sábado, 3 de janeiro de 2026

Edward B. Gordon

Edward B. Gordon (pintor Alemão, nascido em 1966)
Estilo:
Figurativo contemporâneo; tendência para o realismo expressivo; figuras reconhecíveis, mas não hiper-realistas
Ênfase na atmosfera emocional mais do que na descrição minuciosa
Composições simples, centradas no motivo principal
Em resumo:
O seu trabalho situa-se entre o realismo moderno e uma abordagem intimista, com alguma liberdade pictórica na pincelada.

Temas recorrentes:
Figura humana (isolada ou em pequenos grupos)
Retrato psicológico; momentos de introspeção; relação entre indivíduo e espaço
Por vezes, cenas quotidianas com um tom silencioso ou contemplativo
Em resumo:
As obras tendem a evitar narrativas grandiosas, privilegiando instantes suspensos, emoções contidas e uma leitura subjetiva.

Técnica:
Pintura a óleo; uso de camadas sucessivas (veladuras simples)
Pincelada visível, mas controlada
Paleta cromática moderada, com tons terrosos e neutros
Atenção à luz ambiente mais do que à iluminação dramática
Em resumo:
A técnica serve sobretudo a expressão emocional, não a demonstração virtuosa.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Francesca Albanese e o caminho solitário da rebeldia



Pode ver a minha entrevista com Francesca sobre a reportagem  aqui

(…) Francesca (…) é a bête noire de Israel e dos EUA. Foi colocada na lista do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA — normalmente usada para sancionar os acusados de lavagem de dinheiro ou envolvimento com organizações terroristas — seis dias após a publicação do seu relatório, “Da economia da ocupação à economia do genocídio”.

A lista da OFAC — usada pela administração Trump para perseguir Francesca e em clara violação da imunidade diplomática concedida aos funcionários da ONU — proíbe qualquer instituição financeira de ter alguém da lista como cliente. Um banco que permita que alguém da lista da OFAC realize transações financeiras é proibido de operar em dólares, enfrenta multas multimilionárias e é bloqueado dos sistemas de pagamento internacionais.

No seu relatório, Francesca lista 48 empresas e instituições, incluindo a Palantir Technologies, a Lockheed Martin, a Alphabet Inc., a Amazon, a International Business Machines Corporation (IBM), a Caterpillar Inc., a Microsoft Corporation e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), juntamente com bancos e empresas financeiras como a BlackRock, seguradoras, imobiliárias e instituições de caridade, que, em violação do direito internacional, estão a ganhar milhares de milhões com a ocupação e o genocídio dos palestinianos.

O relatório, que inclui uma base de dados com mais de 1.000 entidades corporativas que colaboram com Israel, exige que essas empresas e instituições rompam os laços com Israel ou sejam responsabilizadas por cumplicidade em crimes de guerra. O relatório descreve a «ocupação eterna» de Israel como «o campo de testes ideal para fabricantes de armas e grandes empresas de tecnologia — proporcionando oferta e procura ilimitadas, pouca supervisão e zero responsabilização — enquanto investidores e instituições privadas e públicas lucram livremente».

Francesca, cujos relatórios anteriores, incluindo «Genocídio em Gaza: um crime coletivo» e «Genocídio como apagamento colonial», juntamente com as suas denúncias apaixonadas do massacre em massa de Israel em Gaza, tornaram-na um alvo fácil. Ela é criticada sempre que se desvia do guião aprovado, incluindo quando manifestantes pró-Palestina invadiram a sede do jornal diário italiano La Stampa enquanto estávamos em Itália.

Francesca condenou a invasão e a destruição de propriedade — os manifestantes espalharam jornais e pintaram slogans nas paredes, como «Palestina Livre» e «Jornais cúmplices de Israel» —, mas acrescentou que isso deveria servir como um «aviso à imprensa» para que fizesse o seu trabalho. Essa qualificação expressou a sua frustração com o descrédito dos media em relação às reportagens dos jornalistas palestinianos — mais de 278 jornalistas e profissionais dos media foram mortos por Israel desde 7 de outubro, juntamente com mais de 700 membros de suas famílias — e a amplificação acrítica da propaganda israelita. Mas isso foi aproveitado pelos seus críticos, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, para linchá-la.

O secretário de Estado Marco Rubio impôs sanções a Francesca em julho.
«Os EUA condenaram e opuseram-se repetidamente às atividades tendenciosas e maliciosas de Albanese, que há muito a tornam inadequada para o cargo de Relatora Especial», dizia o comunicado de imprensa do Departamento de Estado. «Albanese tem espalhado antissemitismo descarado, expressado apoio ao terrorismo e desprezo aberto pelos EUA, Israel e o Ocidente. Esse preconceito tem sido evidente ao longo de toda a sua carreira, incluindo a recomendação de que o TPI, sem base legítima, emitisse mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant.»

«Recentemente, ela intensificou esses esforços escrevendo cartas ameaçadoras a dezenas de entidades em todo o mundo, incluindo grandes empresas norte-americanas dos setores financeiro, tecnológico, de defesa, energético e hoteleiro, fazendo acusações extremas e infundadas e recomendando que o Tribunal Penal Internacional investigasse e processasse essas empresas e os seus executivos», continuou. «Não toleraremos essas campanhas de guerra política e económica, que ameaçam os nossos interesses nacionais e a nossa soberania.»

A Liberdade não se canta: vive-se!


A Liberdade é Acção  
"Os pássaros domesticados cantam sobre a liberdade. Pássaros selvagens voam." - John Lennon

Introdução
Esta breve citação encerra uma reflexão profunda sobre a forma como compreendemos e praticamos a liberdade. No seu aparente contraste simples — cantar versus voar — está implícita uma crítica poderosa aos discursos que exaltam a liberdade sem a concretizar. Este pensamento é particularmente pertinente quando analisado à luz da educação, da ecologia e da sociedade contemporânea.

Educação: ensinar a cantar ou aprender a voar?
Grande parte dos sistemas educativos afirma formar cidadãos críticos, autónomos e livres. Contudo, na prática, muitos continuam assentes em modelos de padronização, obediência e reprodução de conteúdos. Neste contexto, os estudantes tornam‑se “pássaros domesticados”: aprendem o vocabulário da liberdade, do pensamento crítico e da cidadania, mas raramente dispõem de espaço real para questionar, experimentar ou errar.

Uma educação verdadeiramente emancipadora não se limita a falar de autonomia — cria condições para que ela seja vivida. Voar, aqui, significa permitir escolhas, fomentar a curiosidade, aceitar a diversidade de percursos e reconhecer o erro como parte essencial da aprendizagem. Como defendia Paulo Freire, não há educação neutra: ou ela domestica, ou liberta.

Ecologia: discursos verdes em gaiolas douradas
No campo da ecologia, a metáfora de Lennon ganha uma força ainda mais evidente. Nunca se falou tanto de sustentabilidade, biodiversidade e proteção ambiental. No entanto, a degradação dos ecossistemas continua a acelerar. Multiplicam‑se os discursos “verdes”, mas persistem práticas económicas e políticas que mantêm a natureza confinada a uma lógica de exploração.

Cantar sobre a liberdade da natureza traduz‑se em campanhas, relatórios e compromissos internacionais; permitir que os pássaros voem implica respeitar os limites ecológicos do planeta, restaurar ecossistemas e aceitar que nem tudo pode — ou deve — ser controlado.

Uma ecologia autêntica não é apenas declarativa. É prática, ética e relacional. Reconhece que a natureza não precisa apenas de proteção, mas de autonomia funcional.

Sociedade contemporânea: a ilusão da liberdade
Vivemos numa sociedade que se apresenta como livre, aberta e plural. Contudo, muitos dos nossos comportamentos são moldados por algoritmos, padrões de consumo, pressões sociais e medo da exclusão. Fala‑se muito de liberdade de escolha, mas as escolhas são frequentemente condicionadas.

Os “pássaros domesticados” da contemporaneidade repetem discursos de liberdade enquanto permanecem presos a rotinas e expectativas impostas. Já os “pássaros selvagens” são aqueles que ousam questionar, desacelerar, resistir à normalização e viver com coerência entre valores e ações.

Voar, neste contexto, implica responsabilidade, consciência crítica e, muitas vezes, desconforto.

Conclusão: da retórica à prática
A citação de John Lennon lembra‑nos que a liberdade não se esgota na palavra. É uma experiência vivida, construída diariamente nas escolhas individuais e colectivas.

Na educação, na ecologia e na sociedade, o desafio é o mesmo: deixar de apenas cantar sobre a liberdade e criar condições reais para que ela exista. Porque, no fim, não é o canto que transforma o mundo — é o voo.

Aguiar-Branco ataca candidatos presidenciais



O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, criticou os candidatos presidenciais, em especial Luís Marques Mendes. Num artigo publicado no semanário Expresso, Aguiar-Branco confessa-se impressionado com “a rapidez com que o debate tem resvalado para uma lógica de suspeição generalizada sobre os políticos”.

"O escrutínio é indispensável. A desconfiança permanente não”, alega.

“Lançam-se insinuações sobre o percurso pessoal e profissional dos adversários. Exigem-se exercícios de divulgação que em muito transcendem os deveres normais de transparência e prestação de contas. E incute-se, a tudo isto, a ideia de um julgamento ético em praça pública. Confundindo transparência com devassa, responsabilidade política com julgamento moral e escolha democrática com avaliação pública de caráter, obrigando os eleitores a serem juízes da probidade moral dos políticos”, acrescenta.

Aguiar-Branco escreve ainda que, durante a campanha, têm sido abordadas matérias que pertencem exclusivamente à competência do Parlamento, como é o caso de uma eventual revisão constitucional. “Este desvio tem consequências. Ao afastar temas estruturantes do seu enquadramento institucional, criam-se expectativas irrealistas nos cidadãos, confundem-se competên­cias entre órgãos de soberania e enfraquece-se a responsabilização democrática. Produz-se ruído, não clareza. Ausência de responsabilização, não prestação de contas”, considera.

A segunda figura do Estado dirige-se indiretamente a Marques Mendes, que sugeriu uma comissão de ética que decidiria "em situações de graves violações da ética política", ainda antes de ser candidato. “Reconheço que a proposta possa parecer apelativa à primeira vista. Enquanto presidente da Assembleia da República, considero-a inaceitável. Não apenas pelo contexto, mas sobretudo pelo princípio em causa”, considera.

Aguiar-Branco diz que “a democracia assenta num princípio claro: os representantes eleitos respondem politicamente perante os eleitores e juridicamente perante as autoridades competentes, nos termos da lei. Não respondem a instâncias informais, não eleitas e externas ao sistema constitucional”.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Idadismo? Nunca

Uma mulher idosa a caminhar livremente - Porto, Portugal

Bom primeiro dia de Ano Novo! Happy first day of the New Year!

"Sente-te livre por seres idosa,
ramo de sorrisos e rugas.
O que importa não envelhece na pele,
nem repousa nos lábios.
Não tomes isso como castigo divino.

Não rebentes em lágrimas.
O melhor do mundo humano és tu:
acende a lembrança no peito
e fixa o teu rosto na claridade do tempo.

Os sábios sabem:
não há motivo para luto.
A beleza não é um recipiente,
é o fogo que tremula dentro dele.

A tua alma luminosa
deixa-a inteira à vista,
assim eu te amo ainda mais.
Não te entristeças! Não dês ouvidos
às sentenças dos espelhos!

Tu és a mais bela!

João Soares, 01.01.2026

Paz ecológica e paz interior


Em cada 1º dia de Janeiro, crio uma lista de objectivos e medito sobre este dia, Dia Mundial da Paz. Preencho o dia escutando música. A música, independentemente do estilo, oferece uma playlist de aprendizado e reflexão. Cada canção ajuda-nos a perceber diferentes dimensões da paz: a empatia, a atenção ao mundo, a consciência da memória ecológica, a capacidade de escutar e respeitar o espaço do outro, e a necessidade de transformação pessoal e colectiva. Aqui segue o texto e a minha sugestão de playlist.

Paz ecológica e paz interior
Quando pensamos em paz, muitas vezes imaginamos apenas a ausência de guerra. Mas a paz é também a capacidade de habitar o mundo sem o ferir e de habitar-nos sem ruído excessivo. Em tempos de crises ecológicas e sociais, aprender a escutar tornou-se uma prática ética, quase revolucionária.

O pós-punk, nascido da fratura e da inquietação urbana, pode parecer sombrio à primeira audição. Mas é precisamente aí que mora a sua lição: recusar o excesso, escutar o vazio e sentir a tensão antes que ela se torne destruição. Entre riffs secos e atmosferas introspectivas, encontramos ensinamentos sobre respeito ao mundo e a nós mesmos.

A música pode refletir a terra ferida e a memória do que perdemos. Canções como “Cities in Dust” dos Siouxsie and the Banshees lembram-nos que civilizações desaparecem, mas deixam vestígios que não podemos ignorar. “Requiem” do Killing Joke é um grito diante do colapso ambiental e social, enquanto “A Forest” do The Cure transforma a natureza em labirinto, mostrando-nos que quando nos perdemos, percebemos a importância da atenção e do cuidado. A paz ecológica é, assim, reconhecer os limites antes que seja tarde demais.

O silêncio e o espaço são fundamentais tanto na música quanto na natureza. Álbuns como “Spirit of Eden” do Talk Talk respiram, respeitam o tempo e o espaço entre as notas — como um ecossistema saudável. Canções como “The Colour of Spring” de Mark Hollis mostram a fragilidade e a atenção às nuances, lembrando-nos da interdependência do mundo natural. E “An Ending (Ascent)” de Brian Eno cria uma paisagem sonora que coexiste sem dominar, ensinando que escutar é, de fato, um ato ecológico.

A paz do mundo começa na paz do indivíduo. Joy Division, em “Atmosphere”, convida-nos a caminhar com cuidado entre os outros, reconhecendo limites e espaço alheio. “Silent Air” do The Sound faz do ar uma metáfora de equilíbrio interior: invisível, mas essencial. E “Faith” do The Cure mostra que aceitar a fragilidade é uma forma de resistência, uma paz construída dentro de nós mesmos.

Mesmo na melancolia do pós-punk, há sinais de reconciliação e esperança. “I Believe in You” do Talk Talk funciona como uma oração laica, celebrando a vida e a esperança. “Second Skin” dos Chameleons lembra-nos da necessidade de transformação e adaptação, como a própria natureza nos ensina.

Em última análise, a paz, seja ecológica ou interior, não se proclama: pratica-se. Nas nossas escolhas, na forma como caminhamos pelo mundo, como consumimos e até como ouvimos música, reside o poder de transformação. O pós-punk, com a sua intensidade e sensibilidade, ensina que menos ruído é mais sentido, e que talvez a revolução mais urgente seja voltar a ouvir o mundo antes que ele se cale.

Chen-Wen Cheng

Biografia

A mística e a educação ambiental na conservação da natureza


A mística e a educação ambiental na conservação da natureza

Resumo
A crise socioambiental contemporânea evidencia os limites de abordagens exclusivamente técnico-científicas na conservação da natureza. Neste contexto, a mística — entendida como uma experiência profunda de conexão, sentido e transcendência na relação ser humano–natureza — emerge como um elemento relevante para a educação ambiental. Este ensaio analisa o papel da mística na educação ambiental e sua contribuição para a conservação da natureza, defendendo que dimensões simbólicas, éticas, espirituais e afetivas são fundamentais para promover mudanças duradouras de valores, atitudes e práticas socioambientais.

Palavras-chave: mística; educação ambiental; conservação da natureza; ética ambiental; espiritualidade ecológica.

1. Introdução
A degradação ambiental, a perda de biodiversidade e as alterações climáticas colocam desafios complexos à humanidade. Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, observa-se uma persistente distância entre o conhecimento ambiental e a transformação efetiva dos comportamentos sociais. Tal cenário tem levado educadores e investigadores a questionar modelos de educação ambiental centrados apenas na transmissão de informação e no racionalismo instrumental.

Neste contexto, a mística surge como uma dimensão frequentemente marginalizada no campo académico, mas historicamente presente nas relações humanas com a natureza. Diferentes culturas, tradições espirituais e movimentos sociais reconhecem a experiência mística como fonte de sentido, compromisso ético e cuidado com o mundo natural. Este ensaio propõe reflectir sobre a articulação entre mística, educação ambiental e conservação da natureza, argumentando que a integração desta dimensão pode fortalecer processos educativos mais críticos, transformadores e emancipatórios.

2. Compreendendo a mística no contexto socioambiental
A mística pode ser compreendida como uma experiência de profundidade existencial caracterizada pela sensação de unidade, interconexão e pertença a uma totalidade maior. No contexto ambiental, essa experiência manifesta-se na relação sensível e ética com a natureza, percebida não apenas como recurso, mas como comunidade de vida.

Diferentemente de uma abordagem estritamente religiosa, a mística ecológica pode assumir formas laicas, interculturais e plurais. Ela expressa-se no encantamento diante da biodiversidade, no silêncio contemplativo, no cuidado com os ecossistemas e na reverência pela vida. Autores da ecologia profunda e da ética ambiental defendem que tal experiência é essencial para superar a lógica utilitarista que sustenta a crise ecológica.

Assim, a mística não se opõe à ciência, mas complementa-a, oferecendo uma base simbólica e afetiva para a construção de valores ecológicos e de uma ética do cuidado.

3. Educação ambiental: limites e possibilidades
A educação ambiental consolidou-se como um campo interdisciplinar voltado para a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a sustentabilidade. No entanto, práticas educativas excessivamente normativas, informativas ou tecnocráticas tendem a produzir resultados limitados, sobretudo quando desconsideram as dimensões emocionais, culturais e espirituais dos educandos.

A incorporação da mística na educação ambiental amplia suas possibilidades pedagógicas, ao favorecer experiências vivenciais, sensoriais e reflexivas. Caminhadas interpretativas, atividades de imersão na natureza, narrativas simbólicas, arte, rituais ecológicos e momentos de silêncio são exemplos de práticas que podem despertar vínculos afetivos e sentido de responsabilidade ecológica.

Essa abordagem contribui para uma educação ambiental que não apenas informa, mas transforma, ao tocar dimensões profundas da subjetividade humana.

4. Mística e conservação da natureza
A conservação da natureza depende, em grande medida, de escolhas éticas e políticas fundamentadas em valores. A mística pode atuar como força mobilizadora, capaz de inspirar atitudes de respeito, cuidado e solidariedade interespécies. Comunidades tradicionais e povos indígenas, por exemplo, frequentemente articulam práticas de conservação a cosmovisões espirituais que reconhecem a sacralidade da natureza.

Ao integrar a mística à educação ambiental, promove-se uma mudança de paradigma: da dominação para a convivência, da exploração para o cuidado, da fragmentação para a interdependência. Tal mudança é crucial para sustentar estratégias de conservação que sejam socialmente justas, culturalmente sensíveis e ecologicamente eficazes.

5. Considerações finais
A mística, enquanto experiência de conexão profunda com a natureza, constitui um elemento potente para a educação ambiental e a conservação da natureza. Sua integração no campo educativo contribui para superar reducionismos racionalistas e fortalecer uma ética ecológica baseada no cuidado, na responsabilidade e na pertença à comunidade da vida.

Este ensaio defende que a educação ambiental deve reconhecer e valorizar a dimensão mística como parte legítima dos processos formativos, promovendo abordagens pedagógicas integradoras, críticas e sensíveis. Num contexto de crise civilizatória, a reconciliação entre conhecimento, sensibilidade e espiritualidade pode representar um caminho fecundo para a construção de sociedades mais sustentáveis.

Referências bibliográficas

Blood Orange - The Field


The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)

Feel it every day
And the sun keeps you warm

Hard to let you go
See you and I know why it's always grey (it's always grey, it's always)
Hard to let you go (oh)
Healthy as we pray (yeah) for a journey home (for a journey home)
For a
Oh

Sing to me
In the heat of the sun
In the heat of the sun
And sing to me
Sing to me
When the day is done
The day is done
Sing to me

Hard to let you go (hard to let you go)
See you and I know why it's always grey (oh)
Why it's always grey (hard to let you go, and sing to me)
Hard to let you go (ah)
Healthy as we pray (ah) for a journey home (home, oh)

Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (hmm)
When the day is done
Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (oh)
When the day is done
(In the end of day)

"The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)", de Daniel Caesar, transforma a imagem de um campo rural num espaço simbólico de refúgio emocional e saudade. O verso “Hard to let you go / See you and I know why it's always grey” (“Difícil deixar você ir / Vejo você e entendo por que está sempre cinza”) mostra como a ausência de alguém querido traz uma melancolia constante ao cotidiano. Essa ideia é reforçada por Dev Hynes (Blood Orange), que descreveu a faixa como uma canção sobre “aqueles que sentimos falta quando fechamos os olhos”.

O pedido repetido “Sing to me” (“Cante para mim”) funciona como um apelo por conforto e conexão, sugerindo que a música e a memória ajudam a suavizar a dor da ausência. O sample de “Sing to Me”, do The Durutti Column, intensifica o clima nostálgico e contemplativo da faixa. A colaboração entre artistas de estilos diferentes enriquece a emoção da música, trazendo diferentes perspectivas sobre perda e esperança. A menção ao “journey home” (“jornada para casa”) pode ser entendida tanto como o desejo de reencontrar alguém quanto como uma busca interna por paz. Assim, “The Field” constrói uma narrativa sensível sobre lidar com a tristeza, encontrando consolo nas lembranças e no ambiente sereno do campo.

Bedroom - In My Head


Filmagens da série Britânica The End of the Fucking World

In My Head
Bedroom

Day to day, it won't leave
Everytime, I try to speak
It consumes my mind
It consumes my soul
It wants my life it wants complete control

Somebody help me before it's bad
Somebody help me before I end up dead
I feel alone, all of the time
It's still quiet, lurking inside
I'm a walking contradiction

Everything I say is an affliction to him
Somebody help me before it's bad
Somebody help me before I end up dead

Conflito interno e busca de alívio em “In My Head”
A música “In My Head”, de Bedroom, aborda de forma direta o peso das batalhas internas e o impacto dos pensamentos intrusivos na saúde mental. O trecho “It consumes my mind / It consumes my soul / It wants my life it wants complete control” (“Isso consome minha mente / Isso consome minha alma / Isso quer minha vida, quer controle total”) mostra como esses pensamentos não apenas ocupam a mente do narrador, mas ameaçam dominar toda a sua existência. Esse conflito reflecte o medo de perder o controle sobre si mesmo, um tema central para quem enfrenta crises emocionais.

A canção também destaca o isolamento e o desespero por ajuda, evidenciado nos versos “Somebody help me before it's bad / Somebody help me before I end up dead” (“Alguém me ajude antes que piore / Alguém me ajude antes que eu acabe morto”). O pedido repetido por socorro reforça a urgência do sofrimento. Já a frase “I'm a walking contradiction / Everything I say is an affliction to him” (“Sou uma contradição ambulante / Tudo que digo é um sofrimento para ele”) revela o conflito interno e a dificuldade de lidar com sentimentos opostos. O tom sombrio e introspectivo da música transforma “In My Head” num retrato honesto das lutas silenciosas enfrentadas por quem convive com problemas de saúde mental.

A Political Strategy for Degrowth


I agree with what Jason Hickel wrote in a recent blog, that we need a mass political party that would implement a degrowth agenda, and that currently the degrowth movement does not have a political agenda or capability. I also agree with Anitra Nelson, Vincent Liegey and Terry Leahy when they wrote that degrowth is a movement. Degrowth is a movement as much as Civil Rights, Marriage Equality, or the Sunrise Movement were or aremovements whether or not they were organized as political parties.

When we proposed last year that all degrowthers should join forces in solidarity, the very first point of our proposal was to decouple recognition from status and merit because we believed, and I still do, that comradery and understanding should be based on egalitarian principles. This proposal has been received with lackluster understanding and support.

More recently, I have advocated for a synergy of bottom-up and top-down strategy. Bottom-up is close to the horizontal anarchist position, however it follows scales from local to regional and (inter)national, rather than political hierarchies. It means that strategy would start at the local. Conversely top-down means strategy begins at the largest scale, being operationalized by respective large-aim institutions.

Here, I would like to add specificity to the idea of building mass parties which builds on the recognition of the tremendous effort that has been done by degrowth activists and practitioners, many of whom work for free, while also having to make a living. These mass parties need both bottom-up engagement, and top-down policy design. Yes, we have to take power, but we cannot do it without mass engagement. We already know that degrowth is popular and its label is a strength not a weakness as many have remarked already.

The 28% support in the US for the label “degrowth” without a description attached is as meaningful as the concept of “free buses” from Zohran Mamdani, the Mayor-elect of New York. Both concepts need to be elaborated in order to make full sense. Degrowth is not more jargony than “free buses”. It just needs unpacking and after it is unpacked it is as good as “free buses” if not better.

The upcoming degrowth-friendly parties should consider the following:
1.Governance based on qualified sortition (random selection)
Roger Halam, co-founder of Extinction Rebellion, Just Stop Oil, Insulate Britain recently said to Novara Media that he is a strong advocate for sortition and he is confident that people selected at random will rise up to the task. Sortition, which is basically a formation of government through various forms of selection by lottery, has been discussed by many authors. Just to name a few: Against Elections by David Van Reybrouck, Legislature by Lot: Transformative Designs for Deliberative Governance edited by John Gastil and Erik Olin Wright, The Trouble With Elections by Terry Bouricius, and George Monbiot in a Guardian article.

The qualification part would be something determined by the entire collective, from a minimum time spent in the organization or not working in executive capitalist jobs. People who meet these qualifications would be placed on sortition lists from which governance bodies would be selected at random, while observing desirable demographics.

Your Party UK has used sortition for the selection of their inaugural launch conference. Let us be super frank: representative democracy is a failure and elections are a circus. If we want to reform democracy, elections have to be abolished. Getting degrowth done would require a separation of policy writing from policy selection. People who write policy should not be the same who vote on turning policy into law.

I cannot stress this enough: a Leninist-type party ran by a camarilla of degrowth cadres and experts defeats the purpose of the political revolution. The mass party must be of the people, by the people, and for the people with governance by sortition.

2. Running popular platforms hard on limitarian policies.
Free buses, rent freezes, and freehealthcare are policies that can win elections. However, all policy ideas, no matter how good or popular they are, can be co-opted by right-wing media and capitalist elites. Degrowth itself is painted with red scare and is associated with austerity by capitalists. A mass party should lead, loud and clear with the idea that having too much is a really bad idea that carves into the liberties and wellbeing of decent citizens and into the resilience of life on Earth. A mass party must lead with anti-capitalist policy proposals and the degrowth label. Moreover, since degrowth owns such a wide canvas of policy instruments, the ones that hit the right-wing ethos hardest are those from the limitarian space: limits on wealth and rationing.

Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction continue to be the most popular policies from the degrowth toolkit. They are not exclusionary but rather should be advanced together in the agenda of a mass party. The Job Guarantee may be the easiest to promote, even if it is at $15 hourly pay as suggested for the US by L. Randall Wray in Understanding Modern Money Theory (2025). In all cases, the mass party must include caps on wealth and forms of material rationing.

3.Running candidates in jurisdictions where centrists often rotate with right-wingers.
In Canada, Mark Carney’s Liberal Party won this year not because people love them, but because center-left and left voters who usually vote for the New Democratic Party (NDP) really hated the Conservatives. Similar story in the UK. However, the NDP is not too friendly to degrowth, since they are trying to sideline an ecosocialist degrowther anti-Zionist candidate from their current leadership race.

In Canada and the UK, there is no real alternative to the centrist status quo that has won elections. If a mass party that leads with degrowth policies ran candidates in jurisdictions like these, they stand real chances at winning local and general elections. Perhaps the Green Party UK and Your Party UK are poised to fill this gap. They should be infiltrated by degrowthers and swayed onto a committed path for degrowth.

We should not have to read more books such as More and More and More by Jean-Baptiste Fressoz about the delusions of the energy transition, or books such as The Long Heat by Andreas Malm and Wim Carton about the perils of techno-optimism, to be finally convinced that owning the degrowth label and the toolkit of degrowth policy instruments requires courage and vision.

4. Joining or creating an international political alliance, such as DIEM25 or Progressive International.
We already have the International Degrowth Network (IDN) but it does not function like DIEM25 or Progressive International. It does not collect membership fees, it does not have paid staff, and it does not run political candidates. Upgrading the sociocratic aims of IDN towards a political organization could be the strategy to be considered. Alternatively, IDN members and degrowthers at large could join DIEM25, Progressive International or various ecosocialist parties and infuse these organizations with degrowth. In all cases, the degrowth label should be owned by those advocating for it, and must be qualified and unpacked as the occasion requires.

5. Leaders should not be tainted with perceptions of elitism and credentialism.
A sortition-based governance structure would weed out opportunists and status seekers. Socialist parties are not immune to corruption and special interests. Only sortition can mitigate these risks. Policy making cannot be, as a matter of principle, an affair run by the elite policy wonks. In the Bouricius sortition model, experts can still offer significant input in policy making, but they would not be elected into leadership positions.

6. Significant effort should be deployed to popularize ethics of sufficiency.
Before sortition is realized, when we accept the compromise with representative democracy based on elections, political leaders would have to recognize ethics of sufficiency that are shared by humans that have not been duped by consumerism and material status signaling. The imperial mode of living is something real, even if we choose to place responsibility on the design of capitalism instead on individual lifestyle choices. The imperial mode of living refers to a way of life in the Global North that relies heavily on the exploitation of resources and labor from the Global South, leading to ecological and social inequalities. It highlights how everyday consumption practices are intertwined with global power dynamics and the unsustainable nature of capitalism.

In this approach, degrowth can be presented as an ethic of liberation from the oppression of material status signaling, and expansion of social agency (more personal freedom in a social context). Work Time Reduction, for example, is a great public relations tool for degrowth but it must be framed in a dematerialized and decommodified economy. The same applies to UBI, UBS, and JG.

7. Nifty memes and bitesize ideas must complement storytelling and policy unpacking.
A mass party should not be afraid to embrace simple ideas that can capture the imagination of the people. Something along these lines: What if all products imported from the Global South had QR codes on them that would take you to a website where you could see the working conditions of those humans who made that thing, their names, their salaries, their living conditions, their health status, how much free time they have with their families? What if the same QR code showed you the wealth of the owners of those companies, their names, and their living conditions? Would you still buy that thing? Would you still want to keep this economic system? Moving the imagination of supporters for the mass party toward empathy and an egalitarian global ethic may be the key towards the much-needed delinking of the Global South from the Global North, as I understand them in their geographical sense.

8. Designing policy that aims at the fundamental causal structure of capitalism.
In the bottom-up vs top-down integrative approach, the bottom-up part is experiential and the top-down is structural. The mass parties must offer the experience of a new kind of politics and society, by actually showing up for local causes, listening to its members and citizens at large, and being influenced by them via crowd-sourcing policy proposal. I have suggested a tool for such purpose in the form of a crowd-sourced policy cloud.

Mass parties should be friendly and welcoming, not exclusionary and dogmatic. At the same time, they must aim at redesigning the structure of the economy by attacking and dismantling capitalist hierarchies, by decoupling power from property, and by halting the dispossession of private and common property by capital. Even if Universal Basic Income, Universal Basic Services, Job Guarantee, and Work Time Reduction were all implemented, they may remain confined within national borders. Decolonisation and delinking must also be at the center of strategy.

Where would these mass parties start
To conclude, where would these mass parties start? In which country? In Romania, my country of origin, where the far-right party leads in polls by close to 40% and where there is no party on the left, not even center-left? In Germany, France, Italy? In India or China? Once we deploy the heavy anchor of reality we are hit with terrifying apparent impossibilities. The answer is all of the above, with various caveats. Some countries have parties that may be swung further towards degrowth. Others need the invention of new parties from scratch, such as Romania and Canada. In all cases, a political strategy for a mass party must emerge from the mass of people that it is supposed to serve.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Selah Sue - Reason


Selah Sue fala abertamente sobre: 
  1. saúde mental, especialmente ansiedade e depressão 
  2. autenticidade e autoaceitação 
  3. direitos humanos e igualdade, incluindo justiça social 
Ela tem sido bastante transparente sobre a própria experiência com problemas de saúde mental, ajudando a reduzir o estigma em torno do tema.

Reason é o segundo álbum de estúdio da artista belga Selah Sue. Distribuído pela Warner Music Group, foi editado pela Because Music a 26 de março de 2015.


Reason look at her
(Reason look at her)
And tell her what to do
(What to do)
So she can come back to life
(So she can come back to life)
And won't feel sad no more
(And won't feel sad no more)

She feels lost in her.. darkness
She feels bad in her.. darkness
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Reason come back to her
Please tell her where to go
So she can find find a place
So she can find a place
Where she won't feel bad no more
She feels lost in her darkness
She feels bad in her darkness

Give her the reason
Just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on
In the end she should know
That she is drowning in sorrow, oh
Alone
So let's change her faith
And make all

She feels lost
(In her darkness)
She feels bad
(In her darkness)

Give her the reason
just give her the reason to hold on
Give her the reason
Just give her the reason to hold on

Crise climática faz com que estâncias de esqui tenham de repensar modelo de negócio

Uma das pistas que acolherá os Jogos Olímpicos de inverno em Cortina d'Ampezzo 

A poucas semanas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de inverno em Milão-Cortina, prevista para 6 de fevereiro, as pistas da "pérola das Dolomitas" estão cobertas de neve. No entanto, o manto branco típico dos invernos de montanha nem sempre acompanha os turistas e os esquiadores.

Actualmente, é habitual contentarmo-nos com a presença de neve limitada às encostas. E, cada vez mais frequentemente, mesmo nas pistas, é garantida pela produção artificial de neve, o que impõe um aumento dos custos económicos e ambientais, com repercussões também nos preços dos passes de esqui. Assim, o esqui está a tornar-se um desporto reservado apenas àqueles que podem pagar preços incomportáveis para a maioria dos europeus.

A maior parte das estâncias que acolheram os Jogos Olímpicos de inverno deixarão de o poder fazer
Mesmo na famosa estância de esqui da província de Belluno, as alterações climáticas estão a tornar a queda de neve mais rara e as temperaturas mais elevadas. Um problema que afeta todo o arco alpino. O próprio COI, o Comité Olímpico Internacional, reconheceu o impacto do aquecimento global, causado principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás.

Inevitavelmente, a própria geografia dos Jogos Olímpicos será afectada. Desde 1924, vinte e um locais acolheram os Jogos de inverno. Um estudo publicado na revista científica Taylor & Francis - realizado por investigadores da Universidade de Waterloo, no Canadá - explica que, se não forem tomadas medidas rápidas e drásticas para combater as alterações climáticas, apenas quatro desses locais continuarão a ser adequados em meados do século.

São elas Lake Placid (Estados Unidos), Lillehammer e Oslo (Noruega) e Sapporo (Japão). Para todos os outros, entre o calor e a falta de neve, será simplesmente impossível voltar a acolher os cinco anéis olímpicos, se a temperatura média global aumentar 4 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais. E, em 2080, apenas a estância de esqui japonesa o poderá fazer.

E não é só isso: mesmo que o Acordo de Paris seja respeitado, ou seja, limitando o aquecimento global a um máximo de 2 graus Celsius, apenas nove locais "olímpicos" poderiam voltar a acolher o evento desportivo em 2050 (apenas oito em 2080).

Itália, França, Suíça, Áustria: quanto vale a economia dos desportos de inverno na região alpina
No entanto, os Jogos só se realizam de quatro em quatro anos e durante apenas algumas semanas. No entanto, para quem vive da economia do esqui, os problemas são uma realidade quotidiana.

Os Alpes são o centro nevrálgico do turismo de inverno europeu. Segundo o Plano de Ação da UE para a região alpina, nela vivem 80 milhões de pessoas (cerca de 15% da população total da UE). E abrange 48 regiões em cinco Estados-Membros (Alemanha, França, Itália, Áustria e Eslovénia), bem como dois países terceiros (Liechtenstein e Suíça). A região alberga também um dos recursos hídricos mais importantes da Europa e uma biodiversidade inestimável.

O Instituto de Investigação Demoskopica prevê um total de cerca de 30 milhões de chegadas do estrangeiro e mais de 93 milhões de presenças nas estâncias de esqui em Itália para a época de 2025-2026, de acordo com a associação profissional Assosport.

A mesma análise indica uma despesa turística direta de quase 15 mil milhões de euros.

Em França, os números são semelhantes, com cerca de 10 mil milhões de euros de volume de negócios, que incluem os teleféricos, o alojamento, a restauração e o aluguer de equipamentos. O setor assegura igualmente (direta e indiretamente) mais de 120 mil postos de trabalho.

Também em solo transalpino, nas estâncias de esqui, uma média de 75% do volume de negócios dos hoteleiros está ligada aos desportos de inverno. Esta percentagem aumenta para 85% no caso das lojas de desporto e para 95% no caso dos teleféricos.

Da mesma forma, na Áustria, estima-se que o turismo de inverno gere um volume de negócios de 12,6 mil milhões de euros, empregando 250 mil pessoas, ou seja, 7,6% do emprego total a nível nacional. Também na Suíça, estima-se que o setor represente uma parte não negligenciável da economia do desporto, que na confederação suíça representa um valor total de cerca de 17 mil milhões de francos suíços (18,3 mil milhões de euros).

Quais são os países europeus com mais estâncias de esqui e mais esquiadores?
No que respeita às estâncias de esqui, de acordo com os dados publicados pelo portal Statista, a Alemanha é o país europeu que acolhe mais estâncias de esqui. São 498, contra 349 em Itália e 317 em França. Completam o top 10 a Áustria (253 áreas de esqui), a Suécia (228), a Noruega (213), a Suíça (181), a Finlândia (76), a Eslovénia (44) e a Espanha (32).

Em termos de quilómetros de pistas para o esqui alpino, é Sestriere, na província de Turim, que detém o recorde, com um total de 400 quilómetros. Em segundo lugar estão duas estâncias suíças: Zermatt, com 360 quilómetros, e St. Moritz, com 350 quilómetros.

Alemanha tem o maior número de esquiadores, seguida da França e da Itália
A Alemanha detém outro recorde: o do número de pessoas a esquiar. De acordo com os dados atualizados para a época de inverno de 2020/2021, trata-se de uns impressionantes 14,6 milhões de pessoas. Este número é significativamente superior aos 8,5 milhões da França, aos 7,2 milhões da Itália e aos 6,3 milhões do Reino Unido.

No entanto, os números mudam significativamente se olharmos para os números em função da população: é o Liechtenstein que tem a percentagem mais elevada, com 36%, seguido da Suíça, com 35%. Em terceiro lugar está a Áustria, com 34%, à frente de alguns países escandinavos. Seguem-se França (13%), Itália (12%), Bélgica (11%), Reino Unido (10%), Espanha (5%) e Portugal (apenas 2%).

Áustria é o maior exportador de equipamento desportivo
Outro dado que dá uma ideia clara do peso da indústria do turismo de inverno é a exportação de equipamento desportivo. Os últimos dados disponíveis são relativos a 2019 e mostram que a Áustria é claramente o país que mais exporta, com 334 milhões de euros. França situa-se nos 100 milhões, Alemanha nos 91 milhões e a Itália nos 54 milhões.

É por isso que os impactos das alterações climáticas serão particularmente pesados para a economia. Um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature Climate Change explica que, de um total de 2 234 estâncias de esqui existentes na Europa, 53% não poderão contar com neve suficiente, mesmo com um aquecimento climático de apenas 2 graus Celsius. Em particular, um terço das estâncias de esqui dos Alpes franceses estará condenado, enquanto nos Pirinéus essa percentagem atingirá os 89%.

Se a temperatura média global aumentar 4 graus em relação aos níveis pré-industriais, quase todas as estâncias europeias não poderão contar com uma quantidade suficiente de neve: 98%.

Alterações climáticas afectarão os ecossistemas e as economias das montanhas
"Há uma variabilidade de região para região, mas podemos identificar três grandes categorias de maciços montanhosos na Europa ", diz François Hugues, investigador do Inrae (Instituto Nacional Francês para a Agricultura, Alimentação e Ambiente), à Euronews. "Um grupo que tem altitudes e condições bastante favoráveis, estamos a falar, por exemplo, dos Alpes interiores, principalmente em França, Suíça e Áustria".

"Um segundo grupo", continua o especialista, "inclui situações intermédias, que são muito mais vulneráveis às condições climáticas, como é o caso dos Alpes eslovenos ou dos Pirinéus. Por fim, há territórios que a crise climática já levou ao limite: as montanhas da Península Ibérica ou os Apeninos em Itália. Se o segundo grupo ainda tem alguma margem de manobra, para o segundo, sujeito a escolhas locais destinadas a apoiar certas zonas, é difícil prever retornos económicos positivos continuando a apostar nos desportos de inverno."

Em muitas estâncias, já estão a ser feitas tentativas para atenuar o problema com neve artificial. No entanto, já em 2007, um estudo da OCDE tinha salientado a chamada "regra dos cem dias", ou seja, a ideia de que uma zona deve poder contar com cem dias por ano de abertura, com pelo menos 30 centímetros de neve natural. Caso contrário, é difícil obter a rentabilidade esperada.
Neve artificial, apenas uma solução parcial e não isenta de custos económicos e ambientais

A neve disparada por canhões pode, portanto, ser um apoio, mas não um substituto e o preço deve ser tido em conta: "Para fazer neve numa encosta com um quilómetro de comprimento, cerca de 50 metros de largura e 40 centímetros de espessura, o custo varia entre 30 e 40 mil euros", explica a agência Agi.

Segundo a qual, "o custo de produção da neve artificial varia de 2 a 3,8 euros por metro cúbico, dependendo da temperatura e da humidade do ar. Com estes valores, a produção é de 2,5 metros de neve por metro cúbico de água. O custo da neve por hectare é de 15 mil euros".

"Os custos associados à produção de neve (artificial ) propriamente dita são, de qualquer modo, relativamente marginais em relação aos custos globais de exploração de uma estância de esqui", salienta Hugues. "Mas há também um fator ambiental a ter em conta, que está ligado aos recursos hídricos e à sua disponibilidade. De facto, é muitas vezes necessário criar lagos artificiais para poder dispor da água necessária, e estas obras representam um custo não negligenciável. Em geral, portanto, mesmo para as estâncias menos afetadas pelas alterações climáticas, é necessário repensar os modelos de negócio e adaptá-los às consequências do aquecimento global".

Neve artificial - uma enorme pegada hídrica 
A World Wide Fund for Nature (WWF) sublinhou precisamente o impacto em termos de recursos hídricos da neve disparada por canhões: "para a produção básica de neve (cerca de 30 centímetros de neve, muitas vezes mais) de uma pista de um hectare, são necessários pelo menos um milhão de litros de água, ou seja, mil metros cúbicos. Enquanto a produção de neve subsequente exige, consoante as situações, um consumo de água consideravelmente superior, que corresponde aproximadamente ao consumo anual de uma cidade de 1,5 milhões de habitantes."

É por esta razão quea União Europeia, na revisão do seu plano de ação para a região alpina, contido numa comunicação de 11 de dezembro de 2025, sublinhou que, face à pressão da crise climática, "a gestão comum e bem coordenada dos cursos de água transfronteiriços é essencial para assegurar a proteção integrada, a melhoria e a recuperação dos recursos hídricos e dos seus ecossistemas, e é fundamental para a resiliência e a segurança da água na Europa."

A eletricidade é necessária para fazer funcionar os canhões e as lanças, o que leva a um aumento do consumo e consequentes emissões de gases com efeito de estufa. Contribuindo assim para o círculo vicioso que alimenta a crise climática. De facto, calculou-se no passado que, para nevar artificialmente todo o arco alpino, seriam necessários cerca de 600 GWh, o que equivale ao consumo anual de 130 mil agregados familiares de quatro pessoas.

Custos dos passes de esqui estão a aumentar na Europa: +34,8% em dez anos
As despesas de esqui na Europa aumentaram em média 34,8%, muito acima da inflação, desde 2015, com os maiores aumentos na Suíça, Áustria e Itália. De tal forma que muitas das principais estâncias tornaram-se inacessíveis para a maioria dos turistas.

"O esqui vai tornar-se um desporto para os ricos ", explica Christophe Clivaz, professor da Universidade de Lausanne, ao Valori.it. Na verdade, "já o é, mas vai sê-lo cada vez mais, porque os custos de manutenção das pistas vão aumentar. Sem contar que para esquiar é preciso comprar ou alugar esquis e botas. E depois casacos, calças, luvas, óculos de proteção. Já hoje, num país como a Suíça, uma grande parte da população não tem meios para esquiar, sobretudo as famílias numerosas."

Segundo a associação de defesa do consumidor Assoutenti, um passe diário de esqui para o "Dolomiti Superski", que garante o acesso às doze estâncias das Dolomitas, custa atualmente 86 euros por dia, contra 67 euros em 2021.

Em Roccaraso, Abruzzo, em Itália, o preço de um bilhete semelhante atinge os 60 euros. O mesmo bilhete em 2021 custava 47 euros e no ano passado 58 euros. Em Livigno, na fronteira com a Suíça, registou-se o maior aumento: de 52 euros em 2021 para 72 euros em 2025 (mais 38%).

Os operadores das estâncias de esqui alpinas onde continuará a ser possível esquiar, conclui Hugues, "atrairão turistas ricos de mais longe, clientes provenientes, por exemplo, do Reino Unido, mas também de Espanha ou da Grécia, países onde será cada vez mais difícil esquiar. Isto pode ser positivo do ponto de vista económico, mas vai complicar as coisas do ponto de vista ambiental e climático, uma vez que irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa associadas às viagens turísticas, alimentando ainda mais as alterações climáticas."

Para visualizar os gráficos da Statista aqui

Contracto de Arrendamento da Alma: Actualização 2026

Feliz 2026

Cláusula 1ª (Da Sobrevivência): O presente contrato não garante que o Utilizador chegará a 2027. O serviço é fornecido "tal como está", com bugs graves no sistema de saúde e falhas críticas na conta bancária.

Cláusula 2ª (Das Desilusões Obrigatórias):
• §1º: O Utilizador aceita que 70% das suas novas "metas" serão abandonadas até ao dia 15 de janeiro. Os restantes 30% serão ignorados por pura falta de vontade de viver.
• §2º: Fica estabelecido que qualquer tentativa de "encontrar o amor da sua vida" resultará apenas em novos traumas, despesas em terapia e subscrições inúteis no Tinder.

Cláusula 3ª (Da Obsolescência Programada):
• O seu corpo continuará a degradar-se. Ao aceitar 2026, o Utilizador concorda em sentir dores nas costas por ter dormido "mal" e em ter ressacas de três dias após beber dois copos de vinho barato.

Cláusula 4ª (Do Apocalipse e Outros Eventos Sociais):
• A Administração de 2026 reserva-se o direito de introduzir novas pandemias, guerras mundiais ou invasões alienígenas apenas para testar se o Utilizador ainda consegue manter a fachada de "está tudo bem" no LinkedIn.

Cláusula 5ª (Política de Terminação):
• Não há botão de "Sair". O tempo passará de forma agonizante durante as reuniões de trabalho e de forma instantânea durante o tempo livre. Se não estiver satisfeito, a reclamação deve ser feita por escrito e enviada diretamente para o vácuo existencial.

[ ] Li e aceito que vou continuar a ser um figurante neste simulador de caos chamado vida, mas assino porque a alternativa é ainda mais aborrecida.

Type O Negative - The Green Man


Mitologia sobre o Green Man

Green Man

Spring won't come, the need of strife
To struggle to be freed from hard ground
The evening mists that creep and crawl
Will drench me in dew and so drown

I'm the green man
The green man

Sun in prime sweet summertime
Cast shadows of doubt on my face
A midday sun, its caustic hues
Refracting within the still lake

Autumn in her flaming dress
Of orange, brown, gold fallen leaves
My mistress of the frigid night
I worship pray to on my knees

Winter's breath of filthy snow
Befrosted paths to the unknown
Have my lips turned true purple
Life is coming to an end
So says me, me wiccan friend
Nature coming full circle

I'm the green man
The green man

Em “Green Man”, do Type O Negative, Peter Steele transforma a figura mitológica do Homem Verde num reflexo de sua própria vida. O personagem não é apenas um símbolo antigo da natureza, mas também um alter ego do vocalista, inspirado por seu trabalho como coletor de lixo e sua forte ligação com a cor verde e o ambiente natural. A introdução da música, com sons de camião de lixo, reforça essa conexão pessoal, mostrando como Steele usa experiências quotidianas para criar uma metáfora sobre o ciclo da vida e da morte.

A letra explora as estações do ano como representações desse ciclo. A primavera, que "não chega" (“Spring won't come, the need of strife / To struggle to be freed from hard ground” – "A primavera não chega, a necessidade de luta / Para se libertar do solo duro"), simboliza dificuldades para recomeçar. O verão traz luz, mas também incertezas (“Sun in prime sweet summertime / Cast shadows of doubt on my face” – "Sol no auge do doce verão / Lança sombras de dúvida no meu rosto"). O outono aparece de forma sedutora e melancólica, enquanto o inverno representa o fim e a transformação (“Winter's breath of filthy snow... Life is coming to an end” – "O sopro do inverno de neve suja... A vida está chegando ao fim"). O refrão “I'm the green man” (“Eu sou o homem verde”) reforça a identificação do narrador com o ciclo natural, sugerindo que ele faz parte desse fluxo contínuo de renovação e decadência.

A música une elementos pessoais e mitológicos para expressar tanto a individualidade de Steele quanto uma visão universal sobre a inevitabilidade das mudanças e a profunda conexão entre o ser humano e a natureza.