sexta-feira, 6 de abril de 2012

Noam Chomsky - The Political Economy of the Mass Media


O livro a que se refere — cujo título exato é Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (1988), escrito por Noam Chomsky e Edward S. Herman — é uma das críticas mais influentes à forma como a grande imprensa opera nas democracias ocidentais, especialmente nos Estados Unidos.

A tese central que Chomsky defende é a de que os meios de comunicação de massa não funcionam como um contra-poder independente, mas sim como um sistema de propaganda que molda a opinião pública para defender os interesses económicos e políticos das elites.

Para explicar como isso acontece sem que haja censura estatal direta, eles criaram o "Modelo de Propaganda", que se baseia em 5 filtros pelos quais a informação tem de passar antes de chegar ao público:

Os 5 Filtros da Informação
  1. Propriedade e Dimensão: a maioria dos grandes meios de comunicação pertence a gigantescas corporações cujo objetivo principal é o lucro. Os seus interesses estão desalinhados com o jornalismo puramente independente.
  2. Financiamento por Publicidade: o verdadeiro cliente do jornal não é o leitor, é o anunciante. As notícias são o "isco" para vender a atenção do público às empresas que pagam a publicidade. Conteúdos que ameacem o ambiente de negócios tendem a ser marginalizados.
  3. Fontes de Informação Oficiais: para reduzir custos, os jornalistas dependem de fontes "fiáveis" e baratas: comunicados do governo, conferências de imprensa da polícia, Pentágono ou grandes empresas. Isto permite que o poder defina a narrativa.
  4. "Flak" (Fogo Cruzado/Disciplinação): se um jornalista ou canal sai da linha institucional, sofre pressões imediatas — processos judiciais, boicotes de anunciantes ou campanhas de difamação para o desacreditar.
  5. O Inimigo Comum (Ideologia Antagonista): Originalmente, Chomsky identificou o Anticomunismo como o grande filtro de controlo. Mais recentemente, este filtro foi adaptado para a "Guerra ao Terror", o "Medo ao Imigrante" ou a polarização extrema, criando um mecanismo de "nós contra eles" que mobiliza a opinião pública através do medo.
A essência da crítica: nas ditaduras, o controlo da população faz-se pela força (o bastão). Nas democracias, onde o Estado não pode usar a força bruta para calar os cidadãos, o controlo faz-se através da gestão do pensamento. O consentimento da população para políticas que muitas vezes a prejudicam é "manufaturado" (fabricado) pelos media.


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