sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

A próxima Revolução Verde


Com a melhor tecnologia ao seu dispor, dois membros do Centro Donald Danforth para as Ciências Vegetais procuram compreender como as plantas funcionam e explicam de que forma a tecnologia pode beneficiar as culturas face às alterações climáticas. As superculturas modernas são úteis, mas não se chegará a uma solução agrária apenas com biotecnologia. 

>>Ler mais na crónica da revista National Geographic, Outubro "O que esperar da próxima Revolução Verde"

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Zygmunt Bauman: "Vivemos o fim do futuro"

Fonte: Época, 19/02/2014
Em 1963, o sociólogo polaco Zygmunt Bauman foi censurado e afastado da Universidade de Varsóvia por causa de suas ideias, consideradas subversivas no comunismo. Hoje, aos 88 anos, imigrante em Londres, é considerado um dos pensadores mais eminentes do declínio da civilização. Ele ainda dá aulas na London School of Economics, ministra palestras pelo mundo inteiro e publicou quatro dezenas de livros que viraram best-sellers. O mais recente é Vigilância líquida
Bauman é autor do conceito de “modernidade líquida”. Com a ideia de “liquidez”, ele tenta explicar as mudanças profundas que a civilização vem sofrendo com a globalização e o impacto da tecnologia da informação. Nesta entrevista, ele fala sobre como a vida, a política e os padrões culturais mudaram nos últimos 20 anos. As instituições políticas perderam representatividade porque sofrem com um “deficit perpétuo de poder”. Na cultura, a elite abandonou o projeto de incentivar e patrocinar a cultura e as artes. Segundo ele, hoje é moda, entre os líderes e formadores de opinião, aceitar todas as manifestações, mas não apoiar nenhuma. 

ÉPOCA – De acordo com sua análise, as pessoas vivem um senso de desorientação. Perdemos a fé em nós mesmos? 
Zygmunt Bauman – Ainda que a proclamação do “fim da história” de Francis Fukuyama não faça sentido (a história terminará com a espécie humana, e não num momento anterior), podemos falar legitimamente do “fim do futuro”. Vivemos o fim do futuro. Durante toda a era moderna, nossos ancestrais agiram e viveram voltados para a direção do futuro. Eles avaliaram a virtude de suas realizações pela crescente (genuína ou suposta) proximidade de uma linha final, o modelo da sociedade que queriam estabelecer. A visão do futuro guiava o presente. Nossos contemporâneos vivem sem esse futuro. Fomos repelidos pelos atalhos do dia de hoje. Estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá. 

ÉPOCA – Segundo o senhor, a decadência da política acontece desde o século passado. A situação piorou agora? 
Bauman – A decadência da política é causada e reforçada pela crise da agenda política. As instituições amarram o poder de resolver os problemas à política. Ela seria capaz de decidir que coisas precisariam ser feitas. Nossos antepassados conceberam uma ordem que dependia dos serviços do Estado-nação. Mas essa ordem não é mais adequada aos desafios postulados pela contínua globalização de nossa interdependência. Com a separação do poder e da política, a gente se encontra na dupla situação de poderes livres do controle político e da política que sofre o deficit perpétuo do poder. Daí a crise de confiança nas instituições políticas, uma vez que a política investiu nos parlamentos e nos partidos para construir a democracia como atualmente a compreendemos. Mais e mais pessoas duvidam que os políticos sejam capazes de cumprir suas promessas. Assim, elas procuram desesperadamente veículos alternativos de decisão coletiva e ação, apesar de, até agora, isso não ter representado uma alteração efetiva. 

ÉPOCA – As redes sociais aumentaram sua força na internet como ferramentas eficazes de mobilização. Como o senhor analisa o surgimento de uma sociedade em rede? 
Bauman – Redes, você sabe, são interligadas, mas também descosturadas e remendadas por meio de conexões e desconexões... As redes sociais eram atividades de difícil implementação entre as comunidades do passado. De algum modo, elas continuam assim dentro do mundo off-line. No mundo interligado, porém, as interações sociais ganharam a aparência de brinquedo de crianças rápidas. Não parece haver esforço na parcela on-line, virtual, de nossa experiência de vida. Hoje, assistimos à tendência de adaptar nossas interações na vida real (off-line), como se imitássemos o padrão de conforto que experimentamos quando estamos no mundo on-line da internet. 

ÉPOCA – Os jovens podem mudar e salvar o mundo? Ou nem os jovens podem fazer algo para alterar a história? 
Bauman – Sou tudo, menos desesperançoso. Confio que os jovens possam perseguir e consertar o estrago que os mais velhos fizeram. Como e se forem capazes de pôr isso em prática, dependerá da imaginação e da determinação deles. Para que se deem uma oportunidade, os jovens precisam resistir às pressões da fragmentação e recuperar a consciência da responsabilidade compartilhada para o futuro do planeta e seus habitantes. Os jovens precisam trocar o mundo virtual pelo real.

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Amigos próximos têm muitos genes comuns

Fonte: Quero Saber
A primeira investigação de correlações genómicas entre amigos revelou que as pessoas não partilham seus genes só com os familiares: os amigos têm mais DNA parecido do que os estranhos.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego selecionaram para sua investigação somente pessoas amigas entre si que não eram familiares. Revelou-se que os amigos são biologicamente próximos, à semelhança dos parentes na quinta geração. A maioria destes genes em grupos é associada ao sentido do olfato e imunidade.
No segundo caso, eles, pelo contrário, se distinguem mais do que a média da população, ou seja, os genótipos dos amigos protegem-nos de várias doenças. As vantagens evolutivas desse fenômeno são óbvias: em uma pequena comunidade é mais fácil resistir às epidemias se os seus membros não são sujeitos a seus ataques da mesma maneira.
O mais interessante é que os genes comuns dos amigos evoluem mais rapidamente do que os outros: isto pode explicar, em parte, a aceleração da história da humanidade nos últimos 30 mil anos, quando o ambiente social se tornou uma das forças motrizes da evolução.

Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_07_18/Amigos-pr-ximos-t-m-muitos-genes-comuns-3413/

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Cidad´ave

Cidad´ave

Meu chão de sementes, celeiro urbano
Continuamos a ver manhãs verdadeiras
mais os relógios incertos
E continuamos juntos nas cidades 
de todas as noites que se oferecem

se estes bicos são os teus lábios, 
se o meu canto adocica o teu fugir
se as tuas asas são as minhas,
Este papel na vida não somos nós?

Por João Soares, 22-09-2014

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Uns bons argumentos contra a monocultura/ cultura de transgénicos

E Mail com as perguntas
Caros amigos
Quais os argumentos a contrapor quando   referenciam que a cultura intensiva e mono cultura é importante para matar a fome. Sei que isto é falso e por instinto sei que é uma mentira, mas isto não chega.Espero que m e deem algumas dicas.
Igualmente quando falas com um pequeno agricultor que aderiu aos trangénicos,, caso do milho e outras culturas e que te diz que tem menos trabalho e melhores resultados, como contrapôr? É dificil mas não impossivel a abordagem.
As minhas melhores saudações
Fernanda Julia Garcia

Respostas por Irina Castro
A minha resposta iria neste sentido.

1º O mito da fome: a questão da fome no mundo é colocada sempre sobre o principio da escassez e nunca é vista como uma questão de má, e injusta redistribuição e alimentos. 
Por exemplo: como podemos justificar que Tanzania, sendo um dos paises africanos onde mais se pesca, seja onde o consumo de peixe é menor, e onde existem altos indexes de fome? simples, os tratados bilaterais, bem como as imposições economicas por parte de outros paises sobre a divida externa de Tanzania obrigam a que o país exporte a maioria das suas pescas. O que depois significa também na europa, que paises como Portugal e Grecia, recebam incentivos para o abate das suas frotas pesqueiras.
Isto impõem não só pressões enormes sobre os países, mas também uma pressão ambiental sobre tanzania que tem de produzir peixe suficente para cumprir as exportações, originando problemas ambientais como os que temos no lago vitoria.

2º A fome não é só uma questão de ter ou não ter comida. Está associada à cultura e à historia dos povos. Existe uma relação psico-emocial-social com a alimentação, e descartar isso da discussão é ignorar por completo a complexidade do fenomeno da fome.
Podes explicar isto muito bem como culturas como a mexicana, cuja diversidade de milho está associada à sua alimentação. A textura, as cores, os sabores, e até mesmo as formas de produção. 

Isto para dizer, para além da perda de agrodiversidade promovida pela monocultura, ela também destroi sistemas de produção integrada. A Milpa, sistema de produção de milho no mexico, engloba a produção do milho, com a da abobora e com o feijão, três dos principais elementos que compõem a alimentação do povo mexicano. Ora se substituis isso por milho em monocultura, na verdade estás a promover a fome, e não a alimentação.

3º A monocultura e o milho trangenico (o hibrido também) são desenhados de acordo com uma visão de ambiente e sociedade norte-americanas. E até é possivel que nas primeiras colheitas agricultures portugueses e indianos possam ter bons resultados, o problema está associado à continuação da produção, que a longo prazo tem demonstrado não apresentar uma analise de custo-benificio favoravel aos pequenos agricultures.
Por outro lado, a questão dos trangénicos implica que se percam as redes de troca de sementes, o que em termos de produção mais tarde o agricultore verá que as sementes que compra à empresa são por vezes 10 vezes mais caras que as que comprava anteriormente e podem custar até 40% do rendimento da produção.


sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Entrevista a Raimundo Quintal- Jardins com História na Madeira, Jardineiros e o Garden Tourism


O conhecido geógrafo e investigador madeirense Raimundo Quintalpresidente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal e ex-vereador do Ambiente da câmara da cidade, falou, nesta entrevista, da fitodiversidade nos jardins do Funchal, das potencialidades do “Garden Tourism” na Madeira e da importância da formação dos jardineiros.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Maria Bicileta- Ciclocultura no feminino

© Maria Bicicleta - A bióloga Mariana Carvalho também circula de bicicleta com os seus filhos
O site Maria Bicicleta traz-nos algumas histórias de mulheres que venceram o medo de pedalar na cidade de Lisboa. Consulte aqui o Facebook de Maria Bicicleta para conhecer o perfil destas 20 mulheres sobre rodas.
Ver filme

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Anselmo Borges: Ética ecológica

É significativo que, até pela via etimológica, ética e ecologia estão relacionadas. De facto, ética vem do grego êthos, que significa costumes e morada; ecologia provém de duas palavras gregas (oikos, casa, e lógos, razão, discurso) e significa tratado da casa, também em conexão com economia (oikos e nómos, lei), a lei da casa.
[...]
Logo pela etimologia se vê a importância decisiva do tema, pois é da nossa casa e do cuidado por ela que se trata. O debate tem-se tornado premente por causa da crise ecológica: alterações climáticas, contaminação do ar, do solo e da água, desertificação, extinção de espécies.
Figura eminente do biocentrismo foi Albert Schweitzer, filósofo, teólogo, médico, músico, missionário fundador do hospital de Lambarene, no Gabão, Prémio Nobel da Paz. Para ele, a vida é algo de sagrado, despertando veneração e respeito. O seu princípio fundamental é: "Eu sou vida que quer viver no meio de vida que quer viver."

Frente ao antropocentrismo, afirma-se o fisiocentrismo (do grego physis, natureza), que, contra a concepção moderna objectivante e físico-matemática da natureza, a afirma como organismo vivo e subjectividade autocriadora, no quadro de uma cosmovisão de cariz panteizante e reivindicando, assim, uma dimensão ética para toda a natureza. Contra o dualismo homem-natureza, vê o Homem integrado na natureza, numa unidade de co-pertença, que exige o paradigma da colaboração, contra o paradigma da objectivação e da exploração pelo Homem.

Face a estas concepções, é necessário superar um duplo radicalismo: o antropocentrismo que tudo objectiva e o naturalismo panteizante. Para isso, impõe-se estar atento ao lugar do Homem na evolução: se, por um lado, ele não é desvinculável da natureza, por outro, não é idêntico à natureza, pois tem características que o tornam qualitativamente diferente: é natureza humana.

Neste contexto, a distinção entre agente moral, status reservado ao Homem enquanto ser racional e livre, e paciente moral, qualidade atribuível a todos os seres naturais, proposta por Gómez-Heras e outros, ajuda a iluminar o problema. Ao Homem compete a construção de um mundo moral, pelo conhecimento, reflexão e decisão. E faz-se justiça à natureza, "reconhecendo os valores de que é portadora" e assumindo-os como fonte de respeito e obrigação moral.

Todo o artigo aqui

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Encontros improváveis: Pe. Fábio de Melo e Francesco Giannico

"O único futuro que temos de fato é o momento presente. Viver bem é a única forma de resolver a restrição."- Pe. Fabiano de Melo

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Técnicas de meditação associadas ao budismo tibetano podem melhorar o desempenho do cérebro

Ciência Hoje
Ao contrário da crença popular, nem todas as técnicas de meditação produzem efeitos similares no corpo e na mente. Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura (NUS) demonstrou pela primeira vez que os diferentes tipos de meditação budista - nomeadamente os estilos Vajrayana e Theravada - suscitam influências qualitativamente diferentes na fisiologia e comportamento humanos, produzindo excitação e respostas de relaxamento respectivamente. 
Os pesquisadores descobriram que a meditação NUS Vajrayana,associada ao budismo tibetano, pode levar a melhorias no desempenho cognitivo.

O estudo realizado por Maria Kozhevnikov e Ido Amihai do Departamento de Psicologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da NUS foi publicado na revista PLoS ONE, em Julho de 2014.

Kozhevnikov e Amihai analisaram quatro tipos diferentes de práticas meditativas: dois tipos de meditações Vajrayana (Budismo Tibetano) práticas (de visualização de auto-geração-como-Divindade e Rig-pa) e dois tipos de práticas Theravada (shamatha e vipassana) . Recolheram respostas em electrocardiogramas e electroencefalogramas e mediram o desempenho comportamental em tarefas cognitivas, utilizando um grupo de pptatiicantes experientes Theravada da Tailândia e Nepal, bem como praticantes Vajrayana do Nepal.

Eles observaram que as respostas fisiológicas durante a meditação Theravada diferem significativamente das obtidas durante a meditação Vajrayana. A meditação Theravada produzia activação parassimpática aumentada (relaxamento). Em contraste, a meditação Vajrayana não mostrava qualquer evidência de actividade parassimpática, mas revelava uma activação do sistema simpático (excitação).

Os resultados mostram que os estilos de meditação Vajrayana e Theravada são baseados em diferentes mecanismos neurofisiológicos, que dão origem tanto a uma excitação ou resposta de relaxamento.

A meditação Vajrayana pode levar a uma dramática melhoria no desempenho cognitivo, podendo ser especialmente útil em situações em que é importante realizar uma perfomance ao melhor nível, como, por exemplo, durante uma competição ou estados de urgência. Os estilos de meditação Theravada são uma excelente maneira de diminuir o stress, aliviar a tensão e promover relaxamento profundo.

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