quinta-feira, 14 de julho de 2011

A mercadorização da liberdade - já se aperceberam?

Sem Tempo para lamentações 
Estamos na era mais parva, estúpida e mais sociopata de sempre
 ~ No Time to Cry~




A internet é uma rede neurocerebral artificial. Dispõe de imensa informação mas está a ficar demasiado controleira por excesso de uma programação em escalada de pressupostos economicistas e contendo os mesmos vícios de forma e conteúdo dos modelos dos "programadores" que também são/estão subjugados aos "mercados", e entregamo-nos neste enorme faz de conta da "liberdade"...e se  insistirmos em colocarmos demasiado inputs financeiros e "marketing" e regulações económicas, meramente empresariais e sempre na tónica da Economia, caíremos na mercadorização da liberdade. Tudo do isto leva a um constrangimento e obstrução completa, terminando em nosso colapso e em arrasto do planeta. 

Regressando à minha ideia de que vivemos numa Neo-Idade Média.

Na Idade Média tínhamos as cruzadas, havia os eremitas, os mártires e a peste. Hoje temos a bíblia financeira, as cruzadas são os investidores que obtêm lucros astronómicos, derrubando civilizações ditas periféricas, os actuais eremitas serão os pontos de sustentabilidade (ecovilas, associações cívicas, correntes artísticas alternativas, naturismo, desobediência civil, novas comunidades: permacultores, food not bombs, wnbr , massa crítica), os crimes socioambientais de maior escala que os mártires de outras épocas (nunca antes vistos- estes investidores são autênticos sociopatas) e a peste traduz-se na actual e factual insegurança genética (aumentado a frequência de epidemias) causada pela artificialização das nossas condições de saúde e a perda da biodiversidade (causada pelas monoculturas de OGM, perda de  biodiversidade nas florestas tropicais e a sobrepesca). 

Desculpem recorrer um pouco a argumentos algo religiosos ou esotéricos, mas não averiguo outro argumento mais profundo. Estamos agora numa nova cruzada, precisamos de um empowerment (empoderamento) colectivo que derrube esta fascizante e decrépita bíblia da economia. 
Depois de um ar mais livre, veremos como progredir.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Obra de Vladimir Dimitrov


Já que não posso viajar até à Bulgária, vem a Bulgária até a mim
Vladimir Dimitrov - Maistora (1882 - 1960), foi um pintor búlgaro, desenhista e professor. Ele é considerado um dos mais talentosos pintores do século 20 búlgaros e, provavelmente, o estilista mais notáveis ​​na pintura búlgara na era pós-Guerra Russo-Turca. Seus retratos e composições têm cor expressiva, idealista e alta qualidade da imagem e da força simbólica .

Vladimir Dimitrov nasceu em Frolosh, perto de Kyustendil e começou a sua carreira como balconista. Em 1903 ele matriculou-se na Escola de Desenho em Sofia, onde tinha sido chamado de Master (Maistora) pela primeira vez. Em 1922, ele conheceu o americano John Crane em Roma e vendeu-lhe muito do seu trabalho para os próximos anos.

Vladimir Dimitrov era um artista que incluiu cores vivas dentro de sua arte e hoje se considera sua obra um tipo fauvista mais do qe expressionista.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Michel Serres- Abrir


Neste episódio, a revolução de Nicolau Copérnico, Galileu Galiei, Johannes Kepler e Isaac Newton: da hipótese geocêntrica à infinidade do Universo; a visão humana do cosmos.

UBUNTU - No ano internacional do Voluntariado, gosto da ideia base- diálogo intergeracional

"Ubuntu" é de origem Sul-africana.

"Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, assegurada pelos outros, não sente intimidada que os outros sejam capazes e bons, para ele ou ela ter própria auto-confiança que vem do conhecimento que ele ou ela tem o seu próprio lugar no grande todo" - Arcebispo Desmond Tutu em Nenhum Futuro Sem Perdão (No Future Without Forgiveness)



Critica-se muito a geração poder das flores (flower power) e Maio 68.
Pois a geração flower power conseguiu muitas coisas boas: o crescimento da consciência verde e que o ambiente é necessário na equação económica-política (surgimento de partidos Os Verdes), a emancipação da mulher em definitivo, o planeamento familiar, cuidados maternais e infantis, o aparecimento e crescimento de muitas organizações ambientais (Greenpeace, WWF, Friends of Earth, Quercus) e a própria consciência europeia (ampliação da UE, projectos Comenius e Erasmus). "Culpo" mais a era 90, a era do yuppie (juventude rapidamente rica, birrenta e mimada) do sobre-endividamento familiar, estatal e privado, os anos da proliferação da globalização e do dinheiro tóxico e finalmente uma ideia colectiva de HIPERMODERNIDADE 
No entanto, devido a esta crise a vários níveis, mais do que atirar "pedras" e fazermos mais "barulho" e "violência" de discursos,devemos dizer UBUNTU- significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"
Atentem para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos... 

Como diz um bom amigo meu José Gomes 
Peço à Vida para me dar amanhã, aquilo que eu hoje quero para os outros. É solução para todos os problemas pessoais e sociais. É entender O SENTIDO DA VIDA.É a Nova Era, o Novo Mundo. Era assim no Princípio.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Números do Financial Secrecy Index - as empresas de notação são apenas um dos prismas


2009 Results 
Download: PDF | Excel

Secrecy Jurisdiction Opacity Score Global Scale Weight Opacity Component Value Financial Secrecy Index Value Financial Secrecy Index Rank
USA (Delaware) 92 0.17767 84.6 1503.80 1
Luxembourg 87 0.14890 75.7 1127.02 2
Switzerland 100 0.05134 100.0 513.40 3
Cayman Islands 92 0.04767 84.6 403.48 4
United Kingdom (City of London) 42 0.19716 17.6 347.79 5
Ireland  62 0.03739 38.4 143.73 6
Bermuda 92 0.01445 84.6 122.30 7
Singapore 79 0.01752 62.4 109.34 8
Belgium 73 0.01475 53.3 78.60 9
Hong Kong 62 0.01986 38.4 76.34 10
Jersey 87 0.01007 75.7 76.22 11
Austria 91 0.00511 82.8 42.32 12
Guernsey 79 0.00580 62.4 36.20 13
Bahrain 92 0.00278 84.6 23.53 14
Netherlands 58 0.00689 33.6 23.18 15
British Virgin Islands 92 0.00177 84.6 14.98 16
Portugal (Madeira) 92 0.00146 84.6 12.36 17
Cyprus 75 0.00206 56.3 11.59 18
Panama 92 0.00128 84.6 10.83 19
Israel 90 0.00128 81.0 10.37 20
Malta 83 0.00126 68.9 8.68 21
Hungary 75 0.00136 56.3 7.65 22
Malaysia (Labuan) 100 0.00072 100.0 7.20 23
Isle of Man 83 0.00084 68.9 5.79 24
Philippines 83 0.00074 68.9 5.10 25
Latvia 75 0.00073 56.3 4.11 26
Lebanon 91 0.00032 82.8 2.65 27
Barbados 100 0.00026 100.0 2.60 28
Macao 87 0.00025 75.7 1.89 29
Uruguay 87 0.00024 75.7 1.82 30
United Arab Emirates (Dubai) 92 0.00018 84.6 1.52 31
Mauritius 96 0.00013 92.2 1.20 32
Bahamas 100 0.00011 100.0 1.10 33
Costa Rica 92 0.00006 84.6 0.51 34
Vanuatu 100 0.00005 100.0 0.50 35
Aruba 83 0.00004 68.9 0.28 36
Belize 100 0.00002 100.0 0.20 37
Netherlands Antilles 75 0.00002 56.3 0.11 38
Brunei* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Dominica* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Samoa* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Seychelles* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Lucia* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
St Vincent & Grenadines* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Turks & Caicos Islands* 100 0.00001 100.0 0.10 joint 39
Antigua & Barbuda* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Cook Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Gibraltar* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Grenada* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Marshall Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Nauru* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
St Kitts & Nevis* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
US Virgin Islands* 92 0.00001 84.6 0.08 joint 46
Liberia* 90 0.00001 81.0 0.08 54
Liechtenstein* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Anguilla* 87 0.00001 75.7 0.08 joint 55
Andorra* 83 0.00001 68.9 0.07 57
Maldives* 80 0.00001 64.0 0.06 58
Montserrat* 79 0.00001 62.4 0.06 59
Monaco* 67 0.00001 44.9 0.04 60
*   Jurisdictions marked with an asterix are ranked according to their opacity score.
O segredo bancário no mundo- escandaloso!

::>Total de empresas registadas numa moradia em Luxemburgo (paraíso fiscal): 19 mil
::>(quase ao lado de Haiti) Total de empresas registadas nas Bristish Virgin Islands: 813.516
 ::>50% do comércio mundial passa pelos paraísos fiscais (dados da ATTAC)
::>1 bilião de dólares ao ano, é o valor de perda de receita fiscal dos países da OCDE
por causa dos paraísos fiscais
::> 11.5 biliões de dólares é o montante transferido para off-shores pelos homens mais ricos do mundo

Saiba mais em
Financial Secrecy Index  que denuncia não apenas os paraísos fiscais mas também as "jurisdições de segredo", um conceito alargado para incluir não apenas os países com forte sigilo bancário, como a Suíça, mas também aqueles que como o Reino Unido, EUA, Irlanda (sim! em 6º)  e em  e Portugal, na Madeira (17º- vergonha!!!) apresentam buracos legislativos que permitem a evasão fiscal e a opacidade dos seus sujeitos activos (adaptado de Visão, 7 Julho 2011).


domingo, 10 de julho de 2011

Thiago de Mello e o poema "Os Estatutos do Homem"



Artigo I.
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV.
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V.
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII.

Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre o coração do homem.

sábado, 9 de julho de 2011

Michel Serres- Descobrir

Neste episódio, os grandes descobrimentos marítimos; a história de Marco Polo, Fernão de Magalhães, James Cook e outros viajantes.

Música do BioTerra: The Clash- Complete Control


The Clash- Complete Control

The Clash - Oficial
The Clash- Youtube
"Better the occasional fault of a government that lives in a spirit of charity, than the consistent omissions of a government frozen in the ice of its own indifference" -- FDR, 1940.

Dear American Middle Class:
There is an insidious fantasy afoot in this country that you, the middle class, somehow do not have the right to make the government further your ends.
You do not need statistics or fancy analysis to know that you struggle just to maintain your standard of living, to educate your children, to afford decent healthcare and to enjoy a dignified retirement. You know from experience how that struggle was made far more difficult by the disastrous Bush administration, and the challenge it has been first to halt, then stabilize, and then slowly reverse that trend.
For nearly 40 years the right-wing has told you that it is illegitimate for you to use government to ease your struggles and improve your lives. You have been told that taxing the wealthy, or regulating industries and markets, threatens your job, and that you have no right to do it. You have been told that America can only have limited, small government and that any suggestion to extend its activities into any other sphere of economic activity is illegitimate. You have been told that taxing the top 1% of estates is a "death tax". You have been told that regulating industry to ensure safety of the air you breathe, the water you drink, the food you eat, your children's toys, the cars you drive, the buildings you live and work in, the drugs you are prescribed, and so forth, kill jobs, and that you have no right to do it. You have been told that the government providing a secure old-age pension, medical care when you become elderly, medical care for veterans and the poor, and nursing-home care when you need it are "foreign", "socialist", "european" policies alien to America's traditions. You have even been told that the First Lady championing obesity prevention is the "nanny state".
Yet, the very same people who have been telling you all that have used that very same government to transfer enormous wealth to themselves, to design trade deals that undermine your wages, to subsidize themselves for shipping your jobs overseas, to eliminate regulations that had prevented major financial collapses for half a century, to cut their own taxes, to establish loopholes that allow enormously profitable corporations to escape taxes, to delay or stop enforcing regulations, to reduce competition by approving mergers of gigantic corporations, to eliminate city and county elected officials, to abrogate contracts, and so forth. They have also enlarged the scope of government intervention in your private lives, telling women what they can and cannot do with their bodies, even forcing physicians to read scientifically false information to pregnant women.
They engaged in voter intimidation, invented stories about 'voter fraud', enacted measures making it more difficult to register to vote, and, for good measure, they captured the judiciary, having them overturn a century of precedent so that corporations can use unlimited resources to buy our elections. They have told you that corporations are amoral, existing only for their shareholders, and yet that they are persons that have to right to influence our elections.
When reality caught up with their fantasies and lies, and their system imploded, did they depend on the rugged individualism they insist you rely upon regardless of the consequences to you and your family to dig themselves out of the mess they created? Of course not! They rushed on bended Armani-suited knees to the same government they tell you that you cannot use to shore up your security or improve your lives, to bailout their jobs, their enterprises, and to do it with your money. They then used this period of enormous insecurity to consolidate their power even further, and to make you pay for the calamity they visited upon you.
The right-wing strategy is clear. Weaken the middle class, destroy your organizing ability, intimidate and disenfranchise voters, and, most insidiously, convince you that it is wrong and illegitimate even to attempt to use your one strength - numbers - to make government work for you.
Don't buy it.
You, the American middle class, have just as much right to take the reins of power and make government work for your interests as the right-wing has so successfully done for theirs. There is nothing wrong, foreign, un-American or illegitimate about it.
Indeed, it is perfectly right. It is what our system of government was designed to do. Listen to the reasons the Founders fashioned the Constitution: "to establish justice", "to provide for a common defense", "to promote the general welfare", from the Preamble to the Constitution.
Here are some things you can have government do for you to make life better for yourselves, your children and your grandchildren. Donate your time and money to, and vote ONLY for, people who will:
1. Raise tax revenues from the wealthy to reduce debt, invest in the future;
2. Make corporations pay their fair share of taxes;
3. End loopholes that subsidize shipping jobs overseas;
4. Cut spending: create jobs, reduce healthcare inflation, reduce military spending.
5. Preserve social security;
6. Support a public option and/or medicare-for-all for healthcare;
7. Maintain Medicare as a guaranteed benefit for the elderly;
8. Invest in clean, domestically-produced energy;
9. Invest in upgrading/modernizing roads, bridges, rail, electric grid, and so forth;
10. Support a Constitutional Amendment declaring corporations are not people, and money is not speech;
11. Impose increasingly higher percentage capital requirements on banks as they become larger;
12. Impose a financial transactions' tax;
13. Invest in your children;
14. Preserve and enlarge our National Parks, "America's greatest idea".
You have every right to do this. And, more. You can follow Donald Trump's idea to tax accumulated wealth over $10M, and reduce the national debt that is causing so much apoplexy by 50% in a single stroke.
But, how?
First, and most importantly, you need to exorcise any vestige of doubt that you have the absolute right to do this. It is in the Constitution. There is nothing illegitimate, nothing wrong, nothing un-American, nothing foreign, nothing mean-spirited, in asserting your rights and power. You are not a wimp, a wuss, or a weakling for doing it. In fact, you are all of those if you do not. Anyone would do the same for their family.
Second, ignore any claims or suggestions that you have no such right. Do not waste your mental or emotional energies defending your right to make the government work for you.
Third, when they tell you that "it is not really in your interests" to do something that seems, logically, in your interests, ignore them. They are not in the least interested in you. Never forget the words of Republican Governor Arnold Schwarzeneggar:
"Does anyone really believe that these companies, out of the goodness of their black oil hearts, are spending millions and millions of dollars to protect jobs?...They are blatantly trying to manipulate the will of the people and the public good... Their motivation is self-serving greed".
This same concept applies to insurance companies that oppose the public option (or medicare-for-all), manufacturing companies that support subsidizing moving jobs overseas, or the maintenance of tax havens, and so forth. Fourth, when you are bombarded with "information" purporting to predict indirect consequences, just support direct, straightforward actions that will help you. Remember, Ronald Reagan predictions about the dire future for America under Medicare:
The doctor begins to lose freedom... So a doctor decides he wants to practice in one town and the government has to say to him, you can't live in that town. You have to go someplace else. And from here it's only a short step to dictating where he will go... All of us can see what happens once you establish the precedent that the government can determine a man's working place and his working methods, determine his employment. From here it's a short step to all the rest of socialism, to determining his pay. And pretty soon your son won't decide, when he's in school, where he will go or what he will do for a living. He will wait for the government to tell him where he will go to work and what he will do.
For example, Medicare is a direct, straightforward program -- if you are over 65, you are guaranteed health care. Period. End of story. The American people ignored Ronald Reagan's nonsense about indirect consequences, had Medicare enacted and have enjoyed its benefits ever since. [Years later, Reagan denied opposing Medicare].
Same with social security. It is a guaranteed payment. When you reach retirement age, you get it.
Raising taxes on the wealthy increases revenues to the government, reduces deficits, enables investments. Direct, straightforward. If they try to skirt the law, nail them.
Investing in clean, domestically produced energy means people have to be employed to produce it, here at home. No overseas nonsense. Right here, in your America. And, if they tell you that if you scrap oil subsidies, you have to get rid of the others, you answer: "when solar, wind, biofuels, wave-generated electricity have had subsidies for 75 years like the oil companies have had, come talk to us".
Fifth, when they tell you that "government doesn't know how to do X or Y", say, "sure, government makes mistakes, but so does every other human institution, and at least it is trying to help the middle class". Consider your situation for the last several decades. Government that supported your interests was mercilessly attacked. The only reason your air is clean, or water remains pure, or drugs remain safe and effective, or food is safe, is that regulations and agencies already on the books were not so readily dislodged. And, the government spawned the internet, contained the bird flu, pushed the frontiers of science forward in multiple fields that spawned innovation.
But, with the war on your right to have government fulfill your interests, your income remained stagnant, or you lost your job. Healthcare costs skyrocketed, and you may have been denied coverage. The value of your home, your major asset, evaporated -- assuming you are still in it. Your retirement funds, other than social security, were wiped out. As the character Elaine said in response to Seinfeld's comment that getting married would be a big change for her, "Jerry, it's 2:30 in the morning, I'm at a cock fight. What am I hanging on to?".
Lastly, recognize that you are all in this together, that your strength is in numbers. Do not let them pit one group against another. Small farmers and urban workers, shopkeepers and public employees, your interests are aligned. When Scott Walker (R-WI) lies to you that public employees' salaries or benefits are higher than yours, do not even bother refuting it -- instead, join together to increase yours.
You have every right to make government work for you. Do it.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Escola- Balanço de Avaliações: "Electrónica" lenta! A lentidão é o orgulho da Escola! Colectivamente precisamos novamente do TEMPO para a focagem!

 "Electrónica" lenta! A lentidão é o orgulho da Escola! E colectivamente precisamos novamente do TEMPO para a focagem!




Ontem a minha escola convidou o Professor Doutor Joaquim Azevedo para nos falar sobre a  Escola para o séc. XXI e a autonomia das Escolas. E dessa palestra resultou algumas ideias que eu sublinharei nesta minha crónica.
Numa sociedade cada vez mais acelerada e informatizada e tele-comunicativa....o que observamos? Escolas a telecomando/telecontrolo central. Decreta-se isto, há prazos de entrega para ontem, despachos e decretos de lei via email aos sábados....

Voltando ao "interesse" da sociedade pelos trabalhos dos nossos alunos, ao mundo, à tele-informática, à questão dos tele-pais e à "realidade" do tele-mundo e tele-centrão no real das nossas vidas, e na Escola. Quando vi o video vencedor da ESAG no youtube ia apenas no meros 420 ontem de manhã. Coloquei no meu blogue http://bioterra.blogspot.com/2011/07/para-ser-grande-se-inteiro-trabalho-dos.html e subiu mais uns 42 visualizações. Mas que bom! É por aí! E porquê isto?

Porque a escola precisa deste TEMPO:)  Referiu o Professor Joaquim Azevedo, que ela é por natureza lenta, tranquila e de pequenos percursos... Acrescento eu até que alunos e professores atingem os patamares seguintes, após a transmissão do passado cultural, científico e artístico aos nossos jovens como estudantes e como agentes de mudança e de crescimento social e não como assistimos cada vez mais a Escola treinada para exames/testes. As Novas Oportunidades são a alavancagem de promoção social de muitos trabalhadores/reformados e  uma vida mais gratificante. Assim o desejamos todos. Contudo, como aconteceu com a formação de adultos para empresas, rapidamente os objectivos finais perdem-se em burocracias e rituais que desdignificam o acto ensino-aprendizagem-saídas profissionais (lembremo-nos que em Portugal continuamos a ter mão de obra muito mais qualificada que o próprio patronato e por vias legais a sub-contratação acaba por beneficiar quem tem menos habilitações). E depois temos um sub-mundo da economia paralela e de uma "familiarização" pela fuga ao fisco transversal a muito sectores da sociedade. Bem, creio que posso estar a fugir da focagem...Voltemos ao Poema Grande
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

                  Ricardo Reis
O Professor acusou ainda que a sociedade fixou-se no interesse pelos exames. É uma falsa questão. Se a sociedade quer mais exames, muitos serão resultados FABRICADOS. Queremos uma Escola- Empresa? Com as imensas injustiças já evidentes?

A escola é um local de trabalho, de sonho, onde é difícil deve medir o "invisível" que é o salto intelectual e o crescimento da PESSOA, tanto do mestre como do aprendiz.
Há várias Educações: a Educação Escolar, a Educação Familiar, a Educação Ambiental, a Educação Empresarial, etc...

O Professor Joaquim Azevedo frisou e repetiu imensas vezes que é urgente distinguir a Educação Escolar da Educação Familiar. São universos completamente distintos.
E já todos os portugueses se questionaram que a Escola é de FACTO uma das organizações sociais que mais gente bem qualificada agrega?

E concluiu a sua intervenção com uma pergunta provocadora: Não estaremos, nós a Escola e a sociedade, suficientemente confiantes em avançar com a verdadeira Autonomia das Escolas?

Mas acredito que noutros sectores, como no Ambiente. Justiça e saúde- precisamos todos de recuperar o TEMPO para nós próprios e para a focagem. Chega de mudanças e este mundo esgotado e disperso e "vazio" e cheio de mini-sociedades e vasos pouco comunicantes. Enquanto isso, vemos avenidas financeiras tremendamente eficazes e controladoras (para o bem e para o mal). Temos que trabalhar as fronteiras e permeabilizar os processos. É nos processos que a Humanidade cresce, fica mais justa e feliz. Não em econometrias e regulações "decretadas" e no cinismo das empresas de notação e mesmo nas posições sonsas dos peritos em "mercados". Primeiro conquistam-nos e depois desejam o mundo. 

As pessoas não são mercadorias nem comerciáveis.

Finalmente uma última provocação:
As organizações económicas até parecem que são as únicas com a pretensão social da "realidade" mas elas como vemos estão a espetar-nos para o abismo: o que dizem outras organizações sociais? Com gente muito mais graduada até que as sociedades banqueiras e os "cuscas" das dívidas soberanas dos povos? Não seremos capazes de tomar as rédeas e CONSTRUIR avenidas de sustentabilidade?!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Empresas de Rating - estaremos a entrar numa Neo-Idade Média?

Laibach - Life is Life

Estamos entregues a terrorismo. Os gajos das empresas de rating não fazem nenhum, são jogadores de casino, porcos e fedelhos. Não estão a usar armas nem espadas, nem existem castelos mas isto faz-me lembrar a "Nobreza" da Idade Média em que os cavaleiros passeavam pelos prados e quando encontravam uma mulher bonita, mas esposa de um homem pobre e faminto, tentavam atirar com uma moeda de ouro..e o pobre ou das duas uma- podia ser morto ou vendia o resto do seu tesouro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Terroristas económicos - fim aos paraísos fiscais, fim à especulação e fim às organizações de terroristas do rating


A Avenida da JPMorgan (clica na imagem para ampliar) - domina quase todos os EUA

O discurso do coitadinho e poupadinho do Presidente da República não convenceram os "mercados" e foi o mote final para o ataque dos chantagistas que estão nas empresas de rating a chular todo o mundo. Estamos numa OMC que afinal quase se assemelha a uma organização mais terrorista,  sem criminosos culpados. Afinal estas empresas até desrespeitam o FMI, UE e BCE acordos internacionais. E porque carga de água o BCE valoriza as SUSPEITAS de uma mera empresa de rating? Debitocracy...conhecem o documentário? Já viram Inside Job?
Mas a reflexão também deve ser  também cá dentro: A PT fez negócios com a JP Morgan e a Capital Group Qual o interesse? Do país ou da classe dominante no regime capitalista- isto é a banca e os credores? Que "seriedade" tem afinal fazer acordos comerciais com estes terroristas? 


                  A Avenida da Capital Group (clica na imagem para ampliares)-Eis a avenida dos chantagistas-...uma delas
                     
Porque se eliminou as golden shares? Não seria melhor e mais lucrativo para o Estado vender as suas próprias acções? E em último recurso......Porque desferroviaram o país todo? Porque só há turismo de praia e sol e golfe? Porque deixamos crescer os subúrbios? Que critérios são usados para distinguir os benefícios e crescimento económico de determinadas regiões do País em detrimento de outras? Porque falhou a regionalização? Porquê esta corrida ao mega-tudo? Há quanto tempo se fala na eficiência energética? Há quanto tempo se fala na insustentabilidade das parcerias publico-privadas? Há quanto tempo de fala na industrialização das nossas faculdades e escolas secundárias? Há quanto tempo se fala na mobilidade sustentável? Há quanto tempo a sociedade reclama serviço exclusivo dos nossos deputados? Há quanto tempo se pedia um poder mais fiscalizador da AR e o fim às mini-mega empresas/institutos que se duplicaram até à exaustão e delegam em boyismos? Porque é que os altos cargos nacionais têm de ter "confiança política" do Governo- mas que critérios e verdade e seriedade há nisto tudo? Há quanto tempo é criticável as inflações de notas em Medicina/Arquitectura ? Porque raio são elas a dor de cabeça no Ensino em Portugal? E as outras licenciaturas e pós-graduações?

As medidas "conservativas" e alguns "recados" da Troika já há muito os ecologistas falavam e outros técnicos ligados às energias, água, reciclagem, mobilidade...não quisemos saber "deles" para nada. Entretanto os técnicos ambientais fartaram-se e entregaram-se à ecocracia e a sociedade continuou sem projecto comum.

Quem destruiu a industrialização do País? Quem iniciou os recibos verdes? Quem "obrigou" o País a transformar-se num campo de golfe e praia e Sol? Quem finalizou por betonizar tudo o que faltava? Quem destruiu a agricultura nacional? 

É justo em democracia exigir a TODOS sacrifícios depois destes actos perdulários e criminosos?

Swans - Money Is Flesh

terça-feira, 5 de julho de 2011

A cidade sustentável- entevista a José Carlos Ferreira



Respeito pela estrutura natural e pela cultura e a aposta na redução das emissões de carbono são essenciais para a sustentabilidade de uma cidade.
  in JNeg, 2007

José Carlos Ferreira, 41 anos, docente do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, explica que uma área metropolitana sustentável tem de respeitar o território nas suas componentes natural e cultural. 
O que é uma cidade sustentável? O que tem ela de melhor que as outras?
Uma cidade sustentável é aquela que supre todas as necessidades do homem em termos de habitat, abrigo, alimentação, condições de trabalho e que respeita o ecossistema onde está instalada, ou seja o ambiente onde se encontra.
 
Quais são os melhores exemplos que conhece de cidades sustentáveis?
O mais próximo de uma cidade sustentável, na Europa, é Barcelona. Era uma cidade industrial bastante degradada, à qual tem sido devolvido um certo ambiente natural ao longo dos últimos 40 anos. Nela há exemplos de introdução do verde, de zonas de circulação da água e do ar. A própria população tem feito o trabalho de replantação e criação de espaços verdes, que inclui a ligação por corredores verdes entre o centro compacto da cidade e as áreas envolventes. Simultaneamente resolveu outras questões fundamentais para uma cidade ser considerada sustentável. Reduziu o consumo energético através da instalação de casas mais sustentáveis e apostou na mobilidade sustentável. Para isso melhorou os transportes colectivos e os interfaces entre ele.

Também houve grande aposta na educação. Há cerca de 15 anos foi iniciado um programa para convencer os mais jovens a usarem transportes mais amigos do ambiente, como o skate ou a bicicleta e foram feitos corredores para isso. Ou seja, as pessoas hoje podem ir para o seu trabalho de transporte público, utilizando uma bicicleta, um skate ou a pé. Barcelona colocou, por exemplo, um ponto de bicicletas em cada esquina e proporciona um passe mensal. Por isso, não há desculpa para não se andar de bicicleta.

Barcelona está, assim, num caminho em que aposta na redução drástica do consumo energético, na mobilidade sustentável e no retorno à natureza.

O que é necessário à biodiversidade de uma cidade?
Para além do jardim com relva, podemos ter, por exemplo, uma horta. A produção local de alimentos pode contribuir para o aumento da biodiversidade. Porque melhora os aspectos físicos dos solos, contribuindo para aumentar a circulação da água, ar e nutrientes e, ao mesmo tempo, permite que o espaço seja produtivo. Nele as pessoas podem recrear-se e suprir algumas das suas necessidades alimentares.

Este é um exemplo de uma tendência que tem vindo a crescer em cidades como Paris, com uma experiência grande nesta área. Na região metropolitana do Porto, a Lipor , o serviço intermunicipalizado de gestão de resíduos, disponibiliza um conjunto grande de hortas sociais, cuja lista de espera é de centenas de pessoas. Ou seja, há uma nova oportunidade de trazer biodiversidade através das hortas urbanas, pela utilização de espécies autóctones adaptadas às cidades.

O que é uma cidade verde?
É uma cidade que aposta na redução clara de produção de carbono. Isto passa pela alteração do sistema de mobilidade actual, assente no transporte individual, pela redução do consumo energético e pela introdução de espécies vegetais. A introdução de uma cortina arbórea numa rua, adaptada ao clima da cidade, permite a introdução de algumas espécies de pássaros e outras, baixar a temperatura e aumentar a humidade no verão. A cidade será assim mais verde, e reduzirá, em simultâneo, as suas emissões de carbono. No Inverno, se forem de folha caduca, as árvores ficam despidas e deixam passar a luz, o que faz aumentar o aquecimento.

Quais são os melhores exemplos que conhece?
Eu não conheço nenhuma cidade que considere verde, mas sim pequenas partes delas. Paris começa a ter uma boa componente de corredores verdes, utilizando os antigos canais que ligam à zona rural e antigas linhas de comboio desactivas e transformadas em passeios. Nova Iorque tem a High Line, em Manhantan, uma linha de comboio desactivada sobreelevada, que é hoje um jardim contínuo mantido por voluntários. A cidade que mais me surpreendeu foi Curitiba. É a que realmente se aproxima mais de uma cidade verde porque apostou na melhoria de tudo.

Na mobilidade, introduzindo corredores específicos para a circulação de autocarros e garantindo que saem e chegam a horas e têm boa frequência. Na melhoria do habitat das pessoas, nomeadamente dos mais pobres, com a construção de melhoramento arruamentos, de abastecimento de águas, etc.. Mas também na criação de parques ao longo de linhas de água que estavam abandonadas e no reaproveitamento de pedreiras para criar centros de aumento de biodiversidade, com espaços verdes, lagos e pontos de atracção para a cidade. É um verdadeiro sistema, todo articulado, de acessibilidade e espaços verdes.

O que se passa com a Área Metropolitana de Lisboa (AML)?
Na AML não há uma verdadeira cultura de cidade. A sua expansão histórica foi feita através da construção de grandes áreas suburbanas, afectas a áreas que fornecem trabalho, como Lisboa, e Almada e Barreiro até há pouco tempo. São áreas extensivas de expansão urbana, onde ainda há a ideia de se habitar em vivendas. Mas não é sustentável todos termos uma casa com quintal, sobretudo quando temos de utilizar um transporte individual para nos deslocarmos.

Por causa da sua forma de expansão, a AML precisa de regularizar todas as manchas urbanas desestruturadas e criar áreas policêntricas para que as pessoas não tenham de se deslocar tanto. Também tem de ordenar a acessibilidade aos grandes centros urbanos. É preciso não esquecer, aqui, que a AML tem valores naturais muito importantes quando comparada com outras áreas metropolitanas europeias.

Tem uma zona costeira bastante equilibrada, por exemplo no litoral de Almada, Sesimbra e Setúbal e parques naturais pelo meio da cidade, em Sintra, no Tejo, Sado e Arrábida. Há muitas áreas interessantes do ponto de vista natural num raio de 20 quilómetros do centro da urbe, o que lhe dá grande vantagem.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Da Agricultura para a Permacultura


by Albert Bates e Toby Hemenway, in
STATE OF THE WORLD 2010 - Transforming Cultures, From Consumerism to Sustainability
A Worldwatch Institute Report on Progress Toward a Sustainable Society

Acima do lintel das portas do museu cultural de Tlaxcala, a capital de estado mais antiga do México, existem murais representando a ascensão da civilização. Primeiro, vêem-se os caçadores vestidos com peles e portando arcos e lanças. Uma mulher descobre uma pequena planta gramínea e começa a cultivá-la, e, na sequência, todos já a estão plantando, e a recém domesticada planta cresce tão alta quanto uma pessoa. Aparecem ferramentas especiais para preparar o terreno, plantar, colher e processar o grão. Nos painéis que se seguem, surge a civilização, em toda a sua complexidade.

Algo semelhante a esta história é contado em muitas, se não em todas, as culturas. No Crescente Fértil do alto dos Rios Tigre e Eufrates, existem moedas antigas com imagens de um arado puxado por bois. Cenas de arados aparecem na cerâmica do Egipto e Anatólia e no papel arroz do Japão e da China, alguns deles, com mais de 14.000 anos. Com o recuo do gelo e o aquecimento climático, há 20.000 anos, a área de solo fértil e estações adequadas para o cultivo aumentaram, e junto com esses fenómenos, a caça selvagem diminuiu e os mamutes e outros animais de grande porte foram extintos.

Há 8.000 anos, a criação de animais domésticos começou a crescer em função da domesticação da fécula de trigo, trigo selvagem, cevada, linho, grão-debico, ervilha, lentilha e ervilhaca amarga. Os
humanos tinham começado a alterar suas paisagens profundamente, desmatando florestas para criar áreas de cultivo, construindo vilas e cidades maiores e redireccionando os rios para irrigação e controle de inundações.

Há cerca de 7.000 anos, em todo o mundo, a maioria das pessoas, se não a maioria, eram agricultoras.
Isso talvez pudesse ter continuado até que a humanidade ingressasse na próxima Era do Gelo — um mundo de desertos gelados, istmos conectando Continentes, e montanhas maciças de gelo.

Mas, a civilização mudou essa trajectória utilizando o carvão, o gás e o petróleo que alimentaram a Revolução Industrial. Uma vez mais, o homem alterou os ritmos do planeta de uma forma que ainda não compreendeu totalmente.

No espaço de um único século — o actual (XXI) — é possível que o clima da Terra aqueça mais rapidamente e em maior grau do que nos 20.000 anos anteriores. Os sistemas agrícolas serão profundamente desafiados e assolados por sucessivas intempéries. Assistiremos à redução do fornecimento de combustível, dificultando o seu uso em tractores, fertilizantes e transporte; veremos também a destruição de colheitas devido a ondas de calor, resultando na expansão de pragas e diminuição do abastecimento de água para irrigação; veremos também o crescimento e a migração de populações clamando por comida, em particular, carne e alimentos processados. Tudo agravar-se-há e a instabilidade financeira trazida pela ultrapassagem dos limites da Terra, irá forçar a humanidade a um recuo para um estágio anterior ao desenvolvimento industrial.

Antes de meados do século 20, a maioria dos produtos agrícolas era em boa parte produzida sem o uso de produtos químicos.

As pragas de insectos e ervas daninhas eram controladas pela rotação de culturas, pela destruição do "refugo" das colheitas, o plantio era sincronizado de modo a evitar períodos de alta população de pragas, o controle de ervas daninhas era feito de forma manual e eram aplicadas outras práticas agrícolas testadas ao longo do tempo e específicas de região.
Apesar de esses métodos ainda serem usados, as mudanças na tecnologia, os preços, as normas culturais e as políticas governamentais levaram à agricultura industrial intensiva de hoje.

O sistema agrícola dominante praticado actualmente em todo o mundo, denominado “agricultura convencional”, é caracterizado pela mecanização, pela monocultura, pelo uso de fertilizantes sintéticos químicos, pelo emprego de pesticidas e pela ênfase na maximização da produtividade e do lucro.

Esse tipo de agricultura não é sustentável porque destrói os recursos dos quais depende. A fertilidade do solo está declinando em virtude da erosão, da compactação e destruição de matéria orgânica; o abastecimento de água está a ser exaurido e poluído; as reservas de energia fóssil finita estão a esgotar-se e as economias das comunidades rurais estão a ser arruinadas pelo envio da produção agrícola para mercados distantes.

A escassez de terras agrícolas produtivas, a diminuição da fertilidade do solo e a grande quantidade de lixo, a par da economia alimentar em escala industrial, são responsáveis pela insuficiência recorrente e acelerada de alimento e água, pela desnutrição, pela fome em massa e pela destruição da biodiversidade.

Para além de tudo isto, a agricultura é responsável por 14% das emissões de gases de efeito estufa. De 1990 a 2005, as emissões agrícolas no mundo aumentaram em 14%.

A humanidade depara-se agora com um desafio crítico: desenvolver métodos agrícolas que capturem o carbono, aumentem a fertilidade do solo, preservem o ecossistema, usem menos água, mas simultaneamente consigam retê-la mais tempo na terra — tudo isso enquanto utilizamos produtivamente a oferta constante e diversificada de trabalho humano.
Em resumo, necessitamos de uma agricultura sustentável.

Definindo Agricultura Sustentável
Felizmente, nos últimos cinquenta anos, alguns pioneiros foram preparando a agricultura do futuro, e as suas ideias estão agora deslocando-se para o centro das atenções. O plantio orgânico sem manejo do solo, a permacultura, o sistema de agrofloresta, as policulturas perenes, a aquaponia e a agricultura biointensiva e biodinâmica — consideradas por muito tempo como ideias marginais — estão agora se tornando componentes estruturantes de uma agricultura sustentável.

Uma das pedras fundamentais foi colocada no início do século 20, quando Franklin Hiram King viajou para a China, Coreia e Japão para aprender como os terrenos agrícolas desses locais eram trabalhados há milhares de anos sem destruir a fertilidade nem aplicar fertilizante artificial. Em 1911, King publicou "Farmers of Forty Centuries: or Permanent Agriculture in China, Korea and Japan", que descrevia a compostagem, rotação de culturas, a adubação verde, o cultivo intercalado, irrigação, culturas resistentes à seca, a aquacultura e agricultura em terras alagadiças, bem como o transporte de adubo humano das cidades para zonas agrícolas rurais.

O trabalho de King inspirou muitos, inclusive Sir Albert Howard. Em 1943, Howard publicou "An Agricultural Testament", que descrevia a montagem de pilhas de compostagem, reciclagem de lixo e criação de húmus do solo como uma “ponte viva” entre a vida do solo – rica em organismos como as micorrizas e bactérias –, ao lado de culturas, animais de criação e pessoas saudáveis.

No cerne do trabalho de Howard estava a ideia de que os solos, as culturas agrícolas nutritivas e organismos em geral não são apenas matrizes de minerais, mas sim partes de uma ecologia complexa da matéria orgânica cíclica, e que esses ciclos de sustentação da vida são primordiais para uma agricultura autorregeneradora.

Em meados do século 20, Howard envolveu-se num aceso debate.
De um lado estavam discípulos de químicos como Carl Sprengel e Justus von Liebig, que apoiavam ativamente a fertilização, em especial com nitrogênio, fósforo e minerais de potássio, e defendiam o uso da mecanização, argumentando que o crescimento da planta é potencializado pelo acréscimo de uma quantidade mínima de minerais. Rapidamente, isso foi amplamente aceite e serviu de base para a  Revolução Verde.

Do outro lado estavam os defensores orgânicos, que aderiram ao ponto de vista de Howard, segundo o qual a saúde da agricultura depende da manutenção da ecologia do solo, que passa por devolver-lhe não apenas o mineral perdido no cultivo, mas também a matéria orgânica que sustenta os ciclos de nutrientes de sua vida.

A posição de Howard era a de que, nas palavras do biólogo Janine Benyus, é a própria vida quem melhor cria as condições propícias à vida.
Howard perdeu a batalha, mas talvez tenha vencido a guerra, pois está a tornar-se óbvio e evidente que muitos aspectos da agricultura industrial, tais  como a destruição da camada superficial do solo, que chega a quase 75.000 milhões de toneladas por ano, não são sustentáveis. O iminente esgotamento do fósforo – um fertilizante crítico – e os retornos negativos exemplificados por culturas que usam 10 calorias de energia de combustível para a produção de uma caloria de energia de alimentos, são disso bons exemplos.

A agricultura do século 20 degradou de forma drástica quase todos os ecossistemas, consumindo, ao mesmo tempo, cerca de 20% da produção energética mundial. O funcionamento do chamado estilo “convencional” depende quase inteiramente dos combustíveis fósseis que estão hoje a escassear, a custar cada vez mais e que se extinguirão irremediavelmente.

A agricultura sustentável, por outro lado, pode ser uma proposta por um prazo indeterminado porque não degrada nem exaure os recursos de que necessita para subsistir. Como a maior parte do solo arável da Terra já está a ser cultivado e as populações humanas continuam a aumentar, uma meta muito mais positiva e exequível seria a de melhorar a capacidade produtiva da terra.

Temos assistido ao surgimento de algumas abordagens cujo foco é o ganho líquido, mas elas não são um elixir mágico.

Embora as práticas agrícolas otimizadas possam aumentar a capacidade produtiva do solo durante um longo prazo, elas não podem ser consideradas isoladamente; uma solução de peso para a existência da humanidade neste planeta deve incluir a adoção de estilos de vida sustentáveis e manutenção da população humana em números sustentáveis.

Agricultura Orgânica: Aspectos Gerais
As principais características da agricultura orgânica são:

* o uso de fertilizantes produzidos biologicamente, tais como adubos enriquecidos com carbono em vez de nitratos e fosfatos inorgânicos manufacturados; * o uso pouco frequente de pesticidas produzidos por métodos biológicos em vez da aplicação rotineira de compostos sintéticos – tóxicos para todo o sistema;

* e mais crucial ainda, a manutenção da ecologia do solo e da matéria orgânica com uso de forrageiras, adubação verde e compostagem.

Uma comparação de longo prazo feita pelo Rodale Institute de 1981 a 2002 revelou que os sistemas orgânicos produziam colheitas com rendimento equivalente ao dos métodos convencionais.
Os ensaios mostraram que, quando a precipitação era 30% menor que o normal — nível típico de seca — o rendimento dos métodos orgânicos era 24% a 34% superior ao dos métodos convencionais.
Os investigadores atribuíram o aumento do rendimento a uma melhor retenção de água em virtude de níveis mais altos de carbono no solo.

sábado, 2 de julho de 2011

Cinquentenário da Amnistia Internacional - nunca é demais relembrá-lo



A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, na sequência de uma notícia publicada no ano anterior pelo jornal Daily Telegraph sobre a condenação de dois jovens estudantes portugueses a sete anos de prisão por gritarem "viva a liberdade" numa esplanada no centro de Lisboa durante o regime de Salazar. O causídico apelou aos países que libertassem pessoas detidas por motivos de consciência, incluindo convicções políticas e religiosas, preconceitos raciais ou linguísticos. O movimento foi formalmente lançado com a publicação, em 28 de Maio desse ano, no jornal The Observer, do artigo The Forgotten Prisioners, denunciando vários casos mundiais.