Os salários reais permanecem abaixo dos níveis de 2021 em cerca de um terço dos países da OCDE e espera-se que o choque energético deste ano exerça pressão adicional sobre os rendimentos, segundo um novo relatório.
Mesmo antes da recente subida nos preços da energia, a recuperação dos salários reais já estava a desacelerar, ao passo que, num terço dos países da OCDE, os salários reais permaneciam abaixo dos níveis observados no início de 2021, pouco antes da onda inflacionária do pós-pandemia.
O crescimento anual dos salários reais foi positivo em praticamente todos os países da OCDE no primeiro trimestre de 2026, mas ficou abaixo do registado um ano antes em dois terços deles.
A média entre os países foi de 2,2% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 2,7% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com o relatório da OCDE divulgado hoje.
Com as novas pressões inflacionárias decorrentes dos custos mais elevados de energia, espera-se que o crescimento dos salários reais desacelere ainda mais, alerta a OCDE, que destaca que os salários dos trabalhadores de menor remuneração "resistiram melhor à inflação do que os da maioria dos trabalhadores, graças aos aumentos do salário mínimo".
Já os mercados de trabalho nos países da OCDE mantiveram-se resilientes, com o emprego total a atingir um nível recorde e a previsão de que continue a crescer neste ano e no próximo.
A OCDE sublinha ainda que existem grandes diferenças regionais nos resultados do mercado de trabalho, sendo que as taxas de desemprego nas regiões com pior desempenho são, em média, mais do que o dobro das observadas naquelas com melhor desempenho.
O relatório salienta também que o comércio e as mudanças tecnológicas afetam os mercados de trabalho locais de maneiras muito distintas, dependendo da sua estrutura industrial.
As regiões com pior desempenho (onde o desemprego é o dobro) são muitas vezes aquelas que não têm empresas preparadas para integrar ferramentas de IA ou onde a mão de obra não tem formação digital para acompanhar a transição. O comércio global favorece agora as regiões que conseguem produzir mais e mais rápido recorrendo a estas novas tecnologias.
O desemprego está baixo e há trabalho, mas o dinheiro que cai na conta ao fim do mês compra menos coisas do que comprava há 5 anos, com a classe média a sentir mais este aperto do que quem ganha o salário mínimo.

Sem comentários:
Enviar um comentário