segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Clonar árvores centenárias para combater as alterações climáticas

A partir de brotos basais foi possível voltar a plantar sequoias. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", resume fundados da Archangel Ancient Tree Archive
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Arboristas americanos da organização sem fins lucrativos Archangel Ancient Tree Archive, que divulga as maiores árvores do mundo, estão a clonar sequoias, uma espécie praticamente em vias de extinção da família das Taxodiáceas, segundo o Quartz. Estas árvores centenárias podem ajudar a combater as alterações climáticas.

O processo de clonagem das sequoias já foi considerado impossível, por estas se auto clonarem num círculo à sua volta - o "anel de fada". No entanto, o tempo de vida destas árvores começou a decrescer, impedindo assim que tivessem também tempo para se multiplicarem. Agora, a organização americana descobriu outra forma de replicar esta espécie. Os arboristas notaram que havia brotos basais - material vivo - em redor de sequoias que cresciam em zonas litorais.

A partir desses brotos conseguiram criar "sementes" para plantarem novas árvores. Funcionou. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", disse David Milarch, o fundador da Archangel Ancient Tree Archive.


Processo de clonagem das sequóias 

© THE ARCHANGEL ANCIENT TREE ARCHIVE

Para além de estar em causa a revitalização da espécie, está ainda em cima da mesa o beneficio para o meio ambiente. Se todas as plantas libertam oxigénio e armazenam dióxido de carbono; as sequóias conseguem retirar grandes emissões de dióxido de carbono da atmosfera - a principal causa da aceleração das alterações climáticas. Chegam a recolher 250 toneladas de dióxido de carbono.

"Estas árvores têm a capacidade de combater as mudanças climáticas e revitalizar as florestas e nossa ecologia de uma forma nunca antes vistas", afirma Milarch.

Através deste processo de clonagem, as sequoias já foram plantadas em bosques no Canadá, em Inglaterra, no País de Gales, em França, na Nova Zelândia e na Austrália.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A cotonete que deita na sanita vai parar ao mar, é comida por peixes e acaba no seu prato

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Todos os anos, pelo menos 8 milhões de toneladas de plástico entram nos nossos oceanos e, segundo a Fundação Ellen MacArthur, até 2050, haverá mais plástico (por peso) do que peixes no mar.

Este não é só um problema para a fauna marinha que é afetada diretamente pelos detritos de plástico. Segundo Olivia Jones, da organização irlandesa An Taisce, quando os peixes ingerem plástico, este material entra na cadeia alimentar e “acaba no seu prato”.

80% da poluição de plástico nos oceanos é de origem terrestre e resulta de atividades humanas, como o hábito que algumas pessoas têm de deitar objetos na sanita, avisa Olivia. Os investigadores identificaram uma lista de 12 artigos frequentemente deitados na sanita, que inclui cotonetes, toalhitas faciais e de bebé, tampões, beatas de cigarro, medicamentos, fraldas e pensos. “As pessoas não sabem que isto é errado – foi por isso que iniciámos a campanha ‘pense antes de puxar o autoclismo’”, disse.

As cotonetes de plástico, por exemplo, são tão finas que conseguem passar através dos filtros das estações de tratamento de águas residuais (ETAR). Daí vão parar, eventualmente, ao mar, poluindo os oceanos e representando um perigo para a vida marinha. Muitas delas acabam por dar à costa, poluindo também as praias. De acordo com a Sociedade para a Conservação Marinha do Reino Unido, as cotonetes perfazem 60% do lixo proveniente das águas residuais encontrado nas praias.

Muitas das peças de plástico que não são comidas inteiras pelas tartarugas, aves marinhas e peixes que as confundem com comida – com consequências fatais para os mesmos – acabam por se decompor em fragmentos minúsculos deste material, os microplásticos, que já cobrem o fundo do mar e cujo impacto nos ecossistemas só agora começa a ser estudado.

Os microplásticos também estão presentes em produtos de cuidado pessoal como o gel de duche, a pasta de dentes e os esfoliantes. Estas micropartículas de plástico já foram proibidas nos EUA e no Reino Unido.

Olivia Jones explica que, para além do perigo de ingestão, o plástico no mar pode acumular toxinas com o passar do tempo, prejudicando os habitats marinhos.

Estima-se que os resíduos de plástico afetem 43% dos mamíferos marinhos e que 90% das aves marinhas tenham plástico nos seus estômagos – de facto, até 2050, este número subirá para 99%, prevê a CSIRO. Os efeitos da ingestão de plástico nas aves têm sido muito estudados e incluem problemas nos intestinos, entrada de poluentes para a corrente sanguínea, úlceras gástricas, lesões do fígado, infertilidade e, em muitos casos, morte.

Também há indícios de que as aves marinhas dão de alimento às suas crias pedaços deste material. Em 2011, a bióloga Jennifer Lavers encontrou uma cria de pardela com 90 dias de idade que tinha mais de 275 peças de plástico no estômago. Numa pessoa, isto seria o equivalente a ingerirem-se 10kg de plástico.

“Podemos todos fazer algo”, enfatiza a ativista. “Podemos participar em limpezas das praias, podemos colocar um caixote de lixo na casa de banho para que as pessoas não deitem cotonetes na sanita e podemos comprar produtos com menos embalagens.” E não se esqueça que pode optar por cotonetes com haste de papel.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Deputados recusam projectos de lei para proibir diclofenac

Uma decisão politica lamentável em prejuízo das nossas aves de rapina necrófagas.
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Os dois Projectos de Lei debatidos ontem no Plenário da Assembleia da República, iniciativas do PAN e do PEV, foram rejeitados hoje durante a votação. A Spea diz-se desiludida.

Ambos os Projecto de Lei – que visavam a proibição da comercialização e a utilização de medicamentos veterinários, de uso pecuário, contendo diclofenac – tiveram os votos contra do PS, PSD e CDS-PP.

Em causa está um pedido de comercialização de um medicamento com diclofenac, em apreciação pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) há mais de dois anos. Segundo os conservacionistas, os medicamentos que utilizam na sua formulação o diclofenac – usado como anti-inflamatório e analgésico em animais de gado – são fatais para aves necrófagas.

O problema é que o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac.

Ontem, a deputada Eloísa Apolónia (Partido Ecologista Os Verdes, PEV) tinha defendido esta proibição como “um contributo muito concreto para a preservação da biodiversidade” e lembrou a importância do princípio da prevenção e de uma “posição vinculativa da Assembleia da República”.

Por seu lado, André Silva, do PAN, sublinhou que existem “alternativas comprovadas” e seguras.

Os argumentos não convenceram os deputados da Assembleia da República. A deputada socialista Ana Passos defendeu que Portugal já “tem sistemas eficazes de recolha de animais mortos nas explorações pecuárias”, impedindo assim as aves necrófagas de se alimentar deles, e que esta é uma avaliação que deve ser feita pelos técnicos da DGAV, não pelos deputados.

O deputado António Ventura (PSD) foi mais longe e disse que as iniciativas apresentadas eram um exemplo da “agenda demagógica e populista do PAN e do PEV”. Isto porque, sublinhou, há menos de um ano a Assembleia da República deliberou que o Governo estudasse esse medicamento. “E agora querem que esta câmara diga que não se use. Não se pode ter duas coisas ao mesmo tempo.”

O outro voto contra veio da bancada do CDS-PP. A deputada Ilda Araújo Novo, em representação do grupo parlamentar, lembrou que o medicamento em causa “não está autorizado para uso em Portugal” e que “em Abril esta câmara aprovou uma recomendação ao Governo que não autorizasse o diclofenac”. Por isso, acrescentou, “não se entende a necessidade dos projectos lei”.

“Desiludidos”

Hoje, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea) disse, em comunicado, que “Portugal perdeu uma oportunidade de dar o exemplo em matéria de conservação da natureza e salvaguarda da saúde pública”.

“Não se percebe como é que não é proibida uma substância que é perigosa e para a qual existem alternativas seguras” comentou Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da Spea.

Segundo a Spea, “ao não proibir o diclofenac, os deputados falharam nas suas obrigações para com o povo português e descuraram os compromissos assumidos a nível internacional, de conservação da natureza. Ao não proibir este fármaco perigoso, Portugal arrisca-se – caso a DGAV autorize medicamentos contendo diclofenac – a deixar de ser um refúgio para espécies protegidas como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial-ibérica, que estão ameaçadas a nível europeu e mundial, e das quais existem populações importantes no nosso país”.

“O resultado da votação de hoje deixa-nos perplexos e muito entristecidos”, comentou Iván Ramírez, director de Conservação da BirdLife Europe & Central Asia. “Portugal acabou de perder uma excelente oportunidade para dar um exemplo a toda a Europa.”

O próximo passo será dado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, entidade a quem a Spea exige “que, tendo em consideração o melhor conhecimento científico existente, e respeitando o princípio da precaução, não aprove este pedido de comercialização”.

“Estamos desiludidos com esta decisão, que não serve nem as aves nem as pessoas, e pela qual podemos todos vir a pagar caro”, acrescentou Joaquim Teodósio. “Os abutres têm um papel importantíssimo no controlo de doenças nos nossos campos, sem eles, corremos o risco de enfrentar graves problemas de saúde pública. Resta-nos agora esperar que a DGAV decida a favor da saúde dos nossos campos.”

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Em Lisboa, atirar beatas para o chão dá multa de 1.500 euros


Sabendo que é impossível nos dias que correm contra argumentar que uma das maiores causas da poluição dos mares são as beatas a Câmara de Lisboa apresentou hoje (11 de Janeiro) uma série de medidas para fazer face ao aumento dos resíduos na cidade.

As medidas farão parte de uma atualização ao Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana de Lisboa, e foram hoje apresentadas em conferência de imprensa, que decorreu nos Paços do Concelho.

“Vamos contratar 300 cantoneiros durante o ano de 2019, já temos o processo de contratação aberto”, disse o vice-presidente do município, que é também responsável pelo pelouro dos Serviços Urbanos.

Na apresentação, Duarte Cordeiro apontou que, “entre 2015 e 2018”, a “produção de resíduos aumentou 10%”, o que se justifica, em grande parte, pelo aumento da atividade turística na capital.

Esta questão levou a câmara a repensar o atual regulamento, e a atualizá-lo, por forma a “adaptar o sistema a uma realidade que mudou”.
Uma das novas contraordenações previstas aplicar-se-á a quem lançar para o "chão beatas de cigarros, maços de tabaco, pastilhas elásticas e outros", exemplifica a autarquia. No projeto de Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana de Lisboa está prevista uma coima de 150 a 1.500 euros para as pessoas singulares e de 1.000 a 15.000 euros se a responsabilidade for assacada a pessoas coletivas. 

Outra novidade é a obrigatoriedade de os estabelecimentos comerciais e esplanadas disporem de cinzeiros e baldes para lixo e de passarem a ser obrigados a assegurar a limpeza do espaço público na sua zona de influência até um raio de dois metros. Num caso e noutro, a multa pode ir dos mil aos 15.000 euros.
Além da contratação de mais trabalhadores, as novas medidas incluem o alargamento da recolha de lixo ao domingo em 10 freguesias: Santa Maria Maior, Estrela, Misericórdia, Santo António, São Vicente, Avenidas Novas, Alcântara, Arroios, Penha de França e Campo de Ourique.

Também as freguesias da cidade vão contar com mais 10 milhões de euros por ano para reforçar a área da higiene urbana, dinheiro que acresce aos 18 milhões que já recebiam por conta da delegação de competências.
A maior fatia (7,6 milhões de euros) será suportada pela Taxa Municipal Turística, e o resto (2,4 milhões) será verba municipal.

Espera-se desta forma conseguir combater o flagelo da poluição antes que ela chegue ao Oceano, parando desta forma a espiral perigosa em que a nossa sociedade atualmente vive.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Fernando Paiva, o produtor de 74 anos que trocou os sulfitos por flores de castanheiro

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Fernando Paiva é um produtor de Amarante que nunca entra nas cogitações para os prémios de melhor viticultor, melhor enólogo ou personalidade do vinho que as revistas da especialidade atribuem todos os anos. A sua produção é pequena (este ano, para a sua marca Quinta da Palmirinha, só vinificou 7 mil litros), não pertence a nenhuma “família vintage” (não me lembro de designação mais elitista do que esta criada pela SIC), anda apenas no circuito mais alternativo do sector e não tem nem dimensão, nem margem financeira para investir em publicidade e eventos sociais. Na verdade, é um ilustre desconhecido. No entanto, há poucos produtores em Portugal com a sua ética de trabalho e a sua determinação em fazer vinhos bons, puros e saudáveis, por filosofia e não por mimetismo. Um verdadeiro “senhor do vinho” e um exemplo tanto para quem começa a dar os primeiros passos neste ramo como para quem já é veterano.

Aos 74 anos, continua a ser o único produtor biodinâmico certificado em Portugal. E por estes dias foi notícia por ter sido o primeiro a usar flor de castanheiro nos vinhos em substituição de sulfitos, o conservante mais usado na indústria vinícola. Com idade para se reformar, parece um jovem sempre disposto a dar um novo passo em frente, na ânsia apenas de fazer vinhos ainda melhores e mais puros.

Já vamos à flor de castanheiro, mas antes vale a pena recordar a sua “história”. Fernando Paiva é um produtor tardio. Tinha 56 anos quando decidiu olhar com mais interesse para os cerca de 3,5 hectares de vinhas que havia herdado dos pais. Acabara de se reformar como professor de História e de Português em Amarante e, após ter participado numa formação, em Celorico de Basto, com um dos gurus da agricultura biodinâmica, o francês Pierre Masson, ficou sensibilizado para a possibilidade de passar a produzir uvas e vinhos num ambiente mais natural, holístico e saudável. No início, teve dúvidas. Questionava-se sobre se a agricultura biodinâmica poderia ser generalizada ao ponto de poder assegurar a alimentação da humanidade. Mas acabou convencido.



Em 2007, depois de alguns anos de aprendizagem, começou a fazer biodinâmica a sério, respeitando todos os preceitos filosóficos e agrários desta corrente. Desde o uso dos famosos preparados 500 (um punhado de bosta que é usado no solo para aumentar a vida microbiana e facilitar a absorção dos minerais por parte das videiras) e 501 (uma mão cheia de cristais de quartzo moídos que são enterrados num corno de vaca desde a Páscoa até ao Outono e que, pulverizado sobre a vinha, depois de ser agitado numa grande quantidade de água durante uma hora, ajuda à frutificação e à maturação dos cachos), à aplicação de macerações hidroalcoólicas de folhas de consolda, urtiga, cavalinha e eucalipto para aumentar a resistência das videiras a certas doenças. Também povoou a quinta de galinhas, para irem oxigenando a terra e comendo as ervas infestantes, e instalou colmeias, para tirar partido do efeito polinizador das abelhas. E passou a respeitar o calendário desenvolvido por Maria Thun com as actividades que devem ou não devem ser realizadas em cada dia do ano, de acordo com as energias cósmicas que chegam à Terra.

A agricultura biodinâmica não se consegue explicar e justificar com o rigor da ciência. É algo mais do domínio da filosofia e da religião: acredita-se ou não. Apesar de ser agnóstico, Fernando Paiva acredita. Uma coisa é certa: todas as experiências conhecidas mostram de forma inequívoca que as vinhas tratadas de forma biodinâmica se tornam mais saudáveis.

Por consequência, os vinhos tendem a ficar também mais puros. Acontece que o caderno de encargos dos vinhos biodinâmicos permite, por exemplo, a aplicação até 120 mg de sulfitos em cada litro de vinho. É um valor muito alto. Num vinho normal, metade desta dose pode ser suficiente. 

Fernando Paiva sempre usou menos. Mas só o facto de ter de usar sulfitos (dióxido de enxofre) colidia de algum modo com o seu afã de fazer vinhos cada vez mais puros e saudáveis. Quando, há três anos, ouviu na rádio que o Instituto Politécnico de Bragança estava a testar em queijos um produto natural feito a partir da flor de castanheiro que conseguia os mesmos efeitos antioxidantes e antimicrobianos dos sulfitos, ligou logo à investigadora responsável, Isabel Ferreira, a propor-lhe experimentar o produto também nos vinhos. O desafio foi aceite e nesse ano Fernando Paiva fez 100 litros com flor de castanheiro. Gostou do resultado e em 2016 experimentou em 600 litros. Em 2017 passou para três mil e na última vindima usou flor de castanheiro no vinho todo.

É num castanheiro situado junto a uma das suas vinhas que, pelo mês de Julho, Fernando Paiva recolhe as flores. Seca-as e depois transforma-as em pó. Na vindima, após desengaçar as uvas, adiciona ao mosto 40 gramas desse pó por cada hectolitro de vinho e não volta a aplicar mais nada (este valor foi estabelecido com base na investigação liderada por Isabel Ferreira). Recentemente, lançou as primeiras 4 mil garrafas de um branco de Loureiro em que só usou flor de castanheiro e garante que o vinho está melhor do que os outros em que usou sulfuroso. As análises realizadas afastaram também quaisquer desvios nos parâmetros físico-químicos e sensoriais do vinho.

Apesar do sulfuroso, ou dióxido de enxofre, já ser utilizado na produção de vinho há milhares de anos e, até agora, não haver melhor, não deixa de ser um conservante sintético. Não é tóxico, se usado nas doses recomendadas, mas também não é totalmente inócuo, podendo causar alergias - daí ser obrigatório colocar nos rótulos dos vinhos a informação "contém sulfitos". Pelo contrário, a flor de castanheiro não é tóxica, nem tem efeitos alergénicos. O que faltava comprovar era o seu efeito antioxidante e antimicrobiano. Os bons resultados alcançados até agora são muito promissores. O único senão de tudo isto teria a ver com os castanheiros: para bem do vinho, seria preciso sacrificar muita castanha. Mas esse é um problema que não se coloca, porque a recolha das flores só é feita após a fecundação.

Resta, então, saber qual será a durabilidade dos vinhos. Se for boa, a descoberta do Instituto Politécnico de Bragança pode ter repercussões extraordinárias na indústria do vinho, uma vez que o mercado valoriza cada vez mais o uso de conservantes naturais. E, se isso acontecer, Fernando Paiva pode finalmente ter o reconhecimento público que merece.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O que faz uma bióloga num barco de pesca?

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Até 2020, a SPEA implementa o projecto MedAves Pesca, para descobrir qual o impacto das actividades de pesca nas populações de aves marinhas das Zonas de Protecção Especial portuguesas. Nas Berlengas, Elisabete Silva trabalha com a comunidade de pescadores para desenvolver e testar medidas de mitigação da captura acidental de aves.

“Peixe, peixe!”, anuncia o mestre Pedro Jorge, bem cedo nesta manhã de Novembro. A embarcação a motor branca Dois Filhos está à pesca de robalos e douradas em redor da ilha Berlenga, a sete milhas náuticas (cerca de 13 quilómetros) de Peniche.

Ao fundo do barco com sete metros de comprimento, em que se pesca com aparelho de linhas e anzóis, Pedro Santos e Zé Manel recolhem as linhas largadas ao mar no dia anterior. A experiência e a força destes homens disfarçam a dureza da tarefa. Numa coreografia sincronizada e em silêncio cúmplice, os dois pescadores retiram da água dezenas de anzóis em poucos minutos. “É um robalo dos grandes”, regozija o mestre.

Ao lado do mestre junto à proa, Elisabete Silva, 26 anos, regista as observações num caderno de campo. É bióloga e técnica de conservação marinha na Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e trabalha há mais de dois anos nas Berlengas. Atualmente participa no projecto MedAves Pesca que, até 2020, estudará o impacto da atividade piscatória nas populações de aves marinhas. Elisabete faz observações em quatro embarcações diferentes, para monitorizar interações e testar medidas que possam reduzir as capturas acidentais de aves marinhas nas várias artes de pesca.

Hoje está a bordo do Dois Filhos. Anota as espécies de peixe retiradas do

mar e, de 15 em 15 minutos, regista as interacções de aves marinhas: número, espécie, localização e direção do voo. Com estes dados espera caracterizar as populações e compreender o impacto das atividades de pesca nas comunidades de aves marinhas.

Todos os anos, cerca de 200 mil aves são capturadas acidentalmente em águas europeias, segundo a organização Birdlife International. Nas Berlengas, as espécies mais afetadas por capturas acidentais são o alcatraz ou ganso-patola (Morus bassanus), a cagarra (Calonectris borealis), a torda-mergulheira (Alca torda), a galheta (Phalacrocorax aristotelis) e a pardela-balear (Puffinus mauretanicus), a espécie de ave mais ameaçada da Europa e que pode ser avistada durante todo o ano ao largo da costa portuguesa.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Maior fóssil de crocodilo do mundo descoberto em Portugal

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Paleontólogos de duas universidades portuguesas anunciaram, esta quinta-feira, a descoberta de um fóssil com 95 milhões de anos que revela uma nova espécie de crocodilo, a mais antiga do mundo.

"Pensava-se que os verdadeiros crocodilos, que faziam parte de um grupo que se chama 'Crocodylia', existiam apenas há 75 milhões de anos e este novo fóssil foi descoberto em rochas com 95 milhões de anos, logo 20 milhões de anos mais antigo do que aquilo que se pensava", afirmou à agência Lusa o paleontólogo Octávio Mateus.

O crânio e a mandíbula deste réptil foram encontrados em 2003 pela geóloga Matilde Azenha, em Tentúgal, concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, e foram estudados pelos investigadores Octávio Mateus e Eduardo Puértolas-Pascual, da Universidade Nova de Lisboa, e Pedro Callapez, da Universidade de Coimbra.

Os três paleontólogos confirmaram agora a descoberta da nova espécie num artigo publicado na revista científica "Zoological Journal of the Linnean Society".

A nova espécie, batizada de "Portugalosuchus azenhae", em homenagem à responsável pelo achado, possui características únicas que a distingue de todas as outras espécies.

"A mandíbula tem uma abertura que ajuda a definir o que é um verdadeiro crocodilo em contraste com répteis parecidos com crocodilos, os crocodilomorfos, que ainda não faziam parte do grupo 'Crocodylia', e não tinham essa abertura nos ossos da mandíbula", explicou Eduardo Puértolas-Pascual, especialista em crocodilos.

Os crocodilomorfos existiam desde os primórdios da era dos dinossauros, mas os verdadeiros crocodilos, pertencentes ao grupo 'Crocodylia', surgiram apenas no final dessa era, mas 20 milhões de anos mais cedo do que até agora os cientistas pensavam.

O que resta deste crocodilo mais antigo do mundo vai estar em breve em exposição no Museu da Lourinhã, instituição a que os investigadores doaram os fósseis.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Futuro da humanidade depende das árvores, a “verdadeira fábrica do solo”



Há mais de 40 anos, Jean-Philippe Beau-Douëzy, ecologista e engenheiro consultor na área do ambiente, iniciou-se naquela que viria a ser a sua luta pela conservação da natureza. Hoje, quer continuar a plantar árvores nativas porque diz serem o futuro da humanidade. Há 11 anos que trabalha na Fundação Yves Rocher, em França, onde é administrador do programa Plant for the Planet que consiste na plantação de 100 milhões de árvores em vários continentes com o objectivo de combater a erosão do solo, a perda de biodiversidade e recursos hídricos e para ajudar a agricultura local.

Philippe Beau-Douëzy, que esteve recentemente no Porto, já percorreu vários pontos do planeta. Passou pelo Sara, pelo Mediterrâneo, mas foi na Amazónia brasileira – onde chegou a ser baptizado por índios – que ganhou um novo pressuposto: o de lutar pela sua conservação. Em 1992, participou na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, mas, antes disso, em 1978, já organizava um dos primeiros simpósios com o tema Invenção Social e Ecologia Urbana, conceitos de que tanto se fala hoje em dia.

Toda a entrevista aqui

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Wasted Waste – a verdade sobre o desperdício alimentar [documentário completo]



Diariamente são desperdiçados 3,6 milhões de quilogramas de comida em todo o mundo, sendo que 870 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas apenas com este desperdício. Cerca de 800 milhões de pessoas passam fome no nosso planeta.

1/3 dos alimentos produzidos mundialmente vão parar ao lixo, quando 198 mil hectares foram usados para produzir toda a comida desperdiçada.



Este documentário é sobre estilos de vida individuais com repercussões conscientes no coletivo. Porque do ponto de vista da Natureza não existe desperdício. É a simbiose da vida. Um todo constituído de variáveis interdependentes, cada uma com a sua causa e reação.



O freeganismo é um estilo de vida alternativo baseado no boicote ao capitalismo, com vista a diminuir o impacto causado no ambiente e rejeitando qualquer forma de exploração humana e animal. Fazem-no através do consumo limitado e consciente de recursos, bem como do resgate (aproveitamento) do desperdício. Não por necessidade, mas por acreditarem que a sociedade produz acima das suas necessidades e possibilidades, com vista a dar continuidade a uma sociedade de consumo e crescimento ilusório. 

“Para o consumidor comum, aquilo que mais aconselho do que aprendi, é a fazermos cada vez mais uma compra planeada. Sabermos o que precisamos realmente, não comprarmos acima das nossas possibilidades, comprarmos localmente, evitarmos grandes superfícies, tomarmos conhecimento de como, quem e de onde os nossos produtos vieram. E acima de tudo, consumir menos e reaproveitar mais. O mundo não suporta mais este estilo de vida baseado num crescimento ilusório à custa de recursos que são finitos. Pensarmos mais do ponto de vista da Natureza e menos do ponto de vista do capital” disse Pedro Serra, realizador de Wasted Waste, numa entrevista que deu ao UniPlanet.

Wasted Waste
Realizado e produzido por Pedro Serra
84 minutos
2018