domingo, 4 de maio de 2025

The Jesus And Mary Chain - Far Gone And Out


Far Gone and Out
The Jesus And Mary Chain

I can't explain exactly what I'm doing standing in the rain
Don't do it for fun
Do it if you feel it
Kiss it on the tongue
I'm taking my thoughts to a railway station
Put 'em on a train just to see what's coming back
What's coming back
It's coming like a heart attack

Ice melts too fast
So nothing stays forever nothing's gonna last
She's dressed in black
A black that ends in nowhere and I just got to have her back
And I'm television sick and I'm television crazy
No one works so hard just to make me feel so bad
I'm feeling bad
Oh that's too sad

Hey. Hey. Hey. She's as mean as mean. (2X)
Hey. Hey. Hey. She's as black as black.

Hey. Hey. Hey. I got to get her back. (3X)

Hey. Hey. Hey. She's as mean as mean.
Hey. Hey. Hey. She's as sick as sick.
Hey. Hey. Hey. She's as cool as cool.
Hey. Hey. Hey. She's as black as black.

sábado, 3 de maio de 2025

Música do BioTerra: Slowdive - Sugar for the Pill


There's a buzzard of gullsThey're drumming in the windOnly lovers aliveRunning in the dark
And I rolled awaySaid we never wanted muchJust a rollercoast'Our love has never known the waySugar for the pillYou know it's just the way things areCannot buy the sunThis jealousy will break the whole
Cut across the skyAnd move a little closer nowLying in a bed of greedYou know I had the strangest dream

Música do BioTerra: A Garota Não - Não sei o que é que fica


Então voltamos ao mesmo assunto
Somos tão bons pró resto do mundo
Na nossa casa o espeto é de pau
A prata é a fome do lobo mau
Welcome monsieur, a casa é vossa
O mal dos outros não nos faz mossa
Quem não aguenta a subida encosta
Habitação é fractura exposta
E eu que só vinha pra falar de amor
Deitar neste beat um poema em flor
Mas na porta ao lado há mais um despejo
Cai uma família, fica o azulejo
Começam as obras, que casa bonita!
Começam os guests, fome é infinita
Mais um AL, orgulho nacional
Corrida sem lei, onde vais Portugal?
Não sei o que é que fica se corrermos mais
O kê ke fica
Komé ke fica/
Quem é ke fica/
Como é que a gente fica/
Quando essa gente rica/
Gentrifica
Quando há uma gente k fica/
Com cada metro quadrado
Da nossa vida, memória
Onde é que a gente fica/
Quando nem se identifica
Com essa calçada refeita
Com essa fachada que foi feita
Para dar uma cara de outrora
A um fascismo de agora
Que só quer saber da receita
Na sede excêntrica
Quem vem de Paris é na hora
Quem tava aqui é pa fora/
Quem vem de cruzeiro vá bora/
Quem vem no barco que demora
Que vá morrer borda fora/
Que o estado quer o IMI
E o banco quer é penhora/
Voulez vous parlais
Parlais vous français/
Do you speak anglais/
Entre si vous plais/
Excepto se é cale
Excepto se vem de Calais/
E dizem que o mal é
Culpa de pobres, mas afinal
Qual é/
Coisa qual é ela/
Quem tem tanta gente sem casa, e tanta casa sem gente
E um camon à janela/
Qual é coisa qual é ela/
Que Desaloja e aloja
O camon e a loja
Da sardinha do Pastel
Ê o hostel, pa quem foge à
Geada do Norte
E o sul despoja/
Desalojamento local
Pra alojamento local
No mínimo é paradoxal
E agora este local, igual
A qualquer outra capital/
Senhor Presidente não ando feliz
Eu quero ser sonhos e não quem maldiz
Calem-se os fachos que ardam bandeiras
Aqui o assunto não são as fronteiras
É sempre bem vindo quem venha por bem
Problema é haver um casa pra cem
Salários tão baixos amarga a batuta
Que felicidade interna tão bruta

Richard Zimler - Não visitem a América e não comprem produtos americanos

O meu marido e eu visitámos recentemente uma exposição em Paris intitulada "Arte Degenerada: Arte Moderna em Julgamento pelos Nazis", que apresentava obras incluídas na famosa exposição de arte do Terceiro Reich em Munique, criada para alertar o público alemão sobre pinturas e esculturas de Otto Dix, Paul Klee e outros que comprometeriam a saúde moral, espiritual e física da Pátria.
Ao visitar a exposição em Paris, lembrei-me terrivelmente da tentativa de Trump de forçar as universidades nos EUA e as empresas no estrangeiro que fazem negócios com americanos a assinar documentos estipulando que não têm qualquer filiação com qualquer organização comunista ou socialista, ou que de alguma forma promovem a diversidade e a inclusão. Para Trump e os seus aliados, qualquer pessoa que discorde deles ou que tenha opiniões progressistas é um degenerado moral – um inimigo do povo americano. Em discursos que fazem lembrar Hitler, Trump prometeu "erradicar os bandidos da esquerda radical que vivem como vermes dentro dos limites do nosso país". E, tal como os teóricos raciais nazis, declarou em entrevistas que “a imigração está a envenenar o sangue do nosso país”.
Ao longo dos últimos 100 dias, Trump levou os EUA cada vez mais perto de uma ditadura controlada por fascistas bilionários como Elon Musk. Fez tudo o que estava ao seu alcance para minar o Congresso, os tribunais e a própria Constituição.
A diferença entre ricos e pobres irá certamente aumentar à medida que as tarifas e isenções fiscais de Trump para os super-ricos entrarem em vigor. Atualmente, treze multimilionários fazem parte da sua administração. É claro que estamos a caminhar para o sonho de um sociopata de governo autoritário, no qual os 0,1% dos homens e mulheres mais ricos promulgarão políticas destinadas a manter os pobres cada vez mais incapazes de ascender à classe média — e a classe média tão desesperada para pagar as prestações da casa e ficar longe das dívidas que perde a vontade de procurar mudanças. Se tiver alguma dúvida sobre este objectivo, tenha em mente que a eliminação do Departamento de Educação por Trump irá certamente reduzir a qualidade do sistema escolar público dos Estados Unidos e eliminar os programas para imigrantes, pessoas com deficiência e os americanos mais pobres. Considerando que as escolas públicas são o maior motor para permitir que aqueles que crescem na pobreza tenham uma boa educação e vivam os seus sonhos, isto por si só irá garantir que dezenas de milhões de americanos perderão qualquer hipótese que tiveram de melhorar as suas vidas.
Confesso que sei cada vez menos sobre as ações específicas de Trump nas últimas semanas porque já não consigo ver as notícias ou ler artigos que me são enviados por amigos ansiosos e aterrorizados. Veja, todas as minhas esperanças por uma sociedade mais gentil e igualitária estão a desaparecer. Tudo aquilo por que lutei quando era um jovem que crescia na América nas décadas de 1960 e 1970 poderá em breve desaparecer: os direitos das mulheres, os direitos dos homossexuais, a protecção ambiental.
Eis um exemplo da América de Trump que também o deveria deixar ansioso e aterrorizado: em estados como o Texas, uma rapariga de 13 anos que é violada e engravida não tem direito a abortar e, se tentar interromper a gravidez, ela — e qualquer pai, amigo ou médico que a ajude — pode ser acusada de homicídio. Sim, as mulheres nos Estados Unidos já foram presas, encarceradas e julgadas por tomarem comprimidos para interromper a gravidez ou por terem sofrido um aborto espontâneo. E muitos outros acabarão na prisão durante décadas se Trump e muitos governadores estaduais conseguirem o que querem.
Os EUA são hoje um país onde a bondade e a solidariedade são consideradas desvantagens morais e ameaças à nação. Tem alguma dúvida? Bem, aqui está Elon Musk sobre o assunto: “A fraqueza fundamental da civilização ocidental é a empatia”.
Por vezes é difícil definir o mal, mas diria que qualquer pessoa que considere a maior e mais importante capacidade humana como uma "fraqueza fundamental" tem um enorme potencial para fazer grandes maldades. E é exatamente isso que fará se não for travado.
A minha maior desilusão com os americanos neste momento é que milhões de pessoas não se estão a manifestar contra um presidente empenhado em declarar-se o nosso novo Führer. Porque é que os nossos cidadãos — velhos e novos, negros e brancos, gays e heterossexuais, mulheres e homens — não marcham todos os dias em Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e outras cidades americanas? Os nossos ex-presidentes Obama e Clinton não deveriam estar nas ruas a unir todos aqueles que ainda acreditam na democracia?
Não tenho planos atuais para visitar os Estados Unidos porque tenho publicado artigos contra Trump desde antes da sua primeira eleição e temo pela minha segurança lá. Estou paranóico? Talvez. Mas todos os judeus sabem que é melhor ser um pouco paranóico, porque perdemos seis milhões de familiares que acreditavam que a sua cidadania os salvaria dos nazis. E que acabaram gaseados nos campos de concentração.
Para os meus amigos portugueses… Se querem ajudar aqueles de nós que lutamos contra Trump, não visitem a América e não comprem produtos americanos. Porquê? Na minha opinião, aqueles que apoiam Trump só acordarão para a idiotice e crueldade da sua política.

The Miracle - o tema mais ecológico dos Queen


Every drop of rain that fallsIn Sahara Desert says it allIt's a miracleAll God's creations great and smallThe Golden Gate and the Taj MahalThat's a miracleTest tube babies being bornMothers, fathers dead and goneIt's a miracle
We're having a miracle on earthMother Nature does it all for usThe wonders of this world go onThe Hanging Gardens of BabylonCaptain Cook and Cain and AbelJimi Hendrix to the Tower of BabelIt's a miracle
The one thing we're all waiting forIs peace on earth, an end to warIt's a miracle we need, the miracleThe miracle we're all waiting for today
If every leaf on every treeCould tell a story that would be a miracleIf every child on every streetHad clothes to wear and food to eatThat's a miracleIf all God's people could be freeTo live in perfect harmonyIt's a miracle
We're having a miracle on earthMother Nature does it all for usOpen hearts and surgery (Wonders of this world go on)Sunday mornings with a cup of teaSuper powers always fightingBut Mona Lisa just keeps on smilingIt's a miracle
The one thing (the one thing)We're all waiting for (we're all waiting for)Is peace on earth (peace on earth)And an end to war (an end to war)It's a miracle we need, the miracleThe miraclePeace on earth and end to war today
That time will come one day you'll seeWhen we can all be friends

Benefícios das florestas nativas


As árvores nativas são essenciais para os habitats de vida selvagem, estabilidade do ecossistema, saúde do solo, retenção de água e sequestro de carbono.
Também fornecem alimentos, medicamentos e rendimentos para comunidades

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Os cientistas criam luz a partir do nada, este estudo mostra como manipular o tempo e o espaço para o conseguir


Os investigadores da Universidade de Rostock e da Universidade de Birmingham publicaram as suas descobertas na revista Nature Photonics, abrindo possibilidades interessantes para tecnologias futuras.

Numa descoberta que soa quase a magia, os cientistas descobriram uma forma de criar flashes de luz que parecem vir do nada e desaparecem de forma igualmente misteriosa. Mas não se trata de um truque - é o resultado de repensar a forma como o próprio tempo pode moldar as leis da física.

O tempo sempre foi a dimensão mais estranha. Enquanto nos podemos mover livremente no espaço, o tempo só anda para a frente. Esta “seta do tempo” foi descrita de forma célebre pelo astrofísico britânico Sir Arthur Eddington há quase um século.

No entanto, apesar da sua singularidade, o tempo tem recebido tradicionalmente menos atenção na física do que o espaço. Esta situação está a começar a mudar. Estudos recentes sobre “cristais espácio-temporais” - estruturas que repetem padrões tanto no espaço como no tempo - inspiraram os cientistas a pensar de forma diferente sobre o papel do tempo.

Poderá a natureza unidirecional do tempo conduzir a efeitos físicos inteiramente novos?
Esta nova investigação responde a esta pergunta com um ousado “sim”. Através de experiências cuidadosamente concebidas, a equipa de investigadores conseguiu fazer com que a luz aparecesse num momento único e exato no espaço e no tempo.

“É quase bíblico. No início não há nada, e depois a física diz: “Que haja luz!” - e aí está ela, num ponto do espaço e do tempo.” - Professor Alexander Szameit da Universidade de Rostock.

Mas estas explosões de luz não são aleatórias. Seguem princípios matemáticos profundos, conhecidos como topologia. A professora Hannah Price, da Universidade de Birmingham, explica que a topologia, embora abstrata, estabelece regras que regem o comportamento físico. Graças a estas regras matemáticas, os flashes de luz são extraordinariamente estáveis.

Esta luz, ao contrário do que é normal, é mais estável
Uma vez que o tempo só avança, estes acontecimentos especiais estão naturalmente protegidos contra perturbações externas, como alterações aleatórias na experiência ou luz difusa. O Dr. Joshua Feis, de Rostock, observou que este tipo de estabilidade é raro; a maioria dos estados de luz conhecidos são facilmente perturbados por fatores externos. Ao abraçar a natureza estranha e única do tempo, os investigadores abriram um novo capítulo na compreensão do universo - e a porta para futuras descobertas.

O Dr. Sebastian Weidemann acrescentou que esta proteção integrada pode ser extremamente útil em aplicações do mundo real, como a melhoria dos sistemas de imagem, comunicações e tecnologias laser.

A descoberta mostra que, tratando o tempo como algo mais do que um simples cenário de fundo - e combinando-o com as poderosas ideias da topologia - os cientistas podem encontrar fenómenos inteiramente novos. É um lembrete de que, mesmo em campos bem explorados como a física, ainda há tesouros escondidos à espera de serem descobertos.

Referência da notícia
Joshua Feis, Sebastian Weidemann, Tom Sheppard, Hannah M. Price & Alexander Szameit. Space-time-topological events in photonic quantum walks. Nature Photonics (2025).

AfD classificada como "organização extremista"



“A partir de hoje, o Gabinete Federal para a Proteção da Constituição (BfV) classificou a Alternativa para a Alemanha [AfD] como uma organização extremista de direita, devido ao caráter do partido, que desrespeita a dignidade humana”. A decisão foi anunciada num comunicado publicado esta sexta-feira no site oficial deste serviço de informação, que tem por base um relatório final com cerca de 1.100 páginas.

A conclusão é que a AfD é um partido racista e anti-islâmico. “O conceito de população que prevalece no partido, com base na etnia e descendência, não é compatível com a ordem básica democrática livre”, argumenta o BfV.

E acrescenta que o objetivo da AfD “é excluir certos grupos de uma participação igualitária na sociedade, expô-los a um tratamento desigual que não está em consonância com a Constituição”. “A AfD não considera os cidadãos alemães com um história de migração vinda de países muçulmanos, por exemplo, como pessoas pertencentes à Alemanha”, lê-se.

Segundo o serviço secreto alemão, é possível verificar a posição de extrema-direita que o apelido adota “no grande número de declarações anti-estrangeiros, anti-minorias, anti-islão e anti-muçulmanos que são proferidas pelos principais membros do partido”. E no uso “generalizado” de termos como “migrantes que empunham facas”. A postura adotada pelos membros deste partido, dizem as secretas, “agrava preconceitos, ressentimentos e medos em relação a determinados grupo de pessoas”.
Agora, com esta classificação oficial, a Alemanha pode levar a cabo uma maior vigilância deste partido e dos seus membros. Além disso, segundo a agência Reuters, a decisão pode pôr em risco o financiamento da AfD.

Mas afinal, como se chegou a esta conclusão? De acordo com o comunicado, foi levada a cabo uma “análise intensiva e exaustiva” ao partido durante três anos. “O BfV avaliou as ações do partido [AfD] à luz dos princípios básicos da Constituição: a dignidade humana, o princípio da democracia e o Estado de direito”.

“Para além do programa [do partido] e das declarações feitas pelo menos, foram também analisadas as declarações e outros comportamentos dos seus membros, assim como a ligação destes a grupos de extrema-direita”, lê-se no comunicado. Segundo o serviço secreto também foram analisadas “as ações da AfD na campanha eleitoral das três últimas eleições” e a “reestruturação da relação entre a AfD e a Junge Alternative [Alternativa Jovem para a Alemanha, em português, uma organização juvenil considerada de extrema-direita]”.

Em reação à decisão anunciada pelo serviço secreto alemão, a AfD disse em comunicado que se trata apenas de uma tentativa de manchar o partido e de o desacreditar. “A AfD vai continuar a tomar medidas legais contra estes ataques difamatórios que põem em perigo a democracia”, garantiram os líderes Alice Weidel e Tino Chrupalla, num comunicado citado pela agência Reuters.

As minhas leituras: Silvia Federeci - Calibã e a Bruxa


Sensível como sou ao femicídio, violência doméstica e ao renascimento nas redes socias de extrema-direita do elogio ao macho tóxico e machismo, resolvi ler este livro, atraído também pelo percurso filosófico da autora Silvia Federici.
As bruxas não são necessariamente uma figura desconhecida dos nossos dias. Elas são tema de filmes, histórias em banda desenhada, músicas, contos infantis, festas e obras literárias. O chapéu preto e pontudo, o vestido comprido da mesma cor, a vassoura, o caldeirão e o gato por companhia compõem o imaginário simbólico de um dos arquétipos femininos mais conhecidos e explorados – seja para se referir de forma caricata e estereotipada às mulheres, seja para, numa releitura, colocar a bruxa como uma figura sedutora e mística. Não são estas, porém, as facetas exploradas pela historiadora feminista Silvia Federici, autora de Calibã e a Bruxa – Mulheres, corpo e acumulação primitiva.
O nome do livro é uma referência a dois personagens da obra A tempestade (1610-1611), de William Shakespeare: Calibã, um homem negro escravizado e descrito como “selvagem” e “deformado”, e sua mãe, a bruxa Sycorax, que no livro de Federici são tomados como os símbolos do racismo e da misoginia que sempre andaram de mãos dadas com o capitalismo.

A perspectiva que interessa a Federici, e que é contada em 392 páginas repletas de referências e análises aprofundadas e dialogadas com outras obras e autores, é a história de como a construção da figura da bruxa está intimamente ligada à história da origem do capitalismo, cujo objetivo era transformar os corpos femininos, por meio de um processo de aterrorização, em máquinas de produzir crianças, os futuros trabalhadores responsáveis por manter a nova ordem econômica em funcionamento.

Tal trabalho historiográfico, diga-se de passagem, foi monumental: Federici trabalhou em Calibã e a Bruxa durante quase 30 anos, e decidiu-se pelo tema após viver na Nigéria em meados dos anos 80, em um momento em que as terras comunais daquele país passaram por um processo de cercamento semelhante ao ocorrido no período entre a crise do feudalismo e o advento do capitalismo.
Ali, percebeu a cruel associação entre a perda da posse da terra, a liberalização económica e a exposição das mulheres à violência. Foi o clique para que decidisse estudar a relação entre o capitalismo e a caça às bruxas, período que durou aproximadamente 200 anos, dos séculos XV ao XVII.

História de homens
De início, Federici explica que buscou contar a história do capitalismo levando-se em conta a experiência das mulheres, praticamente invisibilizada e ignorada nas análises de Karl Marx.
Segundo Federici, o pensador alemão ignorou o papel da caça às bruxas para a construção de uma ordem patriarcal em que a capacidade reprodutiva e laboral das mulheres (gestação e cuidado das crianças e trabalho doméstico) foram colocadas sob o controle do Estado e transformadas em recursos económicos.

Neste caso, o processo de formação e acumulação do proletariado mundial, ela explica, não se deu apenas pelos cercamentos das terras dos trabalhadores europeus e pela escravização dos povos originários da África e da América (a acumulação primitiva), mas também pela transformação dos corpos das mulheres em máquinas de trabalho doméstico e de parir – foi um processo de acumulação de diferenças e divisões dentro da classe trabalhadora.

Ao classificar tais atividades como não produtivas (uma vez que são atividades não pagas), Marx invisibilizou o fato de que as mesmas também eram uma forma de trabalho, essencial para a reprodução da força de trabalho que sustenta o capitalismo em si, e também o fato de que a dependência das mulheres do salário dos homens da família contribuiu para reforçar a opressão femininas dentro das relações de afeto e parentesco.

Ao não tocar nesta temática, Marx não entendeu ou não demonstrou entender que tal subordinação só foi possível a partir de uma política de aterrorização das mulheres – por meio da parceria entre Estado, Igreja Católica e Igreja Protestante – e enfraquecimento do poder que possuíam perante a comunidade. A caça às bruxas, portanto, foi o meio encontrado para domesticar e subjugar as mulheres à função determinada a elas pelo sistema capitalista nascente.

Tal história de dominação dos corpos das mulheres também ignorada pelo historiador Michel Foucault, que produziu uma historiografia androcêntrica, focada numa experiência universal do corpo e da sexualidade que, ao fim e ao cabo, era a experiência masculina.

A história da caça às bruxas, e de como a mesma alimentou o sistema penal inquisitório, a instituição da tortura e o controle dos corpos pelo Estado não está presente nos escritos de Foucault, daí a grande contribuição de Federici para a historiografia e para o movimento feminista e de mulheres, que faz com que tal obra devesse ser ensinada nas escolas e universidades.

Misoginia, enfraquecimento do poder feminino e da solidariedade entre mulheres
Na reconstituição do processo de caça às bruxas na Europa, Federici explica que o poder das mulheres começou a ser quebrado a partir dos cercamentos das terras comunais, já que tendo menos poder sobre a terra e menos poder social do que os homens, as mulheres dependiam fortemente das terras comunais para plantar sua comida, garantir sua subsistência e autonomia e exercitar formas de sociabilidade junto a outras mulheres. Despossuídas da relação com a terra e dependentes de contratos de trabalho individuais acordados por seus integrantes, as famílias começaram a se desestruturar.

A historiadora conta que esse cenário foi particularmente cruel para as mulheres mais velhas, cujos filhos migraram para as cidades. Sem a posse da terra, sem animais e sem ter o que comer, tais mulheres caíram na miséria e, para sobreviver, passaram a depender de empréstimos, pequenos furtos e a atrasar o pagamento de suas dívidas.

Como resultado, não houve apenas a polarização entre ricos e pobres, mas também entre homens e mulheres: a obra explica que discussões resultantes da mendicância feminina, da entrada sem autorização em propriedades alheias e do atraso dos aluguéis estavam por trás de muitas acusações de bruxaria feitas contra elas.

Ao mesmo tempo em que se cercavam as terras, com a expulsão do camponeses que ali sempre viveram, e a Europa passava por uma crise populacional, o novo sistema económico que nascia necessitava de braços que mantivessem a fábrica a produzir. Neste momento, entra em cena a importância de se controlar o potencial reprodutivo da mulher, capaz de gerar os corpos que colocavam as máquinas em movimento. Diante da resistência feminina ao controle, a caça às bruxas foi o próximo passo.

Entram em cena, então, a criminalização do controle da natalidade e dos métodos contraceptivos e abortivos utilizados pelas mulheres até então, junto com um processo de redução das mulheres a não-trabalhadoras, uma forma de encerrá-las no espaço doméstico como máquinas de fazer filhos e também como sustentáculo sobre o qual se apoiavam os homens que trabalhavam nas fábricas, a parte da população considerada “produtiva”.

Diz Federici, em resumo: “Os homens perderam terras, mas ganharam servas”. Ao mesmo tempo, os saberes femininos eram dizimados, e, devido ao medo do infanticídio, surge a figura do médico homem a realizar e fiscalizar os partos das mulheres, uma função que sempre foi feminina. Esse ocultamento do trabalho feminino e o processo de cercamento, controle e colonização de seus corpos para a reprodução da força de trabalho é chamada por Federici de “Patriarcado do salário”.

Além disso, a pobreza levou muitas mulheres, solteiras e viúvas, mas também casadas, à prostituição, como forma de complementação da renda. A misoginia contra tais mulheres atingiu níveis estratosféricos, com a tortura e a humilhação pública das prostitutas. Ao mesmo tempo, as mulheres passaram a ser pintadas como demoníacas, promíscuas, assassinas de crianças, a rondar as vilas em busca de sangue e de homens, enquanto participavam dos sabás, onde cultuavam o demónio e praticavam orgias.

Segundo Calibã e a Bruxa, os homens calaram-se a respeito do massacre de mulheres que ocorriam nas suas vilas e nas cidades, até porque beneficiavam com a perda de poder das mulheres e a ideia de que não eram produtivas e não mereciam um salário.

A discussão é extremamente atual, uma vez que a luta das mulheres pelo fim da discriminação de género ainda é invisibilizada, negada ou minimizada. Federici  mostra-nos que o silenciamento das mulheres pelos homens que deveriam ser seus companheiros de luta é antiga e persiste.

Max van den Berg


Max van den Berg é uma das grandes referências na mudança de paradigma da mobilidade na Holanda. Ainda jovem foi eleito vereador do município de Groningen responsável pelo tráfego tendo assumido uma estratégia fortemente desincentivadora do uso do carro. 
A sua ideia passava por tornar as ruas com sentido único para automóveis e assim com espaço para criar dois sentidos para quem utilizasse a bicicleta. Apelidado de "Rasputin" e "Lenine do norte" pelos seus detratores, sofreu inúmeros ataques de cidadãos automobilizados e lojistas. 
Com essa medida, implementada de um dia para outro em1977, um trajeto que de carro se fazia em 30 ou 40 minutos podia fazer-se em 5 de bicicleta. Rapidamente os habitantes de Groningen perceberam que o uso da bicicleta era bem mais eficiente. Hoje Groningen é uma das cidades menos poluídas da Europa e com maior uso de bicicleta.
A lição de Max van den Berg é de que não basta criar melhores condições para o uso da bicicleta nas cidades, é preciso tornar ainda mais difícil o uso do carro. Mas isso exige políticos com visão e com coragem, e esses por cá não abundam.

Saber mais
How Groningen invented a cycling template for cities all over the world

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Música do BioTerra : Suzane - Je t'accuse

Este vídeo conta com o apoio de vítimas de violência sexista e sexual e ativistas que escolheram unir-se para fazer com que suas vozes e as de todas as vítimas sejam ouvidas


[Couplet 1]
D'abord y a eu Gisèle
Et puis y a eu Sophie
Isa, Khadija et Marie
Et ma copine Claire
Et puis y a moi aussi
Et puis toutes celles qui n’ont jamais rien dit

[Pré-refrain]
Mais t'en as rien à faire, toi
Ce sera qu'un nom d’plus sur la liste
Dans un fait divers, dans un tiroir
Des tonnes de vies classées sans suite
Mais tu vas rien faire, toi
Et c'est bien ça le problème
Justice, est-ce qu'on doit te faire nous-même ?

[Refrain]
Car je t'accuse (ah)
De fermer les yeux alors que t'as tout vu
Je t'accuse (ah)
Fais pas l'innocent, t'as rien fait quand t’as su
Je t’accuse (ah)
Main droite levée
Je t'accuse (ah)
Et j’assume (ah)

[Couplet 2]
T'étais où ?
Sûrement qu't'existes pas
Pourquoi t’es jamais là quand on n'croit plus qu'en toi ?
Demande à tous les gosses que tu n'protèges pas
Tous les monstres ne sont pas que dans les salles de cinéma

[Pré-refrain]
Mais t'en as rien à faire, toi
Ce sera qu'un nom d'plus sur la liste
Dans un fait divers, dans un tiroir
Des tonnes de vies classées sans suite
Mais tu vas rien faire, toi
Ou faudrait qu'on t'harcèle
Justice, est-ce qu'on doit te faire nous-même ?

[Refrain]
Car je t'accuse (ah)
De fermer les yeux alors que t'as tout vu
Je t'accuse (ah)
Fais pas l'innocent, t'as rien fait quand t'as su
Je t'accuse (ah)
Main droite levée
Je t'accuse (ah)
Et j'assume (ah)
Et j'assume (ah)
Pour toutes celles que la violence a condamnées au silence
Je t'accuse (ah)
Pour celles qu'avaient prévenu mais que t'as jamais entendues
Je t'accuse (ah)
Pour celles qui prennent la plus lourde des peines
Pour les victimes de ton système (ah)
(Ah)
Je t'accuse
Et j'assume

La totalité des droits éditoriaux de cette chanson sera reversée à la Fondation des Femmes en soutien à leurs combats. Merci à eux et tout particulièrement à Jessica Ohayon pour son aide sur la mise en place de ce projet.

Eu, Daniel Blake


O viúvo Daniel Blake, um marceneiro de 59 anos de idade de Newcastle, sofreu um ataque cardíaco. Embora seu cardiologista não tenha permitido que ele voltasse ao trabalho, Daniel é considerado apto a fazê-lo após uma avaliação da capacidade de trabalho e o foi negado subsídio de emprego e apoio. Ele fica frustrado ao saber que seu médico não foi contatado sobre a decisão e solicita uma apelação, um processo que ele acha difícil porque precisa preencher formulários on-line e não possui conhecimentos de informática.

Daniel faz amizade com a mãe solteira Katie depois que ela é sancionada por chegar atrasada para um compromisso no Jobcentre. Katie e seus filhos acabam de se mudar para Newcastle de um abrigo para moradores de rua em Londres, pois não há acomodações acessíveis em Londres. Daniel ajuda a família reparando objetos, ensinando-os a aquecer as salas sem eletricidade e criando brinquedos de madeira para as crianças. Durante uma visita a um banco de alimentos, Katie é superada pela fome e desmorona. Depois que ela é pega furtando um supermercado, um segurança oferece um trabalho como prostituta. Daniel a surpreende no bordel, onde ele implora que ela desista do trabalho, mas ela insiste em lágrimas que não tem outra maneira de alimentar seus filhos.

Como condição para receber o subsídio de candidato a emprego, Daniel deve continuar procurando trabalho. Ele se recusa a trabalhar num centro de jardinagem porque seu médico ainda não permite que ele trabalhe. Quando o técnico de trabalho de Daniel diz que ele deve trabalhar mais para encontrar um emprego ou ser aprovado, Daniel diz: "Eu, Daniel Blake, exijo minha data de apelação antes de morrer de fome" no prédio. Ele ganha o apoio de transeuntes, incluindo outros requerentes de benefícios, mas é preso e advertido pela polícia. Daniel vende a maioria de seus pertences e se isola.

No dia do apelo de Daniel, Katie o acompanha ao tribunal. Um consultor de assistência social diz a Daniel que seu caso parece sólido. Ao vislumbrar o juiz e o médico que decidirão seu caso, Daniel fica ansioso e vai ao banheiro, onde sofre um ataque cardíaco e morre. Em seu funeral público, Katie lê o elogio, incluindo o discurso que Daniel pretendia ler em seu apelo. O discurso descreve seus sentimentos sobre como o sistema de assistência social falhou com ele, tratando-o como um cachorro, em vez de um homem orgulhoso de ter pago suas dívidas à sociedade.



What are climate misinformation and disinformation and how can we tackle them?


What is the difference between climate misinformation and climate disinformation?

Climate misinformation refers to false or inaccurate information about climate change and climate action that is generally spread without malicious intent. It usually arises from misunderstandings, misinterpretations of data or simply outdated knowledge. For example, some people might misinterpret short-term weather patterns, like an extended winter season, as evidence against global warming. Despite the absence of intent to deceive, misinformation still contributes to confusion and scepticism about climate science, making it harder for people to access accurate information.

Climate disinformation, on the other hand, is deliberately false and fabricated to deceive people about climate change and climate action for political, financial or ideological reasons. It is spread by individuals or organizations with vested interests in denying or downplaying the reality of climate change and its impacts. For instance, fossil fuel companies have been known to fund campaigns that cast doubt on climate science to protect their profits.

Disinformation tactics can include cherry-picking data, promoting pseudoscience, or amplifying conspiracy theories. Unlike misinformation, which can often be corrected through education and better communication, disinformation is more difficult to address and requires targeted efforts to expose and counter the deliberate falsehoods being spread.

Both climate misinformation and disinformation undermine public trust in climate science, delay policy responses and polarize public discourse. According to the Global Risk Report 2024, misinformation and disinformation, together with the impacts of the climate and nature crises, are the biggest short-term and long-term risks to human society.
Climate misinformation is generally spread without malicious intent. Climate disinformation, on the other hand, is deliberately false and purposefully harmful for political, financial or ideological reasons.

What are the different types of climate misinformation and disinformation?
Climate misinformation and disinformation come in various forms, each serving different purposes but ultimately hindering climate action. While some outright deny climate change, others seek to delay solutions, mislead the public or promote conspiracy theories that undermine trust in science and institutions.Climate denial: Despite the overwhelming scientific consensus that human activities like burning fossil fuels are the primary driver of climate change, some people deny that climate change is real, downplay the severity of its impacts or promote the idea that it is solely a natural phenomenon. Although outright climate denial has lost credibility in mainstream discourse, it still thrives in certain political and online spaces, often resurfacing in the form of misleading arguments that exaggerate natural climate variability or misrepresent climate data. A subtler form, known as soft climate denial, is becoming increasingly prevalent in recent years. Here, individuals or groups acknowledge the impacts of climate change but tend to highlight other urgent issues as a justification for delaying or opposing responses. This approach, often framed as pragmatic, effectively serves as a guise for undermining climate action.
  • Climate delay: Climate delay strategies acknowledge the existence of climate change but aim to obstruct or hinder action. They dispute the feasibility, necessity or fairness of climate policies by claiming measures are too costly or emphasizing uncertainties and unintended consequences. For example, messaging from the fossil fuel industry aims to create panic about potential job losses and economic harm from transitioning to renewable energy sources. Because climate delay messages often seem more reasonable than outright denial, they are particularly effective at shaping public opinion.
  • Greenwashing: Greenwashing is a form of climate misinformation in which companies or institutions exaggerate or falsely claim environmental benefits to maintain their market position without making real changes. This is usually done by using imagery and language associated with sustainability such as lush forests, wind turbines or eco-friendly branding. Such tactics delay stronger policies and regulations by creating an illusion of progress.
  • Climate conspiracy narratives: Conspiracy theories about climate change attempt to delegitimize climate science, policies and activists by suggesting they are part of a hidden agenda. These narratives try to advance false claims such as climate change being a hoax designed to increase government control or renewable energy policies being part of a larger effort to manipulate economies or suppress individual freedoms.
Who spreads climate disinformation?
Considering the scale and urgency of the climate crisis, it may seem counterintuitive that individuals or organizations would deliberately create and share false or misleading information about it. However, research points to two primary motivations behind the spread of climate disinformation:
  1. Protecting fossil fuel interests and maintaining a business-as-usual scenario: Many actors, particularly within the fossil fuel industry and related sectors, have a vested interest in delaying climate action. By spreading doubt about climate science or the effectiveness of renewable energy solutions, they seek to extend the viability of fossil fuels and maintain economic gains.
  2. Gaining revenue, influence or support by exploiting the attention economy: The digital landscape rewards content that sparks strong emotional reactions like outrage or controversy. Questioning mainstream science or promoting conspiracy theories can generate more engagement on social media, translating into ad revenue, online influence or political support.
Moreover, in regions already stressed by environmental pressures such as resource scarcity and extreme weather events, climate misinformation and disinformation can exacerbate existing tensions. False information and narratives, for example around climate-induced migration and displacement, are often exploited by political actors or extremist groups to blame specific communities for climate-related hardships, creating an environment of fear and mistrust which can lead to violence and conflicts. This not only undermines local peacebuilding efforts but also links climate challenges with broader issues of security, destabilizing communities and economies while hindering integrated responses to both environmental and security threats.
Individuals can learn how to verify the accuracy of a piece of information through a series of steps including verifying the source, verifying the data and consulting with experts.

How do climate misinformation and disinformation spread?
The spread of climate misinformation and disinformation, both online and offline, is linked to social processes that shape how people interact and consume information. These dynamics contribute to the reinforcement of false narratives, making it harder to correct misinformation and disinformation once it takes hold.

As social beings, humans have the tendency to form social connections with others who share similar beliefs, interests or backgrounds. Social media platforms reinforce this behaviour by recommending new connections based on existing networks and interests. Combined with the natural inclination to trust information from familiar sources, this leads to the formation of echo chambers – closed communities where the same ideas, whether true or false, are continuously reinforced without being questioned. Over time, these echo chambers can deepen divisions on topics such as climate change.

Furthermore, many social media algorithms are designed to maximize engagement. As such, they often promote content based on a user’s past interactions, rather than its credibility or accuracy. This creates algorithmic bias, where users are more likely to see content that aligns with their existing beliefs, rather than diverse or fact-based perspectives. The effect is then amplified by confirmation bias – the psychological tendency for people to seek out and accept information that supports their pre-existing views while ignoring or dismissing contradictory evidence. As a result, misleading or sensationalized climate content can spread rapidly, especially if it resonates with a particular audience’s worldview.

Beyond organic social behaviours, false information is also actively spread by malicious actors, including bots, trolls and coordinated disinformation campaigns. These actors deliberately create and amplify misleading narratives to shape public perception, undermine trust in scientific institutions or serve certain political and economic interests.

A recent example is a rise in online abuse against climate scientists, where coordinated campaigns on social media platforms target researchers with harassment and false accusations to discredit their work. These attacks often exploit existing echo chambers, amplifying divisive narratives that portray climate science as a hoax or conspiracy. By leveraging algorithmic biases and the viral nature of sensational content, these campaigns sow doubt and erode public trust in evidence-based solutions. This not only undermines efforts to address climate change but also discourages scientists from engaging with the public, further polarizing the discourse and hindering collective action.

How can we tackle climate misinformation and disinformation?
The fight against climate misinformation and disinformation is a global effort, involving a diverse range of actors including governments, academic organizations, think tanks, media organizations, civil society and collaborative partnerships between these entities. Given the high complexity of the issue, it requires multifaceted responses, and these actors play key roles in research, policy advocacy, education and public outreach. Through specialized initiatives and campaigns, they work to address the challenges posed by misinformation, which often undermines public understanding of climate science, fuels scepticism about climate change and hinders policy action.

Recognizing that misinformation, disinformation and hate speech are fuelling conflict, threatening democracy and human rights, the United Nations launched the United Nations Global Principles for Information Integrity, a set of recommendations designed to foster healthier and safer information spaces that champion human rights, peaceful societies and a sustainable future. Moreover, in November 2024, the Brazilian government, the United Nations and the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) launched the Global Initiative for Information Integrity on Climate Change, joining forces to strengthen research and measures to address disinformation campaigns that are delaying and derailing climate action.

However, a large majority of efforts to combat climate misinformation and disinformation are still primarily based in the Global North, which often leads to a skewed focus on issues, narratives and perspectives that are more relevant to them. In this context, it is essential to build the capacities of stakeholders and institutions in the Global South to tackle climate misinformation and disinformation. By empowering local organizations, media and communities with the necessary skills, knowledge and resources, we can ensure that climate communication and responses to disinformation are more culturally appropriate and contextually relevant.

At the individual level, anyone can learn how to prevent climate misinformation and disinformation through a series of steps:
  1. Verify the source: Evaluate the credibility of the source. Is the claim from a peer-reviewed study, a reputable news outlet or a blog with no scientific backing? For scientific data, academic databases and peer-reviewed sources can be used to verify its authenticity.
  2. Verify the information: Check if the information is available from multiple sources and use fact-checkers to verify claims.
  3. Consult experts: Try to connect with scientists and subject matter experts that can corroborate the information. The Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) is widely recognized as the most credible source of information related to the science of climate change.
  4. Communicate the truth: To counter climate misinformation and disinformation, evidence-based messages using simple language and relatable examples work best. Engage trusted voices and support claims with credible sources, encouraging respectful dialogue. Repetition of accurate information helps build long-term public understanding and resilience.
How does UNDP support efforts to address climate misinformation and climate disinformation?
UNDP works to address climate misinformation and disinformation through a multi‐pronged approach that combines digital innovation, capacity building and partnerships. This includes developing programmes and platforms that leverage collective intelligence, combining automated tools and crowdsourcing to identify and counter false narratives.

Digital tools such as iVerify and eMonitor+ combine AI with human fact-checking to identify, flag and counter false and misleading narratives including those for climate-related issues. Such platforms, developed as part of UNDP’s broader digital strategy to leverage Digital Public Infrastructure, harness interoperable systems for data exchange and digital identity, supporting transparency and accountability in climate action by helping to counter information that undermines scientific consensus on climate change.

UNDP also supports initiatives aimed at developing media literacy and factchecking skills among journalists, media students and young civic actors. In Somalia, UNDP trains journalists to enhance their understanding of climate change issues, their interlinkages and nuances. In Lebanon, UNDP helps equip young people with the tools to identify and debunk fake news and hate speech, including false narratives on climate change. Such efforts help reduce the polarization and confusion often fuelled by false information, particularly in regions vulnerable to climate misinformation and disinformation campaigns.

Furthermore, through initiatives like Information Integrity, UNDP is working with development organizations, governments, the private sector and civil society on campaigns to ensure information integrity on issues directly and indirectly affecting climate action.

Investigadores estudam o uso de aviões para arrefecer a Terra em pleno aquecimento global


À medida que as temperaturas globais aumentam, as condições meteorológicas extremas estão a obrigar as famílias a abandonar as suas casas.
Inundações, furacões e degelo dos glaciares estão a deslocar comunidades em todo o planeta.
Alguns cientistas estão a investigar formas de lidar com as alterações climáticas, manipulando a atmosfera ou os oceanos do mundo.
Conhecida como geoengenharia, é frequentemente rejeitada devido aos potenciais efeitos secundários e é geralmente mencionada não como uma alternativa à redução da poluição por carbono, mas como um complemento aos cortes de emissões.
Uma ideia é refletir a luz solar para longe da Terra antes que esta possa aquecer a superfície - um processo conhecido como injeção de aerossol estratosférico.

Um novo estudo realizado por investigadores da University College London sugere que isto poderia ser feito utilizando aviões já em serviço atualmente, em vez de desenvolver novas aeronaves dispendiosas para chegar às partes mais altas da atmosfera.
A injeção de aerossóis estratosféricos funcionaria através da libertação de pequenas partículas na camada superior seca e estável da atmosfera, denominada estratosfera.
Estas partículas espalhariam a luz solar de volta para o espaço, reduzindo a quantidade que atinge a superfície da Terra e ajudando a arrefecer o planeta.
Pesquisas anteriores concentraram-se na injeção de aerossóis bem acima dos trópicos, a altitudes de 20 quilómetros ou mais, o que está fora do alcance da maioria dos aviões existentes.
Mas o novo estudo descobriu que injetar mais abaixo, a cerca de 13 quilómetros, perto dos polos, pode ainda ter um impacto significativo.
Isto poderá significar que aeronaves como o Boeing 777, que já é capaz de atingir estas altitudes, poderão ser adaptadas para a tarefa.

Alistair Duffey, investigador de doutoramento na UCL, liderou o estudo.
Afirma: “O nosso estudo examinou uma técnica de intervenção climática chamada injeção de aerossóis estratosféricos, que consiste em arrefecer o planeta adicionando uma camada de pequenas partículas reflexivas, os aerossóis, à alta atmosfera. Estas partículas refletiriam uma pequena quantidade, talvez 1%, da luz solar incidente. E havia boas evidências de que isto poderia ser utilizado para arrefecer o planeta e, talvez, reduzir alguns impactos climáticos sobre pessoas vulneráveis ​​em todo o mundo”.
Utilizando o avançado Modelo do Sistema Terrestre do Reino Unido, os investigadores simularam a injeção de dióxido de enxofre (um gás que se transforma rapidamente em aerossóis de sulfato refletores) na estratosfera sobre as regiões polares durante as respetivas estações da primavera e do verão.
O estudo mostrou que, apesar da menor altitude, ainda seria possível arrefecer o planeta em cerca de 0,6 graus Celsius.
Isto é praticamente o mesmo que o arrefecimento temporário após a erupção do Monte Pinatubo em 1991, quando os gases vulcânicos injetados na atmosfera provocaram uma descida das temperaturas globais.
Os investigadores examinaram como a eficácia do arrefecimento muda dependendo de onde e quão alto as partículas são libertadas, bem como da quantidade de dióxido de enxofre necessária.

O que nos interessava era perceber a relação entre a dificuldade, o desafio logístico de o fazer e os impactos climáticos no solo. Assim, em particular, quisemos perceber como, se pudéssemos atingir diferentes altitudes no céu, o nível de impacto no solo variaria consoante a altura a que conseguíssemos ir. Em geral, é mais difícil fazê-lo a grandes altitudes. Portanto, a nossa principal descoberta foi que, se estivéssemos limitados à utilização de grandes aeronaves existentes e, portanto, limitados a altitudes até cerca de 13 quilómetros, ainda haveria impactos climáticos significativos. Ainda poderíamos arrefecer o planeta significativamente com magnitudes plausíveis de injeção de aerossóis.

O efeito de arrefecimento provém de uma cadeia de reações químicas.
Quando o dióxido de enxofre é libertado na estratosfera seca, reage com o vapor de água e o oxigénio para formar ácido sulfúrico, que forma então gotículas microscópicas — aerossóis de sulfato.
Estes aerossóis permanecem em suspensão durante meses, refletindo a luz solar para longe da Terra.
Por fim, caem na atmosfera mais baixa e são levados pela chuva — principalmente como chuva ácida diluída.

Imaginamos a libertação de dióxido de enxofre, um gás que reagiria com o vapor de água e se oxidaria em ácido sulfúrico, que se dissociaria então, e parte desse ácido sulfúrico passaria a ser o aerossol de sulfato, que é uma espécie de pequena gota líquida. Tendem a produzir uma distribuição de tamanhos na estratosfera, o que os torna bons refletores da luz solar. Estes aerossóis de sulfato sedimentam então lentamente através da estratosfera e, finalmente, ao reentrar na troposfera, a parte da atmosfera em que vivemos, a maioria deles sai por chuva, depois saem para a água e, essencialmente, como chuva ácida.
Embora os processos químicos sejam bem compreendidos, os desafios de engenharia são significativos.
A entrega de grandes volumes de dióxido de enxofre em segurança a grandes altitudes exigiria a modificação de aeronaves existentes ou a construção de aeronaves inteiramente novas.
Criar novas aeronaves especializadas capazes de atingir os 20 quilómetros provavelmente levaria uma década e milhares de milhões de libras em custos de desenvolvimento.

Em vez disso, os investigadores acreditam que a adaptação das aeronaves existentes poderá proporcionar uma opção mais rápida e barata.
Mas mesmo isso exigiria uma reformulação cuidadosa para permitir que os aviões armazenassem e libertassem em segurança um gás tóxico a grandes altitudes, sem representar riscos para a tripulação, para os passageiros ou para o ambiente.
No nosso caso, se estivéssemos a utilizar aeronaves existentes, ainda haveria um programa de modificação necessário. Seria necessário um meio de ventilar o dióxido de chinelo e transportá-lo em segurança. É um gás tóxico, certo? Se o libertar ao nível do solo, pode ser bastante prejudicial. Portanto, existem certamente grandes desafios de engenharia, mas serão menos intensos do que a implantação a altitudes mais elevadas.
Os investigadores da UCL responsáveis ​​pelo estudo realçam que a injeção de aerossóis estratosféricos não substituiria a redução das emissões e acarretaria sérios riscos se não fosse cuidadosamente gerida.

No entanto, outros investigadores, como Raymond Pierrehumbert, professor de Física na Universidade de Oxford, mostram-se cépticos quanto aos riscos representados pela utilização da geoengenharia para limitar os impactos mais perigosos das alterações climáticas.
Afirma: "O dióxido de carbono continuará a afetar o clima e a aquecer-nos durante milhares de anos, mas os aerossóis estratosféricos serão eliminados numa questão de um ano ou mais. Portanto, se se encontrar numa situação em que depende dele, em que depende da injeção de aerossóis estratosféricos, estará, na verdade, a prender a humanidade a fazê-lo infalivelmente durante pelo menos séculos. E esta é uma situação muito perigosa. E se o fizer numa altura em que ainda não atingimos o zero líquido, terá de fazer mais disso todos os anos. E se parar, será atingido por um aquecimento catastrófico maciço e muito rápido."
Há preocupações de que depender da injeção de aerossóis possa prender as gerações futuras a um compromisso arriscado e de longo prazo, com consequências perigosas se for interrompido.
"Entre outras coisas, quando se aplica a injeção de aerossóis estratosféricos, pode-se alterar os padrões de circulação atmosférica. Isto pode provocar, por exemplo, perturbações nos padrões de precipitação, secas em alguns locais e inundações excessivas noutros", alerta Pierrehumbert.

Grupos desde a Academia Nacional de Ciências dos EUA ao Programa das Nações Unidas para o Ambiente analisaram a ética, os efeitos secundários, as complicações legais e os benefícios da geoengenharia com vários graus de ceticismo e interesse cauteloso.

A pintura é uma gravação da emoção

Zhou Yansheng 周彦生 (b.1942)
Citação de Edward Hopper