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segunda-feira, 23 de março de 2026

Morreu Leonid Radvinsky, bilionário que transformou o OnlyFans num fenómeno global


Leonid Radvinsky, proprietário maioritário do OnlyFans e uma das figuras centrais da expansão da plataforma nos últimos anos, morreu aos 43 anos, após uma longa batalha contra o cancro. A morte foi confirmada esta segunda-feira pela empresa, que pediu respeito pela privacidade da família.
A morte de Leonid Radvinsky foi confirmada esta segunda-feira, dia 23 de março, pela empresa detentora do OnlyFans, que informou que o empresário morreu em paz, depois de uma longa batalha contra o cancro. Aos 43 anos, Radvinsky deixa uma marca decisiva na evolução da plataforma, da qual era o principal acionista.

Ucraniano-americano, Leonid Radvinsky comprou em 2018 a Fenix International, empresa-mãe do OnlyFans, ao fundador britânico Tim Stokely. Sob a sua liderança, a plataforma consolidou-se à escala global, ganhou forte projeção durante a pandemia e ultrapassou os 300 milhões de utilizadores, com receitas anuais superiores a mil milhões de dólares.

Segundo a Reuters, a morte de Radvinsky deixa em aberto questões sobre o futuro da estrutura acionista da empresa. As participações do empresário estavam integradas no LR Fenix Trust desde 2024. Em janeiro, a agência noticiou que o OnlyFans estava a explorar a venda de uma participação maioritária num negócio avaliado em cerca de 5,5 mil milhões de dólares, incluindo dívida.

Radvinsky nasceu na Ucrânia e cresceu em Chicago. De acordo com a Forbes, começou cedo a atividade empresarial e fundou a Cybertania enquanto estudava na Northwestern University. Mais tarde, além do OnlyFans, manteve atividade através do fundo de capital de risco Leo, criado em 2009 e vocacionado para investimentos em tecnologia.

A fortuna de Leonid Radvinsky era estimada em cerca de 4,7 mil milhões de dólares no momento da sua morte, segundo a lista em tempo real da Forbes citada pela Reuters. A sua trajetória ficou ligada de forma incontornável ao crescimento do OnlyFans, plataforma fundada em 2016 e transformada, sob a sua gestão, num dos negócios digitais mais lucrativos e controversos da economia dos criadores.

Litam, Stacey Diane Arañez; Speciale, Megan; Balkin, Richard S. (2022). "Sexual Attitudes and Characteristics of OnlyFans Users"

quarta-feira, 4 de março de 2026

A coberto da animação de campanhas de associações de estudantes, 79 escolas permitiram a entrada de influenciadores que fazem da sexualização das crianças um negócio

Reportagem do Público

Instaurado inquérito a caso dos influenciadores que promovem sexualização em escolas

O Livre requereu esta terça-feira a audição parlamentar urgente do ministro da Educação e da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas sobre a presença de influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais e misóginos em escolas.

Este requerimento surge após uma reportagem divulgada pelo jornal Público segundo a qual 79 escolas públicas receberam, nos dois últimos anos letivos, influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais e misóginos, a coberto da animação de campanhas de associações de estudantes.

"As notícias conhecidas dão conta de relatos preocupantes de professores, auxiliares de ação educativa e diretores escolares que, em muitos casos, relativizam ou normalizam estes episódios em contexto escolar", criticam os deputados do Livre.

O partido cita ainda declarações do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, realçando que o governando se limitou "a remeter a responsabilidade para a autonomia das direções das escolas", admitindo "a possibilidade de vir a instaurar inquéritos aos diretores que autorizaram estas iniciativas".

Para o Livre, "a invocação genérica da autonomia das escolas não dispensa a definição, pela tutela, de orientações nacionais claras sobre quem pode entrar em espaço escolar, em que condições e com que tipo de conteúdos, nem exonera o Governo do dever de garantir ambientes escolares seguros, livres de conteúdos misóginos, sexualizantes ou de natureza pornográfica".

Os deputados salientam que "a gravidade dos factos conhecidos, o alarme social gerado e a preocupação manifestada por encarregados de educação e pela sociedade civil tornam indispensável um esclarecimento político cabal por parte do Governo" além da definição de "orientações claras, nacionais, para a prevenção e proibição destas práticas em estabelecimentos de ensino público".

O partido quer que sejam apuradas responsabilidades, conhecer que instruções foram ou não emitidas pelo Ministério e que medidas serão adotadas para garantir que situações semelhantes não se repetem.

Hoje, também o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, endereçou ao Governo um conjunto de perguntas sobre o mesmo tema, querendo saber quando é que será formalmente aberta "a investigação pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) às 79 escolas identificadas pela investigação jornalística, e qual é o cronograma previsto para a apresentação do relatório final".

O BE quer também saber se o ministério já comunicou estes factos ao Ministério Público e se tenciona "reforçar, em vez de reformular para esvaziar, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e os conteúdos de Educação Sexual, conforme recomendado por especialistas".

Por último, o partido pergunta ao ministério que ações de fiscalização foram planeadas para impedir a exploração comercial de alunos dentro do espaço escolar, "especificamente no que toca ao pagamento de verbas elevadas a influenciadores por atuações desprovidas de qualquer valor educativo".

segunda-feira, 2 de março de 2026

Jovens portugueses apresentam pior saúde mental que adultos acima dos 55 anos


A saúde mental dos portugueses é pior entre os jovens adultos face à população acima dos 55 anos, apesar dos laços familiares fortes e hábitos alimentares saudáveis, fatores socioculturais habitualmente associados a essa diferença geracional.

É assim em todos os 84 países analisados no relatório Global Mind Health (Saúde Mental Global) 2025 e Portugal não é exceção: os níveis de saúde mental dos jovens são tendencialmente mais baixos em comparação com as faixas etárias mais velhas.

O relatório, da organização Sapien Labs, mede a saúde mental das populações com acesso à Internet e na edição mais recente, divulgada esta quinta-feira, apresenta dados de perto de um milhão de pessoas em 84 países, incluindo Portugal.

À semelhança da tendência global, também os jovens portugueses, entre os 18 e 34 anos, experienciam mais desafios de saúde mental clinicamente significativos, quando comparados com a faixa etária acima dos 55 anos.

Ligeiramente acima da média global de 36 (numa escala de -100 a 200), o quociente de saúde mental médio dos jovens portugueses aproxima-se de 40.

Portugal surge em 46.º lugar
No 'ranking' dos 84 países participantes, Portugal surge assim em 46.º lugar, melhor posicionado do que a população portuguesa acima dos 55 anos de idade que, ainda assim, apresenta melhores níveis de saúde mental do que os jovens.

Com perto de 90 pontos no quociente de saúde mental, os portugueses nesta faixa etária conseguem, de acordo com a escala, ser plenamente produtivos, 70% do tempo, em todos os aspetos da vida.

No contexto global, as diferenças geracionais são tendencialmente maiores nos países mais ricos e, pelo contrário, menos acentuadas nos países da África subsaariana.

A influência dos alimentos ultraprocessados
Os autores apontam quatro aspetos socioculturais que explicam os níveis de saúde mental mais baixos entre os jovens, mas nem todos explicam os dados referentes a Portugal, desde logo no que respeita aos hábitos alimentares.

De acordo com estudos citados no relatório, o consumo de alimentos ultraprocessados -- "cujo consumo está a aumentar entre as gerações mais jovens" - contribui entre 15 a 30% para o agravamento da saúde mental e está associado ao aumento da depressão e diminuição do controlo emocional e cognitivo.

Os jovens portugueses, no entanto, destacam-se por serem dos que menos consomem este tipo de alimentos, ainda que o façam mais do que os adultos acima dos 55 anos.

Portugal é um dos 25 países em que os jovens da "geração Z", entre os 18 e 24 anos, começaram a utilizar 'smartphone' mais cedo, entre os 12 e os 13 anos, sendo que o acesso precoce a 'smartphones' está associado ao aumento de ideação suicida, agressão e outros problemas na vida adulta.

Outro dos aspetos em que Portugal surge destacado diz respeito aos laços familiares fortes, associados a sintomas depressivos "significativamente mais baixos".

Em 18.º lugar no 'ranking', Portugal é dos países em que a percentagem de jovens adultos com laços familiares fortes é mais próxima da registada entre os adultos acima dos 55 anos, a par de Itália, França, Bélgica.

Quanto à espiritualidade, outro dos aspetos socioculturais analisados e associado a "vários benefícios de saúde mental", a percentagem é ligeiramente mais elevada entre os mais jovens, uma tendência que se verifica, ainda que em maior proporção, sobretudo em países da África subsariana e Israel.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Pavel Durov: dono do Telegram, pai de 100 filhos e inimigo do presidente da Espanha


Pavel Durov, o bilionário russo fundador e CEO do aplicativo de mensagens Telegram, tem estado no centro das atenções mundiais por três motivos principais e bastante distintos: a sua plataforma tecnológica, a sua inusitada vida familiar com mais de 100 filhos biológicos e as suas recentes tensões com líderes europeus, incluindo o presidente da Espanha.
Aqui estão os pontos principais sobre o empresário, com base em informações de 2024 e 2025:
1. O Dono do Telegram (e ex-VK)
Fundação: Nascido na Rússia, Durov fundou a rede social russa VKontakte (VK) antes de criar o Telegram em 2013 com seu irmão, Nikolai.
Exílio e Liberdade: Saiu da Rússia em 2014 após recusar-se a compartilhar dados de usuários com o FSB (serviço secreto russo) e vender sua participação no VK. Atualmente, vive no Dubai, onde o Telegram está sediado, e possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos.
Fortuna e Valores: Com uma fortuna estimada em mais de US$ 13 a 17 biliões, Durov defende o Telegram como uma plataforma neutra e focada na privacidade, frequentemente entrando em conflito com governos que exigem moderação de conteúdo.
Problemas Legais: Em agosto de 2024, foi preso em França sob alegações de cumplicidade em atividades ilícitas na plataforma (tráfico de drogas, pornografia infantil) por falta de moderação, sendo libertado sob fiança, mas proibido de deixar o país durante a investigação.

2. Pai de Mais de 100 Filhos (Sperm Donor)
Revelação: Em 2024 e reafirmado em 2025, Durov revelou que é pai biológico de mais de 100 crianças em 12 países diferentes, resultado de doações de esperma feitas ao longo dos últimos 15 anos para ajudar casais com problemas de fertilidade.
Planeamento de Herança: Durov afirmou que pretende abrir o seu "código genético" e que planeja incluir todos os seus filhos biológicos no seu planejamento de sucessão, garantindo que tenham direitos à sua fortuna.
Filhos "Naturais" vs. Doação: Ele esclareceu que tem seis filhos "oficiais" com três parceiras, mas faz questão de tratar todos os mais de 100 filhos biológicos com os mesmos direitos.

3. "Inimigo" do Presidente da Espanha (Conflito de 2026)
O Conflito: Em fevereiro de 2026, Durov entrou em rota de colisão com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao criticar duramente um plano do governo para proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais.
Acusações: Durov acusou Sánchez de transformar a Espanha em um "estado de vigilância" sob o pretexto de "proteção", afirmando que as medidas propostas causariam censura e coleta massiva de dados.
Retaliação: A Espanha, por sua vez, classificou as declarações de Durov como "mentiras" e defendeu as medidas para proteger menores, argumentando que a democracia não deve curvar-se a "oligararcas tecnológicos".

Pavel Durov mantém uma postura de "libertário" da internet, muitas vezes se colocando contra a regulação estatal, o que o torna uma figura divisiva, ao mesmo tempo elogiado por defensores da privacidade e criticado por autoridades de segurança.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Machosfera “não é brincadeira de rapazes”, é bomba relógio


Escolhem as mulheres como inimigo, são orgulhosamente misóginos, transformam a violência de género em espetáculo ‘online’, doutrinam crianças e lucram com isso – eis a machosfera, uma “bomba relógio que já explodiu”, alertam especialistas.

“Temos uma sociedade pornificada, com plataformas digitais desreguladas, onde a misoginia e a violência contra as mulheres é espetacularizada, monetizada, comercializável. É uma bomba-relógio, um problema social que já explodiu nas nossas mãos”, sublinha Maria João Faustino, especialista em violência sexual.

Isto “não é uma mera brincadeira de rapazes”, garante Inês Amaral, investigadora do Observatório de Masculinidades do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Segundo a especialista, a misoginia “vende”, enquanto propaga filosofias “doentias e assustadoras”, num universo onde homens partilham “filmagens não consentidas de encontros com mulheres, ou até vídeos sem nada de sexual das mulheres, mães, irmãs, até das filhas”.

As “culturas digitais reacionárias e patriarcais” estão a construir “novas gerações que promovem ideias distorcidas sobre intimidade, consentimento, prazer mútuo e igualdade”, aponta Diana Pinto, da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres.

As narrativas misturam “ressentimento, violência e nostalgia por uma ordem patriarcal perdida”, vendo como ameaça a emancipação feminina.

“Nos fóruns, nas redes sociais e nas plataformas de ‘streaming’, proliferam discursos misóginos que promovem uma cultura que sexualiza, desumaniza e até responsabiliza as raparigas e as mulheres pela violência que sofrem”, indica.

Esta “cultura digital violenta” é “potenciada por algoritmos e pela monetização de conteúdos sexistas, altamente lucrativos para alguns, nomeadamente para as plataformas”, assegura.

O problema de raiz é “muito profundo e está sedimentado em muitos séculos de desigualdade e supremacia masculina”, ganhando no ‘online’ “novas avenidas e dimensões de impunidade”, sinaliza Maria João Faustino, alertando que é “muito fácil aliciar, capturar e radicalizar jovens rapazes” para estes discursos.

A machosfera “tem muitos ecos e muitas alianças” com “a pornografia ou a extrema-direita” e “não está só nas catacumbas da internet”.

“Os misóginos são homens que partilham da vida em sociedade connosco, que vivem connosco, nas nossas casas, nas nossas famílias. É preciso fazer o reconhecimento doloroso de que são homens como nós, e muitas vezes homens que amamos, que são os nossos filhos, os nossos pais, homens em quem confiamos”, sublinha.

Maria João Faustino alerta que o problema é estrutural e tem passado “sem uma resposta preventiva ou uma abordagem séria”.

O britânico Andrew Tate, auto-denominado misógino, é para estes homens “uma espécie de herói” e propaga discursos “de uma violência atroz e uma promoção de ódio muito substancial, consumidos por centenas de milhares de jovens numa base quotidiana”, relata Inês Amaral.

“As crianças não vão ativamente à procura destes conteúdos, mas são o alvo destas pessoas”, avisa a investigadora.

Depois, “há o passa a palavra e o consumo de determinadas plataformas, nomeadamente de jogos, cheias destas ideias”, destaca, encontrando uma “ligação direta” entre a machosfera e os movimentos de Alt-Right (direita alternativa focada na supremacia branca) dos Estados Unidos da América.

É um “problema terrível”, fomentado “pelos discursos conservadores dos grupos e partidos de extrema-direita, que legitimam um discurso mais duro, de recurso à violência e de menorizar o papel das mulheres”, sinaliza Sandra Cunha, da FEM – Feministas em Movimento.

Tiago Rolino, jurista, gestor de investigação e ativista, olha para o machismo como “manifestação do sistema patriarcal”, o “topo da pirâmide de privilégios” que “está sempre presente”, bloqueando “a igualdade plena de direitos e oportunidades”.

“As primeiras vítimas do machismo são as mulheres. Mas os homens também. Têm mais suicídios, sofrem mais de doenças evitáveis porque não vão ao médico, consomem mais drogas, comentem mais crimes e têm mais depressões”, afirma.

Ser “provedor, corajoso, forte, bem constituído fisicamente, esconder as emoções, ser mulherengo e bem-sucedido” são os “pilares da masculinidade que o homem de verdade tenta atingir”, mas “nenhum os atinge a todos”, o que “causa problemas de frustração” e recurso à “violência para se imporem”, explica.

sábado, 31 de dezembro de 2016

As novas realidades em que vamos viver

A frase-chave de 2017 tem que ver com as realidades paralelas criadas pela ciência e pela tecnologia – de ambientes de realidade virtual a criações de inteligência artificial, passando pela terraformação de outros planetas. É ler, para não sermos surpreendidos pelo futuro.

Marte recriado para receber os humanos, com atmosfera e água, será uma das tendências científicas mais discutidas em 2017 

O Future Today Institute lança há uma década o Relatório de Tendências Tecnológicas para o ano que se segue. O trabalho é feito a partir de um mecanismo científico que analisa em contínuo as práticas tecnológicas e científicas que irão ajudar a definir o futuro.

Se é verdade que o mundo é cada vez mais complexo e o futuro se parece cada vez mais com um filme de ficção científica, são relatórios como estes que nos ajudam a antecipar o que aí vem e a adaptar comportamentos para os incluir nas nossas vidas. Seguem-se seis tendências para 2017 e três produtos inovadores que já aplicam algumas dessas tendências.

Inteligência artificial
A inteligência artificial é uma escolha óbvia nesta lista, tão óbvia que está contida dentro de praticamente todas as outras áreas de destaque. Como explica este relatório, há dois tipos de inteligência artificial: uma fraca, outra forte. A primeira verifica-se nos sistemas de recomendação típicos da Internet (sejam os produtos da Amazon, as músicas do Spotify ou os textos para ler a seguir no PÚBLICO). A segunda é a que permite a um sistema computacional tomar decisões de forma integrada, por enquanto ainda no campo da ficção científica.

Alguns dos aspectos mais sedutores do próximo ano neste campo estarão na evolução da aprendizagem que os sistemas artificiais poderão fazer – os algoritmos que lhes dão origem irão induzir uma auto-aprendizagem a partir de uma enorme quantidade de dados disponíveis. Um dos bons exemplos com conclusão para o próximo ano é o Watson, da IBM, que está a aprender a ler e interpretar imagens radiológicas para inferir o historial clínico de pacientes. E, regressando ao relatório, a tendência será a de deixar de programar os computadores. No futuro os computadores “serão treinados como cães”.

Robótica
Várias evoluções no campo da robótica permitem antever novidades muito interessantes para o próximo ano. Uma área a merecer especial atenção é a dos robôs cooperativos, que juntam várias máquinas para executar funções de forma coordenada – de forma bem mais evoluída do que aquela que se vê numa linha de montagem.

Também os robôs de companhia apresentam uma lógica promissora, especialmente porque será uma forma de a robótica entrar no mercado de massas. Com o envelhecimento geracional que se verifica nos países ocidentais, a tendência para desenvolver robôs de companhia será crescente. Nesse sentido, o mercado líder para estas transições será o Japão, onde o envelhecimento é maior e o investimento tecnológico está mais canalizado para aí.

Realidade misturada
Este é um novo termo que junta todas as várias tendências que relacionam o mundo real e a experiência em ambientes virtuais: a realidade aumentada, que sobrepõe uma camada virtual ao ambiente que rodeia o utilizador; a realidade virtual, que coloca o utilizador num ambiente totalmente virtual, já usado em jogos e filmes pioneiros; as câmaras especiais de 360 graus que criam vídeo e imagem em rotação completa; os produtos que apresentam hologramas, que são imagens tridimensionais, a partir de ecrãs como smartphones.

Estas aplicações vão começar a ser frequentes na indústria de entretenimento (jogos, filmes de terror, pornografia, clips musicais, etc.), seguindo, aliás, a tendência deste ano. Mas também deverão começar a invadir o ambiente profissional, com apresentações tridimensionais que ultrapassam o PowerPoint normal e com câmaras de 360 graus para aplicações de segurança e transmissão desportiva, entre muitos outros exemplos. Também vale a pena estar atento a aplicações de realidade virtual para tratar doenças como depressões e stress pós-traumático, bem como mecanismos de marketing para levar produtos até potenciais clientes.

Segurança
Se há uma nota a reter no ano informático de 2016, ela tem que ver com os escândalos de segurança. Dos Panama Papers aos emails de campanha de Hillary Clinton, nunca se falou tanto de segurança e pirataria informática – incluindo ao nível diplomático, visto que a mais recente polémica envolve a interferência da Rússia no processo eleitoral norte-americano.

Ao mesmo tempo, a pressão por parte desses mesmos Estados para criar mecanismos de intrusão nos aparelhos dos cidadãos tem também consequências na segurança dos mesmos. E se em 2016 o FBI colocou a Apple em tribunal por esta se recusar a dar acesso a um iPhone específico, em 2017 é de esperar que se renove a exigência de produção de um mecanismo de acesso privilegiado a software ou hardware (de perfis de redes sociais a telemóveis, passando pelos computadores pessoais e pelas contas de email).

Com a informática no centro das discussões sobre defesa e segurança, é de esperar que se renovem as competências informáticas das entidades policiais e militares – criando novas formas de espionagem e protecção da lei, abrindo também caminho a um reforço dos mecanismos legais para defesa e acusação relacionados com actividades digitais e com implicações legislativas profundas. 

Privacidade
Em paralelo com as questões de segurança estão, por razões óbvias, as preocupações com a privacidade. O anonimato digital não existe, mas a percepção de que assim é está cada vez mais presente na mente de cada cidadão que abre um browser de Internet. Para evitar a invasão de privacidade ao nível do indivíduo, muitas empresas vão instalar esquemas de privacidade diferencial – um mecanismo em que os dados individuais continuam a ser recolhidos, mas são de tal forma alterados que não podem ser depois individualizados de forma a destacar uma única pessoa. A Apple já anunciou que está a trabalhar nisto e outras empresas, nomeadamente a Google e a Facebook, devem ir pelo mesmo caminho. Daqui decorrem outros problemas, como a gestão da encriptação, abrindo novos mercados para empresas com soluções inovadoras e integradas em todos os passos da vida digital dos cidadãos.

Outra área em que a manutenção da privacidade será essencial tem que ver com a evolução tecnológica que permite que o reconhecimento facial seja individualizado ao pormenor. Já é possível seguir alguém numa cidade através das câmaras de vigilância instaladas em serviços públicos (como as de trânsito) e as privadas (como as dos multibancos), graças a softwares de processamento facial muito poderosos. Se a isto adicionarmos mecanismos avançados de captação de imagem em tempo real como os drones e os vídeos de 360 graus, percebemos que os redutos de privacidade no espaço público são algo em vias extinção.

Terraformar planetas
Este é mais um conceito nascido na ficção científica, mas que parece estar prestes a ganhar dimensão real. Terraformar um planeta consiste basicamente em importar padrões ambientais da Terra de forma a criar condições para a vida humana. Elon Musk, o visionário da Tesla e da SpaceX, anunciou este ano que pretende chegar a Marte em menos de dez anos – e assim que lá chegar promete adaptar o planeta para receber humanos dispostos a iniciar a imigração espacial.

Esta é uma tendência muito nova e o trabalho feito até agora consiste no levantamento de espécies capazes de resistir em ambientes extremos, como micróbios que vivem em temperaturas extremas no deserto do Atacama ou bactérias que se reproduzem em ambientes sem oxigénio nas fontes hidrotermais do fundo do oceano Atlântico. A biologia sintética, outra área de saber em expansão, pode ajudar a manipular organismos artificiais que sejam úteis. Juntamente com os planos detalhados para exploração da Lua e de Marte, é de esperar que se desenvolvam ideias – e experiências – para construir do zero ambientes capazes de criar uma atmosfera com oxigénio, água e alimentos.

Produtos inovadores e surpreendentes
Pó inteligente
São microcomputadores que têm a dimensão de um grão de pó. Podem trabalhar de forma integrada, como uma nuvem de pó, captando e transmitindo informação sobre o meio ambiente (desde imagens a sensores térmicos), que depois é tratada por outras máquinas. Dada a dimensão destas partículas, pode ser até algo que se insere no organismo humano para o estudar sem perturbações de maior.

Cidadanias digitais
A Estónia foi pioneira ao permitir que estrangeiros possam aceder aos seus serviços de cidadania – e em consequência ao mercado europeu. O resultado do "Brexit" pode bem impulsionar uma solução semelhante para os empreendedores do Reino Unido, tal como o crescimento da economia asiática pode promover um esquema semelhante em Singapura para os países vizinhos.

Fio inteligente
Trata-se de um fio utilizado para suturas de feridas que informa remotamente sobre o estado clínico de um paciente, alertando para uma infecção ou antecipando uma situação de emergência como um ataque de coração. É algo que ainda está na mesa de laboratório de várias universidades americanas, mas cujos resultados são muito promissores.

Fonte: [Publico]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Obesidade Mental - Andrew Oitke - Aviso à Navegação


Não existe o tal Andrew Oitke nem a obra Mental Obesity. O artigo é de facto de João César das Neves, efabulação por ele criada e publicada no DN em 22.03.04

Portanto averiguem sempre as fontes. A pequena farsa da "Obesidade Mental"

Reproduzo o texto.

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.». Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.». O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Cyber Angels e Curtis Sliwa



Cyber Angels (em espanhol e inglês) Voluntários especiais patrulham a internet a procura de pornografia infantil, molestadores de crianças e ciber-assediadores. Ajudam vítimas de assédio e de predadores online. Oferecem um local onde os cidadãos da Internet podem informar sobre crimes e conteúdos ilegais online. Recolhem informação sobre sites de abuso infantil e sites que promovam abuso infantil e pedofilia, e compartilham essa informação com organizações e agências que tenham interesse de oferecer aos pais a escolha de bloquear o acesso a esses sites. Ensinam idosos a evitar fraude online e golpes.




Artigos e Sítios
Curtis Sliwa invited to speak at the United Nations on Internet Safety issues. Read
Curtis Sliwa (wikipedia)