Yulia Navalnaya, viúva de Alexei Navalny, líder da oposição russa morto em fevereiro de 2024, pediu quee a Itália cancele um concerto de Valery Gergiev, maestro russo apoiador de Vladimir Putin. O regente tem uma apresentação programada no festival Un’Estate da Re, no palácio de La Reggia di Caserta, na Câmpania, em 27 de julho - caso aconteça, será a primeira aparição de Gergiev na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.
Valery Gergiev é um entre muitos artistas russos que não tem se apresentado no Ocidente desde o início da ofensiva do país contra território ucraniano. Caso se apresente na Itália, o país terá rompido um boicote europeu a artistas pró-Kremlin.
Em artigo publicado no jornal La Repubblica nesta terça-feira (15), Yulia Navalnaya afirma que a apresentação de Gergiev no festival seria “um presente para o ditador”. Segundo ela, o maestro não era apenas um “amigo íntimo” e apoiador de Putin, mas também um “promotor” das “políticas criminosas” do presidente russo.
“Como é possível que, no verão de 2025, três anos após o início do conflito na Ucrânia, Valery Gergiev — cúmplice de Putin e pessoa incluída nas listas de sanções de vários países — tenha sido subitamente convidado para a Itália para participar de um festival?”, escreve Navalnaya.
Valery Gergiev, de 72 anos, tem uma reconhecida carreira na música de concerto, que o levou a reger em alguns dos principais palcos do mundo, como o Royal Opera House, em Londres, o Metropolitan Opera, em Nova York, e o Alla Scala, em Milão. Seu apoio a Putin não é uma novidade, e o maestro endossou o líder em campanhas eleitorais, após a anexação da Crimeia em 2014, em um concerto em Palmira, na Síria, em 2016, após as forças russas ajudarem o ex-ditador sírio Bashar al-Assad a retomá-la, e mais recentemente, declarou seu apoio a Putin durante a invasão russa à Ucrânia.

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