segunda-feira, 17 de abril de 2023

Earth Heat Inventory: O Estudo que Revela Para Onde Vai o Calor da Terra



O Earth Heat Inventory (Inventário do Calor da Terra), uma avaliação científica liderada por Karina von Schuckmann em cooperação com mais de 70 peritos internacionais, constitui a principal referência global para quantificar o Desequilíbrio Energético da Terra (Earth's Energy Imbalance - EEI). Devido à crescente concentração de gases de efeito de estufa resultantes das atividades humanas, o planeta retém atualmente mais energia solar do que aquela que consegue libertar de volta para o espaço. Para mapear com exatidão a trajetória desse excesso térmico, o inventário consolida dados empíricos obtidos através de quatro componentes fundamentais do sistema terrestre: a monitorização dos oceanos (recorrendo a mais de 3.800 boias Argo, sensores profundos e altimetria por satélite da NASA e ESA), o estudo da criosfera (fusão de glaciares, gelo marinho e mantos de gelo na Gronelândia e Antártida), a medição do aquecimento da superfície continental e perfurações profundas (boreholes), e a análise da atmosfera por meio de balões meteorológicos e satélites.

Os resultados do estudo revelam a magnitude do papel dos oceanos na regulação do clima global. Por absorverem entre 89% e 90% de todo o excesso de calor retido no planeta, as massas de água funcionam como um amortecedor vital que impede que as temperaturas à superfície terrestre atinjam níveis inabitáveis. A energia remanescente divide-se no aquecimento do solo e massas continentais (~6%), no derretimento do gelo e calotas polares (~4%), e no aquecimento direto da atmosfera (~1%).

No entanto, o relatório alerta para uma preocupante aceleração deste processo, mostrando que a taxa de acumulação térmica nos oceanos quase duplicou nas últimas décadas. Além disso, embora as camadas superficiais (até aos 700 metros) retenham a maior fatia de energia, a monitorização até aos 2.000 metros de profundidade confirma que o oceano profundo está a aquecer de forma contínua e irreversível à escala humana. Esta acumulação ininterrupta de calor tem consequências diretas severas, sendo a expansão térmica da água responsável por 30% a 40% da subida do nível do mar, além de intensificar a ocorrência de tempestades extremas e a frequência de ondas de calor marinhas.

Para consultar o estudo científico completo publicado na revista Earth System Science Data, aceda à hiperligação direta:

Sem comentários: