terça-feira, 21 de junho de 2011

Peter Murphy - I Spit Roses

Melhor som aqui
Letra
The captain is sea
In the moonlight the same
The ship all himself
Rose Spitter, the name
A high mutiny
Submerged down and under
Shake-shack left you in shock
Shed poison with a lover's lock
All hands wound and fraught
Blow the dark that we thought

Oo-oh (I spit roses)
Oo-oh (I spit)

Shake-shack, ring the bell
Pretty, petty, they shall swell
Swell kid-like, kid-like squeak
Was it a trick or was it treat?

Oo-oh (I spit roses)
Oo-oh (I spit)

The captain is sea
In the moonlight the same
Reflex us and him
He blurts karma, no sin
The tall one astute
The ginger all things
To all men he's kind
A split heart from mind
I spit roses and thank
Oh, the boat we thought sank
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(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
(Oo-oh) I spit roses
Roses
I spit roses
I spit roses (Wall to wall, pillar to post)
(I'm back at the task, the task, that I love most)
Roses (Wall to wall, pillar to post)
(I'm back at the task, the task, that I love most)
Roses (I'm back at the task, the task that I love most)
Roses

O Canto do Cisne dos Bauhaus: Sublimação, Misticismo e Conflito em "I Spit Roses"
A canção "I Spit Roses", lançada no álbum Ninth de 2011, transporta uma carga simbólica profunda que deriva diretamente da história turbulenta do próprio Peter Murphy com a sua lendária banda, os Bauhaus. O significado do tema centra-se na reconciliação impossível, na frustração artística e na beleza poética que pode surgir do conflito interpessoal. A expressão que dá título à música nasceu durante a digressão de reencontro da banda em 2006; após um desentendimento intenso com o baixista David J no camarim, Murphy atirou-lhe com um vaso de rosas. Mais tarde, esse ato visceral transfigurou-se numa metáfora sobre a incapacidade de comunicar sem dor: "cuspir rosas" representa a tentativa de oferecer algo belo ou poético, mas que sai de forma agressiva, espinhosa e ferina, transformando o afeto em ressentimento.

O videoclipe traduz visualmente esta jornada emocional através de uma estética de teatro de sombras e colagens surrealistas, remetendo diretamente para o expressionismo alemão e o cinema mudo do início do século XX. Murphy surge como um capitão solitário a navegar por mares tempestuosos, uma imagem clássica da psique humana em sobressalto. As criaturas que emergem durante a viagem, como o polvo gigante e a coruja silenciosa, simbolizam os monstros do subconsciente, a traição e a vigilância constante dos velhos fantasmas do passado. As ilusões óticas e a transformação de paisagens sombrias em explosões caleidoscópicas de flores refletem o contraste central da canção: a transição constante entre a escuridão melancólica do luto artístico e a explosão de paixão e criação.

As influências filosóficas e literárias de Peter Murphy nesta fase da sua carreira são vastas e profundamente marcadas pelo Romanticismo europeu e pelo misticismo oriental. Há uma clara herança dos poetas românticos ingleses, como William Blake e Lord Byron, visível na forma como celebra a dor, a beleza decadente e o transcendentalismo através da natureza e dos elementos marítimos. Por outro lado, o simbolismo de "I Spit Roses" dialoga fortemente com o Existencialismo de Friedrich Nietzsche, nomeadamente na ideia de sublimar o sofrimento e o caos interpessoal para criar arte com significado. Adicionalmente, a conversão de Murphy ao Islamismo e o seu contacto prolongado com o Sufismo introduziram na sua escrita uma busca constante pelo sagrado e pela purificação através do amor e da dor, transformando uma simples zanga de camarim num ritual poético de transcendência e libertação espiritual.

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