segunda-feira, 21 de março de 2016

Dia Mundial da Síndrome de Down

A data de 21 de março foi a eleita pela Associação Internacional da Síndrome de Down (Down Syndrome International) pelo facto de se escrever como 21/3 (ou 3-21), fazendo alusão à Trissomia 21. A primeira comemoração desta data ocorreu em 2006.

A 19 de dezembro de 2011 a ONU aprovou uma resolução que designa o dia 21 de março como Dia Mundial da Síndrome de Down. A data passou a ser comemorada, oficialmente, a partir de 2012. A ONU propõe que os Estados-membros comemorem com a adoção de medidas para promover maior conhecimento sobre a Síndrome de Down.

De acordo com a APATRIS 21 – Associação de Portadores de Trissomia 21 do Algarve, a Trissomia 21, também conhecida por mongolismo e Síndrome de Down, é uma doença genética que resulta da presença de um cromossoma supranumerário no par 21 (três cromossomas em vez de dois).

Os portadores de Trissomia 21 partilham certas características físicas (embora não presentes em 100% dos casos), tais como:
  • Face redonda de perfil achatado;
  • Olhos amendoados;
  • Braquicefalia;
  • Fendas palpebrais oblíquas;
  • Nariz pequeno e achatado;
  • Boca aberta e protusão da língua;
  • Prega palmar única;
  • Baixa estatura;
  • Défice cognitivo;
  • Malformações internas.
Outras ONG:

Cinema e Documentários

Blogues

domingo, 20 de março de 2016

Ted Talk- Raquel Sussman- "As coisas vivas mais antigas do mundo"


All that lives must die—but some organisms get a little more time on this Earth than others. For nearly a decade, the photographer Rachel Sussman has been traveling around the world, capturing images of the oldest continuously living things in the world, part of an effort to “step outside our quotidian experience of time and start to consider a deeper timescale,” as she put it in a TED talk in 2010. Everything she has photographed for the project is at least 2,000 years old, if not much, much older. That includes something as unimaginably ancient as the Posidonia sea grass meadow, found in protected waters in the Mediterranean Sea, which may be 100,000 years old, and something comparatively younger, like baobab trees found in southern Africa. It is a record of survival, of those organisms—and they’re all plants, lichen or coral, as the oldest animals live less than 200 years—that beat the odds of genetics and simply lasted.

Sussman has a new photo book out that details her project, along with a foreword by the science writer Carl Zimmer. There’s a sense of wonder imbued in these photographs of organisms that seem to be a physical record of time, but there’s also a call to action. Many of these subjects of Sussman’s portraits are under threat from habitat loss or climate change or simple human idiocy. (Sussman has written movingly about the loss of the 3,500 year-old Senator tree in Orlando, destroyed in a fire that was almost certainly set on purpose.) “The oldest living things in the world are a record and celebration of our past, a call to action in the present and a barometer of the future,” Sussman has said—and the images that follow prove her out.

sábado, 19 de março de 2016

Curta-metragem: Carbon Omissions



Officially, UK carbon emissions have been falling for the past decade, but when you count the carbon outsourced to China and other countries, the UK's emissions have actually gone up by around a fifth. In this short animation, Guardian columnist George Monbiot teams up with Leo Murray and green charity PIRC to explain the UK's 'carbon omissions'

sexta-feira, 18 de março de 2016

Jean Jouzel - Il faut laisser les carburants fossiles dans le sol


Jean Jouzel (Janzé, 5 de março de 1947) é um climatologista e glaciologista francês. 

Durante seus estudos Jouzel obteve um grau de professor do ensino médio de química (1967) e um maîtrise em química física (1968). Em 1974 obteve um doutoramento na Universidade Paris-Sul em Orsay, com uma tese sobre as propriedades do deutério e do trítio.  Em 2002 recebeu a Medalha de Ouro CNRS por suas conquistas na investigação de núcleos de gelo.

Jouzel é director de pesquisas do Instituto Pierre Simon Laplace do Commissariat à l’énergie atomique et aux énergies alternatives, onde são investigados processos de mudança global. Desde 1994 Jouzel é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Em 2007 participou em posição de responsabilidade da elaboração do Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. 

 É assim como membro do IPCC e juntamente com Al Gore recebeu o Nobel da Paz 2007.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Transformando vidas de mulheres através da Energia Sustentável para Todos



Ainda no mês da mulher, gostaríamos de reconhecer o papel central que a energia desempenha na promoção da saúde, segurança, educação e oportunidades econômicas para mulheres e meninas em todo o mundo. A iniciativa mundial das Nações Unidas “Energia Sustentável para Todos (SE4All)”, lançada em 2011, reconhece a importância da relação entre gênero e energia. De acordo com a CEO do SE4All Rachel Kyte, “a transição energética que estamos iniciando e o desafio de responder à mudança climática precisam de toda a nossa inteligência coletiva e engenhosidade, se quisermos ter sucesso.

Mulheres como consumidores, chefes de família, profissionais, pensionistas, eleitoras, investidoras e autoridades eleitas são uma parte crítica da diversidade de perspectivas que precisamos levar em consideração para tomar decisões de longo prazo bem fundamentadas. Com a participação das mulheres no processo, vamos tomar decisões diferentes. Precisamos de decisões diferentes.”

Como é que a falta de energia moderna impacta a mulher? Kyte, por exemplo, destaca que “a falta de energia limpa e acessível tem um impacto particular sobre as mulheres. Em áreas rurais procurar combustível ocupa várias horas do dia, combustível que polui põe em perigo a sua saúde e de seus filhos. Por isso, é bom ver tantas mulheres na vanguarda das soluções para trazer energia limpa e acessível a todos. Precisamos de investimento e políticas para atualizarmos enquanto à tecnologia mais moderna e as mulheres terão de se certificar que ninguém ficará para trás”. Apesar de que o combustível para cozinhar é uma questão importante, algo tão simples como o fornecimento de iluminação em áreas da comunidade também pode ajudar as mulheres.

A fim de compreender como a energia moderna pode transformar a vida das mulheres, vamos ver uma nova iniciativa simples e inovadora na América Latina e no Caribe, que promove as metas de SE4All nas Américas:

“Ilumine sua vida” é uma iniciativa conjunta do BID e Philips para fornecer iluminação sustentável para centros comunitários em 20 comunidades no Peru, México, Brasil e Colômbia. Este projeto irá beneficiar as mulheres e meninas de várias formas concretas. Fornecerá iluminação pública utilizando tecnologias de última geração como pro exemplo LED e energia solar fotovoltaica nesses centros comunitários, que incluem campos de futebol e anfiteatros, criando um ambiente seguro para que as mulheres e meninas pratiquem atividades esportivas e educacionais e abrem oportunidades de negócios. Este programa vai tornar as comunidades um lugar melhor para se viver e se divertir. Tendo em conta que 24% da população da América Latina acredita que o crime é a questão mais importante que a região enfrenta, é necessário desenvolver programas como “Ilumina sua vida” para criar espaços públicos seguros, onde as mulheres são menos propensas a serem assediadas. “Ilumina sua vida” oferece espaços públicos onde as mulheres podem participar de atividades esportivas e integrar-se mais na vida pública, e os centros de iluminação da comunidade podem ser usados para festas e outros eventos da comunidade onde as mulheres podem lançar pequenas empresas que vendam artes, artesanatos ou outros produtos feitos a mão.

Ao fornecer acesso à energia moderna, sustentável para as comunidades, projetos como “Ilumina sua vida” ajuda a capacitar mulheres. O Dia Internacional da Mulher em que celebramos a conquista social, econômica, cultural e política das mulheres é importante reconhecer o papel da energia e apoiar projetos que trabalham para um futuro mais sustentável e equitativo.

Geopoema, por António Galopim de Carvalho

A new subduction zone forming off the coast of Portugal heralds the beginning of a cycle that will see the Atlantic Ocean close as continental Europe moves closer to America.
Fonte Geology In


Esta notícia refere-se a um artigo publicado online pela revista Geology, em Junho de 2013, Nela se dá conta da descoberta, ao largo da costa de Portugal, de uma possível zona de subducção nas suas primeiríssimas fases de formação. Tal significa que daqui a uns 200 milhões de anos, o Oceano Atlântico poderá vir a desaparecer e que as massas continentais da Eurásia e da Laurência se voltarão a juntar num novo supercontinente. Neste trabalho, assinado por João Duarte, geólogo português a trabalhar na Universidade de Monash, na Austrália, e a sua equipa, juntamente com António Ribeiro e Filipe Rosas, da Universidade de Lisboa, Pedro Terrinha, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, e, ainda, Marc-André Gutcher, da Universidade de Brest (França), são revelados os primeiros indícios de transformação da margem sudoeste ibérica (uma margem passiva, do tipo atlântico) numa margem activa, do tipo pacífico.
Há mais de três décadas, em 1979, no 1º Encontro de Geociências, reunido em Lisboa, António Ribeiro, surpreendeu os presentes, ao apresentar a comunicação a que deu o nome de ”Geopoema”. Numa antevisão notável, este geólogo que, já então, se distinguia entre os seus pares pela excelência do trabalho que produzia, anunciava que o Atlântico iria começar a fechar, que, daqui a uns milhões de anos, engoliríamos os Açores e, que, passados mais um ror deles, a Eurásia cavalgaria a América do Norte, imaginando, em jeito de brincadeira, “a estátua do Marquês do Pombal sobre a estátua da Liberdade”.
Na imagem: Distribuição dos epicentros dos sismos históricos e instrumentais na envolvente da Península Ibérica (in J. Cabral 1993)


Para conhecer mais:

quarta-feira, 16 de março de 2016

Perdoar faz bem à saúde

Perdoar, diz a ciência, faz-nos mais felizes e torna-nos mais saudáveis. E, afinal, não é isso tudo o que queremos?
O perdão, tradicionalmente estudado pela filosofia e um dos tópicos prediletos da teologia, há muito que saltou também para o campo da psicologia e da ciência. E esta defende que perdoar é o melhor remédio.
A forma mais objectiva de definir perdão é como processo mental que elimina ressentimentos ou rancores em relação a outra pessoa ou a nós próprios. Mas talvez a mais poética seja esta que Fred Luskin, o director do Stanford University Forgiveness Project propõe: perdoar é a experiência de poder estar em paz, independentemente do que aconteceu na nossa vida há cinco minutos ou há cinco anos. Perdoar não é esquecer, é viver tranquilamente com o que não se esquecerá.
«Tal como é estudado na psicologia, é um ato de amor e compaixão para com alguém cujo procedimento nos magoou, mas também uma forma de nos libertarmos de sentimentos de vingança e ressentimento, que geram emoções negativas», diz a psicóloga Catarina Rivero.
É também importante, no entanto, perceber aquilo que o perdão não é: não se trata de esquecer ou aceitar as injustiças que nos são dirigidas. «É um processo de olhar para além dos atos e comportamentos dos outros, centrando-nos na importância da nossa libertação emocional, recusando ser prisioneiros de emoções que podem ser destrutivas», continua Rivero.
Expressão chave a reter: emoções que podem ser destrutivas. O rancor é cansativo. Desgastante. Suga força e energia. De tal forma que, no limite, pode pôr-nos doentes, não só psicológica e emocionalmente, mas também fisicamente. A boa notícia é que, na realidade, como a falta de paz e o rancor são provocados por nós – não pelo outro –, não dependemos de ninguém para remediar a situação. «A investigação tem vindo a demonstrar correlações positivas como maior bem-estar subjetivo (geralmente considerada como felicidade), menores níveis de depressão e ansiedade, bem como menor abuso de substâncias, quando se perdoa. Verifica-se ainda uma tendência para maior harmonia ao nível das relações familiares», diz Catarina Rivero.
Impõe-se um parêntesis que contextualize estes e outros estudos sobre o perdão realizados na área da psicologia positiva. Sobretudo, para que nada disto se confunda com algumas crenças desprovidas de bases científicas características da filosofia new age. Na realidade, a psicologia positiva nasce de uma constatação que só peca por tardia: a psicologia há décadas que se dedicava a investigar quem estava deprimido, quem tinha fobias, quem não superava traumas e todas as outras pessoas com as quais alguma coisa não estava bem. No entanto, não sabia nada sobre as pessoas funcionais, aquelas que, apesar dos reveses da vida, estavam mentalmente saudáveis, eram otimistas e conseguiam ser felizes.
Foi o psicólogo Martin Seligman, algures no não muito longínquo ano de 1998, durante a sua presidência da American Psychological Association, que começou a chamar a atenção para esse assunto, perguntando qual o sentido de insistir em centrar a psicologia só no transtorno, na disfuncionalidade, na doença. Assim começou a ganhar expressão novo campo de investigação, a psicologia positiva, que olha para as pessoas não só nas suas limitações e dificuldades, mas também nos seus sucessos: na superação das adversidades, nos recursos de que se valem, nos processos de adaptação positiva que fazem. E adivinhem: temos aprendido muito com isso. Por exemplo, que o perdão pode ser terapêutico.
Um estudo chamado «Perdão e Saúde Física», realizado pela Universidade do Wisconsin, demonstrou que perdoar pode ajudar os indivíduos de meia-idade a evitar doenças cardíacas, outro, levado a cabo na Universidade de Stanford, mostrou que o perdão pode promover também uma diminuição significativa de sintomas como insónias, náuseas, falta de apetite e dores de cabeça e de costas.
Perdoar não é fácil. Talvez porque nas nossas cabeças, o foco do perdão está no outro, não em nós. E repare-se como a lógica subjacente a não perdoar tende a ser tautológica: não perdoamos porque o que foi feito é imperdoável. Mas a realidade é que por detrás da rejeição ao perdão estão muitas vezes crenças poderosas acerca do que ele representa: humilhação, fraqueza, perpetuação da injustiça. Somos levados a pensar que perdoar é abrir a porta a uma nova ofensa, é ser palerma, «bonzinho», ingénuo ou até ter falta de coragem e de determinação. E assim vamos sustentando e alimentando a raiva.

Biomimética e desafios filosóficos e de ética ambiental


1. Introdução: o que é a biomimética?
A biomimética (ou biomimicry) é o campo que estuda modelos, sistemas e elementos da natureza com o objetivo de emular os seus princípios para resolver problemas humanos complexos, em ciência, engenharia, medicina ou arquitetura . O termo “biomimetics” foi cunhado por Otto Schmitt por volta de 1957, num contexto de eletrónica inspirada nos nervos, e entrou no dicionário Webster em 1974, descrevendo o estudo de materiais e mecanismos biológicos para síntese de análogos artificiais (discutido em Bhushan, 2009). Em termos etimológicos, deriva de biosbios (vida) e mimesismimesis (imitação), sublinhando a ideia de aprender com a experiência evolutiva acumulada pela biosfera ao longo de cerca de 3,8 mil milhões de anos . Esta perspetiva implica uma mudança epistemológica: em vez de dominar a natureza, procura‑se tratá‑la como modelo e “mentora”, avaliando também o desempenho ecológico das soluções (abordado na literatura de biomimicry)

2. Principais pensadores e consolidação do campo
Embora haja antecedentes em Leonardo da Vinci ou no desenvolvimento da aviação inspirada em aves, a biomimética moderna consolida‑se na segunda metade do século XX, com a formalização científica do termo e a emergência de comunidades interdisciplinares. Otto Schmitt, físico e biólogo, é frequentemente referido como o primeiro a usar “biomimetics” ao desenhar dispositivos eletrónicos que imitavam a condução nervosa. Posteriormente, o campo ganha visibilidade com trabalhos de engenharia e materiais que sistematizam “lições da natureza”, como o artigo de revisão “Biomimetics: lessons from nature - an overview”, que descreve a transição de simples analogias para estratégias de design baseadas em estruturas da escala nano à macro.​

A figura pública mais influente na vulgarização contemporânea é Janine Benyus, bióloga e escritora, que populariza o termo “biomimicry” com o livro Biomimicry: Innovation Inspired by Nature(1997), contextualizado no perfil do Biomimicry Institute. Benyus propõe três papéis para a natureza - Modelo, Medida e Mentora - defendendo que as soluções inspiradas em sistemas naturais podem ser simultaneamente de alto desempenho e sustentáveis, ao emular princípios como uso eficiente de energia, ausência de resíduos e cooperação ecológica. Mais recentemente, autores como Hwang e colaboradores discutem a biomimética como vetor estratégico para o futuro da ciência, engenharia e medicina, no artigo “Biomimetics: forecasting the future of science, engineering, and medicine”

3. Exemplos clássicos de biomimética
Alguns exemplos tornaram‑se canónicos na literatura, ilustrando como observações biológicas se traduzem em artefactos tecnológicos.
  1. Fatos de natação de baixo arrasto inspirados na microestrutura da pele do tubarão, que reduzem a resistência hidrodinâmica ao replicar saliências microscópicas (dentículos), descritos no artigo em 
  2. O velcro, desenvolvido a partir da observação de sementes de bardana cujos ganchos microscópicos aderiam ao pelo de animais, originando um sistema de fixação reversível e robusto.
  3. Perfis de asas de aviões e planadores inspirados em aves, onde a forma e distribuição de penas sugerem soluções aerodinâmicas para maior sustentação e controlo
  4. Estruturas arquitetónicas e de engenharia civil inspiradas em conchas ou esqueletos, como a espiral do búzio Turbo cuja geometria oferece resistência e estabilidade a cargas complexas.
Na área da robótica e da locomoção, o estudo de insetos, peixes e minhocas levou ao desenvolvimento de robots com múltiplas articulações e corpos flexíveis, capazes de navegar em ambientes complexos e confinados. Por exemplo, robots endoscópicos “soft” inspirados em minhocas utilizam materiais flexíveis e segmentados que permitem avançar dentro de lúmens corporais com menor dano tecidular, sendo aplicados em cirurgia minimamente invasiva 
​
4. Avanços recentes: materiais, nanoescala e medicina
Nas últimas duas décadas, a biomimética expandiu‑se particularmente em ciência de materiais e engenharia biomédica, com enfoque em superfícies funcionais, hidrogéis e interfaces hierárquicas. Revisões recentes apontam para o desenvolvimento de materiais biomiméticos capazes de emular microambientes celulares e funções tecidulares, incluindo hidrogéis, compósitos à base de colagénio, superfícies modificadas e aplicações em bioprinting 3D para engenharia de tecidos, como discutido em “Recent Advances in the Development of Biomimetic Materials”. Este artigo de 2023 sublinha que estes sistemas tentam reproduzir propriedades mecânicas, bioquímicas e topográficas da matriz extracelular, mas enfrentam ainda desafios na replicação da complexidade real de comunicação e motilidade celular.

Superfícies inspiradas em fenómenos naturais — como a lotus (autolimpeza) ou a pele de tubarão (antifouling) — influenciam o design de revestimentos antibacterianos, têxteis funcionais e dispositivos médicos mais resistentes à colonização microbiana. Na fronteira com a nanotecnologia, a integração de biomimicry permite criar sistemas de energia, sensores, dispositivos fotónicos e têxteis com melhor eficiência e menor impacto ambiental, tirando partido de estruturas periódicas e gradientes presentes em asas de borboletas, olhos de insetos ou cascas de diatomáceas.Em biomedicina, revisões recentes descrevem scaffolds vasculares “biomiméticos” baseados em misturas de gelatina, gellan e elastina, com propriedades elásticas, hidrofílicas e citocompatíveis semelhantes a vasos naturais, viabilizando aplicações em substituição ou regeneração vascular, como se lê em “Advances in Biomimetics: Combination of Various Effects at Different Length Scales for Innovative Developments in Biological and Bioinspired Systems”

Paralelamente, a convergência entre biomimética, impressão 3D e inteligência artificial é apontada como fator‑chave para acelerar o design “bottom‑up” de sistemas artificiais com comportamento semelhante ao de tecidos vivos (discutido na secção sobre perspetivas futuras em ). Contudo, os autores enfatizam que a escalabilidade, reprodutibilidade e compatibilidade a longo prazo destes materiais continuam a ser obstáculos significativos, colocando em evidência a distância entre protótipos de laboratório e aplicação clínica ampla.

5. Desafios filosóficos e éticos
Para além da dimensão técnica, a biomimética levanta questões filosóficas e éticas sobre a relação humana com a natureza e sobre o uso de organismos como “catálogos de soluções”. Benyus e o Biomimicry Institute defendem que a disciplina deve incorporar explicitamente critérios de sustentabilidade, procurando não só eficiência, mas alinhamento com ciclos ecológicos e limites planetários. Isto implica avaliar se os materiais, processos e sistemas inspirados pela natureza, de facto, reduzem o consumo de recursos, a toxicidade e a produção de resíduos, em vez de apenas explorarem formas e mecanismos biológicos de modo instrumental.​

Autores como Hwang et al. sublinham ainda o risco de “hiper‑otimismo” tecnológico, lembrando que muitas soluções biomiméticas permanecem em fase experimental e que a imitação parcial de mecanismos naturais pode ter efeitos imprevistos em contextos reais. Há, também, o desafio epistemológico de compreender verdadeiramente os princípios subjacentes aos sistemas vivos — muitas vezes não lineares, emergentes e contextodependentes —, o que exige abordagens interdisciplinares que cruzem biologia, física, engenharia, design e ciências sociais. Neste sentido, a biomimética pode ser vista tanto como estratégia de inovação tecnológica como convite a repensar a própria cultura técnica, aproximando formas de produção humana da lógica de ecossistemas maduros.

Referências bibliográficas
  1. Benyus, J. M. (1997). Biomimicry: Innovation Inspired by NatureBiomimicry: Innovation Inspired by Nature. New York: William Morrow.​
  2. Hwang, J. et al. (2015). “Biomimetics: forecasting the future of science, engineering, and medicine”. Nanotechnology, 26(12): 122001.​
  3. Bhushan, B. (2009). “Biomimetics: lessons from nature – an overview”. Philosophical Transactions of the Royal Society APhilosophical Transactions of the Royal Society A, 367(1893): 1445–1486.
  4. Ciulla, M. M. et al. (2023). “Recent Advances in the Development of Biomimetic Materials”. International Journal of Molecular SciencesInternational Journal of Molecular Sciences, 24(20): 15238.​
  5. Himel, M. H. et al. (2023). “Biomimicry in nanotechnology: a comprehensive review”. Nanoscale Advances.​
  6. Rosellini, E. et al. (2023). “Advances in Biomimetics: Combination of Various Effects at Different Length Scales for Innovative Developments in Biological and Bioinspired Systems”. International Journal of Molecular Sciences, 24(14): 11552.
Verbete geral “Biomimetics”
​
Síntese enciclopédica “Biomimetics | Research Starters – Chemistry”

The Green Lady: Elizabeth Sweetheart is obsessed with green


Elizabeth Sweetheart proves wearing green isn't just for St. Patrick's Day. Everything in her life is green, from her clothes to her hair, and she's become a local celebrity in her New York City neighborhood. From her bright green hair, to her self-dyed green overalls, the New York City artist has earned her moniker, “the Green Lady.” Elizabeth was inspired to wear green after an emotional trip to Florida with her father. Today, she continues to uphold the tradition because of the joy it brings those around her.

Elizabeth Eaton Rosenthal, também conhecida como Elizabeth Sweetheart, nasceu na Nova Escócia em 1941. Ela é uma artista plástica, designer de tecidos e é conhecida como a "Green Lady of Brooklyn" por seu amor pela cor verde, que ela usa e decora a sua casa com quase exclusividade.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Dalai Lama - a educação do coração


"A minha esperança e desejo é que um dia a educação formal venha a prestar atenção ao que chamo educação do coração. Tal como tomamos como garantida a necessidade de adquirir competência nas matérias académicas fundamentais, tenho esperança que chegará um dia em que poderemos tomar por garantido que as crianças aprenderão, como parte do curriculum, a indispensabilidade de valores interiores: amor, compaixão, justiça e perdão"

domingo, 13 de março de 2016

Vandana Shiva- Fazer a Paz com a Terra (Making Peace With Earth)



Indian eco-activist Vandana Shiva urges a paradigm shift away from the pervasive short-sighted growth model we see failing all around us, and says that "making peace with the earth" is now a "survival imperative."
Vandana Shiva: "You cannot separate the issue of sustainability from the issue of justice from the issue of access to resources and from the issues of peace." (photo: Claudio Testa)

Shiva made the comments in an interview with Salim Rizvi of Free Speech Radio News.

Speaking about current environmental activism in India, she says the grassroots movement "has never been stronger because the crisis is deeper." She adds that rights issues are intertwined. "You cannot separate the issue of sustainability from the issue of justice from the issue of access to resources and from the issues of peace."

Emphasizing the urgency of our times, Shiva says "Making peace with the earth" is now "a survival imperative."

Speaking about the Rio+20 United Nations sustainable development summit in Rio de Janeiro which officially starts today, Shiva says that Rio "was very important 20 years ago," and that India played an important role then. But now India is "playing second fiddle to the United States," which "wants to dismantle Rio."

Shiva says that India's civiliazation is based on "compassion and sharing," and "you cannot sacrifice that very very open generous civiliazation for a short-term growth model that is failing all around us. "

sábado, 12 de março de 2016

The Chameleons - "Home Is Where The Heart Is" (Peel Sessions)



Home Is Where The Heart Is

So here we are waking
Savages shaking
The road that we're taking
We've walked before

And if these times
Should seal our fate
You won't see me
At Heavens gate

Danger is lurking
Evil is working
Yet here we are hiding
Behind our doors

Come out come out
It's time to grow
Enjoy the ride
One more time before you go

According to Hoyle
All cards on the table
What else can you do
When life is unstable

The night's growing colder
The enemy bolder
But as you grow older
You cease to care

But if we run
Or try to hide
And turn our faces
We'll have no hopes
To keep alive

According to Hoyle
All cards on the table
Reactions cool
The world is unstable
According to Hoyle
All cards on the table
What can you do
When life is unstable

So here we are waking
Savages shaking
Here we are hiding
Danger is lurking

sexta-feira, 11 de março de 2016

Acreditar que é possível cuidar do planeta compensa, por João Paulo Soares

Artigo de opinião na revista O Instalador de Março de 2016


Acreditar que é possível cuidar do planeta, compensa from João Soares

Para melhor leitura aconselho que cliquem no símbolo com as duas setas em sentidos opostos ("view fullscreen")

Curta- Metragem: Opia- The Ambiguous Intensity of Eye Contact (com video)


opia - n. the ambiguous intensity of looking someone in the eye, which can feel simultaneously invasive and vulnerable--their pupils glittering, bottomless and opaque- as if you were peering through a hole in the door of a house, able to tell that there’s someone standing there, but unable to tell if you’re looking in or looking out. 

The Dictionary of Obscure Sorrows is a compendium of invented words written by John Koenig. Each original definition aims to fill a hole in the language—to give a name to emotions we all might experience but don’t yet have a word for. Follow the project, give feedback, suggest an emotion you need a word for, or just tell me about your day.