A canção “Places You Will Go” de Patrick Watson, é uma peça central do álbum Love Songs For Robots (2015) fala sobre a viagem da vida, o crescimento pessoal e a aceitação das mudanças. Transmite uma sensação de ternura, nostalgia e esperança, mostrando que cada lugar — físico ou emocional — faz parte da nossa transformação. É uma reflexão poética sobre seguir em frente, aceitar a incerteza e abraçar o percurso da vida com o coração aberto.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
“Mão Verde" - O livro-disco para todos os Peter Pan e um manifesto ecológico-social
Mão Verde- "Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias"~ Ricardo Reis
Um excelente manifesto ecológico-social ao som de rimas bem sincopadas da Capicua e suaves criações musicais de Pedro Geraldes. Um livro e disco que entra no mundo das crianças. De todas as idades.
E que tal um livro-disco para crianças onde o afrobeat, o hip hop, o rock e a música havaiana se misturam com rimas sobre a agricultura, o aquecimento global e os hábitos saudáveis? Apresentamos-lhe Mão Verde, o novo projeto de Capicua e Pedro Geraldes, que foi editado no dia 30 de Setembro.
Há muito tempo que Ana Matos Fernandes, o nome verdadeiro da rapper Capicua, tinha vontade de fazer um livro de lengalengas. “Mas não tinha nenhum reportório infantil”, conta ao Observador.
Em 2015, recebeu o convite do teatro de Municipal de São Luiz, em Lisboa, para fazer alguns concertos para o público mais novo no Jardim de Inverno.
Ali estava a grande oportunidade para retomar o antigo desejo. Capicua sempre gostou de escrever rimas para gente mais nova e percebeu que a música poderia ser o veículo ideal para fazer com que as suas histórias ganhassem vida. Convidou Pedro Geraldes, dos Linda Martini, para fazer a composição.
De um lado, uma rapper, do outro, o guitarrista de uma banda do rock. Ana escrevia as letras pedagógicas disfarçadas de lengalengas. Pedro fazia a base musical com as melodias assertivas. “Não somos consumidores deste tipo de música. Era um mundo desconhecido”, diz Capicua que acabou por gostar da liberdade e ingenuidade de principiante neste projeto. “Recuperámos a forma intuitiva de compor e de escrever. Gosto de brincar a musicalidade das palavras e do jogo de repetição”, acrescenta.
E assim foi. As rimas foram o instrumento de transmissão de recados importantes sobre temas do dia-a-dia e do meio ambiente para as crianças mas também para os pais, avós e tios. “O vocabulário vai a outros territórios mas a missão é a mesma: pôr a escrita ao serviço de uma mensagem”, explica Capicua.
Para crianças e para os outros
As preocupações ambientalistas refletem a sua postura pessoal. Ana é apaixonada por ervas aromáticas, por distinguir e conhecer cheiros, aromas e infusões. Tem até uma horta em casa. “As questões ecológicas, as minhas preocupações em relação ao consumo, ao ambiente, o meu interesse pela agricultura estão presentes no meu dia-a-dia”, afirma a cantora que não aqui não está muito longe do que é a sua escrita habitual, onde fala “sobre as medidas políticas e sociais através das palavras e da música”.
Foi fácil mergulhar no ambiente infantil e falar de “igual para igual”. Ana recorreu às memórias de quando era miúda. “Toda a gente tem uma criança dentro de si. Há uma criança bem viva dentro de nós. É um processo intuito de quase voltar à simplicidade, de ir ao Peter Pan que há dentro de nós”. Ao mesmo tempo, os músicos quiseram sempre manter seriedade para não “tornar a coisa pateta”.
Com batidas alegres e acompanhadas por diversos instrumentos tocados ao vivo, Pedro quis mostrar às crianças todo o universo colorido que a música pode criar. “Tinha que ser algo animado, bem-disposto, com diferentes géneros e ao mesmo tempo didático”, explica.
“O mundo aqueceu, e o deserto cresceu” é exemplo disso. Na letra de “Quente e Frio”, Pedro foi buscar o género musical do calipso, onde aborda os problemas do aquecimento global:
“
Quisemos brincar por aí. A base musical tem esses estilos diversos. Queríamos mostrar às crianças as diferentes texturas e linguagens musicais”.
Também pensaram em quem lia as histórias: “Os pais são as principais vítimas das músicas para crianças e por isso queremos também comunicar com eles”.
Em pouco tempo, tinham o concerto preparado para apresentar. Correu tão bem que decidiram gravar tudo em disco e acrescentaram mais duas músicas novas, “Quente e Frio” e “Mão Verde”, que deu nome ao título do projeto. “Foi uma experiência completamente nova para nós, mas sempre a tentar não cair na coisa moralista”, esclarece Capicua.
Labels:
Alterações Climáticas,
Ambiente,
Botânica,
Citação,
Conservação da Natureza,
Curta-Metragem,
Educação Ambiental,
Intergerações,
Jardins,
Livro,
Música,
Oceanos,
Saúde,
Sociologia,
Teatro
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Para uma relação mais profunda com o Planeta, por João Paulo Soares
Para melhor leitura aconselho que cliquem no símbolo com as duas setas em sentidos opostos ("view fullscreen")
Labels:
Biodiversidade,
Conservação da Natureza,
Ecologia Profunda,
Economia,
Energia,
Justiça,
Meditação,
Minha Publicação,
Minha Reflexão,
Pobreza,
Política,
Psicologia
Música do BioTerra: Woody Guthrie- This Land Is Your Land
From California to the New York island
From the redwood forest to the Gulf Stream waters
This land was made for you and me
As I went walking that ribbon of highway
I saw above me that endless skyway
Saw below me that golden valley
This land was made for you and me
I roamed and rambled and I've followed my footsteps
To the sparkling sands of her diamond deserts
All around me a voice was sounding
This land was made for you and me
When the sun come shining, then I was strolling
And the wheat fields waving and the dust clouds rolling
The voice was chanting as the fog was lifting
This land was made for you and me
Labels:
Antifascismo,
Comunismo,
Ecologia Política,
Ecossocialismo,
EUA,
Fascismo,
Minha Bibliografia,
Música,
Neofascismo,
Pobreza,
Poesia,
Política,
Socialismo
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Documentário "In Transition 1.0"- Legendado em Português
Uma peça que faltava, na nossa opinião, aos movimentos de transição, que era o filme legendado em Português.
A bem dizer, faltam muitas legendas e traduções a livros e vídeos importantes para este processo.
Mas neste conseguimos as legendas através do transition towns, e fizemos o trabalho de as embutir no vídeo.
Assim, com esta tradução, será de mais fácil acesso a pessoas que não entendam bem o Inglês, e o movimento de transição, pode chegar a uma plateia que até agora estava ignorada.
Esperamos que com esta versão, seja mais fácil captar outras pessoas para o movimento de transição.
Fonte: TerraSolta Mais Informações
Labels:
Activismo,
Agricultura,
Alimentação,
Auto-Sustentável,
Bioconstrução,
Consumismo,
Documentário,
Economia Circular,
Eficiência Energética,
Energia,
Lixo Zero,
Permacultura
domingo, 9 de outubro de 2016
Encontros Improváveis: Bach (Air) e Henry Brooks Adams
Labels:
Alterações Climáticas,
Ambiente,
Astronomia,
Citação,
Ecologia Profunda,
Encontros Improváveis,
Ensino,
Fotografia,
Henry Adams,
Johann Bach,
Música Erudita
sábado, 8 de outubro de 2016
O que fazer aos 327 barcos-fantasma?
![]() |
| Fonte: Portos e Navios |
Os 140 navios da Hanjin transportam de televisões a comida. Mas como a 7ª maior empresa de navegação parou por falta de liquidez (notícia aqui) e nenhum porto aceita os produtos (com valor de 13 mil milhões de euros), teme-se que eles se juntem a outros 187 abandonados nos mares por outras companhias.
Fonte: Sábado, 22 de Setembro
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
A relação dos gaios e das bolotas- os gaios são semeadores de carvalhos e de Quercus
É no Outono que amadurecem as bolotas dos carvalhos e de outras árvores da espécie Quercus, como sobreiros e azinheiras. Esta é uma oportunidade bem aproveitada pelos gaios, que as armazenam debaixo de folhas e de vegetação rasteira.
“As bolotas são enterradas e ficam bem escondidas. Caso contrário, outros animais poderiam roubá-las, pois há inúmeros animais que gostam de comer bolotas, desde inúmeros ratinhos aos javalis e muitas aves”, explica Paulo Catry, investigador do MARE-Centro de Ciências do Mar e do Ambiente.
Este ornitólogo lembra que “as bolotas são super-abundantes no Outono e se armazenadas, fornecem um rico alimento para o Inverno”
Os gaios são aves da família dos corvídeos (Corvidae). São omnívoros e comem o que estiver disponível, incluindo insectos e ovos de outras aves, mas as bolotas são a parte mais importante da sua dieta.
Calcula-se que cada gaio esconde vários milhares de bolotas por ano, que depois do Inverno vão ser importantes ainda nos restantes meses. Para as comer, partem a casca com o bico e comem o que está no interior.
“Têm uma memória incrível e podem memorizar durante meses centenas de esconderijos de bolotas”, adianta Paulo Catry.
‘Semeadores’ de carvalhos
No entanto, todos os anos, são muitas as bolotas que acabam por ficar esquecidas nos seus esconderijos, acabando por dar origem a novas árvores, o que transforma os gaios num dos mais importantes “semeadores” de carvalhos e de outras plantas da espécie Quercus – tanto no campo como em jardins de cidades.
Muito variável é a distância a que os gaios escondem estes alimentos: tanto podem ficar enterrados a cerca de três metros da árvore onde foram colhidos, como a pouco mais de meio quilómetro, concluíram dois investigadores espanhóis do CEAM-Centro de Estudos Ambientais do Mediterrâneo, Josep Pons e Juli Pausas.
As bolotas das azinheiras (Quercus ilex) estão entre as mais apreciadas por estas aves, seguidas pelas do sobreiro (Quercus suber) e do carvalho-cerquinho (Quercus faginea), notam os mesmos investigadores.
Os gaios apreciam as bolotas do sobreiro.
Já Paulo Catry reconhece que não é fácil observar gaios nesta actividade, uma vez que são aves “muito discretas” no campo. Ainda assim, por vezes um observador mais atento poderá avistar um gaio a passar com uma bolota no bico, geralmente as maiores.
Fonte: Wilder
Labels:
Agenda 2030,
Animalismo,
Artigo Científico,
Aves,
Biodiversidade,
Biologia,
Bolota,
Conselhos Ecológicos,
Conservação da Natureza,
Desertificação,
Etologia,
Floresta,
Incêndios
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Poema da Semana- A Verdadeira Liberdade, por Álvaro Campos
A Verdadeira Liberdade
A liberdade, sim, a liberdade! ...
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
A liberdade, sim, a liberdade! ...
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Floresta Portuguesa- Cinco causas. Cinco soluções, por Luísa Schmidt
Esta crónica foi escrita em pleno mês de Agosto, mas merece a maior divulgação.
Mais uma vez, Portugal arde. É assim há décadas, cíclica e tragicamente. Ações criminosas à parte, os problemas são de fundo, tendo soluções conhecidas e provadas.
1. Ausência de política florestal continuada e omissão governativa grave. A percentagem de floresta que pertence ao Estado é a mais baixa da UE: 2%, em comparação com 55% da Alemanha, ou 30% da Espanha. Mesmo esses 2% são mal geridos. Quanto ao resto da floresta, o Estado tem obrigação de intervir e nada faz.
Solução: Existe uma Estratégia Nacional da Floresta, bem como Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) discutidos e aprovados em 2005. Davam orientações de ordenamento regional e estabeleciam metas precisas. Estas foram suspensas uns anos depois, mas devem ser revistas e restabelecidas. E as câmaras devem recuperar a possibilidade de dar pareceres vinculativos sobre as plantações de acordo com os PROF. Em lugar de deixar os proprietários fazer tudo o que entendam, o importante é incentivar as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), criadas em 2005, que permitem aos proprietários associarem-se e acederem a fundos comunitários para limpeza e conservação das florestas, abrangendo aqueles que dispõem de escassos recursos. Por falta de apoio público, as ZIF não adquiriram a dinâmica prevista. É necessário reanimá-las.
2. Perfil florestal do país. Há uma herança difícil, que remonta ao Estado Novo, com a florestação dos baldios do Centro e Norte sobretudo com pinheiros. A partir dos anos 60, dá-se a expansão de eucalipto. Criaram-se grandes manchas florestais de monoculturas. O eucalipto, hoje a árvore dominante em Portugal, arde como um fósforo e está espalhado por toda a parte, até à orla das cidades, como se viu no Funchal. Uma lei de 2013 tornou ainda mais fácil eucaliptar de forma fragmentária. O atual Governo prometeu revogá-la, mas apenas a suspendeu.
Solução: Investir em povoamentos mistos com espécies mais adequadas e menos combustíveis, retomando as metas dos planos regionais na reflorestação das áreas ardidas. Em Portugal, nem sequer nas áreas protegidas a prevenção contra os incêndios é considerada um investimento. Mais facilmente se compram carros de intervenção rápida do que se faz limpeza de matas e fiscalização. E valia bem a pena. Note-se como as celuloses investem no ordenamento das suas áreas florestais, que ardem muito menos.
3. Desorganização no chamado combate ampliado, o qual tem lugar quando se verificam condições extremas. Não se usam todos os meios que se devia e os que se usam nem sempre estão bem articulados. Há uma impreparação geral para estas situações, cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas: temperaturas mais elevadas, menor precipitação, ventos mais fortes. Uma fórmula conhecida é a dos 30+30+30, quando se juntam mais de 30 graus de temperatura, menos de 30% de humidade e uma velocidade do vento superior a 30 km/hora.
Solução: Reativar medidas que já foram anteriormente implementadas com sucesso, mas entretanto desativadas. Por exemplo, os Grupos de Análise e Uso do Fogo, criados em 2005, que aplicavam no inverno a técnica do fogo controlado para reduzir a carga térmica, e no verão realizavam fogos táticos no combate aos incêndios. Há que recuperá-los. A ajuda internacional não tem sido bem organizada. Só vêm aviões à última da hora e sem códigos de atuação compatíveis. Acresce que a sua contratação, extremamente onerosa, é feita através de empresas privadas, prestando-se a esquemas obscuros. Isto quando a Força Aérea dispõe de meios aéreos suscetíveis de adaptação para transportar água.
4. Ausência de cadastro em dois terços do país. Uma etapa prévia e fundamental. Trata-se de uma medida prometida por todos os governos, mas nunca cumprida no Centro e no Norte do país, onde seria mais importante, dada a enorme dispersão da propriedade. Em vastas zonas, muitos donos dos terrenos nem sequer são conhecidos, por questões de heranças e não só. Isto impede qualquer tipo de gestão eficaz, em locais onde o associativismo também não é forte. Em 2005, o Governo de Sócrates anunciou que 700 milhões de euros iam ser aplicados no cadastro rural. Quase nada se chegou a fazer.
Solução: Avançar com o cadastro já. A tarefa poderia ser entregue ao Instituto Geográfico do Exército, que tem autoridade, ciência, pragmatismo e reconhecimento. Um bom exemplo vem de Espanha, onde se fez o chamado ‘cadastro diferido’, que associa as novas tecnologias informáticas ao conhecimento das associações florestais. Quando o dono não está identificado, dá-se um prazo, findo o qual a propriedade passa para o Estado.
5. Falta de prevenção imediata. Como é sabido, tanto a nível de limpeza como de fiscalização e planeamento, as deficiências são enormes. Fala-se muito quando há um grande desastre, mas basta um ano bom para se remeter tudo para segundo plano. Aplicam-se fortunas no combate e praticamente nada na prevenção, a qual seria mais barata, eficaz e duradoura.
Solução: Forte reforço da monitorização e vigilância, dia e noite nas matas, durante as épocas críticas. Incentivos fiscais para criar e manter florestas de usos múltiplos, as quais prestam um importante serviço ambiental. O Fundo Florestal Permanente tem que passar a ser bem aplicado. Ao ICNF cabe apoiar equipas de sapadores florestais para fazer a gestão da biomassa em ligação com as associações. A intenção era constituir 500 equipas mas não chegam a 200, e, destas, várias encontram-se inativas. É urgente reforçá-las e usar a biomassa para produção de energia em vilas e pequenas cidades.
Luísa Schmidt
Expresso 13.08.2016
| Fonte: Ameise Blog |
A floresta representa 3% do PIB e 10% das exportações. Se há
questões onde se justifica um pacto de regime, esta é com certeza uma delas.
Mais uma vez, Portugal arde. É assim há décadas, cíclica e tragicamente. Ações criminosas à parte, os problemas são de fundo, tendo soluções conhecidas e provadas.
1. Ausência de política florestal continuada e omissão governativa grave. A percentagem de floresta que pertence ao Estado é a mais baixa da UE: 2%, em comparação com 55% da Alemanha, ou 30% da Espanha. Mesmo esses 2% são mal geridos. Quanto ao resto da floresta, o Estado tem obrigação de intervir e nada faz.
Solução: Existe uma Estratégia Nacional da Floresta, bem como Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) discutidos e aprovados em 2005. Davam orientações de ordenamento regional e estabeleciam metas precisas. Estas foram suspensas uns anos depois, mas devem ser revistas e restabelecidas. E as câmaras devem recuperar a possibilidade de dar pareceres vinculativos sobre as plantações de acordo com os PROF. Em lugar de deixar os proprietários fazer tudo o que entendam, o importante é incentivar as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), criadas em 2005, que permitem aos proprietários associarem-se e acederem a fundos comunitários para limpeza e conservação das florestas, abrangendo aqueles que dispõem de escassos recursos. Por falta de apoio público, as ZIF não adquiriram a dinâmica prevista. É necessário reanimá-las.
2. Perfil florestal do país. Há uma herança difícil, que remonta ao Estado Novo, com a florestação dos baldios do Centro e Norte sobretudo com pinheiros. A partir dos anos 60, dá-se a expansão de eucalipto. Criaram-se grandes manchas florestais de monoculturas. O eucalipto, hoje a árvore dominante em Portugal, arde como um fósforo e está espalhado por toda a parte, até à orla das cidades, como se viu no Funchal. Uma lei de 2013 tornou ainda mais fácil eucaliptar de forma fragmentária. O atual Governo prometeu revogá-la, mas apenas a suspendeu.
Solução: Investir em povoamentos mistos com espécies mais adequadas e menos combustíveis, retomando as metas dos planos regionais na reflorestação das áreas ardidas. Em Portugal, nem sequer nas áreas protegidas a prevenção contra os incêndios é considerada um investimento. Mais facilmente se compram carros de intervenção rápida do que se faz limpeza de matas e fiscalização. E valia bem a pena. Note-se como as celuloses investem no ordenamento das suas áreas florestais, que ardem muito menos.
3. Desorganização no chamado combate ampliado, o qual tem lugar quando se verificam condições extremas. Não se usam todos os meios que se devia e os que se usam nem sempre estão bem articulados. Há uma impreparação geral para estas situações, cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas: temperaturas mais elevadas, menor precipitação, ventos mais fortes. Uma fórmula conhecida é a dos 30+30+30, quando se juntam mais de 30 graus de temperatura, menos de 30% de humidade e uma velocidade do vento superior a 30 km/hora.
Solução: Reativar medidas que já foram anteriormente implementadas com sucesso, mas entretanto desativadas. Por exemplo, os Grupos de Análise e Uso do Fogo, criados em 2005, que aplicavam no inverno a técnica do fogo controlado para reduzir a carga térmica, e no verão realizavam fogos táticos no combate aos incêndios. Há que recuperá-los. A ajuda internacional não tem sido bem organizada. Só vêm aviões à última da hora e sem códigos de atuação compatíveis. Acresce que a sua contratação, extremamente onerosa, é feita através de empresas privadas, prestando-se a esquemas obscuros. Isto quando a Força Aérea dispõe de meios aéreos suscetíveis de adaptação para transportar água.
4. Ausência de cadastro em dois terços do país. Uma etapa prévia e fundamental. Trata-se de uma medida prometida por todos os governos, mas nunca cumprida no Centro e no Norte do país, onde seria mais importante, dada a enorme dispersão da propriedade. Em vastas zonas, muitos donos dos terrenos nem sequer são conhecidos, por questões de heranças e não só. Isto impede qualquer tipo de gestão eficaz, em locais onde o associativismo também não é forte. Em 2005, o Governo de Sócrates anunciou que 700 milhões de euros iam ser aplicados no cadastro rural. Quase nada se chegou a fazer.
Solução: Avançar com o cadastro já. A tarefa poderia ser entregue ao Instituto Geográfico do Exército, que tem autoridade, ciência, pragmatismo e reconhecimento. Um bom exemplo vem de Espanha, onde se fez o chamado ‘cadastro diferido’, que associa as novas tecnologias informáticas ao conhecimento das associações florestais. Quando o dono não está identificado, dá-se um prazo, findo o qual a propriedade passa para o Estado.
5. Falta de prevenção imediata. Como é sabido, tanto a nível de limpeza como de fiscalização e planeamento, as deficiências são enormes. Fala-se muito quando há um grande desastre, mas basta um ano bom para se remeter tudo para segundo plano. Aplicam-se fortunas no combate e praticamente nada na prevenção, a qual seria mais barata, eficaz e duradoura.
Solução: Forte reforço da monitorização e vigilância, dia e noite nas matas, durante as épocas críticas. Incentivos fiscais para criar e manter florestas de usos múltiplos, as quais prestam um importante serviço ambiental. O Fundo Florestal Permanente tem que passar a ser bem aplicado. Ao ICNF cabe apoiar equipas de sapadores florestais para fazer a gestão da biomassa em ligação com as associações. A intenção era constituir 500 equipas mas não chegam a 200, e, destas, várias encontram-se inativas. É urgente reforçá-las e usar a biomassa para produção de energia em vilas e pequenas cidades.
Luísa Schmidt
Expresso 13.08.2016
Labels:
Activismo,
Ambiente,
Biodiversidade,
Biomassa,
Blogosfera,
Combustíveis,
Conservação da Natureza,
Economia,
Eficiência Energética,
Eucalipto,
Floresta,
Geografia,
Monitorização,
Opinião,
Política Florestal
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Terra pode ficar intoleravelmente quente
![]() |
| Fonte: Jornal de Notícias |
A Terra pode ficar intoleravelmente quente, mesmo se os gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera permanecerem nos níveis atuais, segundo a primeira reconstituição das temperaturas terrestres ao longo de dois milhões de anos, divulgada segunda-feira, 26 de Setembro.
"A estabilização dos níveis atuais dos gases com efeito de estufa pode colocar a Terra numa trajetória de aquecimento de cinco graus Celsius (5ºC) no próximo milénio", concluíram os autores do estudo publicado na revista científica Nature.
Este é o valor médio do previsto intervalo de aquecimento, situado entre 3ºC e 7ºC.
Mesmo um aquecimento global de 3ºC, no longo prazo, pode desencadear um turbilhão de impactos das alterações climáticas, incluindo tempestades marítimas, reforçadas pela subida do nível das águas, ondas de calor mortíferas e inundações severas, especificou-se no estudo.
O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) já avançou que as atuais concentrações do principal gás com efeito de estufa, o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera, que já supera as 400 partes por milhão (ppm), vão forçar um aquecimento global médio da temperatura média entre 2ºC e 2,4ºC em relação ao nível pré-industrial.
As ppm referem-se à representação dos gases por milhão de moléculas.
O valor de referência para esta subida da temperatura considerado um limite para permitir alguma segurança à humanidade em muitas regiões é os 2ºC.
Mas uma recente intensificação de eventos climáticos extremos forçou os líderes mundiais a inscreverem um objetivo ainda mais exigente, incluindo a expressão "bem abaixo dos 2ºC" no Acordo de Paris, alcançado por 195 Estados, em dezembro.
O planeta já aqueceu 1ºC acima da temperatura de referência, a do período pré-industrial, e pode chegar aos 1,5ºC dentro de uma década, afirmaram cientistas, numa conferência em Oxford na semana passada.
Este novo estudo, da paleoclimatóloga Carolyn Snyder, do Programa Interdisciplinar em Ambiente e Recursos da Universidade de Stanford, no Estado norte-americano da Califórnia, é o primeiro a juntar um registo contínuo de médias de temperaturas terrestres desde há dois milhões de anos.
Labels:
Academia,
Acordo de Paris,
Alterações Climáticas,
Ambiente,
Artigo Científico,
Atmosfera,
Biologia,
CO2,
Eventos Extremos,
Geologia,
Inundações,
IPCC,
Ondas de Calor,
Segurança
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
Progressos tecnológicos na compostagem doméstica: Biovaso
![]() |
| Biovessel |
- Tudo sobre compostagem num Dossie Bioterra específico
- Minhocário ou Vermicompostagem
- Como fazer compostagem numa varanda
Labels:
Alterações Climáticas,
Ambiente,
Biologia,
Cerâmica,
Compostagem,
Decompositores,
Desperdício Alimentar,
Geologia,
HFC,
Lixo Zero,
Segurança,
Tecnologia
domingo, 2 de outubro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
Cavaco declarou dados errados e pagou metade do IMI durante 15 anos
Cavaco Silva terá pago de forma indevida apenas metade do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) relativamente a uma casa em Albufeira, durante 15 anos, com base em declarações erradas prestadas às Finanças.
O caso é denunciado pelo jornal Público que salienta que a casa de férias de Cavaco Silva na Urbanização da Coelha, em Albufeira, estava avaliada, para efeitos do IMI, em 199.469 euros desde o ano 2000.
Em 2015, a casa foi reavaliada em 392.220 euros, altura em que se constatou que os dados enviados por Cavaco às Finanças não corresponderiam à área real da habitação, nem às suas características, conforme adianta o jornal.
Segundo o Público, o ex-Presidente da República terá prestado declarações falsas às Finanças, com base numa casa que realmente “nunca existiu”, fornecendo “dados errados quanto à casa, a sua área e características, que fizeram cair para perto de metade os impostos por ele devidos”.
Durante 15 anos, Cavaco Silva terá assim pago um IMI substancialmente reduzido de forma indevida.
O jornal “não conseguiu apurar se as Finanças exigiram a Cavaco Silva o diferencial entre os impostos por ele pagos desde 2000 e aqueles que devia ter pago” e realça também que não obteve qualquer esclarecimento do ex-Presidente.
Não foi igualmente possível apurar se a nova avaliação, realizada em 2015, foi efectuada por iniciativa do próprio Cavaco, no sentido de corrigir as alegadas falsas declarações, ou se foram as Finanças a despoletar o processo.
Labels:
Anarco-Capitalismo,
Burguesia,
Corrupção,
Demagogia,
Direita,
Extrema-Direita,
Fiscalidade,
Habitação,
IMI,
Justiça,
Neoliberalismo,
Polícia,
Política,
Ultraliberalismo
Música do Bioterra: Patrick Watson - Places You Will Go
"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música." - Aldous Huxley
Escolha do Bioterra para o Dia Mundial da Música
[Verse 1]
You gonna swim to the top of the water, boys
Into the wells of the shimmer light
She's gonna drag you to the shore
But you don't know who you are
Take, take your time for now
You gonna take, take your time
[Chorus]
Welcome to the city with too many roads
You're not gonna know where to go
Just follow all the pretty lights
Get lost till it feels right
The places you will go
[Verse 2]
It can be shiny, tiny, strange and windy
But if you're doing it right
It's gonna get a little lonely
But that's all right
The only thing you need to fear
Is shaking hands with the man in the mirror
[Chorus]
Blah blah, blah blah blah
Big talkers are talking
But you don't wanna hear
Cause when it gets easy
Don't be drowning in the dreamer's hands
Don't be drowning in the dreamer's hands
Get out, get out while you can
Oh, the places you will go
Get out, get out, get out, get out
Sometimes you don't even wanna know
Get out, get out, get out, get out
[Bridge]
The storm, she's breaking hard tonight
Just put your head down on her shoulders
Cause you know, cause you know, you know she's gonna pass
Take your time and make this moment lasts
Take your time, take your time, take your time tonight
Take your time before it's over
[Instrumental]
[Outro]
Doesn't really matter where you are
Oh, the places you will go from here
You gonna swim to the top of the water, boys
Into the wells of the shimmer light
She's gonna drag you to the shore
But you don't know who you are
Take, take your time for now
You gonna take, take your time
[Chorus]
Welcome to the city with too many roads
You're not gonna know where to go
Just follow all the pretty lights
Get lost till it feels right
The places you will go
It can be shiny, tiny, strange and windy
But if you're doing it right
It's gonna get a little lonely
But that's all right
The only thing you need to fear
Is shaking hands with the man in the mirror
[Chorus]
Blah blah, blah blah blah
Big talkers are talking
But you don't wanna hear
Cause when it gets easy
Don't be drowning in the dreamer's hands
Don't be drowning in the dreamer's hands
Get out, get out while you can
Oh, the places you will go
Get out, get out, get out, get out
Sometimes you don't even wanna know
Get out, get out, get out, get out
[Bridge]
The storm, she's breaking hard tonight
Just put your head down on her shoulders
Cause you know, cause you know, you know she's gonna pass
Take your time and make this moment lasts
Take your time, take your time, take your time tonight
Take your time before it's over
[Instrumental]
[Outro]
Doesn't really matter where you are
Oh, the places you will go from here
Biografia
Página Oficial
Labels:
Aldous Huxley,
Biografia,
Canadá,
Chamber Pop,
Citação,
Dia Mundial,
Empoderamento,
EUA,
H G Wells,
Indie Pop,
Indietronica,
Minha Análise,
Música,
Poesia,
Site,
Solidariedade
Subscrever:
Mensagens (Atom)











