terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Painéis solares transparentes transformarão as janelas em geradores de energia renovável (com vídeo)


Pesquisadores da Universidade Estadual do Michigan, EUA, desenvolveram painéis solares completamente transparentes, que podem ter inúmeras aplicações na arquitetura e também em outros campos, como por exemplo no desenvolvimento de automóveis mais amigos do ambiente.
Já antes se tinha tentado criar um dispositivo deste género, mas os resultados finais nunca foram satisfatórios. Até agora.
A equipe concentrou-se especialmente na transparência, de modo que, desenvolveu um concentrador solar luminescente transparente, que pode ser colocado sobre uma superfície transparente como uma janela, por exemplo. Pode colher energia solar sem afetar a passagem da luz.
A tecnologia utiliza moléculas orgânicas que absorvem comprimentos de onda de luz que não são visíveis ao olho humano, como a luz infravermelha e ultravioleta.
Estes dispositivos podem aproveitar ao máximo as fachadas dos enormes edifícios cobertos de vidro espalhados pelo globo. Não mudando em nada a aparência dos mesmos, e em simultâneo aproveitar a energia solar de forma eficiente.  Podem ser instalados em qualquer edifício.

Segundo o New York Times:

“Se as células puderem ser feitas de forma a durarem muito tempo, estes dispositivos poderão ser integrados em janelas de modo relativamente barato, já que grande parte do custo da energia fotovoltaica convencional não é da própria célula solar, mas dos materiais em que é aplicada, como o alumínio e o vidro. O revestimento de estruturas existentes com células solares eliminaria parte desse custo de material.”
Se as células transparentes, no final das contas, se mostrarem comercialmente viáveis, a energia que geram poderia compensar significativamente o uso de energia de grandes edifícios, disse o Dr. Lunt, que começará a lecionar na Universidade Estadual do Michigan neste outono.
“Não estamos a dizer que poderíamos abastecer todo o edifício, mas estamos a falar de uma quantidade significativa de energia, suficiente para coisas como iluminação e energia elétrica diária”, disse ele.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Açores com temperaturas mais altas e tempestades mais frequentes até 2100

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O Programa Regional para as Alterações Climáticas (PRAC) que o Governo dos Açores entregou na Assembleia Legislativa Regional prevê que o arquipélago registe temperaturas mais elevadas e tempestades mais frequentes até ao final do século.

De acordo com as previsões feitas por especialistas em alterações climáticas, e que serviram de base ao documento que será submetido à apreciação dos deputados, a temperatura média do ar deverá apresentar uma "trajetória ascendente" nos Açores, até 2100, podendo aumentar entre 1,4 e 3,2 graus celsius.

Os especialistas explicam, no entanto, que esse aumento gradual da temperatura do ar será mais acentuado nas ilhas do grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), que ficam situados mais a sul do arquipélago.

Quanto à precipitação, e de acordo com o mesmo documento, a tendência é para que aumente no inverno, sobretudo no grupo Central (Faial, Pico, São Jorge, Graciosa e Terceira) e diminua no verão, em especial nas ilhas do grupo Ocidental (Flores e Corvo), situadas mais a norte.

Com base nestas previsões, o PRAC aponta para a possibilidade de ocorrerem mais inundações e cheias nos Açores, durante o inverno, e menos precipitação sazonal no verão, adiantando que é também provável que ocorram com mais frequência episódios de vento extremo e tempestades, bem como a sobrelevação da água do mar.

Nestas circunstâncias, é também previsível que aumente o risco de "galgamentos de mar" junto à orla costeira das ilhas, cenário agravado pela esperada subida do nível médio das águas que, no caso dos Açores, poderá atingir um metro até ao final do século.

Este estudo, elaborado com a intenção de precaver cenários de risco e preparar a região para possíveis alterações climáticas, é criticado, no entanto, por alguns especialistas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), emitiu parecer "positivo" ao diploma, mas considera "superficial" a descrição sobre a modelação climática apresentada no documento, apresentando também uma "lacuna importante" ao não considerar "as alterações climáticas já verificadas".

Também Eduardo Brito de Azevedo, professor da Universidade dos Açores, especialista em climatologia, ouvido pelos deputados, considera o estudo "muito genérico" e "vago", apresentando mesmo o que considera serem alguns "erros crassos".

A proposta de PRAC está pronta a subir a plenário, para discussão e votação, o que deverá acontecer na sessão marcada para a próxima semana, na Horta.

Dez dicas para reduzir o uso do plástico na sua casa

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A União Europeia vai proibir palhinhas, cotonetes e copos de plástico dentro de dois anos. Lisboa quer limpar a cidade de copos de plástico até 2020 e em escolas da cidade as refeições em cuvetes de plástico já são coisa do passado.

Sim, já demos conta: o plástico é sério candidato a inimigo número 1 do ambiente, num tempo em que a consciência ambiental é mais aguda. Há previsões catastróficas: se nada for feito, em 2050, haverá mais plástico nos mares do que peixes. Mais de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos.

A solução é mesmo evitar o uso de plásticos. Sandra Laville, editora de ambiente do jornal britânico The Guardian, apontou dez dicas para que possamos reduzir o uso de plástico. Mas, atenção, alguns dos produtos podem doer mais na sua carteira.

1. Comece por casa. Faça uma auditoria ao plástico que existe em sua casa: embalagens de gel de banho, desodorizantes, detergentes, frascos de champô. Dispense o gel de banho e troque-o por sabão ou sabonete; use cotonetes de bambu, por exemplo; procure embalagens de detergente líquido em garrafas plásticas recicladas e encontre uma recarga para as encher de novo. Também há papel higiénico em embalagens recicladas.

2. Nos EUA, todos os anos são descartadas mil milhões de escovas de dentes de plástico - trata-se de cerca de 50 milhões de quilos de resíduos. Tente usar escovas de dentes de bambu: biodegradam-se em cerca de seis meses.

3. Quando vai às compras, leve sacos de tecido reutilizáveis.

4. Tente comprar por atacado e colocar produtos secos, como arroz, macarrão ou lentilhas, em frascos de vidro, para evitar a compra de produtos embrulhados em plástico.

5. Recicle os brinquedos de plástico que as crianças já não usam. Procure entregar em associações na sua zona, doando a crianças desfavorecidas. E opte por lojas de segunda mão ao procurar presentes.

6. Leve o seu café num termo ou copo reutilizáveis.

7. Diga não aos talheres de plástico. Na sua marmita inclua um garfo de metal ou use uma alternativa compostável.

8. Não use película plástica aderente para a sua comida. Em alternativa, use folhas de alumínio ou caixas de plástico reutilizáveis.

9. Use uma máquina de barbear elétrica em vez de lâminas descartáveis de plástico.

10. Escreva para empresas cujas embalagens não sejam recicláveis, pedindo-lhes que considerem o uso de materiais menos destrutivos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Cientistas britânicos analisam 50 mamíferos e encontram microplásticos em todos

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Investigadores da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho dePlymouth, no Sudoeste de Inglaterra, examinaram 50 animais, entre várias espécies de golfinhos, focas e baleias, e encontraram microplásticos (fragmentos com menos de cinco milímetros) em todos, segundo informação divulgada pela universidade.

A maior parte das partículas (84%) eram de fibras sintéticas, que podem vir de fontes como roupas, redes de pesca e escovas de dentes, enquanto as restantes provinham de fragmentos, possivelmente de embalagens de alimentos e garrafas de plástico.

É chocante, mas não surpreendente, que todos os animais tenham ingerido microplásticos", disse a principal autora do estudo, Sarah Nelms. A investigadora disse que o número de partículas encontrado em cada animal foi de 5,5 em média, um valor "relativamente baixo", o que sugere que as partículas ou passam pelo sistema digestivo ou são regurgitadas. "Não sabemos ainda quais os efeitos que os microplásticos, ou os químicos neles presentes, têm nos mamíferos marinhos. É preciso mais investigação para se perceber melhor os possíveis impactos na saúde dos animais", disse Sarah Nelms.

Segundo a investigação, que foi publicada na Scientific Reports, foram várias as causas que provocaram a morte dos animais estudados, mas os que morreram devido a doenças infecciosas tinham mais partículas de plástico do que os que morreram por outras causas. "Não podemos tirar nenhuma conclusão explícita sobre o potencial biológico desta observação", notou Brendan Godley, do Centro de Ecologia e Conservação, da mesma universidade, concluindo que estão a ser dados "os primeiros passos na compreensão deste poluente omnipresente".


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A invulgar coexistência entre pessoas e crocodilos em aldeias da Índia

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Seria uma visão perturbadora para a maioria das pessoas. Adultos e crianças a curta distância de vários crocodilos. Os seres humanos com os seus afazeres quotidianos e os répteis a apanhar peixes para comer ou então parados a aproveitarem os raios de sol. No entanto, em várias aldeias do estado de Gujarat, na Índia, este é um cenário habitual há várias décadas, como dá conta a BBC.

A região de Charotar está delimitada por dois rios, o Sabarmati e o Mahi que é a casa de pelo menos 200 crocodilos-persa, uma espécie que pode atingir entre quatro a cinco metros de comprimento e que é considerada extremamente perigosa.

Mas nas aldeias de Charotar, há uma coexistência praticamente pacífica. As pessoas nadam no rio, lavam-se e lavam as suas roupas ao lado dos crocodilos.

De acordo com o CrocBITE, uma base de dados global de crocodilos, os crocodilos-persa mataram 18 pessoas em todo o mundo em 2018. Mas em Charotar, a ONG Voluntary Nature Conservancy documentou apenas 26 ataques em 30 anos, sendo que 17 desses ataques envolveram gado. Uma criança morreu em 2009 e os outros oito ataques resultaram em ferimentos ligeiros.

Segundo a BBC, os habitantes locais até parecem gostar de ter os crocodilos por perto. Na vila de Deva, por exemplo, os residentes chegaram a realizar o funeral de um crocodilo que morreu e construíram um santuário à deusa Khodiyar, uma divindade local que costuma ser retratada na companhia de um crocodilo.


Não se julgue que é por esta ligação religiosa que há uma coexistência pacífica entre seres humanos e répteis. Os habitantes de Deva gostam tanto dos crocodilos que até planeiam escavar um novo lago para que os animais tenham mais espaço.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Fungos “à boleia” das aves para colonizar novos territórios

Os resultados do estudo agora publicado representam "uma peça fundamental do puzzle para compreender a distribuição global de fungos micorrízicos e a colonização de territórios remotos, tal como ilhas, por plantas associadas a fungos", explicam os investigadores.
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Alguns tipos de fungos “andam à boleia” das aves para colonizar novos territórios com os seus parceiros vegetais, as plantas, revela pela primeira vez um estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Ecologia Funcional (Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

«É a primeira evidência de que as aves não transportam apenas sementes de plantas para novos locais, mas também os fungos que estas sementes precisam para germinar e crescer», afirma Marta Correia, primeira autora do artigo científico publicado na revista “New Phytologist”.

De acordo com o estudo, 54 plantas de seis espécies diferentes germinaram de 34 excrementos de aves recolhidos numa floresta perto de Coimbra. Algumas das raízes destas plantas foram imediatamente colonizadas por fungos “amigos”, provando que estes só podem ter sido transportados conjuntamente com as sementes no interior das aves.

Estes fungos, chamados fungos micorrízicos arbusculares, formam relações estreitas com muitas plantas. Os fungos colonizam a raiz e contribuem para uma maior absorção de nutrientes e água para as plantas que conseguem ter um crescimento maior e serem mais saudáveis. Em troca, a planta dá ao fungo uma “casa” e alimento fabricado na fotossíntese. Portanto, estas relações simbióticas beneficiam tanto as plantas como os fungos.

«A comunidade científica acreditava há já algum tempo que partilhar o mesmo mecanismo de transporte daria às plantas que crescem em simbiose com estes fungos uma vantagem. Pela primeira vez, o papel das aves na dispersão de ambos os parceiros é confirmado», declara Marta Correia.

A investigadora do Centro de Ecologia Funcional considera que os resultados do estudo agora publicado representam «uma peça fundamental do puzzle para compreender a distribuição global de fungos micorrízicos e a colonização de territórios remotos, tal como ilhas, por plantas associadas a fungos. Como chegavam os fungos a estes territórios remotos era até agora desconhecido já que não seria possível a dispersão a tão longas distâncias só pelo vento.»

O estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo FEDER, no âmbito do programa PT2020. O artigo científico está disponível: aqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Os carros a gasóleo vão mesmo desvalorizar nos próximos 4 anos?

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Vendedores e ambientalistas dividem-se quanto ao valor dos motores a diesel. Governo deu mais de 2,6 milhões de euros em incentivos para a compra de carros elétricos em 2018.


As palavras do ministro do Ambiente sobre a desvalorização dos carros a gasóleo caíram mal a quem vende automóveis e causaram alguma inquietação em quem já tem ou encomendou este tipo de viaturas. "Quem comprar carros a diesel não terá valor na troca daqui a quatro anos", disse Matos Fernandes numa entrevista ao Jornal de Negócios.

Quer isto dizer que a desvalorização dos motores diesel será galopante? A ACAP, a associação que representa os vendedores em Portugal, foi a primeira a reagir dizendo que"o ministro tem que ter cuidado com as palavras". Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP disse ao DN que o governante se está a intrometer nos mercados. E lembra que se os carros a gasóleo fossem acabar nos próximos tempos, a União Europeia não publicaria diretivas que se aplicam aos motores diesel, sempre no sentido de reduzir as emissões de gases.

Comprar ou manter carros movidos a diesel ainda é viável do ponto de vista do consumidor? Hélder Pedro entende que a questão da morte destes carros não se colocará na próxima década - "este carros vão manter-se no mercado".

Francisco Ferreira tem outra opinião. O ambientalista da Zero lembra que está muitas vezes em desacordo com o ministro, mas não nesta matéria. E argumenta com os estudos segundo os quais daqui a quatro ou cinco anos os carros elétricos vão ser mais baratos que os carros a gasóleo ou a gasolina. Aliás, faz mesmo questão, de referir que para as empresas já é assim - pagam menos impostos.

A questão dos custos é também esgrimida pelo Ministério do Ambiente e Transição Energética (MATE). "Em 2030 os veículos a diesel já não serão competitivos face aos veículos elétricos". Para isso, muito contribuirá a previsível evolução tecnológica dos veículos elétricos, com a autonomia das baterias cada vez mais extensa e o custo cada vez menor. Várias fontes apontam que, até 2025, se atingirá a paridade de custos de aquisição entre os veículos elétricos e os convencionais, adianta o ministério.

A grande questão com os carros a diesel, sublinha Francisco Ferreira, é que a indústria conseguiu reduzir a emissão de dióxido de carbono, mas não conseguiu diminuir o óxido de azoto.
Motores a diesel vendem-se cada vez menos

Com as notícias de que várias cidades europeias estão a proibir a circulação de motores a gasóleo por questões ambientais e o preço deste combustível estar praticamente equiparado ao da gasolina, a venda carros diesel caiu bruscamente, para valores só comparáveis a 2003. Segundo a ACAP, apesar de continuarem a ser os mais procurados pelos portugueses, a tendência é de descida - o ano passado o diesel representou 53, 2% da quota de mercado, quando em 2017 era de 61%.

Mas isto não quer dizer que a escolha recaia sobre os elétricos, híbridos ou movidos a gás natural, que só representaram 7,45 das vendas. Os maiores beneficiados foram os os motores a gasolina - em 2018 subiram 18,1% (39,3% da quota de mercado, a mais alta desde 2004).

Tendo Portugal um parque automóvel com uma idade avançada, a ACAP propõe que o governo crie incentivos com vista à sua renovação e que o abate possa ser incentivado. Uma proposta que foi feita para integrar o Orçamento de Estado para 2019 mas para a qual, diz Hélder Pedro, não houve resposta. Os subsídios que existem, de 2 250 euros, são para a compra de carros elétricos.

Este ano, o governo vai manter os apoios para a compra das viaturas elétricas. Em 2018, foram pagos mais de 2,6 milhões de euros em incentivos a 1170 candidatos - dados do MATE.
Interdições europeias à circulação de carros a gasóleo

Em Portugal não está estabelecido um calendário para o fim da circulação dos carros a diesel, embora haja a intenção de em 2040 os carros terem zero emissões ou emissões muito baixas. "A nível europeu foram aprovados limites de emissão de dióxido de carbono para veículos ligeiros, que promovem uma maior penetração de veículos elétricos. Para 2025, as emissões das frotas de veículos novos devem reduzir-se 15% e, em 2030, 37,5% face aos valores de 2021. Por outro lado, a fiscalidade automóvel tem em consideração as emissões de dióxido de carbono, pelo que veículos mais poluidores pagam mais impostos", respondeu o MATE ao DN.

Noutros países, nomeadamente em cidades europeias como Paris, Madrid, já está em marcha a proibição da circulação de carros a gasóleo a partir de 2025 com vista à redução da emissão de gases para a atmosfera - a capital francesa vai mais longe e pretende acabar com a circulação total de carros a combustão, ou seja, também os de motor a gasolina, em 2030.

Em Estugarda, cidade que é sede da Mercedes e da Porsche, a interdição aplica-se já a partir deste mês para os motores diesel anteriores a 2009, os que não têm filtro de partículas.


Em Lisboa, as interdições aplicam-se aos carros antigos - são as zonas de emissões reduzidas (ZER). Uma resposta às regras europeias, com vista à diminuição das emissões poluentes em Lisboa.

A primeira ZER avançou em 2011 e abrangem o eixo Avenida da Liberdade - Baixa (limitado a norte pela Rua Alexandre Herculano e a sul pela Praça do Comércio), onde não podem circular automóveis com matrículas anteriores a 2000, entre as 7 e as 21 horas, nos dias úteis.

Um ano depois, foi criada outra ZER - abrange o eixo formado pelas avenidas de Ceuta, das Forças Armadas, dos Estados Unidos da América, Marechal António Spínola, Infante D. Henrique e pelo Eixo Norte-Sul. Aqui as regras dizem que só podem andar os veículos ligeiros com matrícula posterior a janeiro de 1996 e os pesados posteriores a outubro do mesmo ano.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Humanos representam 0.01% dos seres vivos e já mataram 83% dos mamíferos.

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Apesar de representarem apenas 0,01% dos seres vivos do planeta, os humanos são responsáveis pela destruição de muitas espécies. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, revela, inclusive, que a espécie humana acabou com 83% dos mamíferos selvagens da Terra.

Publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa compila os tipos de biomassa — matéria orgânica — dos reinos animais. "A análise revela uma visão holística da composição da biosfera e nos permite observar padrões de categorias taxonômicas e locais geográficos", escrevem os cientistas.

Esse é o primeiro relatório a estimar a quantidade de todos os tipos de criaturas vivas. "Eu fiquei surpreso em descobrir que não ainda não existia uma estimativa compreensiva e holística de todos os componentes da biomassa", disse o pesquisador Ron Milo, do Instituto de Ciência Wrizmann, em entrevista ao jornal The Guardian.

Milo e sua equipe compilaram dados de diversas fontes, como da Organização Internacional de Comida e Agricultura, por exemplo, para estimar a biomassa de cada país e como a industrialização, o êxodo rural e o uso de novas tecnologias pelos humanos colaborou para o fim de outras espécies animais. 

Os cientistas concluíram que os 7,6 mil milhões de pessoas representam somente 0,01% dos seres vivos, as bactérias, 13% e o restante das criaturas, como insetos, fungos e outros animais equivalem a 5% da biomassa do planeta. O que sobra é das plantas: segundo o estudo, elas representam 82% da matéria viva.

Atualmente, 70% das aves e 60% dos mamíferos do planeta foram criados em cativeiro, enquanto 30% dos pássaros são selvagens, 36% dos mamíferos são humanos e os 4% restantes são selvagens. Ainda de acordo com o relatório, 86% das espécies se encontram em terra, 13% abaixo de superfícies (como bactérias, por exemplo) e somente 1% nos oceanos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Melhorar a saúde e salvar o planeta: é assim que deve comer

37 especialistas de 16 países trabalharam durante três anos para elaborar um modelo de dieta sustentável para o ser humano e para o planeta. A conceituada revista Lancet publicou as conclusões.
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O diagnóstico faz parte de um relatório de uma comissão de especialistas da revista científica Lancet, segundo o qual o planeta não terá capacidade de alimentar tantas pessoas sem uma transformação dos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.

E essa mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%.

Segundo os especialistas, uma dieta-padrão saudável e planetária consistirá em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter nas plantas a principal origem da proteína (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e no consumo de 500 gramas de vegetais e frutas por dia.

É esta mudança nos hábitos alimentares que levará à diminuição em 50% do consumo de carne vermelha e açúcar e a um aumento de 50% de consumo de frutos secos, verduras, legumes e fruta.

Esta mudança, diz-se no relatório, garante um sistema alimentar mundial e não põe em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta por exemplo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes.
E essa mudança, segundo o documento, é "urgentemente necessária", já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes.

O relatório da Comissão EAT, da Lancet, propõe uma dieta baseada em alimentos à base de plantas e com pouca quantidade de alimentos de origem animal, de grãos refinados, comida altamente processada e açucares.

"As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco", diz o documento.
Tim Lang, da Universidade de Londres, um dos membros da comissão, diz que "os alimentos que comemos e a forma como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a fazer isto de forma muito errada".

A Comissão EAT é um projeto a três anos que reúne 37 especialistas de 16 países, com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governança política.

No relatório, os responsáveis salientam que o aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, mas notam que esses benefícios estão agora a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe.

Atualmente, diz-se no documento, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

No modelo proposto aumenta-se o consumo de ácidos polinsaturados saudáveis e reduz-se o consumo de gorduras saturadas, e aumenta-se também a ingestão de micronutrientes essenciais como o ferro, o zinco, o ácido fólico, a vitamina A e o cálcio. A falta de vitamina B12 (muito presente em alimentos de origem animal) poderá ter de ser compensada.

Os autores notam ainda que é necessário descarbonizar mais rápido do que o previsto o sistema energético, para permitir alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050 sem produzir mais gases com efeito de estufa. E que é preciso reduzir a perda de biodiversidade e o uso de fósforo (fertilizantes) e não aumentar o uso de azoto (em fertilizantes também).

E propõem que sejam criadas políticas para encorajar as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições de publicidade e campanhas de educação. Depois os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social.

E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento.

Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

A Lancet lançará este ano vários relatórios, o próximo, no final do mês, será sobre obesidade, desnutrição e alterações climáticas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Clonar árvores centenárias para combater as alterações climáticas

A partir de brotos basais foi possível voltar a plantar sequoias. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", resume fundados da Archangel Ancient Tree Archive
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Arboristas americanos da organização sem fins lucrativos Archangel Ancient Tree Archive, que divulga as maiores árvores do mundo, estão a clonar sequoias, uma espécie praticamente em vias de extinção da família das Taxodiáceas, segundo o Quartz. Estas árvores centenárias podem ajudar a combater as alterações climáticas.

O processo de clonagem das sequoias já foi considerado impossível, por estas se auto clonarem num círculo à sua volta - o "anel de fada". No entanto, o tempo de vida destas árvores começou a decrescer, impedindo assim que tivessem também tempo para se multiplicarem. Agora, a organização americana descobriu outra forma de replicar esta espécie. Os arboristas notaram que havia brotos basais - material vivo - em redor de sequoias que cresciam em zonas litorais.

A partir desses brotos conseguiram criar "sementes" para plantarem novas árvores. Funcionou. "É como se os dinossauros tivessem voltado a viver", disse David Milarch, o fundador da Archangel Ancient Tree Archive.


Processo de clonagem das sequóias 

© THE ARCHANGEL ANCIENT TREE ARCHIVE

Para além de estar em causa a revitalização da espécie, está ainda em cima da mesa o beneficio para o meio ambiente. Se todas as plantas libertam oxigénio e armazenam dióxido de carbono; as sequóias conseguem retirar grandes emissões de dióxido de carbono da atmosfera - a principal causa da aceleração das alterações climáticas. Chegam a recolher 250 toneladas de dióxido de carbono.

"Estas árvores têm a capacidade de combater as mudanças climáticas e revitalizar as florestas e nossa ecologia de uma forma nunca antes vistas", afirma Milarch.

Através deste processo de clonagem, as sequoias já foram plantadas em bosques no Canadá, em Inglaterra, no País de Gales, em França, na Nova Zelândia e na Austrália.