segunda-feira, 6 de julho de 2020

Lixo electrónico atinge novo recorde: 53,6 milhões de toneladas em todo o Mundo

Fonte: aqui

Televisões, consolas, computadores, smartphones ou frigoríficos. Estes são alguns dos equipamentos que compõem o chamado lixo electrónico, que tem vindo a crescer de ano para ano. Só em 2019, a população mundial gerou 53,6 milhões toneladas de lixo deste tipo. Segundo o relatório “Global E-Waste Monitor 2020”, trata-se de um novo recorde e de um aumento de mais de 20% face aos cinco anos anteriores.

Segundo a análise, elaborada pela International Telecommunication Union em parceria com a International Solid Waste Association, a tendência será para este número continuar a crescer. Não existem as infra-estruturas necessárias para reciclar estes equipamentos e a reparação nem sempre é opção – especialmente quando comprar um novo modelo é mais barato ou cómodo. Do total de e-waste gerado em 2019, apenas 17,4% foi recolhido e reciclado.

O “Global E-Waste Monitor 2020” indica ainda que esta é a fonte de lixo doméstico que mais rápido cresce no planeta. Os 53,6 milhões de toneladas verificados no ano passado são equivalentes a 350 navios de cruzeiro do tamanho do Queen Mary 2.

Vanessa Forti, uma das autoras do relatório, sublinha que o mais preocupante não é somente a quantidade de e-waste que está a surgir. É também «o facto de que as tecnologias de reciclagem não estão a acompanhar o ritmo de crescimento do e-waste». Citada pela Fast Company, a especialista sublinha que essa é a mensagem chave deste estudo: «A reciclagem tem de melhorar.»

E quais as consequências de não reciclar o lixo electrónico? Este tipo de equipamentos contém componentes tóxicos que, se não forem geridas da forma correcta, podem representar um perigo para o ambiente. Olhando apenas para os frigoríficos e para aparelhos de ar condicionado, o relatório estima que, no último ano, o tratamento incorrecto destes equipamentos em fim de vida tenha resultado em 98 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Este número corresponde a 0,3% de todas as emissões de gases de efeito de estufa a nível global, em 2019.

Actualmente, apenas 78 países têm leis ou medidas de combate ao lixo electrónico. Se a preocupação com estes equipamentos não se estender a todo o Mundo, dando origem a um movimento global, os especialistas antecipam 74 milhões de toneladas de e-waste para 2030.

domingo, 5 de julho de 2020

UN highlights urgent need to tackle impact of likely electric car battery production boom

Fonte: aqui


Demand for raw materials used in the production of electric car batteries is set to soar, prompting the UN trade body, UNCTAD, to call for the social and environmental impacts of the extraction of raw materials, which include human rights abuses, to be urgently addressed.

Electric cars are rapidly becoming more popular amongst consumers, and UNCTAD predicts that some 23 million will be sold over the coming decade: the market for rechargeable car batteries, currently estimated at $7 billion, is forecast to rise to $58 billion by 2024 .

The shift to electric mobility is in line with ongoing efforts to reduce the world’s dependence on fossil fuels, and reduce harmful greenhouse gas emissions responsible for climate change, but a new report from UNCTAD, warns that the raw materials used in electric car batteries, are highly concentrated in a small number of countries, which raises a number of concerns.
Drilling down in DRC, Chile

For example, two-thirds of all cobalt production happens in the Democratic Republic of the Congo (DRC). According the UN Children’s Fund (UNICEF), about 20 per cent of cobalt supplied from the DRC comes from artisanal mines, where human rights abuses have been reported, and up to 40,000 children work in extremely dangerous conditions in the mines for meagre income.

And in Chile, lithium mining uses nearly 65% of the water in the country's Salar de Atamaca region, one of the driest desert areas in the world, to pump out brines from drilled wells. This has forced local quinoa farmers and llama herders to migrate and abandon ancestral settlements. It has also contributed to environment degradation, landscape damage and soil contamination, groundwater depletion and pollution.
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Electric cars at UN Headquarters, New York (file)

Climb the value chain

Noting that "the rise in demand for the strategic raw materials used to manufacture electric car batteries will open more trade opportunities for the countries that supply these materials”, UNCTAD's director of international trade, Pamela Coke-Hamilton, emphasised the importance, for these countries, to “develop their capacity to move up the value chain".

In the DRC, this would mean building processing plants and refineries that would add value and, potentially, jobs within the country. However, for various reasons (including limited infrastructure, financing and a lack of appropriate policies), refining takes place in other countries, mainly Belgium, China, Finland, Norway and Zambia, which reap the economic benefit.

The report recommends that countries such as DRC provide “conducive environment to attract investment to establish new mines or expand existing ones”.

Diversify and thrive

UNCTAD also recommends that the industry find ways to reduce its dependence on critical raw materials. For example, scientists are researching the possibility of using widely-available silicon, instead of graphite (80% of natural graphite reserves are in China, Brazil and Turkey).

If the industry manages to become less reliant on materials concentrated in a small number of countries, says UNCTAD, there is more chance that prices of batteries will drop, leading to greater take-up of electric cars, and a shift away from fossil-fuel powered transport.

As for the environmental consequences of the batteries themselves, the report recommends the development of improved, more sustainable mining techniques, and the recycling of the raw materials used in spent Lithium-Ion batteries, a measure that would help deal with the expected increase in demand, and also create new business opportunities.

sábado, 4 de julho de 2020

São Serafim de Sarov


“Beba água da nascente onde os cavalos bebem. O cavalo nunca vai beber água ruim.
Coloque sua cama onde o gato dorme.
Coma a fruta que foi tocada por um verme.
Escolha corajosamente o cogumelo onde os insectos pousam.
Plante a árvore onde a toupeira escava.
Construa a sua casa onde a cobra se senta para se aquecer.
Cave a sua fonte onde os pássaros se escondem do calor.
Vá dormir e acorde ao mesmo tempo que os pássaros -
com isso, você colherá todos os dias grãos de ouro...
Coma mais verde - você terá pernas fortes e um coração resistente, como os seres da floresta.
Nade com frequência e você se sentirá na terra como o peixe na água.
Olhe para o céu o mais rápido possível e seus pensamentos se tornarão cada vez mais claros.
Fique quieto, muito, fale pouco - e o silêncio entrará em seu coração, e seu espírito estará calmo e cheio de paz. ”
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de São Serafim de Sarov (Anacoreta, padre do deserto).

sexta-feira, 3 de julho de 2020

“A pergunta mais difícil”, arrepiante mensagem de Daniel Oliveira acerca da pandemia


O jornalista Daniel Oliveira lançou esta terça-feira, dia 30 de junho, uma mensagem que terminou em tom de pergunta, que na sua opinião, todos nós devemos colocar a nós próprios, acerca da pandemia que se abateu sobre o mundo.

Uma pergunta difícil, que ninguém parece querer fazer, mas que na opinião de Daniel Oliveira, vamos ter mesmo de fazer…

Pode optar por ouvir, ou ler o que disse o jornalista, mais abaixo:

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“A semana passada António Guterres disse que num cenário otimista, em que os países desenvolvidos coordenassem as suas respostas, talvez fosse possível conter o vírus, e impedir uma segunda onda. Isso salvaria os países mais pobres, e garantiria um regresso à normalidade daqui a 2 ou 3 anos.

Num cenário pessimista, o vírus chegaria em força ao hemisfério sul, e teríamos uma importante segunda onda. As consequências económicas e para a saúde pública poderiam durar 5 a 7 anos.

Olhando para a descoordenação internacional, até dentro da União Europeia, parece-me o cenário mais provável.

Mas não vale a pena pormo-nos a adivinhar, não sabemos se haverá vacina, se a infeção garante uma forte imunidade. Não sabemos quanto tempo isto vai durar. Pode durar muitos anos, e a pergunta difícil é ninguém pode ainda responder, mas parece-me é que muito poucos querem fazer, é ‘até onde estamos dispostos a ir?’.

Falemos apenas de alguns efeitos, do prolongar daquilo a que chamamos – como quem deseja ser engenheiro das almas – de ‘novo normal’.
Imaginem a evolução das outras doenças, perante uma sociedade mais sedentária, isolada e com medo, e como responderá o SNS, obcessivamente focado num único vírus, e cada vez mais fragilizado pela falta de recursos, que a crise económica provocará.
  • Imaginem o crescimento exponencial de problemas mentais, em pessoas saudáveis ou já com patologias, em muitos casos com desfechos trágicos.
  • Imaginem a qualidade de vida dos mais velhos, ainda mais isolados do mundo e das suas famílias.
  • Imaginem os efeitos emocionais, sociais e políticos, do prolongamento do clima de medo, alimentado durante os próximos anos pelas autoridades da comunicação social.
  • Imaginem os efeitos de uma crise económica que se pode tornar interminável e destrutiva de todo o nosso modo de vida.
  • Imaginem os efeitos políticos do prolongamento da limitação das liberdades cívicas, da sua aceitação acrítica e da arbitrariedade como modo normal de funcionamento do estado.
  • Imaginem como a vigilância, que a tecnologia já facilitava, pode passar a ser a forma normal do poder político e económico de lidar com os cidadãos.
  • Imaginem os efeitos que terá o teletrabalho como forma definitiva de funcionamento das empresas, com os trabalhadores sem redes de solidariedade entre eles, ainda mais indefesos perante os abusos do seu patrão.
  • Imaginem o que fará o isolamento social às pessoas mais pobres e vulneráveis.
  • Imaginem as vítimas de vi0lência doméstica, os a1co0licos, os toxic0dependentes, todos abandonados.
  • Imaginem milhões de adolescentes e crianças, a crescerem com níveis de socialização muitíssimo baixos, que efeitos irreparáveis isto pode ter no seu desenvolvimento psíquico-social.

Ponho a pergunta de forma brutal às pessoas da minha geração: ‘temos o direito de destruir assim, a vida dos nossos filhos? E temos o direito de deixar os pobres ainda mais pobres, os excluídos ainda mais excluídos, os doentes ainda mais doentes, em nome da nossa vida?’

Não tenho respostas para estas perguntas. Elas são dolorosas, e podem levar a conclusões cruéis, mas temos mesmo de começar a fazê-las. Somos mortais, e temos de saber viver com isso. Muitas pessoas morreram para conquistar o que temos hoje, a democracia, a liberdade e a prosperidade.

‘Estamos dispostos a atirar tudo para o lixo, para sobrevivermos? Isso seria generosidade, ou egoísmo?’. Não sei responder a nada disto, apenas me assusta ver tanta gente demasiado concentrada no seu próprio medo para fazer a pergunta mais difícil:

‘E se isto durar muito tempo?'”

quinta-feira, 2 de julho de 2020

The Neoliberal Looting of America

Não foi só a América que foi saqueada pelo neoliberalismo: o artigo pode ser generalizado a quase todo o mundo desenvolvido. Poucos ideólogos terão feito tanto mal ao mundo como Hayek.


“It’s hard to separate what’s good for the United States and what’s good for Bank of America,” said its former chief executive, Ken Lewis, in 2009. That was hardly true at the time, but the current crisis has revealed that the health of the finance industry and stock market are completely disconnected from the actual financial health of the American people. As inequality, unemployment and evictions climb, the Dow Jones surges right alongside them — one line compounding suffering, the other compounding returns for investors.

One reason is that an ideological coup quietly transformed our society over the last 50 years, raising the fortunes of the financial economy — and its agents like private equity firms — at the expense of the real economy experienced by most Americans.

The roots of this intellectual takeover can be traced to a backlash against socialism in Cold War Europe. Austrian School economist Friedrich A. Hayek was perhaps the most influential leader of that movement, decrying governments who chased “the mirage of social justice.” Only free markets can allocate resources fairly and reward individuals based on what they deserve, reasoned Hayek. The ideology — known as neoliberalism — was especially potent because it disguised itself as a neutral statement of economics rather than just another theory. Only unfettered markets, the theory argued, could ensure justice and freedom because only the profit motive could dispassionately pick winners and losers based on their contribution to the economy.

Neoliberalism leapt from economics departments into American politics in the 1960s, where it fused with conservative anti-communist ideas and then quickly spread throughout universities, law schools, legislatures and courts. By the 1980s, neoliberalism was triumphant in policy, leading to tax cuts, deregulation and privatization of public functions including schools, pensions and infrastructure. The governing logic held that corporations could do just about everything better than the government could. The result, as President Ronald Reagan said, was to unleash “the magic of the marketplace.”


The magic of the market did in fact turn everything into gold — for wealthy investors. Neoliberalism led to deregulation in every sector, a winner-take-all, debt-fueled market and a growing cultural acceptance of purely profit-driven corporate managers. These conditions were a perfect breeding ground for the private equity industry, then known as “leveraged buyout” firms. Such firms took advantage of the new market for high-yield debt (better known as junk bonds) to buy and break up American conglomerates, capturing unprecedented wealth in fewer hands. The private equity industry embodies the neoliberal movement’s values, while exposing its inherent logic.

Private equity firms use money provided by institutional investors like pension funds and university endowments to take over and restructure companies or industries. Private equity touches practically every sector, from housing to health care to retail. In pursuit of maximum returns, such firms have squeezed businesses for every last drop of profit, cutting jobs, pensions and salaries where possible. The debt-laden buyouts privatize gains when they work, and socialize losses when they don’t, driving previously healthy firms to bankruptcy and leaving many others permanently hobbled. The list of private equity’s victims has grown even longer in the past year, adding J.Crew, Toys ‘R’ Us, Hertz and more.

In the last decade, private equity management has led to approximately 1.3 million job losses due to retail bankruptcies and liquidation. Beyond the companies directly controlled by private equity, the threat of being the next takeover target has most likely led other companies to pre-emptively cut wages and jobs to avoid being the weakest prey. Amid the outbreak of street protests in June, a satirical headline in The Onion put it best: “Protesters Criticized For Looting Businesses Without Forming Private Equity Firm First.” Yet the private equity takeover is not technically looting because it has been made perfectly legal, and even encouraged, by policymakers.


According to industry experts, 2019 was one of the most successful years for private equity to date, with $919 billion in funds raised. The private equity executives themselves can also garner tremendous riches. Their standard fee structure involves collecting around 2 percent of the investor money they manage annually, and then 20 percent of any profits above an agreed-upon level. This lucrative arrangement also lets them tap into the very favorable “carried interest” tax loophole, allowing them to pay much lower capital gains tax rates on their earnings, rather than normal income taxes like most people.



An examination of the recent history of private equity disproves the neoliberal myth that profit incentives produce the best outcomes for society. The passage of time has debunked another such myth: that deregulating industries would generate more vibrant competition and benefit consumers. Unregulated market competition actually led to market consolidation instead. Would-be monopolies squeezed competitors, accrued political power, lobbied for even more deregulation and ultimately drove out any rivals, leading inexorably to entrenched political power. Instead of a thriving market of small-firm competition, free market ideology led to a few big winners dominating the rest.



The current crisis has revealed that the health of the finance industry and stock market are disconnected from the actual financial health of the American people.
Credit...George Etheredge for The New York Times


Take the banking sector. For most of American history, banks were considered a public privilege with duties to promote the “best interest of the community.” If a bank wanted to merge or grow or offer new services, the regulators often denied the request either because a community could lose a bank branch or because the new product was too risky. During the neoliberal revolution of the 1980s and ’90s, Congress and bank regulators loosened the rules, allowing a handful of megabanks to swallow up thousands of small banks.

Today, five banks control nearly half of all bank assets. Fees paid by low-income Americans have increased, services have been curtailed and many low-income communities have lost their only bank. When federally subsidized banks left low-income communities, vulture-like fringe lenders — payday, title, tax-refund lenders — filled the void. As it turns out, private equity firms are invested in some of the largest payday lenders in the country.

Faith in market magic was so entrenched that even the 2008 financial crisis did not fully expose the myth: We witnessed the federal government pick up all the risks that markets could not manage and Congress and the Federal Reserve save the banking sector ostensibly on behalf of the people. Neoliberal deregulation was premised on the theory that the invisible hand of the market would discipline risky banks without the need for government oversight. Even a former Fed chairman, Alan Greenspan, the most committed free market fundamentalist of the era, admitted in the understatement of the century, that “I made a mistake.”

We can start fixing the big flaws propagated over the last half century by taxing the largest fortunes, breaking up large banks and imposing market rules that prohibit the predatory behaviors of private equity firms.

Public markets can take over the places that private markets have failed to adequately serve. Federal or state agencies can provide essential services like banking, health care, internet access, transportation and housing at cost through a public option. Historically, road maintenance, mail delivery, police and other services are not left to the market, but provided directly by the government. Private markets can still compete, but basic services are guaranteed to everyone.

And we can move beyond the myths of neoliberalism that have led us here. We can have competitive and prosperous markets, but our focus should be on ensuring human dignity, thriving families and healthy communities. When those are in conflict, we should choose flourishing communities over profits.

Mehrsa Baradaran (@MehrsaBaradaran) is a professor of law at the University of California, Irvine, and author of “The Color of Money: Black Banks and the Racial Wealth Gap.”

How The Climate Crisis is Affecting the Global Carbon Cycle



Historically, our planet’s land and oceans have functioned as major ‘sinks’ in the global carbon cycle, together absorbing about half of global carbon emissions. Unfortunately, their carbon sequestering effectiveness is rapidly diminishing as temperatures rise, to the extent that carbon deposits on land may become net greenhouse gas emitters by mid-century if climate policies remain unchanged. How can this phenomenon be explained, and how are its risks mitigated?


Over the past 150 years, human activities have emitted about 545GtC (Gigatonnes) of carbon, with fossil fuel combustion comprising approximately three-quarters of this. Since terrestrial and marine biomes have each absorbed at least 30% of these emissions, effects of global warming have been significantly restrained. However, their capacity for carbon storage is fundamentally dependent on environmental determinants and can hence be severely reduced in hotter or drier climates.

Most carbon on land is locked up in tropical rainforests, peatlands and permafrost. While higher CO2 concentrations initially stimulate vegetation growth by facilitating photosynthesis, these benefits are rapidly overshadowed by falling soil moisture amid rising temperatures, causing plants to dehydrate and die. Not only is carbon fixation directly reduced from plummeting productivity or death of plants, lower transpiration rates mean that rainfall is diminished, giving rise to hotter and drier climates. This creates ideal settings for fires to ignite or spread, releasing more CO2 into the atmosphere in a positive feedback loop. In 2019 alone, fires in Indonesia’s dry forests and peatlands emitted more than 708 million tons of greenhouse gases, dwarfing the 366 million tons emitted from the Brazilian Amazon fires.

Summary of fast carbon cycle (Source: U.S. DOE, Biological and Environmental Research Information System at https://earthobservatory.nasa.gov/features/CarbonCycle )

Outside the tropics, rising temperatures cause permafrost soils in polar regions to thaw. Notably, permafrost thaw in Russia allows decomposition of its largely-preserved organic material into carbon dioxide and methane, raising atmospheric carbon concentrations while undermining the stability of existing infrastructure. In oceans, warmer water temperatures reduce the solubility of carbon dioxide gases and impede its flow to greater depths, a process called ‘vertical mixing’, and may deprive phytoplankton of the nutrients they need to drive the biological carbon pump. More dangerous, however, would be the melting of deep-ocean methane hydrate, where methane is frozen in ice deposits. Despite potential applications as an alternative energy source, its release of trapped methane has been theorised to be a primary contributor in the end-Permian mass extinction. Though such occurrences are unlikely without significant spikes in water temperature, such potentially devastating consequences cannot be disregarded, especially when mean ocean temperature is already projected to rise by up to 4°C by 2100.

To disrupt these positive feedback loops in the global carbon-cycle, extensive reforestation or carbon capture and sequestration (CCS) are commonly proposed as mitigation strategies to offset our carbon footprint, however neither route can function as a silver-bullet for anthropogenic climate change by itself, unless the root causes of human-induced carbon emissions are fundamentally addressed. Doing so necessitates substantial coordination of climate policies in all major economies to disincentivise greenhouse gas emissions, notably through carbon-pricing mechanisms such as ‘cap-and-trade’ or Pigouvian taxation. Whilst transition risks may pose significant short-term disruptions, substantial action is necessary to prevent uncontrolled global warming in the long-term.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Plantar 1 trilião de árvores é uma tarefa impossível?

Fonte: GreenSavers


O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou uma plataforma digital para ajudar os governos e a sociedade civil a saberem que árvores plantar e onde, com base nas características do clima e dos solos. O objetivo é facilitar a plantação de um trilião de árvores em todo o mundo. E também recuperar as florestas do Brasil, México, Peru e de alguns países africanos.

Disponível em quatro idiomas, incluindo o português, a TerraMatch reúne uma série de recomendações baseadas na qualidade do solo e nos tipos de árvores, e utiliza um algoritmo para combinar as ofertas com os projetos geridos por líderes experientes, capazes de fazer com que as árvores certas cheguem aos terrenos apropriados para o cultivo.

Os responsáveis pela plataforma realçam que é preciso compreender bem o terreno na hora de plantar para saber que tipos de árvores devem ser cultivadas numa área em particular, e por outro lado, é fundamental ligar o dinheiro doado para novas plantações com o conhecimento e o cultivo.

“As pessoas apoiam a plantação de árvores por vários motivos, mas para se alcançar esse objetivo é preciso ter conhecimento do terreno. A meta é reunir os patrocinadores com os especialistas locais para desenvolver planos com base no entendimento mútuo e com muito mais oportunidades de sucesso”, explica Aaron Minnick, o coordenador da TerraMatch.

A TerraMatch tem uma página online e uma aplicação que funciona em Iphone e Android.

Como funciona

Criar um perfil
▶ O desenvolvedor e o implementador de projetos criam perfis e colocam no TerraMatch uma série de informações, como quem é o proprietário da terra, como as árvores serão plantadas e restauradas e de quanto financiamento precisam. Cada projeto é verificado por especialistas do World Resources Institute (WRI ).

▶ Os financiadores também podem criar e anunciar suas ofertas de financiamento com base nas suas próprias preferências, desde seus objetivos, como a conservação da água, até ao método de restauração, como por exemplo sistemas agroflorestais.
Identificar oportunidades

▶ Através do algoritmo do TerraMatch, os financiadores podem procurar projetos que combinem com seus critérios de preferência. Os dados já verificados de cada projeto fornecem a possíveis financiadores informações transparentes e ajudam na tomada de decisão com segurança.

▶ Desenvolvedores e implementadores de projetos podem também procurar por ofertas disponíveis que atendam suas necessidades
Deu Match!

▶ Desenvolvedores e implementadores de projetos podem ligar-se com financiadores diretamente e explorar oportunidades para investimentos e colaboração. Os financiadores podem acompanhar os projetos que eles identificaram.

terça-feira, 30 de junho de 2020

Poema da Semana - Jorge de Sena


AVISO DE PORTA DE LIVRARIA, de Jorge de Sena
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Não leiam delicados este livro,
sobretudo os heróis do palavrão doméstico,
as ninfas machas, as vestais do puro,
os que andam aos pulinhos num pé só,
com as duas castas mãos uma atrás e outra adiante,
enquanto com a terceira vão tapando a boca
dos que andam com dois pés sem medo das palavras.
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E quem de amor não sabe fuja dele:
qualquer amor desde o da carne àquele
que só de si se move, “não movido
de prémio vil, mas alto e quase eterno”.
De amor e de poesia e de ter pátria
aqui se trata: que a ralé não passe
este limiar sagrado e não se atreva
a encher de ratos este espaço livre
onde se morre em dignidade humana
a dor de haver nascido em Portugal
sem mais remédio que trazê-lo n'alma.
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25/1/1972
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in Exorcismos, 1972.
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Imagem:
Little French Book Store, Marilyn Dunlap

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Carta aberta ao senhor primeiro-ministro: a visão de Ribeiro Telles e o Plano de Recuperação Económica

Fonte: Público
Senhor primeiro-ministro, os signatários reafirmam que é imprescindível um acto em sintonia com o arrojo que a Europa está a demonstrar. Temos agora a oportunidade de retomar a política de Ribeiro Telles, em linha com a actual visão da UE.


Gonçalo Ribeiro Telles, da primeira geração de arquitectos paisagistas formados em Portugal, aproveitou a oportunidade de ser secretário de Estado do Ambiente e mais tarde ministro da Qualidade de Vida e do Ambiente para dotar Portugal de um conjunto de legislação fundamental, conducente à sustentabilidade ecológica do território, à conservação dos recursos naturais e à minimização dos riscos naturais.

Ora, os políticos europeus acabam de assumir, para nossa grande satisfação, no âmbito da recuperação económica e social e de um Green New Deal, a urgência de investimentos na “pele” viva do planeta, da qual todas as sociedades dependem, através da recuperação do seu capital natural, numa estrutura considerada a infraestrutura da Vida e de tudo aquilo em que ela se baseia.

Assim, a Comissão Europeia apresentou a Nova Estratégia para a Biodiversidade, para a qual perspectivou até 2030 níveis de financiamento muito significativos. Nomeadamente, considera que devem ser feitos investimentos prioritários na Rede Natura 2000 e nas Infraestruturas Verdes de, pelo menos, 20 mil milhões de euros por ano e propõe que parte dos 25% do orçamento da UE consagrado à acção para o clima seja investido na biodiversidade e nas soluções baseadas na natureza (Nature Based Solutions). Além do financiamento, estabeleceu metas claras para reduzir a tendência de perda da biodiversidade e degradação da qualidade dos recursos naturais, deixando de considerar suficiente a sua protecção, para propor o seu restauro

Com esta posição, passou a ser assumido politicamente o que já vinha a ser proposto cientifica e tecnicamente, há muito tempo: a ideia fundamental e estrutural duma concepção espacial que se projecta e alicerça numa estrutura “verde” (Europeia/Nacional) que nos garanta a Vida, a nós e às gerações futuras.

O grande avanço dado pela UE foi passar a ter uma visão de que não basta proteger áreas isoladas, como as que constituem o Sistema Nacional de Áreas Protegidas, para obter uma paisagem ecologicamente equilibrada. É necessário “construir” uma estrutura contínua onde aquele Sistema Nacional de Áreas Protegidas se inclua com as áreas anteriormente classificadas, mas interligadas. Esta estrutura deve ser gerida com o propósito da sua requalificação, não sendo suficientes as habituais acções de protecção, mas também o seu restauro, para melhorar a qualidade e resiliência dos ecossistemas.

A visão integrada do Prof. Ribeiro Telles visou a construção e gestão desta essencial e vital estrutura. No entanto, o conjunto de legislação que fez sair e ainda hoje vigora, com alterações, tem sido aplicado com muitos enviesamentos. Ou seja, fragmentos desta estrutura têm surgido na legislação em diferentes períodos, com diferentes critérios e atribuição da gestão a diversas entidades, sem que haja uma unificação e uma coordenação entre eles. Entre estes fragmentos conta-se o Sistema Nacional de Áreas Classificadas (SNAC), a Rede Fundamental de Conservação da Natureza (RFCN, integrando a Rede Nacional de Áreas Protegidas, a Europeia e a internacional, a Reserva Agrícola Nacional, a Reserva Ecológica Nacional e o Domínio Hídrico) e ainda a Estrutura Ecológica.

Ora, todas estas designações, com os correspondentes regimes jurídicos, fazem parte de um mesmo conceito: a estrutura da paisagem capaz de assegurar a sua sustentabilidade ecológica, a resiliência aos incêndios rurais e todas as outras funções representadas pelos serviços prestados pelos ecossistemas que a constituem, designadamente, a conservação e a qualidade do ar, do solo, da água e da biodiversidade.

É, portanto, indispensável proceder à harmonização de todas as componentes acima referidas, numa só figura, com uma só designação (a nossa proposta é de que se designe por Infraestrutura Ecológica, mas pode ser outra a designação desde que transmita o conceito), a ser incluída nos vários planos de ordenamento do território, às várias escalas. Esta seria a Infraestrutura na qual deveriam convergir as orientações e os financiamentos Europeus e Nacionais, bem como o esforço de todos os agentes envolvidos, públicos e privados, na sensibilização, formação, projectos, implementação e gestão.

Temos agora a oportunidade de retomar a política de Ribeiro Telles, em linha com a actual visão da UE que designa esta infraestrutura por “Infraestrutura Verde e Azul”.

Para isso, aquilo que se pretende agora afirmar é que a lógica de base de qualquer Programa de Recuperação Económica e Social deverá ter consciência da necessidade desta infraestrutura, do seu bom funcionamento, e dos benefícios que ela trará ao País em termos, para além dos de natureza ecológica, dos empregos a criar, da qualidade e da soberania alimentar, da diversidade dos produtos, da atracção de pessoas ao interior, do turismo de natureza, etc., e que a UE propõe que atinja, em 2050, 30% do território Europeu, no mar e em terra. Ou seja, não se trata só de ecologia mas também de economia.

Senhor primeiro-ministro, os signatários reafirmam que é imprescindível um acto em sintonia com o arrojo que a Europa está a demonstrar e que o Plano de Recuperação Económica e Social contenha, na sua base, os Objectivos da Nova Estratégia para a Biodiversidade 2030, da UE, de modo a aplicar os recursos que virão a estar disponíveis em algo que, sabemos, muito virá a beneficiar o País.

Para isso, deve-se, entre outras medidas:
  • Acabar de delimitar, consolidar, qualificar e harmonizar a Infraestrutura Ecológica (IE);
  • Integrar a IE em todos os Programas, Planos e instrumentos de Gestão Territorial, planos de gestão económica ou financeira;
  • Requalificar 25% da área da IE até 2030, com Planos de Restauro (a UE propõe a requalificação total até 2050); fazer convergir e conjugar investimentos da PAC, investimentos da pesca, investimentos dos recursos hídricos, fundos de apoio à reflorestação, etc., nesta selecção de 25% da área da IE;
  • Dotar as estruturas de governação da IE de funções claras (não sobrepostas) e de mecanismos de avaliação e acompanhamento;
  • Estabelecer um sistema de pagamentos dos serviços de ecossistemas prestados pelos proprietários em áreas da IE;
  • Propor nova legislação e orientações sobre contratos públicos ecológicos.
Signatários da Carta Aberta ao primeiro-ministro

Ana Amado, Assessora aposentada do ICNF
Tiago Domingos, Professor do IST; presidente do MARETEC
Manuela Raposo Magalhães, Professora aposentada do ISA e do IST; investigadora do LEAF/ISA/UL
Selma Pena, Professora convidada do ISA e coordenadora de uma linha de investigação do LEAF/ISA/UL
Jorge Capelo, Investigador Auxiliar do INIAV, IP e investigador do LEAF/ISA/UL
Nuno de Almeida Ribeiro, Professor Auxiliar da Universidade de Évora e investigador do MED/UÉvora
Isabel Maria Nunes de Sousa, Professora Associada do ISA, Presidente do Centro de Investigação LEAF/ISA/ULisboa
João Reis Gomes, Arquitecto Paisagista, Presidente do Instituto Gonçalo Ribeiro Telles da Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Nuno Cortez, Professor Auxiliar do ISA
Sandra Mesquita, Arquitecta Paisagista, Estudante de Doutoramento em Arquitectura Paisagista e Ecologia Urbana
Andreia Saavedra Cardoso, Investigadora Auxiliar do GOVCOPP/UA e do LEAF/ISA/UL
Oscar Knoblich, Arq. Paisagista, Assessor aposentado do ICNF
Susana Saraiva Dias, Professora Adjunta do Instituto Politécnico de Portalegre
José Carlos Costa Marques, Professor, tradutor e assistente editorial reformado; Editor independente
Helena Roseta, Arquitecta, Investigadora no CICS.NOVA da Univ. Nova de Lisboa
Tânia Sousa, Professora Auxiliar do IST
Dalila Espírito Santo, Engenheira Agrónoma, Investigadora Coordenadora do ISA; investigadora do LEAF
Amarilis de Varennes, Engenheira Agrónoma, Professora Catedrática do ISA
Aurora Carapinha, Arquitecta Paisagista, Professora Auxiliar da Universidade de Évora
José Cangueiro, Arq. Paisagista, Chefe de Divisão CCDR-N (Ordenamento do Território)
Carlos Aguiar, Professor Coordenador da Escola Agrária de Bragança; investigador do CIMO
Rute Sousa Matos, Arquitecta Paisagista, Prof. Auxiliar na Universidade de Évora
João P. F. Carvalho, Professor de Silvicultura da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD); Delegado da Associação Europeia de Silvicultura (Pro Silva Europe).
José Sá Fernandes, Vereador do Ambiente, Estrutura Verde, Clima e Energia, Câmara Municipal de Lisboa
Lúcio do Rosário, Ex-Ponto Focal Nacional da Convenção de Combate à Desertificação e Seca
Bárbara Lopes, Socióloga
Filipe Lopes, Arquitecto e Urbanista, ex-Director da CML
Ana Müller Lopes Silva Carvalho, Arquitecta Paisagista
Paulo Pimenta de Castro, Engenheiro Silvicultor, Consultor
Natália Sofia Cunha, Investigadora do LEAF/ISA/UL
João Ferreira Silva, Arquitecto Paisagista
Alexandre Cancela d’Abreu, Arquitecto Paisagista, Professor Associado aposentado da Universidade de Évora
Margarida Cancela d’Abreu, Arquitecta Paisagista, Técnica Superior da CCDR Alentejo, docente convidada da Universidade de Évora, aposentada
Paula Maria da Luz Figueiredo de Alvarenga, Professora Auxiliar do ISA; investigadora do LEAF/ISA/UL
Paulo Godinho Ferreira, Investigador Auxiliar do INIAV; Professor convidado de Ecologia da Paisagem no ISA-Univ. Lisboa.
Bruno André Gomes Marques, Arquitecto Paisagista, Director do Departamento de Arquitectura Paisagista, Victoria University of Wellington, New Zealand
José Gomes Laranjo, Professor de Fisiologia Vegetal na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)
Luis Paulo Faria Ribeiro, Professor Auxiliar do Instituto Superior de Agronomia
Paula Maria Simões, Arquitecta Paisagista, Prof. Auxiliar na Universidade de Évora
Maria da Conceição Freire, Arquitecta Paisagista, Professora Auxiliar na Universidade de Évora
Maria Manuela Abreu, Professora catedrática jubilada do Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa; Investigadora do LEAF/ISA/UL
Ana Paula Gomes da Silva, Arquitecta paisagista, Professora Auxiliar na Universidade do Algarve
Nuno de Santos Loureiro, Professor Auxiliar na Universidade do Algarve
Miguel Reimão Costa, Arquitecto, Professor Auxiliar na Universidade do Algarve, Investigador CEAACP e Campo Arqueológico de Mértola
Maria Aragão Rodrigues, Arquitecta Paisagista, Apoio Técnico da Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
Maria Manuela David, Professora Associada da Universidade do Algarve
Vânia Proença, Investigadora Auxiliar no MARETEC/IST/UL
Ricardo Melo, Professor Auxiliar em Ciências, Universidade de Lisboa, coordenador do pólo ULisboa do MARE – Centro de Ciências do Mar e Ambiente
Jacinta Fernandes, Professora Auxiliar da Universidade do Algarve
Adelino Canário, Professor Catedrático da Universidade do Algarve
Ana Amorim Ferreira, Professora Auxiliar da Faculdade Ciências, Universidade de Lisboa
Rúben Prata, Arquitecto Paisagista, Técnico Superior CM das Caldas da Rainha
Marisa Vedor, Investigadora de Biologia
Rui Prieto Silva, Investigador em biologia e ecologia de cetáceos
Pedro Aboim de Brito, Biólogo Marinho, Estudante de Doutoramento em Ciências do Mar, FCUL – Universidade de Lisboa, Técnico Superior no IPMA, IP
Luís Cancela da Fonseca, Professor Aposentado da Universidade do Algarve; Investigador MARE – FCUL
Isabel Azevedo e Silva, Arquitecta Paisagista, Gestora de Projectos de Ambiente e Sustentabilidade Zutari (África do Sul)
Desidério Batista, Arquitecto Paisagista, Professor Auxiliar na Universidade do Algarve e Investigador do CHAIA/UÉ
Eva Silveirinha de Oliveira, Consultora
Cristina Mendes, Dirigente da Associação Defesa do Património Ambiental e Cultural de Santa Iria da Azóia
Maria Luísa Monteiro Franco, Investigadora do LEAF/ISA/UL (linha de investigação GBI)
Rui Malhó, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Andreia Lourenço, Arquitecta Paisagista na empresa JJFLINVEST, Lda.
Maria Inês Martins Adagoi, Arquitecta Paisagista, Estudante de Doutoramento em Arquitectura Paisagista no Instituto Superior de Agronomia
João Paulo Medeiros, Eng. do Ambiente, Mestre em Pescas e Aquacultura, Doutorando em Ciências do Mar, FCUL, Universidade de Lisboa; Investigador no MARE – FCUL
Álvaro José Moita de Oliveira, Eng. Mecânico e Arquitecto Naval, Consultor Naval
Ana Figueiredo Santos, Arquitecta Paisagista
Cláudia Ávila Gomes, Arquitecta Paisagista
Helena Lorina Figueiredo Vieira, Arquitecta Paisagista, Técnica responsável de Verd Urbà del Ajuntament de Parets del Vallès (Barcelona)
Ana D. Caperta, Professora Auxiliar no Instituto Superior de Agronomia
Margarida Cristo, Professora Auxiliar da Universidade do Algarve e Investigadora do CCMAR
Marta Bento, Doutoranda em Ciência do Mar, FCUL
Jorge Palmeirim, Prof. Associado na FCUL, Presidente da Liga para a Protecção da Natureza
Maria da Conceição Castro, Arquitecta Paisagista, Professora Auxiliar da Universidade de Évora
Sólveig Thorsteinsdóttir, Professora Associada, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Ricardo Faustino de Lima, Investigador Júnior, CE3C, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Luiz de Sá Pereira, Arquitecto, Assessor Principal aposentado da CML
Paulo Canaveira, Eng.º Florestal, Consultor em Alterações Climáticas
Sofia Tainha, Arquitecta Paisagista
Maria José Rosado Costa, Professora Catedrática (aposentada), Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Presidente da Associação de Mulheres Cientistas
Margarida Villas-Boas, Estudante de MSc Climate Change and Development, SOAS, University of London

sábado, 27 de junho de 2020

'Either we change or we die': the radical farming project in the Amazon

A growing movement for sustainable agriculture in Brazil has taken on new urgency with the coronavirus pandemic
Doctor Eugenio Scannavino Netto, one of the creators of the Health and Happiness Project (PSA), at the seed bank.
Photograph: João Laet/The Guardian

Dom Phillips in Carão
Published onSat 27 Jun 2020 

The cumaru trees could have been planted elsewhere in this Amazon reserve, where they had better chances of flourishing. Instead, they were planted in harsh, sandy soil in the dry savannah that breaks up the forest. Jack beans, guandu peas and other crops were planted in straw around them with cut savannah grass, for moisture and compost. “We call it the cradle,” says agronomist Alailson Rêgo. “It protects them.”

The hope is that if these Amazon-native trees – whose seeds can be used in cosmetics – thrive on this sandy soil and a nearby patch of deforested, burned land, they can regenerate abandoned pasture elsewhere. In the Amazon, more land is cleared for cattle than anything else. It’s easier enough to clear – chop down a few trees, light a few fires. But restoring the forest? Bringing back the life and the greenness? That is far, far harder.
Seeds for cumaru trees, which are being planted in burned and razed areas of the Amazon rainforest. Photograph: Foto Arena LTDA/Alamy Stock Photo

Located in the secluded Amazon reserve of Tapajós-Arapiuns in Brazil’s Pará state, the Experimental Active Forest Centre (CEFA) was set up in 2016 to solve problems like this. It is a research and development centre where farming within the forest, or agroforestry, rather than clearing it for cattle or soya, is the focus. And it is part of a growing movement for sustainable agriculture in Brazil that has taken on a new urgency with the coronavirus pandemic, as scientists warn that the climate crisis and land development heighten the chances of another deadly virus jumping from animals to humans.

“It is a way of dealing with nature that is playing with the apocalypse,” says Eugenio Scannavino Netto, the doctor and infectious diseases specialist who helped set up the centre. “We are heading for collective suicide.”

Now 61, Scannavino Netto has spent three decades in the rainforest working on Amazon solutions. In 1987, he founded the non-profit Health and Happiness Project, known by its Portuguese initials PSA (Projeto Saúde e Alegria), in nearby Alter do Chão. The group helps sustainable community development while providing health and education services for remote communities using a hospital boat and clowns. Last year it was judged one of the 100 best NGOs in Brazil.

The centre’s aims are ambitious, but equally practical: 40,000 seedlings from its nursery will be donated to local communities to reforest areas in the reserve cut down and burned for cattle or traditional farming. These include pau-brasil, grown to be sold as wood; urucum, whose seeds are traditionally used as a body paint by the Amazon’s indigenous peoples and sold for colourant in lipstick; and pau-rosa, whose leaves are used in perfume.

“The culture here is slash and burn, and we’re trying to change that,” Scannavino Netto says.

A collection of beehives houses stingless bees. Smallholder Joelma Lopes, 46, from the nearby community of Carão, learned beekeeping here and now subsidises her income by selling honey from her own bees. “It was a door that opened to a lot of knowledge,” she says.

Moacir Imbiriba, 40, a Kumaruara indigenous man who works at the centre, says children in his village now use agroforestry techniques in their vegetable garden. “Many leaders consider this an evolution for the communities,” he says.
Moacir Imbiriba, a Kumaruara indigenous man, works for the PSA project supporting sustainable community development. Photograph: João Laet/The Guardian

But while the PSA’s projects in this region have been widely praised for benefits such as reducing infant mortality, police raided its headquarters in Alter do Chão last November. Officers arrested four firefighters from a volunteer brigade who tackled blazes in local reserves during last year’s Amazon fires – one of whom worked for the NGO. Documents and computers were seized.

The police inquiry has alleged that the firefighters were setting the fires in reserves near Alter do Chão – a beauty spot with popular beaches – to get international money. Serious failings in the inquiry’s work were exposed by Brazilian media. Federal prosecutors investigating land grabbers suspected of setting fires in the same reserve said they had found no evidence of volunteer firefighters or NGOs being involved.

The inquiry, suspended during the pandemic, is yet to conclude. But the police raid came weeks after Brazil’s far-right president, Jair Bolsonaro, accused NGOs of setting Amazon fires without providing any evidence. “This is much more a political operation than a technical, police operation,” says Scannavino Netto.

In fact, the PSA aims to be inclusive rather than politically divisive. Last year it organised a sustainable agriculture event in the nearest city of Santarém. The idea, says Caetano Scannavino, Scannavino Netto’s brother and the PSA’s coordinator, was simple. He says: “How can we produce an agenda that unites the environmental movement, the indigenous movement and the agribusiness sector?”
Biologists, who are researching a burned area of the Amazon forest in Alter do Chão, in Santarém. Photograph: Ricardo Moraes/Reuters

Rogério Vian, a farmer from Goiás state, who farms organic and sustainable soya, spoke at the event. He is one of a nationwide group of farmers working on sustainable farming techniques and reducing pesticide use – what he calls a middle way between full organic and conventional farming.

“Farmers need the forest and environment more than anyone else,” he says. “Why not produce and conserve? You can do it all at the same time.”

Another speaker was Ernst Götsch, 72, a Swiss farmer who developed a system of growing crops and trees together he calls “syntropic” agriculture on a farm in Bahia in north-east Brazil. “We have 50-60 different species of trees and palm trees per hectare. It’s very diverse. I don’t use any fertiliser, I don’t use any pesticides,” he says. Agroforestry techniques like this were used by indigenous communities before Spanish and Portuguese explorers arrived. “They had similar strategies,” says Götsch.

Now the coronavirus pandemic has given farmers more reasons to change. As the Netflix series Pandemic revealed, scientists and researchers have found thousands of other zoonotic diseases like the new coronavirus and fear that another virus could jump to human beings, like avian and swine flu or Mers.
Planting of cumaru seedlings for reforestation. Photograph: João Laet/The Guardian

Deforestation has already been blamed for the 1999 Nipah virus outbreak in Malaysia that killed 105 people after it jumped from bats to pigs and then people. The outbreak inspired the 2011 movie Contagion, starring Gwyneth Paltrow.

In March, Scannavino Netto argued in Brazil’s Folha de S.Paulo newspaper that the monocultures of modern agriculture were destroying everything from biodiversity to insects that serve as “bioregulators”. Cutting down the Amazon changes animal behaviour and heightens the risk of another, much more lethal virus jumping to humans.

Covid-19 has been a warning. “Either we change,” he said in a recent phone interview, “or we will die in the next pandemic. And it will be fast.”