sábado, 1 de setembro de 2012

AND ONE - Killing The Mercy

Melhor som aqui
Letra
Imprisoned in the cell of hell
My execution sealed by law
Since years I'm longing for your smell
But hope is ending at the door

Your phone is ringing once a week
It's good to hear a voice like home
Just twenty seconds left to speak
My love died with a busy tone

But this day something takes too long
Instead of hello just a noise
The number's right, this voice is wrong
It's killing time, I have no choice

What will happen to me
Tell me which love's killing the mercy
A dead man's swimming over the sea
He won't to be (the one who will feel you)
Now it happen to me
Tell me who's gonna die in the deep sea
Killing the mercy (who will feel you?)

I hear the footsteps on the floor
A jailer's scream, a falling key
My life is ending here once more
The time has come to kill me free

With the barrel pointing at my face
I'm knocking on her sinful door
The trigger seals the act of grace
She'll never call me anymore

Rompimento e libertação em "Killing The Mercy"
A canção «Killing The Mercy», lançada em 2012 no álbum S.T.O.P. pela prestigiada banda alemã And One - fundada em Berlim no ano de 1989 por Steve Naghavi e Chris Ruiz , insere-se nos domínios do synthpop, da electronic body music (EBM) e da darkwave. O grupo, profundamente influenciado por nomes estruturantes da música eletrónica europeia como Depeche Mode, Kraftwerk ou Nitzer Ebb, constrói a sua sonoridade através da fusão entre sequenciadores melódicos, batidas eletrónicas marcadas e vocais graves de forte carga dramática.

No que concerne ao seu significado, a composição utiliza a metáfora de um prisioneiro no corredor da morte a aguardar a execução para ilustrar o fim inevitável e doloroso de uma relação amorosa desgastada. A impossibilidade de comunicação e a brevidade do contacto verbal simbolizam a rutura afetiva irreversível, onde o ato de «matar a misericórdia» representa a rejeição da falsa esperança. A execução final surge, assim, como um «ato de graça» libertador que põe termo à complacência sufocante e ao sofrimento prolongado. Por sua vez, o videoclipe da canção, realizado por Adolf Steinhimmel, traduz esta atmosfera através de uma estética minimalista, teatral e sombria, onde o jogo de luzes e sombras e o ambiente claustrofóbico sublinham visualmente a solidão do indivíduo perante o desfecho da sua narrativa pessoal.

Do ponto de vista concetual, a obra estabelece diálogos profundos com diversas influências literárias e filosóficas. O cenário da condenação e o isolamento do protagonista remetem para o existencialismo e para a filosofia do absurdo de autores como Albert Camus e Jean-Paul Sartre, ecoando a resignação e a tomada de consciência do indivíduo perante o seu próprio destino, de forma análoga ao percurso da personagem principal em O Estrangeiro. Paralelamente, a forte ligação entre a paixão e a ruína aproxima a temática ao romantismo negro e à literatura gótica de Edgar Allan Poe ou Lord Byron, onde a beleza e a tragédia coexistem de forma indissociável. Por fim, assoma também uma perspetiva de cariz niilista, alinhada com a crítica de Friedrich Nietzsche à compaixão passiva: ao advogar o fim da misericórdia, o texto propõe a recusa da piedade como um obstáculo e defende o corte radical como a única via possível para alcançar a verdadeira libertação e a autonomia emocional.

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