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Publicado no Journal of Risk Research, o artigo “Turning eco-anxiety into pro-environmental behaviour: risk perception as mediator” conta com a coautoria de Francisco Sampaio, docente da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Porto, juntamente com Sílvia Luís, Ana Loureiro, Jerônimo C. Soro, Catarina Possidónio e Rui Gaspar. A investigação analisou de que modo a ecoansiedade se relaciona com comportamentos pró-ambientais, considerando o papel da perceção de risco ambiental. A ecoansiedade refere-se à ansiedade perante problemas ambientais como as alterações climáticas, a poluição ou a degradação ecológica.
Com base em três estudos complementares, os autores recorreram a uma abordagem exploratória de métodos mistos, a um estudo transversal e a um estudo experimental. No primeiro estudo, refletir sobre emoções e pensamentos associados a problemas ambientais esteve associado a uma maior alocação de donativos a ONG ambientais. No segundo, os resultados apoiaram a hipótese de que a perceção de risco ambiental medeia a relação entre ecoansiedade e comportamentos pró-ambientais autorreportados.
No estudo experimental, a equipa induziu diferentes níveis de ecoansiedade de estado e avaliou a sua relação com a perceção de risco e com a distribuição de donativos por diferentes tipos de ONG. As análises de mediação sequencial sugeriram que níveis mais elevados de ecoansiedade de estado se associaram a maior perceção de risco ambiental e, por essa via, a maior disponibilidade para atribuir donativos a ONG ambientais.
Em termos práticos, o artigo sublinha que a ecoansiedade não deve ser simplesmente patologizada, nem amplificada como estratégia de comunicação. Os resultados apontam antes para a importância de apoiar as pessoas que já experienciam ecoansiedade, promovendo reflexão informada, compreensão clara dos riscos e formas concretas de participação pró-ambiental.
O trabalho conclui que a ecoansiedade pode contribuir para a mobilização pró-ambiental quando acompanhada por uma avaliação reflexiva dos riscos ambientais. Ainda assim, os autores salientam que são necessários estudos longitudinais e novas experiências que manipulem simultaneamente ecoansiedade e perceção de risco para clarificar melhor as relações causais entre estes processos.
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