sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Diversidade Socioambiental, por Eduardo Viveiros de Castro


A diversidade das formas de vida na Terra (e sabe-se lá mais onde) é consubstancial à vida enquanto forma da matéria. Essa diversidade é o movimento mesmo da vida enquanto informação, tomada de forma que interioriza a diferença - as variações de potencial existentes em um universo constituído pela distribuição heterogênea de matéria/energia - para produzir mais diferença, isto é, mais informação. A vida, nesse sentido, é uma exponenciação - um redobramento ou multiplicação da diferença por si mesma. Isso se aplica igualmente à vida humana. 

A diversidade de modos de vida humanos é uma diversidade dos modos de nos relacionarmos com a vida em geral, e com as inumeráveis formas singulares de vida que ocupam (informam) todos os nichos possíveis do mundo que conhecemos (e sabe-se lá de quantos outros). A diversidade humana, social ou cultural, é uma manifestação da diversidade ambiental, ou natural - é a ela que nos constitui como uma forma singular da vida, nosso modo próprio de ineriorizar a diversidade "externa"(ambiental) e assim reproduzi-la. Por isso a presente crise ambiental é, para os humanos, uma crise cultural, crise de diversidade, ameaça à vida humana. 

A crise se instala quando se perde de vista o caráter relativo, reversível e recursivo da distinção entre ambiente e sociedade. O poeta e pensador Paul Valéry constatava sombrio, pouco depois da Primeira Guerra Mundial, que "nós, civilizações [européias], sabemos agora que somos mortais". Neste começo algo crepuscular do presente século, passamos a saber que, além de mortais, "nós, civilizações", somos mortíferas, e mortíferas não apenas para nós, mas para um número incalculável de espécies vivas -- inclusive para a nossa. Nós, humanos modernos, filhos das civilizações mortais de Valéry, parece que ainda não desesquecemos que pertencemos à vida, e não o contrário. E olhem que já soubemos disso. 

Algumas civilizações sabem disso; muitas outras, algumas das quais matamos, sabiam disso. Mas hoje, começa a ficar urgentemente claro até para "nós mesmos" que é do supremo e urgente interesse da espécie humana abandonar uma perspectiva antropocêntrica. Se a exigência parece paradoxal, é porque ela o é; tal é nossa presente condição. Mas nem todo paradoxo implica uma impossibilidade; os rumos que nossa civilização tomou nada têm de necessário, do ponto de vista da espécie humana. É possível mudar de rumo, ainda que isso signifique -- está na hora de encararmos a chamada realidade -- mudar muito daquilo que muitos considerariam como a essência de nossa civilização. Nosso curioso modo de dizer "nós", por exemplo, excluindo-se dos outros, isto é, do "ambiente". O que chamamos ambiente é uma sociedade de sociedades, como o que chamamos de sociedade é um ambiente de ambientes. 

O que é "ambiente" para uma dada sociedade será "sociedade" para um outro ambiente, e assim por diante. Ecologia é sociologia, e reciprocamente. Como dizia o grande sociólogo Gabriel Tarde, "toda coisa é uma sociedade, todo fenômeno é um fato social". Toda diversidade é ao mesmo tempo um fato social e um fato ambiental; impossível separá-los sem que não nos despenhemos no abismo assim aberto, ao destruirmos nossas próprias condições de existência. A diversidade é, portanto, um valor superior para a vida. A vida vive da diferença; toda vez que uma diferença se anula, há morte. "Existir é diferir", continuava Tarde; "é a diversidade, não a unidade, que está no coração das coisas". Dessa forma, é a própria idéia de valor, o valor de todo valor, por assim dizer -- o coração da realidade --, que supõe e afirma a diversidade. É verdade que a morte de uns é a vida de outros e que, nesse sentido, as diferenças que formam a condição irredutível do mundo jamais se anulam realmente, apenas "mudam de lugar" (o chamado princípio da conservação de energia). Mas nem todo lugar é igualmente bom para nós, humanos. Nem todo lugar tem o mesmo valor. (Ecologia é isso: avaliação do lugar). 

Diversidade socioambiental é a condição de uma vida rica, uma vida capaz de articular o maior número possível de diferenças significativas. Vida, valor e sentido, são, finalmente, os três nomes, ou efeitos, da diferença. Falar em diversidade socioambiental não é fazer uma constatação, mas um chamado à luta. Não se trata de celebrar ou lamentar uma diversidade passada, residualmente mantida ou irrecuperavelmente perdida - uma diferença diferenciada, estática, sedimentada em identidades separadas e prontas para consumo. Sabemos como a diversidade socioambiental, tomada como mera variedade no mundo, pode ser usada para substituir as verdadeiras diferenças por diferenças factícias, pos distinções narcisistas que repetem ao infinito a morna identidade dos consumidores, tanto mais parecidos entre si quanto mais diferentes se imaginam. 

Mas a bandeira da diversidade real aponta para o futuro, para uma diferença diferenciante, um devir onde não é apenas o plural (a variedade sob o comando de uma unidade superior), mas o múltiplo (a variação complexa que não se deixa totalizar por uma transcendência) que está em jogo. A diversidade socioambiental é o que se quer produzir, promover, favorecer. Não é uma questão de preservação, mas de perseverança. Não é um problema de controle tecnológico, mas de auto-determinação política. É um problema, em suma, de mudar de vida, porque em outro e muito mais grave sentido, vida, só há uma. 

Mudar de vida - mudar de modo de vida; mudar de "sistema". O capitalismo é sistema político-religioso cujo princípio consiste em tirar das pessoas o que elas têm e fazê-las desejar o que não têm - sempre. Outro nome desse princípio é "desenvolvimento econômico". Estamos aqui em plena teologia da falta e da queda, da insaciabilidade infinita do desejo humano perante os meios materiais finitos de satisfazê-los. A noção recente de "desenvolvimento sustentável" é, no fundo, apenas um modo de tornar sustentável a noção de desenvolvimento, a qual já deveria ter ido para usina de reciclagem das idéias. Contra o desenvolvimento sustentável, é preciso fazer valer o conceito de suficiência antropológica. 

Não se trata de auto-suficiência, visto que a vida é diferença, relação com a alteridade, abertura para o exterior em vista da interiorização perpétua, sempre inacabada, desse exterior (o fora nos mantém, somos o fora, diferimos de nós mesmos a cada instante). Mas se trata sim de auto-determinação, de capacidade de determinar para si mesmo, como projeto político, uma vida que seja boa o bastante. O desenvolvimento é sempre suposto ser uma necessidade antropológica, exatamente porque ele supõe uma antropologia da necessidade: infinitude subjetiva do homem - seus desejos insaciáveis - em insolúvel contradição com a finitude objetiva do ambiente - a escassez dos recursos. 

Estamos no coração da economia teológica do Ocidente, como tão bem mostrou Marshall Sahlins; na verdade, na origem de nossa teologia econômica do "desenvolvimento". Mas essa concepção econômico-teológica da necessidade é, em todos os sentidos, desnecessária. O que precisaríamos é de um conceito de suficiência, não de necessidade. Contra a teologia da necessidade, uma pragmática da suficiência. Contra a aceleração do crescimento, a aceleração das transferências de riqueza, ou circulação livre das diferenças; contra a teoria economicista do desenvolvimento necessário, a cosmo-pragmática da ação suficiente. A suficiência é uma relação mais livre que a necessidade. As condições suficientes são maiores -- mais diversas -- que as condições necessárias. Contra o mundo do "tudo é necessário, nada suficiente", a favor de um mundo onde "muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente". Quem sabe assim tenhamos um mundo a deixar para nossos filhos. [Fonte: PraPensar]

Eduardo B. Viveiros de Castro é doutor em Antropologia (UFRJ), professor-adjunto de Etnologia no Museu Nacional/ UFRJ, e Directeur de Recherche Associé, no CNRS (Equipe de Recherche en Etnologie Amérindienne). As suas áreas de investigação são a antropologia dos Índios sul-americanos, a etnologia tupi-guarani, a teoria do parentesco e a etno-filosofia. Das suas publicações, destaca-se From the Enemy’s Point of View: Humanity and Divinity in an Amazonian Society.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Economia de Comunhão

 
Entrevista (em italiano) sobre economia e felicidade: Mario Centorrino, Pietro Busetta e Luigino Bruni


A Economia de Comunhão (EdC) é um projecto que envolve empresas dos cinco continentes. Os empresários que livremente aderem ao projecto decidem colocar em comunhão os lucros da empresa segundo três finalidades de igual relevância:

1. ajudar as pessoas em dificuldade financeira, criando novos postos de trabalho e suprimindo suas necessidades elementares;
2.difundir a cultura do dar e do amor, sem a qual é impossível realizar uma Economia de Comunhão;
3. desenvolver a empresa, que deve ser eficiente e permanecer aberta ao dom.

Até hoje aderiram 754 empresas de diversas actividades, sendo:
  • 463 na Europa
  • 254 nas Américas
  • 27 na Ásia
  • 8 na África
  • 2 na Austrália


Entrevista a Chiara Lubrich
[Mais informação sobre a sua vida e nascimento do Projecto aqui]

Comentários: Porque é possível o diálogo de religiões! Concerteza que o Vaticano podia contribuir com melhores exemplos de abertura à sociedade moderna com enormes desafios sócio-ambientais. Concordo e fico igualmente indignado depois do que li aqui e aqui. As Igrejas e os Templos e os ritos (cristãos e não cristãos e laicos) são a face visível. Mas mantenho confiança na religião cristã. Com despertares para as outras religiões e opiniões dos agnósticos que reposicionam , reorientam e/ou reforçam essa minha certeza. Todo o acto humano é espiritual.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

TV Energia



A primeira televisão portuguesa em linha dedicada a promover a mudança de comportamentos no consumo doméstico de energia foi apresentada oficialmente no dia 10 de Novembro de 2008 (Público). O objectivo principal da TV Energia é promover a mudança de comportamentos e a utilização racional da energia, que é um recurso finito, referiu Vasco Ferreira um dos coordenadores do projecto. A falta de informação foi uma das razões que levou a equipa coordenada por Vasco Ferreira a criar um canal em linha onde serão exibidos três programas principais. O Inova Energia é um magazine de informação que inclui rubricas como estilo de vida eficiente, em que figuras públicas partilham práticas sustentáveis.

No Cinema ao Ar Livre, o canal disponibiliza documentários e curtas-metragens sobre energia e alterações climáticas. 

Já no Eventos Energia está garantida a cobertura de conferências e eventos sobre sustentabilidade energética. 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Zonas Livres de Transgénicos (ZLT) em Portugal


Zonas Livres de Transgénicos (ZLT) em Portugal (sempre em actualizações): 

Agosto 2004
Associação de Municípios do Algarve (16 municípios): Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Faro, Lagôa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, S. Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo, Vila Real Stº António

Novembro 2004
Câmara Municipal de Mora

Abril 2005

Junta de Freguesia de Vilar (Cadaval)
Câmara Municipal de Aljezur
Câmara Municipal do Cadaval

Maio 2005

Câmara Municipal de Ponte da Barca

Junho 2005

Câmara Municipal de Moura
Câmara Municipal de Coimbra

Julho 2005

Câmara Municipal de Odemira

Setembro 2005
 
Câmara Municipal de Sintra

Agosto 2010

Dezembro 2011

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Criança e Natureza - um novo projecto de Carlos Frescata


É evidente o crescente interesse dos pais em partilharem momentos agradáveis com os seus filhos, na Natureza.
Contudo, a nossa vida actual é de tal modo absorvente que muitas vezes não há tempo para recolhermos informação e planearmos um fim-de-semana ou umas férias interessantes.
Por outro lado, as escolas têm programas cada vez mais orientados para actividades no exterior, de temática ambiental.
No entanto, apesar de vivermos na sociedade da informação, se esta estiver dispersa é difícil saber o que há disponível, perdendo-se assim muitas oportunidades de valorizar a actividade pedagógica escolar.
Este guia pretende colmatar essa falta de informação em Portugal. O seu objectivo principal é reunir o máximo número possível de promotores que ofereçam actividades, acessíveis a crianças, de contacto e aprendizagem com a Natureza e sobre a relação próxima do Homem com esta.
Mais do que uma mensagem paternalista de lições de bom comportamento ambiental, pretende-se revelar quão valiosos são os momentos que pais e crianças podem usufruir em conjunto.
Os anos em que os filhos são crianças vão-se rapidamente, pelo que os pais devem ser apoiados, na redescoberta ou intensificação da alegria de viver que se constrói quando nos relacionamos com os elementos da Terra Mãe.
Criança e Natureza foi criado como um auxiliar dos pais para que esses raros momentos em que estão juntos com os filhos não sejam desperdiçados.
O primeiro número tem data de publicação prevista para o próximo mês, Março de 2009.

Sobre o Autor

Carlos Frescata chegou à China em 1992, numa viagem de investigação para o seu doutoramento em engenharia agronómica que concluiu no Instituto Superior de Agronomia (Universidade Técnica de Lisboa), com trabalhos de pesquisa também na Holanda, Nova Zelândia e Califórnia.
Na China, conheceu a sua mulher, Cao Bei. Têm dois filhos, Carlos Nuno e Ana Bei.
Em 1996 fundou em Pequim aquela que foi talvez a primeira empresa 100% portuguesa neste país ― Beijing Biosani ― filha da sua empresa Biosani, de Palmela.
Em 2007 lançou a publicação Green China, visando estabelecer uma ponte de informação entre o Império do Meio e a Europa.
Empreende iniciativas ecologistas desde que, aos 15 anos, fundou um movimento ambientalista em Setúbal, sua terra natal. Durante a juventude, na década de 1980, viveu em aldeias kibbutzim de Israel e participou em projectos gandhianos universitários, rurais, na Índia.
Acredita que uma portugalidade universalista e intercultural é um privilégio dos portugueses e que na China conseguiu finalmente cumpri-la. Actualmente, tenta investigar a oportunidade para Portugal da iniciativa chinesa Fórum Macau, na sua vertente Brasil e Angola.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

5.000 anos de guerras religiosas explicados em 90 s




Do mesmo Maps of War que nos ofereceu The March of Democracy chega agora a História da Religião em 90 segundos. Está a ser pouco divulgado entre nós. É ilustrada a forma como evoluiu geograficamente a religião ao longo dos séculos desde o nascimento de Krishna até aos tempos modernos. O trabalho foca as religiões mais representativas em termos quantitativos passando pelo Hinduísmo, Judaísmo, Budismo, Cristianismo e Islamismo. São igualmente destacados os períodos de conflito. São 5000 anos de religião em 90 segundos e podem ser vistos aqui. Vale a pena consultar a livraria do Maps of War.

Encontrei-o no Youtube

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Negociatas em torno do novo Aeoroporto de Lisboa



As negociações para a compra de quatro mil hectares da herdade de Rio Frio, junto ao Campo de Tiro de Alcochete, decorreram entre Agosto e o final de Dezembro de 2007, dois meses após o Governo ter pedido um estudo comparativo entre Ota e Alcochete e duas semanas antes do anúncio da nova localização do Aeroporto de Lisboa. Os terrenos, adquiridos com crédito do BPN, são propriedade indirecta da OPI 92, empresa da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) que foi apontada como uma solução para tapar o buraco financeiro do Banco Insular (BI).[Toda a notícia no Correio da Manhã:15.02.09]
Alcochete: aeroporto preocupa ambientalistas 
Sociedade das Aves considera extremamente preocupante localização escolhida O relatório do LNEC aponta Campo de Tiro de Alcochete (CTA) muito menos vantajosa que a opção OTA, em termos de Natureza e Biodiversidade. Portugal continuava com menos dívidas externas, suportava muito bem a opção Portela+1 e garantia os recursos naturais e em água (rios), um bem precioso no nosso País, Ibérico e Mundial. 
Leia aqui o estudo (2º Relatório LNEC,pdf) 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Educação Ambiental no Youtube: Natura Mediterraneo (Itália)


Natura Mediterraneo é um enorme portal de Meio Ambiente em Itália. O canal youtube da Natura Mediterraneo foi inaugurado a 6 de Março de 2007, com um acervo de perto de 90 vídeos, mostrando formas de vida de sítios de importância ecológica, seres vivos da fauna e flora Mediterrânicas e algumas reportagens de acções de educação ambiental.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Zeitgeist Addendum (em Português, 2008)


No original, aqui
O segundo filme, Zeitgeist: Adenda, tenta localizar as causas profundas da corrupção, ao mesmo tempo, oferecer uma solução. Esta solução não é apenas baseada em política, moral, leis, ou qualquer outras noções existentes e formais sobre os assuntos humanos, mas sim uma solução moderna, não supersticiosa, fundada na compreensão daquilo que nós somos e como vamos alinhar com a Natureza da qual somos parte. O trabalho defende um novo sistema social, que é actualizado até aos conhecimentos de hoje, muito influenciado pela longa vida e trabalho de Jacque Fresco e o Venus Project.

Ver aqui o primeiro filme Zeitgeist:
Zeitgeist, 2007

Página do Movimento

domingo, 15 de fevereiro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Comissários Europeus da área do ambiente com blogues e facebook

Stavros Dimas, Comissário Europeu do Ambiente publicou no seu blogue uma carta aberta ao Presidente Obama, pedindo que desta vez os EUA promova uma mudança extraordinária na redução de GEE (emissão de gases de efeito estufa) assim como uma aposta clara na eficiência energética e energias renováveis.
Stavros Dimas mantém uma página muito activa no facebook.

Mariann Fischer Boel, Comissária Europeia para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, alerta-nos, no seu blogue, para a enorme quantidade de resíduos alimentares. Mais, reduzindo para metade o que os europeus desperdiçam ao comer, equivaliaria a uma redução em 25% de GEE. O relatório completo, aqui (117 páginas).



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dia D de Darwin- Parabéns Darwin

Visita e conhece a evolução da Vida com Tree of Life, bastante interactiva
Por Filinto Melo, Ciência Hoje
O bicentenário do nascimento de Charles Darwin celebra-se esta quinta-feira! No caso da Inglaterra, as celebração estão a ser coordenadas pela iniciativa Darwin200, que preparou uma série de eventos para festejar mas sobretudo para salientar a importância da obra do pai da biologia moderna. Começou em Novembro passado, quando o Museu de História Natural de Londres iniciou uma exposição na qual os visitantes podem percorrer os diferentes cenários da vida do cientista (incluindo animais com que ele se cruzou) e ter acesso a pequenos artefactos do seu universo particular, o cientista e o homem. Mas é a partir desta quinta-feira que se multiplicam os eventos. Na cidade de Shrewsbury, a sua terra natal, o chamado Dia Darwin incluirá a inauguração de um jardim geológico temático e de um monumento ao cientista. Um Museu de Cambridge tentará mostrar as pontes entre a ciência e a arte, tendo perceber o impacto que a teoria teve em artistas do século XIX, como Turner, Monet ou Cézanne. A casa de Darwin em Kent vai abrir as portas. Segundo a curadora do espaço, em entrevista à BBC, a visita permitirá perceber porque razão o refúgio do naturalista foi ali, rodeado pela natureza e afastado do frenesi universitário. Nesse refúgio do condado de Kent, onde manteve um laboratório ao ar livre, haverá um pedido formal para que a Unesco o considere Património da Humanidade.

A BBC, por outro lado, pediu a Richard Attenborough um documentário que pretende ser um relato da vida do pai da biologia moderna e do impacto das suas teorias, onde se esperam críticas ao criacionismo. Ao todo, em Inglaterra, haverá mais de 300 eventos relacionados com o bicentenário. Em Cabo Verde, o primeiro local em que o HMS Beagle atracou e Darwin fez observações, a Universidade Pública de Cabo Verde Uni-CV, a Câmara Municipal da Praia e outras entidades pretendem celebrar a passagem de Charles Darwin, na cidade da Praia. Em Portugal, a grande expectativa centra-se na exposição a inaugurar na Gulbenkian. Intitulada A Evolução de Darwin, é inaugurada este dia 12 de Fevereiro e decorrerá até 24 de Maio. A mostra, que pretende ajudar a entender a Teoria da Evolução, inclui elementos da exposição Darwin que esteve patente no American Museum of Natural History, de Nova Iorque, em colaboração com museus congéneres de Bóston, Chicago, Toronto e Londres. No Porto, a Reitoria da Universidade inaugura a exposição Charles Darwin : Evolução e Biodiversidade. O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra tem a decorrer um concurso de arte postal. Em Aveiro, a Fábrica – Centro Ciência Viva, organiza hoje, além de outras iniciativas a decorrer ao longo do ano, Darwin em 5: uma representação do casal Darwin (Charles e Emma) sobre alguns factos significativos da sua vida. Segue-se uma conversa com o professor do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, José Eduardo Rebelo. Num outro tom, o blogue de apoio à exposição a inaugurar quinta-feira na Fundação Calouste Gulbenkian, o A Evolução de Darwin associa-se ao Festa de Anos de Darwin para a realização de uma verdadeira festa de anos, a decorrer este dia 12, a partir das 23h no Frágil, em Lisboa. A par do blogue, a organização já obteve apoios da Flying Sharks, da Associação Viver a Ciência, de uma confeitaria (que confeccionará o bolo de aniversário), a Fundação Luso-Brasileira, o Zoo de Lisboa, o Oceanário, a Fnac e a National Geographic Portugal. O dj será Nuno Lopes. Virtualmente, Darwin é também celebrado. Por estes dias, surgiu como utilizador na plataforma Twitter associado ao blogue da viagem do Beagle. No Facebook, um grupo tenta juntar 200 mil pessoas, online, naquela que será, com certeza, a maior festa de anos de sempre, embora virtual.

Sugiro outras páginas ou portais muito interessantes The Complete Work of Charles Darwin Online Darwin Day Celebration The Darwin Digital Library The Charles Darwin Foundation (Galápagos)
E ainda convido-te a ler uma grande compilação de artigos e discussão no blogue Scientific relacionando a Teoria de Darwin com as descobertas da Genética e a Evolução, clicando aqui

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que une Darwin e Abraham Lincoln além da mesma data de nascimento


Investigadores da Nature, compilaram um conjunto de textos sobre Darwin e Lincoln, ambos determinados pela abolição da escravatura e o que os novos dados da genética e da antropologia têm contribuído para clarificar a Evolução do Homem.
A ler com muita atenção aqui