistas e ativistas, mas também de indígenas vestidos com roupas tradicionais esperando por até três horas pelo presidente -chegada do eleito. Quando ele entrou na sala, eles entoaram ao som de cânticos de futebol: “Olé, Olé, Olé, Lula Lula!”
No entanto, apesar das boas-vindas entusiásticas, impedir o desmatamento da Amazônia não será fácil para Lula, dados os desafios geográficos de uma terra enorme e isolada - cerca de metade do tamanho dos EUA - difícil de policiar e cheia de gangues violentas com um governo enfrentando restrições fiscais.
Noutro discurso feito no final do dia na COP27, Lula prometeu fazer da luta contra a mudança climática uma questão central dentro de seu governo, incluindo o combate ao desmatamento e crimes ambientais. O novo governo vai reinstituir instituições que monitoram o desmatamento e estudam a Amazônia, mas foram desmanteladas durante o governo Bolsonaro.
O presidente eleito disse que também conversará com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para indicar o Brasil como país-sede para as negociações da COP30 em 2025. A cúpula deve ocorrer em um estado da Amazônia, disse ele.
“As pessoas que defendem o clima deveriam conhecer de perto o que é aquela região”, afirmou. “Devemos mudar a forma como as pessoas discutem a Amazônia a partir de uma realidade concreta e não apenas dos livros.”
O Brasil fará da agenda climática uma das prioridades do Grupo dos 20 em 2024, quando o país assumir a presidência, afirmou. Lula pretende levantar com os países ricos questões que foram aprovadas em COPs anteriores, mas nunca foram implementadas.
O presidente eleito também expressou apoio à posição dos países em desenvolvimento no que é possivelmente o assunto mais controverso debatido na COP27 - perdas e danos, ou o direito dos países pobres de obter compensação pelos impactos do aquecimento global que eles estão sofrimento, mas não causou.
“Precisamos com muita urgência de mecanismos financeiros para resolver as perdas e danos causados pelas mudanças climáticas”, afirmou. “Não podemos continuar atrasando este debate – não temos mais tempo a perder.”
O presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, reúne nesta quinta-feira 17 no Egito com representantes dos governos da Alemanha e da Noruega. Os dois países são os principais financiadores do Fundo Amazónia, mecanismo criado para colaborar no combate ao desmatamento, e que foi desmontado desde o governo Bolsonaro.
Em seus discursos, Lula tem enfatizado que o financiamento de outros países para a proteção da Amazónia não abre espaço para interferências na soberania brasileira sobre o bioma.
A primeira reunião será com o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide, afirma Jamil Chade, do portal de notícias brasileiro UOL. “Há quantias significativas congeladas em uma conta no Brasil no Fundo Amazónia, que podem ser desembolsadas rapidamente”, disse o ministro norueguês.
De seguida, o presidente eleito se encontra com a ministra de Relações Exteriores alemã, Annelena Baerbock, que também já sinalizou com o retorno dos recursos da Alemanha ao mecanismo de combate ao desmatamento.
"Bolsonaro foi fiel à sua palavra. O seu mandato foi desastroso para a ciência, para o ambiente e para o povo brasileiro", declarou a revista científica Nature.
Num editorial publicado esta quarta-feira, a revista acusa Bolsonaro de ter assumido o cargo "negando a ciência, ameaçando os direitos dos povos indígenas e promovendo as armas como solução para os problemas de segurança".
"Bolsonaro foi fiel à sua palavra. O seu mandato foi desastroso para a ciência, para o ambiente e para o povo brasileiro", observou a revista, que criticou ainda os cortes feitos pelo atual Governo brasileiro na área da educação.
A Nature comparou Bolsonaro com o "ex-colega populista dos Estados Unidos" Donald Trump, com quem coincidiu na negação dos "avisos dos cientistas sobre o coronavírus", bem como dos "perigos da doença".
Ao mesmo tempo que criticou duramente Bolsonaro, a revista elogiou algumas das políticas de financiamento levadas a cabo durante os mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em domínios como a educação, ciência e ambiente.
"Durante algum tempo, o Brasil quebrou a ligação entre a desflorestação e a produção de carne de bovino e soja. Parecia que o país poderia ser pioneiro na sua própria marca de desenvolvimento sustentável. Muito desse progresso foi desmantelado", lamentou a Nature.
Lula da Silva e Bolsonaro disputam no domingo a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras.
A ex-ministra brasileira do Meio Ambiente Marina Silva alertou esta madrugada para a aproximação da Amazónia de uma catástrofe ambiental de proporções planetárias, durante um evento da Universidade Estadual da Califórnia, Santa Bárbara (UCSB).
A Amazónia já está próxima desse ponto de não retorno”, avisou a ex-ministra, que fez parte do governo de Lula da Silva, durante o evento organizado pelo Departamento de Estudos Latino-Americanos e Ibéricos da UCSB.
“Ela já começa a sequestrar menos carbono do que as emissões. Antes era uma consumidora de carbono, agora já não é – e é um 'stock' de carbono”, frisou Marina da Silva, sublinhando que a floresta, apelidada de “pulmão do mundo”, já foi destruída em cerca de 20%.
A ex-política disse também que, mesmo que 100% das metas ambientais atuais sejam cumpridas, já não será possível evitar um aumento da temperatura na ordem dos 2 graus centígrados, com “desequilíbrios terríveis para o planeta”, que já estão a acontecer.
Se fizermos tudo a que nos comprometemos no Acordo de Paris, ainda assim estaremos devedores”, alertou.
A ex-governante mostrou-se muito crítica das políticas ambientais do atual governo liderado por Jair Bolsonaro, referindo que, em três anos, houve um desmantelamento das estruturas criadas pelos executivos anteriores.
Estamos a viver uma situação de completa desarticulação das políticas sócio-ambientais no Brasil”, afirmou Marina Silva, apontando para “regressões" em áreas em que o Brasil já tinha conseguido "diversos avanços”.
A historiadora e ambientalista referiu que o país enfrenta “o grave problema dos desmatamentos”, com um governo que tem um modelo de desenvolvimento desatualizado e cortou o orçamento das entidades que fiscalizam a integridade das florestas.
“Se mudar a legislação como eles querem mudar para não ter mais licenciamento ambiental, não ter mais demarcação de terras indígenas, começar a desenvolver grandes projetos e rodovias que estão a ser propostas e são altamente impactantes para a destruição da floresta, isso é o fim”, vaticinou.
Caracterizando o governo Bolsonaro como “negacionista em relação à ciência” e “de visão autoritária”, com desprezo pela contribuição das instituições académicas e organizações que trabalham na pesquisa sobre a Amazónia, Marina Silva expressou a opinião de que o Presidente não será reeleito.
Não acredito que ele terá um segundo mandato”, afirmou. “Há uma resistência muito grande por parte da sociedade brasileira para que ele não continue a cometer crimes de lesa-pátria, crimes de lesa-humanidade”, continuou. “Porque ele ataca o meio ambiente, a saúde pública, a educação, os direitos humanos. É um governo que se distancia de qualquer padrão civilizatório”.
A ex-governante disse preferir que o Presidente seja “interditado” através de 'impeachment', “porque o Brasil não aguenta mais 13 meses de governo Bolsonaro”, mas considerou que se tal não acontecer, ele será derrotado nas urnas eleitorais.
Defendendo um “Plano Marshall” para articular todos os países que partilham a Amazónia (Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname), Marina Silva salientou também a importância de proteger os direitos das populações indígenas e apelou ao ativismo generalizado.
É uma causa de todos os brasileiros, mas também de toda a humanidade”, afirmou. “É o momento de agir na justiça, dentro das academias e em todos os lugares”.
Os multimilionários prosperam e as desigualdades aprofundam-se quando as economias "recuperam" As operações de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milionários passaram a multimilionários e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relatório anual da revista de negócios Forbes, há 1210 indivíduos – e em muitos casos clãs familiares – com um valor líquido de mil milhões de dólares (ou mais). O seu valor líquido total é de 4,5 milhões de milhões de dólares, maior do que o valor total de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. A actual concentração de riqueza ultrapassa qualquer período anterior da história; desde o Rei Midas, os Marajás, e os Barões Ladrões [1] até aos magnates de Silicon Valley [2] e Wall Street na actual década. Uma análise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribuição na economia mundial e os métodos de acumulação esclarece diversas diferenças importantes com profundas consequências políticas. Vamos identificar essas características especiais dos super-ricos, a começar pelos Estados Unidos e faremos depois uma análise ao resto do mundo. Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos
Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da actividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de acções. Esta é a percentagem mais alta de qualquer dos principais países na Europa ou na Ásia (com a excepção da Inglaterra). A enorme concentração de riqueza nas mãos desta pequena classe dirigente parasita é uma das razões por que os EUA têm as piores desigualdades de qualquer economia avançada e se situa entre as piores em todo o mundo. Os especuladores não empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de operações de salvamento e depois pressionam cortes no orçamento social, dado que não precisam de uma força de trabalho saudável e instruída (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da população mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises económicas, que inicialmente reduziram a riqueza total do país, fizeram-no de modo desigual – atingindo de modo mais grave a maioria dos operários e empregados. A operação de salvamento Bush-Obama levou à recuperação económica, não da "economia em geral", mas restringiu-se a reforçar ainda mais a riqueza dos multimilionários – o que explica porque é que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque é que a dívida fiscal e o défice comercial aumentam e o estado baixa os impostos às grandes empresas e reduz os orçamentos municipais, estatais e federais. O sector "dinâmico" formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, não exporta produtos, paga impostos mais baixos e impõem maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos. No caso dos multimilionários dos EUA, a sua riqueza é fortemente acrescida através da pilhagem do erário público e da economia produtiva e através da especulação no sector das tecnologias de informação que alberga um quinto dos multimilionários do topo. BRIC: Os novos multimilionários: A explorar o trabalho da natureza
Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. Segundo os últimos dados no Forbes (Março de 2011), o número de multimilionários no BRIC aumentou mais de 56% de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa. O forte crescimento do BRIC levou à concentração e centralização de capital, em todos os casos promovidos pelas políticas de estado que proporcionam empréstimos a juros baixos, subsídios, incentivos fiscais, exploração ilimitada de recursos naturais e mão-de-obra, expropriação dos pequenos proprietários e privatização de empresas públicas. O crescimento dinâmico de multimilionários no BRIC levou às desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos países do BRIC, a China lidera o caminho com o maior número de multimilionários (115) e as piores desigualdades em toda a Ásia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o país mais igualitário do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que provém da exploração da força de trabalho no sector da manufactura, da especulação no imobiliário e da construção e comércio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequência da super-exploração da mão-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasitário nos EUA. Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China está a fazer incursões significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobiliário. Em consequência da luta da classe trabalhadora, os salários têm vindo a aumentar entre 10% a 20% nos últimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das famílias urbanas contra as expropriações feitas pelos especuladores imobiliários e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano. A riqueza dos multimilionários russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos públicos (petróleo, gás, alumínio, ferro, aço, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilionários russos depende da exportação de bens, da pilhagem e da devastação do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamentação. O contraste entre as condições de vida e de trabalho entre os multimilionários virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa é sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordinários, incluindo propriedades de muitos milhões de dólares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilionários da Rússia parecem-se com os 'senhorios' parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo Pérsico. Os multimilionários da Índia são uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza através da exploração dos trabalhadores industriais de salários baixos, das populações de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobiliário, tecnologia informática e software. Os multimilionários da Índia acumularam a sua riqueza através das suas ligações familiares com os escalões mais altos, muito corruptos, da classe política, assegurando monopólios através de contratos com o estado. O forte crescimento da Índia na última década (7% em média) e a explosão de multimilionários de 55 para 2011, estão ambos ligados às políticas neo-liberais de desregulamentação, privatização e globalização, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milhões. A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direcção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufacturas. Apesar das afirmações dos líderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de salário mínimo (380 dólares por mês em Março de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da América Latina. Uma análise da origem da riqueza entre os multimilionários brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finanças, imobiliário e seguros (FIRE) e só um deles (3%) no sector de capital ou manufactura intermédia. A explosão do Brasil em crescimento económico e em multimilionários encaixa no perfil de uma 'economia colonial': com grande peso no consumo excessivo, na exportação de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove políticas neoliberais. No decurso da última década, apesar do teatro político populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores "centro-esquerda", o principal resultado sócio-económico foi o crescimento duma classe de multimilionários "super-ricos" concentrados na banca com poderosas ligações aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os têxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e intermédios. Os países BRIC estão a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as potências imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas também estão a produzir desigualdades e concentrações monstruosas de riqueza. As consequências sócio-económicas já se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na Índia, onde a exploração intensiva e a expropriação provocaram a acção das massas. A elite política chinesa parece estar mais consciente da ameaça política colocada pela concentração crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de salários e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a 'memória histórica' da 'revolução cultural' e a herança maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite política para os perigos políticos resultantes dos "excessos capitalistas" associados aos altos níveis de exploração e ao rápido crescimento duma classe de clãs politicamente relacionados, baseados em multimilionários. Médio Oriente
Na última década, o país mais dinâmico no Médio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democrático liberal de inspiração islâmica, a Turquia tem liderado a região no crescimento do PIB e na produção de multimilionários. O desempenho económico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes pós ditatoriais no mundo árabe – de 'alto crescimento', uma economia diversificada baseada na crescente concentração de riqueza. A Turquia tem mais 35% de multimilionários (37) do que os estados do Golfo e do Norte de África em conjunto (24). O 'segredo' do crescimento turco é as altas taxas de investimento em diversas indústrias e a exploração intensiva da força de trabalho. Muitos multimilionários turcos (14) obtêm a sua riqueza através de 'conglomerados', investimentos em diversos sectores de manufactura, finança e construção. Para além dos multimilionários de 'conglomerados', há 'multimilionários especialistas' que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da construção e do processamento de alimentos. Uma das razões de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no Médio Oriente é porque os seus capitalistas estão ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo árabe. Com excepção do sistema político americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o público na Europa e na Ásia encararam favoravelmente a oposição da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e à violação da lei internacional em águas marítimas. Se um moderno regime islâmico liberal pode crescer rapidamente através da rápida expansão duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no rápido crescimento duma classe de multimilionários altamente diferenciada. Israel, com 16 multimilionários é um país em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na região – com o mais alto número de multimilionários per capita do mundo… Os "sectores de crescimento" de Israel, software, indústrias militares, finança, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, são liderados por multimilionários e multi-multimilionários que beneficiaram das dádivas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos países da ex-URSS e da transferência de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e também de empreendimentos conjuntos com multimilionários judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de "segurança". A alta percentagem de multimilionários em Israel, numa época de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirmação de ser uma 'social-democracia' no meio dos 'xeicados'. A propósito, Israel tem o dobro de multimilionários (16) da Arábia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os países do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilionários per capita do que qualquer outro país não impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milhões de dólares na década passada. Contrariamente ao passado, a actual concentração de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira… as doações a Israel são uma questão política: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilionários de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso não vai acontecer apenas porque o poder sionista na América impõe que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo. Conclusão
As "crises económicas" de 2008-2009 infligiram apenas perdas temporárias a alguns multimilionários (EUA-UE) e a outros não (asiáticos). Graças às operações de salvamento de milhões de milhões de dólares/euros/ienes, a classe multimilionária recuperou e alargou-se, apesar de os salários nos EUA e na Europa terem estagnado e os 'padrões de vida' terem sido atingidos por cortes maciços na saúde, na educação, no emprego e nos serviços públicos. O que é chocante quanto à recuperação, crescimento e expansão dos multimilionários mundiais é como a sua acumulação de riqueza depende e está baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas políticas neoliberais que levaram à apropriação a preços de saldos de empresas públicas privatizadas; como a desregulamentação estatal permite a pilhagem do ambiente para a extracção de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expansão da actividade especulativa no imobiliário, na finança e nos fundos de pensões, enquanto encorajava o crescimento de monopólios, oligopólios e conglomerados que captaram "super lucros" – taxas acima do "nível histórico". Os multimilionários no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Japão) foram os principais beneficiários das reduções fiscais e da eliminação de programas sociais e de direitos laborais. O que é perfeitamente claro é que é o estado, e não o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentração e centralização de riqueza na história mundial, quer facilitando a pilhagem do erário publico e do ambiente, quer aumentando a exploração da força de trabalho, directa e indirectamente. As variantes nos caminhos para o estatuto de 'multimilionário' são chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC – com excepção da Rússia – predominam diversos sectores que incorporam multimilionários da manufactura, do software, da finança e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso económico entre os multimilionários e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobiliários e as famílias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, forçando a aumentos significativos de salários (mais de 20% nos últimos três anos) e à exigência de maiores gastos públicos na educação, saúde e habitação. Nada de comparável está a acontecer nos EUA, na UE ou noutros países do BRIC. As origens da riqueza dos multimilionários são, quando muito, devidas apenas em parte a 'inovações empresariais'. A sua riqueza pode ter começado, numa fase inicial, a partir da produção de bens ou serviços úteis; mas, à medida que as economias capitalistas 'amadurecem' e se viram para a finança, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo políticas neoliberais, o perfil económico da classe multimilionários muda para o modelo parasita dos centros imperialistas instituídos. Os multimilionários nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilionários do petróleo do Médio Oriente que são rentistas que vivem das 'rendas' da exploração do petróleo, do gás e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os países BRIC, só a oligarquia multimilionária russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilionários chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das políticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a retórica de 'paladinos nacionais', que promovem os seus próprios 'interesses' em nome duma 'economia emergente de sucesso'. Mas mantêm-se as questões básicas de classe: "crescimento para quem? e a quem é que beneficia?" Até agora, o registo histórico mostra que o crescimento de multimilionários tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilionários, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na Rússia e nos estados do Golfo, ou exploradores da força de trabalho como nos países BRIC. Post Scriptum
A revolta árabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os 'clãs capitalistas de rentistas. A intervenção ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e políticas da "oposição" é um esforço para substituir uma classe governante capitalista 'neoliberal'. Essa "nova classe" será baseada na exploração da mão-de-obra e na expropriação dos actuais possuidores dos recursos clã-família-amigos. As principais empresas serão transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras são as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na Índia, que se opõem à exploração e à expropriação de rentistas e capitalistas. NT [1] Barão ladrão – termo pejorativo usado para um poderoso homem de negócios e banqueiro americano do século XIX. [2] Sillicon Valley – situa-se a Sul da área da baía de S. Francisco, na Califórnia. Esta região alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electrónica do mundo. O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23907 . Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .