Portugal é muito "suave" com estes cheganos. A filha do Jaime Nogueira Pinto consegue ser mais extrema-direita que o seu pai. E não sei o futuro, mas nada me parece ser optimista, para quem defende a esquerda e pensadores como Fourier, Owen e Saint Simon. Vejamos o caso da Alemanha. A Alemanha destaca-se internacionalmente por ter um dos ecossistemas de maior escrutínio, regulação e resistência institucional contra a desinformação, embora enfrente uma pressão sem precedentes de campanhas massivas da extrema-direita e de agentes externos, como redes de desinformação russas.
Esta forte resistência alemã baseia-se em três pilares principais. O primeiro é o rigor legislativo, onde o país foi pioneiro global com a lei NetzDG, que obriga as redes sociais a remover discursos de ódio e notícias falsas criminosas em até 24 horas sob pena de multas multimilionárias, servindo de base para a atual Lei dos Serviços Digitais da União Europeia. O segundo pilar é a comunicação social pública forte e confiável, mantendo um sistema de radiodifusão altamente robusto, financiado pelos cidadãos e protegido de interferências governamentais, o que garante níveis de confiança consistentemente elevados na população. O terceiro pilar assenta numa sociedade civil ativa e em consórcios de verificação de factos, com coletivos independentes como o Correctiv a gerar impactos históricos ao expor esquemas e reuniões secretas da extrema-direita, mobilizando milhões de cidadãos em protestos de rua em defesa da democracia.
Apesar deste forte escrutínio, a extrema-direita tem conseguido contornar os filtros tradicionais através de estratégias digitais altamente sofisticadas. O partido Alternative für Deutschland e os seus influenciadores dominam redes visuais como o TikTok, superando largamente os partidos tradicionais no alcance orgânico junto do eleitorado mais jovem através de vídeos curtos que misturam sátira, pânico moral e desinformação. A esta estratégia soma-se o uso intensivo de inteligência artificial para a criação de deepfakes e a estreita ligação com campanhas de influência russas, como a rede Doppelgänger, focadas em polarizar debates sobre imigração e geopolítica. Assim, embora o escrutínio e a reação da sociedade alemã sejam rigorosos, a velocidade e a sofisticação tecnológica destas ofensivas continuam a testar os limites das defesas democráticas do país.
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