domingo, 7 de abril de 2024

Música do BioTerra: Zanias - Thanatos (feat. Lynette Cerezo of Bestial Mouths)

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O toque de Thanatos

Zanias, nome artístico da compositora e produtora australiana Alison Lewis - conhecida por ter sido criada no Sudeste Asiático e radicada no epicentro da música eletrónica em Berlim -, uniu forças com a vocalista norte-americana Lynette Cerezo, líder do projeto industrial Bestial Mouths, para criar a faixa Thanatos. Musicalmente, a colaboração se enquadra perfeitamente nas ramificações mais sombrias da darkwave, do EBM (Electronic Body Music) e do post-industrial. A sonoridade é construída sobre sintetizadores densos e batidas eletrónicas pulsantes, servindo de base para vocalizações ritualísticas que alternam entre o tom etéreo de Zanias e a entrega visceral e gutural de Cerezo.

O significado da canção e do seu videoclipe gravita em torno da transitoriedade da vida e do confronto com a finitude. O título remete diretamente ao termo grego para a morte, e a letra funciona como uma catarse ritual sobre a purgação da dor, o colapso dos ciclos psíquicos e o desapego da identidade. No videoclipe, essa atmosfera é traduzida por meio de uma estética minimalista, obscura e altamente corporal. A linguagem visual aposta no transe, na sombra e no contraste de luzes para encenar uma simbiose entre as duas artistas, evocando um ritual de integração da sombra interior (shadow work) e de aceitação do inevitável fim.
Lynette Cerezo (Bestial Mouths) recorre a uma estética vocal post-industrial e gótica visceral, marcada por gritos guturais, projeções dramáticas, respirações audíveis e vocalizações pontuais de transe (mais próximas do sprechgesang ou de cantos rituais do que do lirismo técnico tradicional).

Essa narrativa visual e sonora é profundamente ancorada em referências filosóficas, literárias e psicanalíticas. A principal delas é a teoria freudiana da pulsão de morte (Thanatos), que descreve o impulso inconsciente que impele o indivíduo a buscar a cessação das tensões mentais e o retorno ao estado inorgânico de paz. Paralelamente, a obra dialoga com o existencialismo - abordando a angústia diante da finitude humana presente no pensamento de filósofos como Nietzsche e Kierkegaard - e com o Romantismo Sombrio do século XIX, que enxerga uma beleza trágica na degradação, na melancolia e no mistério que cerca o desconhecido.

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