sábado, 22 de fevereiro de 2020

Mosquitoes kill more people every day than sharks do in a century

Fonte: aqui


Jaws might not have had the same cultural impact if it had featured a tiny, buzzing insect in lieu of a great white shark.

But, as Bill Gates explained for last year's World Mosquito Day, we really should be much more worried about mosquitoes than sharks.


Mosquito-borne diseases, such as malaria, dengue, and Zika, make them one of the deadliest animals in the world, responsible for millions of deaths.


Indeed, as the below chart shows, mosquitoes kill more people every day than sharks have in an entire century.

Image: Gates Notes


A report released earlier this year also suggests that climate change is only going to make the problem worse. The range of two key disease-spreading species - Aedes aegypti and Aedes albopictus - is set to expand significantly by the middle of this century.


“If no action is taken to reduce the current rate at which the climate is warming, pockets of habitat will open up across many urban areas with vast amounts of individuals susceptible to infection," explained Moritz Kraemer, co-author of the report and an infectious disease scientist at Boston Children’s Hospital and the University of Oxford.

World Mosquito Day is held on 20 August every year – the anniversary of Sir Ronald Ross's discovery that female mosquitoes transmit malaria between humans. He was awarded the Nobel Prize in Physiology or Medicine in 1902 for his work on the disease.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O que é a tecnologia 5G e quais os seus perigos

 

A tecnologia 5G usará emissão direccionada e, como consequência, teremos intensidades de radiação muito mais elevadas, efeitos de interferência enormes e uma resolução milimétrica de localização dos dispositivos móveis.

O estudo dos perigos para a saúde humana da radiação electromagnética usada nas telecomunicações móveis não é novo. Pelo contrário é uma área da ciência bem estabelecida, com mais de cinco décadas de atividade, mas que só agora tem recebido atenção pública, dado os graves perigos que representa a quinta geração de telecomunicações, usualmente referida por 5G.

Existe extensa literatura a denunciar os variadíssimos perigos das telecomunicações móveis e é de estranhar que isto não seja do conhecimento dos centros tecnológicos que a estão a implementar e que, além disso, tal não seja transmitido à opinião pública. Neste contexto, o pedido de campanha informativa por parte do PAN Matosinhos é absolutamente legítimo e pretende-se aqui mostrar um pouco das implicações que as telecomunicações móveis têm para a saúde humana. Na certeza, porém, que ao ser um tema tão complexo, muito mais há para relatar.

Como forma de enquadramento na comunidade científica, cito três exemplos, entre muitos outros, de reconhecidos investigadores neste tema: Prof. Martin Pall, da Washington State University, Estados Unidos da América; Prof. Olle Johansson, do Karolinska Institute, Suécia; Drª. Erica Mallery-Blythe, do Physicians’ Health Initiative for Radiation and Environment, Reino Unido. Os leitores interessados podem encontrar facilmente trabalhos destes e outros investigadores, por exemplo, a Drª. Erica Mallery-Blythe tem uma série de apresentações disponíveis online.

Historicamente, em 1971 é publicado pelo Dr. Zorach R. Glaser, do Naval Medical Research Institute, Estados Unidos da América, uma das primeiras revisões da literatura [1] sobre casos clínicos associados com a exposição à radiação electromagnética da mesma natureza daquela usada nas telecomunicações. Esta publicação tem quase 50 anos e já nessa altura analisava mais de dois mil estudos reportando os efeitos prejudiciais destas radiações no ser humano. Portanto, somando a estes toda a investigação feita até ao dia de hoje, dizer-se que não há provas científicas que mostrem as implicações na saúde pública é determinantemente errado.

De resto, a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde classificou, em 2011, a radiação electromagnética de radiofrequência como possivelmente cancerígena para os seres humanos (grupo 2B), com base num aumento do risco de glioma, um tipo maligno de cancro no cérebro, associado ao uso de telemóveis.

Para melhor compreensão, é importante esclarecer que as telecomunicações móveis são transmitidas através da propagação de ondas electromagnéticas descritas pelas famosas equações de Maxwell. Estas ondas são caracterizadas pela sua frequência e comprimento de onda (relacionadas entre elas pela velocidade da luz). Em particular, as ondas electromagnéticas utilizadas na telecomunicação têm uma gama de frequências que é designada habitualmente por não-ionizante, por se considerar que não tem capacidade para ionizar átomos ou moléculas, e por esse motivo, a avaliação de risco deste tipo de radiação é feita quase exclusivamente pelo efeito térmico que produzem, o que é também errado.

Tal erro deriva do facto de os efeitos térmicos não serem normalmente significativos (cerca de um ou dois graus centígrados de aumento de temperatura, no caso do 5G serão bem mais elevados), ao passo que os efeitos de iteração electromagnética são enormemente significativos e a causa dos danos anteriormente listados.

Está reportado na literatura um processo designado por “canais de cálcio dependentes de voltagem” em que é promovido, pelos campos electromagnéticos incidentes, o stresse oxidativo das células ao permitir a entrada de agentes oxidantes através da membrana celular. Este processo disrompe o funcionamento das células e é segundo o Prof. Martin Pall, o responsável por vários dos danos causados pelas ondas electromagnéticas no ser humano e mencionados antes.

Esta situação levou o Prof. Olle Johansson a vaticinar a esterilidade irreversível dos humanos em cinco gerações (com base nas suas experiências levadas a cabo em ratos em laboratório). Um vaticínio destes não se faz de ânimo leve e sem provas científicas, pelo que merece a reflexão de todos, especialmente no modo radical como se pretende avançar agora. Adicionalmente, a Profª. Magda Havas reporta a aglomeração de glóbulos vermelhos no sangue como consequência da exposição à radiação de telemóveis. Isto tem enormes implicações para a saúde humana porque pode aumentar a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes.

Também o Prof. Dariusz Leszczynski releva a disrupção da “barreira sangue-cérebro” (vazamento vascular) por incidência de radiação electromagnética. Esta barreira permite a entrada selectiva de glucose, água e aminoácidos, bloqueando a entrada de agentes tóxicos. Portanto, a sua disrupção, através dos chamados vazamentos vasculares, implica uma perturbação no funcionamento do cérebro humano e pode ter implicações no surgimento de doenças como a Alzheimer.

Continuando a aprofundar na literatura, podem-se encontrar variadíssimos efeitos mais. Neste sentido, existe um corpo de investigação robusto que suporta a existência de efeitos para a saúde pública das radiações electromagnéticas e, portanto, estes não podem continuar a ser ignorados para o bem dos utilizadores como da credibilidade dos promotores destas tecnologias. Estas afectar-nos-ão a todos!

Focando-me na tecnologia 5G, esta é, em particular, preocupante para a saúde pública por três factores.

Em primeiro lugar, vai utilizar, quando totalmente implementada, ondas milimétricas (na gama de frequências de 30 até 300 GHz). Estas têm sido usadas com objectivos militares, p.e. no controlo e dispersão de distúrbios (multidões), tendo, por isso, sido exaustivamente estudados os seus efeitos. No fim da década de 90, Pakhomov e co-autores fizeram uma revisão detalhada dos estudos relacionados com estas ondas, que foi complementada recentemente na quarta edição de “Handbook of Biological Effects of Electromagnetic Fields” (2019).

Entre os efeitos listam-se: aquecimento da pele com influência em toda a rede de nervos presentes na pele, aquecimento anormal dos olhos com lesões na córnea, alterações na expressão genética, efeito de ressonância nas glândulas sudoríparas com aumento elevado de temperatura, reacção hipoalérgica às ondas electromagnéticas, redução das sinapses neuronais, etc.. Os efeitos sobre a pele têm sido negligenciados, mas a pele é hoje tomada como parte do sistema imunitário, a interface entre o exterior e o interior, como refere a Profª. Devra Davis, renomada epidemiologista.

Em segundo lugar, devido aos comprimentos de onda serem mais curtos, para esta tecnologia funcionar têm de ser instaladas variadíssimas mini-antenas para garantirem rede, uma vez que têm menor capacidade de penetração nos edifícios. Por este motivo, têm sido abatidas árvores saudáveis em muitas cidades do mundo desde 2018. Além disso, uma vez que as antenas são significativamente mais pequenas, são facilmente disfarçadas no mobiliário urbano, podendo passar absolutamente despercebidas. E os equipamentos que medem frequências para lá dos 8-10 GHz não são acessíveis ao público.

Em terceiro lugar, a tecnologia 5G usará emissão direccionada (com o argumento de reduzir interferências), e, como consequência, teremos intensidades de radiação muito mais elevadas, efeitos de interferência enormes e uma resolução milimétrica de localização dos dispositivos móveis. Isto é muito diferente da tecnologia atual (3G e 4G) cujo padrão de emissão é aproximadamente isotrópico e o que nos deve levar a reflectir sobre um possível uso subversivo desta tecnologia.

Há que diferenciar o sistema 5G, do 5G que se refere às ondas milimétricas. O sistema 5G começará por assentar em antenas 4G (700MHz) com a capacidade sem precedentes de MIMO e feixes de raios dirigíveis, capazes de focar mais energia à distância.

Se considerarmos que com a tecnologia atual (3G e 4G) estamos expostos a níveis de radiação electromagnética milhares de vezes acima dos recomentáveis pelo “Building Biology Evaluation Guidelines”, com a tecnologia 5G ficaríamos expostos a níveis milhões de vezes acima do tolerável.

Será que vale a pena corrermos tantos riscos para termos downloads mais rápidos?

Finalmente, listo a nível internacional duas iniciativas de relevo nesta matéria onde pode ser encontrada muita informação: EMFscientist.org e EM Radiation Research Trust e a nível nacional, Movimento Português de Prevenção do Electrosmog e a respectiva petição.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.



[1] Z.R. Glaser, Bibliography of Reported Biological Phenomena (“Effects”) and Clinical Manifestations Attributed to Microwave and Radio-Frequency Radiation. Report No. 2 Revised. Naval Medical Research Institute Research Report (1971)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Big polluters again allowed to lift emissions without penalty

Fonte: aqui

Mining
and heavy industry companies, including BHP and Alcoa, have again been allowed to lift their greenhouse gas emissions without penalty under a climate change policy that the Australian government promised would prevent national pollution increasing.

Under changes posted online on Thursday, BHP coal and iron ore mines in Western Australia and Queensland, Alcoa’s Portland aluminium smelter in Victoria and a Boggabri coalmine in New South Wales were each given the green light to emit more under the scheme known as the “safeguard mechanism”.

Of those made public, the allowed increases ranged between 3% to 33% above previous emissions limits. Not all the increases were published. Two of three BHP mines moved from annual to multi-year emissions limits, which means they promised to emit less over the next two years to make up for excess emissions last year.

The increases were signed off despite the safeguard mechanism’s promise to limit emissions from big polluters to ensure they do not just cancel out cuts paid for by taxpayers through the Coalition’s main climate policy, the emissions reduction fund.

Under the scheme, every industrial facility across the country that emits more than 100,000 tonnes a year was set a pollution limit, known as a baseline, based on either its historic emissions or an independent forecast of future emissions.

Under changes being introduced this year, all facilities will be moved to limits based not on their total emissions, but on how much they expect to emit per unit of production.

The Australian Conservation Foundation found increases approved over the past two years alone allowed more than 7m tonnes of potential extra emissions each year – about 1.3% of annual national carbon pollution.

The increases allowed under Thursday’s changes, including those from a new Jemena gas pipeline between Tennant Creek and Mount Isa, are at least 236,658 tonnes a year.

Bret Harper, director of research with energy and carbon consultants RepuTex, said it showed the safeguard mechanism was a “pretty ineffective policy”.

“The bottom line is there is no accountability for any emissions increases that do occur,” he said.

Emissions from electricity generation have reduced and the drought has triggered a drop from agriculture, but cuts in those sectors have been effectively cancelled out by increases, mostly from big industry. Emissions have increased from the liquified natural gas (LNG) industry, mining sector and transport, in particular.

Emma Herd, chief executive of the Investor Group on Climate Change, said national climate policies did not send a strong enough market signal to unlock the private investment needed to put Australia on a path to zero emissions. She said it should take the opportunity to strengthen the safeguards mechanism and other emissions reduction policies after a review led by businessman Grant King and through the development of a long-term emissions reduction strategy.

“Unless we provide tighter emissions pathways to net-zero for large emitters it’s hard to see how we can reduce pollution in line with our overarching commitments under the Paris agreement,” Herd said.

The Coalition has changed how it describes the safeguard mechanism over time. In 2016, the then environment minister, Greg Hunt, said it would ensure emissions cuts contracted through the emissions reduction fund were not offset by significant increases above business-as-usual levels elsewhere in the economy. But a government climate policy document released before last year’s election said the mechanism required Australia’s largest emitters to “measure, report and manage” their emissions, not that it would limit pollution.

An analysis by RepuTex found the government regulator had approved a 32% increase in how much large industrial facilities were allowed to emit under the scheme. While not every company emitted up to their limit, the most recent data, for 2017-18, showed emissions from large industry were up 12% since 2015.

Some companies that have exceeded their limit have been expected to buy carbon credits to offset the additional emissions, or pay a penalty. Over the first two years of the scheme companies paid for cuts equivalent to 707,625 tonnes of emissions. The government denies the scheme is a form of carbon pricing.

The minister for emissions reduction, Angus Taylor, did not respond to a request for comment before publication.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

A outra face do sucesso do Alqueva é um Alentejo envenenado por químicos

Fonte: aqui

Autarcas, ambientalistas e populações põem em causa o modelo cultural alimentado por um dos maiores projectos hidroagrícolas a nível europeu e prevêem um desastre ambiental.

Carlos Dias – Jornal Público

Um provérbio popular retrata a realidade que se está a viver na região beneficiada por Alqueva: “Não se pode querer sol na eira e chuva no nabal.” Ao sucesso que tornou Portugal auto-suficiente na produção de azeite (o Alentejo garante entre 70% a 80% da produção nacional) associa-se a outra face do novo modelo agrícola baseado nas culturas intensivas: a degradação da qualidade do ar, da água e dos solos, que se está a reflectir no bem-estar das populações de vilas, aldeias e montes isolados.

Os protestos das comunidades afectadas pelas emanações gasosas libertadas pelas três fábricas de transformação de bagaço de azeitona e as contaminações químicas resultantes da desinfecção dos olivais deixaram de ser pontuais para se tornarem recorrentes. “Tem de haver um perímetro de segurança em redor das povoações, senão asfixiamos”, propõe António Pedro Amaro, morador na freguesia de Nossa Senhora das Neves, nos arredores de Beja.

As queixas aumentam-se à medida que as culturas intensivas se aproximam das zonas habitadas. Ao fim da tarde de um dos últimos sábados, a população de Porto Peles, pequeno aglomerado vizinho da freguesia das Neves, fazia um convívio, habitual aos fins-de-semana, na sua associação de moradores, quando um cheiro intenso, que “queimava a garganta e não deixava respirar”, os deixou assustados, contou uma das pessoas afectadas. Rapidamente se confirmou que às 19h daquele dia decorriam os trabalhos de pulverização com herbicidas num extenso olival às portas da povoação. Também os clientes do mercado de Ferreira do Alentejo sentiram o mesmo “cheiro metálico”, o que os levou a abandonar as instalações.

As pulverizações com herbicidas e pesticidas já começam a ser feitas “durante a noite e nem sempre são utilizados os produtos homologados”, critica Pedro Amaro. Os trabalhadores envolvidos na sua aplicação têm, obrigatoriamente, de usar uma roupa especial e máscara quando percorrem com as máquinas dispersoras as fileiras de olival, que projectam no ar os agroquímicos. Mas como se protegem os vizinhos?

Vale do Sado quer água do Alqueva para arroz e outras culturas
À medida que as áreas de olival, sobretudo em modo superintensivo, ocupam o território, as pequenas árvores ficam quase coladas ao quintal e casas dos habitantes das aldeias e montes isolados. Até já estão a ser ocupadas áreas no interior de perímetros urbanos.

Viver sob uma chuva de químicos
Catarina Valério, residente na freguesia de Nossa Senhora das Neves, descreveu ao PÚBLICO que está a viver “um drama terrível por causa de um olival intensivo” que foi plantado recentemente a cerca de 15 metros da sua casa, depois de “ter gasto o dinheiro que tinha e não tinha” na recuperação de um monte em ruína. Revoltada, diz que vai ter de abandonar o espaço “de que tanto gosta” para garantir a saúde da sua família, sabendo que naquelas circunstâncias a sua residência perde valor.

Fábrica de bagaço em Ferreira do Alentejo
Apresentou queixa junto da Câmara de Beja, demonstrando que o olival viola o Plano Director Municipal (PDM) por ter sido instalado na zona periurbana, mas o município tem adiado uma decisão sobre este conflito. Em resposta às questões colocadas pelo PÚBLICO, o vereador Luís Miranda respondeu que a câmara “actuará, se o olival vier a afectar” a família de Catarina Valério, quando começar a aplicação dos herbicidas.

Alegando que o PDM “não era instrumento suficiente para intervir”, o município pediu um parecer à delegada de Saúde distrital, Iliete Ramos, que em Agosto de 2018 reconheceu: “Face à localização das referidas culturas e à distância das mesmas da habitação, torna-se imperativo garantir que a sua instalação e exploração não pressuponham incómodos para a população residente (…), pelo que se torna necessário e obrigatório estabelecer medidas de intervenção e correcção à referida instalação” do olival — que não foram aplicadas.

Iliete Ramos solicita ainda que se “diligencie junto do promotor daquela cultura intensiva, através de meios técnicos e legais necessários, a fim de avaliar e actuar sobre a respectiva instalação, apelando à responsabilidade, tolerância e sentido cívico”. E, para “salvaguardar situações futuras”, os serviços de saúde pública “aguardam” a realização de uma reunião conjunta com o município de Beja e os serviços regionais do Ministério da Agricultura, desde 14 de Maio de 2018, “para a definição de estratégias e intervenções articuladas nesta matéria”. Decorrido quase um ano, a Câmara de Beja alega que a reunião ainda não teve lugar “por falta de agenda”.

Respondendo aos que defendem a produção de azeite como o sucesso maior do projecto Alqueva, Catarina Valério afirma: “Quando se perde qualidade de vida e a nossa saúde corre riscos, não chamem a isto desenvolvimento.”

Uma transformação radical
Foram os cidadãos que se congregaram em defesa de Catarina Valério para demonstrar que não se tratava de um problema pontual. Assim, na última reunião da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal), na segunda-feira, os 13 presidentes de câmara que integram este órgão de representação autárquica foram instados por cerca de duas dezenas de pessoas a actuar contra a “ganância desmedida que causa malefícios à população”, referiu Pedro Amaro.

O olhar de uma cidadã inglesa sobre o Alentejo dos nossos dias
Eu gostaria de vos dar uma perspectiva diferente (do Alentejo) que espero que possam ter em consideração. Nós somos todos viajantes. Imaginem que estão a viajar de França, Inglaterra, América, África do Sul ou da Ásia. O vosso voo aterra em Beja. Sim, está aberto. Vocês estão cansados depois do vosso voo, mas estão ansiosos por conhecer Beja e o Alentejo.

O vosso amigo/amiga visitou há dez anos atrás e disse-vos como era bonito. As chegadas ao aeroporto de Beja são calmas e eficientes. A bagagem chegou. As expectativas de um óptimo tempo são atingidas. Agora, o hotel. Onde está o comboio? Ah, não há sistema de comboios moderno! Uma estação velha com comboios velhos situada numa parte degradada de Beja. Talvez podemos ir de carro. Onde está a auto-estrada? Não está acabada! Vocês têm de viajar por terras pequenas e estradas que não tem a devida manutenção.

Ok, nós aceitamos isto. Valerá a pena para poder experienciar a beleza do Alentejo. Onde está? A primeira impressão de Beja e do Alentejo são milhares de pequenas oliveiras alinhadas como soldados. Não são os bonitos prados com flores silvestres, pastores com cabras e ovelhas e os carvalhos cobertos de cortiça que dominam o horizonte. O que é que aconteceu?

Será que aterrámos nas plantações de óleo de palmeira que dizimaram terras na Indonésia, África e América Latina ou as plantações de açúcar na Guatemala? Certamente Portugal não se tornou numa vítima desta maldição/praga? OK, vamos beber o maravilhoso vinho do Alentejo. Encontramos um restaurante e sentamo-nos lá fora para saborear a cultura e a comida. Mas que raio de cheiro, o cheiro é horrível. Como é que nos podemos sentar lá fora com este cheiro sufocante?

Quando o cheiro chega lançado pelas chaminés das fábricas que libertam gases que não são vigiados e não há lei nenhuma para parar isto. Tentamos observar pássaros. Encontramos muitos pássaros mortos perto das oliveiras, mortos pela maquinaria. Procuramos flores silvestres. Encontramos terra envenenada por glifosato que se confirmou causar cancro em pessoas e que destrói a terra. Decidimos passear até à água. A água está contaminada por fertilizantes, não há abelhas ou insectos porque estes morreram devido aos insecticidas.

Para onde é que foi o Alentejo? Partimos para casa com o conhecimento que aconselhará outras pessoas no Trip Advisor que este não é lugar para visitar. O governo encorajou o desenvolvimento da indústria do azeite, sabem que vai destruir o turismo, o ambiente. A população vai diminuir, uma vez que as pessoas jovens irão embora, não haverá oportunidades de negócio uma vez que nenhuma empresa irá florescer.

O governo não precisa de investir em infra-estruturas, educação, hospitais ou o aeroporto de Beja uma vez que o Alentejo que existia há dez anos, já não existe mais. O que decidirem fazer irá determinar o futuro do Alentejo e de Portugal. Vão permitir a destruição da terra e da cultura da vossa região?

Daqui a dez anos irão olhar para o legado das vossas decisões? Vão ficar orgulhosos? Ou envergonhados?

Do lugar de Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, veio o protesto da Fátima Mourão, que, em nome da Associação Ambiental das Fortes — pequena aldeia onde vive quase uma centena de pessoas, na sua esmagadora maioria idosos —, denunciou as consequências da laboração da fábrica de queima de bagaço de azeitona no dia-a-dia da comunidade. Esta população “vive há mais de dez anos nas proximidades de um foco de poluição ambiental”, apontou.

Apesar das obras que foram efectuadas recentemente nas instalações da empresa Azpo-Azeites de Portugal, do grupo espanhol Migasa, e que terão custado 1,2 milhões de euros, continuam as “emissões das partículas expelidas pelas chaminés da fábrica sem qualquer controlo de monitorização”. Indignada, Fátima Mourão denuncia o que considera “estranho”: “Após vários pedidos de esclarecimento, fomos informados de que as segundas análises que pretendem avaliar a presença de partículas com efeitos cancerígenos, a efectuar pela Agência Portuguesa do Ambiente [APA], não poderão ser efectuadas tão brevemente, uma vez que os aparelhos para esse efeito estarão avariados, agravando o sentimento de receio e insegurança” dos moradores de Fortes.

Falta de informação
Eugénio Rocha tem percorrido a região para fazer o levantamento das situações associadas à degradação do solo, da água e do ar. O que tem visto “é muito preocupante”, a ponto de pedir aos autarcas que não se fiquem apenas pelos “buracos nas estradas” e considerem o impacto das culturas intensivas “como uma questão prioritária”, frisando que a dignidade das pessoas que vivem na região está a ser posta em causa

Ao PÚBLICO salientou a existência de inúmeras povoações “cercadas” por fábricas de transformação de bagaço de azeitona, olivais, amendoais e pomares de produção intensiva, actividade que é desenvolvida “a uma distância de poucos metros das habitações, parques, escolas e edifícios públicos das freguesias”.

As consequências do novo modelo agrícola potenciado por Alqueva também o atingem. Enviou amostras da água de um furo que tem no local onde reside, em Trigaches, no concelho de Beja, para análise no laboratório da Administração Regional de Saúde e Évora e o resultado revelou uma concentração de nitratos quase duas vezes superior ao previsto na legislação.

“A minha indignação e preocupação pela saúde dos meus filhos é cada vez maior, pois nas diligências que tenho tomado verifico que nenhuma entidade tem informação adequada sobre esta temática, escusando-se frequentemente nas limitadas competências atribuídas.”

O presidente da Cimbal, Jorge Rosa, diz que os autarcas “estão solidários” com as pessoas afectadas pelas novas culturas e Pita Ameixa, presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo (PS), reconhece que as pessoas de Fortes “têm razão”. O problema, acrescenta, é que “nenhuma entidade fez a preparação prévia do que aí vinha com a construção da barragem do Alqueva”. O exemplo mais significativo é, para o autarca, a realidade que envolve “a mão-de-obra imigrante”, cuja necessidade se previu sem que tenham sido tomadas medidas para a acolher e integrar. As consequências são reveladas periodicamente através de relatos de maus tratos e exploração de que são vítimas dezenas de milhares de pessoas que todos os anos chegam para a apanha da azeitona. Todos os anos se repete o mesmo cenário sem que as autoridades encontrem resposta para o problema.

Pita Ameixa refere a “ausência de estudos preparatórios e planeamento para enfrentar a nova realidade”. E conclui que a região “não está preparada para enfrentar a realidade” corporizada pelo projecto Alqueva.

Autarcas preocupados
De Serpa vem o testemunho do presidente da autarquia, Tomé Pires (CDU), queixando-se de que continua a não haver informação sobre o que se passa no regadio, embora todos conheçam “os seus efeitos através da utilização contínua de herbicidas e pesticidas”. E insiste na pergunta: “Quais são os níveis de qualidade do ar, da água e do solo [na área sob influência de Alqueva?]”

Reconhecendo a incapacidade de reacção que as autarquias têm em relação à nova agricultura, Tomé Pires lembra que as câmaras “não podem autorizar ou proibir a plantação de olival”, frisando que até deram conta de uma plantação que “ocupou um caminho municipal”. Acresce que “não há acompanhamento, porque não há técnicos”.

Norma que salvaguarda património arqueológico em Alqueva chega com 15 anos de atraso
O autarca de Serpa diz que o seu município vai proceder a alterações ao PDM para responder aos novos desafios que são colocados pelas culturas intensivas. Mas, dada a morosidade do processo, Tomé Pires vai propor à CCDR Alentejo um perímetro de segurança de 500 metros em redor de todas as zonas urbanas, onde não possam ser plantadas culturas intensivas, “como já acontece em Serpa, Brinches e Pias”.

Há um movimento crescente das comunidades que forçam as autarquias a agir. O tema das culturas intensivas e do seu impacto nas populações alentejanas vai ser discutido nas próximas semanas nos municípios de Avis, Alvito, Ferreira do Alentejo e Serpa.

Um grupo de residentes nos concelhos de Beja e Ferreira do Alentejo ultima a criação de um movimento de cidadãos para “recuperar a qualidade de vida das populações” afectadas pelas culturas intensivas e estar atento às “infracções possam ser cometidas contra o ambiente”.

Também a organização ambientalista Zero divulgou na quarta-feira um comunicado, realçando os riscos ambientais que podem resultar do regadio de 200 mil hectares a partir da albufeira do Alqueva “sem que se avalie a capacidade de este sistema suportar a médio e longo prazo a demanda de água em ciclos de seca cada vez mais frequentes e prolongados”. O aumento da área de regadio com culturas intensivas “ameaça o ambiente e coloca em risco a saúde das populações”, acentua a Zero, admitindo que o novo modelo agrícola que está a ser instalado no Baixo Alentejo “é um desastre ambiental anunciado”.

Falta conhecimento sobre os solos do Alentejo
No passado dia 9 de Abril, o Núcleo Regional de Combate à Desertificação debateu no Centro Cultural de Alvito “O regadio na transformação da paisagem do Alentejo – Riscos e Oportunidades”. Foi das poucas vezes que se assistiu a um debate, no âmbito do projecto Alqueva, onde a temática da erosão dos solos mereceu destaque, sobretudo na intervenção de Carlos Alexandre, investigador no Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM) na Universidade de Évora.

Numa altura em que os blocos de rega do Alqueva apresentam uma taxa de utilização da terra arável na ordem dos 80% – a mais elevada a nível nacional, segundo a EDIA – e se prepara a instalação de mais 50 mil hectares de novos blocos de rega, Carlos Alexandre adverte para a “falta conhecimento sobre os solos do Alentejo”. Esta afirmação significa que sobre os cerca de 200 mil hectares de regadio, que terão como mãe de água a albufeira do Alqueva, “são escassos os dados sobre as características do solo”.

Esta escassez de informação “facilitou” a apropriação das terras mais férteis do Alentejo, os garbos de Beja, que se estendem pelos concelhos de Serpa, Beja e Ferreira do Alentejo, numa extensão calculada em 100 quilómetros de “bons solos de barros mais adequados para cereais”, refere Carlos Alexandre.

A cultura cerealífera quase desapareceu dos chamados “barros negros de Beja” para dar lugar à plantação massiva de olivais em regime intensivo e super-intensivo, vinha e pomares de frutos. “E nem se planeou o uso deste solo, fazendo-se tábua rasa da rede de drenagem natural de escoamento, acelerando a erosão dos solos” e transformando a nova agricultura “numa plataforma industrial”, critica o investigador.

António Perdigão, da Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Regional, reforça a preocupação expressa por Carlos Alexandre: “Temos necessidade de indicadores. Temos necessidade de monitorização”. Pretende-se preencher esta “grave lacuna” com a elaboração de uma carta de solos 1:500.000 com perfis monitorizados de todo o país. É um projecto que se espera que esteja concluído em 2020.

Para o técnico do Ministério da Agricultura, “o mau uso do solo tem a ver com a incapacidade profissional dos agricultores que assim actuam” e também à falta de meios humanos para intervir no terreno. “Em 1972, o então Serviço de Reordenamento Agrário tinha 200 funcionários”. Agora, a Unidade de Solo, do Ministério da Agricultura, resume-se a “três funcionários e dentro de três anos ficará com um”, diz António Perdigão, alegando que a área do solo “não é apetecível” e ficou “sujeita a uma gestão, à distância, a partir de Lisboa”.

José Velez, director regional adjunto da Agricultura do Alentejo, esclareceu que os projectos para plantio de olival intensivo, “quando são aprovados, sujeitam os beneficiados a manter boas práticas agrícolas e sabe-se o que vai ser plantado e como vai ser plantado. Não é feito à Lagardère”, mas admite que é necessário melhorar o que está a ser feito.

Reagindo a este comentário, José Paulo Martins, da organização ambientalista Zero, perguntou: quem fiscaliza o novo modelo agrícola? André Matoso, presidente da Administração Regional Hidrográfica do Alentejo (ARHA), respondeu: “Ninguém licencia e está mal.”

Fátima Bacharel, directora de Serviços de Ordenamento do Território na CCDR Alentejo, observa que o uso” inadequado do solo” com a agricultura intensiva de regadio “tem vindo a alterar a paisagem alentejana e provoca perda de biodiversidade e queda demográfica”. E lembra: “Já não estamos perante dicotomias que prevaleceram durante séculos”.

David Catita, técnico da EDIA, realçou um outro factor que é determinante para a qualidade do solo e a contenção da erosão: “A importância da matéria orgânica no solo. Os indicadores referem que o índice é muito baixo – cerca de 1%” -, quando deveria estar acima dos 4%, assinalando que ao longo das últimas décadas não foi dada importância a este pormenor.

O regadio do Alqueva, refere o técnico da EDIA, “é excedentário” em matéria orgânica, restolhos, palhas, restos de poda, bagaço de azeitona, uma mais-valia que possibilita “devolver ao solo parte do que foi retirado”, acentua.

A EDIA vai instalar uma unidade de reciclagem de subprodutos de Alqueva para pôr termo ao “ciclo vicioso” de saída de nutrientes retirados do solo, anunciou ainda David Catita.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Wind Turbine Blades Can’t Be Recycled, So They’re Piling Up in Landfills

Fonte: aqui


A wind turbine’s blades can be longer than a Boeing 747 wing, so at the end of their lifespan they can’t just be hauled away. First, you need to saw through the lissome fiberglass using a diamond-encrusted industrial saw to create three pieces small enough to be strapped to a tractor-trailer.

The municipal landfill in Casper, Wyoming, is the final resting place of 870 blades whose days making renewable energy have come to end. The severed fragments look like bleached whale bones nestled against one another.

“That’s the end of it for this winter,” said waste technician Michael Bratvold, watching a bulldozer bury them forever in sand. “We’ll get the rest when the weather breaks this spring.”

Tens of thousands of aging blades are coming down from steel towers around the world and most have nowhere to go but landfills. In the U.S. alone, about 8,000 will be removed in each of the next four years. Europe, which has been dealing with the problem longer, has about 3,800 coming down annually through at least 2022, according to BloombergNEF. It’s going to get worse: Most were built more than a decade ago, when installations were less than a fifth of what they are now.

Built to withstand hurricane-force winds, the blades can’t easily be crushed, recycled or repurposed. That’s created an urgent search for alternatives in places that lack wide-open prairies. In the U.S., they go to the handful of landfills that accept them, in Lake Mills, Iowa; Sioux Falls, South Dakota; and Casper, where they will be interred in stacks that reach 30 feet under.

“The wind turbine blade will be there, ultimately, forever,” said Bob Cappadona, chief operating officer for the North American unit of Paris-based Veolia Environnement SA, which is searching for better ways to deal with the massive waste. “Most landfills are considered a dry tomb.”

“The last thing we want to do is create even more environmental challenges.”


To prevent catastrophic climate change caused by burning fossil fuels, many governments and corporations have pledged to use only clean energy by 2050. Wind energy is one of the cheapest ways to reach that goal.

The electricity comes from turbines that spin generators. Modern models emerged after the 1973 Arab oil embargo, when shortages compelled western governments to find alternatives to fossil fuels. The first wind farm in the U.S. was installed in New Hampshire in 1980, and California deployed thousands of turbines east of San Francisco across the Altamont Pass.


The first models were expensive and inefficient, spinning fast and low. After 1992, when Congress passed a tax credit, manufacturers invested in taller and more powerful designs. Their steel tubes rose 260 feet and sported swooping fiberglass blades. A decade later, General Electric Co. made its 1.5 megawatt model—enough to supply 1,200 homes in a stiff breeze—an industry standard.


Wind power is carbon-free and about 85% of turbine components, including steel, copper wire, electronics and gearing can be recycled or reused. But the fiberglass blades remain difficult to dispose of. With some as long as a football field, big rigs can only carry one at a time, making transportation costs prohibitive for long-distance hauls. Scientists are trying to find better ways to separate resins from fibers or to give small chunks new life as pellets or boards.

In the European Union, which strictly regulates material that can go into landfills, some blades are burned in kilns that create cement or in power plants. But their energy content is weak and uneven and the burning fiberglass emits pollutants.

In a pilot project last year, Veolia tried grinding them to dust, looking for chemicals to extract. “We came up with some crazy ideas,” Cappadona said. “We want to make it a sustainable business. There’s a lot of interest in this.”

One start-up, Global Fiberglass Solutions, developed a method to break down blades and press them into pellets and fiber boards to be used for flooring and walls. The company started producing samples at a plant in Sweetwater, Texas, near the continent’s largest concentration of wind farms. It plans another operation in Iowa.

“We can process 99.9% of a blade and handle about 6,000 to 7,000 blades a year per plant,” said Chief Executive Officer Don Lilly. The company has accumulated an inventory of about one year’s worth of blades ready to be chopped up and recycled as demand increases, he said. “When we start to sell to more builders, we can take in a lot more of them. We’re just gearing up.”

Until then, municipal and commercial dumps will take most of the waste, which the American Wind Energy Association in Washington says is safest and cheapest.

“Wind turbine blades at the end of their operational life are landfill-safe, unlike the waste from some other energy sources, and represent a small fraction of overall U.S. municipal solid waste,” according to an emailed statement from the group. It pointed to an Electric Power Research Institute study that estimates all blade waste through 2050 would equal roughly .015% of all the municipal solid waste going to landfills in 2015 alone.

In Iowa, Waste Management Inc. “worked closely with renewable energy companies to come up with a solution for wind mill blade processing, recycling and disposal,” said Julie Ketchum, a spokeswoman. The largest U.S. trash hauler gets as many as 10 trucks per day at its Lake Mills landfill.

Back in Wyoming, in the shadow of a snow-capped mountain, lies Casper, where wind farms represent both the possibilities and pitfalls of the shift from fossil fuels. The boom-bust oil town was founded at the turn of the 19th century. On the south side, bars that double as liquor stores welcome cigarette smokers and day drinkers. Up a gentle northern slope, a shooting club boasts of cowboy-action pistol ranges. Down the road, the sprawling landfill bustles and a dozen wind turbines spin gently on the horizon. They tower over pumpjacks known as nodding donkeys that pull oil from wells.

“People around here don’t like change,” said Morgan Morsett, a bartender at Frosty’s Bar & Grill. “They see these wind turbines as something that’s hurting coal and oil.”

But the city gets $675,000 to house turbine blades indefinitely, which can help pay for playground improvements and other services. Landfill manager Cynthia Langston said the blades are much cleaner to store than discarded oil equipment and Casper is happy to take the thousand blades from three in-state wind farms owned by Berkshire Hathaway Inc.’s PacifiCorp. Warren Buffett’s utility has been replacing the original blades and turbines with larger, more powerful models after a decade of operation.

While acknowledging that burying blades in perpetuity isn’t ideal, Bratvold, the special waste technician, was surprised by some of the negative reactions when a photo of some early deliveries went viral last summer. On social media, posters derided the inability to recycle something advertised as good for the planet, and offered suggestions of reusing them as links in a border wall or roofing for a homeless shelter.

“The backlash was instant and uninformed,” Bratvold said. “Critics said they thought wind turbines were supposed to be good for the environment and how can it be sustainable if it ends up in a landfill?”

“I think we’re doing the right thing.”

In the meantime, Bratvold and his co-workers have set aside about a half dozen blades and in coming months, they’ll experiment with methods to squeeze them into smaller footprints. They’ve tried bunkers, berms and even crushing them with the bulldozer, but the tracks kept slipping off the smooth blades. There’s little time to waste. Spring is coming, and when it does, the inexorable march of blades will resume.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

O eucalipto menoscaba a terra agraria

O monte galego ocupa as tres cuartas partes do territorio. Nas últimas décadas o seu aproveitamento centrouse na produción forestal en detrimento do uso agrícola. O despoboamento do rural, o abandono das explotacións agrogandeiras e unha eucaliptización en alza marcan esta inclinación, nun contexto de cambio climático onde destaca a ameaza crecente dos incendios. 
Fonte: aqui

Galiza perdeu terras de uso agrícola ao longo de 2019. Nese mesmo período, tanto a superficie forestal como os terreos dedicados ao pasto aumentaron. Unha tendencia que marca o aproveitamento do solo en todo o territorio nas últimas décadas, e que, desta vez, confirman os datos publicados polo Sistema de Información Xeográfica das Parcelas (Sixpac) do Ministerio de Agricultura.

As terras de cultivo descenderon en perto de 8.000 hectáreas o ano pasado, até situarse en 310.854 hectáreas de superficie agraria útil. Porén, o total de cultivos permanentes creceu lixeiramente, de 51.770 a 52.094 hectáreas. As árbores froiteiras ocupan a maior extensión, unhas 30.000 hectáreas, seguidas das viñas, con máis de 21.000 hectáreas.

A superficie forestal aumentou en 1.000 hectáreas, até alcanzar un total de 1.086.310 hectáreas distribuídas en máis de cinco millóns de parcelas, o que representa máis da metade de todo o Estado. En canto aos pastos, gañaron unhas 7.000 hectáreas máis e segundo os datos revelados polo Sixpac, xa suman 1.237.543 hectáreas, repartidas en case seis millóns de recintos.

Esta tendencia, a perder terras de uso agrario que pasan a incrementar as hectáreas de monte, e non sempre a superficie forestal útil, aclara o ex director xeral de Montes da Xunta da Galiza, Alberte Blanco, remóntase á metade do século XX, aínda que é máis acusada desde hai 30 ou 40 anos.

Superficie agraria útil

“O incremento da superficie forestal é resultado do maior abandono das terras destinadas aos cultivos. Este desleixo é consecuencia da crise demográfica, que ligada á falta de expectativas e de servizos deixa o rural sen remuda. Crece o abandono da superficie agraria, e do monte, que medra caótico", engade Alberte Blanco.

Nas últimas décadas, o monte converteuse no gran protagonista deste cambio no uso da terra. Dunha banda perdeu aproveitamento agrogandeiro, ao diminuír o pastoreo extensivo. Doutra, gañou masa forestal, destinada fundamentalmente á produción de madeira. E aquí, os eucaliptais marcan a verdadeira mudanza. Non só lle gañaron terreo ao monte raso, tamén conquistaron boa parte da superficie agraria útil que se deixou de cultivar. En 2017, segundo datos da Consellaría de Medio Rural, o eucalipto estaba presente en 425.000 hectáreas, 180.000 máis das previstas na planificación da Xunta.

Este proceso comezouse a xestar nos inicios do século XX. "A finais do século XIX o monte arborado era moi escaso no noroeste do Estado. As políticas forestais eran un papel en branco e, nese momento, as decisións que se adoptaron orientáronse cara un modelo produtivo que había favorecer unha industria aínda inexistente", explica Eduardo Corbelle, profesor do departamento de Enxeñería Agroforestal da Escola Politécnica Superior de Lugo da Universidade de Santiago de Compostela.

O monte gaña terreo

Durante o franquismo tamén se alentaron decisións en prexuízo da superficie agraria e en favor do monte. Un incentivo para o cambio no uso do solo que comezou coa promoción de campañas de plantación de piñeiros e eucaliptos. Ao mesmo tempo, o gando foi deixando de aproveitar o monte. Dous xiros que se consolidaron coa entrada do estado español na Comunidade Económica Europea (CEE) e novas medidas gobernamentais en beneficio do monte.

A partir de 1986 as cotas lácteas víronse reducidas. Cos topes máis baixos, o desenvolvemento do sector leiteiro minguou, e as explotacións agropecuarias comezaron a ceder. A primeira gran reforma da Política Agraria Común (PAC), en 1992, tamén contribuíu con axudas específicas para a reforestación das terras agrícolas que os produtores agrogandeiros ían deixando atrás.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Brian Eno escreve carta aos europeus: "Não se riam de pessoas como Trump e Johnson, porque vão devorar-vos”

O músico e produtor britânico, consumado que foi o Brexit, despede-se dos “amigos” europeus – na esperança de os voltar a encontrar “numa geração ou duas” –, apontando críticas ao Reino Unido e fazendo soar alarmes para o exterior. “A revolução aconteceu e estávamos alapados a ver Netflix”, recordou aos britânicos. A quem fica na UE, pede somente: “Não façam os mesmos erros estúpidos que nós”.


Fonte: aqui

Britânico de Woodbridge, cidade de 11. 385 habitantes no leste de Inglaterra, músico, do rock nos Roxy Music ao minimal ambiental mais a solo, produtor, de David Bowie aos Talking Heads, de Paul Simon aos Slowdive, de Brian Eno se pode dizer que é uma “autoridade”.

E puxou Brian Eno dos seus galões para, no site Democracy in Movement 2025 (do qual fazem parte figuras como Julian Assange, o ex-ministro grego Varoufakis ou o fundador do Livre Rui Tavares), se despedir dos “amigos europeus”, agora que o Brexit se consumou e o Reino Unido não faz já parte da União Europeia.

O músico britânico começa por garantir que, embora o Reino Unido tenha decidido de forma “louca, infantil e provavelmente suicida abandonar a Europa”, ele, Eno, continua a “sentir orgulho de ser europeu e da grande experiência social que a União Europeia representa”. “Na minha cabeça, ainda estou na Europa e é lá que vou ficar. Para a Inglaterra está tudo acabado e as gerações vindouras avaliarão os resultados”, garante em seguida.

A carta serve igualmente para Brian Eno dizer aos europeus “o que aconteceu à Inglaterra”. E o que é que aconteceu? O que é que está na origem do Brexit? “Uma imprensa corrupta e enganadora, pertença de umas poucas pessoas muito ricas; uma ilusão absurda e bem alimentada sobre o passado imperial de Inglaterra; uma imprensa que vive de atenção e de cliques e, por isso, amplia as hipóteses políticas de entertainers como Donald Trump e Boris Johnson; um ecossistema de redes sociais que conduz à polarização, em vez de compromisso; e uma série de líderes indistintos que aparentemente nada sabiam sobre estes problemas sistémicos”, explica.

Mas outra razão houve, acima de todas, segundo o músico, que tornou o Brexit uma realidade. A desatenção dos privilegiados. “Aqueles que, de entre nós, se consideram liberais ou socialistas ou democratas, não estiveram atentos. A maioria não reparou que, para a classe trabalhadora, as condições se agravavam de ano para ano. E não nos apercebemos que a imprensa de esgoto atribuía a culpa dessas condições às vítimas – os imigrantes, os pobres, os assistentes sociais, os professores, os estrangeiros... e, acima de tudo, à União Europeia”, pode ler-se na carta publicada na Democracy in Movement 2025.

E conlui depois, Eno: “Não reparámos porque a nossa vida não era assim tão má - todos tínhamos os nossos iPhones e as nossas aplicações e as nossas contas na Amazon e os nossos voos baratos para zonas costeiras e outras formas de gastar o tempo. Entretanto, uma revolução estava a acontecer. Não a reconhecemos porque sempre pensámos que os revolucionários devíamos ser nós. A revolução aconteceu e nós estávamos alapados a ver Netflix”.

O cenário traçado por Eno é catrastófico, acreditanto o músico que “outros países também enfrentarão, em breve, campanhas para sair” da União Europeia, “se é que já não enfrentaram”. É que a União Europeia é “um alvo fácil para qualquer político ambicioso” que pretenda “cavalgar a onda nacionalista com a ajuda que os media inevitavelmente lhe darão”, lamenta.

Eno desejou, a terminar, esperando “ver-vos [europeus] dentro de uma geração ou duas”: “Por favor, amigos na Europa - não façam os mesmos erros estúpidos que nós. Não se limitem a rir de pessoas como Trump e Johnson e todos os outros, porque em breve eles irão devorar-vos. Se queremos uma Europa unificada, precisamos de defendê-la agora. Falar sobre ela. Pensar sobre ela. Melhorar e resolver as coisas”.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Encontramos os 25 maiores destruidores da Amazónia

Fonte: aqui
“O PIOR INIMIGO DO MEIO AMBIENTE É A POBREZA”, sentenciou o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante uma apresentação no Fórum Econômico Mundial em janeiro. “As pessoas destroem o ambiente porque precisam comer”, ele disse, em Davos, na Suíça. É mentira – e a gente pode provar com números. Durante meses, nos debruçamos sobre 284.235 multas por desmatamento nos últimos 25 anos. E descobrimos que os maiores destruidores do meio ambiente – principalmente da Amazônia – não são os pobres. São algumas das pessoas mais ricas e poderosas do Brasil.

Dados públicos do Ibama, o órgão do governo federal responsável pela preservação do meio ambiente, compilados e analisados pelo De Olho nos Ruralistas, mostram que os 25 maiores desmatadores da história recente do país são grandes empresas, estrangeiros, políticos, uma empresa ligada a um banqueiro, frequentadores de colunas sociais no Sudeste e três exploradores de trabalho escravo.

Os 25 maiores desmatadores somaram mais de R$ 50 milhões em multas entre 1995 e 2019. No total, suas centenas de autuações chegam a R$ 3,58 bilhões, praticamente o orçamento do Ministério do Meio Ambiente inteiro para 2020. Corrigido, o valor chegaria a R$ 6,3 bilhões. Sozinhos, os campeões da destruição são responsáveis por quase 10% do total de multas aplicadas por devastação de flora desde 1995 – R$ 34,8 bilhões.

A imensa maioria deles jamais pagou suas multas e acumula outras dívidas com o poder público. Os valores, que são proporcionais à área desmatada, mostram que quem destrói a floresta não são as pessoas pobres, como defende Paulo Guedes, e que o desmatamento não é ‘cultural’, como diz Bolsonaro. A destruição é movida a dinheiro – muito dinheiro – e uma boa dose de impunidade.


DEVO, NÃO PAGO, VOLTO A DESMATAR


O levantamento, feito a partir das autuações por crimes contra a flora – há outros tipos de multas no Ibama –, abrange dois grandes grupos: as pessoas físicas e jurídicas que participaram de desmatamentos e aquelas que se beneficiaram diretamente de produto vindo de área desmatada, como na compra de madeira sem certificação de origem. A enorme base de dados foi analisada a partir dos infratores que tiveram multas acima de R$ 1 milhão. Somando os valores, chegamos aos maiores multados dos últimos 25 anos.

O valor base da multa na região da Amazônia Legal é de R$ 5 mil por hectare. As multas podem ser maiores quando há no lugar espécies raras ou ameaçadas de extinção ou no caso de áreas de reserva ou proteção permanente. Boa parte das multas recebidas pelos recordistas se encaixa nesses agravantes.

Na lista, chama a atenção a repetição de nomes. Dos 25 campeões de infrações por desmatamento do país, só um – Agropecuária Vitória Régia – recebeu uma única multa. Os outros 24 foram reincidentes. Uma das empresas que aparecem no ranking, a Cosipar, levou multas em nada menos do que 16 anos diferentes. O valor chega a R$ 156,9 milhões – destes, R$ 155 milhões ainda não foram pagos.

GRILEIROS, BILIONÁRIOS E CONDENADOS

No ranking, o campeão das multas é o Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, órgão federal responsável pelo assentamento de camponeses. Mas isso não significa que os assentados tenham sido os responsáveis pelo desmatamento: muitos locais onde foram aplicadas as multas já não são, de fato, assentamentos. Eles são focos de grilagem de terras como São Félix do Xingu, no sul do Pará: das 15 multas milionárias recebidas pelo Incra em 2012, 12 foram aplicadas no município, capital da pecuária em terras do governo federal. Como a terra não tem um dono oficial, a culpa recai sobre o órgão federal que detém sua posse.

Em segundo lugar no ranking está a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa dos fundos de investimentos geridos pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas. A empresa, comandada pelo ex-cunhado de Dantas, Carlos Rodenburg, acumula multas de mais de R$ 325 milhões.

Em 2009, a AgroSB, como é conhecida, declarava ser dona de mais de 500 mil hectares de terra, onde eram criadas mais de 500 mil cabeças de gado. À justiça, a empresa disse que não cometia desmatamento, mas que adquiriu áreas já degradadas. O argumento foi rejeitado, e a empresa voltou a ser autuada, em valores milionários, em 2010, 2011 e 2017. Não foi o único problema: em 2012, pessoas em condições análogas à escravidão foram resgatadas na fazenda.

Atualmente, a agropecuária tem dez áreas embargadas pelo Ibama para recuperação da vegetação, em Santana do Araguaia, no Pará, e São Félix do Xingu. A maior delas tem mais de 2,3 mil hectares, um território do tamanho de metade da Floresta da Tijuca, na Amazônia. Em nota ao Intercept, a AgroSB atribui diversas multas à uma “perseguição direcionada à companhia” entre 2008 e 2010. Segundo a empresa, essas multas, em sua maioria, “vêm sendo cancelados pela Justiça e pelo órgão ambiental em razão da falta de fundamentos fáticos ou jurídicos”. Segundo AgroSB, o valor das multas canceladas chega a R$ 20 milhões.

Daniel Dantas também tem mais um nome ligado a ele na lista: o fazendeiro Tarley Helvecio Alves, que ocupa a 18ª posição. Alves foi administrador da fazenda Caracol, de propriedade de Verônica Dantas, irmã e sócia de Daniel no banco Opportunity. Com três áreas embargadas em Cumaru do Norte, também no Pará, as multas dele chegam a R$ 70 milhões.

Antonio José Junqueira Vilela Filho, o terceiro da lista, é conhecido no Intercept. Em 2017, contamos como o pecuarista e sua família, frequentadores de colunas sociais em São Paulo, foram denunciados pelo Ministério Público Federal por grilagem de terras e exploração de trabalho escravo na região de Altamira, no Pará.


ENTRE MULTAS E VOTOS

O ranking mostra que as multas não são suficientes para frear os crimes ambientais. Preso em 2014 pela Operação Castanheira, realizada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, o fazendeiro Giovany Marcelino Pascoal foi condenado por desmatamento em 2018. Não adiantou: ele voltou a ser multado pelo Ibama em 2019. Pascoal, o segundo maior reincidente da lista, atua na região de Novo Progresso, onde foi organizado em agosto passado o Dia do Fogo, ação de desmatadores em defesa do governo Bolsonaro. Desde 2010, ele aparece oito vezes nas listas daqueles com multas anuais acima de R$ 1 milhão. Ao Intercept, Pascoal disse por telefone que está recorrendo e que algumas multas não são responsabilidade dele, mas não especificou quais.

Outro nome da lista é velho conhecido no rol dos reincidentes em desmatamento na Amazônia. O fazendeiro Laudelino Delio Fernandes Neto, dono da Agropecuária Vitória Régia (a nona no ranking), chegou a ser acusado de ter facilitado a fuga de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, apontado como mandante do assassinato da missionária católica Dorothy Stang em Anapu, no Pará, em 2005. Ele ainda foi denunciado pelo Ministério Público Federal por desvios de mais de R$ 7 milhões da Sudam, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia.

Vice-prefeito de Anapu, eleito em 2008, e candidato a prefeito no município em 2012, Delio Fernandes declarou ao Tribunal Superior Eleitoral possuir R$ 10,2 milhões em bens, sendo R$ 9 milhões relativos a 9 mil hectares em Anapu e Senador José Porfírio. Seu irmão, Silvério Albano Fernandes, foi vice-prefeito de Altamira e teve seu nome especulado para assumir a chefia do Incra na região no governo Bolsonaro, para o qual fez campanha.

Delio Fernandes não é o único político da lista. Entre os 25 maiores desmatadores, há o ex-deputado federal Antonio Dourado Cavalcanti. Deputado entre as décadas de 1950 e 1970, ele era líder do grupo do qual fazia parte a Destilaria Gameleira, com sede em Mato Grosso. A usina condenada por manter mais de mil escravos – o maior resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão dos últimos anos – também está no ranking. Com R$ 69 milhões em multas, ela ocupa a 19ª posição.

Na lista de políticos, o ranking também tem José de Castro Aguiar Filho, atual prefeito de Flora Rica, no oeste paulista, pelo MDB. Suas multas milionárias em São José do Xingu, no Mato Grosso, não o impediram de ganhar as eleições na pequena cidade com quase 80% dos votos válidos.

SIDERÚRGICAS DESTROEM MAIS DO QUE MADEIREIRAS

Entre os 25 maiores destruidores, 13 são empresas. Onze delas têm capital aberto, listadas na Bovespa. Se engana quem pensa que madeireiras e carvoarias são as vilãs: as empresas que mais desmatam são, em sua maioria, ligadas à siderurgia e à agropecuária.

Siderúrgicas são listadas porque se beneficiam diretamente da retirada de madeira para o uso do carvão. Para elas, apesar das multas – que geralmente não são pagas –, sai mais barato comprar madeira oriunda de áreas protegidas do que respeitar os devidos ritos legais de proteção ambiental. A Siderúrgica Norte Brasil S/A e a Sidepar ocupam, respectivamente, a terceira e a quarta posições no ranking, e, juntas, acumulam mais de R$ 500 milhões em multas.

O setor agropecuário é representado não apenas pela pecuária, mas também por causa da produção de soja em larga escala. Também é comum que o mesmo empresário tenha uma madeireira e uma empresa de grãos, ou crie gado e, ao mesmo tempo, tenha uma companhia de outro setor – de bancos a empreiteiras.

Duas das empresas listadas têm capital internacional. Uma é a Ibérica, uma sociedade entre empresários bascos. A outra é a Gethal Amazonas Madeiras Compensadas, controlada pelo milionário sueco Johan Eliasch e que tem uma empresa uruguaia entre seus sócios.

A Gethal é a única do setor de madeiras na lista dos 25 – contrariando o senso comum sobre o desmatamento na Amazônia. Assim como só há uma do setor de carvão, matéria-prima das siderúrgicas, a Líder. A constante alteração de nomes e CNPJs das empresas dos dois setores, com sócios em comum, diminui a reincidência em multas ao longo dos anos.


MAIORES DESTRUIDORES, MAIORES CALOTEIROS

A atual legislação ambiental brasileira, que determina as multas, só foi consolidada no fim dos anos 1990. Na década anterior, só há dez autuações por crimes contra a flora nos registros do Ibama. E os valores eram irrisórios: em 1996, por exemplo, foram aplicadas 22 multas de R$ 0,01. O cenário começou a mudar em 1998, com a lei 9.605, de crimes ambientais, que estipulou regras e valores maiores em multas para destruidores da floresta.

Os números mostram que, ao longo das duas décadas de aplicação da lei, ela afetou principalmente grandes desmatadores. De um total de R$ 34 bilhões em multas por destruição de flora entre 1995 e 2000, R$ 25 bilhões (73,5%) foram aplicados a 4,6 mil pessoas físicas e jurídicas que, em pelo menos um ano do período analisado, tiveram infrações somadas acima de R$ 1 milhão.

As sanções, no entanto, não significam que a punição resolve o problema. O Intercept já mostrou que, do total de R$ 75 billhões em multas ambientais já aplicadas desde os anos 1980, só 3,3% foram efetivamente pagos (e o governo tem tomado medidas para receber ainda menos). O valor poderia sustentar o Ministério do Meio Ambiente inteiro por 21 anos.

Os pequenos infratores – que o governo insiste em culpar pela destruição do meio ambiente – são os que mais pagam multas. Já os maiores, responsáveis pela destruição das partes mais extensas da floresta, deixam os processos prescreverem e continuam desmatando.

O Intercept tentou entrar em contato com os 25 listados por meio do número de telefone listado na Receita Federal. Os dois números da Destilaria Gameleira não funcionam. A página cadastral da empresa de Jeovah Lago Silva, Minuano Sementes, não dispõe de meio de contato. Carlos Alberto Mafra Terra foi contatado por telefone e e-mail, sem sucesso. A Líder Ind e Com de Carvão Vegetal LTDA EPP foi contatada por meio de um e-mail no diretório da Receita Federal, mas a mensagem retornou. Paulo Diniz Cabral da Silva foi contatado por e-mail e WhatsApp, mas não houve resposta. Os telefones de José de Castro Aguiar Filho e Tarley Helvecio Alves, listados na Receita Federal, não funcionam.

Veja a lista completa dos 25 desmatadores mais multados entre 1995 e 2020:

1º – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – R$ 421 mi

2º – Agropecuária Santa Bárbara – R$ 323 mi

3º – Antonio Jose Junqueira Vilela Filho – R$ 280 mi

4º – Siderúrgica Norte Brasil S/A – R$ 272 mi

5º – Sidepar Siderúrgica do Pará S.A. – R$ 258 mi

6º – Gethal-Amazonas S.A. Indústria de Madeira Compensada – R$ 231 mi

7º – Gusa Nordeste S.A. – R$ 202 mi

8º – Agropecuária Vitória Régia S/A – R$ 170 mi

9º – Companhia Siderúrgica do Pará – COSIPAR – R$ 157 mi

10º – José Alves de Oliveira – R$ 105 mi

11º – José Carlos Ramos Rodrigues – R$ 101 mi

12º – Fernando Luiz Quagliato – R$ 100 mi

13º – Gilmar Texeira – R$ 99 mi

14º – Hamex Comércio de Produtos Alimentícios Ltda – R$ 94 mi

15º – USIMAR – Usina Siderúrgica de Marabá S/A – R$ 88 mi

16º – Siderurgica Iberica S/A – R$ 87 mi

17º – Giovany Marcelino Pascoal – R$ 86 mi

18º – Tarley Helvecio Alves – R$ 70 mi

19º – Destilaria Gameleira Sociedade Anônima – R$ 69 mi

20º – Carlos Alberto Mafra Terra – R$ 66 mi

21º – Jose de Castro Aguiar Filho – R$ 61,8 mi

22º – Lider Ind. e Com. de Carvão Vegetal Ltda EPP – R$ 61,5 mi

23º – Paulo Diniz Cabral da Silva – R$ 61,1 mi

24º – Siderúrgica Alterosa S/A – R$ 60 mi

25º – Jeovah Lago da Silva – R$ 58 mi

Correção – 31 de janeiro, 11h03
O tamanho de um hectare é 10 mil metros quadrados, e não 1 quilômetro quadrado. O texto foi corrigido.