J.S.Bach : Gigue, BWV 1006, alto recorder
Video original aqui
O despertar da Consciência Cósmica na música e na natureza
Sob o abóbada de pedra onde as eras repousam em cinza silencioso,
Uma palheta de madeira ganha fôlego e põe a luz a brincar.
O ar transforma-se em melodia, um fio de prata a dançar,
Tecido através da quietude onde o passo sagrado é dado.
A luz do sol jorra pelo arco antigo e encontra o campo aberto,
Onde a terra e o céu cedem num padrão contínuo.
O vento lá fora, o tubo de madeira, o pulsar do coração na sala,
São fios de uma teia profunda que rompe a sombra na penumbra.
Uma criança senta-se perto com olhos tranquilos, atenta em pensamento suave,
O seu espírito unido a cada fio que a graça da música teceu.
Ela não ri, mas escuta profundamente, descansando sem sobressaltos —
Um eu tão vasto como todo o cosmos, fundindo-se com o sonho.
Pois a matéria não é poeira pesada, nem estrutura fria ou sem vida,
Arde em fogo interior, ascendendo em chama.
A Natureza é o espírito visto, uma visão trazida à luz,
E o espírito é a terra silenciosa transformada em luz viva.
Cada nota desdobra uma arquitetura, folha por flor a crescer,
Um fluxo mórfico de harmonia que flui para sempre em liberdade.
A sala expande-se com ar dinâmico, um santuário amplo,
Onde a consciência cósmica desperta e não deixa nenhum coração de fora.
A canção dissolve-se no silêncio, sagrada e completa,
Deixando o universo em louvor onde a terra e o altar se encontram.
João Soares,
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