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quinta-feira, 25 de maio de 2006
quarta-feira, 24 de maio de 2006
terça-feira, 23 de maio de 2006
Ramon Margalef

Local /data de nascimento: Barcelona, 16 de Maio 1919 - 23 de Maio 2004
Ecologista naturalista espanhol e pioneiro na introdução aos estudos de ecologia marinha na Espanha e autor de numerosas obras de renome dentro e fora do país pela sua contribuição para o desenvolvimento da disciplina durante o século XX
Comércio abandonou os estudos para se dedicar à ciência natural, mas a eclosão da Guerra Civil, quando ele tinha dezessete anos terminou a sua entrada no ensino superior. Esta circunstância determinou que grande parte da sua formação era auto-didata e realizar trabalhos sobre limnologia sem possuir um diploma universitário (Eles usam um microscópio construído por ele mesmo). Freqüentemente realizado trabalho de campo como um membro de um grupo de espeleólogos e formaram sua própria sociedade científica, a sociedade catalã Estudos Biológicos
Depois da guerra, ele trabalhou para Mutual Insurance Geral, uma ocupação que lhe permitiu ganhar a vida enquanto ainda cultivando sua verdadeira vocação. Finalmente, em 1944, poderia entrar na Universidade de Barcelona, graças a uma bolsa gerido pelo Instituto Botânico de Barcelona, onde trabalhou como uma ordenada em sua juventude. Publicações já bem conhecida em várias revistas científicas, incluindo o Jornal da Sociedade Real Espanhola de História Natural, em 1948 foi convidado para o Congresso Internacional de Limnologia realizado em Zurique e tempo de trabalho na Estação Zoológica de Nápoles.
Em 1949 ele obteve um diploma em Ciências Naturais e dois anos mais tarde, o título de Doutor em Madrid com o grau de cum laude . Em 1956 foi nomeado professor da Universidade de Barcelona, onde, de 1967 a 1986, ele se tornou o primeiro professor de Ecologia na Espanha, também ensinou no Instituto Agronômico Mediterrâneo de Zaragoza ea seção de biologia do Conselho Superior Pesquisas Científicas (CSIC), além de ser professor visitante em várias universidades europeias e americanas e doutor honoris causa em vários deles.
Membro Honorário da Academia de Ciências de Barcelona e sociedades ecológicas dos Estados Unidos e Reino Unido, presidiu o Instituto de Investigação Pesqueira (1965-1967) e foi membro de várias comissões e organismos científicos no âmbito das Nações Unidas. Entre os prêmios destaque a Medalha Príncipe Albert , do Instituto Oceanográfico de Paris (1972), a Nobel AG Hutsmen Bedford Institute of Canada, Narcís Monturiol Medalha da Generalitat de Catalunya (1983), Ramon y Cajal Prêmio do Ministério da Educação e Ciência (1984) eo Prêmio Humboldt (1990)
Autor de dois trabalhos acadêmicos como um tratado geral, suas principais publicações foram Los organismos indicadores em limnologia (1955), Comunidades Natural (1962), Perspectivas em Teoria Ecológica (1968), Ecologia (1974), Limnologia (1982), Teoria sistemas ecológicos (1991) e Nossa Biosfera (1997)
Mais ligações:
«Lista completa de publicaciones de R. Margalef» (pdf). Instituto de Ciencias del Mar (CSIC)
- Ramón Margalef, pionero de la Ecología en España. Artículo de Pedro Cáceres. Obituario en elmundo.es, 25 de mayo de 2004.
- Ramón Margalef, el primer ecólogo. Obituario en el Diario El País, 24 de mayo de 2004.
- Ramón Margalef, ecólogo español, premio Huntsman de investigación. Diario El País, 4 de abril de 1980.
- Biografía en la web Premi Ramon Margalef d'ecologia i ciències ambientals
- Fondo Ramon Margalef López. Centro de Recursos para el Aprendizaje y la Investigación (CRAI), Universidad de Barcelona.
segunda-feira, 22 de maio de 2006
Quimiodiversidade versus Biodiversidade
Estamos longe dos tempos em que uma farmácia apenas desempenhava o papel essencialmente prescritivo ou de saúde...estamos perante o fim da linha de uma indústria e de um marketing poderosíssimos que vai preenchendo os últimos resquícios de que nos faz HUMANOS.
Há pastilhas para quase tudo: pastilhas para o bom-humor, pastilhas da juventude, comprimidos e poções para reduzir peso,pastilhas para matar a dor e a angústia, pastilhas para regular ritmos biológicos numa sociedade insuportavelmente veloz.....
Ora bem, mas as pastilhas, as poções e comprimidos são o produto final também....por detrás está instalada uma verdadeira indústria, desde contratação de técnicos de várias áreas de investigação, empresas fabris, empresas de serviços (bancos,meios de inforamção-radio,TV,Jornais) e indústria da moda,com enormes custos ambientais. Muitos são já conhecidos, há alguma legislação e directivas, mas ainda não estão eficazes no terreno.
Esses, no seu conjunto, como um sistema, trabalham em função das leis de mercado e são fazedores de sonhos...materiais apenas, reduzindo-nos (os que se deixam apanhar nesta teia) a máquinas acríticas de consumo....
Somos induzidos pela publicidade e marketing, que apenas procuram aumentar a procura e fazem com que o primeiro amigo seja o farmacêutico, a farmácia ou as lojas de venda livre.
Numa próxima nota abordarei outra vez a indústria quimiofarmaceutica, os seus lucros e ramificações.....e o fenómeno do greenwashing
Para ouvir uma demo deste tema clique aqui
Mr Pharmacist (The Fall, 1 de Setembro de 1986)
Mr Pharmacist
Can you help me out today
In your usual lovely way
Oh Mr Pharmacist
I insist
That you give me some of that vitamin C
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist won't you please
Give me some energy
Mr Pharmacist
Hey Mr Pharmacist
I'll recommend you to my friends
They'll be happy in the end
Mr Pharmacist can you help
Send me on a 'delic kick
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist use your mind
You better stock me up for the wintertime
Mr Pharmacist
Hey Mr Pharmacist
Words cannot express
Feeling I suggest
Oh Mr Pharmacist
I can plead
Gimme some of that powder I need
Mr Pharmacist
Dear Pharmacist
I'll be back
With a handful of empty sack
Mr Pharmacist
Biografias:
Entrevistas || Documentários
Maior vigilância e uma posição mais crítica do uso e destino dos medicamentos é preciso e é urgente
A Quercus em Fevereiro deste ano denunciou a ValorMed por esta persistir na incineração, apesar desta ONGA desde o início da constituição da VALORMED, através da participação nas reuniões do Conselho Consultivo, ter vindo a alertar para a possibilidade da reciclagem destes resíduos objectos de recolha selectiva nas farmácias que resulta do esforço do cidadão (ler a restante notícia).
Verificar muito bem a composição de muitos medicamentos e produtos de uso pessoal. Ser amigo da prevenção e precaução médicas. Somos o que comemos, portanto devemos preferir alimentos provenientes da Agricultura Biológica.
As lágrimas podem não só ser de perda...também sorrimos vertendo lágrimas quando os nossos alunos/filhos nos maravilham, quando vemos surgir um fruto de uma árvore que plantamos , num projecto socioambiental que recebemos o afecto reconhecido do público alvo....
Lágrimas de dor, de fé, de esperança, de amor, de afecto, de incompreensão, de humor....de lágrimas é feito muito do nosso trabalho nestes dias incertos.
Partilho convosco mais este tema musical que eu amo muito. Que tema tão profundo. Espero que gostem também.
Música clique aqui Tears (The Chameleons)
Letra
It's just coincidence
Well, you can talk that way
But I have to say I don't believe in it
It was a chill of chance,
I decided to dance the days away
And I wasn't worried at all
Sneaking through the back door
No, I wasn't worried at all
Dreams are what you live for
Waiting for the light to turn green
Carry me home
To the kindest eyes that I've ever seen
Carry me home
Well, can you tell me how will it be now?
How will it be?
Can you tell me, how will it be now?
How will it be?
Well we were younger then,
And the days were long and slow
But were we wiser then?
I couldn't say, I wouldn't know
But I wasn't worried at all
I had someone to run to
And I wasn't worried at all
I knew which way the wind blew
Counting out the chaos and gloom
Carry me home
And I watched the ceiling spin round the room
Carry me home
Well, can you tell me, how will it be now?
How will it be?
Can you tell me, how will it be now?
How will it be?
In the real world, how will it be?
In a cold world, how will it be?
In a lonely world, how will it be?
Will the ghosts just stop following me?
No, now drawn into the sun
He was the only one
In the real world, how will it be?
In a cold, cold world, how will it be?
Beck and call, beg and crawl, how will it be?
Will the ghosts just stop following me?
No, now drawn into the sun
He was the only one
In a cold, cold world, how will it be?
Beck and call, beg and crawl, how will it be?
Will the ghosts just stop following me?
No, now drawn into the sun
He was the only one
And so I'll remember you,
I'll remember the days and the thousands of ways you pulled me through,
And dream of all the things you've seen,
Of all the faces and all of the places you have been,
Now you have no phone and you have no name and you have no number,
And it comes to an end in the blink of an eye and it makes me wonder...
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domingo, 21 de maio de 2006
Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento
O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento ocorre a 21 de maio.
Este dia foi proclamado pela Assembleia Geral da ONU em 2002, em comemoração da aprovação em 2001 da Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural. A declaração da UNESCO estipula que a diversidade cultural é um património comum da humanidade.
O objetivo desta data é cultivar a compreensão da riqueza e importância da diversidade cultural, assim como incentivar o respeito pelo outro. Conhecer melhor as diferenças entre os povos permite obter uma maior compreensão das vicissitudes, assim como cimentar uma maior união.
Neste dia realizam-se atividades em vários países do mundo para celebrar a diversidade cultural. Em Portugal organizam-se caminhadas, workshops, palestras e exibem-se documentários sobre povos e etnias, entre outras atividades.
sábado, 20 de maio de 2006
Dossiê Pesticidas
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Cosméticos = Nanotóxicos + Nanopoluição
....bem vindas as rugas!
Bom, amigos....algo que já suspeitava, agora confirma-se: a nanotecnologia, o arauto e expressão máxima dos avanços da nossas sociedade Pós-Industrial e Hiper-Tecnológica, invadindo em grande escala o mercado, ransporta consigo novos riscos para a nossa saúde e meio ambiente e provocará impactos socioambientais novos, num cenário em que terá que ser reformulado toda a vivência dos nossos dias. Um debate urgente. Confirem tudo neste relatório mais recente da FOE- Amigos da Terra , lançado esta semana: Nanomaterials: Small Ingredients, Big Risks
Entre as páginas 20 e 29 está uma tabela muito completa de produtos que contêm nanomateriais altamente tóxicos: COBRE, fulerossomas, fulerenos, ALUMÍNIO, nanoemulsões, óxido de zinco, dióxido titânio, novassomas, nanopartículas feitas a partir de SILICONES e proteínas, DIÓXIDO DE SILICONE,etc...
Entre as páginas 30 a 32, encontra-se vasta bibliografia, sites e outros artigos muito importantes para uma leitura mais atenta.
ALGUNS EFEITOS REFERIDOS:
1.As nanopartículas do óxido titanio e do dióxido de zinco usados em um grande número cosméticos, protectores solares e produtos pessoais do cuidado são FOTOACTIVOS, produzindo radicais livres e causando danos do DNA às células humanas da pele quando exposto ás radiações UV.
2.Os fulerenos do carbono (buckyballs), atualmente sendo usados em larga escala em produtos faciais e moisturizers, forma efectuados testes que mostraram que podem causar danos no cérebro em peixes e têm propriedades bactericidas. Mesmo os níveis baixos da exposição aos fullerenes mostram que são tóxicos para as células humanas do fígado.
3.Os estudos de impacte ambiental dos nanomateriasi que já existem (e são muito poucos) sugerem que os microorganismos e as plantas podem produzir, modificar e concentrar aos nanopartículas que podem ocorrer bioacumução (ou mesmo ocorre bioampliação) ao longo da cadeia alimentar.
Os Amigos da Terra estão bastante preocupados com o que a indústria do nanotecnologia está introduzindo rápidamente nanomateriais potencialmente perigosos em nossos corpos e em nosso ambiente sem estudo adequado científico para se assegurar para que nós compreendamos seus riscos e possamos impedir os danos que ocorrem para a humanidade e o ambiente.
Um elogio às rugas- Canção de António Variações (adaptada pelos Humanos)
Rugas
já começo a ter as primeiras rugas
Rugas
começam-me a nascer as primeiras rugas
Rugas de chorar
Rugas de sorrir
Rugas de cantar, começo a franzir
Rugas de chorar
Rugas de sorrir
Rugas de cantar
Rugas de sentir
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Um poema milenar, anónimo, escrito no antigo Egipto e que recupero através de várias línguas. E uma imagem de Utamaro
O Banho
Ó meu deus, ó meu amigo…
Como é doce mergulhar…
Banhar-me diante de ti…
Deixar que vejas a minha beleza
Na minha túnica do mais fino linho real
Quando ela está molhada.
Entro contigo na água
E dela para ti volto a sair
Segurando nos meus dedos um esplêndido
Peixe vermelho…
Anda, vem amigo, olha para mim!
quinta-feira, 18 de maio de 2006
Jack Kerouac - Tudo me pertence porque eu sou pobre
Jack Kerouac, Visões de Cody
(Foto de Allen Ginsberg , Kerouac com Peter Orlovsky e William S. Burroughs , na praia de Tânger, março de 1957)
Esta declaração de Jack Kerouac em Visões de Cody (Relógio D'Água, 2012, tradução de Mário Avelar, assim como as citações a seguir) - a sua obra mais complexa e substanciosa, escrita em 1952, na sequência de Na Estrada (On the Road), e publicada postumamente em 1972 - serviria como epígrafe para ele e para toda a Geração Beat. Poderia ser igualmente um lema do budismo, doutrina na qual Kerouac se aprofundou na década de 1950. E de movimentos como a heresia medieval do “Espírito Livre”, manifestação do que Norman Cohn, em The Pursuit of the Millennium, chama de “anarquismo místico”. Para os seus adeptos, a abolição da propriedade privada era a condição prévia para o acesso ao Espírito Santo e o reingresso no Paraíso na Terra, eliminando o pecado e abrindo as portas para o exercício pleno da liberdade individual, incluindo o amor livre e a licenciosidade.
Metáforas de uma condição superior da marginalidade e da sua associação ao conhecimento estão em toda a obra de Kerouac. Trata vagabundos errantes como sábios que, através da passagem por um lado mais obscuro da realidade, tiveram acesso a mistérios. O capítulo final de Viajante Solitário (Relógio D'Água, 2013, tradução de Ana Luísa Faria), intitulado “O Vagabundo Americano em Extinção”, denuncia a perseguição policial aos representantes de “uma ideia especial e definida de liberdade” e equipara-os a poetas e líderes políticos: “Benjamin Franklin era uma espécie de vagabundo na Pensilvânia (…) Será que Whitman aterrorizava as crianças da Louisiana quando percorria a estrada aberta?”. E vai mais longe: “Jesus era um estranho vagabundo que caminhava sobre a água. Buda também foi um vagabundo que não prestava atenção aos outros vagabundos”. Para não deixar dúvidas quanto ao sentido místico da vagabundagem: “W. C. Fields – o seu nariz vermelho explica o significado do mundo triplo, Grande Veículo, Veículo Menor, Veículo do Diamante”.
Quando Kerouac escreveu Na Estrada, trazer marginais, pobres e vagabundos errantes para a narrativa em prosa já fazia parte de uma tradição da literatura norte-americana; da vertente social que teve entre os seus iniciadores Jack London. Uma das obras de London, lida por Kerouac, intitula-se The Road (na edição portuguesa, A Estrada): é o relato das suas experiências na adolescência, viajando clandestinamente em comboios na companhia de outros miseráveis atingidos pela crise económica de 1893. Evocar London interessa pela afinidade, e por diferenças que contribuem para caracterizar melhor Kerouac. O autor de O Lobo do Mar foi um militante socialista. Kerouac nunca pactuou com a exploração e a injustiça, abominou toda a modalidade de elite e qualquer autoridade. Mas, se o quadro de referências de London para interpretar a história foi o marxismo, o de Kerouac foi o de um budista ou neoplatónico para quem a realidade imediata era falsa, o véu de Maia. Vagabundos errantes teriam, por meio de asceses pessoais, aberto brechas na realidade ilusória. Conviver e dialogar com eles era anamnese, evocação e invocação do passado. Em particular, das grandes migrações provocadas pela crise de 1929: participar delas, ter sido um “hobo” (termo pelo qual designavam os vagabundos errantes) equivalia ao contacto com um nível ontologicamente superior da realidade. Daí a proclamação veemente no final de Anjos da Desolação (Relógio D'Água, 2011, tradução de Mário Avelar), a propósito de viajar de autocarro com a mãe, atravessando o país da Flórida à Califórnia, onde pretendiam morar, com a bagagem dela acondicionada em sacos:
“Porque eu ainda me lembro da América quando os homens viajavam levando toda a bagagem num saco de papel, sempre atado com cordel – Eu ainda me lembro da América com pessoas em fila à espera de café e roscas – A América de 1932 quando as pessoas reviravam o lixo à beira do rio à procura de alguma coisa para vender – Quando o meu pai vendia gravatas ou escavava trincheiras para a WPA – Quando velhos com sacos de lona mexiam em latas de lixo à noite ou recolhiam o escasso estrume de cavalo pelas ruas fora – Quando batatas-doces eram uma alegria. Mas aqui estava a América próspera de 1957 e as pessoas a rir do nosso entulho (…)”
Cosmovisão
Logo no início de Na Estrada (Relógio D me Água, 2007, tradução de Mário Avelar), na primeira das suas viagens, Kerouac conhece Mississipi Gene, vagabundo errante comparado a um negro: “Embora Gene fosse branco, havia algo da sabedoria de um velho negro experiente nele”. O negro que tem “sabedoria”, símbolo da exceção e de toda a minoria social.
Essa mística da marginalidade é proclamada com o vigor de um manifesto noutra passagem de Na Estrada: “Num entardecer lilás caminhei com todos os músculos doridos entre as luzes da 27 com a Welton no bairro negro de Denver, desejando ser negro, sentindo que o melhor que o mundo branco tinha para me oferecer não era êxtase suficiente para mim, não era vida suficiente, nem alegria, excitação, escuridão, não era música suficiente”. Paráfrase do que Rimbaud havia escrito sobre o “mau sangue” em Uma Estadia no Inferno (na tradição portuguesa geralmente traduzido como Uma Cerveja no Inferno / Um Tempo no Inferno, Assírio & Alvim, 2003, tradução de Mário Cesariny): “Sou um bicho, um negro. (…) Falsos negros que sois, vós, maníacos, perversos, avaros”.
Todos os seus encontros com vagabundos, marginais, pobres, assim como com integrantes de civilizações arcaicas e sociedades tribais, correspondem à ocasião para recuperar ou reencontrar algo do passado.
Esta cosmovisão traduz-se em reverência diante dos que estão mais próximos de um começo dos tempos; na perspectiva neoplatónica, mais próximos da verdade, a exemplo dos índios do México, a sua terra de eleição, celebrados e comparados aos “antigos chineses” no capítulo final de Na Estrada. Mas a recuperação do arcaico também pode ser a construção do futuro, a apresentação de uma utopia. É o que se vê no trecho de Os Vagabundos do Dharma (Relógio D'Água, 2000, tradução de Ana Luísa Faria), com a famosa profecia da revolução de jovens de mochila às costas, atribuída a outro beat, o poeta budista Gary Snyder (Japhy Rider no livro):
“Pense na maravilhosa revolução mundial que vai acontecer quando o Oriente finalmente encontrar o Ocidente, e são gajos como nós que podem dar início a essa coisa. Pense nos milhões de sujeitos espalhados pelo mundo com mochilas nas costas, percorrendo o interior e pedindo boleia e mostrando o mundo como ele é de verdade a todas as pessoas. (…) eu quero que os meus vagabundos do Dharma carreguem a primavera no coração (…).”
O trecho é programático: os hippies viriam a corresponder aos seus “vagabundos do Dharma” e tentariam realizar essa “maravilhosa revolução mundial”. Mais tarde, Kerouac não aceitaria os hippies como seguidores, argumentando faltar-lhes substância espiritual. Rejeitaria a politização, o messianismo e o milenarismo evidentes na poesia e na atuação de Ginsberg. Em contraste, no Kerouac de Anjos da Desolação, final do seu ciclo de viagens frenéticas e criatividade intensa (de 1949 a 1957), a tónica dominante é o pessimismo: “Só o de que me lembro é que antes de eu nascer existia alegria”. Não há o que esperar do futuro; daí a sua despedida da cena beat nessa narrativa: “Um pacífico pesar em casa é o melhor que serei capaz de oferecer ao mundo, no final, e assim disse adeus aos meus Anjos da Desolação. Uma nova vida para mim”. O seu pessimismo foi proporcional à radicalidade da sua utopia: quis o impossível, reverter o tempo e recuperar o passado perdido. Não por acaso, ele e Neal Cassady viajavam pelos trajetos de Na Estrada com um amarrotado volume de Proust no bolso ou na mochila.
Busca de identidade
Kerouac descendia de franco-canadianos, os canucks. A sua primeira língua foi o joual, um francês macarrónico, dialeto daqueles nègres blancs. Aprenderia inglês na escola, aos 5 anos de idade. Sentia-se um estrangeiro, deslocado em qualquer lugar onde estivesse. As suas viagens foram a busca irrealizável de uma identidade. Interpretar a complexidade da sua obra e os seus paradoxos pela origem seria redutor. Mas, se Rimbaud se declarou negro, Kerouac deu um passo em frente: expressou-se como negro (especialmente na sua derradeira obra, Pic, terminada em 1969, pouco antes de morrer destruído pelo alcoolismo, aos 47 anos). E como canuck, em joual, em Visões de Cody, obra na qual se declara índio e nègre blanc. Um exemplo é este trecho paradoxal, por valer-se de uma língua falada (no sentido de o joual não ter registo escrito) e comentar literatura, embora por meio de obscenidades e impropérios: “Gros fou, envi d’chien en culotte, ça c’est pire – en face! – fam toi! – chrashe! – varge! – frappé! – mange! – foure! – foure moi’l Gabin! – envalle Céline, mange l’e rond ton Genêt, Rabelais?”
Conforme os seus diários, Kerouac quis trazer a fala para a escrita: “Na Estrada é o meu veículo com o qual, como um poeta lírico, como um profeta leigo (…), desejo evocar essa música triste indescritível da noite nos Estados Unidos – por razões que são mais profundas do que a música. É o verdadeiro som interior de um país.” (Diários de Jack Kerouac, 1947-1954). O culto aos músicos de jazz, resultando em páginas de prosa poética em Na Estrada e noutras das suas obras, foi pela qualidade da sua música, pela improvisação e espontaneidade que inspirou a sua prosódia bop, por viverem no underground e na noite. E por representarem ou simbolizarem a língua falada; aquela voz das ruas, da noite, dos subterrâneos. Realizar essa poética tornou boa parte da sua poesia, dos choruses dos seus blues, simplesmente intraduzível. E também um texto como Old Angel Midnight (publicado em The Beat Book, organizado por Anne Waldman), sobre a sua escrita, com páginas de impropérios e algaravia: “lick, lock, mix it for pa-tit a a lamina lacasta reda va Poo moo koo – la”. Assim transferiu a produção do sentido para o som e recorreu às glossolalias, aos fonemas não semantizados. Aproximações com James Joyce nada têm de gratuito: foi uma das suas matrizes, ao lado de Louis-Ferdinand Céline (que incorporou a língua falada à literatura francesa), Dostoievski e Thomas Wolfe. Ulisses, de Joyce, é citado em Visões de Cody, Anjos da Desolação e nos Diários, e Finnegans Wake era lido em voz alta, para captar a sua prosódia (como atesta o seu biógrafo Gerard Nicosia, autor de Memory Babe).
A riqueza da obra de Kerouac é extraordinária. Declarava que Na Estrada tinha sido um começo. Foi das límpidas prosas poéticas de A Escritura da Eternidade Dourada (The Scripture of Golden Eternity) e dos modos de experimentação em Os Subterrâneos (Relógio D'Água, 2003, tradução de Ana Luísa Faria), Visões de Cody, Doutor Sax e Old Angel Midnight, além da caudalosa produção de poemas, da concisão e força de Tristessa, até narrativas mais lineares, como Os Vagabundos do Dharma. O modo como diferentes registos e vocabulários se combinam em tramas intrincadas tornam-no um autor difícil, por isso, mal assimilado, quando não ferozmente atacado por muitos críticos. Mas de enorme influência, exemplificada por testemunhos como os de Bob Dylan e Francis Ford Coppola (entre outros artistas notáveis) declarando que a leitura de Na Estrada foi decisiva e mudou as suas vidas. E, felizmente, tema de uma bibliografia de qualidade, cada vez mais extensa e substanciosa. Assim cresce o culto a Kerouac. Ele merece-o.
Biografia de Jack Kerouac
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O milagre da vida, com ou sem Deus, uma inevitabilidade da matéria, por António Galopim de Carvalho
Na evolução da matéria, segundo o padre francês Teilhard de Chardin (1881-1955), o grau de complexidade que esta assumiu foi crescente desde o início do tempo deste nosso Universo, isto é, nos treze mil e setecentos milhões (13 700 000 000 de anos) da sua existência. Das partículas subatómicas primordiais passou-se aos átomos e, ...só depois, às moléculas, cada vez mais complexas. A partir destas, a evolução caminhou no sentido das células mais primitivas que fizeram a sua aparição na Terra há mais de três mil e oitocentos milhões de anos, pensa-se que através de uma cadeia abiótica de estádios progressivamente mais elaborados, onde o ensaio e erro e o sucesso ou insucesso das soluções encontradas, isto é, os produtos sucessivamente sintetizados, tiveram a seu favor tal imensidade de tempo.
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação
O Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação celebra-se anualmente 17 de maio.
Foi escolhido o dia 17 para a efeméride pois foi a 17 de maio de 1865 que se criou a União Telegráfica Internacional e que se assinou a primeira Convenção Telegráfica Internacional. O seu propósito corresponde à sensibilização dos benefícios e das oportunidades que a Internet e as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) trazem para as sociedades e economias.
A partir de 1932, esta entidade passou a chamar-se União Internacional das Telecomunicações – UIT.
Os objetivos da data passam por celebrar o progresso nas tecnologias de informação e por chamar a atenção das pessoas para as mudanças que acontecem na sociedade, com o poder da internet e das restantes formas de telecomunicação.
A telecomunicação permite a partilha de informação a nível mundial, e a aproximação dos diferentes povos mundiais, tornando o mundo mais local e ligado.
“Tele” em grego significa “distância”, enquanto “comunicação” deriva do latim communicare, o que significa “partilhar”, “conferenciar”, “tornar comum”.
Em Portugal, as comemorações do Dia Mundial das Telecomunicações têm lugar na Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC). As comemorações abrangem debates, sessões institucionais, exposições e atividades especiais para as escolas.
O Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação tem vindo a ser celebrado anualmente, desde 1969, a 17 de maio.
Esta data marca o aniversário da assinatura da 1.ª Convenção Internacional do Telégrafo, em Paris, a 17 de maio de 1865.
As TIC integram a Agenda 2030 da ONU, sublinhando-se a necessidade de ultrapassar o fosso digital existente entre os países desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento.
Todos os anos as celebrações dão ênfase a um tema específico. O tema de 2023 é «Capacitação dos países menos desenvolvidos através das tecnologias de informação e comunicação».
Para Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU:
“A capacidade de transmitir informação importante com rapidez através de grandes distâncias, preenchendo os vazios do tempo e do espaço, ampliou de forma exponencial todas as atividades humanas, desde enviar mensagens pessoais até realizar transações financeiras complexas ou abordar aspectos críticos da guerra e da paz.”
O dia 17 de maio foi proclamado como Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação através da Resolução 60/252 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas, de 27 de março de 2006.
A Secretaria de Estado da Digitalização e Modernização Administrativa e o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) lançaram no dia 16 de maio, a campanha nacional Internet Segura: «Ler Antes Clicar Depois», com o propósito de reforçar, junto de todas as pessoas e organizações, a informação sobre o bom uso do ciberespaço.
A Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC) assinala esta data com a proposta de uma visita ao espaço «Experimentação», numa viagem pela evolução dos meios de comunicação.
Documentos
Resolução 60/252 da AG das Nações Unidas sobre o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade da Informação | ONU [en] DESCARREGAR
Links relacionados
- Dia Mundial das Telecomunicações e da Socidade da Informação | ONU [en]
- World Telecommunication Day / World Telecommunication and Information Society Day | União Internacional das Telecomunicações [en]
- União Internacional das Telecomunicações [en]
- Campanha de sensibilização Internet Segura: #LerAntesClicarDepois | Centro Nacional de Cibersegurança
- Experimentação | Fundação Portuguesa das Comunicações
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terça-feira, 16 de maio de 2006
Ancient Forest Destruction- um filme de Julien Temple
Este filme inicia-se com uma família humana com o actor Andy Serkis (Gollum em Senhor dos Anéis) e Emma Fielding (Private Lives, Londres), enfrentando a aterradora destruição da sua casa por serras-eléctricas e grandes máquinas. Esta cena é, até então, sobreposta por uma incrível paisagem exótica das florestas remanescentes com sua real destruição.
No que diz o narrador Ewan McGregor, num trecho do filme, uma antiga zona de floresta do tamanho de um campo de futebol desaparece a cada dois segundos - no que, se somarmos nos últimos 10 anos, é uma área maior do que a França e Espanha juntas. O gorila que aparece na cena, segue pilhas de madeira (paletes), desde sua antiga casa na floresta até os países consumidores, onde mostra a forma em que se termina estas madeiras (papel higiénico, portas e painéis).
Sir David Attenborough outro narrador, termina com um forte apelo aos governos do mundo para limpar os madeireiros comerciais e para a proibição das madeiras extraídas ilegalmente. Estes governos detêm o poder de escolher literalmente entre guardar ou eliminar o restante das antigas florestas.
No que diz o narrador Ewan McGregor, num trecho do filme, uma antiga zona de floresta do tamanho de um campo de futebol desaparece a cada dois segundos - no que, se somarmos nos últimos 10 anos, é uma área maior do que a França e Espanha juntas. O gorila que aparece na cena, segue pilhas de madeira (paletes), desde sua antiga casa na floresta até os países consumidores, onde mostra a forma em que se termina estas madeiras (papel higiénico, portas e painéis).
Sir David Attenborough outro narrador, termina com um forte apelo aos governos do mundo para limpar os madeireiros comerciais e para a proibição das madeiras extraídas ilegalmente. Estes governos detêm o poder de escolher literalmente entre guardar ou eliminar o restante das antigas florestas.
Texto traduzido por Margarida Caetano
A Terra é um ser vivo
"A Terra não é uma plataforma para a vida humana. A Terra é um ser vivo. Nós não estamos sobre ela. Somos partes dela" - Thomas Moore
segunda-feira, 15 de maio de 2006
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