sábado, 22 de agosto de 2026

Alterações climáticas nas montanhas europeias: porque é que o aquecimento não explica tudo

As temperaturas nos pontos mais elevados da Europa estão a aumentar - um reflexo regional do aquecimento global. Como consequência, as comunidades vegetais nos cumes montanhosos registam uma presença cada vez maior de espécies associadas a climas quentes. Contudo, esta transformação não ocorre da mesma forma nem ao mesmo ritmo em todos os locais.

Um estudo que analisou dados de mais de 700 sítios em 53 cumes europeus, ao longo de 21 anos, revela que a relação entre o aumento da temperatura e a "termofilização" (o avanço da flora adaptada ao calor) é mais complexa do que se pensava. Embora cerca de 63% das zonas monitorizadas confirmem esta tendência, a subida direta da temperatura explica menos de 10% da variação na mudança das plantas a nível local.

Os investigadores descobriram que o verdadeiro acelerador do processo é a ecologia envolvente: onde já existem espécies de zonas mais baixas na vizinhança do cume, a transição é muito mais rápida. Em contrapartida, os terrenos rochosos funcionam como uma barreira natural contra essa colonização. 

Como explica Johannes Hausharter, da Universidade de Viena, 'os nossos dados mostram claramente que a vegetação nos cumes está a mudar, mas o ritmo dessas alterações não depende apenas do aumento da temperatura'. Stefan Dullinger, coautor do estudo, reforça que a resposta da flora alpina depende tanto da magnitude do aquecimento como da presença prévia de espécies vindas de zonas mais quentes.

O estudo indica ainda que a vegetação alpina reage com um atraso médio de quatro anos às mudanças térmicas. Para as plantas endémicas e exclusivas das zonas frias - que já não têm para onde migrar no topo das montanhas -, a chegada destas novas concorrentes representa uma ameaça silenciosa, mas real, à biodiversidade europeia.

Embora as alterações climáticas sejam a causa central destas transformações, o seu impacto nos ecossistemas de altitude não é uniforme: varia de cume para cume e é profundamente moldado pelas condições e pela geografia locais.

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