segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

(Eco) Poema da Semana - Emily Dickinson "O Êxito Parece a Mais Doce das Coisas"

Edgar Degas - ''Before the Performance'', 1896-98
O êxito parece a mais doce das coisas 
A quem nunca venceu na vida.
Ter a compreensão de um néctar
Exige a mais dolorosa necessidade.
De entre o purpúreo Exército
Que hoje empunhou a Bandeira
Nenhum outro poderá dar uma tão clara
Definição da Vitória
Como o vencido - agonizante -
Em cujo ouvido interdito
A distante ária triunfal
Ressoa nítida e pungente!
Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"

domingo, 27 de dezembro de 2015

Ozzy Osbourne - Dreamer


Gazing through the window at the world outside
Wondering will mother earth survive
Hoping that mankind will stop abusing her, sometime

After all there's only just the two of us
And here we are still fighting for our lives
Watching all of history repeat itself, time after time

[refrão] I'm just a dreamer
I dream my life away
I'm just a dreamer
Who dreams of better days

I watch the sun go down like everyone of us
I'm hoping that the dawn will bring good signs
A better place for those who will come after us, this time

[refrão]

Your higher power may be God or Jesus Christ
It doesn't really matter much to me
Without each others help there ain't no hope for us
I'm living in a dream of fantasy, oh yeah yeah yeah

If only we could all just find serenity
It would be nice if we could live as one
When will all this anger hate and bigotry be done

[refrão]

I'm just a dreamer
Who's searching for the way, today
I'm just a dreamer
Dreaming my life away, oh yeah yeah yeah

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz (Eco-) Natal com Bill Evans - "Peace Piece"


An impression of american city life (NewYork) during the late 50's & the early 60's accompanied with the music of Bill Evans - Peace Piece (1958) with pictures of important photographers and appearances of artists and their works from that period

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Árvore feita com pauzinhos chineses alerta para a desflorestação na China

Fonte: O Planeta que Temos
Todos os anos, a China consome 45 mil milhões de pares de pauzinhos chineses descartáveis, o que equivale a cerca de 25 milhões de árvores abatidas, de acordo com a Fundação da Protecção Ambiental da China, que refere ainda que, a este ritmo, "a floresta desaparecerá da China em 20 anos".
Para alertar a população para este problema, o grupo ambiental chinês reuniu 30 mil pares de pauzinhos usados de restaurantes de Xangai e construiu com eles uma árvore de 5 metros de altura, que derrubou e colocou numa zona movimentada da cidade.
Perto da árvore caída, foram posicionados voluntários que distribuíam pauzinhos reutilizáveis às pessoas que passavam, enquanto uma placa as informava de que: "As nossas árvores só chegam para nos alimentar durante mais 20 anos".

Fonte: TreeHugger, Dezembro 2010

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

American Muslims: Facts vs. Fiction


American Muslims: Facts vs. Fiction provides poll-based answers to the most frequent questions Americans ask about their Muslim neighbors. The film debunks stereotypes and separates many of the prevailing fictions about Islam and American Muslims. Featuring leading researchers, religious authorities and the results of studies conducted by the Gallup Organization, the Pew Forum, the Institute for Social Policy and Understanding, and the U.S. Counterterrorism Center.

For more resources like this, visit the collection Promoting Understanding: Islam.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Saiu uma nova pirâmide dos alimentos que aconselha a comer quinoa, cuscuz e leite de soja – e proíbe o açúcar

É a grande novidade do ano. Não, não estou a falar da forma correcta de pronunciar o nome Lopetegui. Estou a falar da actualização da Pirâmide dos Alimentos, que, pela primeira vez em 15 anos, foi alterada na Austrália. E porque é que isso lhe pode interessar tanto? Porque é esta pequena imagem que lhe dá as indicações essenciais para ter uma alimentação saudável. E porque, pela primeira vez, a pirâmide prevê alimentos como quinoa, cuscuz, tofu ou leite de soja. E retira outros como o açúcar ou as gorduras saturadas.


Açúcar e sal nem ver. Já estão naturalmente na comida e, por isso, não devem ser acrescentados quando cozinha. A Nutrition Australia, que elaborou a nova Pirâmide dos Alimentos, recomenda mesmo que toda a gente confirme os rótulos nos alimentos embalados que compra no supermercado – e evite aqueles que têm sal ou açúcar adicionados. O sal e o açúcar são responsáveis pelo aumento do risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 ou alguns tipos de cancro. 

Use ervas e especiarias. Não consegue comer os alimentos sem uma pitadinha de sal? Ou uma colherzinha de açúcar? Problema seu. Não, estou a brincar... A Nutrition Australia aconselha-o a substituí-los por ervas aromáticas – secas ou frescas – e especiarias. É uma forma saudável de dar sabor à comida.

Adeus manteiga. Antigamente estavam no topo da pirâmide, junto aos alimentos que deveriam ser consumidos muito esporadicamente. Agora as gorduras saturadas desapareceram. As únicas gorduras que deve comer são as gorduras saudáveis, como o azeite.

Coma quinoa, cuscuz e cereais integrais. 70% daquilo que come ao longo de um dia deve ser fruta, vegetais, leguminosas e cereais. E de entre os cereais deve privilegiar os integrais – o arroz castanho, as aveias e a quinoa. As crianças mais velhas, os adolescentes e os adultos deveriam comer, todos os dias, duas porções de fruta e cinco de vegetais ou leguminosas.

Leite magro ou então de soja. Na camada do meio da pirâmide, estão os lacticínios e as proteínas, que devem ser consumidos moderadamente. E aqui há novidades. Escolha sempre produtos lácteos magros, para EVITAR as gorduras saturadas. Ou então substitua-os por alternativas como o leite de soja, de arroz ou de cereais, desde que tenham, pelo menos 100 mg por cada 100 ml de cálcio adicionado.

Pode SUBSTITUIR a carne e o peixe por leguminosas. Carnes, de preferência magras. Os vegetarianos podem ter uma alimentação equilibrada se substituírem o peixe e a carne por ovos, tofu ou leguminosas que sejam ricas em proteínas.

Uma boa alimentação para si onde quer que esteja.

TED-Talk - From Ecocide to Ecolibrium: The Great Turning by Polly Higgins


Prejudicar a natureza não se qualifica apenas como um crime ecológico, mas muitas vezes é um crime de liderança, um crime corporativo e/ou um crime contra a paz. Enquanto o nosso mundo tem estado particularmente preocupado com os crimes infligidos aos seres humanos, Polly Higgins dedicou a sua vida a levar a julgamento aqueles que tomam decisões que causam danos significativos à natureza e às comunidades.
Enquanto o nosso mundo tem estado particularmente preocupado com os crimes infligidos aos seres humanos, Polly Higgins dedicou a sua vida a levar a julgamento aqueles que tomam decisões que causam danos significativos à natureza e às comunidades. Prejudicar a natureza não se qualifica apenas como um crime ecológico, mas muitas vezes é um crime de liderança, um crime corporativo e/ou um crime contra a paz.
Polly Higgins foi professora honorária Arne Naess na Universidade de Oslo (não académica). Ela é professora convidada em várias universidades, incluindo a Escola de Estudos Avançados, Universidade de Londres, Uppsala e Vancouver. Ela recebeu um Doutorado Honoris Causa em Negócios da Business School de Lausanne, na Suíça, e foi nomeada “Uma das dez maiores pensadoras visionárias do mundo” pela Ecologist Magazine. Além disso, ela ganhou o Peoples Book Award pelo seu primeiro livro 'Eradicating Ecocide' e publicou recentemente o seu livro 'I dare you to be great'.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Artista médico revela como era Jesus Cristo usando ciência forense


A aparência física de Jesus Cristo permanece um mistério. Nenhuma descrição da aparência de Jesus está incluída no Novo Testamento, e não há restos esqueléticos ou corporais para realizar uma análise de DNA. Isso significa que nossas ideias sobre sua aparência foram formadas principalmente por representações artísticas subjetivas. Até agora.

A Popular Mechanics relata que especialistas forenses britânicos e arqueólogos israelenses colaboraram para desenvolver um modelo de computador do rosto de Jesus Cristo com base na antropologia forense.

Lideradas pelo artista médico aposentado Dr. Richard Neave, da Universidade de Manchester, as imagens construídas pela equipa de cientistas sugerem que Cristo poderia ter um rosto largo, com olhos escuros, cabelos escuros curtos, barba espessa e pele bronzeada.

Neave e sua equipa basearam sua reconstrução na análise de três antigos crânios semitas – encontrados por arqueólogos israelenses e datados por volta do mesmo período em que Jesus viveu – e combinaram os dados com referências antropológicas.

De acordo com o Daily Mail, os olhos, lábios e nariz de Jesus Cristo foram estimados com base na forma dos crânios semitas. Os cálculos de um programa de computador determinaram a aparência dos músculos subjacentes e da pele.

Para determinar a cor dos olhos, cabelos e pele, os cientistas estudaram informações antropológicas, como obras de arte do primeiro século, referências literárias e a Bíblia.

Com base nos escritos de S. Paulo na Bíblia - que afirmavam que "se um homem tem cabelo comprido, é uma vergonha para ele" - a equipe verificou que Jesus provavelmente tinha cabelos curtos e crespos e que usava barba, conforme ditado pelos judeus. tradição da época.

A equipa levantou a hipótese de que, com base em sua ocupação como carpinteiro, Jesus teria uma estrutura muscular e pele bronzeada por trabalhar ao ar livre. Eles estimaram a sua altura num metro e meio e o seu peso em cerca de 50 kg.

O retrato resultante difere significativamente das representações encontradas na literatura ocidental e na arte renascentista. No entanto, a gama de representações artísticas de Jesus variam muito, dependendo dos contextos geográficos. Esta questão foi levantada recentemente, quando um homem de Nova York processou o Metropolitan Museum of Art em Nova York pela exibição pública de representações “racistas” de Jesus como um homem branco de cabelos loiros.

“Embora as imagens ocidentais sejam dominantes, em outras partes do mundo [Jesus] é frequentemente mostrado como negro, árabe ou hispânico”, disse Carlos F. Cardoza-Orlandi, professor associado de cristianismo mundial no Seminário Teológico Columbia em Atlanta, à Popular Mechanics.

Fonte e tradução: News Art Net

Leitura recomendada:

Encontros Improváveis- Clarice Lispector e Robin Guthrie - Sunflower Stories


"Um dos gestos mais belos e generosos do homem, andando vagarosamente pelo campo lavrado, é o de lançar na terra as sementes."~ Clarice Lispector 

António Lobo Antunes - Acha que falo mal das Mulheres?


António Lobo Antunes detesta a palavra “viral”, fica arrepiado quando lhe fazem o gesto das aspas com dois dedinhos no ar. No seu último romance, Natureza dos Deuses, em que acompanha a ascensão e queda de uma família de banqueiros que prefere nunca nomear (o leitor se quiser pode adivinhar), Antunes vinga-se. Até da clareza, da cronologia clássica, dos cânones da sintaxe. A força torrencial da linguagem alaga tudo, num emaranhado de vozes, obsessivas mas nunca histéricas, quase sempre perplexas, que se sobrepõem, atropelam, sem querer saber do espaço e do tempo, num “delírio caótico”. Como uma partitura musical, onde a melodia se perde e regressa ao refrão. Ou como um ecrã com várias janelas abertas, em que um leitor, ultraconcentrado, e com olhos de camaleão, assiste a tudo, em simultâneo. Logo ele que nem sabe abrir um computador (continua a escrever em caligrafia de formigueiro miniatural) e recusa o telemóvel. Porque, como dizia o (Umberto) Eco: “O telemóvel só serve a três classes de pessoas: os médicos ou os bombeiros; as pessoas portadoras de doenças, como diabetes; e os adúlteros.”

Costuma ser o escritor da marquise e do naperon, mas desta vez detém-se numa família de milionários. Porquê?
Como dizia Flaubert, “é preciso vasculhar toda a vida social para ser um verdadeiro romancista, visto que o romance é a história privada das nações”.

Vasculhou muito?
Não, porque não sou do século dele.

Os ricos do seu livro são tratados como sádicos na cama, que fazem das mulheres “os seus palhaços” e os empregados emprestam a mulher ao patrão…
Eu assisti tanto a isso na vida real, sobretudo no mundo dos ricos. Homens a oferecerem as próprias mulheres. Fitzgerald dizia a Hemingway que os ricos eram uma “espécie diferente”, e o Hemingway “pois são, têm mais dinheiro”. Mas não é só isso…

O desprezo?
Não desprezam, ignoram… Aqueles a que eles chamam “as criaturas”… A ambição de poder sempre me assombrou. Eu só queria fazer livros bons.

Onde se sentiu mais em casa: nos meios intelectuais, nos salões literários, na tropa, no hospital, quando era médico?
Sei lá. Faz-me cada pergunta… Frequento pouco os meios literários… Mas é quando estou com pessoas de quem gosto. Passei a infância num bairro pobre que era Benfica. Estou muito ligado a essas pessoas. Mais do que supunha. Apanhei uma tuberculose porque passava os dias em casa do sapateiro e de uns vizinhos que nós tínhamos. Era gente muito pobre. A minha mãe dizia que tinha herdado isso do meu pai: só gostava dos pobres, mas sentia-me tão bem com eles. Quando ia para a Beira Alta e se tomava banho numa selha, era tão bom… Eu estava sempre a transbordar de ternura, ainda estou, só que escondo. Gosto de pessoas que tenham gostos diferentes de mim. Custa-me quando são do Sporting, mas enfim, ninguém é perfeito…

Passou pela guerra, por três cancros, agora a morte de um irmão e da sua mãe… E reverteu muito do seu sofrimento para a escrita?
A gente não inventa nada. Estes dois anos foram terríveis, e agora o cancro do meu irmão João, que aguenta tudo com uma dignidade, uma coragem, que eu sempre encontrei nos cancerosos, sem uma única queixa… Quando passei 19 dias no hospital lembrava-me do Proust, sempre a olhar para a janela à espera que fosse dia como se o dia me viesse salvar de alguma coisa, não me salvava de nada. Tenho passado muito. Mas começamos a relativizar muita coisa… Eu tenho uma ideia sobre o meu trabalho… 
Posso dizer em off?

Preferia que dissesse em on…
Eu acho que nunca ninguém escreveu como eu em Portugal. Mas é só uma opinião.

Já atingiu um patamar em que pode escrever como bem entender e até dizer o que lhe apetece, sem se preocupar com as consequências?
Está a pensar no Fernando Pessoa e de eu ter dito que ele não fodia?

Por exemplo.
Isto está cheio de patetas, as perguntas nunca são bem aquelas e as respostas também nunca são bem aquelas. Primeiro era uma boutade. Foi num almoço, estávamos a gozar, e de facto eu acho mesmo que ele teria sido melhor poeta se tivesse feito amor… Como se pode viver sem fazer amor ? Não entendo. Mas só um palerma é que me vai atacar por eu dizer isso. Mas não. Não houve medíocre que não viesse morder. Não gosto da Mensagem, é evidente, como acho que o Livro do Desassossego é um conjunto de banalidades e lugares-comuns. Não sei para que estamos a falar do Fernando Pessoa, coitado, não tem culpa nenhuma… Isto é para dar matéria aos idiotas, para me virem morder os calcanhares, não chegam mais alto…

Pessoa e Eça são intocáveis?
Pois, e isso é extraordinário. Achava Eça um romancista extraordinário, já não acho. Tenho admiração pelo Antero e pelo Herculano. O meu pai citava Herculano: “Por meia dúzia de moedas Garrett é capaz de todas as porcarias, menos de uma frase mal escrita.” Não é bonito?

É.
Era um foco de discussão entre mim e o Zé [Cardoso Pires], ele achava que o Herculano era um chato. O que se faz agora é muito fraco, nem no estrangeiro há grandes escritores.

Os génios aparecem ciclicamente?
Pois, aparecem assim por revoadas. O milagre do século XIX, a quantidade de génios… só na Rússia havia dez ao mesmo tempo… [desfia os nomes com pronúncia russa], como em França e em Inglaterra. Agora não há. No século XX: Faulkner, Hemingway, Proust, Céline, Fitzgerald. O Thomas Mann é bom, mas chateia-me. O Musil chateia-me…

E o Joyce?
Admiro a proeza, mas às vezes penso se não será a proeza pela proeza.

O que encontra num livro bom?
O charme. Qualquer coisa indefinível que certos livros têm, certos homens têm, certas mulheres têm. É que não é ser bom tecnicamente. Têm que ter charme, não sei explicar. É qualquer coisa que nos faz tornar no verso do Neruda, “como uma onda para a praia na tua direção vai o meu corpo”. E depois como se racionaliza sobre emoções? Gosto porque gosto, porque era ele, porque era eu. As amizades são assim, como o amor. A gente conhece uma pessoa e fica amiga de infância. As minhas amizades foram sempre fulminantes, e depois duram para a vida, depois morrem antes de mim. É uma traição horrível um amigo morrer.

No seu livro diz: “A velhice não é roubarem-nos o futuro, é terem-nos roubado o passado”…
Tem a ver com a memória. E sem memória não há imaginação. Aquilo que as pessoas chamam imaginação não é mais do que a maneira como nós arranjamos e desarranjamos os acontecimentos da vida. Nada se inventa. Pode-se misturar as coisas, ou mostrar só metade, mas todos os livros falam da mesma coisa. E todos os escritores são uniformemente infelizes. Porque se fossem felizes não tinham necessidade de passar 16 horas por dia a escrever. Há uma dor com que se nasce… Os artistas sofrem muito.

Não é uma pessoa alegre?
Conhece pessoas alegres?

Conheço. Do seu livro, também: “Este atraso mental das pessoas felizes que dá vontade de corrigir ao estalo, o que vale é que passa depressa.”
Isso é alguém a falar lá dentro. Não tenho de subscrever isso [risos]. As taxas de suicídio entre os humoristas são muito grandes… Um sorriso é a tal lágrima entre parêntesis.

Já o vi a dançar, a cantar alto, pareceu-me feliz…
Estava a fazer muita cerimónia. É tão raro não haver inveja neste meio. No mundo provinciano, pequeno e saloio como é o meio literário em Portugal. Há muito poucas pessoas que me possam interessar e respeitar aqui. Tirando o Eduardo Lourenço. Rimo-nos imenso, ele tem muito humor. O Zé também, mas havia nele sempre uma amargura.

Uma vez disse que ninguém podia fazer um bom livro antes dos 24…
Ai, isso também gerou polémica?

Um bocadinho.
É verdade, não se pode escrever um bom romance antes de ter vivido. Poesia pode ser. Olhe, eu com essa idade só escrevia merda. Nunca tive pressa em publicar. Essa qualidade eu tenho. Não percebo porque isso causa polémica… mas cada vez que abro a boca…

Mas não faz de propósito?
Claro que não. Agora tudo tremelica. Há para aí umas criaturas, por causa das relações sexuais e poesias, ficaram insultuosos. Não era nada disso, aquilo passou-se num contexto diferente, quero lá saber se o homem fodeu ou não…

Tem teorias acerca disso?
Tenho lá… Olhe a Santa Teresa d’Ávila…

Também era virgem.
Não sei o que é pior, se isso, se aturar um homem… Deve ser terrível. Os homens não merecem as mulheres, reduzem tudo à genitalidade. Quando lhes deveria dar muito mais prazer estar sentado no sofá, de mãos dadas, a ver uma novela, do que um em cima do outro a esbracejar. O verdadeiro prazer vem do amor, que é uma coisa em que ninguém é bom, ninguém é mau. Tive de fazer muita sexologia… E o medo que os homens têm das mulheres? E como nós, homens, ligamos tudo à potência… Já comeste aquela gaja, e esta, e a outra?

Nunca entrou nesse registo?
Provavelmente entrei, não sou melhor que os outros. E no fundo os homens andam sempre à procura de uma outra coisa, andam tão perdidos como elas, querem ser amados, querem ser protegidos, gostados. Temos a ilusão de que assim afastamos a morte, porque ninguém está preparado para morrer.

Houve um cirurgião que lhe agarrou a mão durante a anestesia…
Foi um ato de amor, nem imagina como foi importante para mim. Há mãos de homem que apertam bem. As mulheres são muito mais exigentes. “O que fizeste da tua irmã gémea que abandonaste ao nascer?” Se os homens conseguissem não abandonar a irmã gémea ao nascer… O sexo não é o mais importante numa relação. A gente entrar um no outro numa relação, sem precisar de recorrer a esse apêndice. Eu já não sou um homem bonito.

Dá assim tanta importância a isso?
Ai, eu gostava de ser bonito. Fazer uma cara sorrir para mim. Mas sob esse aspeto convivo bem comigo. O meu medo é começar a escrever porcarias e não ter consciência disso, o Simenon chegou aos 70 e, como ele dizia, resolveu partir o lápis.

Continua a ler muito?
Claro. Olhe, o primeiro livro que me fez chorar foi o Love Story [de Erich Segal], emprestado por um sargento, na guerra. Chorei como uma Madalena. Porque todos nós temos uma criada de servir cá dentro, no sentido antigo da palavra. Todos nós somos muito pirosos.

Mas ainda lê os livros que a criada de servir que tem dentro de si lhe pede?
Às vezes, não sei se são bons ou maus. Um meu editor francês citava muitas vezes a frase de um general veneziano do século XVI: “É preciso agarrar a oportunidade pelos cabelos, mas não esquecer que ela é careca.” A gente a escrever é assim, eu sinto-me um pobre… Gosto muito de ler, é um prazer enorme. O meu pai estimulou muito a leitura aos filhos e a minha mãe deve ser a única mulher que eu conheço que leu o Proust duas vezes.

Porque não disse a “única pessoa”? Dito assim pode parecer um comentário misógino…
Acha que eu falo mal das mulheres? Deus me livre. Isso era dantes, não era? Eu devo tanto às mulheres, à minha avó, à minha mãe… Estava aqui sozinho, a escrever, e de repente sai-me, sem eu dar conta, um berro: “Quero a minha mãe!” Todos os homens quando estão aflitos querem a mãe, tenham a idade que tiverem. Vi morrer tanta gente nos hospitais e nunca vi um homem chamar pelo pai. É espantoso. Velhos e doentes com mais de cem anos: “quero a minha mãezinha”. Com mais de cem anos continuam a chamar pela mãe. É extraordinário.

Mas uma coisa são ‘as mulheres’, outra as nossas mães, irmãs…
Não tenho ideia de as tratar mal. Só tenho filhas, as pessoas que mais me marcaram foram todas mulheres, como é que eu poderia? O livro que estou a escrever agora anda todo à roda de uma mulher com Alzheimer, é também um desafio técnico, como é que eu vou descrever uma mulher que vai perdendo a memória? Sinto-me mais à vontade com mulheres. Ou então são elas que vêm ter comigo nos meus livros, sentam-se à boca de cena e começam a falar.

Dá ideia de que tem um ouvido absoluto para captar as marcas de oralidade, mas também repara tanto nos detalhes, nos pequenos pormenores… Também deve ter um espécie de olhar absoluto…
É só trabalho. Sou capaz, sem olhar para si, de dizer como está vestida, de cima abaixo. Se se tiver aberto aos outros, as coisas entram dentro de nós. E as pessoas são tão interessantes, mas depois há os chatos.

Fala dos políticos?
Fui infeliz durante este governo de direita, os erros, a maneira de falar, a arrogância, a ambição social que se notava naquela gente toda, e nos tipos que estão por detrás… É uma chatice, os alfaiates mudaram isto, porque dantes percebia-se quem eram as pessoas com dinheiro, agora vestem-se todos de igual.

Ficou contente com o acordo da esquerda?
Então não fiquei? Não pertenço a nenhum partido, mas estou mais à esquerda do partido socialista. Mas isso também não é importante: o pai do meu pai era conservador, salazarista, monárquico e era a pessoa mais democrata, bondosa e tolerante que eu conheci. Continuo a simpatizar com o Louçã. Gostei do Álvaro [Cunhal], era um homem irresistível, exceto quando se punha a falar de política, aí era impossível. Mas a falar de Bruegel era fascinante. A Catarina Martins tem uma inteligência cândida, que é uma coisa de que eu gosto. Uma cara, um ar e convicção que me é agradável. Parece-me a mim pureza. Oxalá não esteja enganado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"#Unchainemee"- campanha internacional para abolir o uso de Animais no Circo



Cada Animal Preso no Circo tem uma Cara” é o início de uma campanha internacional de ajuda ao resgate de todos os Animais domésticos e selvagens que trabalham ainda em Circos por todo o mundo.

Por todo o mundo há cada vez mais países a abolir o uso de Animais no Circo, devido ao importante e eficaz trabalho de Associações de defesa de direitos dos Animais.

Muitas organizações dedicam-se também ao resgate, reabilitação física e psicológica e transferência destes Animais para santuários onde possam viver uma vida sem encarceramento nem exploração.

Para apoiar este trabalho um grupo de cidadãos da área das artes e espectáculo juntou-se para criar 12 filmes que mostram a vida de escravidão que todos os animais, sejam eles domésticos ou selvagens, continuam a viver no Circo. Além da questão moral de fundo -- não temos o direito de explorar e manter ninguém em cativeiro para nossa diversão.

Em Portugal, participam neste projecto as muito conceituadas actrizes e actores: RITA BLANCO, ADRIANO LUZ, MARIA JOÃO LUÍS, JOÃO LAGARTO, CARLA BOLITO, FILIPE DUARTE, ANA BRANDÃO, RUBEN ALVES, MITÓ MENDES, MARCELLO URGEGHE, MANUELA COUTO E DIOGO AMARAL.

Sobre #unchainmee 

#unchainmee é um grupo informal de cidadãos a nível nacional e internacional, que se juntou para esta primeira campanha que defende a abolição de animais de qualquer espécie em Circos.

Sendo todos os membros de #unchainmee admiradores do circo enquanto arte e espectáculo com humanos, consideram inaceitável que animais de tantas espécies continuem a ser encarcerados e forçados a actuar.

No seio desta iniciativa nasceu uma produção internacional da autoria da realizadora Teresa Ramos que arranca agora em Portugal com 12 filmes que relatam histórias verdadeiras de animais que viveram no circo e foram resgatados. À semelhança da primeira fase portuguesa, estas histórias serão relatadas também noutros países e representadas por prestigiados actores dos mesmos.

Sobre Regulamentação versus Resgate e Libertação

A lei portuguesa, por exemplo, esquece a defesa e libertação dos animais ainda presos no circo, apenas proíbe a sua reprodução (e apenas de espécies selvagens) permitindo ainda a sua exploração.

Mas mesmo esta lei não é cumprida, visto que, na altura do Natal, continua a ser comum ver os circos apresentarem leões e tigres bebés, para oportunidades fotográficas com espectadores, quando isso é ilegal.

Uma observação do comportamento dos animais que se encontram encarcerados nos circos permite concluir que os sintomas de confinamento, como os movimentos repetitivos, as estereotipias, a coprofragia e tantos outros que estão muito bem documentados por médicos veterinários e biólogos especializados em etologia, demonstram bem a vida de escravidão a que são forçados os animais quando são mantidos nos circos.

Uma das histórias relatadas, a da Elefanta Shirley, mostra que, se os próprios zoos mais avançados do mundo começam a reconhecer, aberta e honestamente, que não conseguem oferecer aos seus animais a qualidade de vida e o espaço suficiente para lhes darem existência decente, então não há como conceber que os circos – ambulantes por natureza e com sistemas de jaulas como únicos alojamentos para os animais – possam manter os animais em boas condições.

Por Fim 

#unchainmee salienta também que este é um problema que afecta igualmente animais de espécies selvagens e de espécies domésticas (estas muito esquecidas ao olhos da lei e do público no mundo inteiro), como de resto se demonstra através das histórias que os filmes contam. A conclusão que se apresenta é de que todos os animais – e não apenas de espécies selvagens – que se encontram nos circos devem ser resgatados e colocados em santuários onde possam recuperar e preservar a sua integridade. O público deve ser incentivado a escolher apenas circos onde não haja Animais. 

Outras leituras