Marcos Ortega, conhecido pelo nome artístico Lorn, é um produtor e músico norte-americano nascido em Normal, Illinois, e criado em Milwaukee, Wisconsin. A sua obra enquadra-se nos géneros da música eletrónica experimental, IDM (Intelligent Dance Music), synthwave e wonky. A faixa "Acid Rain" destaca-se por incorporar elementos marcantes de witch house, patentes no ritmo lento e arrastado de matriz hip-hop/trap, nas linhas de baixo densas, nos sintetizadores distorcidos e nas texturas vocais fantasmagóricas que conferem à música uma atmosfera opressiva, soturna e ritualística.
O videoclipe, realizado por Julian Flores, Pavel Brenner e Sherif Alabede (do coletivo Room 113), apresenta uma estética visual sombria e hipnótica. O enredo acompanha um grupo de claques (cheerleaders) após um acidente de viação fatal num automóvel clássico durante a noite. O vídeo desenrola-se num espaço entre a vida e a morte - um limbo ou purgatório vivido na fração de segundo antes da perda total de consciência. As jovens emergem dos destroços e executam uma coreografia contorcida, mecânica e espasmódica. Esta dança não representa um espetáculo, mas sim uma reação visceral de agonia, choque e rebeldia contra o fim iminente, culminando com o regresso à imagem real do veículo e à confirmação do seu destino trágico.
A nível de inspirações, a premissa do videoclipe apoia-se diretamente na mitologia dos povos originários dos Estados Unidos (Nativos Americanos). O projeto baseia-se na crença tradicional de que, perante a chegada da Morte, a pessoa tem o direito de realizar a sua última dança, cabendo à própria Morte a obrigação de assistir. Esta dimensão espiritual cruza-se com influências do Existencialismo de Albert Camus e Jean-Paul Sartre, onde o ser humano confronta a solidão e o absurdo da condição mortal. A utilização de ícones do imaginário americano dos anos 50 - como o restaurante diner, o carro conversível e as fardas escolares - transfigurados num cenário surrealista evoca o Realismo Mágico e o Horror Cósmico, resgatando simultaneamente o conceito clássico da "Dança Macabra" e do Memento Mori como lembretes da fragilidade humana.
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