segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Para o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, “as universidades só ensinam o conhecimento dos vencedores, e não dos vencidos”

Fonte: O Povo
Ao tentar definir Ecologia de Saberes, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, um dos mais prestigiados do mundo, afirmou ser um apelo por mais justiça aos conhecimentos. Ele referia-se ao conhecimento que vem das populações rurais, urbanas, ribeirinhas. Ao conhecimento nascido da luta, dos oprimidos, dos discriminados. “As universidades só ensinam o conhecimento dos vencedores, e não dos vencidos. (...) O conhecimento universitário, científico, é importante, mas não basta”, afirmou.
Na noite de ontem, Boaventura ministrou palestra durante o Encontro Internacional Ecologia de Saberes: Construindo o Dossiê Sobre os Impactos dos Agrotóxicos na América Latina. A aula de abertura do evento ocorreu na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Na ocasião, ele defendeu que há uma injustiça cognitiva extraordinária, uma ciência que coloca uma grande parcela da população na condição de bárbaro. “A ciência fez com que muita gente no mundo viva exilada, quando ela tem outro conhecimento, outro saber”, argumentou.

Responsabilidade
Para o sociólogo, aqueles que têm o conhecimento científico têm a grande responsabilidade de trazer outros conhecimentos para a universidade e respeitá-los. Por isso, ele propõe, por exemplo, o diálogo entre agricultores e engenheiros agrônomos. “Precisamos conhecer as lutas uns dos outros. Temos que fazer tradução intercultural”, disse, sobre o caminho para se fazer justiça. Em vez do conceito de desenvolvimento - “face do capitalismo neoliberal no mundo” -, para promover o diálogo, ele propôs os de dignidade, economia familiar, reforma agrária, economia social e solidária, soberania alimentar, reserva de território. “Os termos são esses, que podem ser alternativos ao desenvolvimento”, disse.

Segundo ele, a democracia representativa foi derrotada pelos capitalistas e esse seria o motivo para tantos protestos pelo mundo, inclusive no Brasil. “São revoltas de indignação contra algo que não é claro. Não se sabe o que quer, mas sabe-se o que não quer”, disse. Por isso, ele afirma que Ecologia do Saber é uma tentativa de se criar uma outra conversa para a sociedade. “Se não fizermos isso, a alternativa é o fim do planeta”.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Poesia da Semana:Leo Tolstoi- parábola do Carvalho

  1. Toscania, Fevereiro de 2017- Foto de Gigliola Spaziano

"Príncipe André chegou a casa ... no caminho de volta, ele atravessou a floresta de vidoeiros, onde as folhas de um carvalho o tinham atingido há anos de emoção, de modo tão estranho e memorável. Todas as plantas estavam a florescer.
"Sim, aqui nesta floresta era com o carvalho que eu me sentia mais de acordo ", pensou o príncipe André." Mas onde está? ",... perguntou-se, olhando para o lado esquerdo da estrada e, sem saber, sem reconhecê-lo, foi apenas admirando o carvalho que procurava. E de repente, tudo mudou, como uma cortina de abrir a espessura cabelo escuro, lavada pela chuva recente, pairando apenas, para o pôr-do-Sol, com imensos dedos torcidos e cicatrizes, não é mais o desespero tímido e doloroso, nada mais de tudo. Através da dura casca de um século de idade, tornou-se estrada, sem ramos, folhas jovens de um verde brilhante e inchado.
"Sim, é aquele carvalho!", disse o príncipe André. E, de repente, sem nenhum motivo, foi invadido por um sentimento de alegria igual ao reavivamento da Primavera. Depois vertido para a mente os momentos mais intensos de sua vida ... tudo voltou.
De repente, a memória.
"Não é suficiente o que eu sei sobre o que passa no meu interior.
Eles também devem conhecer os outros. Eu sou menina que queria voar no Céu. Sabes que a minha vida não tem lugar apenas para mim. E tu não vives de forma independente da minha vida ... deve estar refletido em todos, e todos devem viver em perfeita união comigo! "
Lev Tolstoi - Guerra e Paz (adaptado)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ai, Nuclear, Nuclear


Um caso grave de surdez política
Por Susana Fonseca, 17 de Fevereiro

Sem praticamente se dar por isso em Portugal, o Parlamento Europeu (PE) deu esta semana o seu consentimento a que o acordo de comércio e investimento entre a União Europeia e o Canadá (o CETA) siga em frente, o que terá, desde já, duas implicações muito relevantes.
Uma primeira é a aplicação provisional do acordo. Do âmbito desta aplicação pouco ficará de fora, pelo que as ameaças identificadas por mais de três milhões e quinhentos mil europeus e milhares de organizações dos mais diversos quadrantes da sociedade (ONG de ambiente, de defesa dos consumidores, sindicatos, organizações de produtores agrícolas, PME, municípios e regiões, organizações profissionais da área da saúde ou do direito e da justiça)  irão agora tornar-se realidade, com a conivência da maioria dos nossos representantes no PE.

Em relação aos representantes portugueses, a direita fez o que faz habitualmente, defender os interesses das grandes empresas e do comércio livre, mesmo que num modelo contrário aos objetivos do desenvolvimento sustentável. A posição mais surpreendente  deste grupo acaba por ser a de José Inácio Faria, eleito pelo Partido da Terra, mas que aparentemente se terá perdido do caminho que por cá defendeu.
Os deputados socialistas portugueses, com a honrosa exceção da deputada Ana Gomes, alinharam com a direita, ao contrário do que fizeram vários outros colegas de outros países. No discurso estão muito preocupados, mas na prática são incapazes de romper com o status quo. Os nossos representantes mais à esquerda votaram contra o acordo, como esperado.

A segunda implicação é que o CETA só poderá entrar em vigor na sua plenitude, nomeadamente nas provisões que atribuem às multinacionais o direito de processar os Estados quando estes regulam contra os seus interesses, mesmo que essa regulação seja em prol da saúde humana e do ambiente, após a aprovação pelos Parlamentos de cada país (nacionais e regionais – 38 no total).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Anselm Kiefer- Os Sete Palácios Celestiais, 2002- derivação poética por João Paulo Soares


Parei nesta foto formidável de Anselm Kiefer e à distância do que vivemos nesta época, digo-vos: Como os rios e as árvores, assim são os livros. Fascinantes e livres e preciosos. Velhos, novos ou inacabados. São monumentos como a Natureza e da natureza feitos. Estão interligados com os autores e os leitores e as cidades e os minerais e a seiva. Proibidos, irreverentes, ocultos, explodem em regimes se mal geridos e interpretados. Outros são ramos. Outros são cânticos e como pequenos ramos, alguns gostaríamos de conhecer o todo...ficaram no pó ou sedimentaram-se com as rochas. E finalmente o próprio Homem em algumas épocas atiraram jóias inteiras nas fogueiras....

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A biografia fascinante de Janusz Korczak


Janusz Korczak, pseudónimo de Henryk Goldszmit, também conhecido como o Velho Doutor ou o Senhor Doutor, nasceu em Varsóvia, no dia 22 de julho de 1878 ou 1879, e foi assassinado em Treblinka, no dia 5 ou 6 de agosto de 1942) foi médico, pediatra, pedagogo, escritor, autor infantil, publicista, activista social, oficial do Exército Polaco.

Foi um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional. Foi precursor nas iniciativas em prol dos direitos da criança e do reconhecimento da total igualdade das crianças que hoje encontramos nas Escolas Democráticas.

Na qualidade de diretor de um orfanato instituiu, entre outros, um tribunal de arbitragem de crianças, no âmbito do qual as próprias crianças avaliavam as causas apresentadas por elas mesmas, podendo também levar a tribunal os seus educadores.

O famoso psicólogo suíço, Jean Piaget, que visitou o orfanato Dom Sierot (A Casa dos Órfãos), fundado e dirigido por Korczak, disse dele o seguinte: «Este homem maravilhoso teve a coragem de confiar nas crianças e nos jovens, com os quais trabalhava, ao ponto de transferir para as suas mãos as ocorrências disciplinares e de confiar a certos indivíduos as tarefas mais difíceis e de grande responsabilidade».

Korczak criou a primeira revista redigida a partir de textos enviados por crianças, que se destinava sobretudo a jovens leitores, A Pequena Revista. Foi igualmente um dos pioneiros dos estudos sobre o desenvolvimento e a psicologia da criança, bem como do diagnóstico da educação.

Era judeu-polaco que toda a vida afirmou pertencer às duas nações, a hebraica e a polaca.

Mais informação aqui

A comovente história da recuperação do Diário de Janusz Korczak, por um expatriado polaco, sem o qual dificilmente saberíamos com mais rigor todo o pensamento do Velho Doutor.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ciência e tecnologia - Artigo científico

Ciência e tecnologia


Em historiografia e em filosofia da história, o progresso (do latim Progressus, "um avanço") é a ideia de que o mundo pode se tornar gradativamente melhor no que diz respeito à ciência, tecnologia, modernização, liberdade, democracia, qualidade de vida, etc. Embora o progresso esteja frequentemente associado à noção ocidental da mudança monótona de uma tendência, em linha reta, no entanto concepções alternativas existem, como a teoria cíclica do eterno retorno formulada por Friedrich Nietzsche, ou "em forma de espiral" o progresso da dialéctica de Hegel, Marx, entre outros. 
Por outras palavras, o progresso é entendido como um conceito que indica a existência de um sentido de melhorar a condição humana. A consideração de possibilidade foi fundamental para a separação da ideologia feudal medieval, baseada no teocentrismo cristão (ou muçulmano) e expresso na escolástica. A partir desse ponto de vista - o qual não é o único possível em teologia - o progresso é sentido quando a história humana provem da queda do homem (o pecado original) e o futuro tende a Cristo. 

A história em si, interpretada como providencial, é um parêntesis na eternidade, e o homem não deve ter esperança de participar em mais do que a divindade concedida pelo Apocalipse. A crise medieval e renascentista, com o antropocentrismo, resolveram o debate dos antigos e modernos, superando o Argumentum ad verecundiam (argumento de autoridade) e Revelação como fonte do conhecimento. Desde a crise da consciência europeia do final do século XVII e da era do Iluminismo do século XVIII tornou-se banal expressar a ideologia dominante do capitalismo e da ciência moderna. 
A segunda metade do século XIX foi o momento otimista do seu triunfo, com os avanços técnicos da Revolução industrial, no qual o imperialismo europeu estendeu o seu conceito de civilização para todo o mundo. A sua expressão máxima foi o positivismo de Auguste Comte. Embora os percursores pudessem ser evidentes, até depois da Primeira Guerra Mundial, não houve um verdadeiro questionamento sobre a ideia de progresso, incluindo a mudança do paradigma científico, as vanguardas na arte, e o reexaminar da ordem econômico-social e política que envolveram a Revolução Soviética, a crise de 1929 e o fascismo.
Texto completo: aqui

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O fenantreno e alquilbenzenos provocam efeitos lineares no desenvolvimento larval e genes de muitos peixes


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O fenantreno, um dos muitos produtos químicos conhecidos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos foi identificada como a substância responsável por danos causados aos corações dos peixes expostos a derramamentos de petróleo, nomeadamente no desastre do Deepwater Horizon, da BP. A descoberta desencadeou alertas para a exposição de seres humanos ao mesmo produto químico no ar e na água. 
Ler mais em NOLA.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Agricultura - É assim que funciona o mundo ao contrário, por Luís Alves


O testemunho do Luis Alves do Cantinho das Aromáticas :
"Estou neste momento no processo de obter certificação bio para a quinta, que muitos colegas chamam a "multa por fazer tudo direito".


O motivo por que o fazem é porque o agricultor biológico não contamina ar, solo e água e é exponencialmente mais fiscalizado do que os produtores convencionais que contaminam todos estes elementos, cabendo depois sobretudo ao contribuinte a sua limpeza.

Este é um dos principais motivos pelo qual muitas vezes nos espantamos com diferenças de preço entre convencional e bio: um é indirectamente muito mais subsidiado do que o outro.
E ainda por cima para nos fazer mal!

O nosso certificado serve os clientes que não nos conhecem sobretudo, porque fraude também existe mas junto-me a muitos outros que já afirmaram que o ideal era mesmo a agricultura biológica deixar de existir por que toda seria biológica.

Ou então haveria somente "agricultura" e "agricultura poluente"!