“Todos os Membros devem abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qqer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas"
Art. 2º, §4º, da Carta ONU
Meia dúzia de notas sobre Trump e Nicolás Maduro.
1. Maduro e Trump estão bem um para o outro. Trump, perdeu as eleições de 2020 e recusou reconhecer o resultado, algo inédito na história moderna dos EUA. Tentou pressionar instituições para reverter o resultado eleitoral. Trump tentou manter o poder contra o resultado eleitoral.
2. Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos numa polémica eleição, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil. Em janeiro de 2019, foi empossado para um segundo mandato. Isso acabou gerando uma grave crise política interna, com a Assembleia Nacional não reconhecendo a posse do presidente e várias nações do mundo removeram os seus embaixadores de Caracas, como protesto. Para a oposição, Nicolás Maduro estava, efetivamente, transformando a Venezuela numa ditadura sob seu comando.
3. Porém, esta intervenção americana é ilegítima e injustificada — representa uma gravíssima violação do Direito Internacional Público. Não é uma manobra de defesa, é uma manobra de dominação geoestratégica. Trump apresenta a desculpa dos cartéis de droga, mas o objetivo é chegar ao petróleo, ao lítio, ao ouro, aos minerais raros. Um regresso à lógica imperialista do século XIX que legitima outras intervenções e ocupações noutras partes do mundo. Uma visão de uma tripartição do globo, em que os EUA dominam o continente americano, a Rússia fica com a Ucrânia e a China ocupa Taiwan.
4. Além disso, esta intervenção na Venezuela é também uma conveniente manobra de diversão para os incómodos Epstein Files. Trump é um perigoso narcísico, um autoritário anti-democrático que só conhece o cotão do seu umbigo e instintos viscerais. Move-se por uma lógica egoísta, transacional e pela lei da força.
5. Mesmo sendo obviamente desejável uma mudança de regime na Venezuela, é assustador que seja feita desta forma.
6. A imposição pela força não pode ser aplaudida, mesmo quando é contra regimes de que não gostamos. Porque a pergunta obrigatória é esta: e quando esta imposição pela força for feita contra regimes, líderes ou países de que gostamos?
Trump anunciou a invasão nas redes sociais. Inédito. Desrespeitou auscultação prévia do Senado e do Congresso!
E quando o próximo ciclo de ficheiros Epstein for libertado, Trump invadirá a Gronelândia!
O primeiro flyer oficial já está pronto e pode ser impresso!
O que você pode fazer?
Compartilhe este post em todas as suas redes sociais, envie para seus amigos e use todos os meios digitais que tiver à disposição.
Leve a mensagem para o mundo real. Imprima flyers e cartazes – alguns poucos exemplares por conta própria, se puder. Ou peça apoio à sua administração local. Ninguém deve se comprometer financeiramente demais – mas se cada um fizer um pequeno esforço, podemos criar uma grande campanha.
Distribua os flyers nas ruas. Pergunte aos seus comércios e cafés favoritos se você pode deixar flyers ou colocar cartazes. Use o espaço público dentro dos limites legais. Cole um cartaz no interior do vidro do carro (onde não atrapalhe a visão). Incentive seus amigos a fazer o mesmo.
IMPORTANTE: Antes de imprimir, sempre verifique se o QR code funciona. Já circula um flyer onde isso não ocorre. Portanto, use apenas esta versão por enquanto. Nas próximas semanas, vamos lançar novos designs.
Claro, todos estão convidados a criar seu próprio design! A única solicitação: inclua o QR code correto.
Sejamos criativos!
Mostremos solidariedade e senso de comunidade. Demonstremos força e determinação.
A COP30, realizada em novembro em Belém do Pará, no Brasil, terminou sem um resultado preciso. Houve avanços reais em alguns aspectos, sobretudo em relação à adaptação às mudanças climáticas, mas não foi possível chegar a um acordo em torno de aspectos básicos, como a eliminação do uso de combustíveis fósseis. O debate segue vivo até a próxima COP, que será sediada na Turquia, em 2026. Ainda assim, os temas ambientais continuam em alta no mundo e a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), usada para avaliar práticas sustentáveis e responsáveis das empresas, ganha cada vez mais relevância.
Fórum Económico Mundial afirma que o dinamismo da economia verde só fica atrás do setor de tecnologia. Em relatório recém-divulgado, a instituição estima que a chamada green economy já chega a US$ 5 triliões por ano e deve alcançar US$ 7 triliões até 2030. Segundo o documento, em média, as receitas verdes crescem ao dobro da velocidade das receitas convencionais; as empresas que actuam no segmento têm acesso a recursos mais baratos e costumam ser mais bem avaliadas no mercado de capitais.
Investimento em títulos verdes
Nas finanças, o movimento é nítido. Antes vistos como um nicho, os fundos ESG se tornaram uma força importante no mundo financeiro global, atraindo triliões de dólares. Segundo a Fortune Business Insights, empresa de inteligência de mercado e consultoria, o mercado global de investimentos ESG foi avaliado em US$ 39 triliões em 2025 e deve atingir US$ 125,17 triliões até 2032, crescendo a uma taxa anual média composta de 18,1%.
O avanço é impulsionado pelo aumento da preocupação da sociedade com esses temas, o que leva empresas a adotar práticas sustentáveis e também a fazer emissões de títulos verdes, sociais e de sustentabilidade, que superaram US$ 160 biliões em 2023. Segundo a pesquisa global de investidores da PwC, 79% dos investidores consideram riscos e oportunidades ESG ao tomar decisões de investimento.
Investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e governos, dominam o mercado actualmente, mas a expectativa é que o segmento de pessoas físicas ganhe tração nos próximos anos.
A agenda ambiental abre um gigantesco horizonte econômico, que aparece nas finanças, mas também na economia real, com a necessidade, por exemplo, de contratação de profissionais com habilidades verdes. E a procura por esses trabalhadores vem crescendo mais do que a oferta. De acordo com o relatório Global Green Skills Report 2023, do LinkedIn, entre 2023 e 2024, a procura por profissionais com habilidades sustentáveis aumentou 11,6%, enquanto o número de trabalhadores sem essas qualificações subiu apenas 5,6%.
Redução de Gases de Efeito Estufa
São empregos em áreas diversas, como agricultura regenerativa e sustentável, energia renovável, saneamento, reciclagem, entre outros. "O importante é que o trabalho desempenhado contribui para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), para a preservação dos recursos naturais e para o avanço da transição ecológica. Fonte: Global Energy Review 2025
A lista da OFAC — usada pela administração Trump para perseguir Francesca e em clara violação da imunidade diplomática concedida aos funcionários da ONU — proíbe qualquer instituição financeira de ter alguém da lista como cliente. Um banco que permita que alguém da lista da OFAC realize transações financeiras é proibido de operar em dólares, enfrenta multas multimilionárias e é bloqueado dos sistemas de pagamento internacionais.
No seu relatório, Francesca lista 48 empresas e instituições, incluindo a Palantir Technologies, a Lockheed Martin, a Alphabet Inc., a Amazon, a International Business Machines Corporation (IBM), a Caterpillar Inc., a Microsoft Corporation e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com bancos e empresas financeiras como a BlackRock, seguradoras, imobiliárias e instituições de caridade, que, em violação do direito internacional, estão a ganhar milhares de milhões com a ocupação e o genocídio dos palestinianos.
O relatório, que inclui uma base de dados com mais de 1.000 entidades corporativas que colaboram com Israel, exige que essas empresas e instituições rompam os laços com Israel ou sejam responsabilizadas por cumplicidade em crimes de guerra. O relatório descreve a «ocupação eterna» de Israel como «o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia — proporcionando oferta e procura ilimitadas, pouca supervisão e zero responsabilização — enquanto investidores e instituições privadas e públicas lucram livremente».
Francesca, cujos relatórios anteriores, incluindo «Genocídio em Gaza: um crime coletivo» e «Genocídio como apagamento colonial», juntamente com as suas denúncias apaixonadas do massacre em massa de Israel em Gaza, tornaram-na um alvo fácil. Ela é criticada sempre que se desvia do guião aprovado, incluindo quando manifestantes pró-Palestina invadiram a sede do jornal diário italiano La Stampa enquanto estávamos em Itália.
Francesca condenou a invasão e a destruição de propriedade — os manifestantes espalharam jornais e pintaram slogans nas paredes, como «Palestina Livre» e «Jornais cúmplices de Israel» —, mas acrescentou que isso deveria servir como um «aviso à imprensa» para que fizesse o seu trabalho. Essa qualificação expressou a sua frustração com o descrédito dos media em relação às reportagens dos jornalistas palestinianos — mais de 278 jornalistas e profissionais dos media foram mortos por Israel desde 7 de outubro, juntamente com mais de 700 membros de suas famílias — e a amplificação acrítica da propaganda israelita. Mas isso foi aproveitado pelos seus críticos, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, para linchá-la.
O secretário de Estado Marco Rubio impôs sanções a Francesca em julho.
«Os EUA condenaram e opuseram-se repetidamente às atividades tendenciosas e maliciosas de Albanese, que há muito a tornam inadequada para o cargo de Relatora Especial», dizia o comunicado de imprensa do Departamento de Estado. «Albanese tem espalhado antissemitismo descarado, expressado apoio ao terrorismo e desprezo aberto pelos EUA, Israel e o Ocidente. Esse preconceito tem sido evidente ao longo de toda a sua carreira, incluindo a recomendação de que o TPI, sem base legítima, emitisse mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.»
«Recentemente, ela intensificou esses esforços escrevendo cartas ameaçadoras a dezenas de entidades em todo o mundo, incluindo grandes empresas norte-americanas dos setores financeiro, tecnológico, de defesa, energético e hoteleiro, fazendo acusações extremas e infundadas e recomendando que o Tribunal Penal Internacional investigasse e processasse essas empresas e os seus executivos», continuou. «Não toleraremos essas campanhas de guerra política e económica, que ameaçam os nossos interesses nacionais e a nossa soberania.»
"Os pássaros domesticados cantam sobre a liberdade. Pássaros selvagens voam." - John Lennon
Introdução
Esta breve citação encerra uma reflexão profunda sobre a forma como compreendemos e praticamos a liberdade. No seu aparente contraste simples — cantar versus voar — está implícita uma crítica poderosa aos discursos que exaltam a liberdade sem a concretizar. Este pensamento é particularmente pertinente quando analisado à luz da educação, da ecologia e da sociedade contemporânea.
Educação: ensinar a cantar ou aprender a voar?
Grande parte dos sistemas educativos afirma formar cidadãos críticos, autónomos e livres. Contudo, na prática, muitos continuam assentes em modelos de padronização, obediência e reprodução de conteúdos. Neste contexto, os estudantes tornam‑se “pássaros domesticados”: aprendem o vocabulário da liberdade, do pensamento crítico e da cidadania, mas raramente dispõem de espaço real para questionar, experimentar ou errar.
Uma educação verdadeiramente emancipadora não se limita a falar de autonomia — cria condições para que ela seja vivida. Voar, aqui, significa permitir escolhas, fomentar a curiosidade, aceitar a diversidade de percursos e reconhecer o erro como parte essencial da aprendizagem. Como defendia Paulo Freire, não há educação neutra: ou ela domestica, ou liberta.
Ecologia: discursos verdes em gaiolas douradas
No campo da ecologia, a metáfora de Lennon ganha uma força ainda mais evidente. Nunca se falou tanto de sustentabilidade, biodiversidade e proteção ambiental. No entanto, a degradação dos ecossistemas continua a acelerar. Multiplicam‑se os discursos “verdes”, mas persistem práticas económicas e políticas que mantêm a natureza confinada a uma lógica de exploração.
Cantar sobre a liberdade da natureza traduz‑se em campanhas, relatórios e compromissos internacionais; permitir que os pássaros voem implica respeitar os limites ecológicos do planeta, restaurar ecossistemas e aceitar que nem tudo pode — ou deve — ser controlado.
Uma ecologia autêntica não é apenas declarativa. É prática, ética e relacional. Reconhece que a natureza não precisa apenas de proteção, mas de autonomia funcional.
Sociedade contemporânea: a ilusão da liberdade
Vivemos numa sociedade que se apresenta como livre, aberta e plural. Contudo, muitos dos nossos comportamentos são moldados por algoritmos, padrões de consumo, pressões sociais e medo da exclusão. Fala‑se muito de liberdade de escolha, mas as escolhas são frequentemente condicionadas.
Os “pássaros domesticados” da contemporaneidade repetem discursos de liberdade enquanto permanecem presos a rotinas e expectativas impostas. Já os “pássaros selvagens” são aqueles que ousam questionar, desacelerar, resistir à normalização e viver com coerência entre valores e ações.
Voar, neste contexto, implica responsabilidade, consciência crítica e, muitas vezes, desconforto.
Conclusão: da retórica à prática
A citação de John Lennon lembra‑nos que a liberdade não se esgota na palavra. É uma experiência vivida, construída diariamente nas escolhas individuais e colectivas.
Na educação, na ecologia e na sociedade, o desafio é o mesmo: deixar de apenas cantar sobre a liberdade e criar condições reais para que ela exista. Porque, no fim, não é o canto que transforma o mundo — é o voo.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, criticou os candidatos presidenciais, em especial Luís Marques Mendes. Num artigo publicado no semanário Expresso, Aguiar-Branco confessa-se impressionado com “a rapidez com que o debate tem resvalado para uma lógica de suspeição generalizada sobre os políticos”.
"O escrutínio é indispensável. A desconfiança permanente não”, alega.
“Lançam-se insinuações sobre o percurso pessoal e profissional dos adversários. Exigem-se exercícios de divulgação que em muito transcendem os deveres normais de transparência e prestação de contas. E incute-se, a tudo isto, a ideia de um julgamento ético em praça pública. Confundindo transparência com devassa, responsabilidade política com julgamento moral e escolha democrática com avaliação pública de caráter, obrigando os eleitores a serem juízes da probidade moral dos políticos”, acrescenta.
Aguiar-Branco escreve ainda que, durante a campanha, têm sido abordadas matérias que pertencem exclusivamente à competência do Parlamento, como é o caso de uma eventual revisão constitucional. “Este desvio tem consequências. Ao afastar temas estruturantes do seu enquadramento institucional, criam-se expectativas irrealistas nos cidadãos, confundem-se competências entre órgãos de soberania e enfraquece-se a responsabilização democrática. Produz-se ruído, não clareza. Ausência de responsabilização, não prestação de contas”, considera.
A segunda figura do Estado dirige-se indiretamente a Marques Mendes, que sugeriu uma comissão de ética que decidiria "em situações de graves violações da ética política", ainda antes de ser candidato. “Reconheço que a proposta possa parecer apelativa à primeira vista. Enquanto presidente da Assembleia da República, considero-a inaceitável. Não apenas pelo contexto, mas sobretudo pelo princípio em causa”, considera.
Aguiar-Branco diz que “a democracia assenta num princípio claro: os representantes eleitos respondem politicamente perante os eleitores e juridicamente perante as autoridades competentes, nos termos da lei. Não respondem a instâncias informais, não eleitas e externas ao sistema constitucional”.
Uma mulher idosa a caminhar livremente - Porto, Portugal
Bom primeiro dia de Ano Novo! Happy first day of the New Year!
"Sente-te livre por seres idosa, ramo de sorrisos e rugas. O que importa não envelhece na pele, nem repousa nos lábios. Não tomes isso como castigo divino.
Não rebentes em lágrimas. O melhor do mundo humano és tu: acende a lembrança no peito e fixa o teu rosto na claridade do tempo.
Os sábios sabem:
não há motivo para luto.
A beleza não é um recipiente,
é o fogo que tremula dentro dele.
A tua alma luminosa deixa-a inteira à vista,
assim eu te amo ainda mais.
Não te entristeças! Não dês ouvidos
às sentenças dos espelhos!
Em cada 1º dia de Janeiro, crio uma lista de objectivos e medito sobre este dia, Dia Mundial da Paz. Preencho o dia escutando música. A música, independentemente do estilo, oferece uma playlist de aprendizado e reflexão. Cada canção ajuda-nos a perceber diferentes dimensões da paz: a empatia, a atenção ao mundo, a consciência da memória ecológica, a capacidade de escutar e respeitar o espaço do outro, e a necessidade de transformação pessoal e colectiva. Aqui segue o texto e a minha sugestão de playlist.
Paz ecológica e paz interior
Quando pensamos em paz, muitas vezes imaginamos apenas a ausência de guerra. Mas a paz é também a capacidade de habitar o mundo sem o ferir e de habitar-nos sem ruído excessivo. Em tempos de crises ecológicas e sociais, aprender a escutar tornou-se uma prática ética, quase revolucionária.
O pós-punk, nascido da fratura e da inquietação urbana, pode parecer sombrio à primeira audição. Mas é precisamente aí que mora a sua lição: recusar o excesso, escutar o vazio e sentir a tensão antes que ela se torne destruição. Entre riffs secos e atmosferas introspectivas, encontramos ensinamentos sobre respeito ao mundo e a nós mesmos.
A música pode refletir a terra ferida e a memória do que perdemos. Canções como “Cities in Dust” dos Siouxsie and the Banshees lembram-nos que civilizações desaparecem, mas deixam vestígios que não podemos ignorar. “Requiem” do Killing Joke é um grito diante do colapso ambiental e social, enquanto “A Forest” do The Cure transforma a natureza em labirinto, mostrando-nos que quando nos perdemos, percebemos a importância da atenção e do cuidado. A paz ecológica é, assim, reconhecer os limites antes que seja tarde demais.
O silêncio e o espaço são fundamentais tanto na música quanto na natureza. Álbuns como “Spirit of Eden” do Talk Talk respiram, respeitam o tempo e o espaço entre as notas — como um ecossistema saudável. Canções como “The Colour of Spring” de Mark Hollis mostram a fragilidade e a atenção às nuances, lembrando-nos da interdependência do mundo natural. E “An Ending (Ascent)” de Brian Eno cria uma paisagem sonora que coexiste sem dominar, ensinando que escutar é, de fato, um ato ecológico.
A paz do mundo começa na paz do indivíduo. Joy Division, em “Atmosphere”, convida-nos a caminhar com cuidado entre os outros, reconhecendo limites e espaço alheio. “Silent Air” do The Sound faz do ar uma metáfora de equilíbrio interior: invisível, mas essencial. E “Faith” do The Cure mostra que aceitar a fragilidade é uma forma de resistência, uma paz construída dentro de nós mesmos.
Mesmo na melancolia do pós-punk, há sinais de reconciliação e esperança. “I Believe in You” do Talk Talk funciona como uma oração laica, celebrando a vida e a esperança. “Second Skin” dos Chameleons lembra-nos da necessidade de transformação e adaptação, como a própria natureza nos ensina.
Em última análise, a paz, seja ecológica ou interior, não se proclama: pratica-se. Nas nossas escolhas, na forma como caminhamos pelo mundo, como consumimos e até como ouvimos música, reside o poder de transformação. O pós-punk, com a sua intensidade e sensibilidade, ensina que menos ruído é mais sentido, e que talvez a revolução mais urgente seja voltar a ouvir o mundo antes que ele se cale.
A mística e a educação ambiental na conservação da natureza
Resumo
A crise socioambiental contemporânea evidencia os limites de abordagens exclusivamente técnico-científicas na conservação da natureza. Neste contexto, a mística — entendida como uma experiência profunda de conexão, sentido e transcendência na relação ser humano–natureza — emerge como um elemento relevante para a educação ambiental. Este ensaio analisa o papel da mística na educação ambiental e sua contribuição para a conservação da natureza, defendendo que dimensões simbólicas, éticas, espirituais e afetivas são fundamentais para promover mudanças duradouras de valores, atitudes e práticas socioambientais.
A degradação ambiental, a perda de biodiversidade e as alterações climáticas colocam desafios complexos à humanidade. Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, observa-se uma persistente distância entre o conhecimento ambiental e a transformação efetiva dos comportamentos sociais. Tal cenário tem levado educadores e investigadores a questionar modelos de educação ambiental centrados apenas na transmissão de informação e no racionalismo instrumental.
Neste contexto, a mística surge como uma dimensão frequentemente marginalizada no campo académico, mas historicamente presente nas relações humanas com a natureza. Diferentes culturas, tradições espirituais e movimentos sociais reconhecem a experiência mística como fonte de sentido, compromisso ético e cuidado com o mundo natural. Este ensaio propõe reflectir sobre a articulação entre mística, educação ambiental e conservação da natureza, argumentando que a integração desta dimensão pode fortalecer processos educativos mais críticos, transformadores e emancipatórios.
2. Compreendendo a mística no contexto socioambiental
A mística pode ser compreendida como uma experiência de profundidade existencial caracterizada pela sensação de unidade, interconexão e pertença a uma totalidade maior. No contexto ambiental, essa experiência manifesta-se na relação sensível e ética com a natureza, percebida não apenas como recurso, mas como comunidade de vida.
Diferentemente de uma abordagem estritamente religiosa, a mística ecológica pode assumir formas laicas, interculturais e plurais. Ela expressa-se no encantamento diante da biodiversidade, no silêncio contemplativo, no cuidado com os ecossistemas e na reverência pela vida. Autores da ecologia profunda e da ética ambiental defendem que tal experiência é essencial para superar a lógica utilitarista que sustenta a crise ecológica.
Assim, a mística não se opõe à ciência, mas complementa-a, oferecendo uma base simbólica e afetiva para a construção de valores ecológicos e de uma ética do cuidado.
3. Educação ambiental: limites e possibilidades
A educação ambiental consolidou-se como um campo interdisciplinar voltado para a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a sustentabilidade. No entanto, práticas educativas excessivamente normativas, informativas ou tecnocráticas tendem a produzir resultados limitados, sobretudo quando desconsideram as dimensões emocionais, culturais e espirituais dos educandos.
A incorporação da mística na educação ambiental amplia suas possibilidades pedagógicas, ao favorecer experiências vivenciais, sensoriais e reflexivas. Caminhadas interpretativas, atividades de imersão na natureza, narrativas simbólicas, arte, rituais ecológicos e momentos de silêncio são exemplos de práticas que podem despertar vínculos afetivos e sentido de responsabilidade ecológica.
Essa abordagem contribui para uma educação ambiental que não apenas informa, mas transforma, ao tocar dimensões profundas da subjetividade humana.
4. Mística e conservação da natureza
A conservação da natureza depende, em grande medida, de escolhas éticas e políticas fundamentadas em valores. A mística pode atuar como força mobilizadora, capaz de inspirar atitudes de respeito, cuidado e solidariedade interespécies. Comunidades tradicionais e povos indígenas, por exemplo, frequentemente articulam práticas de conservação a cosmovisões espirituais que reconhecem a sacralidade da natureza.
Ao integrar a mística à educação ambiental, promove-se uma mudança de paradigma: da dominação para a convivência, da exploração para o cuidado, da fragmentação para a interdependência. Tal mudança é crucial para sustentar estratégias de conservação que sejam socialmente justas, culturalmente sensíveis e ecologicamente eficazes.
5. Considerações finais
A mística, enquanto experiência de conexão profunda com a natureza, constitui um elemento potente para a educação ambiental e a conservação da natureza. Sua integração no campo educativo contribui para superar reducionismos racionalistas e fortalecer uma ética ecológica baseada no cuidado, na responsabilidade e na pertença à comunidade da vida.
Este ensaio defende que a educação ambiental deve reconhecer e valorizar a dimensão mística como parte legítima dos processos formativos, promovendo abordagens pedagógicas integradoras, críticas e sensíveis. Num contexto de crise civilizatória, a reconciliação entre conhecimento, sensibilidade e espiritualidade pode representar um caminho fecundo para a construção de sociedades mais sustentáveis.
The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)
Feel it every day
And the sun keeps you warm
Hard to let you go
See you and I know why it's always grey (it's always grey, it's always)
Hard to let you go (oh)
Healthy as we pray (yeah) for a journey home (for a journey home)
For a
Oh
Sing to me
In the heat of the sun
In the heat of the sun
And sing to me
Sing to me
When the day is done
The day is done
Sing to me
Hard to let you go (hard to let you go)
See you and I know why it's always grey (oh)
Why it's always grey (hard to let you go, and sing to me)
Hard to let you go (ah)
Healthy as we pray (ah) for a journey home (home, oh)
Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (hmm)
When the day is done
Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (oh)
When the day is done
(In the end of day)
"The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)", de Daniel Caesar, transforma a imagem de um campo rural num espaço simbólico de refúgio emocional e saudade. O verso “Hard to let you go / See you and I know why it's always grey” (“Difícil deixar você ir / Vejo você e entendo por que está sempre cinza”) mostra como a ausência de alguém querido traz uma melancolia constante ao cotidiano. Essa ideia é reforçada por Dev Hynes (Blood Orange), que descreveu a faixa como uma canção sobre “aqueles que sentimos falta quando fechamos os olhos”.
O pedido repetido “Sing to me” (“Cante para mim”) funciona como um apelo por conforto e conexão, sugerindo que a música e a memória ajudam a suavizar a dor da ausência. O sample de “Sing to Me”, do The Durutti Column, intensifica o clima nostálgico e contemplativo da faixa. A colaboração entre artistas de estilos diferentes enriquece a emoção da música, trazendo diferentes perspectivas sobre perda e esperança. A menção ao “journey home” (“jornada para casa”) pode ser entendida tanto como o desejo de reencontrar alguém quanto como uma busca interna por paz. Assim, “The Field” constrói uma narrativa sensível sobre lidar com a tristeza, encontrando consolo nas lembranças e no ambiente sereno do campo.
Conflito interno e busca de alívio em “In My Head”
A música “In My Head”, de Bedroom, aborda de forma direta o peso das batalhas internas e o impacto dos pensamentos intrusivos na saúde mental. O trecho “It consumes my mind / It consumes my soul / It wants my life it wants complete control” (“Isso consome minha mente / Isso consome minha alma / Isso quer minha vida, quer controle total”) mostra como esses pensamentos não apenas ocupam a mente do narrador, mas ameaçam dominar toda a sua existência. Esse conflito reflecte o medo de perder o controle sobre si mesmo, um tema central para quem enfrenta crises emocionais.
A canção também destaca o isolamento e o desespero por ajuda, evidenciado nos versos “Somebody help me before it's bad / Somebody help me before I end up dead” (“Alguém me ajude antes que piore / Alguém me ajude antes que eu acabe morto”). O pedido repetido por socorro reforça a urgência do sofrimento. Já a frase “I'm a walking contradiction / Everything I say is an affliction to him” (“Sou uma contradição ambulante / Tudo que digo é um sofrimento para ele”) revela o conflito interno e a dificuldade de lidar com sentimentos opostos. O tom sombrio e introspectivo da música transforma “In My Head” num retrato honesto das lutas silenciosas enfrentadas por quem convive com problemas de saúde mental.
I agree with what Jason Hickel wrote in a recent blog, that we need a mass political party that would implement a degrowth agenda, and that currently the degrowth movement does not have a political agenda or capability. I also agree with Anitra Nelson, Vincent Liegey and Terry Leahy when they wrote that degrowth is a movement. Degrowth is a movement as much as Civil Rights, Marriage Equality, or the Sunrise Movement were or aremovements whether or not they were organized as political parties.
When we proposed last year that all degrowthers should join forces in solidarity, the very first point of our proposal was to decouple recognition from status and merit because we believed, and I still do, that comradery and understanding should be based on egalitarian principles. This proposal has been received with lackluster understanding and support.
More recently, I have advocated for a synergy of bottom-up and top-down strategy. Bottom-up is close to the horizontal anarchist position, however it follows scales from local to regional and (inter)national, rather than political hierarchies. It means that strategy would start at the local. Conversely top-down means strategy begins at the largest scale, being operationalized by respective large-aim institutions.
Here, I would like to add specificity to the idea of building mass parties which builds on the recognition of the tremendous effort that has been done by degrowth activists and practitioners, many of whom work for free, while also having to make a living. These mass parties need both bottom-up engagement, and top-down policy design. Yes, we have to take power, but we cannot do it without mass engagement. We already know that degrowth is popular and its label is a strength not a weakness as many have remarked already.
The 28% support in the US for the label “degrowth” without a description attached is as meaningful as the concept of “free buses” from Zohran Mamdani, the Mayor-elect of New York. Both concepts need to be elaborated in order to make full sense. Degrowth is not more jargony than “free buses”. It just needs unpacking and after it is unpacked it is as good as “free buses” if not better.
The upcoming degrowth-friendly parties should consider the following:
1.Governance based on qualified sortition (random selection)
Roger Halam, co-founder of Extinction Rebellion, Just Stop Oil, Insulate Britain recently said to Novara Media that he is a strong advocate for sortition and he is confident that people selected at random will rise up to the task. Sortition, which is basically a formation of government through various forms of selection by lottery, has been discussed by many authors. Just to name a few: Against Elections by David Van Reybrouck, Legislature by Lot: Transformative Designs for Deliberative Governance edited by John Gastil and Erik Olin Wright, The Trouble With Elections by Terry Bouricius, and George Monbiot in a Guardian article.
The qualification part would be something determined by the entire collective, from a minimum time spent in the organization or not working in executive capitalist jobs. People who meet these qualifications would be placed on sortition lists from which governance bodies would be selected at random, while observing desirable demographics.
Your Party UK has used sortition for the selection of their inaugural launch conference. Let us be super frank: representative democracy is a failure and elections are a circus. If we want to reform democracy, elections have to be abolished. Getting degrowth done would require a separation of policy writing from policy selection. People who write policy should not be the same who vote on turning policy into law.
I cannot stress this enough: a Leninist-type party ran by a camarilla of degrowth cadres and experts defeats the purpose of the political revolution. The mass party must be of the people, by the people, and for the people with governance by sortition.
2. Running popular platforms hard on limitarian policies.
Free buses, rent freezes, and freehealthcare are policies that can win elections. However, all policy ideas, no matter how good or popular they are, can be co-opted by right-wing media and capitalist elites. Degrowth itself is painted with red scare and is associated with austerity by capitalists. A mass party should lead, loud and clear with the idea that having too much is a really bad idea that carves into the liberties and wellbeing of decent citizens and into the resilience of life on Earth. A mass party must lead with anti-capitalist policy proposals and the degrowth label. Moreover, since degrowth owns such a wide canvas of policy instruments, the ones that hit the right-wing ethos hardest are those from the limitarian space: limits on wealth and rationing.
Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction continue to be the most popular policies from the degrowth toolkit. They are not exclusionary but rather should be advanced together in the agenda of a mass party. The Job Guarantee may be the easiest to promote, even if it is at $15 hourly pay as suggested for the US by L. Randall Wray in Understanding Modern Money Theory (2025). In all cases, the mass party must include caps on wealth and forms of material rationing.
3.Running candidates in jurisdictions where centrists often rotate with right-wingers.
In Canada, Mark Carney’s Liberal Party won this year not because people love them, but because center-left and left voters who usually vote for the New Democratic Party (NDP) really hated the Conservatives. Similar story in the UK. However, the NDP is not too friendly to degrowth, since they are trying to sideline an ecosocialist degrowther anti-Zionist candidate from their current leadership race.
In Canada and the UK, there is no real alternative to the centrist status quo that has won elections. If a mass party that leads with degrowth policies ran candidates in jurisdictions like these, they stand real chances at winning local and general elections. Perhaps the Green Party UK and Your Party UK are poised to fill this gap. They should be infiltrated by degrowthers and swayed onto a committed path for degrowth.
We should not have to read more books such as More and More and More by Jean-Baptiste Fressoz about the delusions of the energy transition, or books such as The Long Heat by Andreas Malm and Wim Carton about the perils of techno-optimism, to be finally convinced that owning the degrowth label and the toolkit of degrowth policy instruments requires courage and vision.
4. Joining or creating an international political alliance, such as DIEM25 or Progressive International.
We already have the International Degrowth Network (IDN) but it does not function like DIEM25 or Progressive International. It does not collect membership fees, it does not have paid staff, and it does not run political candidates. Upgrading the sociocratic aims of IDN towards a political organization could be the strategy to be considered. Alternatively, IDN members and degrowthers at large could join DIEM25, Progressive International or various ecosocialist parties and infuse these organizations with degrowth. In all cases, the degrowth label should be owned by those advocating for it, and must be qualified and unpacked as the occasion requires.
5. Leaders should not be tainted with perceptions of elitism and credentialism.
A sortition-based governance structure would weed out opportunists and status seekers. Socialist parties are not immune to corruption and special interests. Only sortition can mitigate these risks. Policy making cannot be, as a matter of principle, an affair run by the elite policy wonks. In the Bouricius sortition model, experts can still offer significant input in policy making, but they would not be elected into leadership positions.
6. Significant effort should be deployed to popularize ethics of sufficiency.
Before sortition is realized, when we accept the compromise with representative democracy based on elections, political leaders would have to recognize ethics of sufficiency that are shared by humans that have not been duped by consumerism and material status signaling. The imperial mode of living is something real, even if we choose to place responsibility on the design of capitalism instead on individual lifestyle choices. The imperial mode of living refers to a way of life in the Global North that relies heavily on the exploitation of resources and labor from the Global South, leading to ecological and social inequalities. It highlights how everyday consumption practices are intertwined with global power dynamics and the unsustainable nature of capitalism.
In this approach, degrowth can be presented as an ethic of liberation from the oppression of material status signaling, and expansion of social agency (more personal freedom in a social context). Work Time Reduction, for example, is a great public relations tool for degrowth but it must be framed in a dematerialized and decommodified economy. The same applies to UBI, UBS, and JG.
7. Nifty memes and bitesize ideas must complement storytelling and policy unpacking.
A mass party should not be afraid to embrace simple ideas that can capture the imagination of the people. Something along these lines: What if all products imported from the Global South had QR codes on them that would take you to a website where you could see the working conditions of those humans who made that thing, their names, their salaries, their living conditions, their health status, how much free time they have with their families? What if the same QR code showed you the wealth of the owners of those companies, their names, and their living conditions? Would you still buy that thing? Would you still want to keep this economic system? Moving the imagination of supporters for the mass party toward empathy and an egalitarian global ethic may be the key towards the much-needed delinking of the Global South from the Global North, as I understand them in their geographical sense.
8. Designing policy that aims at the fundamental causal structure of capitalism.
In the bottom-up vs top-down integrative approach, the bottom-up part is experiential and the top-down is structural. The mass parties must offer the experience of a new kind of politics and society, by actually showing up for local causes, listening to its members and citizens at large, and being influenced by them via crowd-sourcing policy proposal. I have suggested a tool for such purpose in the form of a crowd-sourced policy cloud.
Mass parties should be friendly and welcoming, not exclusionary and dogmatic. At the same time, they must aim at redesigning the structure of the economy by attacking and dismantling capitalist hierarchies, by decoupling power from property, and by halting the dispossession of private and common property by capital. Even if Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction were all implemented, they may remain confined within national borders. Decolonisation and delinking must also be at the center of strategy.
Where would these mass parties start
To conclude, where would these mass parties start? In which country? In Romania, my country of origin, where the far-right party leads in polls by close to 40% and where there is no party on the left, not even center-left? In Germany, France, Italy? In India or China? Once we deploy the heavy anchor of reality we are hit with terrifying apparent impossibilities. The answer is all of the above, with various caveats. Some countries have parties that may be swung further towards degrowth. Others need the invention of new parties from scratch, such as Romania and Canada. In all cases, a political strategy for a mass party must emerge from the mass of people that it is supposed to serve.