domingo, 3 de novembro de 2013

Eucaliptugal, o ecocídio da floresta nacional

Portugal tem a maior área de eucalipto plantado de toda a Europa [Fonte: Visão]

Portugal é hoje provavelmente o país com maior área de eucaliptal plantado em toda a Europa. Não falamos em termos relativos, mas em termos absolutos de área plantada. Portugal, o pequeno jardim à beira-mar plantado, tem a maior área de eucalipto plantado de todo o continente.

Em 2008 o território português era já o maior produtor mundial de Eucalyptus globulus, à frente de Espanha e da Austrália. A área de eucaliptal na altura era de mais de 700 mil hectares. Cresceu. Hoje o Eucalyptus globulus atinge oficialmente os 812 mil hectares de área plantada no espaço florestal em Portugal. Em termos de área total de eucaliptos plantados, Portugal fica apenas atrás da Índia, do Brasil, da China e da Austrália.

- A área da Índia é 32 vezes a área de Portugal.

-  A área da Austrália é 84 vezes a de Portugal.

- A área do Brasil é 92 vezes a de Portugal.

- A área da China é 104 vezes a de Portugal.

No entanto Portugal compete diretamente com estes países em termos de área plantada de eucalipto, com os seus modestos 91 mil 470 km², onde 8,8% são eucaliptos, 26% de toda a área florestal, recorde mundial.

Na Austrália, país de que são originários os eucaliptos, o Eucalyptus globulus é conhecido como Tasmanian Blue Gum (Árvore da Seiva Azul da Tasmânia), Southern Blue Gum (Árvore da Seiva Azul do Sul), Fever Tree (Árvore da Febre) e até mesmo Gasoline Tree (Árvore Gasolina). Os nomes comuns das árvores costumam ter forte ligação às suas características próprias. Algumas das características deste eucalipto promoveram a sua expansão por todo o mundo, ocupando hoje uma área estimada em 22 milhões de hectares. Este eucalipto é uma árvore de rotação curta e crescimento rápido, o que permite que seja utilizada com uma elevada produtividade e com rápido retorno nos investimentos, o que anda a par com a escolha da economia de curto prazo vigente nos dias de hoje.

Se o eucalipto for introduzido em territórios onde não exista falta de água, ao contrário do seu terreno natural, este crescimento será ainda mais rápido, com elevada voracidade de absorção de água e nutrientes dos solos. E é assim que em Portugal e Espanha temos boas condições para o eucalipto, razão pela qual os mais altos Eucalyptus globulus do mundo se encontram na Península Ibérica e não na Oceânia O eucalipto está perfeitamente adaptado a Portugal, o problema é que Portugal não está perfeitamente adaptado ao eucalipto.

As árvores não podem nem devem avaliadas segundo as suas características próprias como se fossem boas ou más. As suas características derivam das condições naturais em que as mesmas evoluíram e dos fatores que levaram ao seu sucesso nesses mesmos ecossistemas. As condições nas quais este eucalipto evoluiu favoreceram uma série de características próprias excelentes para o seu desenvolvimento no sul da Austrália e na Tasmânia, que poderão não ser as mais adequadas à sua plantação por todo o mundo.

O eucalipto é altamente inflamável, em particular a partir dos 6/7 anos de idade. As folhas do eucalipto libertam o agradável aroma que todos conhecemos, que se compõe de terpenos e de ácidos fenólicos, óleos e compostos que não só inibem o desenvolvimento de microrganismos nos solos das florestas de eucaliptos como também impedem o crescimento de ervas nestes solos, inibindo o desenvolvimento de raízes de sementes de outras espécies. Esta é uma característica importante para o desenvolvimento do eucalipto na Austrália, onde compete com outras espécies para a ocupação de poucos recursos, nomeadamente para absorção de água e minerais. Apesar de altamente inflamável, não é comum o eucalipto morrer em incêndios. A sua casca incendeia-se muito rapidamente, explode e emite projeções da sua casca incandescente até centenas de metros de distância. A elevada acumulação de biomassa das folhas no leito da plantação aumenta o material disponível para a combustão, de difícil decomposição pelos microrganismos.

Os solos das plantações deste eucalipto são altamente hidrofóbicos e os microrganismos têm dificuldade em digerir as folhas e a casca que caem da árvore, razão pela qual há pouca variabilidade de microrganismos presente nas plantações de eucalipto. Consequentemente há menos invertebrados nestas "florestas", menos cogumelos e menos ervas. A possibilidade de qualificar um eucaliptal como passível de integrar um sistema agro-silvo-pastoril ignora o facto de que tanto cabras como ovelhas ou vacas são incapazes de digerir as folhas de eucalipto.

A maior parte das espécies que come matéria vegetal estará portanto afastada das plantações de eucalipto, em todos os locais exceto aqueles em que existem eucaliptos há milhares de anos e onde as espécies como o koala conseguem de facto comer e digerir as folhas do eucalipto. Considerando a difícil habitação da maior parte das espécies num eucaliptal plantado fora do seu habitat, alguém lembrou-se um dia de lhe chamar a estas plantações de "desertos verdes".

Mitos, dirão os produtores deste eucalipto e da pasta branca de papel, apontando estudos que não confirmam nem desmentem uma série de pequenos aspetos passíveis de discussão. Apontarão problemas de gestão para justificar os impactos dos eucaliptos nos solos, os seus efeitos nos níveis de água, tentando negar as características responsáveis pelo sucesso económico do eucalipto: ele cresce rapidamente porque metaboliza rapidamente os nutrientes, absorve mais água e utiliza-a de forma mais eficiente para extrair dos solos a sua riqueza. Depois é cortado e leva essa riqueza consigo.

Não é um complot do eucalipto, é a forma como ele é utilizado. E as únicas formas de gestão do eucalipto que o compatibilizariam com um desenvolvimento harmonioso seriam a negação das características desta árvore que, sendo benéficas para o crescimento económico a curto prazo, são pelas mesmas características prejudiciais ao território, às características dos incêndios, ao esgotamento dos solos da água, à incompatibilidade com a biodiversidade local. E diploma algum em qualquer parte do mundo permitirá mudar a biologia por decreto administrativo.

Se considerarmos além disto que a previsão atual é de que a temperatura no país possa subir até 10ºC nos próximos 75 anos e que o mercado mundial do papel está em declínio, ficam perguntas: qual é o objetivo de tudo isto? Porquê um eucaliptugal, um portugalipto? Quem ganha com este ecocídio? E quando é que vamos deixar de vez de aceitar que espezinhem o nosso direito universal a um ambiente saudável? Quando já não houver?

João Camargo
Engenheiro Zootécnico, Engenheiro do Ambiente, Técnico de Intervenção da Liga para a Protecção da Natureza


Outras leituras

sábado, 2 de novembro de 2013

Never Stop!

30 years!!

Echo & the Bunnymen - Never stop
Good God, you said
Is that the only thing you care about
Splitting up the money
And share it out
The cake's being eaten
Straight through the mouth
Poison
Poised to come back in
Season
For all the ones who lack
Reason

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A energia solar já é mais barata do que nuclear

Num estudo intitulado “Custos solares e nucleares”, pesquisadores da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, afirmam que a energia gerada por instalações fotovoltaicas já pode ser mais barata que a proveniente de centrais nucleares. O trabalho leva em conta análises feitas no próprio estudo, onde o preço do kwh gerado pelas placas solares está em US$ 0,16. 
O texto aponta que as instalações nucleares buscam diversas subvenções públicas, transferindo os riscos financeiros adicionais aos clientes das companhias de energia e aos contribuintes. 
 Além disso, estas centrais sofreriam constantes atrasos e cancelamentos durante sua implantação. Noutros casos, problemas no planeamento estariam levando a recorrentes aumentos nos orçamentos propostos para as centrais da fonte. Enquanto isso, o crescimento da indústria solar e de fornecedores, as novas tecnologias aplicadas e seus benefícios ambientais são indícios de que “o custo da energia solar está diminuindo, enquanto o custo da energia nuclear aumentou nos últimos oito anos”. 
O estudo afirma que o orçamento para a instalação de um reactor nuclear passou de US$3 Mil Milhões para uma média de US$10 Mil Milhões! 
A análise compara os custos e os incentivos para ambas as tecnologias, baseado em relatórios sobre a energia fotovoltaica e as estimativas de custos de construção de nucleares. As comparações incluem tanto painéis solares instalados em residências e empresas quanto grandes parques de geração da fonte.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Brundtland at the Hilton Awards 2013


Dr. Gro Harlem Brundtland is the former director-general of the World Health Organization (WHO) and the former prime minister of Norway—the first woman and youngest person to serve in that role. She has provided leadership on issues of global significance for more than four decades. Brundtland served as one of three United Nations Special Envoys for Climate Change, having been named to that position in May of 2007 by U.N. Secretary General Ban Ki-moon. In 2007, she also became a member of The Elders, a group founded by Nelson Mandela and Graça Machel and led by Archbishop Desmond Tutu. Recently, Brundtland served on the United Nation’s Panel on Threats, Challenges, and Change. She is member of the board of the United Nations Foundation.

In the 1980s she chaired the World Commission on the Environment and Development―the Brundtland Commission established the concept of sustainable development in its landmark report, Our Common Future. The commission’s recommendations provided the momentum for the United Nations Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992.

During her tenure as director-general of the World Health Organization, Brundtland’s rapid response to the global threat of the SARS virus is largely credited with helping prevent the widespread growth of the disease. She also succeeded in garnering support for the first negotiated agreement on a major public health issue, The Tobacco Convention, and was recognized that same year as Scientific American’s “Policy Leader of the Year.” The recipient of many honors, perhaps her most prized award is the unofficial title she holds in her native Norway, where she is affectionately known as “Landsmoderen” or “mother of the nation.” Dr. Brundtland is a graduate of Oslo University and the Harvard School of Public Health.
Fonte: Hilton Humanitarian Prize

Rendas (lucros) excessivas da EDP à custa dos consumidores – mas governo e "troika" nada fazem para acabar com esta situação

O sobrepreço que os consumidores portugueses (famílias e empresas) são obrigados a pagar tem um custo global muito elevado. Em 2012, a produção de energias renováveis em Portugal atingiu 19 TWh segundo a ERSE, o que corresponde a 19.000.000MWh. Como a diferença paga a mais por MWh foi de 58,1 €, isto significa que, devido a este preço bonificado pago aos produtores de energias renováveis que é fixado pelo governo, os consumidores tiveram ou vão ter de pagar a mais cerca de 1.103,9 milhões € pelas energias renováveis que consumiram em 2012. E os principais produtores de energias renováveis são grandes grupos económicos como a EDP (eólicas), a PORTUCEL (biomassa), etc. E o escândalo chega ao ponto destes produtores de energia renováveis a venderem à rede a um preço muito superior àquele que depois vão adquirir à rede a que precisam (o grupo EDP, através da EDP –R , funciona como produtor de energias renováveis, que depois vende à EDP-Comercial para a vender aos consumidores). É um autêntico maná para empresas como a EDP a PORTUCEL e outras, que continua a verificar-se em Portugal com o beneplácito do governo e da "troika", embora no "Memorando" conste o contrário. [ler tudo no artigo de Eugénio Rosa]

Outras leituras

Notas:

1. Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia do governo PSD/CDS, num discurso escrito que elaborou para ser lido numa conferencia organizada pelo ISEG (acima referido) escreveu o seguinte: " As rendas excessivas e a atual garantia de potência impactam fortemente na sustentabilidade futura do sector elétrico, estando a desviar da economia e das famílias recursos num valor global de cerca de 3.500 milhões € até 2020. Em termos anuais, as rendas representam cerca de 370 milhões € " (pág. 18). Com os juros aqueles 3.500 poderão atingir cerca de 5.300 milhões € como refere também.

2. Para os que não andaram pela Física informo que 1 MWH é a energia produzida por uma fonte de energia com a potência de 1 milhão de watts durante 1 hora)

3. Fontes consultadas: entrevistas a Henrique Gomes, a Álvaro Santos Pereira , audição na comissão de economia da AR nos vídeos a seguir identificados e em especial estudo do economista Eugénio Rosa em Resistir Info.
Os Vídeos referidos estão aqui 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Bio Foto Poema da Semana

Por ora, basta-me a ti, 
Eu só sou contigo 
Sou como a rocha 
a flor que cativa a bússola do dia!
João Soares

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mariana Mazzucato: Government -- investor, risk-taker, innovator

Por que o governo simplesmente não sai do caminho e deixa o setor privado - os "revolucionários reais" - inovar? É retórica que se ouve em todos os lugares, e Mariana Mazzucato quer desfazê-la. Numa palestra enérgica, ela mostra como o estado - que muitos vêem como um gigante lento e encolhido - é realmente um dos nossos mais empolgantes tomadores de risco e formadores de mercado.

domingo, 27 de outubro de 2013

Estou por cá, na Terra, Vivendo sempre nos Impossíveis!


The Cure- To Wish Impossible Things

"To Wish Impossible Things"
(Written by Perry Bamonte, Simon Gallup, Robert Smith, Porl Thompson, Boris Williams)

remember how it used to be
when the sun would fill the sky
remember how we used to feel
those days would never end
those days would never end

remember how it used to be
when the stars would fill the sky
remember how we used to dream
those nights would never end
those nights would never end

it was the sweetness of your skin
it was the hope of all we might have been
that filled me with the hope to wish
impossible things
to wish impossible things

but now the sun shines cold
and all the sky is grey
the stars are dimmed by clouds and tears

[refrão] 6X
and all i wish
is gone away

sábado, 26 de outubro de 2013

Música do BioTerra: Echo And The BunnyMen - Drivetime



Echo and the Bunnymen's dark, swirling fusion of gloomy post-punk and Doors-inspired psychedelia brought the group a handful of British hits in the early '80s, while attracting a cult following in the United States. The Bunnymen grew out of the Crucial Three, a late-'70s trio featuring vocalist Ian McCulloch, Pete Wylie, and Julian Cope. Cope and Wylie left the group by the end of 1977, forming the Teardrop Explodes and Wah!, respectively. McCulloch met guitarist Will Sergeant in the summer of 1978 and the pair began recording demos with a drum machine that the duo called "Echo." Adding bassist Les Pattinson, the band made its live debut at the Liverpool club Eric's at the end of 1978, calling itself Echo &  the Bunnymen.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Documentário da Semana : Terra 2100 - A Terra em 100 anos


Estima-se que por volta do ano de 2015, atingiremos o ponto sem retorno na degradação do planeta e suas consequências. Ou seja, a partir de meados desta década, nada mais que se faça será suficiente para travar os efeitos colaterais de todo estrago feito desde a industrialização. Isso significa que todos os processos que desencadeamos com nosso crescimento e consumo desordenados, não poderão mais ser parados até que cumpram seu ciclo e tudo que nos restará será olhar e esperar pelo período em que as mudanças começarão a surtir efeito. Não sem antes sofrer as consequências das mudanças que não conseguiremos mais impedir.

domingo, 20 de outubro de 2013

Far Light- Luz Longínqua? Ou bem perto de nós, no interior?

Rachel Grims- Far Light


Cada vez é mais evidente que Somos todos energia condensada no estado material, ou seja, a matéria é ela própria um estado de condensação da energia do Universo, de forma visível e tangível. Por isso nós humanos, as árvores, as flores e mesmo as rochas, a água, etc. somos todos conjuntos de átomos agrupados numa dada forma ou estado de organização. Se a energia se pudesse visualizar ela escorrer-nos-ia entre os dedos, pois apenas a forma em que ela está encerrada difere. Somos todos o mesmo, todos Unos, Todos Energia organizada apenas em fôrmas e formas diferentes. E isso pode sentir-se, basta que o observemos e nos apercebamos desta evidência.