domingo, 17 de junho de 2018

A sinceridade é tudo, por Phiip Roth



"A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade é pior que a falsidade e a inocência que é pior que a corrupção."
Philip Roth (A Mancha Humana)

Para saber mais sobre Philip Roth
The Philip Roth Society
Philip Roth looks back on a legendary career, and forward to his final act
American Master's Philip Roth: Unmasked.
Works by Philip Roth at Open Library
Library resources in your library and in other libraries by Philip Roth
Web of Stories online video archive: Roth talks about his life and work in great depth and detail. Recorded in NYC, March 2011
Appearances on C-SPAN
Philip Roth at the Internet Broadway Database
Philip Roth on IMDb

Interviews
Hermione Lee (Fall 1984). "Philip Roth, The Art of Fiction No. 84". The Paris Review.
Roth interview – from NPR's "Fresh Air", September 2005
Roth interview – from The Guardian, December 2005
Roth interview – from Open Source
Roth interview – from Der Spiegel, February 2008
Roth interview – from the London Times, October 17, 2009
Roth interview – from CBC's Writers and Company. Aired 2009-11-01
Roth interview – from New York Times. Printed 2018-01-16

sábado, 16 de junho de 2018

Precisamos de pessoas que não nos peçam que nos tornemos diferentes, por Hannah Brencher

Papua New Guinea

"Precisamos de pessoas que não nos peçam que nos tornemos diferentes para que nos aceitem e concedam a sua aprovação. Precisamos de pessoas, e temos de ser pessoas, que permitem aos outros sentar-se na sua própria pele e não ter medo. Esse é o melhor presente que alguma vez se poderá dar a alguém - a permissão para que se sinta seguro na sua própria pele. Para que se sinta digno. Para que sinta que é suficiente
Hannah Brencher

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Estudos mostram que 42% das espécies na Europa diminuíram na última década

Tendência registada na Europa deve-se ao aumento da intensidade da agricultura e da silvicultura, "com consequências directas no declínio da biodiversidade".
Fonte: Sábado, 29.05.2018
Um conjunto de estudos sobre a biodiversidade, realizados a nível mundial e no quais trabalhou também uma investigadora do Porto, indicam que 42% das espécies animais e vegetais na Europa diminuíram as suas populações na última década.

Os resultados destes estudos mostram "a continuação do declínio da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas a nível mundial, nas várias regiões analisadas, causando a degradação das condições de vida de muitas pessoas", disse à Lusa a investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), Isabel Sousa Pinto.

Estes estudos foram realizados pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), uma entidade científica da Organização das Nações Unidas (ONU) para a área da biodiversidade, equivalente ao Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

As conclusões, apresentadas na 6.ª Assembleia Geral do IPBES, em Medellin (Colômbia), indicam que a tendência registada na Europa deve-se ao aumento da intensidade da agricultura e da silvicultura, "com consequências directas no declínio da biodiversidade", referiu a investigadora.

"O mar mostrou-se uma das áreas com menos conhecimento mas com situação mais preocupante, com 27% das espécies e 66% dos habitats marinhos avaliados com estado de conservação desfavorável", indicou a professora da Universidade do Porto, que co-liderou um dos seis capítulos desta avaliação, orientado para as regiões da Europa e Ásia Central.

Segundo Isabel Sousa Pinto, embora a maioria da exploração pesqueira nesta região mostre ainda uma "tendência insustentável", existem "alguns casos de recuperação de stocks, resultantes da aplicação de medidas adequadas de gestão, que indicam o caminho a seguir no futuro".

Entre essas medidas, destacou, encontram-se a redução das pescas, da desflorestação e da poluição, o aumento da promoção de áreas protegidas, a redução da caça e do tráfico de animais e a conservação de aves.

"A Europa não é das zonas com menos problemas. Apesar de termos políticas avançadas em termos de controlo da poluição e de conservação, comparativamente a outras regiões do mundo, também temos uma utilização intensiva dos recursos, que levam a que a biodiversidade seja bastante ameaçada", salientou.

Na sua opinião, a biodiversidade não pode ser uma preocupação só do Ministério do Ambiente, devendo envolver outras esferas políticas, como é o caso "das pescas, da agricultura, da floresta, dos transportes, do planeamento urbanístico, da zona costeira e da zona marítima e do planeamento energético".

A professora apontou a agricultura biológica, uma melhor gestão de áreas protegidas, a criação de passagens subterrâneas ou aéreas para a fauna (evitando o seu atropelamento) e a verificação dos locais onde se instalam as torres de energia eólica (para reduzir a mortalidade de aves), como algumas das medidas que podem ser tomadas para controlar o declínio da biodiversidade.

Encomendados pelos governos de diferentes países, estes estudos tiveram a duração de três anos e contaram com a participação de mais de 550 especialistas - entre os quais cinco portugueses -, de cerca de 100 países.

Os investigadores recorreram a trabalhos já publicados sobre a relação entre a biodiversidade com o bem-estar das pessoas e a tendência dos serviços de ecossistema, ao conhecimento indígena e aos depoimentos de pessoas que trabalham nas áreas protegidas e de trabalhadores locais, como agricultores, pescadores e pastores.

Durante a assembleia, Isabel Sousa Pinto foi eleita para integrar o MEP (Multidisciplinary Expert Panel), órgão responsável por assegurar a qualidade científica dos trabalhos desenvolvidos pela IPBES, seleccionar os autores para os novos estudos, bem como formular o novo programa de trabalhos a partir das sugestões e pedidos dos governos. 

A IPBES está a elaborar uma avaliação global da biodiversidade e serviços dos ecossistemas, incluindo a avaliação dos oceanos e do uso sustentável de espécies selvagens, os efeitos das espécies invasoras e os métodos de avaliação e de valorização da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas. 

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Poema da Semana - A Verdadeira Liberdade, por Fernando Pessoa

Igor Morski 1960 - Polish Surrealist Illustrator

A liberdade, sim, a liberdade! 
A verdadeira liberdade! 

Pensar sem desejos nem convicções. 
Ser dono de si mesmo sem influência de romances! 
Existir sem Freud nem aeroplanos, 
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço! 

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais 
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida! 
Como o luar quando as nuvens abrem 
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava 
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim... 
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente, 
A noção jurídica da alma dos outros como humana, 
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez 
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma 
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo! 

Passos todos passinhos de criança... 
Sorriso da velha bondosa... 
Apertar da mão do amigo [sério?]... 
Que vida que tem sido a minha! 
Quanto tempo de espera no apeadeiro! 
Quanto viver pintado em impresso da vida! 

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade, 
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote 
Da casa do campo da minha velha infância... 
Eu bebia e ele chiava, 
Eu era fresco e ele era fresco, 
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre. 
Que é do púcaro e da inocência? 
Que é de quem eu deveria ter sido? 
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim? 

Álvaro de Campos, in "Poemas (Inéditos)" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Byung-Chul Han: “Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização”

O filósofo sul-coreano, um destacado dissecador da sociedade do hiperconsumismo, fala sobre suas críticas ao “inferno do igual”
Berthe Morisot- The bowl of milk, 1892
As Torres Gémeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Livros como A Sociedade do Cansaço, Psicopolítica e A Expulsão do Diferente reúnem seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo.

“No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou em sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), na Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se autoexploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”.

Autenticidade. Para Han, as pessoas se vendem como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”.

Autoexploração. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout”. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento.

‘Big data’.”Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos nos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”.

Comunicação. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”.

Jardim. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto... É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números.

Narcisismo. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no fato de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de autoestima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”.

Os outros. Esta é a chave para suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”.

Refugiados. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai veranear em seus países.

Tempo. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.

Biografia
Byung-Chul Han

terça-feira, 12 de junho de 2018

Encontramo-nos agora, onde duas estradas divergem, por Rachel Carson

 Clica na imagem para ampliar
"Encontramo-nos agora, onde duas estradas divergem. Mas, ao contrário das estradas no poema familiar de Robert Frost, elas não são igualmente equiparáveis. A estrada que há muito viajamos é enganosamente fácil, uma super-autoestrada suave sobre a qual progredimos com grande velocidade, mas no final disso jaz um desastre. A outra bifurcação da estrada - a menos explorada - oferece a nossa última, a nossa única chance de alcançar um destino que assegure a preservação da terra ".- Rachel Carson,  em "Primavera Silenciosa"

Fonte e tradução Green Anonymous Portugal

sábado, 9 de junho de 2018

“O ambiente é muito importante para a paz", por Wangari Maathai



O ambiente é muito importante para a paz, uma vez que quando destruímos os nossos recursos e estes se escasseiam fazemos guerras para os conseguir.
Wangari Maathai, Prémio Nobel da Paz de 2004

Quem foi Wangari Maathai

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A Europa não se entende, por Agostinho da Silva

Ela Yeşildoğan- Detail shot of an Upper West Side cathedral

"... A Europa não presta para nada, a Europa não se entende, porque está a querer fazer uma coisa nova com uma trapalhada velha... [...] O que se deve é chegar a outra coisa muito importante: à liberdade cultural de cada homem! 
Já não se trata de esta região ou aquela ser desta ou daquela maneira: trata-se de ser à sua maneira cada pessoa! Temos de levar o mundo a um tal tipo de organização que permita a identidade cultural de cada homem, sem sofrer nenhuma espécie de atropelo. 
A liberdade cultural do Minho, ou da Catalunha, ou da Andaluzia, ou de qualquer coisa dessas, é apenas um degrau para passarmos ao último andar da casa, que é cada homem ter a sua plena liberdade cultural! 
Como se costuma dizer, fazer aquilo que lhe der na cabeça, ou no coração, ou nos pés, se preferir andar. Rumar exactamente como quiser rumar; e o mundo estar organizado de tal maneira que daí não resulte o caos, mas uma nova espécie de cosmos, isto é uma espécie de nova ordem. 
Que resulte um mundo que continue a ser mundo. As pessoas não se lembram que "mundo" é a palavra contrária de "imundo". [...] Mundo é um adjectivo, é o contrário de imundo. 
Nós não queremos um mundo imundo, queremos conservar o mundo cada vez mais mundo, cada vez mais puro... É preciso que cada pessoa seja cada vez mais pura. E o que é ser cada vez mais puro? É ser cada vez mais ele." 

- Agostinho da Silva, "Ir à Índia sem abandonar Portugal" in "Ir à Índia sem Abandonar Portugal, Considerações e Outros Textos", Assírio & Alvim, 1994, p. 44