O oceano está a aquecer a um ritmo “alarmante”, com consequências para os ecossistemas marinhos, as zonas costeiras e comunidades de todo o mundo, alerta o 10.º Relatório sobre o Estado do Oceano (OSR), divulgado esta quarta-feira pelo programa europeu Copernicus.
O relatório conta com a participação de 125 cientistas de todo o mundo e tem como foco principal o aquecimento dos oceanos, que acelerou desde 1960. Em 2025, o oceano absorveu um recorde de 23 zettajoules de energia, equivalente a cerca de 40 vezes o consumo energético mundial nesse ano.
O aquecimento das águas contribui para a ocorrência de ondas de calor marinhas, pode intensificar tempestades e afeta os ecossistemas, além de contribuir para a subida do nível do mar devido à expansão térmica da água e ao degelo terrestre.
“O oceano está a transformar-se diante dos nossos olhos: O aquecimento, a subida do nível do mar e a degradação dos ecossistemas são sinais interligados de mudanças significativas e de longo prazo. É nossa responsabilidade construir a capacidade permanente de antecipar esta transformação”, indica Pierre Bahurel, diretor-geral da Mercator Ocean International, que produziu o relatório, citado num comunicado do Copernicus, programa de observação da Terra da União Europeia (UE).
Na Europa, o Mediterrâneo apresenta diferenças significativas entre regiões. O Mediterrâneo Ocidental tem registado uma aceleração da subida do nível do mar desde o início dos anos 2000, enquanto a bacia Oriental apresenta uma aceleração acentuada desde 2018.
O relatório destaca ainda a vulnerabilidade dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, cujas economias e meios de subsistência dependem fortemente do oceano. Todas as suas Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) são afetadas pelo aquecimento desde 1960 e 65% da área conjunta está exposta à aceleração da subida do nível do mar desde 1999.
As regiões polares também registam alterações profundas. No Ártico, o Grande Ecossistema Marinho do Mar de Barents perdeu 70% da sua extensão de gelo desde 1982. Na Antártida, a reduzida extensão do gelo marinho registada em 2022 coincidiu com uma falha reprodutiva sem precedentes entre os pinguins-imperador.
O nível médio global do mar aumentou entre 3,5 e 4,1 milímetros por ano entre 1999 e 2025, mas o ritmo acelerou para entre 3,9 e 4,5 milímetros anuais no período de 2012 a 2025. O relatório indica ainda que, entre 1985 e 2025, a acidez dos oceanos aumentou cerca de 17%.
Karina von Schuckmann, diretora do relatório, destaca que, além de fornecer um registo científico, o estudo tem mostrado “como a observação, a modelação e a previsão contínuas, bem como a colaboração científica, podem ajudar as sociedades a compreender o que está a mudar, onde e porquê, a antecipar os riscos futuros e a preparar-se para as suas consequências”.
Na Europa, os mares regionais estão sob intensa pressão, com algumas regiões a mudarem mais rapidamente do que outras.
Em março deste ano, o IPCC já tinha alertado aqui
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