segunda-feira, 16 de julho de 2018

O mar cura gratuitamente pelo menos 16 doenças!

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Férias na praia podem ser uma verdadeira cura para muitas doenças. São incríveis os benefícios da água, do sol, e do sal no corpo.

Faça uma pausa nos seus medicamentos e trate-se com um feriado ou um final de semana na praia. Sim, o mar, com a sua salinidade, o iodo, o seu ar saloio dico pode ser uma verdadeira cura para muitas doenças. Eles contaram: são pelo menos 16.

A massagem com água ativa a circulação, a água salgada libera o trato respiratório e reduz as formas alérgicas.

Eles beneficiam as vias aéreas:
alergias respiratórias
sinusite
asma
convalescença de constipações e outras doenças respiratórias
problemas causados ​​pelo tabagismo
intoxicação por agentes químicos

O dano dos ossos é reparado e as dores de:
deslocamentos
distorções
fraturas
artrose
dores nas articulações
osteoporose
espondilose
doenças reumáticas

Com o mar, as alergias cutâneas são reduzidas:
psoríase
eczema
dermatite
acne seborreica

Graças ao mar, as condições anémicas, as doenças ginecológicas, o hipotiroidismo e o linfatismo melhoram. Muito importante, o mar também ajuda a combater estados depressivos.

Que doenças são tratadas com o mar
Um benefício de uma estadia no mar são alergias respiratórias (especialmente pólen), anemia, artrite, convalescença depois de doenças do trato respiratório, depressão, entorses, fracturas, hipotiroidismo, luxações, doenças alérgicas da pele, doenças ginecológicas, doenças reumática, osteoporose, psoríase, raquitismo.

O importante é saber como se comportar para aproveitar ao máximo todos os benefícios que podem ser extraídos da água do mar e do sol. Os benefícios da água do mar

Aqui estão alguns dos principais benefícios dos tratamentos de maré, ou seja, talassoterapia.

Melhora a respiração
Mas por que o mar é um amigo tão precioso? O que o torna tão especial é o chamado aerossol marinho. O ar, perto da costa, contém uma quantidade maior de sais normais do que minerais: cloreto de sódio e magnésio, iodo, cálcio, potássio, bromo e silício. Eles vêm das ondas quebrando a costa e dos salpicos de água do mar levantada pelo vento. Os primeiros a se beneficiar são os pulmões: a respiração melhorou significativamente desde os primeiros dias. Mas o aerossol marinho também estimula o metabolismo, revigora a circulação sanguínea e melhora o sistema imunológico.

A água do mar tem muitos componentes que trazem relaxamento ao corpo, tiram dores e reenergizam. Não é à toa a crença de que um banho de mar pode “descarregar” energias negativas. Além das propriedades da água, a quebra das ondas no corpo promove uma drenagem linfática e ainda estimula a pele e a circulação.

A água marinha é composta por mais de 80 elementos químicos. Alivia principalmente as tensões musculares, graças à presença de sódio em sua composição — por isso é considerada energizante. A massagem que as ondas fazem no corpo estimula a circulação sanguínea periférica, e isso provoca aumento da oxigenação das células.

Graças à presença de cálcio, zinco, silício e magnésio, a água do mar é usada para tratar doenças como artrite, osteoporose e reumatismo. Já o sal marinho, rico em cloreto de sódio, potássio e magnésio, tem propriedades cicatrizantes e antissépticas.

Combate a retenção de água
Muitas pessoas sofrem de retenção de água durante a estação quente. Na água do mar, de fato, existe uma concentração considerável de sais minerais. E isso, devido a um mecanismo físico chamado osmose, favorece a eliminação, através da pele, dos líquidos que haviam acumulado nos tecidos. Com grandes vantagens para a circulação das pernas.

Luta contra os quilos extras
Os quilos extras são perdidos com mais facilidade. O sal estimula as terminações nervosas da epiderme, como conseqüência acelera o metabolismo: o corpo, na prática, queima alimentos e gordura mais rápido.

Fortalece o sistema circulatório
Graças à pressão que a água exerce enquanto você está imerso, sua temperatura, que nesta temporada é de cerca de 20 graus e movimento ondulatório, que pratica uma massagem suave em todo o corpo.

Fortalece a musculatura
A natação relaxa os músculos, rapidamente dissolve contraturas e dá mobilidade às articulações bloqueadas pela artrite e artrose. E então ajuda intestinos e rins, purificando todo o corpo

domingo, 15 de julho de 2018

Sacos de plástico – Zero apresenta linhas estratégicas para reduzir o seu consumo em Portugal

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Em 2014 Portugal deu um passo importante para reduzir o consumo de sacos de plástico descartáveis ao introduzir uma taxa sobre alguns deles (sacos leves). Contudo, é hoje comprovável por qualquer cidadão que a utilização de sacos descartáveis voltou a ser muito comum, sendo necessário recusar o saco com regularidade em muitas lojas (sendo em muitos casos cedido sem qualquer custo) e a própria aquisição de sacos descartáveis (10 cêntimos) em supermercados começa a tornar-se mais comum.
A ZERO considera que é o momento de avançar para um novo patamar, no sentido de reforçar a mensagem sobre a importância de pouparmos recursos e reduzirmos o nosso consumo de materiais descartáveis. Assim, a ZERO propõe a aplicação das seguintes medidas:
  • Fazer uma avaliação da aplicação da medida da taxa sobre os sacos de plástico: até hoje não é conhecida uma avaliação do real impacto da taxa sobre os sacos de plástico. De facto, quantos sacos de plástico são hoje consumidos per capita? É sabido que os sacos de plástico leves já praticamente não existem, mas foram substituídos por outros, de gramagens superiores ou inferiores que escapam ao proposto na lei, ou seja, o seu custo pode ser assumido pelo consumidor ou não, visto que não estão sujeitos a uma taxa. O importante é conhecer quantos sacos são ainda utilizados, independentemente da sua gramagem e alargar a aplicação da lei. Também nos parece importante avaliar se a taxa pensada em 2014 continua a ser suficientemente dissuasora da utilização deste tipo de sacos, devendo ser ponderado o seu aumento caso se verifique que o não é.
  • Alargar a tipologia de sacos abrangidos: não faz sentido restringir o tipo de sacos de plástico abrangidos pela taxa. A ZERO defende que todos os sacos descartáveis de venda final devem ser taxados, pois só assim será possível fiscalizar com eficácia a aplicação da lei e garantir que a mensagem passada é coerente. Deve ainda haver o compromisso da taxa cobrada ser utilizada em ações de sensibilização e de concretização de soluções sobre este tema. É ainda importante refletir sobre as melhores formas de progressivamente incluirmos os sacos usados nas frutas e legumes. Neste último caso, defendemos que as pessoas devem ser livres de reutilizar os seus sacos, bem como usar outro tipo de embalagens/caixas para o transporte dos alimentos, sendo necessário pensar novas soluções logísticas que tornem estas alternativas viáveis e comuns.
  • Sacos só a pedido e sempre com custo qualquer que seja a loja: em termos de coerência da mensagem é importante que em qualquer loja a que nos dirijamos a disponibilização de um saco (seja de que tamanho ou material for) seja feita a pedido do utilizador/consumidor (o que hoje muitas vezes ainda não acontece) e sempre com um custo associado.
  • Alargar o tipo de materiais abrangidos: um saco descartável será sempre um saco descartável, mesmo que seja feito de papel ou de plástico supostamente biodegradável, por exemplo. É hoje claro que estamos a usar demasiados recursos do planeta e com isso estamos a criar graves desequilíbrios que põem em causa a nossa própria qualidade de vida. Reduzir o consumo de recursos é fundamental, pelo que simplesmente substituir um material por outro de pouco ou nada adiantará, passando da eventual solução para um problema para o surgimento ou agravamento de outro. A mudança do paradigma passa pela redução e reutilização, não pela substituição de materiais de forma generalizada.
A necessidade de revisão da atual taxa sobre os sacos de plástico leves
Em 2014, a taxa sobre os sacos de plástico leves foi uma das medidas da reforma fiscal ambiental, criada com o objetivo de reduzir o consumo de sacos plásticos para 50 sacos por pessoa por ano, em 2015, e 35 sacos por pessoa por ano, em 2016, alterando o cenário de 2014 em que, por pessoa, foram consumidos 466 sacos plásticos, por ano. Ao mesmo tempo, previa-se que as verbas resultantes da sua aplicação revertessem para o então Fundo de Conservação da Natureza (agora integrado no Fundo Ambiental).
Contudo, a legislação proposta acabou por ser torpedeada pela indústria e pela distribuição, sendo que em muitos casos se aumentou ou reduziu muito a gramagem dos sacos de plástico, de forma a que deixassem de pagar a taxa e levando a que o valor pago, por exemplo, nas caixas do supermercado, reverta para os mesmos e não para o Estado. O próprio valor de 10 cêntimos tornou-se hoje quase insignificante, sendo a aquisição destes sacos muito frequente.

sábado, 14 de julho de 2018

We cannot survive without insects, by Dave Goulson

Não conseguimos sobreviver sem insectos! Os insectos estão a desaparecer a um ritmo alarmante, principalmente devido ao sistema de agricultura industrial baseado em pesticidas.
"A polinização é provavelmente o exemplo mais conhecido daquilo que os insectos fazem pelas pessoas. Às vezes são abelhas, outras vezes são as moscas, escaravelhos ou outro insecto. A maioria dos frutos e legumes que gostamos de comer, e também coisas como café e chocolate, nós não teríamos sem os insectos" afirma o biólogo britânico Dave Goulson. Leia aqui a entrevista completa a este especialista.
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Many people see insects as annoying pests. But British biologist Dave Goulson cautions: A world without insects is a dull place without coffee and chocolate — and with dead animals and cow patties piling up.
Deutsche Welle: How many insects are there in the world?
Dave Goulson: Insects are the dominant lifeform on the planet. We've named well over a million species of insects, and there could be 5 or 10 million. As for the number of individuals, it's safe to say that there are many more insects than anything else (excluding microorganisms like bacteria).
Why are insects disappearing?
Most people agree that it's a combination of factors, primarily associated with the way farming has changed in the last hundred years. We've moved to this kind of industrial farming system with very big fields with monocultures of crops that are treated with lots of pesticides. It's very difficult for most insects to survive in.

Why should we care about the insect die-off?
People should be jumping up and down and be concerned over this, because we cannot survive without insects. Pollination is probably the best-known example of what insects do for people. Sometimes it's bees, sometimes it's flies, beetles or whatever. Most of the fruits and vegetables we like to eat, and also things like coffee and chocolate, we wouldn't have without insects.

Insects also help to break down leaves, dead trees and dead bodies of animals. They help to recycle nutrients and make them available again. If it weren't for insects, cow pats and dead bodies would build up in the landscape.
Sounds like a dystopia. What a world without insects look like?
Pollination is necessary for most wild flowers. So if we lose most of our insects, then we're going to lose our wild flowers, which means that anything else that likes to eat wild plants will disappear. Insects are at the heart of every kind of ecological process you can think of. Without them, we would live in a sterile, dull world where we eke out a boring existence of eating bread and porridge.

What about pests like mosquitoes? Do they also have an ecological purpose?
All insects are doing something. They are either food for something, or they pollinate something or whatever. But not every organism has to have a purpose. It may be the case that one or two insect species go extinct and it wouldn't have any noticeable effect on anything. The concern is that if we if we lose more and more of them, ecosystems will slowly unravel.

Researchers found that insects in a nature reserve in Germany declined more than 75 percent. But that hasn't necessarily affected us and our crops, right?
The biggest crops grown in Europe don't depend upon insect pollination; wheat, for example, is wind-pollinated. Other parts of the world are starting to see the impacts of the loss of pollinators: In parts of China, they now hand-pollinate their apple and pear trees because they don't have enough bees left to do it.
So you are saying, we haven't experienced the full impact of the insect die-off?
That's right. We've got a growing human population trying to grow more and more food, and we've got a rapidly declining population of pollinators. Those two things are going to crash into each other. It can't be more than 10 years away, and probably less would be my guess.
Why are particularly bee colonies in such bad shape?
Intensification of farming has resulted in a landscape with very few flowers, and when there are flowers, they're very likely contaminated with pesticides. That has made life pretty difficult for bees. Moreover, we've accidentally spread a whole bunch of bee diseases around the planet with moving domestic honeybees around. If you're a bee and you are sick and poisoned and hungry all at the same time, then it is not surprising you might die.

Will the ban on the open-air use of neonicotinoids in the European Union save the bees?
No. Some people wrongly believe that neonicotinoids are the main problem that bees face. Neonics do harm bees, and stopping using them is a wise and sensible thing to do. But we currently use about 500 different pesticides in Europe. Banning three of them, probably the worst three, is a good start — but there's still an awful long way to go. If you withdraw one pesticide, the farmer just wants to know which pesticide he can use instead. We really need to look at this whole system of farming and find a way to massively reduce pesticide use.

Which insects will suffer most from climate change?
Bumblebees are a classic example. They are big furry insects that are well adapted to cold climates, to cool wet temperate conditions, and they are really going to struggle as it gets warmer. There are predictions that many of our European bumblebees will disappear by the end of this century.
Will some species of insects also benefit from climate change?
Certainly some insects. The ones that can breed fast, that have big populations, that are adaptable. Those tend to be the ones that are pests, the ones that we don't want. Whereas butterflies, dragonflies and bumblebees breed much more slowly, they're less adaptable. So we do run the risk exterminating most of the beautiful and important insects that we love. And being left with lots of flies and cockroaches.
That's a dark vision. Which insects do you find most amazing?
There are these really beautiful South American bees called orchid bees, which are mostly metallic green, quite large. They look like kind of flying emeralds. The males visit orchids, not to drink the nectar but to gather the floral scents. They have big hollow hind legs and they stuff them full of the sense of orchids and create a kind of personal perfume. And then when they find a female orchid bee, they waft their legs at her and hope that she likes the scent that they've created. If she likes it enough, she'll mate with him.
I recently saw a viral web video about praying mantises. The females eat the males but the males can even fertilize the eggs after they're dead.
Yeah, actually they mate more energetically minus their head, which is an interesting trick. But then, they've got nothing to lose at that point.

Dave Goulson is a professor of biology at the University of Sussex in the United Kingdom.
Sonya Angelica Diehn conducted the interview, which has been shortened and edited for clarity.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Casa a Granel: uma mercearia contemporânea que nos recorda como era antigamente



As lojas a granel estão de volta e são uma opção que permite lutar contra o desperdício alimentar e evitar o uso desnecessário de embalagens descartáveis de plástico.

O UniPlanet falou com os criadores da Casa a Granel de Lisboa que nos apresentaram este projeto.


UniPlanet (UP): Como nasceu a Casa a Granel?

Desde cedo, os dois sócios fundadores (marido e mulher) dedicaram parte do seu tempo e formação ao estudo de como conciliar dois vetores:
  1. a paixão pela comida saudável, por um lado;
  2. a sustentabilidade económica, social e ambiental, por outro lado.Não sendo a venda a granel um conceito novo, os sócios viajaram e analisaram o que de melhor se faz na Europa e pelo Mundo neste campo. Depois de bastante estudo, planeamento e aplicando as melhores práticas, nasce em 2015 a Casa a Granel, aplicação que consideramos a melhor resposta para a conjugação dos 2 fatores supra referidos.


UP: Que tipo de produtos podemos comprar na Casa a Granel?

A Casa a Granel assume-se sem qualquer constrangimento como uma verdadeira Mercearia de Antigamente, mas com o toque de modernidade e cumprimento de todas as regras de segurança e higiene atuais.
Como tal, tem desde leguminosas secas, frutos secos, diferentes tipos de sal, massas, grãos de cereais e farinhas, até especiarias, cereais de pequeno-almoço (artesanais), bolachas (artesanais), chocolates, frutas desidratadas, chás, ervas medicinais e superalimentos.

UP: É também uma loja de bairro, não é verdade?
É essencialmente uma loja de bairro com todo o bairrismo em que isso se traduz. A Casa a Granel prima pela proximidade e por, de forma natural, converter a relação comprador-vendedor numa relação de partilha de vivências, numa relação de amizade.

UP: Dão importância à proximidade e à origem dos produtos?

A Casa a Granel desde o início da sua abertura (há cerca de 3 anos) privilegia a produção nacional de qualidade. Desde a abertura da loja que a Casa a Granel tem produtos de vários “cantos” deste nosso Portugal.
Sob o mesmo critério – a qualidade do produto -, a origem natural dos produtos é fundamental na escolha do parceiro. Ou seja, se o mirtilo se dá naturalmente na zona de Sever do Vouga, o nosso mirtilo desidratado é de Sever do Vouga; se o pistacho reputado como sendo de melhor qualidade é do Irão (por deter as condições de solo e de clima naturalmente propícias aos seu crescimento), os nossos 5 tipos de pistacho são do Irão; se não existe pinhão comparável ao pinhão nacional, pois o nosso pinhão (com a categoria de 1ª qualidade) é de Alcácer do Sal; outro exemplo de que nos orgulhamos é a nossa farinha de alfarroba: é 100% alfarroba e 100% nacional, do Algarve.
A sazonalidade é importante e a proximidade com o produtor (para conhecimento do seu projeto) é igualmente importante. Todavia, apesar de defendermos e apoiarmos a produção nacional naquilo que somos fortes (caso do pinhão, amêndoa, frutas) também valorizamos o que de melhor se produz internacionalmente de forma natural e sustentável. Para melhor explicar e desmistificar este ponto, exemplificamos: não vamos encontrar uma verdadeira banana da madeira produzida na Inglaterra, assim como não vamos encontrar uma verdadeira castanha do Brasil produzida em Portugal. Se houver a produção da banana da Madeira em Inglaterra, certamente o produto não terá a mesma qualidade pois foi produzido num ambiente não natural sendo necessário recorrer a artifícios qualquer que seja o método produtivo – ainda que em modo de produção biológica.
Adicionalmente, a Casa a Granel orgulha-se de ter parceiros que promovem e participam no Comércio Justo, projeto que temos vindo a acompanhar de perto com responsabilidade, empenho e determinação.



UP: Está a decorrer o desafio “julho sem plástico”. Que conselhos daria a quem quer participar, mas não sabe por onde começar?

Consideramos existirem dois pontos essenciais no problema do plástico:
  1. a utilização desnecessária, por um lado;
  2. a resposta a dar ao plástico que já temos, por outro lado.A Casa a Granel segue uma máxima neste campo:
  3. »Simplificar: Um problema não se resolve criando novos problemas.

O que significa isto? Sensibilizando para o problema, convidamos as pessoas a adotarem o compromisso pessoal e social de se preocuparem com a saúde do meio ambiente como sendo um problema seu, um problema familiar, e não apenas como sendo um problema político, económico ou futuro. Convidamos as pessoas a começarem por gestos simples: a utilização de sacos reutilizáveis no transporte de compras é um bom início. Existem imensas soluções no mercado, bastante acessíveis e de vários tamanhos, o que faz com que seja fácil trazê-los consigo.
Para a compra de produtos, a venda a granel é uma excelente solução: o consumidor pode levar os seus frascos ou embalagens de casa e evita a colocação de novo plástico em circulação. Caso não tenha as suas embalagens consigo, pode optar por sacos de papel para o transporte – chegando a casa, pode passar para as suas embalagens e garantir uma melhor conservação.
Para produtos embalados, já existem algumas alternativas plastic free, como os tradicionais frascos, embalagens de cartão, ou plástico vegetal compostável.
Se tiver muitas embalagens de plástico (toda a gente tem), não entre em histerias – tente reutilizá-las ao máximo. Não vale a pena ir a correr para descartar tudo o que tem em casa. Vá trocando aos poucos o que der para trocar ou o que já não der para reutilizar. Acima de tudo, privilegiamos a reutilização das embalagens que já causaram pegada ecológica; ao reutilizar-se essas embalagens está-se já a dar um passo fundamental na redução ou menorização da pegada ecológica.
Neste ponto é interessante ver como muitos dos nossos clientes chegam mesmo a reutilizar os próprios sacos de papel. Lembre-se que ser amigo do ambiente não deve significar um encargo para si, mas sim uma poupança para todos. É errado quando o negócio se sobrepõe ao conceito.
Por fim, quando descartar um plástico, garanta que o faz de forma correta, enviando-o para reciclagem. O maior problema do plástico está na forma como é descartado sendo que grande parte fica nos solos ou vai parar aos recursos hídricos de todos nós!

UP: Que produtos estão proibidos por lei de serem vendidos a granel em Portugal?

A venda a granel é bastante abrangente. No campo de produtos alimentares secos, destacamos os seguintes:
  1. Farinhas de cereais;
  2. Arroz para alimentação humana da classificação Oryza sativa  (engloba a maioria dos arrozes comuns em Portugal).

A Casa a Granel respeita e cumpre as regras existentes, pelo que não vende qualquer desses produtos a granel.
Informamos cada um dos nossos clientes quanto a este ponto – isto é, o porquê de não termos esse tipo de produtos à venda no nosso estabelecimento -, dessa forma também lhes garantindo que a Casa a Granel prima pelo escrupuloso cumprimento da legislação existente.
Consideramos que não concordar com algumas das leis revistas recentemente não nos confere qualquer direito de violar as mesmas.
Respeitamos a legislação existente e respeitamos os nossos clientes, assim legitimando a confiança dos mesmos quanto a tudo o que se faz no nosso estabelecimento.
Ou seja, a Casa a Granel não sobrepõe o interesse comercial ao (in)cumprimento das obrigações legais.
Sem embargo, porque se considera um interveniente ativo na área, a Casa a Granel tem vindo a diligenciar esforços no sentido de sensibilizar a classe política para a descontextualização de muita da legislação existente nesta matéria, desta forma expectando que o legislador abra os olhos para o que deve ser alterado em consonância com a própria Europa.

UP: Que regras seguem para salvaguardar a segurança e higiene alimentar?

A Casa a Granel tem implementado o sistema de HACCP auditado por uma empresa Autorizada e Certificada. Anualmente são efetuadas várias auditorias nos dois campos: segurança e higiene alimentar. A Casa a Granel orgulha-se de cumprir todos os requisitos legais bem como recomendações e boas práticas sugeridas pelos auditores, sugestões essas que vão além do que é exigido legalmente.

UP: Que tipo de embalagens levam os clientes para adquirirem os vossos produtos?

As embalagens mais comuns trazidas pelos nossos clientes são frascos de vidro e sacos de pano. Alguns trazem embalagens de plástico, garantindo a sua reutilização enquanto der. Caso não tragam embalagem, temos as tradicionais saquetas de papel na loja.

UP: Para terminar, onde podemos encontrar mais informação sobre a Casa a Granel?

A Casa a Granel tem Facebook e Instagram usados como meios de partilha de conhecimento, sugestões e experiências com os produtos.
Tendo aparecido em várias publicações e reportagens, a Casa a Granel assume-se como mercearia de proximidade e orgulha-se de receber clientes de várias zonas que procuram produtos de qualidade a preços competitivos.
Destacamos a nomeação para os Prémios Mercúrio 2017 na categoria Comércio Alimentar e a participação na reportagem “Contas Poupança”.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Guimarães vai dizer adeus aos copos de plástico descartáveis

Projecto "pioneiro" da autarquia quer substituir os copos de plástico descartáveis por reutilizáveis. O "Care" vai arrancar no centro histórico de Guimarães.

 Imagem: Vitrus

Texto: Publico
A Câmara Municipal de Guimarães vai implementar um projecto "pioneiro" com o objectivo de promover o uso de copos reutilizáveis em substituição dos copos de plástico descartáveis, anunciou esta terça-feira, 10 de Julho, aquela autarquia.

Em comunicado enviado à Lusa, a câmara explica que o projecto Care, promovido em parceira com a empresa municipal gestora dos resíduos e limpeza urbana, Vitrus, será implementado numa primeira fase no centro histórico "onde a vida nocturna e os eventos são constantes e o lixo acumulado é consequentemente superior a outras áreas do concelho".

Segundo dados daquela empresa municipal, são utilizados anualmente mais de 23.000 copos de plástico descartáveis apenas no centro histórico. "Estes dados são assustadores, quando percebemos que esta quantidade de lixo está a prejudicar não só o nosso ambiente, mas também o nosso património. É fundamental mudar comportamentos, percepções e sensibilizar as pessoas para construir uma eco-consciência", refere no texto o presidente da autarquia, Domingos Bragança. O autarca pretende ainda que o projecto seja extensível ao território e adianta que "é a soma das atitudes individuais que faz a mudança".


"A ideia é que cada um de nós contribua de forma activa, reutilizando sempre o seu copo, e que depois o entregue para que possa ser usado por outros. Acreditamos na política da economia circular e de partilha que até aplicamos em vários outros mini projectos. Neste momento não faz sentido que se faça de outra forma", refere João Pedro Castro, responsável pelo Care.

Numa primeira fase serão lançados quatro figurinos de copos que realçam a identidade da cidade de Guimarães através das imagens e de frases que as acompanham.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Humanity Has Killed 83% of All Wild Mammals and Half of All Plants: Study

Of all the birds left in the world, 70% are poultry chickens and other farmed birds.

 Fonte do texto e imagem aqui
When it comes to planet Earth, humans are very tiny.

The weight of all 7.6 billion humans makes up just 0.01% of all biomass on Earth, according to a report published in the Proceedings of the National Academy of Sciences on 21st May 2018.

Bacteria, by comparison, make up 13% of all biomass, plants account for 83%, and all other forms of life make up 5% of the total weight, according to the report.
Despite being such a small part of the planet, humans have been steadily destroying everything else for the past few millennia, the Guardian reports.

In fact, humans have caused the annihilation of 83% of all wild mammals and half of all plants, the authors of the report found.

And it’s not just that humans are wiping out wildlife — they’re also determining the animals and plants that remain.

Of the birds left in the world, 70% are poultry chickens and other farmed birds. And of the mammals left in the world, 60% are livestock, 36% are pigs, and a mere 4% are wild.

Marine mammals, meanwhile, have plunged by 80% over the past century, the report found.

It is definitely striking, our disproportionate place on Earth,Ron Milo, a professor at the Weizmann Institute of Science in Israel who led the report, told the Guardian. “When I do a puzzle with my daughters, there is usually an elephant next to a giraffe next to a rhino. But if I was trying to give them a more realistic sense of the world, it would be a cow next to a cow next to a cow and then a chicken.”

This staggering imbalance between domestic and wild animals is being driven by industrial farming, extraction of resources, and the expansion of human civilizations, all of which destroy ecosystems, according to the report.

Other studies have also documented the decline of animals and plants. For instance, scientists recently argued that the Earth is experiencing its sixth mass wave of extinction, with billions of local animal populations endangered around the world.

This decline is by no means slowing down. A study published last week found that if temperatures at the end of the century are 3.2 degrees Celsius higher than pre-industrial levels, species across the animal kingdom could lose up to half of their geographical ranges.

The study spearheaded by Milo, however, is the first taxonomic breakdown of the mass of all organisms on Earth, according to the authors, who noted that further research and advances in technology need to be developed to refine the data.

“I would hope this gives people a perspective on the very dominant role that humanity now plays on Earth,” Milo told the Guardian.

Global Citizen campaigns on the United Nations’ Global Goals, which call on countries to protect biodiversity. You can take action on this issue here.

terça-feira, 10 de julho de 2018

As florestas tropicais perderam 40 campos de futebol de árvores por minuto em 2017

Além de causas naturais como os furacões ou os incêndios, os autores de um novo estudo mundial atribuem a perda de área florestal a práticas como a agricultura, a exploração mineira, a extracção ilegal de madeira ou as plantações de óleo de palma.

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O ano de 2017 foi o segundo pior ano de que há registo (imediatamente atrás de 2016) no que à redução de florestas tropicais diz respeito, com 15,8 milhões de hectares de árvores devastados, segundo novos dados obtidos por satélite da Universidade de Maryland revelados nesta quarta-feira.

No total, as florestas tropicais de todo o mundo sofreram uma perda de cobertura vegetal de 15,8 milhões de hectares – que praticamente corresponde à área geográfica do Bangladesh –, divulgou em comunicado o World Resources Institute, de acordo com dados do Global Forest Watch, uma ferramenta de monitorização das áreas florestais em tempo real. Posto de outra forma: o equivalente a perder cerca de 40 campos de futebol (0,73 hectares por campo) de árvores a cada minuto, durante um ano.

Apesar de esforços no sentido da reflorestação e dos alertas dos ambientalistas, as perdas superam os ganhos e o abate de árvores nos principais países tropicais tem vindo a aumentar exponencialmente nos últimos 17 anos (o estudo analisou dados entre 2001 e 2017). As causas são, por um lado, desastres naturais como incêndios e tempestades tropicais – cuja frequência e severidade estão directamente relacionadas com as alterações climáticas, e por outro, as actividades humanas que continuam a causar um desflorestamento em larga escala.

A Colômbia foi um dos países mais afectados, com mais 46% de área florestal devastada face ao ano anterior, registada maioritariamente em três províncias do país: Meta, Guaviare e Caquetá (parte da região amazónica colombiana). E se o acordo estabelecido em 2016 entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) trouxe paz ao país, trouxe também aspectos negativos. De acordo com os investigadores, a ex-guerrilha mantinha um controlo rígido daquelas áreas e impunha limites à exploração dos recursos para fins comerciais, pelo que a desmobilização das FARC permitiu o acesso a zonas anteriormente remotas e conduziu à apropriação e limpeza ilegal dos terrenos por outros grupos armados, que agora são utilizados para outros fins como a plantação de cocaína, a extracção de madeira e mineral e a criação de gado. Face a um pedido de reforço das medidas de combate à desflorestação na Amazónia pelo Supremo Tribunal Federal (a mais alta instância do poder judiciário brasileiro), o Governo colombiano mostrou-se empenhado: anulou o projecto de uma auto-estrada que ligava a Venezuela e o Equador; expandiu a área do Chiribiquete National Park (parque natural em Guaviare) em mais de um milhão de hectares; e lançou uma iniciativa chamada "Green Belt" para proteger e reflorestar uma área de 9,2 milhões de hectares.

O Brasil registou a maior perda de área florestal em 2016 mas foi no ano seguinte que a Amazónia sofreu o maior número de incêndios desde 1999, que levaram a uma redução de 31% das florestas e contribuíram para o aumento das emissões de dióxido de carbono. Um ciclo vicioso, uma vez que a falta de árvores aliada às alterações climáticas e à acção humana aumentam a prevalência de períodos de seca que, por sua vez, tornam os terrenos mais vulneráveis aos fogos. A falta de fiscalização e a instabilidade política e económica que assolou o Brasil nos últimos tempos, assim como a desvalorização por parte do actual Governo em relação às políticas de conservação ambiental poderão estar na base deste problema, dizem os investigadores.

Indonésia, um caso de sucesso 

A Indonésia, por outro lado, tornou-se o exemplo a seguir. Viu a sua perda de floresta diminuir em 2017, com um declínio de 60% no que diz respeito às florestas primárias (as florestas antigas que mantém o seu estado natural sem sinais de exploração), com algumas províncias de Samatra como excepção à regra. Os cientistas atribuem estes resultados a uma moratória nacional, em vigor desde 2016, sobre a drenagem das turfeiras (zonas de solos orgânicos com elevada concentração de humidade e dióxido de carbono) levadas a cabo pelos agricultores nas últimas décadas por causa das plantações de óleo de palma. Nestas zonas, a perda de florestas primárias diminuiu 88% entre 2016 e 2017, atingindo o nível mais baixo de sempre. Além disso, em 2017 não houve sinais do El Niño (fenómeno cíclico de aquecimento das águas do oceano Pacífico), o que proporcionou condições mais húmidas e menos incêndios. 

Na República Democrática do Congo, a perda de cobertura vegetal aumentou 6% desde 2016, devido essencialmente à agricultura, extracção ilegal de madeira para fins artesanais e a produção de carvão. A intensificação das práticas agrícolas faz com que os períodos de pousio sejam cada vez menores, o que dificulta a regeneração natural da vegetação. Já nas Caraíbas, os furacões que assolaram a região em 2017 (Irma e Maria), causando a morte a várias pessoas e inúmeros danos materiais, também tiveram impacto negativo nas florestas daquela região, com a Ilha Dominica (conhecida como "a ilha da Natureza") a registar uma diminuição de 32% na sua área florestal. Porto Rico viu a sua área verde reduzida em 10% com perdas significativas na Floresta Nacional de El Yunque.

"A principal razão pela qual as florestas tropicais estão a desaparecer não é um mistério: vastas áreas continuam a ser desflorestadas para soja, carne bovina, óleo de palma, madeira e outros produtos comercializados globalmente", disse Frances Seymour, porta-voz do World Resources Institute citada pelo diário britânico Guardian. "Grande parte dessa limpeza é ilegal e está ligada à corrupção", acrescentou. Apenas 2% do financiamento internacional para o combate às alterações climáticas é direccionado para a preservação das florestas. "Estamos a tentar apagar um incêndio em casa com uma colher de chá", disse Seymour. Perante os resultados, os investigadores alertaram para o facto de a biodiversidade estar também em risco. As florestas tropicais são ainda fundamentais na regulação do clima e para a qualidade da água e do ar, sendo que o abate de árvores leva à libertação de dióxido de carbono de volta para a atmosfera. De acordo com estimativas do diário New York Times, a desflorestação é responsável por mais de 10% das emissões de dióxido de carbono todos os anos. O mesmo jornal avança que, nesta semana, ministros de várias nações reúnem-se em Oslo para debater formas de intensificar os esforços de conservação das florestas tropicais em todo o mundo.
Texto editado por Maria Paula Barreiros

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Movimento pela Abolição da Caça à Raposa

Petição Já Assinaste? >> então, Assina e  Partilha🦊


A RAPOSA

-> Segundo o seguinte estudo realizado na vizinha Galiza, este pequeno canídeo, que inclui frutas na sua dieta, está a prestar um importante serviço à Natureza, ajudando na dispersão de sementes de até 40 espécies de árvores, gerando assim por sua vez, casa e alimento a muitos outros animais. Chega a percorrer até 7Km/dia, de montanhas a matas e a terrenos abandonados, onde prepara o caminho para a floresta madura.

-> Como sabemos, este predador menor é altamente perseguido em Portugal (e noutros países), de forma cruel e insustentável - sem dados populacionais que comprovem a necessidade do dito "controlo cinegético" e interferindo com os Princípios de Conservação da espécie ao ser caçada aquando se reproduz. Temos que encarar este assunto, somando-lhe os conhecimentos que a ciência nos traz, evoluir, perceber que a caça à raposa não deve continuar. PROTEGER, É PRECISO! 

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domingo, 8 de julho de 2018

Conheça a história do homem que viveu nu durante 30 anos numa ilha

Japonês Masafumi Nagasaki foi retirado de Sotobanari contra a sua vontade. Tem 82 anos e obrigaram-no agora a voltar a sobreviver em sociedade
Texto e fonte da imagem aqui

Um pequeno filme do Herald Sun e outro no Facebook "The Japaneses Robinson"

Leu bem! Esta é mesmo a história de um homem que fugiu da civilização há 30 anos para viver numa ilha deserta. Andou nu, até que passadas três décadas, foi retirado contra a sua vontade do refúgio onde queria morrer.

Masafumi Nagasaki chegou à ilha de Sotobanari, no Japão, em 1989. Aí viveu uma vida em solidão até se tornar conhecido como o “eremita nu”, aos 76 anos de idade.

Agora, de acordo com o site news.com.au., em abril deste ano, a polícia recebeu um aviso de que Masafumi Nagasaki, de 82 anos, estaria muito fraco. Foram buscá-lo à ilha e levaram-no de volta para a civilização, de onde dificilmente vai conseguir sair.

Feliz na ilha 

Foi em Sotobanari que Nagasaki se sentiu e sentia em casa. Onde não há telefones, nem água fresca e as roupas são muito poucas. Nenhumas mesmo, no seu caso, quando um tufão passou pela ilha e estragou todo o pouco que tinha.

Mas, mesmo tendo de enfrentar intempéries e tufões, nada fez com que Nagasaki tivesse tido vontade de mudar de casa. Aliás, era ali mesmo que queria morrer. 


Encontrar um lugar para morrer é uma coisa importante que se deve fazer. Eu decidi que aqui é o lugar onde quero morrer", disse em entrevista à agência Reuters em 2012.

Estranho ou não, Nagasaki viveu literalmente sozinho durante quase três décadas. E dizia que sempre fora feliz.

Nunca me senti triste aqui. As coisas aqui são mais reais." (...) "Não vou sair daqui, mesmo que alguém me diga que há um lugar melhor. Tudo o que quero, tenho aqui. Não preciso de mais nada.”, disse na entrevista, em 2012.

Fuga da sociedade

Engana-se quem possa pensar que Masafumi Nagasaki não tinha família. Antes de partir para a ilha chegou mesmo a despedir-se e deixou esclarecido que o regresso poderia nunca acontecer.
Não tenho opção. Já disse à minha família que vou morrer aqui. O meu desejo é morrer aqui sem incomodar ninguém. Por isso, não quero ficar doente ou ferido. Quero ser morto por um tufão e assim ninguém me pode tentar salvar. Morrer aqui é o melhor. É simplesmente perfeito para mim", contou Nagasaki.

Nunca se soube como foi a viagem até Sotobanari. Nem se Nagasaki tem filhos, até porque tentou sempre evitar falar do passado e da família que tinha deixado para trás.

Sabe-se que, quando "vivia na civilização", Nagasaki trabalhava numa fábrica em Osaka. Foi aí que um colega lhe terá falado sobre um misterioso arquipélago de ilhas desabitadas, o que o levou a fugir.

Tomou a sua decisão final quando estava dentro de um avião e viu o mar bastante poluído. Aí, foi de vez. Arranjou maneira de chegar à ilha de Sotobanari, onde pretenderia passar um par de anos. Ficou por lá quase trinta.

Vida maravilhosa

Sobre a vida na ilha, o japonês realçou a Alvaro Cerezo, responsável por uma série de documentários sobre experiências de viver em ilhas desertas, que estar longe das regras dos humanos era o que o deixava mais feliz.
Aqui, na ilha, não faço o que as pessoas me dizem para fazer. Sigo apenas as regras da natureza. Ninguém consegue dominar a natureza, então só podemos obedecer-lhe completamente.”
Ainda quanto às regras da sociedade que Nagasaki não gostava, percebe-se que o andar nu foi um fato feito à medida da ilha. Ainda andou vestido nos primeiros anos, até que um tufão lhe terá levado o pouco que tinha.

Nagasaki contou ainda à Reuters, há seis anos, que deixou de comer carne e peixe e também se recusou a comer os ovos das tartarugas postos pelas mães na praia.
Vi os filhotes a nascer e a rastejar em direção ao mar. Fico arrepiado todas as vezes que vejo isso acontecer... Só me faz pensar como a vida é maravilhosa."
Apesar de viver sob as regras da natureza, Nagasaki até tinha uma rotina própria: ginástica de manhã e depois dedicava-se, essencialmente, à limpeza da praia com um par de luvas brancas e um ancinho.

Agora, em 2018, Nagasaki despediu-se da ilha que foi a sua casa durante trinta anos. A contra gosto, levaram-no e tiraram-no de Sotobanari. O seu paradeiro é agora incerto.

sábado, 7 de julho de 2018

Carl Sagan sobre o Planeta Terra

Deviant art by Mainer 82 -"Earth Rise - Large Earth"

"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. 

Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores, políticos corruptos, celebridades, "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. 

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, nos seus frequentes conflitos, na sua ânsia de recíproca destruição, nos seus ódios ardentes. 

Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Na nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá em socorro que nos salve de nós mesmos. (...)"- Carl Sagan