terça-feira, 3 de setembro de 2019

Os militares dos EUA são mais poluidores do que cerca de 140 países

"Em 2017, os militares dos EUA compraram cerca de 269.230 barris de petróleo por dia e emitiram mais de 25.000 quilotoneladas de dióxido de carbono, queimando esses combustíveis. A Força Aérea dos EUA comprou US $ 4,9 bilhões em combustível e a Marinha US $ 2,8 bilhões, seguida pelo exército por US $ 947 milhões e os fuzileiros navais por US $ 36 milhões."

Com as eleições presidenciais para 2020, os democratas tem em sua pauta grandes iniciativas climáticas, cabe saber se a redução das emissões de carbono pelos militares americanos será tratada na política interna e nos tratados climáticos internacionais.

US military is a bigger polluter than as many as 140 countries – shrinking this war machine is a must

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Rebelião pelo Clima

No âmbito da primeira onda de mobilizações da plataforma ibérica 2020 Rebelión por el Clima, alinhada na plataforma europeia By 2020 We Rise Up, temos um plano de acção para este outono.

20 a 27 de Setembro: Semana pelo Futuro
No âmbito das mobilizações pela greve climática global, vamos organizar uma semana cheia de acções.

Podem ver as acções planeadas e podem publicar as vossas acções aqui: https://actionnetwork.org/event_campaigns/greve-climatica-portugal

27 de Setembro: Greve Climática Global

Respondemos ao apelo internacional para a realização de uma Greve Climática Global. Em Portugal, queremos que este protesto seja abrangente sem deixar de ser contundente. As experiências passadas, quer nas greves climáticas estudantis de 15 de Março e 24 de Maio, quer nas marchas mundiais do clima e nos protestos contra a exploração de petróleo e gás dos últimos anos, demonstram que tal é possível. Queremos construir este processo com diferentes sectores da sociedade civil, uns mais próximos destas lutas, outros em aproximação.

Manifesto inteiro e a lista das organizações que convocam a greve: www.salvaroclima.pt

A partir do dia 27 de Setembro: Semana de Rebelião
No dia 27 de Setembro, logo à seguir à Greve Climática Global, lançaremos uma acção de desobediência civil em massa. Com acções disruptivas, vamos pôr a crise climática na agenda pública e política.

Mais informações: rebeldespelavida.climaximo.pt

7 de Outubro: Rebeldes sem Fronteiras

No dia 7 de Outubro, vamos juntar-nos aos rebeldes em Madrid numa acção massiva ibérica, no âmbito da semana internacional de rebelião.

Mais informações: https://2020rebelionporelclima.net ; https://rebellion.earth

domingo, 1 de setembro de 2019

Documentário: "Inteligência Arbórea"

Provas e testemunhos científicos que confirmam o que muitos já sabiam: As árvores são inteligentes, podem sentir, fazem amigos e cuidam umas das outras.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Biogeógrafo defende que metade do planeta devia ser "Natureza pura"

Metade do planeta deve ser conservado como "Natureza pura", uma apólice de seguro contra os impactos humanos no planeta, defende o biogeógrafo Miguel Araújo, que estuda o mapa da vida na Terra.

"É viável e realista, com vontade política. Dezassete por cento do planeta está classificado como área protegida, em Portugal, 30% do território tem alguma figura de conservação", disse o investigador da Universidade de Évora à agência Lusa à margem do congresso da Federação Europeia de Ecologia, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O investigador afirma que esse esforço de "preservar uma área grande do planeta livre de atividades humanas" tem outra face: "temos que aumentar os níveis de sustentabilidade das nossas atividades, como a pesca ou a agricultura e ter cidades mais sustentáveis, mas temos falhado nesses objetivos e estamos numa situação de emergência", disse.

Caso os esforços de sustentabilidade continuem a falhar, haverá ao menos "parte do planeta para nos ajudar se precisarmos de recursos", referiu.

Esses refúgios de "natureza pura" serviriam como "zona tampão" onde se manteria algum equilíbrio ecológico, mas ao mesmo tempo criariam mais pressão para "produzir mais comida com menor área e menos impacto".

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Sorry, scooters aren’t so climate-friendly after all

Fonte: MIT

Bird boasts
that its dockless electric scooters allow customers to “cruise past traffic and cut back on CO2 emissions—one ride at a time.”

Its rival Lime claims the vehicles “reduce dependence on personal automobiles for short distance transportation and leave future generations with a cleaner, healthier planet.”

But the mere fact that battery-powered scooters don’t belch pollution out of a tailpipe doesn’t mean they’re “emissions free,” or as “eco-friendly” as some have assumed. The actual climate impact of the vehicles depends heavily on how they’re made, what they’re replacing, and how long they last.

Researchers at North Carolina State University decided to conduct a “life-cycle assessment” that tallied up the emissions from making, shipping, charging, collecting, and disposing of scooters after one of them noticed that a Lime receipt stated, “Your ride was carbon free.”

The study concludes that dockless scooters generally produce more greenhouse-gas emissions per passenger mile than a standard diesel bus with high ridership, an electric moped, an electric bicycle, a bicycle—or, of course, a walk.

The paper found that scooters do produce about half the emissions of a standard automobile, at around 200 grams of carbon dioxide per mile compared with nearly 415. But, crucially, the researchers found in a survey of e-scooter riders in Raleigh, North Carolina, that only 34% would have otherwise used a personal car or ride-sharing service. Nearly half would have biked or walked, 11% would have taken the bus, and 7% would have simply skipped the trip.

The bottom line: roughly two-thirds of the time, scooter rides generate more greenhouse-gas emissions than the alternative. And those increased emissions were greater than the gains from the car rides not taken, says Jeremiah Johnson, an engineering professor and one of the authors of the paper.

The electricity used to charge the vehicles is one of the smallest contributors to the product’s emissions. Fully half come from the raw materials and manufacturing process, which the researchers estimated, in part, by disassembling a Chinese-made Xiaomi M365 scooter, a model that Lime and Bird are known to use.

The team weighed each part, including the aluminum frame, steel parts, lithium-ion battery, and electric motor. They then relied upon the findings of earlier peer-reviewed studies to assess the environmental impacts of extracting, producing, and delivering those raw materials.

But how much these emissions add up to on a per-mile basis depends heavily on how long scooters actually last. An increasingly evident problem is that the vehicles’ theoretical operating life of around two years scarcely resembles their “nasty, brutish and often short” existence in the real world.

Scooters are variously flung into water bodies, tossed from buildings, set on fire, run over, and used in stunts. Cleanup crews in Oakland, California, fished 60 scooters out of Lake Merritt in a single month last year, Slate reported.

An analysis of open data from Bird’s inaugural fleet in Louisville, Kentucky, conducted by Quartz last year, found that the average scooter lasted just 28.8 days. Likewise, Bird itself acknowledged in investor documents at an earlier point that its vehicles last only about a month or two, The Informationreported.

The other major share of emissions, 43%, comes from the additional fleet of vehicles needed to navigate around a city like Raleigh each day, collecting scooters strewn across yards and sidewalks, taking them to a central charging location, and returning them to spots where riders can find them.

Lime has made an effort to address some of the concerns raised about its environmental footprint. Late last year, the company announced it would offset all the emissions from charging its scooters and the vehicles used to pick them up by purchasing clean electricity, and investing in renewable energy and carbon offsets projects. 

"We welcome research into the environmental benefits of new mobility options, however this study is largely based on assumptions and incomplete data that produces high variability in the results," Lime said in a statement. "We believe micromobility will reduce pollution and mitigate climate change through clean and efficient modes of transportation and we’re making rapid advances in technology and operations that are helping us become a more sustainable company." 

The North Carolina findings are, however, consistent with some earlier efforts to evaluate life-cycle emissions or usage patterns.

The Portland Bureau of Transportation found that only 34% of the city’s riders took an e-scooter instead of driving their own car, or using a ride-sharing service or taxi. In fact, Lime itself found that about “1 out of every 3 trips” replaces a car ride, in surveys across 26 cities.

On the other hand, an unpublished analysis for clients by the Rhodium Group put the emissions figure far lower, at 28 grams per mile, the Financial Times reported. Hannah Pitt, an analyst with the research firm, said the new study’s methodology looked reasonable, but that there were some key differences in assumptions that added up to a wide gap in the end results.

Among them, Rhodium didn’t assume every scooter is picked up each night. Raleigh policy requires this, but that doesn’t mean it’s the common practice. The firm also assumed the vehicles last on the roads through their standard battery life, which Pitt says might have been too generous, given the level of vandalism and real-world wear and tear that’s since become clear.

Still, she says: “It would be shocking if a scooter’s per-mile emissions is half those of a passenger vehicle.”

The good news, according to the North Carolina study, is there are ways to reduce the emissions, including using electric or at least more fuel-efficient vehicles to collect the scooters, reducing the distance between pick-up and drop-off points, and only gathering vehicles with a low battery charge. Increasing the proportion of recycled materials, especially the aluminum, would also help.

The change that might matter most is extending the lives of scooters. If the vehicles lasted for two years instead of a few months, the study found, it would cut average emissions by about 30% per mile—and make scooters the cleaner option as much as 96% of the time.

But no surprise: walking is still going to be your greenest bet for getting around.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

“A quantidade de emissões de gases de estufa a que nos permitimos com a aviação é absurda”

O cientista alemão Wolfgang Cramer investiga alterações climáticas há cerca de 30 anos. Veio a Lisboa de comboio para falar sobre o tema no Congresso da Federação Europeia de Ecologia.

De avião, a deslocação entre Montpellier, em França, e Lisboa dura cerca de cinco horas - com uma escala em Paris . De comboio, o mesmo percurso demora mais do triplo do tempo - a rota mais directa é Montpellier-Madrid-Lisboa. Além do tempo de viagem, há outra diferença considerável: a quantidade de gases com efeito de estufa emitidos é muito inferior quando se opta pelo comboio em detrimento do avião. É por isso que Wolfgang Cramer, director científico no Instituto Mediterrânico de Biodiversidade e Ecologia (em Aix-en-Provence, França), opta pelo transporte ferroviário sempre que pode. Foi assim que se deslocou até Lisboa, para participar no Congresso da Federação Europeia de Ecologia, que decorre até amanhã na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O PÚBLICO é media partner no evento que tem como mote A Incorporação da Ecologia nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para 2030. Em entrevista ao PÚBLICO, o investigador que também trabalha com o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa) fala sobre a responsabilidade dos governos, da importância da agricultura, da inevitabilidade dos fenómenos de calor extremo e avisa que o degelo da Gronelândia e da Antárctida têm mais impacto no Mediterrâneo do que se julgava. 

Para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius, como o último relatório do IPCC já disse que era possível, serão necessárias grandes mudanças. O que é que está nas nossas mãos? 
O objectivo final é reduzir a emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera e as formas clássicas são reduzir qualquer processo que liberte estes gases - por exemplo, conduzir, viajar de avião, aquecimento, isolamento das casas, comprar muito lixo que depois deitamos fora. Mas mesmo isso não será suficiente. E, claro, há a questão de quão longe podemos ir. As outras coisas que temos de encorajar são maneiras de armazenar os gases com efeitos de estufa no sistema. Aí chegamos à agricultura, que de momento é vista como o mau da fita, porque muitas das emissões vêm desta actividade. Mas podemos transformá-la para que se torne numa maneira de ajudar a resolver o problema. Isso leva-nos também aos solos, que são igualmente importantes. Não precisamos de novas tecnologias, só temos de aplicar as que já existem. O que o consumidor também pode fazer é comprar produtos que tenham pouco impacto no clima. 

Mas é possível termos agricultura que produz o suficiente para alimentar toda a gente e que também é sustentável? 
Acho que sim, se olharmos para isso a uma escala global. A questão não é tão relevante para cada país. Não vejo por que é que Portugal deva ser completamente independente da Espanha ou vice-versa. Estamos na Europa. Não acho que o argumento da auto-suficiência ocorra ao nível nacional. Será mais ao nível europeu. Por exemplo, Espanha, França, Reino Unido e Dinamarca estão a produzir mais carne para exportar para a China. Qual é a finalidade? Não vejo. 

E o que é que os governos podem fazer? 
No caso da agricultura, podem incentivar a adopção de práticas mais amigas do ambiente ao nível nacional e europeu. Noutros sectores, como a aviação, acho que a quantidade de emissões de gases com efeito de estufa a que nos permitimos é absurda. Não há justificação nenhuma para isso. Eu quero muito marcar esta ideia, por isso vim na noite passada de comboio de Madrid para Lisboa [demora cerca de 11 horas] . Poderia facilmente haver um comboio de alta velocidade que fizesse esse percurso em quatro ou cinco horas. Por exemplo, a primeira parte do percurso que fiz de Montpellier para Madrid foi um comboio de alta velocidade, extremamente confortável. E claro que leva mais tempo do que voar, mas temos de perceber que não podemos suportar esta quantidade de emissões. Não é possível. As pessoas voam, muitas vezes porque é mais rápido, mas também porque é mais barato. Não há razão para que seja assim. 

É curioso que diga isso já que, em Portugal, se está precisamente a discutir a construção de um novo aeroporto no Montijo, perto de Lisboa. Isto parece ir contra aquilo que sugere.
Estamos num ponto na Europa em que os decisores políticos perceberam que precisam de tributar mais as viagens de avião e que precisam de providenciar outras alternativas. Eu não tenho uma posição científica, mas acredito que os governos fazem muito para não encorajar as viagens de avião e reduzi-las. Podia apostar-se numa rede de comboio de alta velocidade. Acho que depois a questão da necessidade de investimento num novo aeroporto muda muito rapidamente, porque é algo muito caro. Em França, tinham um plano para melhorar e transferir o aeroporto na cidade de Nantes. Foi um projecto com 20 anos e houve muita resistência contra isso. No final, acabou por não ser construído. Se perguntar o que é que as pessoas podem fazer, eu diria: "Votem em partidos que não constróem novos aeroportos." As pessoas não devem acreditar no argumento que a economia está a beneficiar. É uma mentira. 

Nas últimas semanas na Europa assistimos a temperaturas extremas em vários países. Podemos culpar as alterações climáticas? 
Podemos. A razão é que talvez seja um bocadinho complicada de comunicar. Os críticos dizem que já tivemos períodos muito quentes antes. No entanto, já foram feitos estudos muito robustos sobre a probabilidade de tais ondas de calor ocorrerem. A conclusão é que há cem anos a probabilidade de tal onda de calor chegar aos 40 graus Celsius em Paris não era zero mas era muito baixa. Agora, é muito mais elevada. Pelo menos dez vezes maior. Ainda podíamos ter uma onda de calor muito intensa no começo do século XX, mas o facto de acontecer agora é ainda mais provável. O mecanismo que a é muito claro. Há mais gases com efeito de estufa e, por isso, mais calor está a ficar preso na atmosfera. 

Assim sendo, podemos esperar mais eventos destes? 

E há forma de mitigar este tipo de fenómenos? 
No que diz respeito à atmosfera, a única forma de mitigar é retirar os gases de efeito de estufa. Depois podemos perguntar-nos sobre adaptação. Há sempre duas faces da moeda, que são adaptação e mitigação. Por vezes, as pessoas não querem falar de adaptação, porque dizem que fazê-lo significa que já se desistiu da mitigação. Mas esse é um falso argumento. Temos de olhar para as duas coisas.
No que diz respeito à adaptação, muito mais pode ser feito e muito tem de ser feito. 

Por exemplo? 
Adaptação não quer dizer mais ar condicionado, mas construir melhor as nossas casas, isolá-las melhor. Também tem a ver com ordenar as cidades de maneira diferente, ter mais espaços verdes que produzem ar fresco durante a noite. Há muitas formas de adaptar. O que é interessante é que outras partes da Europa vão poder aprender com Portugal, porque vão ter um clima que vocês sempre tiveram. Lembro-me que em Berlim havia uma discussão sobre como adaptar o maior hospital universitário às alterações climáticas. Eu disse: vão a qualquer hospital em Espanha e Portugal e olhem para o que eles fazem. Não é preciso inovação. 

Uma das grandes preocupações neste momento em Portugal são os incêndios. E há um relatório da WWF que diz que, até ao fim do século, os incêndios em Portugal vão aumentar 40%. Isto é inevitável? 
Eu acho que não. Pode ser evitado, porque os fogos não acontecem só por causa do calor e do tempo seco. São muito mais uma questão do tipo de árvores que temos, onde e como é que são geridas. Toda a zona Norte do Mediterrâneo, Portugal incluído, permitiu que muita floresta cresça onde não existia antes (pelo menos nos últimos séculos). Em vez disso, existia pastoreio para cabras e ovelhas e eram esses animais que protegiam contra os incêndios. A questão agora é que tipo de agricultura queremos. É algo muito difícil de gerir em termos políticos. Se a paisagem estiver cheia de árvores, nem com os melhores bombeiros podemos parar os fogos. Mas se a paisagem for bem gerida e existir uma boa protecção contra incêndios o risco vai ser muito menor. 

Em 2017, arderam 500 mil hectares em Portugal. Qual é o impacto dessa destruição na biodiversidade? 
Depende muito do que estava lá antes e no que passa a estar depois. Na Alemanha, por exemplo, há áreas onde ventos muito fortes destruíram a floresta. A decisão foi não fazer nada e deixar a natureza controlar. Não é possível fazer isso em todo o lado, mas significa que qualquer paisagem pode ser gerida para maior biodiversidade. Acho que grandes áreas podem ser mais bem geridas para maior biodiversidade. Na agricultura, a questão é: permitimos grandes quintas com muitos cereais ou encorajamos os agricultores, ao auxiliá-los financeiramente, a diversificar. Isso tem um grande impacto. 
Contribui há muito tempo para o IPCC, participa na elaboração dos relatórios quase desde o início. O que retira dessa experiência? 
Já faz parte da minha vida. Acho que é uma forma fantástica de conhecer colegas que querem garantir que os seus trabalhos são usados pelos decisores políticos. Também tem sido uma oportunidade de conhecer decisores políticos. Isso agrada-me muito. No próximo relatório, também tenho uma tarefa muito interessante - além de ser parte da equipa que escreve a introdução. Vai haver um pequeno capítulo, que é parte do relatório, sobre o Mediterrâneo. Eu coordeno-o com um colega do Egipto. São 20 páginas do relatório em que podemos escrever sobre este tema. 

Pode adiantar alguma coisa sobre o que será o conteúdo desse capítulo? 
Escrevemos um artigo científico na revista Nature Climate Change sobre a aceleração e os riscos [das alterações climáticas no Mediterrâneo] . É nesse ponto que estamos neste momento. Ainda temos tempo e vai surgir mais conhecimento, mas essencialmente vamos dizer a mesma coisa. O que eu acho que é importante e também é algo em que quero insistir na minha sessão aqui na quinta-feira [hoje no congresso] é que há uma série de ligações entre o que acontece noutros sítios do mundo e o que se passa no Mediterrâneo. Pessoalmente, acho que a maior é o degelo da Gronelândia e da Antárctida. O impacto tem sido sempre subestimado. Estamos a ver agora que a Gronelândia em particular, mas também a Antárctida, estão a derreter muito mais rapidamente do que se pensava. Até agora, o IPCC dizia que o nível da água do mar podia subir entre 60 e 80 centímetros até ao fim do século. Mas acho que esse número está subestimado de forma dramática. Pode ser algo entre um e dois metros em todo o mundo. Cidades como Veneza e Alexandria vão desaparecer. Mas pior do que isso (ou igualmente mau) é que muita da agricultura do Mediterrâneo está nos estuários dos rios. Estamos preocupados com os nossos próprios países, mas se pensarmos no Egipto, é o desastre total. Se o nível do mar subir dois metros, eles deixam de ter o delta. E isso vai prejudicar milhões de pequenos agricultores no Egipto.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Documentário - "Fools and Dreamers: Regenerating a Native Forest" (30 min.)


Fools & Dreamers: Regenerating a Native Forest é um documentário de 30 minutos que conta a história da Hinewai Nature Reserve, na Banks Peninsula (Nova Zelândia) e seu kaitiaki/director durante 30 anos, o botânico Hugh Wilson. Quando em 1987, Hugh deixar a comunidade local saber de seus planos de permitir que o tojo 'erva' introduzido cresça como um dossel de enfermagem para regenerar terras agrícolas em florestas nativas, as pessoas não eram apenas céticas, mas completamente iradas - o plano era o tipo esperado de “tolos e sonhadores ”.

Agora considerado um herói localmente e em todo o país, Hugh supervisiona 1.500 hectares resplandecentes em florestas nativas, onde as aves e outros animais selvagens são abundantes e 47 cachoeiras conhecidas estão em fluxo permanente. Ele provou sem dúvida que a natureza sabe melhor - e que ele não é bobo.

Fools & Dreamers: Regenerating a Native Forest is a 30-minute documentary telling the story of Hinewai Nature Reserve, on New Zealand’s Banks Peninsula, and its kaitiaki/manager of 30 years, botanist Hugh Wilson. When, in 1987, Hugh let the local community know of his plans to allow the introduced ‘weed’ gorse to grow as a nurse canopy to regenerate farmland into native forest, people were not only skeptical but outright angry – the plan was the sort to be expected only of “fools and dreamers”.
Now considered a hero locally and across the country, Hugh oversees 1500 hectares resplendent in native forest, where birds and other wildlife are abundant and 47 known waterfalls are in permanent flow. He has proven without doubt that nature knows best – and that he is no fool.

Pode utilizar legendas em Português clicando em "definições"

domingo, 25 de agosto de 2019

Mulheres de Zanzibar treinadas como engenheiras solares trazem luz para aldeias remotas

Fonte: Pensar Contemporâneo

Um novo programa oferece empregos para mulheres em Zanzibar e eletricidade para famílias pobres.

KINYASINI, Tanzânia, 21 de maio (Thomson Reuters Foundation) – Como mãe solteira, Salama Husein Haja era baixa na hierarquia em sua aldeia na Tanzânia e lutava para ganhar a vida por sua família como agricultora.

Mas agora ela espera ganhar status e uma renda estável depois de ter sido treinada como engenheira solar comunitária para um projeto que traz luz a dezenas de aldeias rurais onde não há casas conectadas à eletricidade nas ilhas de Zanzibar.

Avós e mães solteiras – muitas das quais nunca aprenderam a ler ou escrever – estão entre as que estão sendo treinadas no programa, que, segundo eles, podem transformar vidas em suas comunidades pobres de pescadores e agricultores.

“Lutamos muito para obter iluminação”, disse Haja, 36 anos, uma horticultora e mãe de três crianças de uma aldeia em Unguja, a maior e mais populosa ilha do arquipélago de Zanzibar.

“Quando você não tem eletricidade, você não pode fazer muitas coisas como ensinar crianças. Isso força você a usar uma lamparina. A fumaça é prejudicial, os olhos e o peito são afetados."

“Quando a eletricidade está lá, é melhor.”

A vida é um desafio para as mulheres em Zanzibar, uma região semi-autônoma da Tanzânia composta por numerosas ilhas onde metade da população vive abaixo da linha da pobreza.

As mulheres são quase duas vezes mais propensas que os homens a não ter educação, e são menos propensas a possuir uma terra ou ter acesso a uma conta bancária, de acordo com uma pesquisa do governo em toda a Tanzânia em 2016.

Muitas famílias mais pobres e rurais também não têm acesso à eletricidade, agravando os desafios que enfrentam.

Toda a rede de energia da região da ilha depende de um cabo subterrâneo que a conecta ao continente que foi danificado em 2009, mergulhando-o na escuridão por três meses.

Além disso, apenas cerca de metade das casas em Zanzibar estão ligadas à energia da rede, com muitas das restantes sendo forçadas a depender de lâmpadas de combustível poluentes para a luz.

Modelos de Papel
“Nós só usamos uma lâmpada no interior”, disse Aisha Ali Khatib, treinanda como engenheira solar ao lado de Haja no Barefoot College, na aldeia de Kinyasini, em Unguja.

“A lamparina usa parafina … Comprar uma colher de parafina custa 200 xelins (US $ 0,09), mas posso ficar dois dias sem fazer 200 xelins.”

A energia solar oferece soluções para conectar aldeias rurais com pouca perspectiva de obter energia elétrica e aumentar a resiliência e a sustentabilidade.

Milhões de pessoas em toda a África subsaariana estão obtendo acesso à eletricidade através de fontes renováveis fora da rede, disse a Agência Internacional de Energia no ano passado, que previa forte demanda para impulsionar o crescimento do setor até 2022.

O esquema de treinamento solar oferecido pelo Barefoot College, uma empresa social que começou na Índia e agora está trabalhando na África Oriental, também se concentra especificamente no treinamento de mulheres.

O projeto foi concebido para abordar o fato de as mulheres serem muito menos capazes de deixar as suas aldeias devido à pobreza e aos laços familiares, ao mesmo tempo que capacitam as mulheres na sociedade dominada pelos homens da Tanzânia, oferecendo-lhes um trabalho decentemente remunerado.

As comunidades nas aldeias participantes são convidadas a nomear duas mulheres com idade entre 35 e 55 anos para deixar suas famílias e viajar para a faculdade para treinar como engenheiras.

Muitos das escolhidas não têm educação formal, mas são reconhecidas como pessoas que podem comandar a autoridade e que estão profundamente enraizadas na vida de suas aldeias.

“Quando você educa uma mulher, você educa uma comunidade inteira”, disse Fatima Juma Haji, engenheira solar da faculdade Barefoot, em Zanzibar.

“Quando você educa um homem, ele não fica na aldeia, ele vai embora, mas quando você educa uma mulher, ela volta para sua aldeia e ajuda a melhorar.”

Créditos da fotografia de capa: Thomson Reuters Foundation/Nicky Milne

sábado, 24 de agosto de 2019

Arjen Wals: urgência das medidas ambientais pode levar a regimes “ecototalitários”

Investigador holandês defendeu em congresso em Lisboa o papel das escolas na educação ambiental.

Fonte: Público

Escolas com lagos e jardins com os seus próprios problemas ambientais podem criar uma geração menos apática aos riscos das alterações climáticas, defende o investigador holandês Arjen Wals, que alerta para os riscos do “ecototalitarismo”.

Em entrevista à agência Lusa em Lisboa, à margem do 15.º Congresso da Federação Ecológica Europeia, que começou nesta segunda-feira em Lisboa, o professor da Universidade de Wageningen e titular da cadeira de Aprendizagem Social e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO afirmou que é preciso “agir para sair de uma economia e uma educação que serve a economia, que só serve para estimular o desenvolvimento, o crescimento e a inovação para aumentar o lucro de accionistas”.

“Os jovens pedem uma educação mais relevante, que responda aos desafios do nosso tempo”, afirmou, desenhando um modelo de escola que funciona como “ecossistema e laboratório”.

“Uma escola com um lago, com jardins, um ambiente biodiverso criado em conjunto por alunos, professores, organizações não governamentais da comunidade. Uma escola com oficinas anuais promovidas por lojas de reparação de bicicletas para ensinar aos alunos como o fazer. Um mercado na escola onde as pessoas possam vender ou trocar o tipo de coisas que poriam à venda na Internet e onde os produtores locais possam vender os seus produtos”, ilustrou.

Arjen Wals defende “programas escolares vivos, onde se pense na saúde, na qualidade do solo, na qualidade dos alimentos que se come, na eficiência energética da própria escola”.

“Porque não um marcador onde a escola mantenha a contabilidade das árvores que poupou ao ser mais eficiente no seu consumo de energia?”, sugere, indicando que todos são “actos de aprendizagem, também social”, que podem ir em sentido contrário à economia, “que faz pensar que nunca chega e que se precisa sempre de mais”.

Actualmente, a educação “promove muito o crescimento pessoal e o desenvolvimento, o que pode soar muito inocente, mas talvez esse seja o problema”, argumentou, defendendo que as escolas podem ser “um recreio de experimentação, não para acelerar, mas para abrandar”.

Um gesto pela sustentabilidade pode ser quase um acto transgressivo num mundo em que “a vida insustentável foi normalizada e viver de forma sustentável é mais difícil”.

Por exemplo, aponta a existência de comunidades que são energeticamente auto-suficientes, “algo que a tecnologia torna possível, mas que, às vezes, é dificultado pelos governos ou pelas empresas, que têm interesse em manter o sistema actual, que funciona no curto prazo mas nunca pensa no longo prazo”.

O discurso político sobre a resiliência precisa de um contraponto: “Sermos disruptivos e vermos por que vivemos como vivemos, que forças nos levam a ser insustentáveis.”

Isso tanto pode ser um lar ou uma comunidade que decide desligar-se da infra-estrutura geral de distribuição de energia ou “um miúdo num estado norte-americano onde não se fala de alterações climáticas levantar a mão na aula e fazer perguntas”.

Arjen Wals considerou “irónico e triste” que, “nos bairros da lata em Bombaim [Índia] ou na Cidade do Cabo [África do Sul], as pessoas com um nível de educação muito básico tenham uma pegada carbónica muito baixa, embora de forma involuntária”.

As circunstâncias em que vivem obrigam-nos a “desenvolver mecanismos com os quais se pode aprender”, por exemplo na circularidade, na reutilização e na apreciação que têm pela comunidade, “da qual precisam para sobreviver”.

“Há muitas maneiras de mudar o comportamento humano, seja pela legislação, multas, impostos, subsídios ou pela educação, que é também uma maneira de criar capacidades, competências e aptidões.”

A propósito de uma medida como as coimas para quem deitar beatas de cigarro para o chão, aprovadas recentemente no Parlamento português, Arjen Wals não as vê como um caminho para a educação mas para “o condicionamento, o treino”, considerando-a uma medida legítima mas frisando que é preciso cuidado para se ver “onde se vai parar”.

Se a urgência das medidas a tomar aumentar e encurtar a “janela de oportunidade” que os seres humanos têm para minorar os efeitos das alterações climáticas, isso pode levar a regimes “ecototalitários”.

“Dependeríamos de países que agem de forma autoritária, a dar passos ecológicos rápidos, como já vemos em alguns países do mundo, como a China, onde muita coisa mudou”, afirmou.

No país mais populoso do mundo, “há centrais a carvão a serem fechadas e parques solares e eólicos a aparecerem praticamente de um dia para outro, mas sem sinais de participação da sociedade nas decisões ou de democracia”, observou. “É eficaz, mas as pessoas ficam mais felizes? Não. Vamos para mecanismos como multas, controlo, observação de comportamento? Há uma maneira de o fazer de uma forma mais ética, mais ligada com os outros.”

Independentemente da janela de oportunidade para começar a mudar antes de as consequências serem irreversíveis durar “dez, 20 ou 50 anos”, Arjen Wals afirma que “a humanidade já mostrou que consegue coisas impressionantes”. “É a única espécie que conseguiu alterar a biodiversidade e o clima no planeta. É muito impressionante, mas infelizmente também não é muito saudável. Mostra o engenho humano e, se o conseguirmos usar com outra bússola moral, será possível inverter essas tendências”, defendeu. “Temos de acreditar nisso, porque o pessimismo nunca foi bom guia para mudanças positivas.”

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

13 movimientos sociales, contra la extracción “especulativa y contaminante” de las minas a cielo abierto

Alertan contra la proliferación promovida desde la Unión Europea de estas empresas en el mundo rural de toda España
Fonte: UltimoCero

Aprovechando que hoy (22 de julho) se celebra el Día Mundial Contra la Minería a Cielo Abierto, 13 movimientos sociales de 5 comunidades autónomas han impulsado un manifiesto contra las explotaciones mineras a cielo abierto, un modelo de extracción “especulativo y contaminante” que está proliferando en todo el mundo rural español.
“Queremos denunciar el grave peligro que sufre nuestro país ante los más de 2.000 expedientes mineros solicitados, que pretenden, de norte a sur y de este a oeste, dejar a su paso una España desolada, agujereada, yerma, contaminada, inhabitable”, denuncian en su comunicado los colectivos: Plataforma vecinal mina Touro y O Pino Non, Plataforma Vida e Ría ou minaría de Lousame, las plataformas de la Red Contraminacción de Galicia, la Coordinadora No a la Mina de Uranio de Salamanca, Plataforma no en mi Tierra de Zamora, la Plataformas No a la Mina en la Sierra de Yemas, No a la Mina en el Valle del Corneja, Plataforma No a la Mina en la Sierra de Ávila, la Plataforma Salvemos la Montaña de Cáceres, la plataforma de La Raya Sin Minas de Valencia de Alcántara, Plataforma Tamuja de Plasenzuela también de Cáceres, Plataforma Oro No de Tapia de Casariego en Asturias,  y la Plataforma de Afectados por Metales Pesados de El Llano del Beal en Cartagena.
Todos ellos reclaman un cambio de Ley de Minas de 1973 “anquilosada en el tiempo, que expropia al propietario un terreno que es suyo” y levantan la vozpara “rebatir las mentiras que intentan hacer creer a la población”.
A través de un comunicado conjunto afirman que estas empresas “no buscan el beneficio del lugar donde se asientan”. “Prometen una minería limpia, respetuosa con el medio ambiente, que contribuiría a la biodiversidad de la zona de explotación... Difícil de creer cuando no cuentan con la licencia urbanística correspondiente en Salamanca, y ya han talado 40 hectáreas de encinas centenarias. En Cáceres pretenden "tragarse" literalmente la montaña que rodea la ciudad, y que está a tan solo 2 km del casco antiguo de la misma. Y en la zona de Valencia de Alcántara los proyectos arrasarían varios pueblos, contaminando los acuíferos e impidiendo las actividades económicas actuales: agricultura y ganadería”, critican antes de preguntarse: “¿Hay mejor manera de demostrar su torpeza ante su pobre defensa medioambiental, que los vertederos de residuos estériles de minería, generadores de drenaje ácido y las balsas de lodos tóxicos a menos de 200 metros de zonas habitadas, y con una gran actividad económica como en Galicia? ¿O una planta de concentrados de uranio y un depósito de residuos radioactivos, que afectaría a Portugal por aire y agua contaminando el Río Duero?”.
Los colectivos lo tienen claro: “Sus promesas de restauración brillan por su falta de concreción y el patrimonio también se ve amenazado en lugares emblemáticos como el Camino de Santiago o pueblos abulenses declarados patrimonio histórico artístico”.
También critican las “falacias que transmiten sobre generación de empleo”. “¿Por qué no hablan de los puestos que van a destruir en sectores como el agro-ganadero, turismo rural, turismo relacionado con la salud, agroalimentario, forestal...? ¿Cuántos puestos reales darían a una población local que no está especializada en la minería? Un número escaso, siendo muy optimistas, y temporales. ¿Y de las repercusiones en la salud pública, fatales para la población?”, se preguntan.
“Sus grandes campañas de marketing patrocinando equipos de fútbol, pagando páginas enteras en medios de comunicación y todo aquello susceptible de venderse, no nos impresiona. Sabemos que son buenos provocando conflictos sociales, dividiendo a las familias en las poblaciones en las que se asientan, partiendo a la sociedad, pero estamos dispuestos a plantarles cara porque tenemos el ejemplo de otras plataformas que lo hicieron y les ganaron. "Tierras raras", "No a la mina en la Sierra de Ávila", “Corcoesto” y “Plataforma Oro No” son un buen ejemplo de ello”, señalan.
“Queremos recordar que la minería a cielo abierto no es solo una manera económica de extraer mineral para las empresas extractivas, sino también una forma muy barata de contaminar aire y agua, destrozar paisajes, despoblar zonas rurales. Y una vez terminada la extracción, solo queda un paraje desolado, ya que es escaso el número de proyectos restaurados, como se ve en El Llano del Beal de Cartagena, y  han tenido 20 años para ello. Nos gustaría no tener que volver a conmemorar este día, porque el uso y la extracción de metales y minerales para la industria y el consumo ya no se hicieran por encima de la naturaleza, ni ignorando los derechos e integridad de las personas”, concluyen.