segunda-feira, 8 de junho de 2020

Hospitales de Noruega construyen cabañas para sanar pacientes con naturaleza

Fonte: aqui


Desde el año pasado, los médicos en Escocia pueden recetar un poco de naturaleza a sus pacientes. Ahora, Noruega lleva más allá esta práctica orgánica.

En los dos hospitales más grandes de este país nórdico se han construido idílicas cabañas de retiro. En ellas, los pacientes puedan recuperarse de enfermedades, traumas o accidentes rodeados de naturaleza.

Las cabañas fueron construidas por el Hospital de la Universidad de Oslo y el Hospital Sørlandet. Aunque se encuentran en los derredores de ambos hospitales, las cabañas brindan la sensación de estar alejadas, en un lugar tranquilo y apartado. Ahí, los pacientes pueden estar solos o recibir visitas y, lo que es más importante, recobrar energías y recuperar la salud. Es algo muy similar a los ya famosos “baños de bosque” japoneses.
En los países nórdicos tienen otra concepción de las cosas…Sobre todo, de la salud y la naturaleza.Ivar Kvaal

Países como Noruega están muy adelantados a su tiempo en muchos ámbitos, y al mismo tiempo conservan nociones antiguas que les siguen prodigando bienestar.

El término friluftssykehuset, con el que se define a estos hospitales al aire libre, está construido a partir del concepto friluftsliv, mismo que se usa para expresar la importancia que los nórdicos le dan a la naturaleza, y que se traduce literalmente como “vida al aire libre”. Este peculiar concepto se combinó con la palabra para “hospital”, sykehaus, formando el término friluftssykehuset, u “hospital al aire libre”.

El término friluftsliv demuestra que, como señaló el filósofo Wittgenstein, el lenguaje puede transformar el mundo. Este concepto ha dotado a los habitantes de Noruega de una conciencia permanente sobre la necesidad de siempre regresar a la naturaleza: de salir afuera, a los entornos naturales, y no dejar que las grandes ciudades nos escindan de ellos.

Y es que en dicho país se valora a la naturaleza como la gran curandera y amiga: como una gran e infalible guía, abierta para todo el que quiera sumergirse en ella para aprender. Porque los noruegos saben que la naturaleza es siempre coherente, y que a ella debemos volver permanentemente. Se trata de algo que a nosotros nos hace falta reflexionar para saber cómo reorganizar nuestra vida en colectividad, y para evitar que el abismo que nos separa de la naturaleza se haga cada vez más grande.

En lo que concierne a la salud, pocas cosas hay más nocivas que estar lejos de la naturaleza. El aire tóxico de las ciudades nos está enfermando, mientras que las dinámicas contemporáneas de trabajo provocan niveles inauditos de estrés, y la mala alimentación nos está destruyendo desde dentro. Por eso, no habría nada más realista que detenernos en seco y pensar en cómo revitalizar la medicina para restablecer la salud global. En ese sentido, los hospitales al aire libre son una propuesta que en todo el mundo podría –y debería– ser adoptada.

Porque Noruega nos está mostrando el camino. La pregunta es: ¿cambiaremos nuestros ya gastados paradigmas para voltear a una realidad más natural?

domingo, 7 de junho de 2020

“Não tem mais mundo para todo mundo”, diz Deborah Danowski

Fonte: aqui
Deborah Danowski não é apenas professora, doutora e pós-doutora em filosofia. Ela é uma das maiores estudiosas do aquecimento global, ou do colapso ecológico, como ela prefere, e militante ambiental aguerrida. Com o companheiro, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, divide alguns cursos na  Pós-Graduação da PUC, e a autoria de um livro que vem dando muito o que pensar. Lançado em 2014, “Há um mundo por vir: ensaio sobre os medos e os fins” é uma espécie de ensaio-provocação sobre a ruptura do homem com o mundo, que está por trás da destruição do planeta em ritmo assustador. As ficções distópicas no cinema, nas séries de TV, nos livros, as versões de “fins dos mundos” que imaginamos, são uma maneira de expressar a percepção desse colapso, diz Deborah, embora a humanidade esteja longe de perceber a urgência e a extensão dessa catástrofe, da qual a atual pandemia é uma pequena amostra.

Para a filósofa, porém, lembra o que disse Bruno Latour, a elite financeira, política e econômica do planeta, sabe muito bem do que está acontecendo e mente para se proteger. Ela chama a atenção para a desigualdade de efeitos do colapso ecológico sobre as populações, como está acontecendo com o coronavírus. “O aquecimento global é democrático como se diz que a pandemia é democrática, isto é, no sentido de que todos, pobres e ricos, são ou serão atingidos. Mas nenhuma das duas coisas é democrática em relação a quem tem mais capacidade de se proteger, ou meios para reagir, como, no caso da pandemia, o acesso à saúde”.

Pensadora inquieta, Deborah concluiu no ano passado seu segundo pós-doutorado na PUC-SP – o primeiro foi concluído em 2001, junto à Universidade de Paris IV (Panthéon-Sorbonne). O tema de sua pesquisa “Negacionismos” não poderia ser mais relevante no mundo e, especificamente, no Brasil de Bolsonaro – adepto do negacionismo em relação à pandemia – “uma gripezinha” -, à ditadura militar e até dos fatos, com seu desprezo pelo jornalismo e pela ciência. “Tem pessoas que dizem que a Terra é plana, que a ditadura militar não existiu no Brasil, ou que a Globo é comunista, que os nazistas eram de esquerda, que a cloroquina cura sem sombra de dúvida, enfim a lista é longa. Não pode ser por acaso que todas essas coisas se juntaram neste governo e, embora eu tenha estudado um pouco esse fenômeno, ele continua sendo um mistério para mim; porque não são só esses absurdos que são ditos sabe-se lá por quais interesses, são as pessoas que acreditam neles, e que seguem o que o presidente e seus ministros dizem”.

Você estuda os fins dos mundos e fala também de como essa ideia se traduz culturalmente nas distopias produzidas em filmes, livros, séries. Um dos trechos do Há um mundo por vir: ensaio sobre os medos e os fins?, o livro que você escreveu com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, cita uma dessas catástrofes imaginadas na ficção, a do “supervírus letal”. Como você recebeu a notícia dessa pandemia?

Pois é, mas foi uma menção muito rápida. A gente mencionou o vírus letal, e inclusive poderíamos acrescentar o vírus zumbi, né? [rs]. Brincadeiras à parte, Eduardo e eu falamos do vírus letal dentro desse quadro que a gente chamou de imaginações do fim do mundo. E, embora eu tenha passado anos em torno dessa questão do colapso ambiental, do fim do mundo, e as várias formas desse fim do mundo – mundo sem gente, gente sem mundo, antes e depois do mundo presente –, que foi como a gente começou a pensar as variações possíveis nas imaginações sobre a quebra dessa relação do homem com o mundo, pois na verdade é sobre isso que é o livro, eu tenho que confessar que nunca levei muito a sério esse tipo de coisa – meteoro, vírus letal, guerra bacteriológica – justamente porque já é tão grande o colapso ecológico que isso ocupava minha mente o tempo todo. Então foi uma surpresa pra mim também. E as primeiras notícias vinham cheias de adversativas, diziam que o novo coronavírus não era tão grave assim, que não se espalhava tão rápido quanto o sarampo, então minha primeira tendência foi não prestar atenção. Mas, pra mim, foi muito rápida essa passagem de não prestar atenção a perceber que era uma coisa séria. Já outras pessoas demoraram mais a se dar conta. Há graus diferentes de velocidade com que as pessoas vão se dando conta e vão entendendo que aquilo é real. A minha universidade, por exemplo, demorou um pouco a fechar, dei aulas com 40 alunos, com 60 alunos, e naquele momento eu já sabia que era sério. Tem graus de velocidade com que as pessoas vão se dando conta e vão entendendo que aquilo é real. Acho que isso é muito parecido com a demora maior ou menor com que as pessoas se dão conta do colapso ecológico.

O colapso ecológico é o seu tema principal de estudo. Quando soube da pandemia, você ligou o surgimento do novo coronavírus a essa catástrofe maior? Você acha que as pessoas estão fazendo essa ligação?

Pra mim, sim, era evidente. Não só a origem, mas a forma e a rapidez da disseminação do vírus, que tem a ver com a movimentação das pessoas e produtos, com o transporte global, com o desmatamento, com a agroindústria, com a forma como a gente está vivendo. O colapso ecológico não se resume à mudança climática, são vários parâmetros ou limites planetários; e, se um deles cai, se um deles é ultrapassado, tudo cai junto, é que nem um dominó. E o vírus está dentro desses subsistemas ecológicos, que constituem e sustentam a biosfera. Então, quase imediatamente eu me dei conta e, em seguida, percebi a proximidade desse processo pelo qual as pessoas recebem as notícias da pandemia e do colapso ecológico e respondem ou não a ela.

Claro, há algumas diferenças muito grandes, a começar pela velocidade do próprio acontecimento. A pandemia, em um, dois, três meses aqui no Brasil, já tinha assolado tudo, enquanto a mudança climática é bem mais gradual: a temperatura está aumentando, os eventos extremos estão mais frequentes e fortes, as secas, as tempestades, um pouco aqui, um pouco ali, e os fenômenos não acontecem na mesma velocidade e da mesma forma no mundo inteiro. Então isso permite que as pessoas afastem de si, enquanto podem, esse pensamento, esse perigo, porque é algo muito mais lento e demorado. Mas temos nos dois casos o mesmo processo de recusa do que está acontecendo, de negação, de dizer “não é tão grave”, “é só uma gripezinha”, “vai ter um remédio que vai nos curar, a vacina vai chegar a tempo”, “alguém vai fazer alguma coisa”. E aqui, no Brasil, a gente está percebendo claramente que ninguém vai fazer nada; ou melhor, somos nós mesmos que estamos fazendo, nós que temos que fazer, a sociedade civil, os coletivos, os grupos, ONGs, laboratórios, universidades, artistas, porque do outro lado, do lado do Estado, que hoje virou um poder de milicianos, só encontramos a tentativa de nos impedir, de nos barrar.

E o que é especialmente trágico, cruel, além das mortes, é esse isolamento que a gente é obrigada a fazer, que necessariamente bate em todo mundo e de uma maneira violenta porque não dá nem pra gente enfrentar adequadamente esse governo de loucos. A resistência existe. Por exemplo, tem esse movimento incrível de pessoas que estão se juntando para ajudar, os coletivos, uma porção de grupos da sociedade civil que estão se organizando; as pessoas estão indo lá, enfrentando a pandemia com seus próprios corpos, mas é muito difícil enfrentar o que está acontecendo sem poder ver as pessoas, falar com as pessoas, tocar nas pessoas.

Aproveitando o gancho da recusa de aceitar a gravidade da pandemia, o colapso ecológico, você pesquisa o negacionismo também, não é? Como você vê esse duplo negacionismo do governo, de um lado um presidente que nega fatos históricos, nega a ditadura militar, de outro a negação da gravidade da pandemia, da ciência?

Eu me interessei pela questão do negacionismo por ter me acontecido várias vezes de debater com pessoas, inclusive com pessoas de esquerda, pessoas da academia, que simplesmente não acreditavam no aquecimento global: “Isso é aquecimentismo, isso é Hollywood, isso são os países desenvolvidos querendo impedir o Brasil de se desenvolver”. E fui percebendo que existem vários graus e várias maneiras de se negar. Desde Olavo de Carvalho, que diz que a Terra é plana, Trump, que diz que o aquecimento global é uma bobagem ou um complô da China, ou as pessoas que são pagas pelas indústrias de combustíveis fósseis – porque o grosso do negacionismo é financiado, como aconteceu também com a invasão de fake news na época das eleições –; desde esse tipo de gente, então, até ecologistas, pessoas que há anos trabalhavam em defesa da preservação do meio ambiente e da justiça ambiental, mas que, quando se viam diante do problema do aquecimento global, tinham como que um obstáculo epistemológico, para usar o termo do [Gaston] Bachelard. Isso não cabia dentro das suas estruturas mentais. E algo parecido se passa com pessoas que pensam “ah, tem sim, mas isso alguém vai resolver, vão inventar uma tecnologia” e até com nós mesmos, que não conseguimos pensar nisso o tempo todo e que portanto também negamos uma boa parte do tempo.

Então eu achava esse negacionismo um mistério, e um pouco até pra me defender do estado de espírito em que eu ficava quando debatia com alguém sobre isso, com alguém que negava, um dia eu pensei: “Vou dar um curso sobre isso”. E comecei desdobrando a negação em várias modalidades, passando por conceitos da psicanálise, da filosofia, e retrocedi até o Holocausto. Porque o termo “negacionismo” – isso é importante – passou a ser usado com um sentido semelhante a partir de 1987 pelo historiador francês Henry Rousso, pra denunciar os revisionistas do Holocausto, que diziam que não tinha havido campos de extermínio, que não tinha havido genocídio de judeus etc.

De acordo com Deborah Danowski: “O aquecimento global é democrático como se diz que a pandemia é democrática, isto é, no sentido de que todos, pobres e ricos, são ou serão atingidos”
E esse negacionismo do passado, com fatos históricos registrados em documentos, depoimentos, assim como acontece aqui com a ditadura, é mais difícil de entender do que a recusa do aquecimento global, que é em relação ao futuro.

Pois é, justamente. Se a pessoa é paga pra isso até dá pra entender, e se a pessoa tem interesses econômicos, políticos ou religiosos, isso também é, digamos assim, compreensível. Mas e quando isso não existe? Porque, no caso do Holocausto, há documentos provando, testemunhas, histórico das indústrias que fabricaram o gás Zyklon B e que continuam existindo até hoje. Por que esses empresários colaboraram com o regime nazista? Por que algumas dessas empresas continuam existindo? Acho bem interessante essa comparação que você faz entre negar o passado e negar o futuro. Porque o aquecimento global já está acontecendo, e nesse sentido ele é presente e passado, mas a grande negação é de que isso vá explodir, com uma dimensão muitíssimo maior do que a pandemia da Covid-19, num futuro próximo, e vai atingir todos nós, ou pelo menos nossos filhos e netos, vai atingir todos os povos, incluindo aqueles que menos emitem dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Porque o aquecimento global é democrático, como se diz que a pandemia é democrática, isto é, no sentido de que todos, pobres e ricos, são ou serão atingidos. Mas nenhuma das duas coisas é democrática em relação a quem tem mais capacidade de se proteger, ou meios para reagir, como, no caso da pandemia, o acesso à saúde.

Mas voltando à comparação entre o negacionismo do passado e do futuro. Tem muita coisa diferente nessas duas formas, mas muita coisa parecida também. Existe um texto excelente, bastante conhecido, da Shoshana Felman, “In a era of testimony”, sobre o Shoah, aquele filme maravilhoso do Claude Lanzmann, de 1985, que tem quase nove horas e foi feito só com testemunhas do Holocausto, em que ele leva as testemunhas, em sua maioria sobreviventes dos campos, para aqueles mesmos locais na Polônia e força uma espécie de reencenação: ele vai fazendo perguntas, e em alguns momentos ficamos até incomodados com isso, porque ele força as pessoas a falar, a se lembrar, mesmo contra a vontade delas, porque quer construir uma memória. E a Shoshana Felman analisa esplendidamente esse filme e mostra como o Lanzmann se baseia, em parte, numa distinção feita pelo historiador Raul Hilberg no livro A destruição dos judeus europeus, entre três tipos de personagens do Holocausto:– perpetradores – nazistas –, vítimas – judeus – e espectadores – os poloneses que viviam ao redor dos campos ou nas aldeias próximas. Então são três tipos de testemunhas que aparecem no filme: os sobreviventes judeus, os nazistas – que ele filma escondido – e os poloneses, que dizem que não tinham nada contra os judeus e que eram proibidos pelos nazistas de olhar, mas que, quando levados pelas perguntas de Lanzmann a falar um pouco mais, percebemos que conheciam muitos detalhes do que se passava, ouviam os gritos, sabiam para que serviam os trens, e não haviam feito nada.

“O Brasil poderá ser conhecido como o país que enraizou o negacionismo científico”, diz Nicolelis
Para evitar uma catástrofe, o renomado neurocientista Miguel Nicolelis afirma que é o momento de adotar medidas drásticas contra o coronavírus: lockdown em locais onde a ocupação dos hospitais esteja acima de 80%, acompanhado de um auxílio econômico que, de fato, permita às pessoas ficar em casa

“Quanto maior o colapso do governo, maior a virulência da guerra cultural”, diz pesquisador da Uerj
Para o professor João Cezar de Castro Rocha, uma visão revanchista e revisionista da história brasileira moldou Bolsonaro e os bolsonaristas; é essa narrativa que justifica a criação e eliminação de inimigos em série enquanto, ao mesmo tempo, torna impossível governar

sábado, 6 de junho de 2020

The Evolution of Life



When Sir David Attenborough was in his mid-eighties, many thought he had retired. Instead, he was embarking on a new seven-yearjourney, revisiting some of the most astonishing landscapes and creatures on the planet and using advanced technologies to share a freshperspective on our world. From the depths of the Great Barrier Reef to the rainforests of Borneo, from the fastest bird on earth in Rome tothe legendary Dodo in the Natural History Museum, this remarkable documentary follows David's travels across the globe and throughtime. Featuring spectacular footage and breathtaking CGI, Attenborough's Global Adventure represents a new era of natural history filmmaking.

Não temos motivo nenhum para não ter esperança. Mas temos também de ter responsabilidade.

Fonte: aqui

Nos últimos meses, o mundo assistiu à rápida disseminação do novo coronavírus. De pequeno surto a pandemia global, em pouco mais quatro meses a Covid-19 chegou e atingiu-nos a todos. Colocou-nos em isolamento, afetou economias e criou restrições a pelo menos de um terço da população mundial.

Apesar de estarmos em modo reação, este momento deve ser encarado como uma oportunidade para reflexão, também na Ciência. Uma rápida e evidente conclusão a que todos chegámos, com esta pandemia, é que a Ciência e os cientistas são importantes. Se algo que se tornou claro durante esta pandemia, é que a Ciência feita ao longo destes anos está a revelar-se essencial no desenvolvimento de respostas e tratamentos à Covid-19.

António de Sousa Pereira, Reitor da Universidade do Porto [e médico] foi o mais recente convidado do Dean’s Lounge. Numa conversa informal com Patrícia Teixeira Lopes, associate dean da Porto Business School a propósito da "Ciência da Pandemia”, o Reitor da Universidade do Porto partilhou a sua visão sobre a mudança de paradigma eminente, na Ciência.

Segundo o Reitor da Universidade do Porto, “temos atualmente doenças de países pobres, que não merecem grande atenção por parte da grande investigação internacional. Felizmente, temos doações de fundações como a fundação Bill & Melinda Gates, mas os avanços no combate a doenças como a malária ou a tuberculose têm sido muito poucos”. O grande investimento tem recaído na investigação do prolongamento da vida. Veja-se o investimento da Google e da Microsoft na replicação celular perfeita, em projetos como o Calico - California Life Company.

“A COVID-19 veio colocar-nos os pés no chão. Estávamos no domínio do mirabolante, com investimentos de milhões em técnicas sofisticadíssimas que iriam estar acessíveis apenas a alguns e, de repente, estes que pensavam poder comprar com dinheiro a eternidade, percebem que há uma coisa tão simples como um vírus que pode destruir a vida destes, que se julgavam ser absolutamente inatacáveis”.

Para António de Sousa Pereira, o contexto que estamos a viver obriga a repensar tudo o que estava a ser feito. “Vamos ter de perceber que só somos saudáveis se a sociedade em que estamos inseridos for saudável.”

E aponta o caso paradigmático de Singapura, país exemplar no combate à COVID-19 , mas que, por não ter em consideração as comunidades imigrantes a viver em guetos, não conseguiu controlar a disseminação da doença e deixou cair por terra todo o trabalho desenvolvido. E isto obriga a repensar tido aquilo que estava a ser feito, obriga a que as Nações olhem para doenças não tão sofisticadas” e se tomem decisões de investimento que possam beneficiar toda a humanidade.

Para isso, a cooperação entre países é essencial. Talvez por isso, António de Sousa Pereira mostra-se preocupado com a posição dos EUA - “Quando vemos que uma das nações tecnologicamente mais evoluída se está a colocar à margem de tudo isto, fico preocupado. Pensar que a Ciência, de uma certa forma global, possa evoluir sem a participação dos EUA é estranho para mim, pelo menos para já.”

Sobre a capacidade de adaptação da Ciência, António de Sousa Pereira é claro, no papel que os decisões políticas (e económicas) têm: “a Ciência tem tido uma capacidade enorme de se adaptar às circunstancias. E diga-se circunstâncias como sinónimo de financiamento. Quando os decisores decidem o investimento para uma determinada área, a Ciência vai atrás desse financiamento. Foi o que aconteceu recentemente. A União Europeia muito rapidamente decidiu criar um programa para financiar projetos na área da COVID-19 e a resposta da nossa comunidade foi fantástica. Os nossos laboratórios mudaram rapidamente a direção e estão a fazer investigação aplicada e a fazer bem.”

Um sinal promissor de viragem no rumo que a investigação científica que a a Europa estava a seguir. - “A Europa andava muito diletante (...), andava a fazer investigação sem rumo. Neste momento, acho que já todos perceberam, na Europa, que a investigação tem de ser direcionada para os produtos inovadores e para a criação de mais-valia. Esta é uma consequência já visível [do contexto] e que acredito que já não volte atrás. (...)

Não temos motivo nenhum para não ter esperança. Mas temos também de ter responsabilidade.”

Por uma escola humanizada


Costa anunciou ontem um pacote de transição digital nas escolas. Este era o momento para anunciar redução alunos por turma, melhoria dos salários de professores e funcionários. Retorno a aulas de grande curiosidade e valor cientifico, num turno, presenciais, e deixar muitas horas livres para brincadeira e socialização, noutro turno. Em vez disso vai-se colar as crianças a um ecran. Este foi o momento excepcional em que aprendemos neste experimento mundial obrigados pelas medidas da pandemia que o “ensino” online não funciona – em vez disso prego a fundo rumo ao desastre.
Os professores, até agora, empenhados e descontentes, ou reagem impedindo isto ou vão descobrir que com o ensino em casa não se livram da escola de que não gostavam. Pelo contrário, essa mesma escola de que já não gostavam vai passar agora a ser a sua casa, que vão odiar tanto ou mais do que a escola. Em breve vão ter saudades até das filas de trânsito quando se descobrirem totalmente alienados dos seus alunos, o seu sentido da vida, e a casa transformada em tudo o que de mau há hoje nas escolas, sem nada do que há de bom. Para o país, se esta “transição” avançar, imposta sem qualquer discussão democrática, vai ser um retrocesso civilizacional. Esperamos a lista de empresas que vão vender estes pacotes ao Estado e respectivos mediadores de interesses. Já que vendem o último pedaço de Estado social – a educação – ao mercado, acabando com um serviço que estava fora da alçada do mercado – que nos digam de forma transparente quem vai ficar com o dinheiro dos nossos impostos, enquanto transformam os nossos filhos em autómatos, obsesos, e (ainda mais) desfuncionais do ponto de vista relacional.

Quem acha que isto é um problema de pais, alunos e professores, que pensam na qualidade do trabalho e na felicidades das pessoas (e esse deve ser o objectivo), desengane-se. Não seremos 4 milhões os afectados, mas 10 milhões. Esta força de trabalho sairá da escola sem qualquer capacidade de pensar a totalidade, autonomia ou complexidades de raciocínio, saberão carregar o polegar num ecran. Portanto não conseguirão dar conta do trabalho real, seja no público seja no privado.

Assumi há muito com confiança o meu papel de “velho do Restelo” neste campo. Tenho anos, já décadas, de trabalho cientifico nesta matéria. Sou contra qualquer aparelho na escola, acho que os telemóveis deviam ser proibidos, até no recreio, que quadros interactivos, e mesmo o famoso power Point, só servem para dispersar. Acho que uma escola seria apaixonante para os alunos e professores se tivesse aulas magistrais clássicas, de manhã, dadas por professores de excelência cientifica muitíssimo bem pagos, e um amplo espaço verde e de convívio livre onde o desporto, os trabalhos manuais diversos (construir coisas com as mãos) e o lazer fossem pelo menos metade do dia. Isto que assistimos é tudo o contrário do que defendo – a “transição digital” é, como já tantos no campo da filosofia alertaram, a barbárie tecnológica.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Antony & The Johnsons - Hope There's Someone


Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go?

Hope there's someone
Who'll set my spirit free
Tell me why I'm coming home

Oh, I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How will I fall asleep tonight?
How will I rest my head?

Oh, I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go?

Hope there's someone
Who'll set my spirit free
Tell me why I'm coming home


"Hope There's Someone" é uma meditação sombria e vulnerável sobre a mortalidade e o isolamento existencial. O tema central é o pavor do desconhecido que surge após a morte; não é apenas uma questão de onde se vai, mas de quem estará lá.

A canção destaca o conceito do limbo — o tal "lugar do meio" — que representa o medo de não alcançar a paz nem o descanso final. Para Anohni, a música funciona como uma prece laica, um pedido desesperado por companhia no momento mais solitário da experiência humana: a transição da vida para a morte. A progressão sonora da faixa, que começa com um piano fúnebre e termina com vocalizações quase agónicas, mimetiza a ansiedade e o pânico que o tema da finitude muitas vezes desperta. Além disso, no contexto da vivência da artista, a obra toca na fragilidade de quem procura aceitação e segurança num mundo que, por vezes, exclui identidades marginalizadas.

Angela Davis e Naomi Klein - Construindo movimentos: uma conversa em tempos de pandemia [legendado]


No auge da pandemia do novo coronavírus, duas das maiores pensadoras e ativistas de nosso tempo, Angela Davis e Naomi Klein, se reuniram virtualmente para uma conversa com lideranças de movimentos sociais sobre conjuntura, capitalismo, autoritarismo e desigualdade. 
Organizado pela coligação de movimentos sociais The Rising Majority, o encontro contou com a participação de Thenjiwe McHarris (Blackbird), Cindy Wiesner (Grassroots Global Justice), Maurice Mitchell (Working Families Party) e Loan Tran (Southern Vision Alliance) e foi realizada no dia 6 de abril de 2020.

“A situação do Brasil preocupa, é muito pior que a nossa – sem falar nas semelhanças entre os dois presidentes. Mas acredito que nós, dos EUA, podemos encontrar em países como o Brasil e a África do Sul vozes que almejam sair criativamente desta crise.” (Angela Davis)

“Construído sobre o sacrifício de vidas em nome do lucro, o capitalismo sempre foi assim – do tráfico de escravos no Atlântico até a guerra contra a natureza. Ele enfraqueceu nosso sistema imunológico coletivo, criando as condições para o vírus se espalhar desenfreadamente.” (Naomi Klein)

A covid-19 seria mesmo democrática como muitos afirmam? Nessa conversa, as autoras argumentam que o foco da doença atinge especialmente os mais pobres e vulneráveis, como negros e mulheres, mesmo em países mais ricos, como os Estados Unidos.

A atuação de líderes autoritários que utilizam a pandemia como manobra de garantia de poder também é tema no debate, com destaque para Viktor Orban, Jair Bolsonaro, Benjamin Netanyahu e Donald Trump.

Legalidade é uma construção dos poderosos e não pela Justiça


O que fazer com o Planeta dos Humanos?

Ao cruzar-se com o filme, o melhor é estar ciente das suas limitações, mas também aproveitar os pontos em que acerta, como a crítica a certos biocombustíveis, a importância da descarbonização da sociedade, da transparência do financiamento das organizações, da ética ambiental, bem como da detecção de práticas de greenwashing.
Armando Alves

Há um novo e controverso filme a agitar a comunidade ambiental. Chama-se Planet of the Humans, é realizado por Jeff Gibbs e conta com o galardoado Michael Moore como produtor executivo. Em 100 minutos, a dupla foca-se na realidade norte-americana para tecer duras críticas às energias renováveis, ao movimento ambientalista, bem como a diversas figuras públicas, como Al Gore ou Bill McKibben. A cereja no topo do bolo: estreou-se no YouTube a 22 de Abril, nos 50 anos do Dia da Terra.

Apesar de o filme abordar diversos temas, da tecnologia ao capitalismo, apenas quero focar-me brevemente na sua abordagem às energias renováveis, sobretudo solar e eólica. Creio que Gibbs e Moore dão um tiro no pé por apresentarem um registo demasiado tendencioso e com erros. Por exemplo, não se compreende que, num filme de 2020, apresentem dados e exemplos desactualizados e não refiram um único caso de sucesso de qualquer tipo de energia renovável. Ou que Ozzie Zehner, um dos entrevistados e autor de algumas das afirmações mais controversas, não seja apresentado como sendo o produtor do documentário. Noutro momento, Gibbs usa um único estudo científico de 2012 e entrevista o seu único autor para “provar” o seu ponto de vista. Porque não apresentou estudos mais recentes e não entrevistou outros peritos em energias renováveis?

Por não ser esclarecedor, actual, rigoroso e jornalisticamente cuidadoso em muitos aspectos, o documentário acaba por desinformar acerca das energias renováveis e pode causar um retrocesso na opinião pública acerca destas tecnologias, um brinde para a indústria petrolífera e os negacionistas climáticos. Críticas não faltam e a Films For Action chegou mesmo a retirá-lo temporariamente da sua plataforma — e há quem exija ao realizador a sua remoção. Contudo, somando milhões de visualizações, o que fazer com o filme? Escondê-lo debaixo do tapete? Talvez não. Ao cruzar-se com o filme, o melhor é estar ciente das suas limitações, mas também aproveitar os pontos em que acerta, como a crítica a certos biocombustíveis, a importância da descarbonização da sociedade, da transparência do financiamento das organizações, da ética ambiental, bem como da detecção de práticas de greenwashing.

Planet of the Humans é, acima de tudo, um lembrete amargo de que, apesar de décadas de ambientalismo, alertas da comunidade científica e pequenas vitórias, permanecemos fundamentalmente no mesmo sistema socio-ecónomico que é responsável pela crise ambiental. A ideia de que conseguiremos manter os padrões de consumo actuais que tanto apreciamos nos países mais desenvolvidos, crentes de que a tecnologia nos salvará a todos, humanos e não-humanos, faz-me lembrar um conto de fadas moderno. Talvez mais perto da realidade, mas longe da vontade, esteja uma inevitável redução massiva do consumo de recursos naturais, energia primária e uma necessária reinvenção socioeconómica.

Último reparo, prometo: o filme é omisso em soluções. Suponho que faça parte do murro em cima da mesa. Seja como for, como solucionar algo tão complexo? Não me refiro à adição em combustíveis fósseis, mas ao maior desafio de sempre da humanidade, vivido aqui e agora por todos nós: como evitar que a civilização actual seja responsável pelo colapso dos limites planetários? O rumo que seguimos actualmente faz-me lembrar quando escavava túneis na areia molhada da praia e depois ficava curioso por encontrar o seu ponto de colapso. Sabemos que esses pontos estão próximos mas, ainda assim, continuamos a escavar.

Sustentabilidade Como o "Novo Normal” - Uma Visão para o Futuro do Turismo


Para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Programa de Turismo Sustentável One Planet, liderado pela Organização Mundial do Turismo (OMT), anuncia sua nova visão para o turismo global – crescer melhor, mais forte e equilibrar as necessidades das pessoas, do planeta e da prosperidade.

A Visão One Planet  para a Recuperação Responsável do Setor de Turismo baseia-se nas Diretrizes Globais da OMT para Reiniciar o Turismo, com o objetivo de emergir mais forte e sustentável da crise do COVID-19.

Este esforço conjunto surge numa altura em que vários destinos em todo o mundo começam a aliviar as restrições de viagens e mobilidade e o setor do turismo prepara-se para retomar a sua atividade com as lições aprendidas com a pandemia.

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, disse: “A sustentabilidade não deve mais ser um nicho do turismo, mas deve ser a nova norma para todas as partes do nosso setor. Este é um dos elementos centrais de nossas Diretrizes Globais para Reiniciar o Turismo . Está nas nossas mãos transformar o turismo e a saída do COVID-19 torna-se um ponto de viragem para a sustentabilidade.

Crescimento melhor, mais sustentável e resiliente
A sustentabilidade não deve mais ser um nicho do turismo, mas deve ser a nova norma para todas as partes do nosso setor
A Visão One Planet apela à recuperação responsável do setor do turismo , que se baseia na sustentabilidade, para reconstruir melhor. Isso sustentará a resiliência do turismo para estar melhor preparado para futuras crises. A Visão apoiará o desenvolvimento e implementação de planos de recuperação, que contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e para o Acordo de Paris .

Numa altura em que os governos e o setor privado estão a embarcar no caminho da recuperação, é o momento certo para continuar a avançar para um modelo de turismo mais sustentável do ponto de vista económico, social e ambiental .

Setor privado comprometido em liderar pelo exemplo
Sabina Fluxà, Vice-Presidente e CEO do Iberostar Group , empresa internacional líder em Hotéis e Resorts, destacou que "é imperativo manter o foco na criação de uma maneira mais responsável e justa de viajar", acrescentando que "a Iberostar respondeu integrando a sustentabilidade em protocolos de segurança elevados e ainda mais comprometidos com nossas políticas de economia circular para garantir que qualquer novo resíduo seja gerenciado adequadamente.”

De acordo com Delphine King, diretora executiva da The Long Run, uma comunidade internacional de empresas de turismo baseadas na natureza, “Nossos membros conservam coletivamente mais de 20 milhões de acres de ecossistemas frágeis, e nenhum desses trabalhos parou apesar da pandemia e da pausa do turismo, demonstrando onde estão as prioridades.”

James Thornton, CEO da Intrepid Travel, fornecedora líder de experiências de viagens de aventura, pede ações comprometidas e ressalta que: “Acreditamos que a ação climática é um compromisso coletivo com a sustentabilidade de toda a indústria de viagens e do mundo que tanto amamos explorar ”

A Visão One Planet para a Recuperação Responsável do Setor do Turismo está estruturada em seis linhas de ação para orientar a recuperação do turismo responsável para as pessoas, o planeta e a prosperidade, nomeadamente saúde pública, inclusão social, conservação da biodiversidade, ação climática, economia circular e governação e finanças .

Sobre o Programa de Turismo Sustentável One Planet
O Programa de Turismo Sustentável One Planet visa aumentar os impactos do desenvolvimento sustentável do setor de turismo até 2030, desenvolvendo, promovendo e ampliando o consumo sustentável e práticas de produção que impulsionam o uso eficiente dos recursos naturais, enquanto produzem menos resíduos e abordam os desafios do clima mudança e biodiversidade. O Programa de Turismo Sustentável One Planet é liderado pela OMT, com os governos da França e da Espanha como co-líderes e em colaboração com o PNUMA.

Relatório
One Planet Vision for a Responsible Recovery

quinta-feira, 4 de junho de 2020

OCEAN UPTAKE OF CO2 COULD DROP AS WE CUT CARBON EMISSIONS

Fonte: aqui

WASHINGTON—Volcanic eruptions and human-caused changes to the atmosphere strongly influence the rate at which the ocean absorbs carbon dioxide, according to a new study published today in the journal AGU Advances. The ocean is so sensitive to changes such as declining greenhouse gas emissions that it immediately responds by taking up less carbon dioxide.

The authors say we may soon see this play out due to the COVID-19 pandemic lessening global fuel consumption; They predict the ocean will not continue its recent historic pattern of absorbing more carbon dioxide each year than the year before, and could even take up less in 2020 than in 2019.

“We didn’t realize until we did this work that these external forcings, like changes in the growth of atmospheric carbon dioxide, dominate the variability in the global ocean on year-to-year timescales. That’s a real surprise,” said lead author Galen McKinley, a carbon cycle scientist at Columbia University’s Lamont-Doherty Earth Observatory. “As we reduce our emissions and the growth rate of atmospheric carbon dioxide slows down, it’s important to realize that the ocean carbon sink will respond by slowing down.”

The new study largely resolves the uncertainty about what caused the ocean to take up varying amounts of carbon over the last 30 years. The findings will enable more accurate measurements and projections of how much the planet might warm, and how much the ocean might offset climate change in the future.

A carbon sink is a natural system that absorbs excess carbon dioxide from the atmosphere and stores it away. Earth’s largest carbon sink is the ocean. As a result, it plays a fundamental role in curbing the effects of human-caused climate change. Nearly 40 percent of the carbon dioxide added to the atmosphere by fossil fuel burning since the dawn of the industrial era has been taken up by the ocean.

There’s variability in the rate at which the ocean takes up carbon dioxide, which isn’t fully understood. In particular, the scientific community has puzzled over why the ocean briefly absorbed more carbon dioxide in the early 1990s and then slowly took up less until 2001, a phenomenon verified by numerous ocean observations and models.

McKinley and her coauthors addressed this question by using a diagnostic model to visualize and analyze different scenarios that could have driven greater and lesser ocean carbon uptake between 1980 and 2017. They found the reduced ocean carbon sink of the 1990s can be explained by the slowed growth rate of atmospheric carbon dioxide early in the decade. Efficiency improvements and the economic collapse of the Soviet Union and Eastern European countries are thought to be among the causes of this slowdown.

But another event also affected the carbon sink: The massive eruption of Mount Pinatubo in the Philippines in 1991 caused the sink to temporarily become much larger coincident with the eruption.

“One of the key findings of this work is that the climate effects of volcanic eruptions such as those of Mount Pinatubo can play important roles in driving the variability of the ocean carbon sink,” said coauthor Yassir Eddebbar, a postdoctoral scholar at Scripps Institution of Oceanography.

Pinatubo is the second-largest volcanic eruption of the 20th century. The estimated 20 million tons of ash and gases it spewed high into the atmosphere had a significant impact on climate and the ocean carbon sink. The researchers found that Pinatubo’s emissions caused the ocean to take up more carbon in 1992 and 1993. The carbon sink slowly declined until 2001, when human activity began pumping more carbon dioxide into the atmosphere — the ocean responded by absorbing these excess emissions.

“This study is important for a number of reasons, but I’m most interested in what it means for our ability to predict the near-term, one to ten years out, future for the ocean carbon sink,” said coauthor said Nicole Lovenduski, an oceanographer at the University of Colorado Boulder. “The future external forcing is unknown. We don’t know when the next big volcanic eruption will occur, for example. And the COVID-19-driven carbon dioxide emissions reduction was certainly not anticipated very far in advance.”

Investigating how the Pinatubo eruption impacted global climate, and thus the ocean carbon sink, and whether the drop in emissions due to COVID-19 is reflected in the ocean are among the research team’s next plans.

By understanding variability in the ocean carbon sink, the scientists can continue to refine projections of how the ocean system will slow down.

McKinley cautions that as global emissions are cut, there will be an interim phase where the ocean carbon sink will slow down and not offset climate change as much as in the past. That extra carbon dioxide will remain in the atmosphere and contribute to additional warming, which may surprise some people.

“We need to discuss this coming feedback. We want people to understand that there will be a time when the ocean will limit the effectiveness of mitigation actions, and this should also be accounted for in policymaking,” she said.

###

AGU (www.agu.org) supports 130,000 enthusiasts to experts worldwide in Earth and space sciences. Through broad and inclusive partnerships, we advance discovery and solution science that accelerate knowledge and create solutions that are ethical, unbiased and respectful of communities and their values. Our programs include serving as a scholarly publisher, convening virtual and in-person events and providing career support. We live our values in everything we do, such as our net zero energy renovated building in Washington, D.C. and our Ethics and Equity Center, which fosters a diverse and inclusive geoscience community to ensure responsible conduct.

Filme - A Pomba Branca (Holubice- 1960) de František Vláčil


A Pomba Branca
Holubice
República Checa, 1960, 66’
Direção: František Vláčil

Durante a sua jornada de volta para casa, no Mar Báltico, um inocente pombo-correio perde-se e cai na cidade de Praga, onde é resgatado e cuidado por um frágil garoto. Logo os dois desenvolverão uma amizade que tocará todos ao seu redor. Entretanto enquanto o menino decide resgatá-lo e cuidar dele a sua verdadeira dona sofre por sua ausência.

The film is based on the short story "Susanne" by Otakar Kirchner: a dove belongs to a German girl, Susanne. The dove gets lost on its way from France to the Baltic Sea and ends up in Prague. The dove is shot by a crippled boy, Michal. It is found by a sculptor, Martin, who brings it to Michal. Michal helps the dove to recover and he befriends Martin. Martin finds from where the dove comes and sends there a picture of the bird. Susanne, is sad from the dove's absence but realises that the dove will return. Michal recovers together with the dove but does not want to give her up. Martin eventually convinces Michal to release the dove.



Poderemos algum dia viajar mais rápido do que a luz?

É uma hipótese a que todos já fomos expostos pelas suas representações na ficção, em particular no universo cinemático e televisivo. Viajar à velocidade da Luz é uma matéria há décadas estudada e que parece ser possível, na teoria. No entanto, ainda há muito a descobrir para se darem passos significativos
.
Fonte: aqui



Quem, como eu, gosta de Star Trek está mais do que familiarizado com os métodos de propulsão utilizados pelas suas naves estelares, em particular, com o Warp Drive. Existe toda uma terminologia fictícia em torno desta tecnologia imaginada nos anos 60 para permitir que o Capitão Kirk e a tripulação da Enterprise viajassem pela galáxia e, de uma semana para a outra, se pudessem já encontrar num sistema estelar diferente.

Em 1994, o físico mexicano Miguel Alcubierre Moya publicou um artigo na revista Classical and Quantum Gravity onde estabelece os princípios de funcionamento de um Warp Drive. Alcubierre mostrou que as equações de campo de Einstein, as equações fundamentais da teoria da Relatividade Geral, têm soluções que permitem viajar mais rápido do que a luz.

A propulsão de Alcubierre, como ficou conhecida, contorna a impossibilidade de se atingir a velocidade da luz mantendo o objeto parado relativamente ao seu referencial local. O movimento aparente é obtido através da contração do espaço na frente do objeto e da expansão do espaço na sua retaguarda. Desta forma, é teoricamente possível viajar entre dois locais no universo a uma velocidade superior à da luz sem violar as leis da Física, tais como as conhecemos. A proposta era suficientemente consistente para ser considerada de forma séria.

Em 1996, a NASA criou o projeto Breakthrough Propulsion Physics, liderado por Marc G. Millis, para estudar tecnologias avançadas de propulsão espacial que poderiam ser tornadas possíveis por novas descobertas na Física. Até ao cancelamento deste projeto, um total de catorze potenciais métodos de propulsão foram estudados, quer do ponte de vista teórico, quer com estudos experimentais. Desses, foi possível excluir seis como não sendo viáveis, em quatro não foram obtidas conclusões e outros quatro foram identificados como oportunidades para continuar a pesquisa. O Motor de Alcubierre encontra-se neste último grupo.

No mesmo sentido, a ESA encomendou em 2002 o estudo Gravity Control and Possible Influence on Space Propulsion aos físicos Orfeu Bertolami, que na altura trabalhava no Instituto Superior Técnico e atualmente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e Martin Tajmar. Este estudo concluiu que, no estado atual do conhecimento, os métodos de propulsão por controlo da gravidade propostos apenas permitiam pequenos ganhos e não havia garantia que levassem a ruturas.

Legenda: Visualização da contração e expansão do espaço-tempo no Warp Drive conforme proposto por Alcubierre créditos: Wiki Commons, Allen McC

Um dos principais problemas é a enorme quantidade de energia necessária para criar os campos gravitacionais que provocariam as distorções no espaço-tempo necessárias para causar o movimento. As estimativas oscilam entre uma massa superior à massa de todo o universo visível e a massa de Jupiter. Lembremo-nos que, na relatividade, massa e energia são equivalentes através da conhecida fórmula E=mc^2. Um hipótese de resolver este problema seria conseguir usar a própria densidade de energia do vácuo, conforme é previsto pelas teorias quânticas. Isto poderia permitir obter as densidades de energia necessárias, mas ainda é apenas uma possibilidade especulativa.

Além de serem necessárias grandes quantidades de energia, as distorções no espaço-tempo que criariam o movimento na propulsão de Alcubierre implicam a criação de uma região de densidade de energia negativa. Este requisito exige a existência daquilo a que se chama habitualmente “matéria exótica”, ou seja, matéria composta por partículas desconhecidas e que podem, ou não, existir.

Mesmo resolvidos os problemas da energia, há o potencial problema dos paradoxos de causalidade. Permitir viagens a velocidades superiores à da luz, na prática, é equivalente a permitir viajar para trás no tempo. Em termos simples, significa que a resposta a uma mensagem pode chegar à origem de emissão do sinal antes de o próprio sinal ser emitido. Num exemplo mais cinematográfico, significaria que eu poderia viajar para trás no tempo matar-me a mim próprio no passado. Este tipo de situações chamam-se "Paradoxos de Causalidade". O universo não deverá permitir este tipo de paradoxos, ainda que não se conheçam os mecanismos concretos que os impedem.

Sabemos, no entanto, que a teoria da Relatividade Geral é uma teoria incompleta. Espera-se que exista uma teoria de gravitação quântica que a irá substituir. Esta futura teoria poderá incluir mecanismos que impeçam quaisquer paradoxos de causalidade e, consequentemente, a construção de um Warp Drive. Em particular, Stephen Hawking propôs uma "Conjectura de Proteção da Cronologia", uma hipótese em que as leis da Física proíbem as viagens no tempo, a não ser à escala microscópica. Uma futura teoria de gravitação quântica pode vir a confirmar esta conjectura. Na verdade, já há alguns resultados que parecem ir nesse sentido.

Mesmo antes de se pensar em como seria a tecnologia de um método de propulsão como este, o estudo teórico está longe de estar completo. Por essa razão, no ponto em que estamos, com todas as lacunas que há a preencher, esta será uma hipótese para continuar a estudar de forma séria. Na pior das hipóteses, viremos a concluir que é uma impossibilidade, mas apenas depois de fazer muitos trabalhos interessantes, obter muitos resultados importantes e, quem sabe, encontrar outras propostas para métodos de propulsão espacial revolucionários.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Poema da Semana : "Olhando o mar, sonho sem ter de quê."

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?

Fernando Pessoa

Tratado da Carta da Energia - É um perigo para o combate às alterações climáticas, para o ambiente em geral e para as finanças públicas dos países envolvidos


O Tratado Carta da Energia é um acordo de investimento envolvendo vários países europeus e da Ásia central. Não existe nenhum acordo responsável por tantos casos ISDS conhecidos como o Tratado da Carta da Energia. É um perigo para o combate às alterações climáticas, para o ambiente em geral e para as finanças públicas dos países envolvidos.

Em Dezembro de 1994, em Lisboa, sem um debate público significativo, entrou em vigor um obscuro acordo internacional, o Tratado da Carta da Energia (TCE), que estabelece um quadro multilateral para a cooperação transfronteiriça no sector da energia. O tratado cobre todos os aspectos das actividades comerciais relacionadas com o sector energético, incluindo comércio, transporte, investimentos e eficiência energética. Inicialmente, no final da Guerra Fria, o TCE visava integrar os setores energéticos dos estados do bloco de leste em dissolução, com amplos recursos energéticos e a necessitar de investimento, e os da Europa Oriental, a precisar de diversificar as suas fontes de energia, em mercados europeus e mundiais mais amplos. Hoje, o TCE aplica-se a quase 50 países que se estendem desde a Europa Ocidental até à Ásia Central e ao Japão.
map TCE mundo
O tratado tem como objectivo estimular os investimentos estrangeiros diretos e o comércio transfronteiriço global. No entanto, atualmente não há evidências de que o acordo facilite o investimento ou reduza o custo da energia. Como se verá, outros interesses contrários aos da generalidade dos cidadãos movem os proponentes deste acordo.
O tratado é juridicamente vinculativo e inclui procedimentos de resolução de disputas entre investidor e estado (ISDS), que são a pedra angular do TCE. As cláusulas de ISDS do TCE dão aos investidores estrangeiros no setor de energia amplos poderes para processar diretamente os estados em tribunais internacionais constituídos por três advogados privados que desempenham o papel de árbitros. Através deste mecanismo as grandes empresas podem receber do estado quantias exorbitantes como indemnização por acções governamentais que alegadamente prejudiquem os seus investimentos, seja diretamente por meio de expropriação ou indiretamente por legislação. Até hoje os governos foram ordenados ou concordaram em pagar mais de 46 mil milhões de euros em indemnizações.
Nenhum acordo de comércio no mundo desencadeou mais ações judiciais entre investidor e estado (ISDS) do que o TCE com mais de 114 reivindicações apresentadas sob o tratado, e a tendência é de crescimento pois pelo menos 75 foram registadas desde 2013. O TCE é ainda o único tratado em vigor no qual os estados da Europa Ocidental adotaram mecanismos de ISDS com países exportadores de capital. É também o único acordo que permite arbitragens ISDS contra a UE como um todo.
O mecanismo de ISDS previsto no tratado tem inúmeras lacunas que beneficiam as grandes empresas em relação aos interesses do estado e dos cidadãos. Entre elas estão a permeabilidade aos interesses de escritórios de advocacia e fundos de investimento que potencialmente beneficiam de decisões favoráveis às grandes empresas.
Os escritórios de advocacia são os principais impulsionadores do aumento dos casos ISDS ao abrigo do TCE sendo que apenas cinco escritórios de advocacia estiveram envolvidos em quase metade de todos os processos que se sabe envolverem o TCE. Vários altos funcionários do Secretariado do TCE estiveram em escritórios de advocacia antes e/ou depois de trabalharem no Secretariado. Uma vez que a mesma pessoa pode atuar como árbitro e advogado em diferentes casos, há preocupações crescentes sobre conflitos de interesse.
Os fundos de investimento estão cada vez mais estabelecidos em arbitragens de TCE. Esses fundos de investimento financiam os custos legais em disputas entre investidor e estado em troca de uma percentagem da indemnização concedida.
Além destas lacunas, graças à definição excessivamente ampla de “investidor” e “investimento” do TCE, os estados podem ser efetivamente processados ​​por investidores de todo o mundo, incluindo por investidores de países que não tenham ratificado o TCE através de empresas de fachada.
Em Março de 2018, o Tribunal de Justiça da UE decidiu que os casos ISDS entre investidores da UE e estados da UE (a maioria dos casos do TCE) ao abrigo de tratados bilaterais violam a lei da UE ao sobreporem-se aos tribunais da UE e dos seus estados. O mesmo argumento também poderia ser aplicado ao TCE.
O TCE tem sido uma ferramenta poderosa para desencorajar os governos de medidas de transição para energias menos poluentes. A reivindicação de 1,26 mil milhões de euros da gigante energética Vattenfall aos padrões ambientais de uma central de energia a carvão na Alemanha forçou o governo local a flexibilizar a legislação para resolver o caso. A companhia de petróleo Rockhopper reivindica centenas de milhões de euros de hipotéticos lucros que um campo de petrolífero poderia ter feito se a Itália não tivesse proibido novos projetos de extração de petróleo e gás na costa. O tratado tem também efeitos negativos no custo da energia para os cidadãos. Sob o TCE, a Bulgária e a Hungria foram processadas para indemnização na casa das centenas de milhões, em parte por prejudicar os grandes lucros da energia e pressionar por menores preços da eletricidade. Muitos processos judiciais sob o tratado permanecem em sigilo. Para outros, há pouca informação disponíveis.
Enquanto a década passada assistiu a uma grande oposição aos ISDS em outros acordos internacionais de comércio e investimento, o TCE conseguiu evitar surpreendentemente essa indignação pública.
No entanto, ativistas, investigadores e parlamentares começam a fazer perguntas críticas sobre a ECT. Uma colaboração entre cidadãos, juristas, parlamentares, tribunais e governos pode estar em formação, que poderá acabar com o TCE. Os acordos e as ações judiciais de investidores que o TCE possibilitou também podem ser objeto de processos por parte de tribunais da UE. Mais países podem seguir o exemplo da Rússia e da Itália, que já saíram do TCE.
A pressão sobre o TCE pode conduzir a alterações no TCE que atenuem os seus problemas. O Conselho da União Europeia anunciou a 15 de Julho que autorizou a Comissão Europeia a entrar negociações em nome da UE para modernizar o Tratado da Carta da Energia à luz de “crescentes preocupações legais e políticas” sobre o TCE.
O Conselho diz que o TCE modernizado deveria “reafirmar explicitamente” o direito dos estados para tomar medidas legítimas de política pública, tais como proteção da saúde, segurança, meio ambiente ou ética pública, bem como proteção social ou do consumidor.
Também deve ser esclarecido que as disposições de proteção do investimento não podem ser interpretadas como um compromisso das partes de não alterar suas leis.
O acordo modernizado deve fornecer definições claras de investimento e investidores – excluindo explicitamente os investidores que carecem de “atividades comerciais substantivas” no país de origem, para esclarecer que “as empresas de fachada” não podem trazer reivindicações sob o TCE.
Para que estas medidas paliativas se concretizem é preciso que os legisladores sintam que a indignação do público é real e que pesa mais que os interesses das grandes empresas. Mais do que nunca é importante pressionar.